terça-feira, 27 de novembro de 2018

F1 2018: Abu Dhabi, coroando o morno ano

{Demorou, mas...} 

Antes mesmo da coletiva de imprensa, a gente tinha uns desenhos esboçados de como seria o fim de semana em Abu Dhabi: algumas entrevistas, algumas alfinetadas, umas três ou quatro despedidas, uma delas definitiva... 

Mas no meio da classificação, eu "encarnei o Nostradamus". Algo não muito difícil, vocês mesmos devem ter sentido a presença do "vidente" - se é que era vidente mesmo. Ia ser o GP mais porcaria do ano, fechando quase tudo que aconteceu na temporada: situações desagradáveis, muita bobagem, ações desnecessárias e um resultado morno, para não dizer chato. 

Estão sentados né? Então, aviso que vai ter lamúria e se estiverem de pé, é melhor deitar pois pode dar sono a minha ladainha...

Primeiramente, precisamos urgente de uma transmissão menos amadora e desrespeitosa com o fã brasileiro da categoria. Não basta as mesmices ou os comentários totalmente descartáveis: não há nada de bom que a Globo ofereça para nós com o que ela fez ano a ano com a F1 na programação. Corridas de meio de temporada são eclipsadas por jogos de futebol já faz um tempo, e agora, não há nem sequer a desculpa de falta de ibope ou preferência pelos 22 bananas ricos correndo atrás de uma bola,  sob o pretexto de que "vale vaga em algum campeonato ou é decisão de algum deles. Agora temos de engolir, muitas vezes, cortes de momentos importantes, tais como foi o pódio ontem. 
O fã do esporte pode até saber que certas trivialidades da categoria, tais como a festa com champanhe ou entrevista pós corrida, seja apenas algo que venha de bônus dado e evento; e o que vale mesmo é a corrida. Porém, esse bônus, quando nos falta, é incômodo. 
Ficamos a ver um programa da grade, comentando campeonato de futebol que - em tese - já estava garantido em sua decisão.  Não apresentava novidades. Também não custava um pouco mais de deleite para que víssemos o festejo dos três do pódio, e um acréscimo de despedida de um piloto que sim, fez história na categoria. 

Eu sei que disse que a F1 não teria atrativos pois não valia nada. Mas vamos ficar até março sem corridas. Por mais que ainda reclame das macaquices do Hamilton no pódio, perdemos os zerinhos que ele e Vettel fizeram junto à Alonso, os dizeres de ambos em respeito ao espanhol - que sai da F1 depois de muitos anos sem protagonismo na categoria. Perdemos Vettel e Verstappen sorridentes apesar de tudo e Hamilton, tirando a camisa e tomando banho de champanhe na sua pele tatuada. (Ficou meio erótica essa última sentença, mas não era essa a intenção, juro. É que talvez, essa cena jamais foi vista, ainda mais protagonizada por uma pessoa com a pele tão pintada...).
Não tivemos esse direito. De bônus, tivemos apenas uma transmissão sumariamente irritante, até mesmo para quem não dá a mínima para Alonsos, Raikkonens, e afins. Houve um sem número de histórias mal contadas, coisas que não foram bem do jeito que eles disseram, pataquadas que pregam como verdades puras, que agente que acompanha a F1, está cansado de saber.  
Talvez, e o otimismo é uma dádiva que poucos possuem, aquela de que o Alonso é uma pessoa difícil foi dita pela última vez. Infelizmente eu não possuo esse talento. Temo em ser contraditória e escrever aqui, que toda a vez que falarem em Alonso, pela menor faísca que surgir de oportunidade, é certo que retomarão esse "ponto de vista" que pode, no fundo, ser uma baita historieta aumentada. Ainda temos dois anos de outra grande chatice:  dois anos para caso haja oportunidades, acusarão Raikkonen de ter vencido 2007 apenas porque Massa lhe deu passagem na última corrida do ano. Ai de nos se dissermos que isso, deveria ser vergonhoso de ficar repetindo, e não é para o Raikkonen que essa vergonha é guardada no apêndice da história. Massa não teve, minimamente, culhões para dizer: "não vou deixar passar não, que se vire!"... Mas é aquela coisa: cada um puxa a brasa para sua sardinha. 

Se eu não gosto do Hamilton, se alguém não vê a mínima graça no Vettel, se é comum um fã do Raikkonen curtir a sua falta de expressão mais que sua pilotagem, ou se alguém vai abandonar a F1 por que não terá mais Alonso, tudo isso, entre outras possibilidades, ainda que levante a bandeira de algumas delas ser bem das incoerentes, é bobagem querer mudar a mente por simples convencimento. A gente é, na maioria das vezes, movidos por emoções - e são, muito incontroláveis e um tantão contraditórias.
O que não se deve admitir é que a emoção governe o jornalismo. Eu sei que é muito difícil ser isento, ainda mais do que gira em torno de uma atividade humana. Mas as particularidades do que os transmissores da Globo, na F1 (não posso dizer sobre os outros esportes, mas pelo pouco que sei, não têm tratamentos diferentes), não é verdade suprema. É a verdade particular. É o achismo deles. A impressão que dá é uma grande falácia, um tirar proveito para dar legitimidade à coisas que são largamente fracas e incapazes de se sustentarem por si mesmas. 

Essa é a minha opção de debater o que foi Abu Dhabi. Foi o que saltou aos olhos. Uma necessidade de afirmar coisas irrelevantes, passados já superados. A corrida acontecia e ninguém se movia para narrá-la. A gota d'água veio com o corte do pódio. Mais que a mesmice do resultado, mais importante que a despedida de um piloto importante, mais do que o protegido do narrador, mais do que fazer balanços criteriosos sobre as últimas ações dos protagonistas da categoria, parecemos ali espectadores pedintes de esmolas numa festa de caridade, onde se arrecadou o que precisava dos "patrocinadores", mas a festa ficou só para aqueles que doaram o dinheiro para fugir do imposto de renda. 

