quarta-feira, 26 de junho de 2019

F1 2019: Vamos falar de números?

De frases toscas que ouvimos dos outros, as piores vem de nossos pares, mais próximos. Fãs de automobilismo como nós, por exemplo, sempre tem alguma delas, na manga, para "cutucar as feridas". Claro que a gente respeita, mas algumas a gente sente que precisa de algo mais forte, uma intervenção angelical ou um suquinho de maracujá,  para não apelar. 
Exemplo: "Tá reclamando do quê? A F1 sempre foi assim!" ou ainda: "Quando o Vettel vencia todas corridas, era muito mais chato que hoje"... Essa premissa é muito falada, pois, acredita-se, é so senso comum, que Vettel não tinha (ou tinha poucos) concorrentes, e só chegou a conquistar seus 4 títulos por conta da sagacidade do projetista da RBR, Adrian Newey.

Essas frases também abrem brechas para que as pessoas que acompanham a categoria, desenhem argumentos que corroboram largamente com a opinião de comentaristas esportivos e a mídia especializada. A mais alarmante vem sendo pouco contestada: "Hamilton é melhor que Vettel".

Vamos então, comigo, à uma brincadeira de criança? Brincar de somar, subtrair, olhar gráficos? Vai ser bom, sinto falta dos tempos de escola e de aulas de matemática...
Peguemos os 4 anos de pontuações de Vettel foi campeão, os vices e o terceiros colocados. Apenas números, aqueles que ficaram em quarto, quinto, se aposentaram ou partiram para anos sabáticos, naquele ano, ficarão com simbólicos 0 pontos, para facilitar a nossa visualização. 


O gráfico é simples: eixo y com as pontuações dos 3 pilotos, eixo x com as quatro temporadas, consideradas como "era Vettel".
De cara, a gente já percebe uma série de coisas. 
Uma destas, refuta totalmente o tal "quando era o Vettel que ganhava, era muito mais chato".
Muito mais chato? Nos 4 anos de "dinastia", foi superior aos demais, com mais de 100 pontos, em dois deles. A metade! 
E facilitou nossa vida de espectador (claro, não de propósito): isso só se repetiu em anos alternados. 

O primeiro título do alemão, então, foi além de inédito, imprevisível e interessante, equilibradíssimo: enquanto ele somou 256 pontos, Fernando Alonso quase tirou sua alegria, somando 252, e pegando a responsabilidade de ser piloto de uma já desestruturada administrativamente, Ferrari. Mark Webber (mesmo equipamento/motor e equipe que Vettel) fechou o ano com 242 pontos. 

Sim, 2011 foi um passeio. Vettel alcançou a casa do 300 pontos, com 392, se consagrando campeão no GP do Japão, 4 corridas antes do fim do calendário. Jenson Button, campeão de 2009, foi seu concorrente mais "perigoso". Correndo de McLaren, ficou com 270 pontos, enquanto Webber, companheiro de Vettel, acompanhou o inglês mais de perto, fechando a temporada com 258 pontos. Neste ano, Alonso foi só o quarto colocado, alargando que na Ferrari, ser piloto talentoso "it is not enough anymore".

Em 2012, um pequeno equilíbrio retornou entre Vettel e talvez o seu melhor rival, Alonso. De novo, foi por pouco que Vettel levou o campeonato, ficando com 281 enquanto Alonso somou 278 pontos. Webber, nem apareceu entre os 3 pela primeira vez. Por aí, o senso comum "Vettel só venceu porque tinha o melhor carro", não é favorável. 
O terceiro acabou sendo, nem mesmo, o segundo da Ferrari, mas sim o renovado Räikkönen voltando à F1, guiando uma Lotus e terminando o ano com 207 pontos. 
Este ano talvez tenha sido o melhor, dos últimos na F1. A disputa foi genuinamente à ponto por ponto e, considerando que a Lotus não era equipe de ponta, o diferencial de todo o campeonato, estava de encher os olhos: 3 pilotos talentosos, competitivos e de 3 equipes diferentes. 

Pena que em 2013 isso acabou. Foi o último momento de Vettel ao sol, inclusive. Mas fez o que se esperava dele, mesmo que não precisasse mais provar valores. Massacrou rivais com mais de 100 pontos de diferença. Terminou com 397 pontos, enquanto Alonso, patinou de forma um tanto humilhante com a Ferrari, fazendo miseráveis 242 pontos. Webber havia voltado ao top 3, e fechou o ano, quase 200 pontos abaixo do companheiro: 199. Não à toa, aposentou-se, talvez querendo curtir uma maré tranquila e respirar novos ares. 

Confesso que teria ficado chato, se Vettel tivesse permanecido no topo, em 2014. 
Se ainda pairava as premissas de que era o preferido do Christian Horner, e que era vencedor porque tinha o melhor carro; tudo ruiu de uma só vez, em 2014: Vettel teve apenas uma modesta quinta colocação e 167 pontos. Ele amargou aquela temporada e foi superado pelo recém chegado à RBR, o sorridente Daniel Ricciardo, que acabaria, entre os top 3. 

Quem também havia trocado de casa, mas não de motor, era Lewis Hamilton, em 2013. Percebem que, ele não apareceu no gráfico anterior? Em 2011, por exemplo, tinha Jenson Button de companheiro, na McLaren. Tinha, obviamente, o mesmo equipamento nas mãos. Vivia, inclusive com os problemas internos de 2007, debaixo da asa de Ron Dennis, protegidinho na McLaren. Depois que conseguiu uma vitória em cima de um dos pilotos mais fajutos que vi correr na F1 em 2008, Hamilton, simplesmente, desapareceu. Não voltou nem mesmo, para reafirmar seu posto de veterano na equipe, quando esta contratou Button, campeão de 2009 pela Brawn GP. 
Sim, ele teve algum destaque: umas disputas que resultava em acidentes com Felipe Massa, ataque de estrelismos, por conta do companheiro que afetou seu psicológico e fez ele se sentir sempre, ameaçado. 
Saiu da equipe e migrou para a Mercedes em 2013. Hamilton saiu falando mal da comida que  o alimentou desde 2007 e na Mercedes, achou quem impasse seus pés até quem poderia estender os tapetes para que ele passasse. Ao contrário de alguns "estreantes", ele não apareceu em destaque no primeiro ano de Mercedes, por isso, não há seu nome no gráfico anterior nem mesmo quando  mudou de casa. 

Tudo mudaria em 2014, mas só as caras, o logo e o local dos boxes. O MOTOR era o mesmo, desde que ele havia pisado na F1.

Gráfico da Era Mercedes/Hamilton:


Mesmo esquema: eixo y - pontuações dos 3 primeiros e eixo x, cada temporada.
Prevejo o que pensarão, mas segurem seus bois antes da carroça.
Comparem comigo os 3 primeiros anos, só no visual. As torres azuis escuro é Lewis Hamilton, sempre na casa dos 300, seguido por Nico Rosberg o companheiro de equipe. De 2014 até 2017, existe este padrão entre os dois.
Em 2018, Hamilton passou dos 400. E há quem diga: "Vettel perdeu o campeonato com o melhor carro da pista". Se a Ferrari era o melhor carro, o que sobrava para o carro da Mercedes? Extraordinário? Mas vamos chegar lá. 

