segunda-feira, 27 de maio de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 6: GP de Mônaco

Aaaaaaah, Mônaco...


Para muitos, Mônaco é um lugar sagrado. Um templo do automobilismo. 
A F1 sempre foi requintada. Eu sei, nós sabemos. De uns 20 anos para cá certamente, ficou sendo a categoria mais "fresca" de todas. Mônaco é o lugar onde a F1 se sente muito mais rica e poderosa.


Se deixei claro que para muitos é um lugar sagrado, talvez seja por isso, que seja heresia da minha parte "zuar" o circuito. Não farei isso. Até porque nem os GPs bons estão sendo bons ultimamente. Os adoradores de Mônaco talvez até, concordem comigo, quando chegarem ao final desse texto. Ou assim, espero.
Porém, antes, vou montar meu escudo: nunca fui fã de Mônaco porque fico altamente afobada com aquelas ruas estreitas. Acho que já devo ter escrito algo semelhante à isso noutros anos, aqui no blog. Lembro (vagamente) que Mônaco era sinônimo de corrida complicada, com largadas sujas e poucos carros completando a etapa. Quando comecei a acompanhar todo domingo, sem falta, as tensões de que "alguém vai fazer merda aí" sempre acompanhou-me nos domingos de GP monegasco. 
E então, a estabilidade chegou e assolou a categoria. Mônaco demorou, mas não escapou dessa.


E infelizmente, Mônaco ficou sendo, a maior parte de glamour, festas chiques, rei e rainha, e iates suntuosos. Vez ou outra a gente tinha algo a observar por ali, no que diz respeito à automobilismo. Mas, eu temia, fortemente que, do jeito que a novela da F1 está, ia ser horripilante assistir ao GP.


Vejam bem, não sou fã do traçado. Gosto mais de Spa e Monza. Agora, que boa coisa podia não vir para o GP - dado que os anteriores já foram péssimos - isso era uma premissa terrível, levando em conta a tradição do circuito. Então permitam-me, os fãs de Mônaco, brincar com o indefensável, com um papinho longo com doses homeopáticas de sarcasmo.


Mônaco é amado por 9 entre 10 brasileiros fãs de automobilismo. Aqui no Brasil é muito por conta de um personagem famoso. A expectativa de chegar esse GP não é boa. Geralmente, o evento monegasco acontece em meados de maio e assim, conclui-se pelo menos temos um mês de exaltação do cara que há 25 anos não tem o descanso eterno. 
Se existe purgatório, ele está lá, não por algo ruim que tenha feito na vida, mas porque as pessoa do plano terreno não esquecem o homem. Era com sofrimento que eu pensava que seria mais um fim de semana dele voltando frustrado, depois de quase chegar à luz. 


Infelizmente, perdemos outra lenda do automobilismo na mesma semana do GP: Niki Lauda. Sua partida era um desvio das lembranças de Senna. Porém no Brasil, partilhariam das duas mortes, de forma digna de  um programa da Sonia Abraão.  


Niki, como escrevi, uma lenda, foi mencionado com carinho por muitos. Mas também foi usado como "muleta" de um penta campeão para faltar às suas obrigações. O fake luto também foi arregalado em pinturas e afins. Niki foi homenageado pelo mesmo por um feito que, se tivesse vivo, teria pensado ter sido nem próximo do honroso.


Mesmo assim, Mônaco era aguardada com entusiasmo: pois, poderíamos ver o monegasco Charles Leclerc correndo e destilando todo seu talento no que a gente chama vulgarmente de "quintal de casa". - Imagina só, ter um quintal de casa, daqueles? 


Além disso, Kimi Räikkönen estava alcançando uma marca de 300 GPs pela F1, marca que era antes de Rubens Barrichello e que a transmissão da Globo jurava que não sairia das mãos dele. 
Se enganaram, não é mesmo?!


O que eu esperava dessa marca, vindo do Kimi? Nada. O cara não gosta de números, nunca gostou. No fim, não tem razão comemorar tantos GPs se não tem tantas vitórias, nem títulos, assim. Ele está certo. Ainda que tenha mudado, não gosta de holofotes, embora sua esposa, o exponha sempre que ela acha necessário.


O que eu esperava da transmissão brasileira sobre isso? Mencionar com dor de cotovelo e desvio a falar de Barrichello.
O que fizeram? Nem sequer comentaram. 


