terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Blog I Love It Loud completa 12 anos

Queridos e queridas,

Ano passado, à essa altura, eu tinha me esquecido do "aniversário" dessa página. Fiz uma postagem quase 10 dias após a data numa nota simples, resumindo o meu ano anterior para vocês.
Cá estou, na devida data, dia 7 de janeiro, com aquela postagem de 2019 aberta para fazer basicamente o mesmo: resumir o meu ano de 2019 em algumas frases e dividir com vocês os planos para essa página. 

Antes, vamos aos melhores assuntos: O "I Love It Loud" está chegando aos 12 anos. Está quase um "adultinho". Temos aqui 1442 postagens, mais de 300 mil visualizações, 2673 comentários e alguns seguidores fieis. Obrigada pela "audiência" (e paciência, para usar um jargão do Faustão) de vocês.
Ao longo do mês deixarei a página com cara daquilo que fez chegar à essa marca de 12 anos: Fórmula 1 (e quem sabe, mais sobre outras categorias). Meus planos é contar com a participação efetiva de amigos e conhecedores do esporte à motor para dinamizar mais a página, conforme foi feito em experiência (agradável, por sinal) no final de 2019. 
Espero que dê certo. 

Assim sendo, assuntos com as quais teimo, de vez em quando, publicar aqui neste espaço, como filmes e música, poderão ficar mais escassos. Para quem gosta dos meus palpites musicais (ainda que as vezes bem frouxos) poderão conferir em outra página, o Musique-se - site que Ron Groo idealizou e estamos deixando cada vez mais bonito! 
Já comentei sobre aqui, e convido a quem se interessar para dar um pulo lá na página e conferir o conteúdo que compartilhamos com matérias exclusivas com vocês, além de curiosidades, dicas e pequenas estreias todos, todos - eu escrevi todos? - TODOS os dias, nas nossas redes sociais (sigam-nos no: Facebook, no Twitter e no Instagram). 


Lá em janeiro de 2019, eu lamentei. Dediquei 2018 como um ano de teste. Poderia dizer "sabático", mas isso é coisa de gente rica. Gente que enche a boca para reclamar do governo, mas que viaja todas as férias. 
Não abandonei emprego, fiquei sem um. E então dediquei todo o ano de 2018 em tentativas de voltar a normalidade. Estudei, muito. Fiz cursos. Não os reaproveitei. Ainda. 
Em 2019 eu não tinha nada. Mas decidi colar a bunda na cadeira e estudar. Sem outros planos. Até porque as coisas só caem do céu para os outros, na maioria dos casos, para os ricos e bonitos. 

Iniciei 2019, naquele texto, totalmente cética, mas decidida. O que vier, eu pego. E se conseguir, fico sem reclamar. 
Chorei muito para conseguir algumas migalhas. Trabalhei numa escola, aprendi a lidar com as pessoas, a me calar e a fazer o que querem para ter um pouco de paz e sanidade mental. O que menos fiz, foi "dar aula". Infelizmente, quase não compartilhei o que sei. Me arrependo de uma coisa: de ter dedicado tanto para voltar a estaca zero, neste ano, sem nada. 

Lá no post de janeiro, suspeitei que, devido ao "governante" atual teríamos tempos sombrios. Professores seriam perseguidos. As minorias se esconderiam, com medo de não sobreviverem. Intelectuais, seriam caçados. 
Vejo pelas redes sociais que venceram todos e muito bem, um ano pesado. Crise? Não vejo. Não tem gente fazendo check-in em cadeia, mostrando hematomas de tortura. Tem gente indo para Floripa, Maceió, Salvador... Mesmo quem usou camiseta vermelha com um punho levantado e os dizeres "a luta continua", está gozando de saúde e muita felicidade em paisagens de cair o queixo. 
Quisera eu ter reclamado e choramingado em 2019. Talvez estivesse empregada e feliz numa praia qualquer. Pena que não fiz, e me atentei para o reais problemas e o medo das coisas certas.

Estou em janeiro de novo. Previ que 2019 passaria voando e passou. 2020 poderia ser nesses moldes. Apesar de assustar que fique cada vez mais velha, o sofrimento com tempo passando rápido fecha feridas sem arder. 
Assim, comecei o ano estudando. E o que vier de novo, eu pego, mesmo que não seja o que eu quero, ou preferiria estar fazendo. Mais uma vez: reconhecimento de esforços não existe, do céu, só chuva.
Acho que vou voltar a fazer o que mais amo: uma pesquisa acadêmica. Quem sabe, então 2020 não seja melhorzinho?

De qualquer forma, é necessário reforma. Quando ela estiver pronta, aviso a todos.
Abraços sempre afáveis!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Primeira postagem de 2020: e a F1?