Ainda no padrão Hamilton e Rosberg, vemos ali que Rosberg, o vermelho, fez mais, do mesmo em 2014 e 2015. O pulo do gato dele foi ver a comodidade do inglês e fazer um pouco mais. Observem os azuis de novo, até 2016. Mesma faixa. 
Querendo, ou não, há uma razão fidedigna de pedir o retorno de Nico Rosberg à categoria. Talvez até, de Button. Ambos souberam que para superar Hamilton como companheiro de equipe, não pode fazer só o que dá, tem que ter cartas na mangas e não contar com ajudinhas externas. 

Vamos aos números:
2014 - Hamilton: 384 pontos. Rosberg: 317 pontos. Ricciardo: 238.
Dobradinha das Mercedes. O carro ajudava Vettel naqueles 4 anos, mas não ajudava Webber? Nunca se expressou dessa maneira, com relação às Mercedes. 
Hmm... seguimos?

2015 - Hamilton: 381 pontos. Rosberg: 322 pontos. Vettel (já de Ferrari): 278.

De novo, Mercedes na casa dos 300. De novo, Hamilton muito mais na frente que o segundo colocado. Ninguém achou chato. O argumento-fermento  de que Hamilton era um piloto excepcional, e que ganhava até uma disputa interna com o companheiro, ganhou força. Não surgiu, naquele momento, ninguém que dissesse que o carro era perfeito. 
Aqui, foi a vez de Vettel deixar a RBR e fazer um excelente ano de estréia na Ferrari. Se estivesse nos tempos de RBR teria batido, quem quer que fosse, que estivesse na Ferrari. Porém, os tempos eram outros. Havia uma equipe que corria, praticamente, numa categoria à parte e esse era só o começo.

Antes de partirmos para 2016, reparem: Alonso desapareceu dos gráficos em 2014 e 2015. Neste último ele tinha retornado à já em decadência, McLaren, que não seria mais a mesma nos anos seguintes. A carreira do bicampeão, em termos competitivos, tinha acabado e só saberíamos disso, quase 3 anos depois.

2016 - Rosberg: 385 pontos. Hamilton: 380 pontos. Ricciardo: 256 pontos.

Quando Hamilton perdeu, perdeu para o companheiro de equipe. Fica a pergunta: Com um carro perfeito, será que muda alguma coisa, quem está no volante? 
A diferença entre ele e Rosberg foi 5 pontos. Rosberg sim, fez mais do que lhe foi possível nos anos anteriores. Hamilton, deve ter jurado, que não estava ameaçado. Deve ter ficado possesso.
Mesmo que o feito do Rosberg, quando olhamos a torre vermelha do gráfico, seja significativo, quando aparecem as torres azuis a gente só vê que sua comodidade gerou apenas 5 pontos. Mais uma corrida, ou mais um arqueada de sobrancelhas de Toto Wolff e não teríamos o nome de Rosberg no topo de 2016.

Sabendo que isso, não iria acontecer de novo, Rosberg se aposentou. Ele tinha um sonho. E conseguiu. Foi cuidar da família e fazer coisas de gente chique. Largou a F1 e toda aquela pressão. 
Há quem diga que fraquejou. Talvez. Mas olha só: eu não teria feito diferente. Se ele estava na equipe, desde que ela surgiu no mapa da F1, e era, muitas vezes, a segunda opção dos dirigentes, o que sobrava para os próximos anos, sendo campeão mundial? A cobrança, por mais que seja velada, ia vir e muito forte. Viraria um pobre cara que ganhou um ano e depois virou piada. Já tinha conquistado sua meta. Ficou feliz, escreveu seu nome na história do automobilismo. Tchau e bença. Coitado de quem o substituiria... Ia ser ainda mais, carta fora do baralho para os dirigentes da Mercedes.
Escolheram o (até então) possivelmente talentoso, Valtteri Bottas. E é aí que o gráfico muda.

2017 - Hamilton: 383 pontos. Vettel: 317 pontos. Bottas: 305 pontos.

É aqui, em 2017 que as relações de carros potentes e pouca competitividade salta aos olhos. Coincidentemente é quando a F1 e a Liberty tiveram notoriedade. 
A Liberty Media, conglomerado de telecomunicações estadunidenses comprou a F1, e foi anunciado o acordo em setembro de 2016. 
A expectativa era que a F1 se tornasse uma grande categoria, já que americanos para eventos esportivos eram e são muito famosos. Basta dar uma olhada em toda a apoteose que fazem com a liga de futebol americano, a NFL, todo ano. Logo que houve a compra, as declarações davam conta exatamente disso: de transformar a F1 em uma NFL da vida. 
Isso poderia ser interessante, desde que eles pegassem princípios bons da liga: o teto orçamentário e a possibilidade de chances de reajustar o time para o ano seguinte àquela equipe cujo rendimento na temporada tenha propiciado a última colocação geral.
Havia esperança, mas não era coisa que parecia que ia acontecer. Eu quase suspeitei que a F1 ia ser só festa e marketing. 
Devia ter batido três vezes numa madeira. 

Todos os três primeiros pilotos, em 2017, terminaram na casa dos 300 pontos. Até o "novato" Bottas. A surpresa era a Ferrari ter melhorado, mas não o suficiente. Alguma coisa, administrativo ou mecânico, faz dos carros da equipe e os pilotos nunca serem bons o suficiente, desde 2008. A melhora da equipe vermelha ia ter uma resposta bizarra, no ano seguinte.

2018 - Hamilton: 420 pontos. Vettel: 320 pontos. Kimi: 251 pontos.

100 pontos de diferença. Cem! Dizer que estava chato, era coisa de poucos de nós. Tanto que o senso comum deste ano fatídico era uma verdadeira ladainha: Vettel perdeu o campeonato porque é desequilibrado mentalmente, afinal, "a Ferrari tem o melhor carro do grid". Será que podemos jogar a culpa toda, num dado mental que só podemos supor que exista?
Räikkönen reforçou que a Ferrari era o melhor carro terminando a seua segunda última temporada na Ferrari com 251 pontos. 
Penso eu que, se isso fosse verdade, mesmo com erros, Vettel teria, pelo menos, fechado o ano com 360 pontos, e Kimi, somado algo em torno dos 300 pontos.

"Hamilton é melhor do que Vettel". Até parece ser isso. Olhando bem, Vettel teve nos seus bons tempos, pelo menos, 4 concorrentes de peso, ao título, entre eles - goste ou não goste - Fernando Alonso. Ainda mais, entre eles, o companheiro de equipe, Mark Webber, que teve sim, em tese, e sem teoria conspiratórias, o mesmo carro.

