quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Legendando fotos do GP da Bélgica 2018

Kimi, a verificar se a família não seguiu ele até a Bélgica





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24 pontos... Hum...


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Não tinha combustível...
FALTOU O CA%@$#O DO COMBUSTÍVEL!!!!!


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Exercícios discretos para olhar traseiros?


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Os três da ponta foram os que deram um "tchãn" em Spa. E não foi competição...
A coisa é grave


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O belga nem teve como usufruir do local. Já tascaram inclusive um papo de que nem vai correr mais de Cingapura em diante. Os rumores que ainda foram ditos como se fosse certos pela isentona, excelente e magnífica Mariana Becker, que por sinal, estava louca no sábado e deu algumas bolas foras no fim de semana. 


Mas como disse: "Magnífica"...


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As pessoas não querem mais ver o Oco, digo, Ocon
Querem tirar uma selfie com o Oco, digo, Ocon


Que por sinal, 'tá pobre. Olhem o "buracaço" nesse joelho ossudo!?

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Uma cena espetacular. Pior foi relegar a ela, toda a emoção da corrida. 
Poxa, Spa é boa, merece mais do que acidentes, não?


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Por sinal, quiseram comer o fígado do Hulk, mesmo com esse cabelo todo 'chamegoso', clamando para que a gente queira passar os dedinhos


O fígado, não foi inteiramente comido, e teve uma repercussão abrandada (disseram) perto da que ocorreu com Grosjean, em 2012. O franco-suíço era "reincidente" em acidentes desse tipo, e cortaram uma corrida do cara.
As vezes, a F1 é muito cataclísmica. 
E não diferente, acharam que seria legal - como se ninguém nunca tivesse errado na vida - tirar 10 posições do Hulk para Monza. 
Sinceramente, mais de 15 anos de F1 e tem coisa que não consigo entender.


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Olha bem. 
Olha com vontade. 
Lá no meinho do banco tem uma voz sussurrando: "Você nunca sentará nesse cockpit"


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Entrou na pilha do Hamilton, Max? 
Não uai, tu tem personalidade!!! Mas, dada a justiça, capaz que vc entende mais que o amiguinho da foto anterior...


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Quem não dança com esse hino? 
Se não tem hino alemão seguido do da Itália, eu fico meio perdida...


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Fiz as unhas.
Quer ver?


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Um beijo nas costas do Johnny Walker.
"Vamo" beijar mais troféu, Vettel, porque 'tá pouco.


Abraços afáveis e até Monza!

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Retorno da F1: Spa não é mais tão deleite, mas é

Há 10 anos de blog e devo ter feito pelo menos umas 7 postagens sobre a corrida de Spa. E não me canso em mencionar toda vez no texto que é meu circuito favorito.
Amo Spa de verdade. Existe uma história por detrás dos gostos das pessoas: "foi neste lugar que vi a corrida pela primeira vez", "foi aqui que meu ídolo teve seu debut de vitórias", e por aí vai. Eu até tinha, por certa, que meu gosto por Spa se dava pelas vitórias de Kimi Raikkonen, 3 vezes seguidas no circuito, até o fatídico 2008, em que eu comecei a querer abandonar aquela premissa que, de certa forma, também se repete em alguns de meus textos desse GP: "Só os bons vencem em Spa"... ¬¬'
Mas não tenho essas amarras hoje. É a melhor pista, com subidas, decidas, curvas à esquerda e à direita, com pontos de freadas fortes. Claro que, falando assim, é a melhor para quem está dentro do carro. E claro que, com o passar dos anos, houveram modificações nela. Mas nem essas, tiraram todo seu brilho. 
O desafio dela já começa na largada e perdura por todos os seus pedacinhos. Talvez eu entenda o porque da frase que só os bons vencem lá. De fato, Spa não é para amadores, embora, alguns paspalhos tenham terminado corridas nela, no mais alto posto. 
Vou ser bem mesquinha: se há algum fresco que teve a vitória caindo no colo, ou venceu o GP de forma morna por motivos de :"tinha o melhor motor do grid", foi pura circunstância da...SORTE.

Nada melhor que as férias acabem e que seu retorno se dê na Bélgica, nessa pista de total deleite. Nos últimos anos, o nosso romantismo com essa pista foi se perdendo. Muitas circunstâncias se dão e quase tiram o nosso amor arrebatador pela pista Desta vez, a noção de poder ser um pequeno fiasco e descontrolável saudosismo estava à porta: Hamilton havia feito uma pole, que todos davam como majestosa. Eu só achava mais um golpe da dona Sorte, ou uma amostra de pacto com o Chifrudo. Como poderia, depois de já ter a certeza que, os melhores carros eram os da Ferrari, especialmente na classificação, o que mais gosta de se dar bem na pista, a pole ser praticamente na mão de Kimi Raikkonen, um Hamilton aparecer com sua pole de número infinito? 
Um chuva providencial. Sim, até São Pedro foi comprado, não é possível?!
Há 24 pontos do rival Vettel, Hamilton fez a pole, depois de errar feio a primeira volta do Q3 já com pista molhada. Kimi teve falta de combustível (e em nome de todos eu digo: "what the fuck?") e 'ta-dá', magicamente o motor Mercedes reacendeu. Ô mermão... Tá de brincadeira?!?

Frustrada, desliguei a tv; Hamilton saiu do carro e já começou com aquele "eu, eu, eu..." de sempre. Eu poderia ter continuado, mas já tinha ouvido bobagens demais na transmissão, especialmente da repórter in loco, e preferia ir cuidar de minha vida. Ponderei que, estranhamente, chuvas, quebras dos outros e muitas coisas, acontecem em volta, mas nunca com Hamilton. Que espírito bom esse, não? Protegido como nunca. 
E como o marketing é algo que nunca pode ser desperdiçado, o retorno do atual campeão mundial aos holofotes da F1 é cravado com uma pole "surpreendente". E aproveitaram também que o papo da Racing Point, ou Force India, ou Seja-lá-que-for, estava em voga, falaram mais um tantão quando Ocon e Pérez largariam no P3 e no P4. 
Se achar isso suspeito, ache suspeito a pole também.

