sábado, 25 de setembro de 2010

Cingapura e treino classificatório

Eu tenho péssimas imagens na minha cabeça quando me lembro de GP da F1 de Cingapura.
Péssimas imagens. 
Agora, escrevendo esse post, relembrei de Nelsinho Piquet, mas... Nem foi assim tanto um trauma. Só me lembrei disso exatamente quando estava assistindo, hoje pela manhã, o treino classificatório e analizando alguns pontos da pista enquanto os pilotos faziam suas voltas. 
Me senti um pouco nostálgica. Para vcs verem: eu estava analizando a pista enquanto assistia as voltas dos pilotos como se eu fosse entrar na pista amanhã para correr no lugar de algum deles. Fazendo aquele exercício que imagino que muita gente que gosta de corrida faz, mas que eu todavia nunca tinha feito: "decorando" as passagens de cada trecho e observando a cada movimento do piloto sempre que a câmera ficava on board. Poucas vezes prestei atenção ou ri dos comentários de algum daqueles seres que narram/comentam (e no fim, se formos ser bem sinceros, na verdade torcem) durante todo o treino. Eu teria duas opções que não são as mais corretas: 
- ou eu estava com sono;
- ou estava muito técnica já pensando num post altamente rebuscado para dividir com vcs;
Balela. Em ambos os casos. 
Eram 10:55 da manhã quando sentei no saudoso sofá da sala. Já tinha tomado café e feito algumas coisas que querendo ou não já tinham me despertado. Sem desculpa para estar ainda pensando no traviseiro, já tinha mais de duas horas que eu tinha me levantado.
Post rebuscado, cheio de informações técnicas e coesas? Nem em um milhão de anos. Tenho plena consciência disso. Ah, se tenho.  Deixo isso para quem  gosto e sei que entende bilhões de anos-luz mais que eu. Sou sentimental demais as vezes, já devem ter percebido.
Tanto é que escrevi "me senti um pouco nostálgica"! A verdade é que eu estou sentindo falta de um sentimento legal que ocorria comigo quando assitia a F1. Sinto falta de borboletinhas batendo asas na minha barriga. Não aquelas borboletas que até a Ana Maria Braga, em seu programa da manhã, popularizou como sendo a sensação daqueles que se sentem apaixonados ou vêem a pessoa amada. É a sensação da torcida, dos nervinhos a flor da pele por aquela criatura que vc curte "para-caramba" e é a razão pela qual vc deixa de fazer qualquer coisa mais importante e dedica 80% da sua atenção em algumas horas. Os outros 20% para os demais em pista. Senti em 2009, em 2008 um pouco mais, mas em 2009 definitivamente minha carga desse sentimento ainda existia, as vezes me deixando levar pela frustração daquele ano, mas estava ali quando tudo dava certo.
Óbvio que falo do Kimi. Saltitei inumeras vezes no sofá tocando o terror com almofadas voando, quando que,  por um beiço de pulga o finlandês buscava uma pole. Ou mesmo que fosse uma ultrapassagem. 
A ficha caiu faz tempo que eu já não fazia mais isso. Hoje bateu uma tristeza daquelas que: "o que eu faço então aqui, se não torço para nada sem tanta emoção?". De início, parecia legal. Eu ia ficar menos "p" da vida durante meu fim de semana. Parecia que tudo ficaria melhor de sentar e escrever aqui. 
Deixei de ser passional mesmo, eu acho. Acho que exagerei em algum sarcasmo por aí, mas era porque realmente: pouco importa se X ou Y faz a pole, faz uma ultrapassagem, ou qualquer outra "cousa". Contanto que faça bem feito, eu trago aqui um aplauso, ou não. Os textos ficam de acordo com minha atenção, minha vontade, ou meu humor.
Chato?
Muito... Mas é assim, agora.
Eu tentei, juro que tentei saltitar no sofá pela torcida da pole do Vettel. Juro mesmo. Mas, só disse um "vai, meu filho" e quando percebi um segundo lugar manco (e acho que com o Galvão criticando o garoto as coisas pioraram para que eu sentisse empolgada) só gritei minha irmã avisando que o Alonso tinha feito a pole e ela veio correndo da cozinha para ver.
Somente isso.
Só???
Sim... 


Esse é o trio que está ali, com a faca e o queijo na mão. Alonso superou Vettel, e não foi Vettel que cometeu algum erro, na minha opinião. Acho que o espanhol foi o que esperávamos que ele fosse: o bicampeão Fernando Alonso, sem A nem B, sem X nem Y. Não dá para ficar falando de passado toda hora. Apenas isso. Superou a grande e imbatível Red Bull e como disse Hamilton, em alguma reportagem, Alonso mostrou que isso é possível, então está aí. Não contava com a astúcia de Hamilton, achei que daria Button melhor colocado que ele. Mas Ron Dennis estava na área, Hamilton tinha que fazer bonito e fez na "medida do possível". Amanhã, na largada, o inglês namorado da Nicole fulaninha, tem condições de botar banca para cima do Vettel - o que não se enganem: ele o fará. Mesmo. 
É bem capaz também que Vettel também ataque Alonso. Dizer que eu vou rezar para que não saia nenhuma lambança, parece muita heresia. Vou - então - torcer para que tudo ocorra da forma mais limpa possível, se tiver que acontecer. Além disso, acho que o Webber precisa se concentrar bem de hoje para amanhã. Se não ele perderá (sozinho) a chance do campeonato da vida dele.