Hamilton teve mais, e superou todos com louvor, menos Rosberg. Vejam bem: o único que Vettel e Hamilton enfrentou de "rival" chama-se Kimi Räikkönen. Os demais, não aparecem na lista de rivais de Hamilton, como Button ou Alonso. Webber se aposentou, então Hamilton enfrentou seu substituto imediato: Ricciardo. 
Da lista de Hamilton, ele teve a "distração" de perder o campeonato para Rosberg, companheiro de equipe. Ainda assim, a sua raiva deve ter sido sumariamente egoísta, pois Rosberg era de sua própria equipe. A solução seria muito simples: Bastaria chorar por um companheiro capacho, que todos seus problemas estariam rapidamente resolvidos, logo no ano seguinte.
Vamos concordar que foi, mais ou menos isso?

Além disso, ele enfrentou um Vettel com uma Ferrari instável, um Räikkönen combativo, mas nem tanto. Acrescentamos um companheiro inexpressivo como o Bottas e estava mais fácil que descascar uma banana. Não enfrentou um abacaxi. No máximo, Ricciardo, que nem ainda tem seu nome no Hall da Fama. Era e ainda é apenas promessa.
Em 2019, por Ricciardo ter, cascado fora da RBR, mostra que não tinha carro, tinha mais era vontade.

"A era Vettel foi muito mais chata". Foram só 4 anos, e dois deles, disputados até a última corrida.
"Vettel venceu porque tinha o melhor carro". Mas Webber não ameaçou ele de forma que perigasse perder o título em nenhum dos anos.
"Hamilton é melhor que Vettel". Hamilton nunca superou os mesmos rivais, nem mesmo, experimentou fazer seus feitos grandiosos com uma equipe de motor desconhecido. 

E a que eu mais gosto: "Vettel é ruim, se ele não tiver uma equipe que trabalha para ele, ele não faz nada..." 
O Hamilton saiu da McLaren antes da equipe começar a ruir. De repente, a Mercedes, que teve até Michael Schumacher no corpo de pilotos, dispensou o heptacampeão e em um ano, resolveu todos os seus problemas internos e questões de confiabilidade no carro. Tanto que Hamilton em seu segundo ano na Mercedes, somou 384 pontos e Rosberg 317. 
Sejamos bem sinceros? Desde 2007, Hamilton ganha as coisas, no grito. Experimentem observá-lo longe da primeira colocação. Basta um segundo lugar, com um zambetante ponteiro. É choro e vela no rádio, como qualquer outro.
Não se enganem: ele também bate o pé. O problema é que a Mercedes não tem histórico como a Ferrari de nas caras de qualquer mulambento, que trabalham para um piloto específico e o outro que se lasca.
Mal Kimi saiu da Ferrari, e "ele é genial na Alfa-Romeo". Na Ferrari, tudo quanto é crítico achava que Kimi "deveria ser mandado embora". 
Mal entrou, e "Leclerc sofre porque a equipe trabalha só para o Vettel". Eles iam mesmo, fazer o possível para trazer o cara, honrar pré-contrato e fazer o papelão que estão fazendo até agora?

Temos todas as armas para afirmar tudo isso. Grandes argumentos.

Mas, vou declinar deles, todos, se me permitem. Não vejo assim. E olha que não sou fã do Sebastian Vettel. Caso alguém ainda duvide, sou fã do Kimi Räikkönen. Mas, convictamente, não tenho empatia pelo Lewis Hamilton

A temporada 2019, já começa a dar sinais de fazer parte do mesmo gráfico: Hamilton já tem 187 pontos, em 8 corridas. 6 vitórias, 8 pódios. Bottas é o segundo, com 151. Já temos a dobradinha da Mercedes, fácil, pela quarta vez em 6 do total.
Vettel o terceiro, agora que alcançou a casa dos 100, com 111 pontos. É perigoso Hamilton passar dos 450. 
Vencendo todas as 13 corridas que restam (o que parece ser a premissa mais próxima do real) Hamilton terá 325 pontos, que somados aos 187, pasmem, dá 512.

Ele detêm recordes de poles, de vitórias e o escambau. Com esse sistema de pontuação, será o maior pontuador da história, e ninguém questionará essa "facilitação" matemática, digamos assim.

"Hamilton é melhor que Vettel".

Será?

Abraços afáveis!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 8: GP da França


ALL HAIL THE KING!
Estamos assistindo uma temporada histórica na F1. Basta observar os números - não é isso que todos amam, e não é isso, o padrão de qualidade/talento de um esporte ou atleta? Ter NÚMEROS? 
Então, estamos presenciando um momento histórico no automobilismo. Um momento tão monumental que, eu e alguns cometemos grave crime, reclamar de como está se desenrolando 2019. Está muito bom, gente?! Uma verdadeira delícia!


O GP da França, no último domingo, foi "gratificante". Ao final da procissão, com o SANTO REI na frente, sem suor ou incômodo, não ditou o ritmo, pois ninguém mais tinha o mesmo ritmo. Pensemos no seguinte: após a pole, era hora de pensarmos quem seria o segundo colocado no ano, pois apenas do segundo para trás que o inesperado ainda dá uns sinais de vida, e mesmo assim, muito tímidos.


Li no Twitter de uma desconhecida, que dizia: "Quero pedir que parem de reclamar que a F1 está sem emoção. Grata." Não daria para ela, mais do que minha idade. Sei que devo irritar um pessoal com as minhas reclamações, mas, como disse Vettel na semana pós Canadá (oooooh Cana dááááááá´...): "essa não é a F1 pela qual me apaixonei". Não vai ser uma novinha, provavelmente fã do Hamilton, que por um simples tuíte, vai me fazer mudar de ideia.

Uma frase, que nós que acompanhamos qualquer categoria de automobilismo já escutamos de quem diz não ver nada de especial no esporte, é a seguinte: "é um tantão de carrinho dando volta numa pista... qual a graça disso?"
Se vocês tiveram paciência, tentaram explicar qual era a graça. Eu só respondia que gostava e que me divertia. Problema da pessoa se não se atraía pela F1, por exemplo.
O GP da França, em Paul Ricard, deu munição para esse pessoal. Foi esse o resumo: um tantão de carros, dando voltas. Nada de alarmante, especial. Para piorar, aquelas faixas azuis poderia deixar muita gente vesga. 
Não julgo, são confusas mesmo e pelo visto, prejudicam mais do que imaginaríamos, como comentarei, mais adiante, algo que só veio à tona, depois do fim da corrida.

Ao fim da procissão no GP da França, até o narrador ironizava a pouca surpresa da corrida, especialmente de Lewis Hamilton. 
Os carros não quebram mais. Ninguém tem pneus rasgando sem querer. Os toques, quando acontecem, geram punições bizarras. As zebras são baixas, e assim, quando alguém as ataca, não quebram asas ou suspensões. Áreas de escape são lisas e quando o piloto as atravessa, aparece na tela, uma investigação. 
A Mercedes nunca erra estratégia. E quando raramente erra, é tão irrelevante que não reflete negativamente, a não ser para Bottas. Para Hamilton, ele sempre está de cara para o vento, com muitos segundos de vantagem do segundo colocado.  
Aos outros pilotos, não é dado nem a opção de tentar algo diferente para ganhar ou manter posições. Dependendo do que fizerem e como fizerem, recebem uma punição com um laço de fita brilhante.