Jornalismo completo de informações, hein? Uaus!!!

Vamos aos fatos? Vivemos tempos bizarros, até mesmo na F1.
A Ferrada, perdão, a Ferrari decidiu que, no Q1 faria um simples arroz com feijão para o almoço de sábado. 
Deixa eu explicar uma coisa para vocês: A Ferrari é meio que o Império Romano. Acharam que eram poderosos, mas eram burros como uma porta - não souberam negociar, acharam que a estratégia deles era sempre confiável e infalível, e principalmente, acharam que toda suntuosidade de seu império seria eterno. Não levaram em conta por exemplo, que para manter o poder, era preciso muito a se pensar, não só guerrear, tomar e subjugar o outro. Não à toa, foram pegos, várias vezes, com as túnicas na mão, por invasões de outros povos, que foram provocados. 
A Burrari, perdão, a Ferrari fez o que fez com Leclerc, por tradição de pouco raciocínio prático. Já fez até com Räikkönen ou com Vettel. Fez com o Massa, algumas vezes. Claro que nesse último, eu dei muita risada... 


Mas depois parei de rir. Ele, ao dar declarações, jogava a culpa na "estatégia"... - como ele falava. 


Engraçado que, por vezes o pessoal massacram os pilotos da equipe. É como se quando chegassem à Ferrada, digo, Ferrari, transbordassem talento. A questão é mais que essa. As vezes o cara tem talento, mas a equipe suga tanto suas energias, que tudo que poderia ser considerado, escapa entre os dedos. 
Isso o Vettel aparenta já ter percebido. Está apático e resiliente. Dando de ombros. Aceitando migalhas. E não tem falado mal da equipe, mesmo quando ela erra feio. 
Não se pode esperar o mesmo de Leclerc. Ele é um segundanista na F1. Ainda tem vigor correndo nas veias. Porém, nossa expectativa pode estar a passos de ser anulada. Mal sabermos se ele é mesmo talentoso ou com uma força de vontade de garoto sedento. Acredito eu que essas coisas se confundem. Podemos perceber qual é qual enquanto a carreira de qualquer piloto se desenvolve na categoria, ou ele se aposentar, sem que tenhamos a mínima noção. Podemos todos estar enganados nos nossos julgamentos a respeitos de todos os nossos pilotos favoritos. Podemos estar ainda muito mais enganados com relação àqueles que detestamos. 
Como saber? Não tem fórmula. Tudo vai pairar no campo do achismo. 
Assim sendo, o máximo que podemos fazer é usar o bom senso e não forçar a nossa opinião goela abaixo dos coleguinhas. #Ficaadica


O erro da Burrari, *opa!* Ferrari nem era surpreendente. Sugiro ao menino Leclerc um psicólogo, uma terapia com a natureza ou um templo de meditação. É assim que as coisas na Ferrari "funcionam" e vai continuar. Eles vão achar sempre, que nunca, nada, vai tirar eles da zona de conforto. Até que acontece. O máximo que eles fazem é pedir desculpas. Mas o leite já derramou.
E a perspectiva da frustração enche qualquer um de energia, ou enche de afobação. Como um menino, muito jovem, com grande responsabilidade na mão, a afobação por resultado era fato certo como dois mais dois, são quatro.


De repente, aquela história de que deve-se mudar toda a administração da Ferrari, voltou à tona pelos especialistas de plantão. Mal sabemos se Leclerc é só um garoto simpático, mas saímos na defesa dele. Ter velhos de guerra, como Alonso, Vettel e Räikkönen acabando suas carreiras de forma melancólica, é uma coisa. Um menino que tem muito para dar (sem trocadilhos, eu juro!) passa a ser sacrilégio.
Nesse caso, estou com o coração endurecido. Por muito tempo, o problema da Ferrari não era pilotos. O problema dela nunca foi um suposto soberbo Alonso, um suposto mimado Vettel, um fraco Massa ou um suposto desmotivado Räikkönen. Talvez um fraco Massa ( não podia perder essa!)... 


A questão mais feia da Ferrari sempre foi administrativa, estratégica. Faltava gente para chegar e botar ordem na casa, de pedir que façam o seu melhor e principalmente dizer que se querem continuar na categoria, que façam por onde. Sair dando uns tapas na cara desse pessoal para que eles caiam na real, é coisa necessária à pelo menos 12 anos. As invasões bárbaras estão aí. E quantas vezes, Roma foi saqueada?...