Poxa, sacanagem, não? 

Abraços afáveis!

PS: Demorei a postar o comentário da corrida e acabei não fazendo o que queria que era fazer um balanço do ano, comentar por piloto, passo a passo, a sua projeção (caso permaneça na categoria), para 2019 e fechar o assunto. Farei isso, até o fim da semana, se assim as atividades permitirem - a semana voltou a ficar cheia. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Faixa a Faixa: Meliora

Mais outra postagem do Faixa a Faixa, desta vez programada em um intervalo de 15 dias. É necessário manter a palavra mesmo com as atividades batendo à porta novamente. Desta vez, estamos com a segunda escolha da última enquete. Led Zeppelin acabou empatando com Ghost com três votos cada um. Para quem não viu o post do Led Zeppelin III, basta clicar aqui
Hoje, vamos de Ghost e este é sem Patrick Swayze (rsrsrsrsrs...)


♫ Nome do álbum: Meliora

Este é o terceiro álbum da banda Ghost. Se tivesse feito essa postagem, por exemplo, há uns três anos atrás ela seria um tanto diferente. Eu diria que algumas coisas que poderia manter para esse texto: banda de origem sueca, que começou suas atividades musicais em 2008, e possuem membros anônimos que atendem por nomes inventados: os instrumentistas são os Nameless Ghouls, com símbolos que os diferenciam(Fire, Water, Air, Earth e Éter), e o vocalista, Papa Emeritus I (do primeiro disco e turnê), o II (do segundo disco e turnê) e, o III, do Meliora (e a turnê subsequente) da qual trataríamos um pouco mais, aqui.

Cada Ghoul usava máscaras iguais à essas:

No começo do Ghost

Do disco Meliora em diante

Já os Papas, eram em tese, pessoas diferentes. De diferentes personalidades, sempre foram figuras anti papais, satânicas mesmo. O I, foi aposentado dando lugar ao II e ao terceiro disco, o III: todos com jeitos e trajes que compunham seu arquétipo. Isso tudo, fazia (e ainda faz) parte de uma narrativa interessantíssima sob o ponto de vista do entretenimento, sobretudo quando se aposta muito na atmosfera do Horror Show, como pano de fundo para a banda em diálogo com seus fãs, não se limitando apenas à composição musical, mas também um apelo imagético.
Até aí, ainda podemos fazer o uso das informações sem estar atropelando as definições atuais.

Especulações sobre a identidade de todos eles sempre foram feitas, algumas vezes até foi divulgado serem integrantes de bandas suecas já extintas. Nada confirmado até que a brincadeira acabou perdendo seu sentido graças à uma briga de egos que acabou na Justiça.
Em meados de março de 2017, Martin Persner, revelou em um vídeo que era o guitarrista do Ghost, atendendo pelo "símbolo/nome" de Éter ou Ômega.
No mesmo mês, fãs perceberam que alguns músicos haviam sido realocados. Eles perceberam pelos seus tipos físicos e trejeitos no palco que não eram mais os mesmos membros. No mês seguinte, mais quatro membros revelaram suas identidades (Simon Söderberg, Henrik Palm, Mauro Rubino e Martin Hjertstedt). Veio à tona um processo judicial que os "revelados" moveram contra o mentor da banda, que acabou precisando sair do anonimato. Então conhecemos Tobias Forge, o homem por trás dos 3 Papas que encarnou nas apresentações, o que formulou o conceito da banda e convidou amigos para fazerem parte do projeto. A apunhalada nas costas veio ao notarem que eram bem sucedidos e conhecidos na Europa, mas não tinham uma participação financeira considerável (para eles). Tobias veio à público a dizer que a banda era seu projeto solo e que os demais eram convidados que recebiam por apresentação ao vivo.
O que pareceu era que, quem tem toda a criatividade em jogo, e sustenta sua posição, é sempre o vilão da coisa. A figura mercenária. Os demais, são vistos como coitadinhos escravizados. E então, entre fãs e admiradores, a coisa rachou em duas. Os malucos que detestam a banda por qualquer coisa, só intensificaram suas críticas.

Teria sido mais fácil, que eu escrevesse antes de que toda as informações identitárias tivessem vindo à tona. Agora, há um sem número de músicos que passaram a dividir palco com Forge. De qualquer forma, Tobias agora mantém sua imagem longe de holofotes o quanto pode, ganhou na justiça, provando que o projeto era seu e que ele coordena "o poleiro". Mas essa história ainda vai longe já que os "revelados" não se deram por vencidos.

► Arte, capa e encarte:

Meliora, vem do latim, "Melhor" e faz jus ao nome. Foi lançado no dia 21 de agosto de 2015.
A capa, aparece o Papa, num grande altar em estilo gótico. 



Além do visual capa, disco e contra capa,  o encarte contem desenhos para cada uma das 10 faixas, riquíssimas em detalhes:








Encarte preciosíssimo que vale a pena ter. Afinal de contas, as fotos ficaram meio ruins. 
A arte de toda a capa é produção da Sleeve Art Work.