Ricciardo foi um desses, ontem. A transmissão não mostrou. Os portais precisaram expor o vídeo para que todo mundo tivesse a sua, controversa, opinião. O garoto sorriso tentou manobras para ganhar posições sob Kimi e Norris, de forma que passou nas faixas azuis umas duas vezes, com as quatro rodas. Os comissários puniram o cara duas vezes, 5 segundos, 10 no total, depois da corrida. 
Existe a regra. É fato que não pode sair da pista, pois se ganha vantagens na disputa e toda aquela lenga-lenga que já estamos carecas de saber. Mas, não ter mais caixas de brita, e as zebras serem baixas, dá nisso. Eles não sacaram ainda que, colocar essas coisas faz com que, se o cara errar, ele tem a punição da corrida ou da volta rápida ali mesmo, no decorrer da corrida. Não precisa de regrinha imposta depois. Com essas escapes asfaltadas, lisas, dá ideia de que querem que os caras recorram à isso, ousem violar a regra, para eles punirem depois, como bedel de escola. Parece que estão de sadismo com os caras e conosco. 
E é bem capaz que estão mesmo.


Assim, a F1 assinou o seu decreto final. A corrida foi considerada, de forma unânime, chatíssima. Diversas pessoas deixaram de acompanhar o desenrolar antes do fim. Eu fiquei, pois tinha um narrador calmo. Se fosse o "gritalhão", eu teria feito outra coisa. 
A temporada de 2019 já dava indícios de todos os problemas que alguns de nós demoramos para admitir: as regras são subjetivas de propósito e seletivas, aplicadas de acordo com o que convém, geralmente, não afetando quem dá mais ibope. 
Parece bem claro agora que a intenção da categoria é ter "pilotos" com carros potentes (expondo as marcas ao marketing tecnológico) e que, sem esforço ou drama, garantem muita glória, holofote, recordes fáceis, aparecendo como modelos em capas de revistas e o pior, dando munição para fãs e mídia discutirem exaltando os feitos como se tivessem custado muito suor e concentração. 

Certa vez, Bernie Ecclestone disse que Vettel não tinha carisma de campeão mundial. Talvez Vettel não rendesse verdinhas como Hamilton rende. Hoje, isso parece quase transparente. Se não são verdinhas, não sei o que alimenta toda essa exposição do Hamilton e da Mercedes sem nenhuma crítica pesada ou questionamento sobre a perfeição administrativa. A equipe não sai dos trilhos à 6 anos. Até a RBR nos tempos de Vettel sofreu pendengas que quebravam o bom clima interno. A Ferrari então, nem se fala. Mas na Mercedes, tudo é arco-iris.


Pilotos "humanos",  dados à "feelings", que tentam, falham, fazem, arriscam, disputam com o que tem, são, literalmente, colocados à parte, quase sempre como cobaias para o emprego de regras discutíveis, que eles mesmos não se mexem para fazer mudar. Podem até apresentar uma papelada, mas no fim, serão os pilotos chorões, equipes derrotistas e a FIA termina com sorriso maquiavélico.

A F1 está engessada assim. Campeonatos frouxos, com campeões mais fake e "competidores" frouxos. Tudo parece como se estivessem em capas de revistas de ostentação, posando ao lado de carros luxuosos. Pilotos que respiram velocidade são poucos. Ouso deixar claro que, talvez o que a gente diz que é talentoso, pode não ser, especialmente pois, nossos padrões de entendimento para isso, é como as regras da FIA: subjetivos. Vai muito de nosso gosto pessoal e empatia.

E estar engessada leva a pensar que a solução é quebrar, de cima para baixo. Desconstruir tudo, do campeão ao mais relé piloto pagante. 
Sem a surpresa de eventos, as equipes e os pilotos ficam cada vez mais, enfraquecidos, incapacitados de enfrentar desafios com petulância saudável da competição. Torna-se desnecessário os grande prêmios e até mesmo, a temporada...

Vangloriar-se de ser campeão de uma corrida como foi na França,  no último domingo, não me parece genialidade. Em pouco mais do dobro das próximas corridas, Hamilton vai ser hexa, sendo o terceiro título seguido,  conquistado sem pestanejar, com larga vantagem de pontos. 
É bem certo que amanhã ou depois, ele comece a dizer que a falta de competitividade está matando o esporte e que ele quer que nós possamos ligar a TV e sentir emoções com eles. Acho que ele já disse isso, não é? Mas na hora de falar sobre a pole ou uma vitória, ele discursa bonitinho sobre todo o (fake) drama que ele sentiu naquela volta ou naquela curva.
E vai ter gente que vai aplaudir, escrever matérias falando o tanto que ele é justo, um campeão nato.
Estar por cima da carne seca, amigos, é bem fácil. 

Está sendo um ano duro. Vamos ver até quando a gente aguenta. 

Abraços afáveis!

PS: Já votaram na enquete do Faixa a Faixa? Não? Avance para a postagem anterior e dê seu voto! 

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Faixa a Faixa: Scoundrel Days

Antes tarde do que mais tarde, vamos dar uma relaxada por aqui.
Finita a última enquete, temos o disco vencedor com 3 votos para ser comentado na retomada do Faixa a Faixa.




♫ Nome do álbum: Scoundrel Days

► Arte, capa e encarte:




A capa de "Scoundrel Days", segundo álbum de estúdio da banda norueguesa A-ha tem o visual e a sonoridade de anos 80, mas tem muito cara de capa de vinil. 
Datado de 1986, a capa é simples e direta: uma paisagem de um campo verde, com nuvens e céu bem próximos à terra. Além disso, no canto direito, o trio aparece em uma foto no alto de uma paisagem elevada, o vulcão Haleakala do Maui, no Havaí, com destaque para o perfil do vocalista, mais à frente e os demais ao fundo. O tom da foto é esverdeado. Os escritos são em letra cursiva, em preto. 
O conteúdo como encarte, segue nas fotos abaixo:
















A arte da capa e a foto é de autoria do fotógrafo norueguês Knut Bry.

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:


O trio que compõe a banda são aqueles moços altos, "ombrudos" e nódicos com sobrenomes complicados: Morten Harket (vocal), Magne - Mags - Furuholmen (teclados e vocais de apoio) e Pal Waaktaar (guitarra e vocais de apoio). Além destes, completou a contribuição musical Michael Sturgis (tocando bateria nas músicas "The Swing of Things", "I've Been Losing You" e "Soft Rains of April") e Leif Karsten Johansen (baixista na música "I've Been Losing You"). 
Pal Waaktaar é o principal compositor do trio, sendo o compositor sozinho das seguintes canções: "The Swing of Things", "I've Been Losing You", "October" e "Maybe, Maybe". Mags Furuholmen assina "The Weight of the Wind", e ambos (Pal e Mags) assinam as demais, inclusive a faixa título, "Scoundrel Days". 
Não há participações especiais ou convidados.