A classificação e tempos:

1°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min45s390
2°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min45s457
3°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min45s571
4°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min45s944
5°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min45s977
6°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), 1min46s236
7°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min46s443
8°. Robert Kubica (POL/Renault), 1min46s593
9°. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min46s702
10°. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min47s884
11°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), 1min47s666
12°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), 1min47s674
13°. Vitaly Petrov (RUS/Renault), 1min48s165
14°. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), 1min48s502
15°. Nick Heidfeld (ALE/Sauber-Ferrari), 1min48s557
16°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), 1min48s889
17°. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes), 1min48s961
18°. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), 1min50s721
19°. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth), 1min50s915
20º. Lucas di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), 1min51s107
21°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), 1min51s641
22°. Christian Klien (AUT/Hispania-Cosworth), 1min52s946
23°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), 1min54s174
24°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), sem tempo 

 Ao Massa e sua frase de efeito: "Quebrou o carro. Senti uma coisa estranha e parece que é problema no câmbio". Me soou bem Rubinho o fim da frase. Mas o que acho sempre muito característico da parte dele é o "senti uma coisa estranha". Ele sempre sente coisas estranhas... Tenho medo desse cara. Na boa. 
O discurso do saudoso narrador é sempre impagável, como se nunca na vida uma pessoa não tivesse percalços nas vidas de treinos e corridas. Todos pilotos passam por alguma pedra no caminho. E o narrador lá: "o que aconteceu, meu Deus...", "ele poderia estar na briga da pole se não tivesse acontecido...", como se fosse algo que jamais acontecesse. Mais de 30 anos de profissão e ele não descobriu ainda que isso ACONTECE. ¬¬'
De fato e de resto, acho que senti a falta de Nick Heidfeld por ali. Fiquei feliz em revê-lo, apesar de não ter feito uma classificação expressiva perto da do Kobayashi, mas "o bom filho que a casa torna" é uma situação bem legal.  Heidfeld é merecedor disso. Pena para De La Rosa. Acho uma falta de noção mandar os caras passearem no meio da temporada... Enfins...
Detalhe extra. Duas coisas que está enchendo o saquinho nas transmissões: o Galvão ficar justificando o mal rendimento de Bruno Senna e Lucas di Grassi com aquela de "é uma outra categoria esses carros..." lalálalá... Já sabemos, não somos tão burros assim, poxa! Que drama, senhor! Já entendemos, mas sinceramente, não acho que é só esse o problema dos dois. Eu digo que boa parcela está com eles mesmos. E no caso da Virgin, as corridas que o Glock terminou ele terminou na frente do Di Grassi. Se não estou tão errada ou minha tabelinha me enganando.
E segundo, os cometários do Galvão de que é complicada a vida do Schumacher. Se fosse mesmo complicada, ele não estaria mais querendo pagar os micos que está pagando. Já tinha virado lenda de novo lá na casinha dele. Mas ele insiste, e assim quem insiste também é Rosberg, a duras penas com um carro que não é o que deveria ser nem chega perto do que foi prometido, mas faz o tio Schumi com certeza rever conceitos. Ou não. Se está lá é por algum motivo, então, deixe ele na dele. Simples. Não precisa mais justificar que essa de ficar 3 anos parado ele perdeu o jeito. Acho impossível. Impossível perder talento.
Porém, como saiu numa revista aí: "Pode esquecer, vc nunca fará ele calar" com uma capa reveladora:


Quase um Brad Pitt...

Amanhã, desejo uma corrida boa para todo mundo. E claro, umresto de domingo bem legal também. 
Talvez (se o tempo permitir um espacinho) volto com alguma análise da corrida na segunda.
Abraços afáveis!

sábado, 18 de setembro de 2010

Apocalipse da música

Eu li isso hoje pela manhã e quero que os que acompanham o blog façam o mesmo se puderem.
Venho dizendo direto aqui no blog que há grandes indícios de que o "fim está próximo" por onde quer que olhamos. Muitas vezes cito exemplo na música que é onde mais me afeta e mais me dói. 
Não sou muito fã do colunista do yahoo Regis Tadeu. Nem de longe concordo com ele, porque muitas vezes ele solta os cachorros em quem não merece. De qualquer forma, o texto é dele, e que postarei aqui como minha forma de representar o que penso a respeito da MTV e a indústria fonográfica em nossos dias tão obscuros. ¬¬'

VMB 2010 celebra um mundo pop-rock retardado (por Regis Tadeu - Yahoo Colunistas)