A largada e aquela afofada básica do Hamilton sob Vettel, tendo uma enorme pista para usar. Poucas curvas depois, Vettel conseguiu a ponta e foi se posicionando. Ocon ou Pérez foram prudentes em não atrapalhar. 
E então o holofote de assuntos destacáveis veio à tona: antes do Vettel conseguir seu P1, lá atrás a coisa ficava estranha. Hulkenberg não freou a tempo, bateu na traseira de Alonso que literalmente voou por cima de Leclerc. Não foi qualquer um. Foi Alonso, o cara que vai largar a F1 no fim do ano, que voou por cima da promessa/futuro da F1. A imagem foi espetacularmente sinistra. Graças à Deus, ninguém teve um mísero arranhão e acendeu a lâmpada na cabeça de todo mundo que criticou o "halo": a engenhoca pode ser feia, mas ajudou que Leclerc saísse ileso. 

No meio disso, apareciam Ricciardo nos boxes e Raikkonen com um pneu traseiro dilacerado. Só com algumas voltas depois é que recuperaram o replay desse incidente, e mais outro. Ricciardo - também holofote das férias pela sua transferência para a Renault - bateu na lateral do carro de Kimi e danificou o seu pneu, adquirindo quebras também. Até Bottas, foi pego errando freadas e tocando com Stroll - o garoto discórdia.

Abaixada a poeira, tanto Kimi quanto Ricciardo, sofriam com os danos dos carros. O primeiro abandonou a corrida na décima volta. Ricciardo, desistiu mais adiante. 
O tom da corrida foi morno para Spa. Reajustes de posições, quase nada tão alarmante, a não ser claro, um Verstappen tomando a posição P3. Bottas também chegou bem ao final da corrida, recuperou-se da classificação mal feita e tornou-se P4.  
Lá na frente, onde tudo importava, Vettel seguia no P1 sem erros nem problemas. Hamilton se distanciava, mas não muito. Fiquei à esperar de algumas reclamações via rádio. 
Mas elas vieram, mais tarde, em tons de cinismo desagradável, não por ser verdade, mas sim por ser de atitude de mau caráter. Hamilton insinuou ter algo a mais no motor Ferrari. 
A questão do jogo psicológico é uma arma eficaz, mas nas mãos de Hamilton sempre soa revoltante e muito do hipócrita. Se ele está distante 10 segundos do resto ele faz um baita "sandbagging" para imprensa. Se Vettel está à 10 segundos, ele insinua um burlar de regras. Tetra campeão, com 33 anos... Eu teria vergonha de agir assim. 

Apesar de Vettel ter feito a barba, o cabelo e o bigode em Spa, é de se convir que foi um tanto "xoxo" ter diminuído a diferença de pontos de 24 para 17. Ainda assim é remoto que vejamos o retorno da Ferrari vencendo no campeonato de pilotos. E acho que estou sendo uma das poucas que acha isso uma verdadeira pena. 
E o grande perigo? Se a Ferrari não acordar de vez para a vida, Kimi vai perder na classificação geral para Bottas logo em Monza, no próximo fim de semana. O trato é seguinte, quer ficar com o finlandês velho, dê à ele medidas para ajudar no campeonato. Tomem tento!

Todavia, por mais que o GP seja meio morno, Spa é uma das melhores coisas na F1. Ela cria uma grande expectativa, a gente fica meio frustrada por não atendê-la por completo, mas é sempre um grande prazer, sem sombra de dúvidas. Vida longa à Spa-Francorchamps!!!

Abraços afáveis!

PS: Faixa a Faixa virá depois de Monza. Votem aqui

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Mais uma da F1 em meio as férias: decisão de Fernando Alonso

Ao contrário do que se pensava, Alonso não estava indo para a Renault ou Force India. A primeira opção escorreu pelos dedos quando Daniel Ricciardo anunciou a ida para a equipe francesa, logo quando a F1 entrou de férias. A segunda, talvez nem existisse de fato. Bem provável que era uma especulação besta de mídia que sempre ocorre, especialmente quando tem pouco assunto nos intervalos das corridas, na boa e velha silly season.

Um monte de gente atribuiu a decisão "rápida" de Ricciardo por desespero em ter sido "vetado por Vettel na Ferrari" e por estar descontente com o desempenho do motor Honda na RBR. Fatores que teriam contribuído em pedir para sair.
Talvez, dessas duas premissas, é muito, muito provável que só a segunda seja mais próxima do que realmente se passava na cabeça do australiano na negociação e decisão.

Sigo, talvez, inocentemente, achando que Vettel sugere, mas não manda nas decisões da Ferrari. Quem manda ali dentro tem muito poder. Para mim é bem difícil que seja um piloto o último nome  consultado por uma equipe do calibre da Ferrari. 
As vezes a equipe vermelha é de muitas formas, burra, imatura e amadora (dado alguns pit stops horrendos), mas ela é uma das que sabe muito jogo político das quais a roda da F1 gira. E mais ainda: sabe decidir os bons e melhores custos das coisas. E sejamos pragmáticos: perder dinheiro numa disputa de campeonato com outra equipe não é o mesmo do que perder dinheiro por disputa interna de seus pilotos. Kimi está pacientemente tranquilo na Ferrari. Deve ter tudo esquematizado para que não se sentisse mais desconfortável como foi depois do segundo semestre de 2009. Ele sabe que é o segundo, mas sabe também disfarçar isso. Muito mais relevante que pensar que ele é um incapacitado, são poucos que fazem o que acham que deve, fazem o que foi mandado, mas não cria alarde em cima disso, para a imprensa especificamente. E olha que ele é chegado nuns gorós, mas tem mais neurônio que muitos críticos de F1 por aí. Talvez vocês conheçam alguns destes. Eu tenho evitado aproximações... Vai que pega?