► Produção e gravadora:


Os produtores são Pal e Mags, juntamente com Alan Tarney, produtor do disco anterior e comumente associado ao A-ha. A gravadora, é a conhecidíssima Warner Bros. Records.
O disco abrange o que chamam de Synth Pop por conta dos teclados ou até mesmo estilo New Wave. Nos anos 80 era comum essa sonoridade, a banda teve seu maior sucesso nessa década com esse e outros discos; sucesso que se seguiu inclusive nos anos 90. 
Quem gosta de A-ha, gosta de verdade com razão: é um pop rock muito do "bem feitinho", e que perdura. "A-ha" é de fato, uma grata surpresa musical.
"Scoundrel Days" foi lançado no dia 6 de outubro de 1986 e é relativamente curto, com a duração de 38 minutos e 41 segundos e contém 10 músicas. 

► Música favorita do álbum e a segunda melhor:


Adoro de montão, "Manhattan Skyline", dessas canções que a gente tem, por obrigação, ouvir bem, mas bem alto. A segunda favorita é uma das clichês: "I've Been Losing You".

► Faixa a Faixa:


♫ Scoundrel Days


A faixa título define muita coisa da banda nesse começo de carreira: letras quase poéticas, teclados frenéticos e o vocal melancólico de Morten. "Scoundrel Days" tem um refrão poderoso que te invoca a cantar junto, balançando os bracinhos no ar, soltando-se nas pista de dança. 


♫ The Swing of Things


Quase totalmente eletrônica, a segunda faixa tem muito cara de balada dos anos 80. Se você conhece alguém que não teve o bom contato com essa década, "The Swing of Things" é uma dessas opções de apresentação/introdução à essa época boa e que não seja uma sonoridade tão óbvia do período. Eeeeeeh anos 80 lindo! 


♫ I've Been Losing You

Minha segunda faixa favorita é toda ótima. Faça uma festa e ouse não tocar essa música e falhe em querer que seus convidados não fiquem pelo menos, balançando os ombrinhos enquanto conversam. Um dos singles do disco, "I've Been Losing You" tem uma batida cativante e grudenta( não no sentido ruim do termo, claro!)


♫ October

Não tem baladinha para dançar de rosto colado com o amado/amada? Claro que tem, e das boas. A letra de October é bem "down" já que fala de um tempo frio, numa cidade inglesa, e em solidão. Eu gosto da música, mas ela é a que menos me atrai em todo o álbum.


♫ Manhattan Skyline

A minha favorita! Ela começa toda despretensiosa, com o teclado acompanhando o vocal melancólico... até que com 0:55 vem uma virada monumental na melodia que deixa toda a combinações de sons espetacular! "You know... I don't want to cry again". 
"Manhattan Skyline" é a minha favorita pelos motivos básicos: após os 55 segundos, a música se torna poderosa. Eleva seu espírito e isso em show deve ser algo de levantar os pelos do braço. Por esses dias, ao falar de música com uma de minhas irmãs, defini que essa música era, sem dúvida, uma das que é necessário ouvir muito alto para usufruir dela por completo.


♫ Cry Wolf


Outra bem famosa, talvez a mais conhecida do disco é "Cry Wolf", cujo tema é bem interessante. No idioma inglês a expressão significa o nosso "alarme falso", ou choramingar a toa, dramatizar sobre uma situação. Dar falso alarde sobre algo que deveria ser tratado de forma séria se encaixa nessa expressão que provém de uma história de álguém que conta uma mentira várias vezes, prega uma peça, e quando algo sério, de fato, acontece, ninguém acredita. 
A música acaba contando essas ideias de forma metafórica e "Cry Wolf" é, então, considerado um dos melhores singles dos anos 80. 


♫ We're Looking for the Whales

Estilo teclado, vocal e bom refrão é "We're Looking for the Whales". Dançante e empolgante, embora o refrão quase me lembra músicas do The Cure. Não sei porque... Mas é definitivamente, muito melhor rsrsrsrs...


♫ The Weight of the Wind


A oitava faixa foi composta por Mags, então era de se esperar a predominância dos teclados, "mandando" na melodia. Apesar de não ter tanta paciência com teclados, eu acredito que, em certas músicas, eles são necessários. É o caso de "The Weight of the Wind", os teclados aparecem, encorpam a música e deixam ela com uma boa "textura" sonora, se é que me entendem. 
Essa canção é interessantíssima, e talvez a que seja a mais complexa de todo o disco.


♫ Maybe, Maybe

A penúltima música é dessas que, numa balada você já se vê batendo os calcanhares com sapatilhas ou um tênis M2000, da esquerda para a direita, sem pensar duas vezes. A batida do teclado te ajuda nessa, mesmo que você não seja um pé de valsa. Bem "caricatura de anos 80", como "The Swing of Things".

♫ Soft Rains of April

Para fechar, uma opção que te convida, assim que acabar, a reiniciar o vinil/cd e acompanhar tudo de novo. O título não poderia ser outro - "Leve chuva de Abril" -. a sensação é essa mesmo, se uma chuva leve, batendo na janela tivesse de ter uma música, seria essa.

► Porque desgosta de uma música do álbum:


Como disse acima, a que menos gosto é "October", embora, não deteste. Acho que ela faz parte do disco e encaixa bem, e dá uma quebrada no tom, para recobrar fôlego do que está por vir. Mas confesso que em algumas ocasiões, já saltei a faixa e fui para a seguinte. A explicação racional é que, talvez fosse ansiedade para ouvir a favorita. 

► Uma história do disco, uma questão pessoal ou uma curiosidade:


Aprendi a gostar do A-ha por conta de minhas irmãs e prima, que eram fãs da banda. 
A maioria dos meus primos e minhas irmãs, cresceram juntos, pois meus pais são primos primeiros. Então, tios e tias, conviveram muito perto um dos outros, os filhos e netos foram criados juntos. Eu e mais dois primos nascemos tarde, e pegamos esse trem, quase partindo hehehe... Perdemos essa época que todo mundo "nasceu" na mesma época e partilhou de brinquedos, festas e brincadeiras, juntos. Mesmo assim, aprendi com os mais próximos e mais velhos algumas boas coisas. Uma delas, foi a herança musical.
Do disco, nada tenho de expressivo para compartilhar. Mas da banda, tenho uma curiosidade: o A-ha fez uma mega tour no Brasil em 1991 e eu tinha, na época, míseros 4 anos. Houve um show na cidade vizinha (Uberlândia) e minhas primas e irmãs, foram nesse show. Eu me lembro, de estar numa praça no centro de Araguari, cheia de gente, com ônibus da Expresso Araguari (a viação daqui) para todo lado, numa caravana organizada pela escola de inglês FISK para levar o pessoal que havia comprado o ingresso. Eu me lembro da sensação: parecia algo tão empolgante, uma oportunidade tão boa, mas eu, acabei ficando para trás. Não teria aproveitado muito, claro, o que eu poderia saber de shows, aos 4 anos?
Só iria à um show, internacional, em São Paulo, 17 anos depois (no caso, do Nightwish, em 2008. Dois anos antes, fui à Uberlândia, para assistir um dos shows da Tour de 15 anos do Angra) e aí sim pude comprovar uma das melhores coisas da vida: shows ao vivo, de bandas que você ama.