Imagine que você foi convidado para a festa de 20º aniversário de alguém e, ao chegar ao local, percebe que a pista de dança está vazia, os convidados estão em silêncio e o aniversariante passa o tempo todo falando ao microfone o quanto ele é legal, apresentando seus primos, todos mongolóides, daqueles que lambuzam a testa na hora de tomar sorvete, e fazendo-os cantar da maneira mais desafinada do mundo. Imaginou?
Pois esta sensação é infinitamente melhor do que aquela que praticamente derreteu as retinas de quem teve a coragem de assistir ao VMB 2010 mais uma ocasião em que a MTV nos brinda com um retrato inequívoco de que grande parte do meio musical – e, por conseguinte, de toda uma geração – está indo definitivamente para o buraco.
Quando o pessoal do Yahoo! Brasil pediu gentilmente para que eu escrevesse um artigo com minhas impressões a respeito de tal premiação, juro que tentei encarar a empreitada com uma expectativa otimista, mesmo sabendo que a lista dos indicados ao prêmio era mais fraca que sopa de albergue noturno. Ingenuamente, cheguei a acreditar que a MTV iria conseguir barrar este absurdo processo de votação popular, controlando os tais “votos” para que uma mesma pessoa não ficasse com a ponta dos dedos em carne viva de tanto votar em seu ídolo pelo telefone, pela internet ou pelo diabo a quatro. Muita ingenuidade da minha parte, né?
Eu já percebi que a coisa seria uma tragédia logo no tal “Aquecimento VMB”, quando um casal de atores de um programa da própria emissora, Quinta Categoria, tentava ser engraçado enquanto fazia merchan explícito de desodorante, refrigerante, carro e outros produtos, em cenas pra lá de constrangedoras. Nas entrevistas antes do evento, artistas se portavam como se estivessem anestesiados – menos no caso de Otto, que parecia estar dopado com alguma substância emburrecedora.  Mas eu não estava preparado para o que estava por vir…
Logo no início do programa, uma ótima ideia – uma interação entre o bom apresentador Marcelo Adnet e alguns artistas (Marcelo D2, Sandy, o guitarrista do Cachorro Grande e o jurado Miranda, do Qual é o Seu Talento?) – foi jogada fora por absoluta falta de criatividade. Daí para frente, o circo de horrores tomou proporções babilônicas. Acompanhem a sequência de eventos:
- Muito mais vergonhoso que o NX Zero ganhar o prêmio de “Melhor Show” foi o seu vocalista, Di, dar o telefone de contato para quem quisesse agendar uma apresentação de sua banda ridícula. Um absurdo total!
- Apesar de uma boa imitação do Faustão feita pelo Adnet, isto foi insuficiente para disfarçar o quanto as vinhetas para a categoria “Aposta MTV” foram primárias. O ganhador – um tal de Thiago Pethit – parecia ter caído da cama de tão sonolento e desanimado com o prêmio;
- A apresentação ao vivo do Restart foi aquela fraqueza e desafinações de sempre, mas pelo menos deu para sacar que o batera Thomas é bom, o único que tem chance de se dar bem como músico quando a banda encerrar as atividades – algo que todos nós esperamos que aconteça o mais rápido possível;
- O anúncio de Justin Bieber como ganhador da categoria “Melhor Artista Internacional “ foi um dos troços mais desanimados da história da TV brasileira, uma cena ainda piorada pela participação ridícula daquela menina pentelha que ficou conhecida como “mini Lady Gaga”;
- Depois de a dupla 3OH!3 pagar mico antes de anunciar apresentação do Fresno, o grupo gaúcho fez um pastiche canhestro de 30 Seconds to Mars, tentando botar uns timbres mais agressivos em seus instrumentos só para mostrar que estão mais pesados, embora ainda sensíveis. Coisa ridícula!
- O fato de o megacanastrão Roberto Justus ter apresentando a categoria “Revelação” já dava bem a medida do que viria a acontecer. Dentro de uma relação de grupos horríveis e da alienígena presença de Karina Buhr, a vitória do Restart seria o início de uma das mais inacreditáveis estratégias de votação popular – quero acreditar que sem a cumplicidade da MTV – já presenciadas na TV mundial;
- Em uma das vinhetas de intervalo, Sandy cantou ao lado de Mallu Magalhães, que continua tão lesada que sequer é capaz de conseguir afinar o seu violão. Constrangedor foi pouco;
- Os artistas focalizados na plateia demonstravam uma total indiferença não apenas em relação ao que acontecia no palco, mas no evento em geral. Vi gente que, se pudesse, estaria jogando “batalha naval”. Não é mesmo, Samuel Rosa? Não é mesmo, Cazé?
- Quando o Restart começou a ganhar mais prêmios, vaias começaram a ser ouvidas dentro do recinto, algo que passou a desesperar a direção do programa, que precisou abaixar o volume do áudio da plateia e mudar rapidamente para outra atração;
- Foi triste ver um cara talentoso como o Adnet sendo obrigado a ler um texto ridículo a respeito de “TV on demand”;
- Na categoria “Web Hit”, o pessoal vencedor – com uma patética paródia do Justin Bieber – mostrou como não receber um prêmio, tamanha a falta de noção demonstrada na ocasião;
- O Restart ganhar como “Melhor Pop” e um embusteiro como Diogo Nogueira ser o vencedor na categoria “Melhor MPB” foi um daqueles sinais de que o Apocalipse deve acontecer entre quinta e sexta-feira da semana que vem;
- O Capital Inicial – não por acaso, a única banda do chamado “rock brasileiro dos anos 80” que conseguiu reciclar o seu público para sobreviver aos dias atuais – até que tentou fazer uma apresentação digna, mesmo botando mais um guitarrista e um violonista para dar aquele “peso Mandrake”, mas uma grade descendo fora de hora e separando Dinho Ouro Preto de seus companheiros deu a impressão que estávamos diante de um cirquinho de oitava categoria;
- A tal “Jam com Nova Geração” fez com que eu temesse pelo futuro da música no Brasil. Sério;
- A apresentação de Otto foi um desastre. Embora a boa banda – com Fernando Catatau (Cidadão Instigado) e Pupilo (Nação Zumbi) – tenha se esforçado em emprestar alguma dignidade sonora, as desafinações do vocalista e sua presença de palco que mais parecia a de um chimpanzé triatleta estragaram tudo. O mais triste foi constatar o famoso “corporativismo entre artistas” ao ver Arnaldo Antunes declarar, após o evento, que “Otto arrasou”. Só se ele usou o verbo no sentido de destruição;
- Quando o Restart ganhou na categoria “Hit do Ano”, tomou uma vaia tal que os próprios apresentadores pediram para que a banda fosse aplaudida. Quando também venceu como “Artista do Ano” – prêmio apresentado pelo “craque Neymar-filme-tostado”, o constrangimento com mais uma onda de vaias foi tamanho que a própria banda agradeceu a quem os vaiou, tentando mostrar um falso “fairplay”;
- A apresentação do OK Go! – com guitarra em playback – foi de uma indigência intolerável para uma atração internacional. Deveriam ter sido presos e deportados;
- No final constrangedor, outra ótima ideia – a tal “Gaiola das Cabeçudas” – foi desperdiçada pela absoluta falta de animação da plateia. Nem mesmo as presenças de Valesca Popozuda e seu alter-ego – sua própria bunda – conseguiram tirar a platéia e o telespectador de um profundo torpor.
No final, ficaram algumas constatações:
1) A faixa etária do público que leva a MTV a sério agora é outro – e ainda menor: vai dos oito aos 12 anos. Acima disto, é gente com sérios problemas mentais;
2) A tal Marimoon e esse pessoal do Quinta Categoria são os personagens mais grotescos da TV desde os tempos do filme Corcunda de Notre-Dame na “Sessão de Gala” de sexta à noite;
3) Brasileiro é incompetente até para administrar uma franquia, já que a MTV Brasil conseguiu piorar ainda mais o que já vinha pronto lá de fora;
4) Este VMB 2010 deveria ser lançado em DVD como material de auto-ajuda, pois é impossível alguém não se sentir uma pessoa melhor depois de assistir a esta avalanche de atrocidades artísticas;
5) Se os fãs destas tais bandas coloridas de “happy rock” é que irão governar este País no futuro, avisem aos seus filhos e netos que a Humanidade deve se preparar para voltar a viver em árvores;
6) Perto de qualquer VMB, o horário político parece um desfile de cientistas e professores de Harvard.