Além disso, não existe FIA, existe M(ercedes)IA. E o Império da Mercedes é mais bem sucedido que o da Mesopotâmia, do Egito, Persa e afins, juntos. Tanto que o trabalho é largamente facilitado pela falta de tato da Ferrari. Acrescenta-se isso à aquelas justificativas nada convencionais de que o carro tem isso, tem aquilo e tem esse detalhe que facilita a sua hegemonia e pronto. Fecha-se com um tanto enorme de jornalistas puxa-sacos e temos então, um roteiro de 21 capítulos para uma novela daquelas bem previsível.


Em Mônaco, o que rola é muito mais grana e glamour que em outros circuitos. Até o Homem de Ferro já foi à Mônaco no filme dois da franquia. 
O lugar é da F1 e a F1 é desse lugar. 
Que mais oba-oba se a equipe mais rentável do momento, a mais perfeita, a mais amada da Liberty (certamente) e o cara mais garoto-pimpão, fashionista, trabalhado no glamour, do MET Gala, celebridade amigo de outras celebridades, à fazer a pole, quando se era certa que fosse o seu companheiro?
Que surpreendente, não?


Não se enganem, o roteiro está pronto. Não adianta fazer petição para reescreverem a temporada.
Capítulo 6 à vista, e a expectativa era mais broxante que o final de Game of Thrones.


Eis que, não há nada que justifique Mônaco ser assim tão chata. Ainda não é Barein ou Espanha. Além disso, é tradição. E tradição ainda é necessário, mesmo que tudo esteja uma porcaria. O problema nem é mais só circuitos pouco emocionantes. A questão é que a F1, como um todo, está deixando todos nós sem vontade.
Mesmo não gostando do traçado, não tendo o lugar como o meu favorito, uma coisa todos vão concordar comigo: Mônaco não mereceu o final que teve. 


Vejam bem, a única coisa que já aconteceu em outras temporadas foi a Ferrari errar feio a estratégia de um de seus pilotos, deixando margem para que ele cometesse erros infantis na corrida. Isso foi o que aconteceu. E só ele foi saiu da corrida. Sem nem sequer ter batido na largada, por exemplo. 
Largada que por sinal, foi frouxa. Ridiculamente frouxa para Mônaco. Bottas escudeirão, deixando um largo espaço para o bonitão Hamilton tomar a dianteira. 
Leclerc saiu tempos depois, por complicações de um  um toque, bobinho, que furou seu pneu e exigiu um Safety Car safado para limpar a pista quando ele ainda permanecia na pista. Não teve SC por conta de carros destroçados. Mal houve um Kubica atravessado na pista. Lento, até para quem vinha atrás. Conseguiram até esperar um jeito de conseguir passar do lado e seguir a procissão sem santo na frente. 


O Safety Car sugeriu que ocorressem as paradas. Os carros foram trocar pneus em estratégias de parar uma só vez. Pairava a ideia de chuva, que não era vantajosa. Um pingo, um escorregão e já seria alerta. Se fosse um dos "grandes", eles parariam a corrida no ato. 
Mas, a certeza era uma só: não choveria o suficiente para mudar os ponteiros. Para isso, era uma esperança já morta e enterrada.



Num dos releases de pilotos dos boxes, a Red Bull soltou Verstappen quando Bottas já estava no pit lane. Um pega entre os dois, Verstappen ganhou a posição do finlandês dando um sutil "chega pra lá". A punição para o Verstappen era certa, uma vez que ele voltaria atrás do Hamilton e poderia botar muita pressão no inglês.
A Mercedes errou nas estratégias. Chamou Bottas de volta para os boxes, por possíveis avarias, trocou pneus, fazendo-o perder o terceiro lugar para Vettel, tranquilo e passeante. O desespero maior era a possibilidade de ter colocado pneus médios em Hamilton enquanto todos estavam com os duros, para ir até o fim. Com Verstappen na cola dele, o desgaste dos pneus médios seria grande. 