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Bem, quanto a vocalista, a coisa é simples: Tobias Forge, encarna o Emeritus III, no ápice de seu vocal, na minha opinião. E o "queridão" é guitarrista, parecendo pelas informações que ele divulgou que foi mero acidente ser o vocal... Pelos que me consta, os músicos convidados podem e não podem ter participado da "feitura" do disco. Em tese sim, e disseram não ter sido remunerados do jeito que queriam ou o que pensavam ser justo.
 Tobias, que é o Ghoul Writer - ou seja, o "Ghoul" escritor das letras, que seria um personagem diferente do Papa. Ele é o detentor de todas as 10 canções do disco.
Logo depois da disputa judicial foi informado as parceiras de cada canção, com a devida menção e nomes: Forge assina sozinho a faixa "Devil Church". Com Martin Persner: "Spirit" e "Majesty". Ambos, mais Klas Åhlund: "From the Pinnacle to the Pit", "He Is", "Absolution" e "Mummy Dust" - que conta também com mais um compositor além dos 3: Gustaf Lindström."Cirice" e "Spöksonat" são de Forge, Åhlund, assim como "Deus in Absentia" que acrescentaria o compositor Johan Ingvar Lindström.
(Ah esses nomes suecos!!! Verdadeiras maravilhas com esses tremas!!!)

Convidados? Bem... Eram os músicos, mas eles acharam ou eram de fato, integrantes... 

► Produção e gravadora:

As gravações ocorreram em Eastwest Studios em Hollywood, The Village Studios em Los Angeles e  na RMV Studios em Estocomo. As gravadoras responsáveis são: Republic e Loma Vista Records.
A produção é de Klas Åhlund, os engenheiros são Greg Gordon e Adam Kasper e a mixagem foi feita por Andy Wallace.

► Música favorita do álbum e a segunda melhor:

Tentando escapar de uma resposta clichê, minha escolha vai para "Deus In Absentia" e a segunda melhor é "He Is". Mas verão que eu gosto bastante do disco pelo que escrevo logo a seguir, sobre cada faixa.

► Faixa a Faixa: 

♫ Spirit

Spirit começa com uma introdução macabra com cara de filmes do Drácula em preto e branco. Logo a canção tem a entrada mais pesada e melódica com os vocais. 
  
♫ From the Pinnacle to the Pit  

É nessa aqui que para quem tinha ouvido algumas canções dos discos anteriores do Ghost como eu, achou que Papa Emeritus III era o mesmo cara, mas estava muito, mas muito mais evoluído em termos de interpretação. Fora que eu acho o refrão uma delícia. E tem uma preponderância do baixo nela que acho fenomenal.

♫ Cirice


Música de clipe, o mais legal deles, inclusive, e que tem o apreço de Forge como música favorita.
Eu acho ela completa. Apesar de não ter escolhido como a favorita ela é perfeita: ela tem todos os
elementos que fazem do Ghost uma banda espetacular: peso na medida certa, lirismo (se é que posso
chamar assim), atmosfera macabra, uma bela voz, um trabalho majestoso com os elementos das cordas
e da percussão, e um piano para amaciar os ouvidos mais apurados. A letra, é poesia rsrsrsrs...!

♫ Spöksonat

Tradução do sueco, "Ghost Soneto" é uma canção de interstício de faixa, totalmente instrumental com 54 segundos. Ela nos prepara para "He Is", um verdadeiro hino de igreja, só que em louvor àquele lá de baixo...
  
♫ He Is

Depois de conhecer a banda eu acabei ouvindo o "Meliora" inteiro quando estava no seu primeiro ano de lançamento e divulgação, em meados de 2015. E que maravilha foi ouvir "He Is". Ela tem melodia muito semelhante à uma requintada música gospel. Mas me apaixonei pelo vocal e pouco me importei com a letra ser meio que uma heresia hehehe...
Convenhamos, é bobagem nos atrelarmos a isso. E, obviamente, esse fator não tira o mérito da banda, mesmo que seja em satirizar a religião católica. Vejo muita gente de dentro da Igreja que é capaz de ações muito piores que o pessoal que critica a instituição. Então, não me sinto ofendida nem pela sátira, nem mesmo pela faceta de não serem, de fato, satanistas como alguns "true metalheads" apregoam por aí. Infantilidade, simplesmente.
  
♫ Mummy Dust

Se a pedida é algo mais pesado logo depois de uma quase balada, "Mummy Dust" dá conta demais do

recado. A aposta por cantar mais rouco de Tobias casa perfeitamente com a ideia da figura de uma
múmia e mesmo com esse tema, ela acaba nos agraciando até com solo de teclado um tanto frenético,
mas nada relacionado à ritmos egípcios, fugindo do clichê.

♫ Majesty  

Essa faixa tem uma introdução de guitarra que lembra uma banda dos anos 70, fortemente. O trabalho

das guitarras aqui são uma verdadeira delícia, predomina um estilo cavalgado de tocar que eu gosto
muito, até uma virada de melodia para o refrão. Para quem gosta de guitarras, essa música é tudo de
bom. Poderia ser fácil, uma das minhas favoritas.

♫ Devil's Church

Começando com um órgão, Devil's Church caminha pelo estilo quase gospel de novo. Trás um coral

ao fundo, e funciona como abertura para Absolution.
♫ Absolution

A complicação da minha postagem: Sou louca com essa música. Gosto muito e poderia estar na lista de favoritas. Não consigo, por exemplo, ficar sem cantar junto, o refrão. Isso, ao vivo... Amigos... Deve ser espetacular! Porém, eu tenho o bom senso e não canto com ninguém perto. Estragar a música pra quê?

♫ Deus in Absentia 

A minha escolha de favorita é divina, com o perdão do trocadilho, rsrsrs... "The word is on fire and you are here to stay and burn with me" é uma frase do refrão, quase romântica, só que não, hehehehe... Essa música tem uma predominância de teclado grande, e uma letra poderosa, coral quase gregoriano e tudo que tem direito. Por isso: divina. Não consigo nem descrever mais que isso.

► Porque gosta de uma música do álbum:

Eu não tenho uma música que não goste. Sinceramente. 