E de qualquer modo, por mais sabidos que possamos nos gabar, não temos lhufas de ideias sobre o que se passa internamente na Ferrari. É tudo "achismo", palpite e interpretação. 
Lembro melhor da Ferrari na era Schumacher, que já era bicampeão, e demorou alguns anos para vencer o ano na equipe "protegida pela FIA". Teve como companheiro, um segundo piloto convicto que não incomodava o parceiro, mas era um segundo de respeito: fazia tudo conforme se esperava, sabendo dos limites. Esse era Eddie Irvine. Depois teve um tal chamado Rubens Barrichello que sabia dos seus mandos, mas ainda chorava para imprensa se vitimizando.
Tivemos um capacho de marca maior que só tomou crista quando puxou muito, mas muito saco da diretoria. Bastou vir um finlandês calado e ele achou que podia subir na cabeça dele. Bastou vir um espanhol e a brincadeira virou outra: mandaram ele reclamar numa equipe que também não o merecia. Ouso dizer que ajudou a afundar a coitada da Williams. 

Ah, é. O espanhol é a pauta do texto. Fernando Alonso ficou na Ferrari, num momento que, paciência, não devia ser cobrada de quem tem tanto para dar. Italianos à pedir paciência pareceu irônico, mas desde a zebra de 2007, a Ferrari não teve um momento à sorrir. 
Leva à risca, sim, o jogo de equipe. Mas, algumas, que aí sim, possuem pilotos que mandam no seu desenvolvimento e até marketing, tem feito da equipe vermelha, uma chacota velada quando comete erros. Tá certo, isso ainda é achismo meu, mas o que não é?

Certamente que, Alonso é o melhor piloto do seu tempo. Não há ninguém melhor. Não há, mesmo. Infelizmente, nem mesmo Kimi, que sou fã desde meados de 2002. 
A McLaren não soube dar valor nele. A Ferrari, enrolou demais e ele pediu imediatismo. Não era para menos, ele sempre soube que era o melhor do grid. Ele é convencido, mas nunca foi injustamente arrogante. E novamente, a Ferrari deu das suas, perdeu a paciência ao achar que o problema era seus pilotos. Isso ela sempre faz, mas nunca acerta.
O retorno lastimável à McLaren em ruínas, foi um golpe duro na carreira de Alonso, que àquela altura, já tinha sofrido o possível e o impossível na categoria. 

"Mas seu jogo político o afastou das grandes... Ele é odiado demais para estar ainda na F1". Jogo político que lhe tirou a chance do tri em 2007, fez sua má fama ser esboçada em 2008 e pintada em um quadro com moldura dourada com o "faster than you" em 2010. Na Ferrari, o merecido tri, ficou sempre no quase. Por fim, todos os pecados pagos em 3 anos de fundo de grid, vendo bi, tri e tetra campeonatos daquele que deveria ter ido para o buraco junto com ele em 2007. Esse sim, tem um jogo político formidável, duro e imbatível... 
Se jogos políticos moveram Alonso para longe das grandes, ele até que aguentou pancada demais por ser tão presunçoso.

A mídia errou de novo. E vai, outra vez.
A chance de que Alonso jogasse a toalha existia até entre seus fãs. Mas pouca gente acreditava, sendo que alguns preferiam não acreditar. Outros, acreditavam que sua face de arrogante, não permitiria que ele se cansasse de ser fundão de grid, pois ele teria alguma coisa arquitetada, uma carta na manga. 
Sinceramente? Sendo o melhor que já vi correr, esteve absolutamente certo em dar adeus. A aposentadoria parece remota. A palavra não foi usada. Mas que ele não volte, apesar de sentirmos muita falta desde já. É um desserviço vê-lo lutando por um mísero (quando muito) quinto lugar. 
Muitos pilotos medianos, espremeram o limão da vida até a casca estar preta. Tiveram grandes chances em equipes grandes, que, pilotos promissores, nunca tiveram uma ponta dessa vantagem. Terminaram suas carreiras em equipes medíocres, com quebras atrás de quebras, ou reclamando dos novatos como velhos caquéticos. Uns pediram e imploraram para voltar, de forma bem humilhante. O pior, foi e voltou, como se nada tivesse acontecido. Recebeu um burro de uma nota, e teve gente à torcer e defender com unhas e dentes.

Alonso sai da F1 no fim do ano, e em 2019, vai fazer outras coisas. Requer agora, criarmos muita vontade à acompanhar a categoria, especialmente se a mesmice não tardar a retornar já em Spa, dia 26.
Vejam bem, não vou dar de viúva e reproduzir com adaptações o "não vejo F1 desde que Senna morreu". É apenas se convir que uma era que fez parte do momento em que a minha geração começou a tornar os domingos de corridas compromisso sério, está acabando. O que tem restado são pilotos moldados a partir de grandes montadoras, patrocinadoras ou jovens que vieram a ser pilotos a partir de muito video game de corridas. Já sou de outra época, passei dos 30 e estou ficando ranzinza. É óbvio que para continuar vendo corridas, mas que terei de caçar um ânimo muito maior agora, mesmo com a notícia de renovação do Raikkonen nos próximos dias (mais outra que a mídia encheu a paciência, e vai errar também) é notável.

Que Alonso seja feliz em qualquer outra escolha, que faça seu nome em outra categoria. Bem sabemos, apesar de algumas ressalvas, que ele merece.

Abraços afáveis!

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Tag Cinematográfica: Desafio dos 30 filmes (#20)

Retomando a tag de filmes, vamos relembrar o que já passou por ela, antes?

