segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Tag Cinematográfica: Desafio dos 30 filmes (#20)

Retomando a tag de filmes, vamos relembrar o que já passou por ela, antes?

Dia 6: Um filme ruim de um diretor bom;
Dia 7: Um filme que você não entendeu ou teve dificuldade de entender;
Dia 8: Um filme com seu ator favorito;
Dia 9: Um filme do cinema nacional;
Dia 10: Um filme que tem vergonha de dizer que gosta;
Dia 11: Um filme perturbador;
Dia 12: Um filme preto e branco;
Dia 13: Um filme com uma ótima trilha sonora;
Dia 14: Um filme da sessão da tarde;
Dia 15: Um filme com sua atriz favorita;
Dia 16: Um filme mudo;
Dia 17: Um filme que gostaria de ter assistido no cinema;
Dia 18: Um filme que gostaria de atuar;
Dia 19: Um filme que te deprime

Desafio dos 30 filmes - Dia 20: Um filme francês

Se você disser numa mesa de bar que gosta/conhece o filme francês, acredite você é o chato da rodinha. Geralmente, quem é dado à esse tipo de cinema são quase sempre os famosos cultuados da tela grande. E você é chato. Impreterivelmente chato. Assim como alguns longas franceses. Parados, artísticos e simbólicos demais. Não é, nem de longe, pauta para conversa de bar. 
Mas concordo, que nem de futilidade vive o homem. Então, cá estamos numa tentativa de procurar um filme francês que tenha a pompa e a frescura do país apenas no idioma. Escolherei os meus favoritos no final do post, não sem antes dar uma dica para todos os perfis de quem gosta de filmes.

A) Para quem gosta de animação (mas que não seja infantil):

A dica é "Persépolis" de 2007. É uma animação baseada num romance gráfico autobiográfico de Marjane Satrapi. Assisti esse filme na faculdade e achei interessantíssimo. Porém o encantamento ruim surgiu assim que veio aquela discussão acadêmica que arrebenta com aquela humilde noção da arte pela arte, causada pelo significado político social das entrelinhas. A sinopse também arregala essa vertente de debate: "Uma jovem iraniana que sonha em ser vidente acompanha de perto a queda do Xá e de seu regime brutal. No entanto, ela acaba se revoltando contra as imposições fundamentalistas dos rebeldes, especialmente contra as mulheres."
Lendo assim, parece um senhor drama. Mas dispam-se desse argumento de venda (que nada mais é do que isso que uma sinopse faz) e assistam. É bem interessante a jovem Marjane que antes da queda do Xá, era uma garota livre como qualquer outra, e permanece em sua personalidade a curiosidade por coisas diferentes. Tanto que assim que se institui a burca, ela a usa, com camisetas de bandas, e compra fitas cassete escondido, do Iron Maiden. Super!

B) Para quem gosta biografias dramáticas:

Já existe um grande número de filmes que abordam pedaços relevantes das vidas de grandes personalidades. No caso, músicos, são pedida boa para cinema. Os que tiveram grande destaque, eram os que tiveram vidas mais atormentadas: "Ray" sobre Ray Charles, "Johnny e June", com menção forte ao relacionamento de June com Johnny Cash, "The Doors", sobre especificamente o vocalista Jim Morrinson e por aí vai... 
Na França, fizeram um belo e triste filme sobre as labutas de Édith Piaf, chamado "Piaf - Um Hino de Amor", lançado também em 2007. "Nascida na pobreza e criada em um bordel, Édith tem como meta ser famosa pelo mundo todo. Apesar de sua extraordinária voz e carisma abrirem várias portas que a levam a muitas amizades e romances, ela passa por experiências ruins, sofre perdas pessoais, torna-se viciada em drogas e morre jovem." Baita sinopse spoiler... ¬¬'
Esse filme alavancou a carreira de Marion Cotillard em Hollywood e trouxe um maior holofote à um quase esquecido cinema tradicional francês, especialmente aos Oscars.

C) Para quem gosta de dramalhões:

Se está acostumado à filmes franceses, sua boa pedida pode estar em "Amor" (2012): "Georges e Anne são dois idosos apaixonados pela arte e, principalmente, um pelo outro. Os desafios da terceira idade afetam sua forma de viver e o modo como se relacionam com a filha, mas o amor entre eles segue inabalável."
De roteiro quase simples, é irretocável sentimentos surgirem a cada instante do filme. Mas novamente: se você é acostumado à filme estrangeiro, poderá gostar. Se acha cinema europeu fortemente enfadonho, talvez a sugestão melhor seja essa: "Os Intocáveis" (2011), cuja sinopse trata-se do seguinte: "Um milionário tetraplégico contrata um homem da periferia para ser o seu acompanhante, apesar de sua aparente falta de preparo. No entanto, a relação que antes era profissional cresce e vira uma amizade que mudará a vida dos dois."
É incrivelmente bem humorado apesar de soar trágico. Em vários momentos ele parece desagradável, pela condição do mau humorado tetraplégico, mas a falta de jeito e a suave necessidade de não tratá-lo de forma diferente, faz com que o acompanhante seja uma das melhores personagens que já vi, e um detalhe: tanto o milionário quanto o acompanhante existem; o filme foi adaptado de uma biografia que conta a história de amizade dos dois.

D) Para quem gosta de romance de "menininha":

Sabe aquelas historinhas bem "Poliana", com tudo lindo e florido?
"Amélie é uma jovem do interior que se muda para Paris e logo começa a trabalhar em um café. Num belo dia, ela encontra uma caixinha dentro de seu apartamento e decide procurar o dono. A partir daí, sua perspectiva de vida muda radicalmente." Este é "O Fabuloso Destino de Ámelie Poulain" de 2001, com tudo muito colorido, com uma moça positiva, com ajudas para todo mundo que encontra por causa do conteúdo da caixinha, e muito, mas muito Paris. A melhor coisa do filme? O anão de jardim viajando pelo mundo, rsrsrsrs...

