quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Tag Cinematográfica: Desafio dos 30 filmes (# 11)

Desafio dos 30 filmes - Dia 11: Um filme perturbador

Retomando a tag sobre filmes, vou ao desafio número 11, que consiste em escolher um filme perturbador.

Filmes perturbadores são aqueles que te incomodaram em alguma cena específica ou história e isso pode ser muita coisa, afinal, a mente humana reage sob diferentes estímulos. 
"O Exorcista" pode ser perturbador para um cristão fervoroso e pode ser uma verdadeira comédia para, por exemplo, um oposto de um cristão, um ateu. 
Um filme como o "It" baseado no livro de Stephen King, com um palhaço maléfico protagonista pode ser perturbador para quem tem medo de palhaços, mas pode ser bobo o suficiente para quem assiste filme de terror e/ou não se assusta com nada.
Mas, filme perturbador é filme cuja trama tem algo de polêmico ou que toda sua história seja polêmica: personagens que agem sob uso de entorpecentes o tempo todo, que frequentam bares sadomasoquistas, podem ser exemplos. Filmes que  possuem cenas violentas de estupro, cenas de sexo explícito ou orgias, incesto, necrofilia, além de canibalismos, torturas, mutilações, sacrilégios, deformidades... Resumindo: situações visualmente indigestas que a gente prefere não ver. 

Numa busca rápida para ver a diferença de filme perturbador e snuff movies (que são filmes que contém cenas reais, não encenados simplesmente, como cenas de assassinatos), descobri que os mais perturbadores filmes, que encaixam em pelo menos dois dos exemplos que eu citei acima, eu não assisti a nenhum deles. 
Agora, que contenham um certo "terror psicológico", aí eu vi alguma parcela. Dentre eles, comumente são citados: "Cisne Negro", "Janela Secreta", "A Ilha do Medo", "Garota Exemplar", "O Labirinto do Fauno" entre outros. Destes, não assisti "Cisne Negro", mas sei o contexto e duvido que se encaixasse na resposta para a tag. Já "Janela Secreta" e "A Ilha do Medo" são filmes bons, interessantes, mais de suspense, mas não passam disso. Não me lembro de ter ficado pensando neles. "Garota Exemplar" tem Ben Affleck com sua cara de bidê de sempre. O filme oscila ritmo e oscila seus sentimentos com as personagens, mas nem assim, me causou caos aos neurônios. "O Labirinto do Fauno" incomoda, mas não perturba.
As listas sugerem também filmes como "Transpotting", "Requiem para um sonho", "Psicopata Americano", que são mesmo perturbadores, mas não lembro de todos os detalhes deles para escolher um e comentar. lembro de pedaços que de fato, não são cenas boas de se ver. 
Não assisti nada de Lars Vont Trier, por opção mesmo. Não consegui passar dos 20 minutos de "A Laranja Mecância", e tentei assistir o longa mais de uma vez. Não sei se conseguiria ver qualquer coisa de Trier. Mas já consegui assistir David Cronenbergh que, por sinal, não foi citado em nenhuma lista... Filmes que achei bem estranhos como "Filth" que achei meio maluco ou "Shame", cujo tema é polêmico, não apareceram, todavia. Está aí um meio de indicar que o que é perturbador para uns, é normal para uma outra parte.

"Filth" é o típico filme que a gente assiste e fica com aquela cara de "tá, e daí?" no fim: Bruce Robertson (interpretado por James McAvoy) é um homem viciado em cocaína, misantropo, bipolar e obcecado por sexo. No meio disso, ele é um policial, responsável por investigar um assassinato brutal e ele deseja mais do que encontrar o culpado. O caso parece ser sua fonte para conseguir uma promoção, e também conseguir reconquistar o afeto de sua ex-esposa e de sua filha. Mas, é tanta cena estranha que a gente se perde. Eu fiquei sem saber se era necessário todas aquelas bizarrices para o personagem conseguir completar sua "missão". 
Já "Shame" é um filme sobre um homem, Brandon (que é Michael Fassbender). Aparentemente bem sucedido, ele mora sozinho em Nova York, mas tem problemas de relacionamento. A sua rotina como um viciado em sexo acaba abalada quando sua irmã aparece de surpresa, pretendendo morar com ele. E eu não consegui ir mais longe do que isso e entender qual a relação da irmã na trama e todas aquelas cenas de sexo. 
Mas posso afirmar que foi talvez falta de análise minha. O filme deve ter um propósito para figurar a patologia da e não é simplesmente um "50 Tons de Cinza" com um propósito de mostrar uns orgasmos na tela grande e fazer um pessoal querer (ou não) relacionamentos tais como aquele retratado.