Após Leclerc desistir de tentar, passamos 2/3 da corrida, ouvindo reclamações de um Hamilton no rádio, e um Verstappen com cara de quem ia aprontar mais. Só que Mônaco virou uma procissão.
A punição por liberar um piloto de forma insegura, foi dada ao Verstappen - 5 segundos de stop and go ou, 5 segundos acrescidos no fim da corrida.
Devo dizer que, mesmo que se fosse com Hamilton, eu diria que essa regra de punição é injusta. O errado não é o piloto. O errado é a equipe de mecânicos no ato do release. Não ter aquela percepção do espaço e do tempo, é crucial para o cargo. Se não faz direito, você não serve. Então, designem outra função para o tal e quanto ao regulamento, lance uma multa à equipe, os faça perderem os pontos de construtores garantidos por aquele piloto... Sei lá. Opção tem. 
Além disso, não pode ultrapassar com Safety Car, então, o pit lane era o único lugar para ganhar a vantagem. Ah, tem isso: o piloto não pode ganhar vantagem. 


E assim, a MIA, digo a FIA vai matando a pouca competição que pode existir. 

Dois terços da corrida foi marcados assim. É muita coisa para um carro mais rápido, com pneus mais inteiros, ultrapassar aquele que vem lento, segurando todo mundo, e desesperado com o desgaste. 
O desespero era um novo teatro, armado pela Mercedes e que compramos com vigor. Hamilton, tinha assim, dois álibis: 


a) Suas frustrações estavam registradas em rádio. Se os pneus se desfizessem e Max passasse, a culpa era da equipe que errou em sua estratégia. No cercadinho com jornalistas ou - se desse tempo de trocar pneus e voltar - ainda no pré pódio, Coulthard ouviria um "erraram com a minha estratégia e eu avisei sempre que o carro estava perdendo potência por conta do desgaste". Toto Wolff assumiria o erro estratégico e no GP seguinte, Hamilton venceria a corrida e diria que era para pagar o erro em Mônaco.


b) As frustrações de Hamilton estavam registradas em rádio. Vencendo, era fato que exaltariam ele como um cara imbatível dada as condições enfrentadas na sua corrida. Ele, sairia do carro, saudaria os mecânicos não antes de chorar falsamente abraçado com um pneu.


A segunda opção era mais óbvia, para o nosso delírio...


Ao longo da procissão, Verstappen foi abduzido. Ele deixou de ser o Max que conhecemos e virou um conservador!!!!!!!!
Se isso não é palhaçada, eu não sei do que chamar. Ele esperou o Hamilton cometer erros!? O mesmo, que tinha pneus desgastados (será?), não cometeu nenhum. O carro, não aparentava estar desequilibrado. Ele diminuiu sua tocada e passou a segurar todos atrás dele. 
E teve gente que achou isso um máximo, como o narrador - ruim de serviço - que tínhamos disponível ontem, na Rede Globo. O cara estava gritante, mais que um maluco solto na rua depois de fugir do hospício. E no fim das 78 voltas, era Hamilton, o seu amadinho, segurando a onda do medicado (só pode ser...) Verstappen. A cena que eu via na minha mente, a cada grito daquele cara chato, era essa:


Eu temia pela segurança de Reginaldo Leme e Luciano Burti. Eles estavam do lado de um cara em combustão. 

E assim, um piloto venceu uma corrida sendo um dos mais lentos na pista. Certamente o mais lento entre os 10 primeiros. 


Um cara venceu uma corrida, que não é qualquer uma, é Mônaco, sendo o mais lento e pior: a sua equipe errou sua estratégia de parada. 


Mônaco nunca foi lá um primor de emoção - a não ser para alguns, mas, terminar assim, me pareceu o fim da picada para essa temporada. A novela chegou no ápice. Só para reforçar:


A F1, com a sexta "corrida" completada, mostra o seguinte sobre essa temporada: 

► Ou as etapas são fake como uma nota de 3 reais, com "competições" pré moldadas, totalmente forçadas, a ponto da gente ficar realmente enjoado.


► Ou é um verdadeiro sacrifício, uma perda de tempo, rigidamente chatas, sem apresentar atrativos ou momentos de silêncio à olhos atentos. 

Já podemos considerar que estamos num ponto sem salvação e admitir que a F1 está ruim "pacas"?


Comentários abertos!
Abraços afáveis!