► 5 sugestões para a próxima postagem:


O esquema funciona assim: álbuns que aparecem 2 vezes nas enquetes e não recebem nenhum voto, em nenhuma delas, caem e são substituídos. Tenho colocado Faith No More desde a primeira enquete e o disco sempre recebe pelo menos 1 voto em todas elas. "No More Tears" do Ozzy Osbourne apareceu na quinta enquete, e segue no mesmo trilho, sempre recebendo um voto toda vez que abro votação. O disco solo de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam e "Master of Puppets" do Metallica, entraram na enquete passada. Apenas Vedder teve voto, enquanto o do Metallica foi esnobado. Uma segunda chance será dada aos caras.
Para substituir o disco do A-ha, venho com um disco de uma banda em alta esse ano, com a cinebiografia na Netflix.





Agora é só comentar e votar no próximo. Inclusive, se quiserem algum álbum comentado, aceito sugestões para montar as próximas enquetes, só comentarem abaixo, ou na página do Facebook.
Para critério de marcação (não posso garantir com certeza já que semana que vem começa o fim do bimestre na escola e terei muita prova para corrigir, diário para fechar e etc.), teremos F1, GP da França neste fim de semana próximo 21, 22 e 23, GP da Áustria dias 28, 29 e 30, então, a dedicação será comentar essas "corridas". No dia 4/5 de julho, aviso se conseguirei fechar a enquete e por encaixe de tempo, posso publicar o álbum vencedor comentado até, no máximo até dia 8. A F1 estará de volta, com o GP britânico, dias 12, 13 e 14. Se não conseguir no começo do mês, ainda terei dia 19 de julho para fechar e publicar o álbum vencedor até dia 22 do mesmo mês.

Comentem sobre o A-ha e votem na nova enquete. Aguardo os pitacos de vocês!
Abraços afáveis!!

quinta-feira, 13 de junho de 2019

F1 2019: Triunvirato

Na terça feira, eu compartilhei uma publicação do Twitter (essa aqui) na página desse blog no Facebook. Nela, temos 5 situações muito semelhantes às que ocasionaram a punição de Sebastian Vettel no último GP, só que, em todas elas, não houve nenhuma ação punitiva e os que protagonizaram as defesas de posição ou vantagens para manter-se à frente, foram pilotos da Mercedes. Três dos cinco casos são protagonizados por Hamilton. Um deles, eu deixei no texto de segunda-feira para que vocês pudessem dar uma olhadinha e tirarem suas conclusões.

Eu não comparei as situações, com receio de registrar alguma bobagem. Nem vou comparar com as outras quatro, com o "incidente" de corrida da GP do Canadá.
Um pouco de raciocínio lógico pode ser pragmático. Me parece bem claro, mas pode não ser o caso seu, leitor: Após o erro, o que passou na cabeça de Vettel foi controlar o carro patinante e não dar com a cara no muro. Saber como agiria Lewis, não era sua prioridade. Assim sendo, parece-me óbvio que, para não perder tudo, Vettel controlou o carro e depois de prender a respiração deve ter se atentado para o fato de Hamilton estar muito próximo. Hamilton, que perseguia o colega, poderia ter passado por dentro da curva, mas não o fez. Por reflexo? Talvez. Não tem como saber o que se passa na cabeça deles enquanto competem por posições. Podemos apenas, imaginar possibilidades ainda que não viáveis.

A razão de ter publicado o tuíte é referir que, nos últimos 3 anos, a Mercedes tem sim, escapado ilesa de regras que existem e não são analisadas duramente quando infringidas, como foi com  Vettel no último domingo, ou Verstappen no anterior. 
A questão que vem alargando mais e mais na F1 é a punição seletiva.  Não adianta contra-atacar isso. Sempre disse: ou libera geral, ou corta o barato de todos. E desde que a Liberty ganhou espaço, as punições bestas diminuíram do que já foi em alguns anos. No entanto, quando se abriu o livro de regras, só foram em momentos estrategicamente oportunos para tolher competições, e assim, as circunstâncias nas quais foram aplicadas, não tornaram-se mais justas ou igualitárias.

Hoje, me deparei com duas outras coisas. Primeiro, uma postagem da F1 oficial: 

Está constante e é tudo é meticulosamente bem desenhado: "Lewis concede presentes à fã doente", "Lewis é cordial com rivais", "Lewis se emociona com fim de semana monstruoso", "Lewis ofereceu carona ao Vettel".
Logo em seguida dessa postagem da F1, um dos comentários menciona que, se Lewis fizesse a cena que Sebastian fez, no último domingo seria chamado de vários nomes péssimos. Vocês podem ler, se quiserem (confira aqui). Engraçado que agora é com Sebastian que a rixa está acirrada. Mas o Lewis é do tipo que incomoda todo mundo com quem competiu: notoriamente Alonso, seu companheiro (e até "amigo") Rosberg, pelo tempo que dividiram equipes. Já criou briguinhas com Massa, lá em 2008, 2009. Com Button na McLaren, e umas farpas digna de briga de escola. Criou casinho até Adrian Sutil, amigão dele, e de repente, parecia que nem se conheciam. Recentemente, até com Raikkonen (e a esposa do finlandês ainda debochou nas redes sociais). 
Mas Lewis é demais! O post da F1 exalta com palmas, um Lewis totalmente "diferente" daquele do começo. De uma hora para outra, é um maduro campeão mundial. 

A mídia até pode ter sido crítica com Lewis lá no início, ainda que tenha sido bem amena, a meu ver. Era bem óbvio que, se fizessem críticas duras, teriam que arcar com um problema que deixa, qualquer um de nós em situação de vulnerabilidade: a questão étnica-racial. É vulnerável pois, hoje em dia, qualquer coisa que você disser nesse âmbito corre o risco de ser rotulado de racista, preconceituoso. Andamos em ovos todos os dias, sobre diversos assuntos.