Mas a tag é responder um filme que achei muito perturbador a ponto de entender toda a trama, achar doentio e claro, achar difícil de admitir, que é na verdade, criativo. E a minha escolha 1 é, embora eu escreva isso com certa relutância. Pelo menos serviu para que eu não arrisque a assistir um filme de Pedro Almodóvar sem antes, preparar-me psicologicamente.  



"A Pele que Habito" trata-se de Roberto Ledgard (interpretado por Antonio Banderas), um conceituado cirurgião plástico, que vive com a filha Norma. Ela possui problemas psicológicos causados pela morte da mãe, que teve o corpo inteiramente queimado após um acidente de carro e, ao ver sua imagem refletida na janela, acaba se suicidando. Roberto é obcecado por recriar em seu laboratório, pele humana - que dá título ao filme, quase como um spoiler.  O psiquiatra de Norma acredita que esteja na hora dela tentar a socialização com outras pessoas e, com isso, incentiva que Roberto a leve para sair. Diante de um suposto estupro da filha, Roberto elabora um plano para se vingar do estuprador.
E é nessa vingança que só no fim percebemos o quão doentia é a história. O roteiro é baseado no livro Mygale, de Thierry Jonquet - ganhando toques bem peculiares de Almodóvar...
Se eu contar o que é exatamente perturbador do filme, conto "o mistério". Envolve sim a reconstrução de pele e a vingança com o garoto. E tudo é muito perturbador e catastrófico de se imaginar.

Um outro filme que assisti e não conta em nenhuma lista como um filme perturbador é "Ex-Machina: Instinto Artificial". Este filme eu gostei, mas não é tão caótico ou doentio como os já citados. Se encaixa mais num tipo de filme que poderia ser um dos meus favoritos se o o final não fosse tão revoltante. Revoltante, mas não por ser perturbador, algo que ele é e foi impactante para mim.


Caleb (Domhnall Gleeson) é um jovem programador de computadores que ganha um concurso na empresa onde trabalha para passar uma semana na casa de Nathan Oscar Isaac) - o brilhante e recluso presidente da companhia. Após sua chegada, Caleb recebe a notícia de que foi o escolhido para participar de um teste com a última criação de Nathan: Ava (Alicia Vikander), uma robô com inteligência artificial. Convivendo com ele num lugar super isolado, uma casa totalmente equipada com sistema de segurança elaborado e tudo mais, Caleb se relaciona com a robô em programas de conversas, e essa criatura se apresenta sofisticada e sedutora de uma forma imprevisível, complicando a situação ao ponto que Caleb não sabe mais em quem confiar. O jovem acaba um tanto paranoico sobre o que ele é e o que está acontecendo. O resultado dessa relação Caleb-Ava e Nathan assistindo, é devastadora; tanto para o criador de Ava quanto para Caleb, que é manipulado (sentimentalmente falando) pela robô. 
O fim é revoltante, como disse, mas mostra as diversas vertentes da mente humana: a soberba, a vaidade, a manipulação por poder e o abuso da complacência ou mesmo, amor, de uma outra pessoa.

Se formos parar para pensar os filmes devem contar histórias, e as histórias, desde o começo dos tempos, quando passamos a produzir formas de comunicação, são parte do que somos: os desenhos nas cavernas contam o dia-a-dia dos primeiros homens caçando para sobreviver e deixando suas marcas históricas - Histórias são contadas por desenhos e esses desenhos viraram símbolos que designaram letras e nunca paramos mais de contar e escrever histórias para nos entreter ou para produzir conhecimentos. Quer elas sejam perturbadoras ou não. Uma boa história vai sempre valer a pena de ser contada.  

Abaixo, as outras 10 escolhas de desafio cinematográfico postadas no ano passado:

Dia 6: Um filme ruim de um diretor bom;
Dia 7: Um filme que você não entendeu ou teve dificuldade de entender;
Dia 8: Um filme com seu ator favorito;
Dia 9: Um filme do cinema nacional;
Dia 10: Um filme que tem vergonha de dizer que gosta

Comentem: qual filme que vocês assistiram e acharam bem perturbador?

Abraços afáveis!

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