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Novelinha da F1 - GP da Espanha

Que a corrida na Espanha sempre foi arrastada, não é novidade para ninguém.
É (talvez unânime) que se saísse do calendário, pouca gente (ou ninguém) sentiria falta. 
Inclusive, pouco entendo do porque ela é usada para os testes da pré temporada. 
Mas vá lá. Existem várias de coisas que eu não entendo. 
Há muito que eu não faço questão de entender. 
E algumas coisas que eu até entendo, mas não adianta explicar.
O GP da Espanha está no segundo caso: não faço questão de entender.


Aos poucos estou deixando as coisas que me agradam, de lado, literalmente. Estou ficando preocupada com isso. Não há nada que me empolgue mais. Aprendi, aos poucos - e com exemplos  -que subterfúgios podem ser prejudiciais. Alguns, tornam-se obsessões graves que, dependendo de como você lida com elas, afeta todos aos seu redor. Eu me policio para não cair numa dessas.

Os meus dias de stress com a F1, está passando. O primeiro "estouro" foi na segunda etapa desse ano. GP do Barein. Mais uma corrida e circuito ruim que, fora do calendário, nem lembraríamos que existe. 
Queria verdadeiramente parar de escrever sobre a categoria. Não parei. Optei por fazer o maior número de piadas que eu pudesse a cada etapa que surgisse.
Já aviso, não consigo fazer piadas com o GP da Espanha.A coisa foi tão ridícula, que simplesmente, não tem nem como. Talvez essa seja a segunda crise minha, com a F1, esse ano.

Não ser obsessiva com algo é muito vantajoso, afinal posso ocupar a mente com outras coisas. É importante se certificar de que são úteis e faz bem para você, ou pode substituir por outro tipo de coisa que também torna-se uma obsessão. Os gritos e palavrões não são mais o caso de acontecer, quando assisto a F1. Eis um ponto positivo. Estou mais calma. 
Por outro lado, não tenho mais conseguido demonstrar reações positivas nem com as coisas que eu achava que faziam parte do meu descanso mental. E é aí que a preocupação toma conta de vez.
Não empolgo mais com certos tipos de filmes, que antes, me faziam sacrificar tempo e dinheiro para acompanhar no cinema. Chego lá e a danada da representatividade de algum tipo de personagem aparece e acaba toda a graça da coisa para mim. 
Séries boas, acabam rápido. As que eram boas e duram, ficam chatas ou sem graça. A política está interferindo até na sétima arte. Não se contam mais boas histórias simples, de pessoas (!!!) independente de cor, gênero ou sexualidade, simplesmente por contar. Se contam, ninguém dá a mínima, não estão nas plataformas de streaming, não viram franquias, ninguém importante faz uma adaptação... 
E o Futebol Americano? Então, ficou previsível: ninguém bate "o tal marido da Gisele", a gente toma antipatia, e a coisa fica pior quando principalmente, o time que a gente escolheu torcer, "só dá bola fora".
Especificamente, no máximo, só ouvir música é que tem me tirado "das trevas". E olha que não estou ouvindo um álbum inteiro, por exemplo. Ouvir música sossegada está menos constante, já que eu não tenho mais tempo nem para ler livros, para estudar, graças à ocupação: professora do Estado. Estar numa escola é sinônimo de desesperança. Cada dia mais, estar "trabalhando" nisso é ter suas energias sugadas de tanto negativismo e reclamações que brotam dos outros e são despejadas em seus ouvidos. Sua saúde mental clama por um esconderijo. 


O GP da Espanha foi uma verdadeira porcaria. Não há destaques ali.
Se sábado, foi um festival de oba-oba (fake) sobre a pole do Bottas, justificada de forma rasa e podre pela imprensa "especializada", no domingo, o domínio da Mercedes permaneceu o mesmo e nas mãos "certas". 