Critico veementemente toda e qualquer atitude do Lewis. Quando são boas, elas me soam falsas. Quando são ruins, eu alerto para o quão imaturo ele é. 
Vivemos tempos mesquinhos, complicadíssimos. Para qualquer assunto, o recorte argumentativo está já sendo salvo e ele dará voz à apenas uns e não todos. Não se enganem: se algum pensador for explicar o que diabos está acontecendo com a mentalidade do povo, não vai ser necessariamente condizente com a sua concepção. Qual foi o "click" que fez todo mundo ficar meio maluco e egoísta vai depender do que expõe argumentos.
Por isso, falar de etnias, crenças, sexualidade e etc. é, em pleno século XXI, espinhoso. Diante de acusações, as pessoas até se defendem: "Que isso!? Tenho até amigos assim..." E isso deixou, à muito tempo de ser um "saber" que as salve.Dependendo do tom, só piora.
Mesmo assim, afirmo: se critico Lewis, critico em virtude de sua personalidade não ser do tipo com que simpatizo. Simplesmente, não vejo talento, vejo muita sorte. Não vejo atitudes nobres, vejo soberba. Não vejo genialidade, vejo trivialidade.
A minha antipatia é com a personalidade iluminada pelos holofotes da mídia.

Quero concluir, por isso menciono a segunda coisa que li hoje e motivou meu texto: a declaração de Vettel sobre o ocorrido, domingo (confira aqui). Se era visível que Vettel não tinha mais "tesão" em correr na F1, isso ficou claro com as declarações, que só transbordaram com a gota d'água que foi a punição no Canadá.
Já estamos numa quarta-feira, e ele ainda choraminga sobre isso? 
Eu acho que ele está certo, em ao menos, falar de seus sentimentos rancorosos. Não que vá surtir efeito. Só está piorando a sua fama de chorão. Mas, creio eu que ao menos ele está sendo sincero com ele mesmo e com quem quer que tenha restado de admiradores de seu potencial profissional. Na atual realidade que vivemos, quem irá defender um cara branco de olhos azuis? A beira do precipício para termos como "chorão", "mimado", "chato para caramba" é logo ali. Não há barreiras que impeça a mídia de descer a crítica nele. Também não parece haver algo ou alguém que o isente disso.
Vocês sabem, quem defende, gosta do cara. E são poucos. E isso acontece também caso viesse a ser outro personagem. Imaginem qualquer outro, ali, no lugar do Vettel. Vamos pegar o Leclerc. Estariam todos aplaudindo as mesmas atitudes, sem torcer o nariz. Minto? Claro, que não. É bem capaz que, se fosse ele, a FIA poderia até reconsiderar a punição. Creio até que os esforços da Ferrari seria diferentes para reverter. Mas é tudo "e se?" que não chega a conclusão palpável.

Lendo essas declarações de Vettel, eu tentei esquecer todos os "haters" que poderiam usar essa notícia compartilhando com legendas depreciativas, desejando sua retirada, demissão e aposentadoria da categoria. Tentei analisar friamente e foi algo que resultou em tristeza. É duro ver como a F1 é cruel, até com quem tenha o "triunvirato": talento, personalidade e fibra. Aos poucos, a "nova" F1 vai moldando novos Lewis Hamilton: caras dados à holofotes, marra e estilo. Como celebridades de internet, tem um monte de seguidores, fanáticos que os endeusam. Quem é de outra geração, arqueia as sobrancelhas toda vez que aparecem. Falta algo neles que não atrai os "old school".
Somos, talvez, revoltados com o acontecido com Vettel, porque somos pouco maduros para largar de sofrer por esporte, ou porque somos de outra época. 
Sou da mesma idade do Sebastian, e se ele diz que se apaixonou por uma F1 que não é mais essa que está aí, posso também dizer que não há o mesmo "feeling" que em outras ocasiões me fazia sair da sala do cursinho, às escondidas, sentar no sofá da sala dos professores na escola, para bisbilhotar o treino classificatório em meados do ano 2000.

Talvez seja hora/sinal para que Vettel repense se esse é um ambiente que lhe dê suporte para ser ele mesmo. Talvez isso seja importante para outros pilotos que estão, já há algum tempo, dando murros em ponta de faca com a nova fase da categoria. 
Sair o deixará com estigma de covarde? Sem dúvidas. Mas qual é a vantagem? Jogar a toalha e se dar o direito de não ser mais fantoche de mesquinhos, ou honrar o que conquistou até aqui, fazendo do seu fim de carreira, uma guerrilha?

Comentários abertos!
Amanhã fecharei a escolha do Faixa a Faixa. Já votaram? Ainda dá tempo! Postagem virá no sábado, beleza? 

Abraços sempre afáveis!

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 7: GP do Canadá

Eu gosto do GP do Canadá. Não é minha pista favorita, mas é legal. 
Tive uma ideia nesse fim de semana: talvez não é que eu não goste de alguns traçados; eu não gosto é do que falam, do que se rotula sobre eles. No caso do Canadá, é um pista legal e tals, mas enche o saco aquela história de "Muro dos Campeões". Sério! Porque basta um 'Zé Ruela' dar uma arranhada ali, alguém já justifica: " Aain, jamais será campeão, Deus nos livre...!" 
Por isso, acho uma bobagem. Todos estão passíveis de errar e dar com a fuça naquele muro, desde gênios brilhantes à mornos guias de autorama.
Mas o pessoal gosta de falar...!



Como tudo na vida (e se você tem pelo menos uma rede social, sabe do que estou falando) hoje tem especialista em tudo. Em ciência política, em administração de multinacionais, em direito civil,  recursos renováveis, economia, história do Brasil... Juro! Sou formada em História e já ouvi caboclinho me mandar ler um livro de história. 
O pessoal perdeu a noção. 
É sim, o que acontece na F1, no futebol, no senado, na casinha de sapê... Todo mundo toma partido de alguma situação e começa a briga. 
Diante disso, é claro que tem um monte de gente para dizer o que o piloto X deveria ter feito, numa situação ou outra. Todos nós temos carteira de piloto de corridas, temos não sei quantas horas de simulados, não é? Por isso a gente palpita tanto! 



Eu acho um máximo, poder contar com informações precisas de colegas do tipo: "mas ele deveria ter dado espaço", "mas esse aí não sabe poupar pneus", "cara, isso não é atitude de campeão de F1". Especialmente se eles detestarem, lá no íntimo deles, o piloto X. Não posso e nem devo criticar. Vai que é doença?



Além do mais, o povo gosta e fala mesmo. Pode estar pirando na batatinha, com zero argumentos e tá lá, no nosso querido muro das lamentações - as redes sociais - reclamando, fazendo thread e textão.



Que a maioria de nós está desencantada com a F1, não é novidade. Eu mesma, fiquei ranheta à mais tempo que a maioria de vocês. 
E cheguei na crise do casamento, este ano: quis me separar de Räikkönen, Vettel  e alguns simpáticos (alguns sim, afinal, até eu tenho limites) por conta da própria F1, essa mesma que nos uniu, o nosso "cartório". 
Mesmo assim, caramba, como é difícil um divórcio. E nem temos aqueles problemas que prolongam casamentos: amizade, filhos ou dinheiro... Está mais para alcoolismo mesmo, um vício que te destrói, mas volta e meia você está lá, acabadão/acabadona no bar. 