► Uma história do disco, uma questão pessoal ou uma curiosidade:

Não há nada de especial e grandioso. Comecei a curtir a banda depois que vi a apresentação deles no Rock In Rio em 2013. Logo, tomei contato com "Meliora" por inteiro e adquiri o disco, maravilhoso, ano passado, de presente de aniversário para mim mesma. Este ano, comprei "Opus Eponymous" e um dia, atualizo a discografia com "Infestissuman" e "Popestar" - ambos só importados e fora de catálogo nacional. Graças à Livraria Saraiva, estou desde agosto a esperar pelo meu "Prequelle"- o mais recente disco - que muda toda hora de data de envio por causa de uma distribuidora que não desempaca o meu CD...
A banda me cativou pois sai do óbvio: por ter essa temática meio satanista, máscaras e todo um visual macabro, pensei ser um grupo com vocal rasgado ou gutural, muita guitarra estridente e bumbos duplos na bateria. Na verdade é uma mistura, não muito bem delimitada. Há músicas com o pé no doom metal (especialmente pelas letras), muitas acompanha o heavy metal tradicional, possui vocal e algumas músicas melodias características do rock dos anos 70, e flerta com o rock alternativo fortemente.
Então para galera bitolada do Metal, pode ser uma pedida que traga algumas reviradas de olhos e muitos narizes torcidos. Mas falo sem medo de ser feliz: é uma das bandas mais criativas dos últimos anos, sem soar com nenhuma outra em específico. Tobias Forge faz um trabalho incrível, em tempos de tanta mesmice cultural, abrangendo tantos estilos musicais que simplesmente é impossível não babar colorido para ele.

► 5 sugestões para a próxima postagem:

Decidi manter os 3 da última enquete, e acrescentar mais dois discos. Essa postagem virá depois do GP de Abu Dhabi, já aviso. O GP é dia 25, e deve ter algumas postagens sobre ele e o fim da temporada. Então, na semana do dia 26, os dias que se seguirão trazem a última chance de votarem no disco que aparecerá aqui no Faixa a Faixa. 



Abraços afáveis! 

PS: Publiquei o texto sem uma revisão densa para evitar de acrescentar mais coisas. Comentem alguma falha e arrumarei assim que chegar: Estarei viajando, por isso uma singela pressa. Quando voltar, respondo também os comentários. Bom feriado à todos, e inclusive os que terão feriado prolongado.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

GP do Brasil: Clichê do ano

A grande boa vantagem de ter um GP no Brasil, é saber que, algum dia, você pode estar lá. 
As vezes, isso é bem remoto, como no meu caso. Ainda não parece ser possível que eu nade em dinheiro. Especialmente porque - como um petista me acusou - escolhi estudar ao invés de trabalhar (como se existisse assim, trabalhos na minha área que condissesse com a minha formação e que eu conseguisse qualquer um só estalando os dedos) e assim, devo ainda fazer concessões para quem meu 2019 mude, por exemplo. Ainda assim, pensar em GP de corpo e alma é difícil, já que eu teria que vender um dos dois para estar lá. 

A segunda boa vantagem é que eu sempre conheço alguém que vai estar em Interlagos. Assim, faço a união do útil ao agradável: assisto à corrida por gosto (ainda que sádico) e torço para um grande evento para os que estão lá tenham momentos plenos de satisfação.

Dessa vez, cumpri esse segundo e de novo. Recebi mensagens de amigos virtuais que foram para o GP e fiquei mega feliz que eles estivessem felizes. Apesar de algumas situações específicas de cada um, estes amigos foram e se divertiram, outros foram pela primeira vez e saíram de lá com um saldo super positivo, e encantados com o momento. Eis o que realmente vale a pena: poder ficar feliz pela felicidade dos outros. Tentem, vale a pena!

Em termos práticos o GP do Brasil não foi o melhor dos mundos. Talvez razoável. 
Tivemos uma classificação mau transmitida, com um conhecido Galvão ligado no 110v, mas ainda assim, falando muito. Nem vou entrar em detalhes, mas ele é como aquela moça que está perto do crush e fala sem parar como uma maritaca. O crush era o "pouca telha" Felipe Massa. 
Depois de uma pole óbvia e sem emoção de Lewis Hamilton, agraciando os "baba ovos" de plantão, já que ele é fã do Senna/Santo e "parça" do Neymar, cortaram a transmissão rapidamente para um programa de um coxinha mais chatonildo da grade da emissora. 
Há de se convir que a população prefere o programa, mas o descaso de quem dá audiência para a emissora só quando passa F1, é grande.

Eu mesma era meio contra gastar dinheiro com tv por assinatura. A gente não consegue ver tudo que tem de opção nos canais e se submete à gastar umas economias mensais que poderiam ser convertidas em necessidades menos fúteis. Porém, canais abertos não facilitam nossas vidas. A Globo com a F1 faz isso: compra o direito, mas não tem esmero nenhum com o evento. Agora se fosse a Fátima Bernardes com suas "pataquadas" ao vivo, aí é uma amanhã inteira de dedicação.
Eu falo da Globo, mas com segurança em outras emissoras, algumas reclamações seriam feitas. Silvio Santos passaria os GPs entre Chapolin e Chaves. O GP do México seria mais importante que o do Brasil e ele colocaria narradores venusianos com comentários da Maísa e o Yudi (ou sei lá como é o nome do garoto). 
A Band faria o que desse, mas se tivesse campeonatos de futebol a ser comentados a exaustão durante 3 horas ou mais por falastrões, é capaz que tivéssemos cortes bruscos dos GPs do mesmo jeito que há na Globo.
Record não é por mim considerada televisão e a Rede TV faria programas com a Sonia Abraão a falar de pilotos que já se foram e convidaria fofoqueiros para contar da vida privada de cada piloto que ainda estão aqui. Talvez saberíamos, através dela, em qual time o Ricciardo joga (vou sofrer retaliações por isso, mas juro que é brincadeira).