Concordo com Tadeu em gênero, número e grau. Era de assustar, agora é de chorar.


Bom fim de semana a todos. E eu sei que vcs tem bom gosto para músicas, seja elas quais forem. Então ouça aquelas favoritas e sejam felizes.
Abraços afáveis!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Texto de Rubem Alves - Saúde Mental

As vezes me sinto incapacitada de expor minhas grandes frustrações ou minhas opiniões em textos. São muitas raras vezes que me dou por satisfeita pelo que escrevo.
Felizmente já encontrei ao menos alguns que escrevem de uma forma tão bela, que posso contemplar. Um destes é Rubem Alves:

Saúde Mental (do livro "Sobre o tempo e a eternidade" Campinas: Ed. Papirus, 1996.)

"Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia.Eu me explico.Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se.Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham... Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou... Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, "saúde mental" até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.
A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música... Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.
Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram..."

 
 Abraços afáveis!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

GP de Monza: o normal e tranquilo prevalece!

Eu queria realmente fazer um texto cabuloso sobre o GP de Monza. Mas vou ficar devendo essa pois o GP de Monza mostrou-se apenas um grande prêmio politicamente correto que arrisco dizer que tinha me esquecido de como era.
Foi uma corrida legal sem grandes surpresas, dramas, lágrimas ou frustrações. Para muitos pode até ter sido chata, mas eu fiquei bem. Não levantei a voz nenhum momento no decorrer da corrida e tive uma manhã agradável. Menos mal. ^^

Eu disse no post anterior que esperava alguma surpresa da largada, só não opinei o que seria exatamente minhas expectativas porque nem eu sabia quais eram na verdade. 
Button tem feito um trabalho bom na McLaren para quem tem seu primeiro ano na equipe. Fez um bom salto na largada, e poderia ter vencido a corrida se o seu principal competidor na pista não fosse Fernando Alonso. Mas poderia ter vencido. Button vencendo é sempre legal ver, ele tem um sorriso sincero que deixa todos bem felizes, pelo menos é essa sensação que fica. Eu gostaria muito que ele conquistasse esse ano o bicampeonato.
O espanhol estava determinado em vencer em Monza. Nada mais justo que se posicionar favoravelmente como um competidor depois de uma certa (desnecessária) polêmica. Passado? Sim, passado. E ele, com vontade de vencer, subiu ao alto do pódio por direito e méritos próprios e deu alegria aos tifosi. Fim de papo.
Massa fez por se aparecer na corrida logo de cara, tirando o líder do campeonato quebrando sua suspensão num toque que tem duas vertentes: ou estava defendendo Alonso, ou queria disputar com o espanhol e se esqueceu que tinha gente querendo fazer isso também logo atrás dele. Fiquei pensando que não surtiria efeito nenhum disputar com Alonso a posição, da mesma forma que me pareceu bem isso a intenção. No fim se deu mal quem nunca se dá mal: Hamilton. Uma hora as coisas dão errado e foi a vez dele. Parece-me que ele não ficou muito contente com isso, provavelmente eu não ficaria, mas até então não vi nenhum comentário dolorido por parte do inglês. Foi prejuízo, mas acho que nem tanto.
Mais uma vez Webber é líder do campeonato e na largada não trabalhou bem. Nem um pouquinho. Como em Spa perdeu posições que seriam pontos que poderiam distanciá-lo de Hamilton. No fim, a corrida foi amena para ele. Ganhou pontos com o sexto lugar, mas ficou apagado quando seu companheiro, com menos chances de se destacar fez por merecer o que o consagra - um bom piloto quando faz tudo como manda a moralidade dos bons costumes. Uma prova de que talvez a idéia do pessoal da Red Bull é plausível, foi a corrida de Vettel, que sem ser mais o pequeno vilãozinho, ficou participando da corrida com calma e garantiu com isso mais pontos que o Webber. Eu ainda acho que se ele tivesse mais sorte era ele o líder hoje com 187 pontos ou mais. Quem aplaudiu o desempenho sem graça de Webber deve ter sido o Hamilton, que dos boxes viu ele se distanciar apenas  em 5 pontos. Quase nada, mesmo que vcs me lembrem que já teve campeonatos ganhos com 1 ponto de diferença. Ele mesmo em 2008. Mas ainda temos 5 corridas: quanto menos sufoco passarem na última prova melhor para eles... Só para eles, porque o que queremos mesmo é suor até o último minuto. Ou não. Joguei a toalha, na verdade desde quando o campeonato começou. Talvez porque eu já entendesse que algumas coisas não seriam tanto do meu agrado. Mas o mundo da F-1 não gira em torno de mim, claro...