A história do refúgio na floresta do Bottas tem dois problemas: 
a) Todo finlandês que se prese, tem esses momentos de refúgio. É um povo muito dado à solidão/reflexão junto à natureza. Já conversei com finlandeses em chats quando adolescente, e queria testar meu inglês e eles me contavam isso como parte do dia-a-dia deles. Eram 3 pessoas, uma moça e dois caras. Eles sempre tinham momentos em que iam para uma ilha ou faziam caminhadas longas nas florestas próximas às suas casas. Podia estar o frio que fosse. 
Suponho ser um costume, dado os o DVDs de bandas finlandesas como Nightwish, mostrando isso. Num destes, Tuomas - o tecladista da banda - vai para uma ilha para estudar música, para pensar num novo disco, para ensaiar com os amigos... Não foi tramar um jeito de chegar forte nas paradas de sucesso e pisar na cabeça dos "concorrentes" com um novo hit bombástico. Foi trabalhar de forma tranquila. 
Os meus colegas de chat, iam fazer suas caminhadas, espairecer. As vezes ficavam dias e dias, em uma cabana, sem motivos aparentes.
A mídia usou algo comum para Bottas e seus conterrâneos como gatilho para nada mais que falar abobrinha. O que não é novidade.


b) Falar em refúgio, concentração e preparo físico e mental só coloca um abismo gigante entre Hamilton e qualquer outro piloto. Assim, podem procurar, qualquer um  quevai dizer que Vettel não tem maturidade para enfrentar alguém "melhor que ele". Por isso, está resignado, acabado, mentalmente descontrolado. E Bottas, ainda não era um Rosberg, precisou de ajuda dos deuses da floresta, dos trolls finlandeses, ou sei lá que entidade para superar Hamilton, o deus ungido, o Zeus do Automobilismo. 
Ora, me poupem. 



A hegemonia da Mercedes não tem explicação científica, mirabolante, como ontem o Burti até tentou falar de algumas adequações de carro que antes não eram justificadas, mas agora são os melhores acertos para a Mercedes. Não prestei atenção, confesso. Puro engodo. A questão é que a Mercedes está muito rica e quem mais tem, mais investe. Tem lá seus "teretetês" com a Liberty. Outro bom aproveitamento é que conta com a burrice gigante dos italianos da Ferrari. 
Comparei ontem no Twitter, de forma muito pejorativa, a Ferrari à doença de Alzheimer. Uma pessoa nesse estado, tem o "motor" funcionando, mas ninguém no "volante". 
Eu não estou criticando Vettel ou Leclerc, mas sim a administração da equipe. Desde que Kimi Räikkönen venceu em 2007, a Ferrari está patinando em termos estratégicos. Ali foi uma sorte danada. Falta gente inteligente para tocar a equipe, mas não faltou gente talentosa para tocar o carro. Por duas vezes, e talvez agora, pela terceira vez em 12 anos, a Ferrari tem a melhor dupla de pilotos do grid. Teve Alonso e Räikkönen. Teve Vettel e Räikkönen e agora tem Leclerc e Vettel. Como podemos considerar essa última dupla, se nada dá certo na equipe? Sabem administrar a coisa? Os pilotos talvez saibam (mas ainda são mais dois funcionários), mas os "coordenadores do barraco", certamente não. 
Toda vez que tem um festival de críticas aos pilotos da equipe, pode saber, a culpa não é totalmente deles. E esse assunto se repete, todos os anos em que eles nadam e morrem na praia. Esse ano, Vettel passa por aquilo que Alonso passou no último ano de Ferrari e Kimi passou em 2009 e 2016-2017. 


Agindo como baratas tontas a Ferrari deixa a porteira aberta para a Mercedes até fingir competição acirrada dentro da equipe. A corrida então foi decidida inclusive, na primeira curva pós a largada. Provando o quão inútil é a tal "concentração" em florestas, e o quão desnecessário está sendo as corridas, pois nada, NADA que acontece depois da primeira curva, define algo surpreendente.  
E não foi Vettel quem facilitou a vida do Hamilton, como verão em alguns sites. Bottas entregou sim. É o que acontece com quem fica no meio de dois carros. Se ele não sabe se safar dessa, até hoje, não sabe como dirige o seu companheiro, pode largar dessa e virar madeireiro lá na Finlândia. 
Poderia ter engatado à frente, jogado o carro contra Hamilton e esquecido Vettel. Mas ficou com medo dos dois. Essas opções quando ignoradas, dá errado. Foi estúpido. E adivinhem quem nunca é assim considerado?


A política sempre fez parte da F1, mas agora, ela fere o pouco que ela tinha de agradável. Ao contrário das outras dinastias, a do Schumacher, a do Vettel... Que era um festival de críticas, um festival de "que coisa mais chata, quando se trata do piloto da Mercedes, você vê uns gatos pingados criticando. Ninguém tem coragem de admitir que essa é a pior de todas as hegemonias e é muito por conta da figura do Lewis Hamilton. 
Eu ainda duvido muito que ele é assim o melhor de todos os tempos. Há tantas facilidades ao seu redor, que não consigo cravar isso. Acho que nunca farei. Mas para todo o resto, não existe nada que interfira no julgamento.