Hoje, eu admito que talvez a tv a cabo seja mais necessária que antes, ainda que a SporTV não faça o melhor das transmissões. Ainda falta comprometimento para mostrar entrevistas do jeito certo e não ficar fazendo recortes de falas de pilotos para dar "polemiquinha". Ambas, tv aberta e fechada, estão unidas num só propósito toda corrida, seja quem for o narrador ou comentaristas: ficar fazendo projeção e cálculo do que vai acontecer na corrida, ficar forçando a barra a falar que "fulano vai chegar e vai passar" só para nós, trouxas, ficarem até o fim das corridas.

Trouxas aqui sou eu e você que se deu trabalho de ler esse texto nessa segundona de novembro, já projetando o feriado do dia 15 em que vai "morgar" no sofá, até grudar a pele no tecido ou couro do móvel. Alguns ainda, ao verem que o seu piloto ou equipe favorita está com problemas, abandonando ou passando vergonha, desligam a TV. Eu não acho que isso seja a boa opção, mas eu entendo. Sádico somos nós que ainda ficamos para ver o óbvio. Eu ia dizer que talvez gostamos mais de F1 que os demais, mas toda hierarquização é fadada ao fracasso, então... Deixa para lá! 

Houve uma enxurrada de clichês combinados em resultados e circunstâncias. 
Teve chuva nos treinos, teve uma bizarra ação da FIA (o que foi aquela bobagem de chamar Vettel para pesagem e não estarem arrumados para isso?), uma pole "milagrosa" do Hamilton - que vocês engoliram, mas eu não. Houveram comentários desnecessários, puxa-saquismo para o convidado, aulas das curvas de Interlagos (essa é a mais nova, junto com a "chuva vem da represa"... Quem não sabe?). Uma corrida enfadonha, que tinha como comentário prévio o enunciado: "As Ferraris vão atacar e vão vencer a corrida". Isso partia da premissa de nos deixar esperando pela derrota do campeonato de construtores da Mercedes e legitimar o discurso de que a Ferrari tinha o melhor carro do grid. 
Eu já sabia que o Bottas seria o segundo colocado já na largada, pois "falta de equilíbrio" com pneus ou sei lá o quê por parte da Mercedes era uma ova. Nenhum carro "problemático" assim faz pole. Em vista que o Lewis já é penta campeão, subitamente a Mercedes teria às suas mãos um outro cara para poder garantir o campeonato, desde que ele afastasse as Ferraris de perto do Intocável. Esse era Bottas. Do nada, ele reaprendeu a fazer largadas boas e sem tocar em ninguém. Mais sorte ainda é que Vettel está totalmente aniquilado. Quase não combativo, deixou o cara passar e se viu só perdendo rendimento, perdendo posição até para Kimi que agora é um piloto "de saída e sem pressão". 
A Mercedes só não contava com o impetuoso Verstappen, que esse sim, estava com vontade de vencer e pode ser dito que se tenta, tenta mais por força própria do que necessariamente, por motor saudável.
Logo ele era o primeiro e nem o penta campeão era páreo, deixado a comer poeira. 

Até que Esteban Ocon. Sim, este. Decidiu-se, enquanto retardatário, não abrir espaço para Verstappen, que tinha a corrida na mão. Disputou posição com ele, ao invés de frear e deixar passar... Isso não é proibido, mas também não é lá prudente. Indica exatamente porque é que não tem vaga ano que vem e não é piloto de ponta. Indica, mas não confirma. Confirma particularmente para alguns, talvez muitos entendidos de F1. Não indica para quem tem birra com o Verstappen. 
Esses "birrentos" vão dizer que quem tinha mais a perder, era Max, e que, por sua petulância e por ser um inconsequente, não soube esperar para ultrapassar Ocon numa oportunidade mais favorável e sem toques. 
Eu sinceramente acho, que existem "fãs" e "fãs" de F1. Os que gostam de pilotos justos, perfeitinhos e moldados a boas condutas. E os que gostam de pilotos vorazes, rápidos, com personalidades fortes e orgulhos desmedidos.
O primeiro grupo não chega a lugar nenhum. O segundo, se não amaciado por alguns fatores, são até grandiosos, mas logo viram castelo de areia destruídos pela maré - Exemplo? Alonso e Vettel. 

Ocon errou. Deveria obedecer a bandeira azul. Se não conhece Verstappen (e conhece sim), deveria ter raciocinado antes de fazer besteira. Já disseram que ele queria ir para a Mercedes... Toto deve ter ficado pensativo quando viu que ele acabou ajudando o seu protegido.
Verstappen pode ter errado, mas eu não esperava outra atitude se não essa. Ele não é qualquer um. Convenhamos, estamos cansados de piloto certinho. Uns doido (que por vezes podem ser babacas) é necessário. Se tivesse um equilíbrio de gastos nas equipes, a gente veria mais disso, até mesmo, dos considerados, geniais. Vão por mim!... 