Eu acho que nessa altura do campeonato não há muito o que dizer sobre os demais pilotos. Eu tenho gostado muito das corridas de Nico Rosberg (não se batendo pelo fantasma do Schumacher - com o perdão da palavra "fantasma") mesmo que ache que ele pode fazer mais e melhor. E de Robert Kubica, que dispensa comentários. Trabalhos ótimos, mesmo nas condições de suas equipes, são trabalhos dignos de respeito. Hulkenberg fez tbm um bom trabalho em Monza, bem melhor que seu companheiro que venceu 3 vezes por lá? 3 vezes? Pois não pareceu... ¬¬'

Eu preciso de um veneninho básico que eu acabei por rir todo o momento que pude voltar a cena, repetir e repetir:
Felipóvsky, nosso afável amigo teve, digamos, no sentido figurado, uma pedra no caminho quando caminhava para o pódio: um degrau que ele não viu e gerou o pequeno tropeço que fez o meu domingo. Eu tratei de filmar pela tv (imagem péssima, mas o recurso que me é disponível é esse - o que vale é a intenção de vcs verem o que eu vi e por ventura deixaram passar): download link aqui: GP de Monza


O pequeno tropeço. Eu vi e ri. Não adiantou disfarçar. Mas... Eu entendo isso. Sou baixinha e entendo. Muitas vezes não pegamos impulso suficiente!

O próximo encontro não promete. Cingapura é terrível... terrível... ¬¬' Mas é uma etapa, então vamos passar por ela.

Abraços afáveis!

sábado, 11 de setembro de 2010

Monza ...

Eu falo sempre que preciso ir no cemitério procurar um joelhor melhor que o meu quando o danado decide doer. Hoje constatei que preciso de um cérebro novo tbm. 
Levantei as 9:15 da manhã ainda com sono. Quando olhei as horas e pensei "Ah é sábado!" lembrei que tinha o treino do GP de Monza! 
Minha caridosa irmã contou-me o que havia acontecido até o momento.
Parece que não perdi nada daqueles 15 minutos iniciais. O Q3 é realmente o que importa? Então foi na hora certa que vi Fernando Alonso - o sumido da pole - fazer o melhor tempo, os narradores ficarem sem nenhuma empolgação na voz com a praticamente perfeita volta do espanhol, por causa de seus motivos idiotas. Mas euzinha, que apesar de estudar história, acho que em certas circunstâncias deixar o passado de lado é a melhor coisa,  até gostei da classificação de hoje. Eu me lasquei numa infeliz aposta, como sempre, mas tudo bem.
Ouvi dizer que o treino foi chato e não posso responder com certeza isso porque estava meio sonolenta boa parte dele. Se a corrida em si vai ser boa tbm nem sei dizer. Pode ser boa sim, tem muitos ali que largam muito bem. 
Jenson Button vai largar na frente de Lewis... Hoje mesmo li uma notícia da qual Button revelou que se as ordens de equipe passarem a ser normais, ele deixa a F-1. Buenas, amanhã depois da largada veremos se a McLaren no mundo maravilhoso do Button realmente faz jus com que ele pensa. Veremos. 
Eu não sei não, mas acho que devem observar o que o Webber tem tomado antes dos treinos. Ou ele tem tomado Red Bull demais, ou ele está numa vontade de ser campeão esse ano que é uma coisa chocante. É, tem que tentar né? Embora eu ache que a Red Bull tenha o melhor carro, a McLaren está costurando sua colcha de retalhos de uma forma quase imperceptível, mas que vai me render 500 notas ($$$$$$) no fim do ano. Não sei se serão 500, mas que eu vou vencer uma apostinha eu tenho quase certeza que vou.