Não vou escrever mais nada além dessas duas coisas: O Burti disse, logo que o SC estava de saída por conta de uma doideira do Norris contra Stroll algo que afirmou ser novidade para esse anoe pergunto à vcs, se é mesmo: relargadas pós saída de SC só admite ultrapassagens depois da linha de largada...? 
Assim sendo, nem adianta torcer por SC nas próximas corridas. O carro mais potente e da frente, nunca será ultrapassado numa circunstâncias dessas. Ponto para a Mercedes e ponto para Lewis.

Por fim, Reginaldo Leme disse para o gaguejante Galvão que dobradinhas, pela quinta vez seguida, no começo do ano, é inédito. Nunca houve essa situação antes.


Uau. Como a F1 está boa, hein gente? 

Abraços afáveis!

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 4: GP do Azerbaijão

Baku é um desserviço.
Aparentemente, pelos arredores da cidade, há uma mistura desarmônica de partes centenárias com estruturas modernas. Para piorar tudo, socaram um circuito de rua ali no meio, que, além de piorar a paisagem, também, faz a gente projetar vários safety car para dar "emoção" na corrida.
É o resumo do desserviço. 

Eu particularmente gosto de uma divisão certa na arquitetura urbana: o que é antigo, só deve manter. O que é moderno, novo que fique nos grandes centros e que não se misture. Aqui na minha cidade deveria ter essa divisão, mas é impossível manter o centro, como era. Alguns prédios, bem antigos, mantêm a fachada. Outros, foram pintados ou simplesmente demolidos sem o menor critério. 

Critério que pelo visto, também não tem na F1 já faz tempo.
Seguimos naquela pasmaceira (odiosa) que faz com que muitos abandonem alguma coisa relacionada ao "esporte": seja acordar de madrugada, seja assistir a corrida ao vivo, seja comentar com os amigos...
Sei que estou sendo redundante, com relação à domínios de pilotos. Então, opto por defender a era Schumacher, já que volta e meia, alguém comenta o quão chata foi. 
A dinastia Schumi/Ferrari foi longa (3 mais 4 = 7 anos)? Sim, sem dúvidas. Mas Schumacher era um piloto exemplar. Uma figura que, por mais que odiássemos seus ataques, seus mandos e desmandos, era um piloto das antigas: um cara que tinha a velocidade correndo nas veias, e de um talento inquestionável. Vivia para vencer e trabalhava muito para conseguir (claro que com algumas ajudinhas... Mas, quem nunca?)
Além disso, hegemonias sempre existiram, certo?
Posso ser bem besta em fechar o argumento? 7 anos, 7 campeonatos mundiais, era chato mas era uma novidade. E ainda teve intervalos entre os anos, e o cara correu em equipes diferentes, mostrando empenho e sendo bem sucedido nas duas. Ah, e teve rivais de alta patente: Mikka Hakkinen e Fernando Alonso. Poderia sim, considerar outros dois, mas de qualquer forma, os dois citados não chegam aos pés de quem rivalizou diretamente Lewis Hamilton. Por sinal, Hamilton viveu a pior fase do Alonso. Teve Jenson Button de companheiro e por este ser constante, tornou-se a gota d'água para sair da McLaren. Na Mercedes, perdeu sem-querer-querendo um dos anos para Rosberg, que nem quis voltar depois. Deve ter rolado um acordo e Nico, deve ter optado pela tranquilidade. 

Esse é o ponto: Lewis já tem 6 títulos. Sim, 6, não errei as contas. Esse ano está barbada. 
Todos os 6, ele conquistou com motor Mercedes.  E o sétimo título é garantido. O oitavo, tem 60% de chance de acontecer. Passará Schumi, concretizando a pior e mais chata dinastia, desde o alemão. Vai ser lembrado eternamente, como gênio. Não teve um infeliz que atrapalhasse sua tentativa de chegar ao topo. Quando teve uma pedrinha no sapato, saiu birrento da equipe, com tatuagem nas costas: "Still I Rise"... 
É pagar para ver. Será até bom, quem sabe eu ganho uns trocados. 