E assim, Hamilton que não tinha a mínima chance de chegar no Verstappen, viu o cara rodar e ficar em segundo quando ele passou, sem um arranhão.
Essa besteirada, colegas, vai até 2020, quando Hamilton vai ser hepta. Porque o que ninguém entende de uma vez por todas é que a Mercedes vai, até 2020 (que no ano seguinte algumas mudanças virão, mas acho ainda que beneficiarão a Mercedes ou já teriam começado a dar indícios de preocupação) com tranquilidade, ajustando equipamento já bom, a melhor ainda. A grana que entra nesses anos todos, não faz com que eles se acomodem, mas cresçam mais e mais. Estarão sempre um ano na frente, em termos de equipamento, da segunda melhor, seja ela Ferrari ou Red Bul... A Mercedes não deixou a McLaren para fazer uma equipe só para ela à toa. Ela não tem o piloto - cuja a carreira foi feita com esse motor - como piloto número um, que manda e desmanda, à toa.  
Não existe esse papo de ganhar "campeonatos no braço" com carros inferiores aos demais. Ainda mais quando se vence por uma larga vantagem de pontos e faltando corridas à cumprir. Muito menos  vencer com um carro, mesmo com pódios dos adversários, o campeonato de construtores faltando, de novo, uma corrida ainda.

Próximo ao fim de corrida, Vettel foi obrigado a deixar Kimi passar pois era o que tinha mais possibilidade de atacar Bottas. Ano que vem, Vettel estará anulado diante de Leclerc e fará seu ano final da equipe, tornando-se o "novo" Alonso da categoria: ruindo e ruindo até todo mundo falar que seus quatro campeonatos não eram talento, era carro bom e que ele na verdade era um engodo (já dizem isso não é? Ah sim, me desculpem... ¬¬'). Kimi chegou a terceiro, Ricciardo anulou ainda mais Vettel, Verstappen não se recuperou amargou o segundo lugar - um castigo muito pior do que a FIA concedeu à Ocon: a máxima punição possível era 10 segundos de "stop and go" e isso foi feito.

Além do clichê básico das transmissões: entrevistas com pilotos, Massa usando sua influência para falar com Leclerc (ele conseguiu isso porque tem um empresário em comum), com Kimi (e angariar mais piadas sobre o gosto do finlandês pelo álcool bem como aquela de "vc tirou o pé para ele passar, Felipe"), uma Mariana Becker tomando um chega pra lá porque queria falar com um Hamilton que é tão legal... Hum, sei. o.O 
Do evento, além do resultado e das cenas bobas de abraços, tombos, orações com o carro e metideza, estava preparado uma escola de samba e moças para sambar no pódio. Depois o tal do estrangeiro pede pra gente sambar para eles e aí vamos explicar como se aqui mesmo se reforça esse esteriótipo? 

De qualquer modo, de novidade é que Max foi às vias de fato com Ocon. Empurrou o cara na hora de pesar e deve ter falado algumas poucas e boas. As chances de alguém defender Max são mínimas, afinal quem apela é quem perde. As caras do Ocon se mostraram cínicas unidos a gestos de bracinhos levantados como se dissesse que não fez nada, e eu como meio besta que sou, teria chutado suas jóias da família. Ao menos, Max só o empurrou e deve ter xingado horrores. Corre sangue nas veias do menino Max, sangue quente, mas nessa circunstância, será que não faríamos o mesmo se fosse nosso piloto favorito?

Agora tem Abu Dhabi e fim de papo. Essa mesmo, não valerá de nada. Vou escrever sobre o que vai ser de cada um em 2019. Apenas um tenho certeza de como se dará seu ano. O resto, serão apenas palpites. Então sosseguem: não quero convencer ninguém. Só vou dizer o que acho e vocês não são obrigados a concordar. Afinal, da corrida, pouco poderei comentar. Vai ser verdadeiramente "boring"...

Abraços afáveis!

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Faixa a Faixa: "O Retorno" rsrsrs...

O último Faixa a Faixa foi postado aqui no blog no dia 6 de agosto. 
Hoje, faz 3 meses desde que essa postagem apareceu aqui.
A justificativa pode não parecer razoável, mas foi o que aconteceu: estes três meses foram dias tumultuados em termos de estudos e atividades da qual me inscrevi participar e outras das quais fui convidada. 
Não ganhei nenhum tostão com elas. Muito pelo contrário - até gastei dinheiro - mas são medidas acadêmicas que contam para pesquisas e que espero que sirvam de alguma coisa no futuro.

Os 3 meses foram longos o suficientes também não só para atrapalhar minhas postagens como agora dificultar a continuação do Faixa a Faixa: pode ser que alguém tenha se esquecido disso, e deixado de acompanhar o blog. O tempo da votação também acabou por não produzir o efeito que eu desejava, que era desempatar os álbuns. Havia 4 escolhidos de 5, cada um com um voto. Quando fechei a enquete, 2 discos tiveram 3 votos cada, e eu terei de me programar para fazer as postagens à contento. Também não posso esperar mais. Tenho que por em prática um dos dois álbuns agora, e depois de 15 dias, o outro e não mais do que isso. Esperar mais um tempo é golpe de misericórdia com o quadro. Então, mãos à obra!


Como podem ver, Ghost e Led Zeppelin estão empatados com suas respectivas obras. A-Ha e Ozzy, também empataram ficando em segundo lugar. Por mais que eu não queira, Faith No More deve cair daqui à uns dias, quando eu fizer nova enquete. Mas até lá, ainda verificarei as estatísticas de cada álbum proposto e decidir o que permanecerá e o que acrescentarei.
Recomeçando com os mais clássicos, hoje posto minha análise sobre...

♫ Nome do álbum: Led Zeppelin III

Este é o terceiro álbum da banda (oooooooooooooh!), de 1970, fazendo então 48 anos no último dia 5 de outubro, dia e mês de lançamento. 
Quase 50 anos de uma grande obra, de uma grande banda, considerada por muitos a melhor banda de Rock daquela época.
Esse disco trás elementos da música folk e acústicos de forma que encaixam na década das quais foi produzido e lançado. Também indica a evolução dos músicos enquanto banda e configura um amadurecimento nas composições, já que mostrava que eles sabiam "brincar" com outras vertentes musicais. Assim, fizeram jus ao fato de serem uma das bandas menos convencionais do Rock, mas que - eu pelo menos - nunca ouvi sequer alguém fazer alguma crítica e dizer que não gosta. Se não gosta, não conhece ou é surdo (com todo respeito aos surdos).  
Ele não é disco mais cultuado da banda, mas é um dos meus favoritos. 