PosiçãoPilotoEquipeTempo
Fernando AlonsoFerrari1min21s962
Jenson ButtonMcLaren1min22s084
Felipe MassaFerrari1min22s293
Mark WebberRed Bull1min22s433
Lewis HamiltonMcLaren1min22s623
Sebastian VettelRed Bull1min22s675
Nico RosbergMercedes1min23s027
Nico HulkenbergWilliams1min23s037
Robert KubicaRenault1min23s039
10ºRubens BarrichelloWilliams1min23s328
11ºAdrian SutilForce India1min23s199
12ºMichael SchumacherMercedes1min23s388
13ºKamui KobayashiSauber1min23s659
14ºSébastien BuemiToro Rosso1min23s681
15ºJaime AlguersuariToro Rosso1min23s919
16ºPedro de la RosaSauber1min24s044
17ºJarno TrulliLotus1min25s540
18ºHeikki KovalainenLotus1min25s742
19ºVitantonio LiuzziForce India1min25s774
20ºVitaly PetrovRenault1min23s819*
21ºLucas di GrassiVirgin1min25s934
22ºBruno SennaHispania1min26s847
23ºSakon YamamotoHispania1min27s020
24ºTimo GlockVirgin1min25s934*

 Vai rolar uma pegação na largada pelo menos com os seis primeiros. Disso imagino que sei, mas se a corrida vai ser boa isso é outra pequena e insignificante história. Vai depender de quem quizer "tocar o terror" para dar uma esquentada. Mas vai ter que fazer as coisas direito, pois se deixar pedaços de carro no meio da pista rola um chato, angustiante e (como muitas vezes) desnecessário Safety Car.

Boa corrida a todos a gente se fala se eu sobreviver à um travalho chato, na segunda.
Abraços afáveis!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Felipe Massa resolveu minha vida

Quem diria que numa declaração de Felipe Massa eu resolveria boa parte de meus problemas?

Massa culpa altura pelo erro na largada em Spa (Fonte: aqui)

Na largada do GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, Felipe Massa posicionou o seu F10 à frente do colchete que designa o local de largada. De acordo com o brasileiro, que reconheceu o erro, isso ocorreu devido à sua altura.

"Acho que sou o piloto mais baixo dentro do carro. Eu fico muito baixo e talvez se eu fosse mais alto seria mais fácil para ver. Definitivamente, eu não consegui ver direito as linhas, então acho que fiquei um pouco à frente", admitiu.

A Federação Internacional do Automobilismo abriu uma investigação para apurar por que a comissão de prova não percebeu o erro do brasileiro, mas descartou punir o ferrarista, já que nenhuma reclamação formal foi enviada à entidade antes da divulgação do resultado oficial do GP da Bélgica.

Hum-hum... Heidfeld era mais baixo que ele, imagino e será que teve esses problemas... Uma almofadinha resolve num ato.
Maaaaaaaaaaaaaaas, meus problemas acabaram!
Quando perguntarem porque não tenho namorado, porque eu não dirijo, porque não saio de casa para tomar todas sozinha, porque eu não uso salto alto Luiz XV, porque eu cheguei na festa e ninguém viu, porque eu fui no cinema ver filme para maiores de 16 anos e fui barrada pelo juizado, porque eu balanço as perninhas quando sento em uma cadeira alta ...


Eu sou pequena demais, ok?!!
Obrigada Massa, fico devendo essa!

Abraços afáveis, pessoas!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Simplesmente ótimo

Voltando ao mundo real depois de um feriado prolongado,  que aconteceu de tudo, me deparei que tem algumas coisas que preciso fazer e descobri que me dão sono demais.
Essa tarde era, (eu  escrevi ERA) para adiantar algumas de minhas obrigações. Só que eu chutei o balde no sentido figurado e fui fazer as coisas do "lazer".

Fim de semana tem GP de Monza, apesar de nem estar azul pelo que pode acontecer na pista. Já espero algum "pelinho encravado" durante treino ou corrida que vai render uma "mancha vermelha ou roxa" dependendo de qual intensidade cutucarmos. Toda corrida ultimamente tem algo que possamos falar: ou é um carinha que queima a largada; ou uma ultrapassagem que se o muro não acabasse no ato, poderia ser fatal; ou uma tentativa de ultrapassagem que dá m*rd*... Ou ainda uma daquelas bem básicas tipo: "sai da frente que o que vem atrás é mais gente"... Acontece. Mais do que imaginamos e menos do que deveria.

A Ferrari se deu bem no quesito, moralidade do esporte. Nem adiantou gastar dedo e saliva. No fim, a FIA deu o que tinha que dar, no bom e mal sentido. Eu mesma não esperava outra coisa, a não ser uma punição violenta só para dar mais e mais pano para manga...

Uma coisa eu li e concordei. Espero que possam concordar tbm ou não. A tarde valeu de alguma coisa:

Coluna Flávio Gomes  -100  * link original aqui ----> 100 - IG

Os 100 mil dinheiros que a Ferrari pagou de multa por dizer claro e bom som “Felipe, Fernando is faster than you” em Hockehneim foram a única punição ao time pelas ordens dadas na Alemanha. O Conselho Mundial acaba de livrar a cara dos italianos, assumindo que as regras são inúteis, e deverão ser mudadas.
Bem, antes de mais nada, informo ao dileto público que acho essas ordens ridículas, na maioria das vezes. Mas aceitáveis, em outras. Ridículas como foram na Áustria em 2002 e mesmo nesse GP alemão um mês e meio atrás. Aceitáveis quando se trata de uma decisão de título, na reta final de uma temporada, como tantas vezes se viu e em outras tantas ninguém percebeu.
Uma regra que tenta disciplinar algo que às vezes é ridículo e outras é aceitável acaba não tendo efeito algum. É hipócrita e fantasiosa. Se a Ferrari manda Massa parar o carro na última prova do ano para Alonso ser campeão, todos, inclusive os adversários, dirão que faz sentido. É um caso da categoria “aceitável”. Fazer o que fez em 2002, no começo do Mundial, foi ridículo. Pedir para Felipe abrir mão de uma vitória na metade do campeonato, no dia em que fazia um ano de seu acidente, também.
As equipes, para driblar a regra boba, criaram códigos. Todo mundo sabe disso. A questão é simples. Falei disso naquela semana de Hockenheim. Não mudo uma linha. Cada equipe faz com seus pilotos o que bem entender, desde que não mande ninguém bater em adversários, ou jogar o carro no muro. O que acontece entre eles é problema deles. E cada equipe, claro, que aguente as consequências: a antipatia do público, o nariz torto dos rivais, uma eventual execração pública, a irritação de patrocinadores.
E os pilotos? Idem. Se aceitarem as regras impostas por seus patrões, que assumam as consequências. Sempre se pode dizer “não”, como está fazendo Webber, que peitou a Red Bull. E nem por isso foi demitido. Sempre se pode dizer “sim”, como fez Raikkonen na China com Massa em 2008, e nunca se queixou pelos cantos por causa disso. Ou mesmo Schumacher na Malásia em 1999, para ajudar Irvine. O que não dá é para obedecer e, depois, ficar de biquinho, fazendo tromba. Como Massa em Hockenheim e Barrichello na Áustria — esta, uma tromba secular, que perdura até hoje. E tem outra: a alguns pilotos, equipe nenhuma tem coragem de pedir para tirar o pé. Há aqueles mais, digamos, flexíveis. E outros que mandariam o chefe à merda pelo rádio, via Embratel, para resolver depois o que fazer.
No mais, fica para o torcedor a missão de julgar. E para os dirigentes das equipes missão de definir condutas. Há aqueles, como Frank Williams e Ron Dennis, que em geral liberam seus pupilos e já perderam campeonatos por causa disso. Mas têm uma imagem de bons desportistas. Há aqueles, como Jean Todt e seus discípulos, que cagam para os pilotos e para o público, e têm uma imagem de maus desportistas. E há aqueles como os da Red Bull, que não sabem direito o que fazer e não têm imagem alguma. Mas uma hora é bem possível que tenham de escolher uma.
Que se mude de uma vez por todas essa regra boba. Ética, lisura, princípios, honestidade, como também já escrevi em algum lugar, não se exige por escrito. Ou tem, ou não tem.

Abraços afáveis!

sábado, 4 de setembro de 2010

O frustrante e o lamentável

Por uma belíssima sorte vou poder aproveitar 4 dias em casa e não apenas os dias de sábado e domingo. Felizmente meu professor de segunda feira se tocou que ficar cobrando demais por um projeto de monografia, além de deixar todos tensos, acaba não decidindo a vida de ninguém.
A minha questão nesse sentido está praticamente resolvida. Só preciso resolver um sono ,que tenho passado esses dias, que parece até que fui picada pelo mosquito tsé-tsé. 

Essa semana, tenho escapado alguns minutos das leituras obrigatórias da faculdade e feito algo para aliviar os neurônios. As vezes os meus 3 neurônios - Kimi, Mikka e Lauri - entram em colapso. Há dias, como nas quartas feiras, que dois entram em greve e o que sobra fica saltitando... O jeito é atacar com uma música e fazer um lanche lendo: "Heavy Metal - A História Completa" de Ian Christe.


O livro é um ótimo levantamento em algumas páginas retratado. Parece que falta alguma coisa, mas é uma sensação de quem gosta de saber muito sobre algo, como eu. Muitas coisas parecem comuns, como as histórias num passo a passo cronológico de algumas citações vivenciadas pelo Metallica. Eu sei praticamente tudo ou vagamente uma noção. Poucas vezes surgiu algo de que eu não soubesse. E vou dizer que as poucas que ocorreram ou não faria muita diferença na minha vida (tipo um comentário do Lars Ulrich - bateirista - a respeito do porquê passou a usar cuecas nos anos 90...). Mas tem muita coisa legal que dá vontade de entregar nas mãos de uns pseudo metaleiros que a gente encontra pelo caminho, que se dão por satisfeitos em usar a camiseta da banda favorita e fazê-los ler. Há tempos parei de usar camisetas como uniforme identitário. Primeiro porque rola um preconceito daqueles de deixar qualquer pouco esquentadinho de pá virada. Ficar se justificando que vc não é um ser subversivo e/ou ocultista, dá rugas e cabelos brancos. Segundo porque não é uma simples camiseta que te define como pessoa. Contra essa maré, as camisetas minhas são verdadeiras roupas novas, uso só quando acho que devo ou quando a ocasião me permite. E principalmente para poder ouvir outros sons que não o metal, afinal música boa é música boa indepedente do estilo. Porém é de fato meu favorito o Heavy Metal.
Lendo o livro - e já estou quase no final e devo terminá-lo até esse feriado "prolongado" - me bateu duas coisas injustas que no juízo final eu vou querer bater um papinho com Deus e perguntar: Porque o Senhor não me mandou à Terra em meados dos anos 70? Gente, eu queria ter passado minha adolescência nos anos 80!!!!