Dia 6: Um filme ruim de um diretor bom;
Dia 7: Um filme que você não entendeu ou teve dificuldade de entender;
Dia 8: Um filme com seu ator favorito;
Dia 9: Um filme do cinema nacional;
Dia 10: Um filme que tem vergonha de dizer que gosta;
Dia 11: Um filme perturbador;
Dia 12: Um filme preto e branco;
Dia 13: Um filme com uma ótima trilha sonora;
Dia 14: Um filme da sessão da tarde;
Dia 15: Um filme com sua atriz favorita;
Dia 16: Um filme mudo;
Dia 17: Um filme que gostaria de ter assistido no cinema;
Dia 18: Um filme que gostaria de atuar;
Dia 19: Um filme que te deprime

Desafio dos 30 filmes - Dia 20: Um filme francês

Se você disser numa mesa de bar que gosta/conhece o filme francês, acredite você é o chato da rodinha. Geralmente, quem é dado à esse tipo de cinema são quase sempre os famosos cultuados da tela grande. E você é chato. Impreterivelmente chato. Assim como alguns longas franceses. Parados, artísticos e simbólicos demais. Não é, nem de longe, pauta para conversa de bar. 
Mas concordo, que nem de futilidade vive o homem. Então, cá estamos numa tentativa de procurar um filme francês que tenha a pompa e a frescura do país apenas no idioma. Escolherei os meus favoritos no final do post, não sem antes dar uma dica para todos os perfis de quem gosta de filmes.

A) Para quem gosta de animação (mas que não seja infantil):

A dica é "Persépolis" de 2007. É uma animação baseada num romance gráfico autobiográfico de Marjane Satrapi. Assisti esse filme na faculdade e achei interessantíssimo. Porém o encantamento ruim surgiu assim que veio aquela discussão acadêmica que arrebenta com aquela humilde noção da arte pela arte, causada pelo significado político social das entrelinhas. A sinopse também arregala essa vertente de debate: "Uma jovem iraniana que sonha em ser vidente acompanha de perto a queda do Xá e de seu regime brutal. No entanto, ela acaba se revoltando contra as imposições fundamentalistas dos rebeldes, especialmente contra as mulheres."
Lendo assim, parece um senhor drama. Mas dispam-se desse argumento de venda (que nada mais é do que isso que uma sinopse faz) e assistam. É bem interessante a jovem Marjane que antes da queda do Xá, era uma garota livre como qualquer outra, e permanece em sua personalidade a curiosidade por coisas diferentes. Tanto que assim que se institui a burca, ela a usa, com camisetas de bandas, e compra fitas cassete escondido, do Iron Maiden. Super!

B) Para quem gosta biografias dramáticas:

Já existe um grande número de filmes que abordam pedaços relevantes das vidas de grandes personalidades. No caso, músicos, são pedida boa para cinema. Os que tiveram grande destaque, eram os que tiveram vidas mais atormentadas: "Ray" sobre Ray Charles, "Johnny e June", com menção forte ao relacionamento de June com Johnny Cash, "The Doors", sobre especificamente o vocalista Jim Morrinson e por aí vai... 
Na França, fizeram um belo e triste filme sobre as labutas de Édith Piaf, chamado "Piaf - Um Hino de Amor", lançado também em 2007. "Nascida na pobreza e criada em um bordel, Édith tem como meta ser famosa pelo mundo todo. Apesar de sua extraordinária voz e carisma abrirem várias portas que a levam a muitas amizades e romances, ela passa por experiências ruins, sofre perdas pessoais, torna-se viciada em drogas e morre jovem." Baita sinopse spoiler... ¬¬'
Esse filme alavancou a carreira de Marion Cotillard em Hollywood e trouxe um maior holofote à um quase esquecido cinema tradicional francês, especialmente aos Oscars.

C) Para quem gosta de dramalhões:

Se está acostumado à filmes franceses, sua boa pedida pode estar em "Amor" (2012): "Georges e Anne são dois idosos apaixonados pela arte e, principalmente, um pelo outro. Os desafios da terceira idade afetam sua forma de viver e o modo como se relacionam com a filha, mas o amor entre eles segue inabalável."
De roteiro quase simples, é irretocável sentimentos surgirem a cada instante do filme. Mas novamente: se você é acostumado à filme estrangeiro, poderá gostar. Se acha cinema europeu fortemente enfadonho, talvez a sugestão melhor seja essa: "Os Intocáveis" (2011), cuja sinopse trata-se do seguinte: "Um milionário tetraplégico contrata um homem da periferia para ser o seu acompanhante, apesar de sua aparente falta de preparo. No entanto, a relação que antes era profissional cresce e vira uma amizade que mudará a vida dos dois."
É incrivelmente bem humorado apesar de soar trágico. Em vários momentos ele parece desagradável, pela condição do mau humorado tetraplégico, mas a falta de jeito e a suave necessidade de não tratá-lo de forma diferente, faz com que o acompanhante seja uma das melhores personagens que já vi, e um detalhe: tanto o milionário quanto o acompanhante existem; o filme foi adaptado de uma biografia que conta a história de amizade dos dois.

D) Para quem gosta de romance de "menininha":

Sabe aquelas historinhas bem "Poliana", com tudo lindo e florido?
"Amélie é uma jovem do interior que se muda para Paris e logo começa a trabalhar em um café. Num belo dia, ela encontra uma caixinha dentro de seu apartamento e decide procurar o dono. A partir daí, sua perspectiva de vida muda radicalmente." Este é "O Fabuloso Destino de Ámelie Poulain" de 2001, com tudo muito colorido, com uma moça positiva, com ajudas para todo mundo que encontra por causa do conteúdo da caixinha, e muito, mas muito Paris. A melhor coisa do filme? O anão de jardim viajando pelo mundo, rsrsrsrs...