► Arte, capa e encarte:




Não possuo o disco, mas sua capa é famosa. São imagens aleatórias, coloridas, algumas delas, zeppelins (ooooooooh, que inusitada menção, hein dona Manu! rsrsrsrs...), num fundo branco e orbitando o logo da banda em fonte de letras "bujudinhas" mais o número/título do álbum em algarismos romanos.
A arte da capa do vinil é assinada por uma amigo de Page, Zacron. Ela também era diferenciada. Reparem que na capa, há círculos, que eram buracos mesmo. Por baixo, havia um painel circular que, ao girar, mudava as imagens permitindo que elas fossem vistas através desses buraquinhos, como "olhos mágicos".
Um infográfico em inglês dá conta de certos detalhes da capa e pode ser conferido abaixo:


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Quem souber a fonte deste infográfico me alerte nos comentários. Encontrei a imagem no Google e quando visitei a página encontrei este link aqui, que não menciona as fontes do texto escrito, que dirá da foto. (Aí enfraquece a coisa, mas nem todo mundo tem o rigor de citar as menções na web e não é à toa que muita gente fala que a "internet é terra de ninguém"...)

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Os membros originais da banda são os que compõe o disco; nada mais são que nomes bem conhecidos do meio: Jimmy Page é o responsável pela guitarra, e é um dos guitarristas mais famosos de sua época. No disco, participa efetivamente da produção, e de modo prático, também faz o backing vocal e toca banjo. Robert Plant, o vocalista, cujo jeito era próprio e emanava mais do que apenas notas musicais harmônicas aos ouvintes. Existia (e talvez ainda exista) uma sensualidade que faz parte de seu arquétipo (se assim posso nomear) que literalmente, extasiava plateias.
John Bonham, excelente baterista e percussionista e não menos importante, John Paul Jones, detentor dos baixo, teclado, orgão e mandolim fecham o quarteto.

O disco não conta com participações, nem convidados. E quanto as composições das 10 peças do álbum, ficamos na divisão dessa forma: A dupla Page e Plant escreveram: "Immigrant Song", "Friends", "Gallows Pole" e "That's the Way". Jones/Page/Plant: "Celebration Day", "Since I've Been Loving You" e "Bron-Y-Aur Stomp" . Bonham se junta a Page e Plant em "Out On The Tiles" e a última do lado B, "Hats OFF to (Roy) Harper", é creditada como "Charles Obscure". É uma piada interna da banda. Na verdade é mais uma composição de Page e Plant. 

► Produção e gravadora:

As primeiras sessões de gravação do Led Zeppelin III ocorreram no Olympic Studios em novembro de 1969.  Após isso, a banda foi ao Headley Grange, uma mansão em East Hampshire, para ensaiar as músicas. A atmosfera rural foi preponderante às sessões de ensaios, e a banda achou um ambiente mais propício para desenvolver músicas do que um estúdio na cidade.
O álbum foi gravado entre maio e junho de 1970 lá (usando o Rolling Stones Mobile Studio) e no Olympic, com mais gravações no Basing Street Studios em Notting Hill no mês seguinte. A mixagem aconteceu no Ardent Studios, em Memphis, no estado do Tennessee, em agosto de 1970. O álbum foi produzido por Page e projetado por Andy Johns e Terry Manning. Além destes engenheiros de produção, Peter Grant foi o produtor executivo e era considerado "o quinto elemento" da banda, agindo primordialmente como empresário.  A mixagem ficou a cargo de Eddie Kramer.
O disco tem 10 músicas (do vinil, 5 de cada lado) e uma duração média de 43 minutos.

► Música favorita do álbum e a segunda melhor:

Amo, "muitão", "Immigrant Song". A segunda melhor, para mim é "Gallows Pole".

► Faixa a Faixa:

♫ Immigrant Song

Os caras não estavam para brincadeira a começarem um disco dessa maneira. Curta (por mim podia durar o disco todo, se quisessem e eu ainda agradeceria), foi escrita sobre as invasões vikings da Inglaterra e inspirada em uma pequena turnê pela Islândia em junho de 1970. Espetacular em seus 2:27 e te joga direto no chão pelo que estava por vir.

♫ Friends

Não é a série. É  uma faixa acústica que usa muito bem de uma seção de cordas organizada por John Paul Jones. Atmosférica, a música fala de - como é de se esperar pelo título - das relações de amizade. A música segue para "Celebration Day" a faixa seguinte, através de um drone monotônico criado com um sintetizador Moog.

♫ Celebration Day

Com  uma série de acordes de guitarra tocadas em alta velocidade em cima de um drone criado com um sintetizador Moog, a terciera faixa volta a ter uma nuance um tanto mais animada e agitada que a anterior. E trás uma expectativa de celebração mesmo. Juntar à banda e dançar e curtir, num jeitão bem hippie. Mas na verdade a letra trata das impressões de Pant sobre a cidade de Nova Iorque. 

♫ Since I've Been Loving You

Um tipo blues, soa como uma canção quase de improviso, que denota toda a química da banda como um todo, cada um a seu modo, fazendo uma grande obra, apesar de ter sido considerada a mais difícil de ser gravada. Page, por exemplo, teria quase desistido durante o processo, nos estúdios. Com o resultado final, parece que foi "mamão com açúcar", pois o solo ficou espetacular. Foi a primeira a ser escrita para o álbum e apresenta Jones no órgão.