Porém, isso é achismo. E achar alguma coisa, é de cada um. Já disse outras vezes e reforço: impor opinião é colonizar o outro. Já tem político fazendo isso demais da conta por aí. Tô fora dessa!

E pulei fora da a novelinha da F1. Troquei Baku por super-heróis jacús: fui ver "Vingadores: O Ultimato". Cabe dizer que, o filme em si, é bom, mas não é perfeito. Tem umas coisinhas lá que, a gente torce o nariz ou demora para engolir. Mas o arco Vingadores, fechou com o mínimo de honra. Fim de papo. Não adianta ficar criticando aqui, quando a maioria está ovulando até agora pelo o que assistiu. 
Cheguei em casa, cansada, depois de um sábado de trabalho e um domingo com três horas de filme. Por sorte, cheguei à tempo do VT da corrida. Em menos de 20 voltas, eu não vi porque continuar e fui fazer outras coisas mais úteis. Deixei gravando a corrida.
Mais tarde, voltei à TV para o tal episódio de Game of Thrones. Uma bobagem escura e com diversos erros de estratégia de guerra. Se no Vingadores, tem mulheres empoderadas numa cena desnecessária, quem salva todo mundo da morte iminente na série, é também uma moça.
Todo mundo quase explodiu de felicidade. 
Parabéns para eles. 
Eu me decepcionei. Estava torcendo para o vilão. Agora o que resta é uma consulta ao oftalmo, porque não enxerguei metade do episódio. Fora os furos de roteiro: "o personagem tal, morreu ou não?" que ainda fica a ser respondido pelo teaser do próximo episódio, só mostra que a galera fã é cega demais para os defeitos.

Vou brincar com isso: tive receio de terminar de ver a corrida gravada (podendo passar para frente), no dia seguinte, depois de uma boa noite de sono. Vai que aparece uma mulher e salva a corrida de toda a pasmaceira? Uma Capitã Marvel chatíssima colocando fogo nos carros da Mercedes, ou a  menina Arya Stark cravando uma adaga nos pneus do Bottas e do Hamilton.
Pensando bem, até que eu ia amar, bater palma como foi com os malucos do cinema e ia pular de alegria, como fãs fizeram com a série.
Mas a novelinha da F1 é tão chata, que a única novidade que está tendo é a auto-cobrança que Charles Leclerc tem feito de si. De dar dó. 
Mas, daqui a pouco, vai dar é raiva. Alguém precisa avisar para ele que com a Ferrari é assim: lá, o cara se transforma ou num estressado ou num reclamão. O fim do trabalho é aquela resignação de dois jeitos: arrastado e abatido como ocorre com Vettel ou entregando os pontos em quase desânimo, como foi com Alonso.
Parece - caso não tenha sido papo da transmissão, que eu não tive paciência para ficar ouvindo - que a Ferrari queria Safety Car para ajudar na corrida e vitória do Leclerc (Uai, achei que protegiam o Vettel?!?). Porém, deu errado, como sempre, afinal, esqueceram de avisar o roteirista que a narrativa da corrida exigia um SC quando Leclerc estivesse na frente. Talvez o roteirista tivesse achado que era legal tascar um SC do nada, caso Vettel estivesse na frente e Hamilton fazendo pressão, em segundo. Aí quando desse uma relargada, Hamilton ia vir por fora, fazer Vettel rodar, a platéia ia rir e aplaudir e publicar nas redes que a corrida foi genial. 

Porém, o que houve foi uma corrida arrastada, com direito à erros primários, uma fake disputa entre Hamilton em Bottas no final, que, por um milagre, não deu em nada. 
De duas uma: ou Hamilton e Toto estão deixando Bottas crescer porque sabem que este é seu último ano na equipe (quiçá na F1) ou é marcado para maquiar uma competição interna e, com isso, aumentam o barulho: "não fazemos jogo de equipe, deixamos nossos pilotos livres e queremos o melhor para os dois". 
Nos dois casos, é encenação. Aí a novela tá fluindo do jeitinho que querem.

Baku, então, ficou no ponto de fazer a rima com aquele buraquinho nosso que só não cai porque é costurado... Mas não vou mencionar. É feio acusar as pessoas e as coisas assim...


Ops! Ah, está inglês, então, não reparem! 

Abraços afáveis!