E) Para quem gosta de comédia que faz duras críticas à sociedade:

Esses são os meus favoritos e as escolhas para a tag; dois filmes ótimos, de comédia bem densa, mas que não é para qualquer um pois  tratam das porcarias do mundo moderno: o politicamente correto e o mimimi excessivo. 
Por ordem cronológica: 

Primeira dica:  "Qual é o nome do bebê?" (2012)

Vincent e Anna são convidados para jantar na casa da irmã dele, com o cunhado e um amigo da família. O nascimento iminente do filho é o assunto da noite.
Vincent quer nomear seu filho com um nome que lembra o de um ditador. Imaginem uma família doida e um monte de verdade vindo à tona?... Provocativo, Vincent fomenta todos os absurdos e stress da irmã, cunhado e do amigo, enquanto a esposa, Anna, ainda não chega para o jantar. Logo, na discussão engraçada, surge as hipocrisias e os dramas envolto à um simples nome. 
A comédia, já dizia os filósofos, mostra o pior dos homens. O filme faz isso com maestria. Em certas passagens a gente vê que quanto mais a pessoa se acha intelectualizada, pior ela é em termos de caráter, afinal, vez ou outra se acha uns metidos a donos da verdade. Fora o tanto que caçam pêlo em ovo... 
AVISO!!!!! Não é uma comédia para idealizadores de partidos. Creio que nem os esquerdopatas, nem os coxinhas vão rir de todo o filme. Alguns sequer entenderão algumas coisas, afinal... rsrsrsrs...!

Trailer do filme, aqui.

Segunda dica: "Que mal fiz a Deus?" (2014)

Já toparam com gente que, por mais que sejam boas pessoas, ainda pagam seus pecados tendo que conviver e encararem de frente o preconceito? 
A sinopse não faz jus ao filme, mas vou adaptar ao certo: Claude e Marie são católicos e têm quatro filhas. Eles não ficam muito felizes quando três delas se casam com homens de outras religiões e nacionalidades. Ainda resta a esperança da filha caçula. Mas o futuro genro pode não atender por completo as expectativas do casal. As três primeiras filhas se casaram com um muçulmano, um judeu e um chinês budista. A quarta filha anuncia casamento com um homem católico, mas o casal francês nem imagina a etnia do moço. 
Não adianta. Todo mundo é preconceituoso com algo. Todo mundo desgosta de algum tipo de pessoa. Não dá para ser isento com qualquer julgamento antes de saber se de fato, alguém é ou não é descente para nutrir convívio. Somos todos imperfeitos. A questão é saber ser racional e razoável, e claro, não fazer tempestade em copo d'água. 
O que a gente vê hoje é um pessoal pedindo mais amor, mas detestando quem pensa diferente. Para quem acha que dá para dar chances a todo mundo, assista o filme e dê boas risadas. Garanto que não se arrependerão. Agora quem já detestou o Claude e a Marie, só pela descrição do filme, vá garimpar algo do seu perfil politizado e corretinho na "Netflix, e seja felix", sim?!

Trailer do filme, aqui.

E vocês, algum filme francês que gostam muito? Comentem!
Abraços afáveis e bom começo de semana a todos!

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Faixa a Faixa: All Hope Is Gone

Guardada as devidas justificativas do remoto atraso (F1 e empate técnico entre 4 discos diferentes), vamos à sétima postagem do Faixa a Faixa, dessa vez com um disco mais novo que os que já foram comentados por aqui.


Pela segunda vez consecutiva, o resultado foi surpreendente. Vamos aquecendo os dedinhos...

♫ Nome do álbum: All Hope Is Gone

Lançado em 2008, "All Hope Is Gone" completa 10 anos neeste mês de agosto. Foi lançado primeiro no Japão, no dia 20, e nos EUA no dia 26.
É o quarto de estúdio do Slipknot, banda que se promoveu largamente na cena metal, como um dos expoentes do chamado "Nu Metal". A grande "questã" é que as bandas que carregaram esse rótulo sofriam de uma crise de identidade no fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000, pois usavam elementos de muitos subgêneros do metal, toques de hardcore, punk e até de hiphop. Comparando as bandas que levavam esse rótulo, Slipknot se destacava: trazia um pé no death metal, com um exagero (mas não forçado, talvez inovador) uso de samplers e percussão. O embrião da banda lá em Des Moines, Iowa era um projeto motivado por um baterista e um baixista, em 1995. Possuíam 9 integrantes, entre eles, o corriqueiro vocal, baixo, bateria e duas guitarras, mais dois percussionistas, um tecladista e "sampleador", e um DJ. O excesso de barulho, dava um choque maior ainda: eles tinham cada um, o mesmo figurino - macacões largões, identificados por números de 0 à 8 - e vestiam suas faces com máscaras nada amistosas, lembrando personagens de filme de terror, misturado com tipos sadomasoquistas... Para meu desespero, um deles, tinha de ser um palhaço... As identidades deles eram, até os primeiros discos, um tanto desconhecidas. Neste quarto álbum, alguns detalhes das pessoas físicas passaram a se revelar.

► Arte, capa e encarte:


"All Hope Is Gone" trazia os 9 integrantes já atendendo por nomes na web, embora, pouco se sabia sobre cada um deles. O vídeo da música "Before I Forget" do disco anterior "Vol. 3 The Subliminal Verses" deu um gostinho para fãs e curiosos. Enquanto a gente caçava no Google fotos dos membros e encontrava gravuras com borrões de má qualidade; no vídeo, eles lançavam a isca: mostravam olhos, cabelos, mãos e tatuagens, pescoções e perfis, tudo com cenas muito rápidas. Mais tarde, em DVD, eles apareceriam em algumas entrevistas ou deixavam escapar uma imagem mais nítida dos bastidores. Mas a gente nunca tinha a fiel certeza de quem era quem, salvo alguns deles. 
Esse anonimato parece que nunca foi o forte da banda. Tanto é que mudou com o tempo. Alguns tinham os rostos revelados a partir de aparições em outras bandas. O caso mais latente era do vocalista Corey Taylor e do baterista Joey Jordison. Ambos tinham seus projetos particulares, no caso de Corey, dividia espaço com outro membro do Slipknot - James Root - na banda Stone Sour, que ainda existe. Já Joey, tocava guitarras no Murderdools, banda já extinta.
O Slipknot apostou com mais ímpeto o teatro macabro para os palcos. Mas já no disco 3 trouxe um peso mais direto e reto em algumas das canções, menos parafernália e menos anonimato - que ia sendo solto aos poucos, embora sedutor. O DVD também mostrava rostos limpos nos bastidores. A banda já tinha status de grande, então, restava apenas, manter e melhorar a qualidade musical. 