A primeira postagem do ano 2020 é mais um "papo" sobre o assunto que acabou tomando conta desse espaço: a Fórmula 1.
2019 pareceu extremamente empolgante para boa parte da comunidade de fãs. Houve um "boom" de interesse que eu suspeitava ter uma razão e agora, tenho certeza, foi causado pela série Drive to Survive, da Netflix.
Mesmo com todas as "forçações de barra" para tornar as disputas de 2018 eletrizantes, dramáticas, e emocionantes, houve quem comprou bonito o enredo como realidade e passou a acompanhar a temporada em 2019 só imaginando como seriam então os episódios. 
Ao vivo, mais da metade das corridas tomaram forma de terem sido roteirizadas pela produtora. 

Acabou a temporada e pairou no ar um misto de dúvida, se foi boa ou péssima. Há quem optou pela primeira opção e passou a sofrer por antecipação por conta da abstinência. Destes, aquela parcela que (re)descobriu a F1 através de um seriado (uma das drogas da contemporaneidade - ficar preso à maratonar seriados e ficar dando pitaco sobre eles, nas redes sociais) passaram a entrar em excitação para revisitar a temporada 2019 através do Drive to Survive 2.

Verão lá, uma crise montada entre os pilotos da Ferrari, muito foco nas novidades - os jovens e novatos pilotos que atraíram bons olhares, drama pelas mortes de uma figura importante, um personagem lendário e outro que estava em ascensão enquanto a temporada corria. Pode até ter lágrimas. 
E haverá as disputas com cara de cinema. Sim, elas estiveram lá, foram melhores dessa vez, o que facilitou a produção do papel de ter que procurar jogar pozinho mágico para dar cara de importantes.

Apesar de ser fã da categoria, devo estar mesmo muito ranzinza. Vejo tudo isso fora da possibilidade de me causar ansiedade. Eu vi a temporada e eu sei o que eu vi. 
Eu gosto de filme. Gosto de alguns seriados, de "entrar" numa ficção. Tanto é que gosto de livros de fantasia. Isso não quer dizer que eu acredito em hobbits, magos e anéis mágicos. A questão para mim é: Gosto de uma história bem contada. Se tiver algum teor de ficção, aí entra o meu lado profissional - como historiadora, quero entender porque aquela moldada na história surgiu, qual a intenção por detrás do discurso, qual informação estão querendo passar ao espectador.

Esse raciocínio paira em uma das artes contemporâneas. Análise de discursos artísticos são quase sempre uma missão política, e muito pouco de sentido. 
Esporte é sentido, embora tenha política, muita política internamente. Eu quero sentir. E eu senti (coisas boas e ruins) em alguns momentos. Não em todos, ou na maioria, como vai estar jogado nesse seriado.
Então, quero contar a vocês e quero ter certeza de ser clara e direta, o seguinte: há dias quero escrever sobre algumas notícias que li e que ficaram na minha mente, desde que a temporada 2019 acabou. Com essa ideia, decidi colocar me prática depois de assistir o filme "Ford vs Ferrari", na véspera do ano novo.

Primeiro: Drive to Survive  2 não terá Mercedes -





A justificativa: preservar o herói da equipe e também herói da categoria.
Acreditei que ele era campeão porque é mentalmente equilibrado. 
Posso estar enganada, mas não há um "pio" da nossa mídia comentando, fazendo qualquer colocação a esse respeito. Mas se fosse um veto da Ferrari... AH! Já haveria textão com todo o tipo de desdém embutido.
Mas como é a Mercedes, ninguém protestou, ainda. 

E por falar em herói da categoria, estaremos neste 2020 entrando da 70ª temporada da F1. O herói da vez pode se sagrar campeão pela 7ª vez, se igualando ao melhor de todos os tempos, Michael Schumacher - aniversariante do dia (Parabéns ao Schumi e #KeepFighting).
Hamilton quer isso. Seu ego vai estar como uma bexiga muito cheia. Mesmo assim ele quer, e muito. E ele vai ter isso. Vão entregar numa badeja. E numa bandeja de prata.
Mas não só receberá todo o esforço da equipe, pois creio que receberá também da categoria. Para quem assistiu ao filme "Ford vs Ferrari", peço que lembrem do que acontece com Ken Miles depois de vencer a Le Mans.
A F1 me soa mais ou menos como o que o pessoal da Ford fez com Miles: eles tem em um que faz o trabalho pesado, o que se queima, o que dá o tom rival, mais vilânico. Do outro lado, eles tem aquele que ganha "os louros" da conquista.

Nessa sensação, mas não finalizada, eles deixam outras coisas acontecerem na sideline quase como que por acaso, pois caso necessitem, podem recorrer às reservas. 
O reserva para tomar o protagonismo é Charles Leclerc. Antes mesmo de chegarmos à véspera de ano novo, Charles recebeu e deu o presente para a silly season: anunciou 5 anos de contrato com a Ferrari.
Excelente para ele. Merecido, inclusive.