♫ Out On The Tiles

Divertida e acessível, com um refrão perfeitamente encaixado. A canção foi escrita por Bonham, que teve a ideia através dos riffs que percorrem as faixas do álbum. 

♫ Gallows Pole

Minha segunda favorita, possui um arranjo de uma música folclórica tradicional chamada "The Maid Freed from the Gallows", e foi inspirada em uma versão gravada por Fred Gerlach. Page tocou uma variedade de guitarras acústicas e elétricas e banjo nela, e Jones tocou tanto o bandolim quanto o baixo. Acho essa canção excelente! 

♫ Tangerine

Semi acústica é uma das músicas que pelos DVDs de apresentações ao vivo que assisti deles, é a que mais funciona ao vivo, não sei bem explicar porque. A música provém de Page quando ainda existia os Yardbirds. Ela tem uma peculiaridade: tem uma falsa introdução seguida de uma pausa para que Page acerte o tempo certo de "entrar em ação". Estranhamente, a canção sofre ainda variações de tempo no decorrer da execução. Estranhamente não, tenho certeza que é um charme a mais da música, algo totalmente proposital e que funciona.

♫ That's The Way

O título original era de "The Boy Next Door". Foi escrito em Bron-Yr-Aur  e trata sobre os problemas que duas pessoas enfrentaram em um relacionamento e os confrontos com suas respectivas famílias. Ela é totalmente acústica e enquanto ouvimos a melodia sinto necessidade de uma caminhada ao ar livre para "esvaziar a mente"...

♫ Bron-Y-Aur Stomp

Com o título em homenagem à cidade do País de Gales, foi originalmente chamado de "Jennings Farm Blues" e gravado como um arranjo elétrico no final de 1969. Ela foi posteriormente retrabalhada como uma canção do tipo acústica para o disco III. Bonham tocou colheres e castanholas e Jones tocou violão e baixo de cinco cordas. 

♫ Hats Off To (Roy) Harper

A faixa que encerra o disco trás o blues de volta à tona e de forma bem sábia. Fechando o álbum com uma maestria monumental, essa peça é  uma mistura de fragmentos de canções de blues e letras, como "Shake 'Em On Down" de Bukka White. É também uma homenagem ao cantor de folk Roy Harper,  tornando-se uma homenagem não só para ele, como também à cena do blues americano como um todo, já que ele influenciou fortemente o estilo até a década de 70.

► Porque gosta de uma música do álbum:

Eu simplesmente adoro a música "Immigrant Song". A temática dela me agrada muito. Gosto de mitologia nórdica (apesar de não ser especialista). Entrei no curso de História por essa razão, estudar mitologia e tentar me especializar em mitos e povos nórdicos. Mas os ventos sopraram para o Norte, mas para a Inglaterra e acabei pesquisando sobre literatura e um autor inglês, já que a Federal na qual estudei é largamente voltada para pesquisas regionais, especialmente socio-políticas. (Deu para entender que História antiga não era o forte desse pessoal...?)
Fora isso essa questão particular (que devia estar mencionada no tópico seguinte também), acho a música muito bem executada e também muito bem interpretada por Robert Plant. É uma questão de parar tudo que estar fazendo e ouvir. Recentemente, a música foi trilha tema do filme "Thor: Rägnarök", da Marvel Studios. Ouvir uma das suas músicas favoritas com um filme legal deste, em alto e bom som, no cinema, foi de arrepiar.

► Uma história do disco, uma questão pessoal ou uma curiosidade:

A única particularidade do disco é simples: nele, há a minha música favorita "ever and ever and forever" do Led Zeppelin, que já comentei acima. 
Minha ligação com Led Zeppelin se deu como a de muitos: através da audição de "Stairway to Heaven", uma música que martelou bastante. Mas aprofundar mesmo em Led Zeppelin de forma mais atenuada, foi no começo da adolescência, por volta dos 13/14 anos, quando tomei contato com a literatura de Tolkien. Comecei a ouvir as outras músicas não tão populares deles, que calharam de mencionar alguma passagem de "O Senhor dos Anéis" ou "O Hobbit" nas letras.

No ano de 1965, uma cópia pirata do "O Senhor dos Anéis" circulou entre os jovens americanos e acabou virando uma das obras ligadas ao movimento hippie, graças à temática pacifista e de defesa do meio ambiente. Infelizmente, não é de hoje que as pessoas tem o costume chato e desagradável de desvirtuar o significado das coisas para legitimar discursos toscos ou rotular através de argumentos babacas: a "erva de cachimbo" das quais os hobbits tanto gostam, foi levada à simbologia ou metáfora da maconha, nessa época. Tal ideia, foi fortemente negada pelo Tolkien - ainda vivo na ocasião - indicando que tratava-se apenas de uma variante do tabaco, nada mais. 
Assim, no auge da contracultura, Led Zeppelin foi um dos influenciados na composição de letras à partir da obras maravilhosas do autor inglês e isso acabou sendo mais uma alavanca para as obras de Tolkien (embora ele possivelmente não gostasse disso) tornarem-se tão importantes como são, ainda hoje. 

► 5 sugestões para a próxima postagem:

Não teremos ainda novas sugestões pois, Ghost recebeu 3 votos também. Provavelmente dia 21 de novembro, farei a postagem, mesmo que tenha que "cortar o assunto" para falar da última (e inútil) corrida da F1.

Espero o feedback de vocês sobre o álbum e já aviso que vou cortar o assunto em breve. Volto segunda para falar do penúltimo GP da  temporada de 2018 da F1.

Abraços afáveis!

PS: Quer saber o que já rolou no "Faixa a Faixa"? Clique aqui e descubra!