"All Hope Is Gone" tem um título pessimista: "Toda Esperança Se Foi" (numa tradução adaptada no sentido da expressão em português), porém é positivo, já na capa, o apelo mais direto, nem que seja, sutilmente de seu trabalho. 
Os elementos que fizeram a tradição da banda estão lá: figurinos iguais, máscaras medonhas, algumas modificadas de acordo com a vontade de cada membro, muito significado e simbolismo. Mas continua sendo apenas 9 caras esquisitos e mascarados, desta vez num cenário comum: no mato alto e seco, numa paisagem de céu semi nublado. O famoso "pentagrama" que não é penta e sim nona (eneagrama), indicando os ângulos e raios de cada "personagem" da banda, está presente de forma quase escondida:


Ele aparece numa tinta plástica transparente por cima da foto da capa, indicando os famosos números de cada um deles. Esse eneagrama, com certeza, assusta por uma possível associação satanista, algo que perturba a mente de qualquer um que não esteja acostumado com bandas de Heavy Metal e subgêneros. Na maioria dos casos, a menção ao diabo nas letras é uma inquietação e métodos subversivos de afronta à moral das sociedades, ou até mesmo um fascínio pelo submundo, medo da morte, pessimismo ou revolta que sempre acompanhou o rock que, ainda hoje é intragável para algumas pessoas. Não significa, arrisco afirmar, em nenhum dos casos, que os músicos que trabalham com isso, de fato acreditem piamente como religião e/ou seita do tipo cabresto. Na arte, tudo é possível, inclusive, o que nos causa incômodo.


Os simbolismos macabros e infernais aparecem, sim, óbvio. Com fotos artísticas e bem trabalhadas, as fotos aparecem com grandes rostos parecendo Moais, em corpos pequenos em campos de mato e celeiros abandonados. Essa arte está acompanhada de fotos dos membros da banda, também mata adentro. Aos cantos das páginas do encarte, as letras das músicas. E nada mais.


► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Como já foi mencionado, por um tempo, os membros eram tratados por números. Farei as menções dos números e as máscaras já usadas e que ainda usam:  #0 DJ, usa máscaras anti gases tóxicos ou de caveiras. #1 o baterista, usava uma máscara do tipo kabuki, originária do Japão. #2 baixista, usava uma máscara popular nos EUA chamada "porco do Halloween", depois passou a usar uma semelhante ao do Hannibal Lecter. #3 percussão e vocal de apoio, usa uma máscara do Pinóquio macabro, com um longo nariz de borracha. #4 guitarrista solo, usa uma máscara bem trabalhada, que mistura os personagens Corvo de Brandon Lee e o Coringa do Batman. #5 Tecladista, programador e sampler, usa a máscara mais conhecida entre eles, apesar de mal ser visto no palco. Sua máscara é de látex, repleta de espetos afincados na cabela e uma boca de zíper grosso, com furinhos para o nariz e abertura para os olhos. A inspiração é dos personagens cenobitas do "Hellraiser". 
Ainda tem mais, e eis o meu pior pesadelo: #6 percussão 2 e voz de apoio, usa máscaras de palhaços. Máscaras simples, nem parecem ser de palhaços macabros. Mas para mim, que sempre tive pavor, tornou-se a mais assustadora. Essa e a #7: guitarrista base, que usa uma máscara que lembra metal, simples modificação das máscaras de hóquei só que estilizada. O guitarrista é bem grandão, e mais que a máscara, o porte físico do cara já assusta. Por fim, #8 vocalista que usou máscaras sempre estranhas: de rosto plástico e dreadlocks, face derretida com um lado sorrindo e outro triste. A última é quase parecida com a primeira pelo largo espaço para a boca, só que com um olho pequeno e outro grande. Parece referência aos quadrinhos, algo que o vocalista nutre muita paixão.

Hoje, a gente sabe nomear essa turminha tão fofinha que poderia estar na TV Colosso, #sóquenão. O DJ é Sid Wilson, o mais novo da banda. O baterista nesse disco é Joey Jordinson. Acabou deixando a banda depois no hiato que teve da tour desse disco e o que veio a ser o quinto álbum. O baixista, Paul Gray foi encontrado morto quase dois anos após a gravação do disco, o que foi um banho de água fria na banda que ficou instável por alguns anos. Ele foi co-fundador do Slipknot e dividiu opiniões entre os membros depois que veio a falecer: uns queriam seguir com a banda, outros achavam doloroso continuar sem ele. Chris Fehn é o Pinóquio, percussionista e vocal de apoio. Juntamente com o "palhaço" Shawn Crahan, fazem a apoteose dos shows ganharem vida.  Craig Jones, o cara do sampler já foi o guitarrista da banda no começo. Está na banda desde então. Os guitarristas James Root e Mick Thompson são os grandões assustadores e habilidosos (as vezes com guitarras de 7 cordas). E sim, Corey Taylor, o vocal de grande potencial, um dos melhores vocalistas (para mim), dos últimos anos. 
As composições são creditadas ao Slipknot. Em tese, são contribuições conjuntas, que optaram por delimitar a divisão. Ao todo, preparam individualmente, em demos, mais de 30 canções, reaproveitadas para o disco.

Com 9 membros, é complicado falar em participações ou convidados, não é não?!

► Produção e gravadora:

"All Hope Is Gone" foi gravado no Sound Farm Studio, em Des Moines, no estado de Iowa. Foi o primeiro álbum que a banda gravou na cidade natal. Eles tinham muitas demos entre eles e então se juntaram, de fevereiro à junho para a montagem do disco, com o produtor Dave Fortman. Dave havia trabalhado com Ugly Kid Joe e bandas menores como Mudvayne, Simple Plan e Evanescence (revirando os olhos em 3...2...1). Seu maior sucesso como produtor foi exatamente com "All Hope Is Gone".
São 12 faixas no álbum, com duração de exatos 57 minutos e 57 segundos.