Mas não é só isso: o contrato significava o que muitos pediam - que a Ferrari firmasse quem era seu piloto número 1. 
Não que precisasse disso. Em 2018 eu cantei a pedra: a dispensa de Kimi Räikkönen não significava simples desprezo pelo finlandês ou honra de prévio contrato com Leclerc. Uma que, apesar de tudo, os tifosi gostam muito de Kimi. Talvez mais do que do Felipe Massa, como pareceu na comemoração de 90 anos da equipe, na Piazza Duomo. E eles tiveram muito conforto dele, mesmo sendo um cara que sabia o que queria. 
Duas que honrar um pré contrato era algo importante, pelas razões em que se deram, pela suposta vontade de Sergio Marcchione, então falecido. Mas mais que isso, havia uma questão de pressão do empresário. 
Empresário este que, por mera coincidência, é Nicolas Todt. Apenas filho do presidente da FIA, ex chefe da Ferrari, Jean Todt. Bobagem...
E pensar que eu fui chamada de inocente, quando deixei claro em vários lugares, e aqui mesmo, que Sebastian Vettel experimentaria um momento bem ruim estando com o novato na sua cola. 
Para mim era claro que Leclerc era piloto 1 da equipe. Os números finais dele, comprovam isso. 

Automaticamente, aquele discurso de que Charles era o futuro da Ferrari, deixou de ser especulação barata, para ser rumor sério, e a partir do contrato, se tornas fato, concretude. Afinal, cinco anos é muito tempo, e hoje em dia, nenhum piloto se amarra assim, por tanto tempo numa equipe, a não ser que realmente tenham dado garantias e apostado (todas) fichas nele.
A Ferrari fez a cordeirinha: deu a Charles completo voto de confiança que os fãs queriam (apesar da inexperiência ser um caso ainda peculiar), decidiu a preferência que os fãs/comentaristas da F1 exigiam como primeiro passo para voltar ao topo, e afastou a possibilidade de qualquer outra equipe cobiçar o promissor campeão além de colocar um certo medo nas concorrentes.

Ali, no fundo da fileira, está aquela razão que faz 90% de quem acompanha a F1 - desde quem trabalha nela, até quem apenas assiste do sofá - dar gargalhadas de satisfação. Com essa atitude, a Ferrari amarrou uma pedra grande no pescoço da carreira de Sebastian Vettel.
Ela o matou, o aniquilou com um só golpe - aquele golpe da caneta no papel com assinatura do contrato. 
A ingênua aqui sugere que façam estoque de pipoca, para se divertirem com a sua derrota total, pois se - ainda que não exista nenhuma razão para o odiarem - Vettel terá o fim de carreira pior e mais degradante do que teve qualquer um. Até em termos de humilhação, Alonso terá sido superado. Nem mesmo ele, que tantos tem tanto a criticar, passou pelo que Sebastian passará.

Porque tanto drama? Oras, basta tomarem as declarações do pessoal da Ferrari e ligados à equipe em relação à renovação de Leclerc e logo após esse anúncio. CEO da equipe declarou que desempenho de Vettel foi afetado pelo companheiro, Mattia Binotto disse que "deixaram" Vettel vencer em Singapura para dar à ele, ânimo e confiança. Deixar? Você deixa um tetra campeão ganhar que está abalado por um garoto segundanista? DEIXAR???
E isso, foi o o primeiro empurrão para que a carreira de Sebastian desequilibre e caia no poço fundo. 
As rajadas de vento, seguem: a Ferrari quer decidir agora sobre renovação ou não para 2021 e não esperar fim do ano. Já começaram a pressão que, de qualquer modo é estratégico: se no desespero ele assina por mais alguns anos, eles impõe a ele, a segunda prioridade na equipe. Se ele espera para analisar as possibilidades, eles fazem de suas corridas totalmente desastrosas para que ele perca a paciência e decida sair logo, com sorriso amarelo.
Enquanto do lado de cá, o pessoal ri das suas rodadas e seus chiliques, porque virão. 
Talvez seja melhor que ele decida pela aposentadoria. Mas não erro em dizer que tudo acontecido não no sentir, mas na política da F1, foi injusto com muitos e será, novamente injusto, com ele. 

Por falar em chilique, quem é herói pode até dar alguns. Mas ninguém vê. E não verá, mesmo que tenha filminho da Netflix. Todo showzinho de concentração, empenho, dedicação e carinho por aquela lenda, ou aquele rapaz que se foi tão cedo, fica só no discurso. Na propaganda. Não vai para o seriado. Mas vai para a mídia: "Foi uma corrida difícil... Foi um ano difícil ... Sinto falta dele... Quero largar tudo..."
Seguimos nas histórias pré-moldadas até quando a verdade está ali, dançando nua na nossa frente. Será que são esses nomes mesmo que queríamos sentir? Ou como mencionei a cena do filme, escolheram e escolhem os nomes por nós?

Feliz 2020. Mudanças no blog (mas não muitas, prometo) virão.
Comentem aí as expectativas da temporada da F1, desse último ano antes da mudança de regras. Em breve venho com novos posts sobre. Abraços afáveis!