Eu nem sei bem porque, mas eu tenho uma vontade louca de ter o cabelo armado, desfiado, e com laquê e me vestir assim:





Primeiro porque meu cabelo ia ficar legal assim. Segundo que o estilo roqueiro na época soava estiloso e rebelde ao mesmo tempo. Tá certo que se criticava o Hard Rock pra chuchu, mas... tem lá seu glamour. Muitos desses caras eram mais bem maqueados que as moças do Vixen, da primeira foto. E quando digo que era criticado antes, continuou sendo nos anos 90 e talvez até hoje. Porém é aquela coisa, estava certo que a música e a criatividade eram o de menos, a preocupação era sempre em torno da imagem e as letras falavam de garotas de banda A a Z. Mas... ah... Quem não tinha na cabeça qualquer música farofa? Não era assim de todo o mau... Se bem que a ramificação do metal favorito tende mesmo ao thrash, que tbm tinha um estilo dos bons, como no caso do quarteto fantástico: Metallica, Anthrax, Slayer e Megadeth:





O estilo dos caras era um pouco mais "macho" digamos assim. Seria melhor que o Hard Rock cheio de panos  presilhas e brilho, mas eu me daria o direito afinal sou mulher. De qualquer forma as bandas em geral que tiveram o seu ápice nos anos 80 tinham estilo muito bom. Podia-se usar esse estilão mais masculinizado e não beiraria uma possível vulgaridade de uma groupie e teria a identidade de uma headbanger. Seria um bom jeito de passar a adolescência.

Como hoje usar jeans colados e jaquetas/coletes? Corro o risco de re-inovar o estilo e sofrer o absurdo de ser associada aos Emos e ser copiada  por eles, se apropriarem e virar essa panaquice que a gente vê constantemente pelas ruas. Não que eu seja a rainha da moda, mas sei que tenho o bom senso. Tenho vontade de usar, mas sei que é uma vontade e não algo para a vida toda porque o tempo passou e moda é quase sempre fútil.
Nasci em 1987 e tenho pavor dessa moda juvenil agora. Essas calças coloridas, esses óculos de grau sem lente, esse cabelos de retardados... Me frustra ainda mais saber que nasci no fim da década e nem pude aproveitar minha adolescência no auge do rock pesado, no auge da moda roqueira, mesmo que ela não fosse comum a cada esquina. Essa é uma das desvantagens da circulação rápida das informações. Ontem os emos vestiam preto e xadrez copiando os pais (os punks - que deles vieram os pop-punk que tem a toda e completa culpa por criarem esses monstrinhos de hoje) e hoje já usam o colorido berrante dos anos 80, deixando o estilo da época tirando do brega, para o demente.
Temo o tempo em que eles roubem e transformem as roupas comuns em estilo próprio e nós, o pessoal com senso crítico ter que ser obrigado a usar só roupas íntimas. É só o visual. Tudo que importa é sua "coloridez" chamando a atenção como placa de neon avisando: "oi, sou um(a) babaca". No fim é tudo futilidade. 
Os cara dos Hard Rock eram bem espertos. Tinham as mulheres que queriam e com um simples riff grudento vendiam milhões. A geração de hoje o que faz? Só corrompe cada vez mais uma juventude que já era fadada ao fracasso. É óbvio que é uma fase, mas eu arrisco dizer que essa é a pior sem dúvida. Nem o axé e o funk são fases tão tensas, pois entendo que pela promiscuidade que está em torno desses cenários, de sensualidade e afins, é um pouco digamos, fácil de assimilar. O ser humano sempre gosta de uma vulgaridade. Lógico que muitas vezes extrapola, mas é assim mesmo. Tudo que é ruim e não presta desperta um interesse.
A fase adolescente de agora é deprimente, triste, triste...
Como não se vive de nostalgia numa situação dessas? Pareço uma velha quando ouço coisas de tempos em que nem nascida era. Faço cara de dúvida quando me falam de anime/mangás, de música de rock asiático, de Lady Gaga, de Restart, deCrepúsculo... Eu não condeno essas coisas a não ser gostar de bandinhas chulés como essas bandas emo. Ler saga Crepúsculo abre caminho para ser um leitor sempre que possível.  Eu mesma li e se fosse adolescente aproveitaria a fase para tornar a leitura uma rotina. Eu mesma comecei com Harry Potter e Senhor dos Anéis. Hoje tenho o costume de ler pelo menos dois livros a cada 3 meses. Ruim é ficar apenas na saga Crepúsculo e se achar um verdadeiro vampiro até quando estiver com 40 anos.  Ruim é se vestir como personagem de mangá e sair para procurar emprego aos 30. Ruim é querer ser um "japinha" roqueiro aos 27 e nem ser descendente. Ruim é achar que a Lady Gaga é criativa,  ter 16 anos e não entender que  no mais o que ela quer ser é polêmica. Como muitas foram, como a Madonna foi e vc nem era nascido. Ruim é extrapolar na máscara virtual que usa e no fim dos 25 anos ter uma crise de identidade.
É a falta de equilíbrio que deixa as coisas assim tão supérfluas e tão estranhas, que dá a sensação que estamos mesmo na era do fim do mundo. Parece que muitos esquecerm que precisarão crescer, não sabem dividir lazer das responsabilidades, do senso de ética e do ter personalidade.

Talvez eu esteja errada, talvez eu esteja com a doença da velhice precoce. Mas é assim que eu vejo as coisas, como uma mistureba de paranóias e idolatrias e se espremer tudo, não sobra o essencial dos outros.

Contar com esse pessoal do futuro para "salvar" o que restará do meio ambiente ou mesmo da política dos países, inclusive e principalmente o nosso, me faz desejar que chegue logo "o 2012". Eu não contaria nem comigo mesma, que tenho lá meus defeitos. Quanto mais esses que vivem num mundo florido de conto de fadas (mesmo que sejam as fadas mais bizarras que se pode imaginar)...

Bom fim de semana e abraços afáveis a todos.