► Música favorita do álbum e segunda melhor:

Gosto muitíssimo de "Dead Memories". A segunda melhor é "Snuff" sem sombra de dúvidas.

► Faixa  Faixa:

♫ .execute

É uma intro perfeita para quem está acostumado com o estilo da banda. Aparenta um arquivo de iniciar um donwload de arquivo no computador. É eletrônica o suficiente para dar essa sensação no começo, quase como um metal industrial. Funciona muito bem inclusive, para ser aproveitada na tour (há de se pensar que talvez tenha sido proposital): é quase uma apresentação de cada membro da banda, um a um. Logo a bateria já chama as guitarras e os primeiros acordes da faixa 2 são emendados à ela.

♫ Gematria (The Killing Name)

Excelente canção que já mostra o ímpeto perfeito de linhas de guitarras muito bem executadas. A bateria é um pouco demais, acelerada, e com bumbo duplo. Deve ser exaustiva, mas sempre foi característica de Jordison e no caso sempre combinou com eles. Porém é uma música que já te joga no chão, logo que começa.
Gematria é um método hermenêutico para analisar palavras hebraicas na bíblia. No caso, atribui um valor numérico a cada palavra, o que torna o uso para o título da canção, interessante, por isso a "explicação" entre parênteses "Nome Assassino". A letra trada disso: morte, de Deus não se importando, de apocalipse e etc, noções que estarão presentes em todo o corpo das faixas seguintes, dando destaques para fins temáticos específicos .

♫ Sulfur

Com riffs também poderosos, "Sulfur" mostra também toda a capacidade vocal de Corey, especialmente no refrão, onde um tom quase de hino com vocal limpo combina tanto que dá vontade de cantar junto, até ponderar certo e entender que isso, detona a música.
"Sulfur" é o nosso amigo chegado, Enxofre. A letra é carregada de simbolismo de uma vida sofrida, de uma pressão, de uma culpa, de vergonha, de se sentir um estranho no meio do mundo.

♫ Psychosocial

Carro chefe do disco, lembro bem quando estreou o vídeo na MTV. Aquele papo de "Que assustador!!", "Deu medo..." era a coisa mais brega da pauta, mas era assim que os abestados VJs americanos tratavam o assunto. Bobagem! O vídeo é assustador porque, depois de quase 10 anos de banda, ainda não tinham acostumado com 9 caras mascarados fazendo um baita barulho.
Apesar de pesada, ela tem um apelo comercial interessante. E tem guitarras frenéticas, melódicas e muita, mas muita percussão. 
Se a segunda faixa falou de morte, a terceira mencionou um enterrado vivo, "Psychosocial" emenda coro sobre de "Os limites dos mortos"...

♫ Dead Memories

Um dos vídeos mais estranhos da banda, mostra coisas particulares de cada um dos 9 membros, recheados de simbolismos. Até hoje não entendi direito cada passagem. ara mim a melhor do disco e a que mais gosto. A letra, a melodia, e principalmente, aqui Corey é apenas Corey. Nada de gutural.  "Memórias Mortas" em jeito simbólico de que não vivemos, não estamos aptos a renascer, não pertencemos a lugar algum. De fato, "toda a esperança se foi" como diz o título do disco. 

♫ Vendetta

Essa canção é a que mostra as reais ondas de inspiração do Slipknot: Slayer e Sepultura. Uma canção ótima, apesar de ter maior a presença do DJ, que é quase destacável. Apesar disso, as linhas de guitarra são uma maravilha. Quanto à letra, segue a contagem de uma historinha desde a primeira canção. Nesta, a menção é de um cinismo latente em todo lugar e com qualquer pessoa. "Let's pretend we're not at the end / Pretend that we have nothing left" ("Vamos fingir que não estamos no fim / Fingir que não temos nada) parece ser um recado para todos, e do que está por vir

♫ Butcher's Hook

Essa canção é a mais Slipknot das antigas, com palavras específicas jogadas, vocal gutural rasgado, notas cadenciadas, muita percussão desesperada, muito som eletrônico e claro, um refrão gritado com palavras de ordem: "Vá em frente e discorde" seguido de "Eu estou desistindo de novo...". 
Parece nossos tempos de embates políticos, não?

♫ Gehenna

A canção mais sombria do álbum é essa. "Gehenna" vem do grego, e significa "um rei", o senhor do altar de fogo, soberano do mundo dos mortos, ou seja, o inferno, para os judeus. Muitos associam a "Geena" com o Lago de Fogo de Apocalipse 20:14, que simbolicamente se trataria da segunda morte. Interessante as noções judaicas desses disco. "Gematria", cuja numerologia das palavras hebraicas, também é usada atualmente na kabala. Em "Gehenna" fala-se em sangue  e corpo, em perfeição de Deus. São pontos chaves do disco, que embora as faixas liguem entre si, não são conceituais. 
Ambas são as maiores canções do disco. Interessantíssimas. "Gehenna" tem muitas atmosferas e é provavelmente a canção mais complexa de todas do álbum. 

♫ This Cold Black

A nona faixa lembra os primórdios da banda, assim como "Buthcer's Hook", com aquelas viradas rápidas de bateria, pausa, uma guitarra toca, a outra duplica o fraseado e assim segue o vocal com aquela postura gritada como se discursasse. Talvez por isso, surpreenda pouco, e seja a mais comum do disco. Mas como é um disco do Slipknot, não tem porque ter uma balada para que se recupere o fôlego, então a sua presença conhecida dos fãs da banda, é uma suspensão de fôlego para o que poderia estar por vir.