E) Para quem gosta de comédia que faz duras críticas à sociedade:

Esses são os meus favoritos e as escolhas para a tag; dois filmes ótimos, de comédia bem densa, mas que não é para qualquer um pois  tratam das porcarias do mundo moderno: o politicamente correto e o mimimi excessivo. 
Por ordem cronológica: 

Primeira dica:  "Qual é o nome do bebê?" (2012)

Vincent e Anna são convidados para jantar na casa da irmã dele, com o cunhado e um amigo da família. O nascimento iminente do filho é o assunto da noite.
Vincent quer nomear seu filho com um nome que lembra o de um ditador. Imaginem uma família doida e um monte de verdade vindo à tona?... Provocativo, Vincent fomenta todos os absurdos e stress da irmã, cunhado e do amigo, enquanto a esposa, Anna, ainda não chega para o jantar. Logo, na discussão engraçada, surge as hipocrisias e os dramas envolto à um simples nome. 
A comédia, já dizia os filósofos, mostra o pior dos homens. O filme faz isso com maestria. Em certas passagens a gente vê que quanto mais a pessoa se acha intelectualizada, pior ela é em termos de caráter, afinal, vez ou outra se acha uns metidos a donos da verdade. Fora o tanto que caçam pêlo em ovo... 
AVISO!!!!! Não é uma comédia para idealizadores de partidos. Creio que nem os esquerdopatas, nem os coxinhas vão rir de todo o filme. Alguns sequer entenderão algumas coisas, afinal... rsrsrsrs...!

Trailer do filme, aqui.

Segunda dica: "Que mal fiz a Deus?" (2014)

Já toparam com gente que, por mais que sejam boas pessoas, ainda pagam seus pecados tendo que conviver e encararem de frente o preconceito? 
A sinopse não faz jus ao filme, mas vou adaptar ao certo: Claude e Marie são católicos e têm quatro filhas. Eles não ficam muito felizes quando três delas se casam com homens de outras religiões e nacionalidades. Ainda resta a esperança da filha caçula. Mas o futuro genro pode não atender por completo as expectativas do casal. As três primeiras filhas se casaram com um muçulmano, um judeu e um chinês budista. A quarta filha anuncia casamento com um homem católico, mas o casal francês nem imagina a etnia do moço. 
Não adianta. Todo mundo é preconceituoso com algo. Todo mundo desgosta de algum tipo de pessoa. Não dá para ser isento com qualquer julgamento antes de saber se de fato, alguém é ou não é descente para nutrir convívio. Somos todos imperfeitos. A questão é saber ser racional e razoável, e claro, não fazer tempestade em copo d'água. 
O que a gente vê hoje é um pessoal pedindo mais amor, mas detestando quem pensa diferente. Para quem acha que dá para dar chances a todo mundo, assista o filme e dê boas risadas. Garanto que não se arrependerão. Agora quem já detestou o Claude e a Marie, só pela descrição do filme, vá garimpar algo do seu perfil politizado e corretinho na "Netflix, e seja felix", sim?!

Trailer do filme, aqui.

E vocês, algum filme francês que gostam muito? Comentem!
Abraços afáveis e bom começo de semana a todos!

3 comentários:

André Gustavo disse...

Amelie Poulain é um clássico embora eu não o ache um filme de "menininha". Há quem ache ele bobinho, mas ele é um filme bem maduro e tem uma mensagem linda no final.

Esse "Que mal fiz a Deus?", não conheço, mas me interessei e pesquisarei sobre.

Um filme francês que eu gosto muito é "8 femmes". O filme se passa em uma mansão onde vivem 8 mulheres e um 1 homem; aí esse homem é morto e o assassino é uma das 8 mulheres. Apesar de ter assassinato no filme, ele é bem leve e divertido - e tem partes que ele é um musical, mas nada maçante -.

Aqui tem o trailer dele:
https://www.youtube.com/watch?v=CAxqXsao2Ew

Abraços.

Manu disse...

De fato, Amelie Poulain é mais do que um "filme de menininha", rsrsrs... Nem foi uma crítica, foi apenas um jeito de enquadrá-lo em meio aos outros. É um longa muito bem feito e surpreendentemente agradável.

Anotada sua dica. Fiquei bem interessada!
Obrigada pelo comentário, André!

Eduardo De Campos disse...

Bom, não sou cinéfilo, apesar de alguns amigos acharem que sim, pois sempre postava algo sobre os filmes que gostava.E sempre alguém vem me pedir alguma dica ou crítica. Não conheço muita coisa do cinema francês e não vi nenhum dos citados por você. E pode ser bobagem de minha parte, mas nunca tive interesse em assistir a Amelie Poulain por causa da "qualidade" das pessoas que idolatram o filme e postam imagens e frases no Facebook.Sei lá, tomei birra igual ao Pequeno Príncipe...hehehe
As produções que vi geralmente pego nas madrugadas de insônia, zapeando pelos canais. Como um chamado Jovem e Bela, que conta a história de uma adolescente que se torna prostituta de luxo e os dramas vividos por ela diante da sociedade e família. E está na minha lista Azul é a cor mais quente, pois sou meio "apaixonado" pela Léa Seydoux. Tanto que não tinha interesse em assistir a nenhum filme do Bond com o Daniel Craig e comecei justamente com o último, Spectre, por causa dela. Aí me rendi e já fui babar pela Eva Green em Cassino Royale. Meu Deus, como sou idiota...