♫ Wherein Lies Continue

Mais groovada, a faixa 10 começa com uma perfeita combinação de guitarras e baixo. Novamente, um pessimismo latente: "The ending's the same / the world will not change / The answer is clear…" ("O final é o mesmo / o mundo não mudará / A resposta está clara...). Embora seja majoritariamente cantada com gutural, Corey apresenta um vocal limpo no meio da canção que deu um jeitão empolgante para ela.

♫ Snuff

Quase uma balada, "Snuff" é uma música que fala de sentimentos afetivos de um jeito simbólico, porém não menos doloroso. É uma das melhores músicas que já ouvi nos últimos anos, especialmente vindo de uma banda que tanta gente criticava e dizia ser coisa de "menino imaturo". Aquela sensação de que estavam exagerando, e que na realidade, ali tinha bons músicos competentes, se finaliza nessa canção. É romântica, mas é derrotista. É de melodia simples, todavia precisa. Não existe amor 100% bonito, porque como tudo na vida, é uma luta a convivência seja ela afetiva ou familiar. Mas existem músicas bonitas para nutrir a alma. E isso já vale a pena. 

♫ All Hope Is Gone

Fecha o disco com um ataque, longe do pessoal como a anterior, falando direto sobre a falta de liberdade, a violência e gratuidade da vida humana. Faz pensar na questão da declaração dos direitos e do sistema, sem mimimi ideológico, mas raivoso, como eu e você também pode ser ao perceber o tanto que tudo é uma repressão troglodita dia e noite que sofremos. Nós, humanos, acabaremos com o mundo, quando a esperança se for. E ela já foi, 10 anos atrás quando essa canção foi gravada. Um disco que foi e será sempre atual. 

► Porque desgosta de uma canção do álbum:

Não há especificamente uma música que eu não goste. Elas fazem parte de um compêndio que são necessárias para o trabalho completo. Gostar mais de uma ou de outra é normal, porém, dizendo secamente a verdade, todas as 12 faixas são necessárias para que soe completo, com começo, meio e fim.

► Uma história do disco, como uma questão pessoal ou uma curiosidade:

A curiosidade da vez é sobre a banda e não necessariamente sobre o disco. Talvez não tenha outra oportunidade, então, aproveito agora.
Quando eu estava no 1º colegial, eu tinha um "crush" da escola. Um garoto metal (risos), headbanger estiloso e de cabelos longos que era popular só porque estava numa escola particular. Na pública, ele seria um "zé droguinha" desprezado pelos malas de carteirinha. Procurei saber nome, estado civil, mas dei com os resultados n'água: uma moça que era "rebelde sem calça" já estava tendo um rolo com ele, na escola mesmo. Mas como olhar nunca arrancou pedaço, segui normalmente admirando o menino, que cresceu, virou um velho acabado por causa dos excessos e nem parece um ano mais novo que eu. Parece hoje que tem uns 45 anos, de tão arrebentado que está.
Um belo dia, à esperar que meu pai me pegasse na porta da escola, sentei na grama do jardim do prédio. De repente, voa um fichário perto de mim. Ele havia arremessado o material na grama e ficou muito próximo, vigiando o material e se exibindo dando catiripapos nos amigos. Peguei o fichário, na cara de pau, e fiquei olhando os recortes de bandas coladas no papelão. Em destaque, o Slipknot. Me lembrei de uma revista de filme de terror que tinha em casa, que mencionava a banda. Um dos meus colegas me viu olhando o fichário e perguntou se eu conhecia aquelas bandas e eu disse que algumas eram conhecidas. Ele então se sentou perto de mim e disse: "esse Slipknot é coisa de retardado". E então o "crush" que nos observava, começou a briga: "Retardado é vc seu #@%&". O meu colega era irmão do "crush" (só que de outro pai) e eu nem sabia rsrsrsrs... 
Logo, eu criei curiosidade com a banda. Eu detestava máscaras, mas já gostava do KISS desde criança. Detestava palhaços, mas a curiosidade bateu. Arrumei um colega que me passou o DVD "Disasterpieces" e eu achei o máximo! Muito barulho e muita gente no palco; era pura e convicta novidade para mim. Olhar os cara dava arrepios, as músicas eram muito exageradas e estranhas. Mas era bem legal. 
Fiz a cópia do DVD, em casa mesmo. Guardo o "piratão" até hoje. Minha irmã Michelle adorou. Logo, ela já tinha comprado um álbum ao vivo, e um DVD "Voliminal: Inside the Nine". Eu ouvia e assistia com ela.
O pessoal seguia a dizer coisas semelhantes ao que o irmão do "crush" disse: a banda era coisa de meninos muito novos, carinhas que mal conheciam as raízes do Metal, mas tinham camisetas do Knot. Houve amigos meus que eram headbangers mais velhos que diziam que, depois dos 15 anos, esses moleques ouviriam metal de verdade. Era só dar um tempo para eles. Eu achava interessante e tudo o mais, no entanto não era fã. Ainda assim, não concordava com o estigma da banda. Eu enxergava tudo o que faziam como verdadeiros excessos, mas havia uma qualidade musical presente. Não achava eles chatos como um Limp Biskit ou monótonos como o Korn. E então, com "All Hope Is Gone" criaram algo valioso e mostraram uma capacidade musical que os arrancava de vez do "Nu Metal" trivial e descartável. O vocalista era o melhor, os guitarristas eram muito melhores que os das outras bandas que levavam esse rótulo. Alguma coisa estava errada com o pessoal que criticava. A prova final para discordar desse pessoal era o quarto disco deles comentado aqui. 

► 5 sugestões para a próxima votação:

Desde que comecei, Judas Priest está na enquete. Até agora teve 3 votos, em 7 delas. O Faith No More também está desde o começo, mas ao contrário do disco do Judas, recebeu 7 votos. Decidi dar uma repaginada, tirando Judas desta vez e acrescentando duas novidades na votação. Daqui à 15 dias, sem choro, nem vela, fecho a enquete e preparo a postagem com vencedor. Valendo!



Comentem à vontade. Já agradeço também a escolha de vocês!
Abraços afáveis!!!