E então, volta e meia eu fico inconstante como uma viciada que já saiu da fase da negação. Se tenho que trabalhar no sábado, sei que cairá diretamente num fim de semana de F1. e então, eu começo as lamúrias: "Ah, mas tem treino, e lá na escola não tem tv...". Na mesma medida que reclamo, ouço alguém me cobrando a razão: "você sabe quem fará a pole, larga de ser besta!"... E eu saio pelos cantos resmungando. Sim, pois quando mais velha e velho ficamos, mais resmungões também. É uma proporção que não se relativiza. 
Dessa vez, trabalhei de manhã, mas Canadá ("Oh, Canadaaaaaa...") é à tarde. Por isso, eu já estava (quentinha) em casa na hora do treino, estatelada na cama, só aguardando começar.

Como um vício, sim, fui torturada, dois dias seguidos. Na boa, feministas, aquela Mariana Becker é uma vergonha para nós. Eita moça que diz besteira, credo-cruzes!
Se não bastasse um narrador chato, que pilotos pelo diminutivo, não tivemos um "gritalhão ovulante" ou o "gagá-do-contra". Não sei qual a vantagem de um para outro, mas a desvantagem, posso até listar.



Embora a esperança voluptuosa de que Vettel, após a pole, pudesse, pelo menos, quebrar as vitórias da Mercedes e as do Hamilton, por uma mísera corrida que fosse (e era só o que a gente pedia), eu mesma só fiquei feliz um pouco antes do corte brusco da emissora, sem as entrevistas pós treino. Ainda disse em casa (e vocês podem perguntar às minhas irmãs): "Se fosse outra pole do Hamilton, eles tinham esperado para ouvir seu discursinho piegas de sempre". 



Era meio fato que, alegria de pobre, dura pouco e logo teríamos uma lavada, baldão de água fria.
A corrida foi bem isso: uma sequencia de coisas que falei em casa, mas não tuitei para não ter que toda hora, digitar: "estão vendo, eu disse, eu sabia" e vir um monte de xingamentos na sequencia. Não que eu me importe com as pessoas que ficam contra. Mas é uma questão de princípios. Explico porque: eu tenho reclamada de gente chata choramingando nas redes para qualquer coisa. E vou lá ficar reclamando da proteção do Hamilton e da Mercedes enquanto assisto à corrida? Vou ainda ter problema (se já não tive) com isso... Além do mais, não vai resolver eu ficar estressada nas redes. Não posso fazer parte da turminha do "não gostei, vou fazer uma petição". Já passei dessa idade.
E vou ser sincera, o tal do reclamar algo relacionado à F1 causa desconforto para mim e, apesar de não terem falado diretamente, deve causar em alguém mais. Querendo ou não, sempre terá o que vai discordar de vocês e, dependendo de como está seu humor, pode ser desastroso para seu dia. Faltar meios concisos para fala o que pensa, nas horas mais tensas, também não ajuda. Inclusive pois, se eu tenho direito de opinar, outra pessoa também tem. A questão é que, quase ninguém é evoluído o suficiente para saber desse direito, separar a amizade e o afeto que se tem por ela, respeitar o ponto de vista, e seguir normalmente seu caminho. O pessoal anda muito dolorido.
Tô errada? 




Fato é que, se o povo fala demais e eu acho ruim, tenho que botar o modo "pé no breque" (isso usa ainda?) para também não ser uma dessas. Se o povo fala, não vou nem posso ajudar no coral...



A novela estava marcada então, com um enredo de que a Ferrari teria a primeira vitória do ano e uma sombrinha negra pairando, falsiane, como se a Mercedes estivesse com medinho disso. Na real, eu estava convicta de que a alegria do Vettel estava com minutos marcados para acabar, e em pista. Fosse como fosse.
E então, a sábia repórter (Meu Deus!) falou que o capô (capô?????) do carro do Hamilton estava aberto. Freios problemáticos e mecânicos tentando resolver o impasse. Eis uma questão tosca da cena nada shakesperiana: a ida da mesma repórter a falar com Toto Wolff sobre a esperança que esse "ajuste" desse certo e o rosto sereno de quem sabia que ia dar tudo certo para seu protegido. 
Se o problema fosse grave, amigos, ele nem daria declarações para ela, de tão preocupado que poderia estar. Fazer aquele ajuste na frente das câmeras também era uma boa técnica de teatro, chamada quarta parede, só que a platéia não assistia passiva à ação. Juraram que o drama, era real. Menos eu, desculpem. Preciso de um pouco mais para acreditar.



Eu disse, e tuitei que era encenação. Em casa, disse, mas não tuitei, que na volta de apresentação, o carro do Hamilton pareceria lento e a narração ia botar pilha. Mas na largada, ele se normalizaria. Quiçá não ultrapassasse Vettel que se afobaria. Errei, por pouco: Hamilton rabiou na volta de apresentação, porém, na largada, nem parecia  que tinha "problemas".



As paradas vieram, a Ferrari errou a estratégia do Leclerc, para variar. E a coisa começou a azedar quando, do nada, Hamilton estava o tempo todo de asa aberta, muito próximo à Vettel. Era uma questão de tempo, para tomar a posição, e distância dele. Enquanto não saia a ultrapassagem que seria aclamada pelo narrador e comentaristas como "brilhante", "genial" e "incrível", a corrida ainda parecia ser normal, morna, mas normal...
Até que Vettel errou numa curva. Perceu o traçado, atacou a grama, e virou passageiro. Para não dar com a cara no muro, fechou a curva. Hamilton poderia passar ileso, mas quis passar o cara por fora. Tomou uma fechada, sem danos. 
Vendo que o cara passou na grama, porque abriu a curva daquele jeito? Por que não cortou por dentro, deixando Vettel com um segundo lugar custar caro pelo erro da curva? Não é um cara brilhante e cirúrgico nas decisões?
Não. Ele, ao tomar uma cortada sem querer, e por reflexo, ligar o radinho e reclamar. 



Eu disse, mas não tuitei: "Daqui a pouco sai uma investigação..." 
A investigação veio. A Ferrari já havia feito as paradas. Havia cometido o erro de desconcentrar Vettel, que tinha um Hamilton pressionando muito.  
Calmamente eu disse que Vettel ia ter 5 segundos acrescidos da sua volta. Ele tinha perdido a corrida quando Hamilton ligou o rádio.  A FIA é a MIA. A justificativa ia ser a mais tosca possível: "direção perigosa".



E veio a punição. Exatamente como eu disse. Não tuitei, mas precisava? Quando tuitasse, ia ter muita gente contra. Tentei me conter, embora, é como eu disse - alcoólatra num bar pode até dizer: "hoje eu não vou beber", depois de 5 minutos, já está com os copos vazios e gritando "ooooooooh, garçooooooo-om!"



A punição, convenhamos, foi injusta. As ações dos comissários, em 90% dos casos, são injustas. Mas dessa vez, foi doída.
Desde sempre digo que a F1 quando corta o barato, corta sempre de forma errada. Não se pode nada. E ao mesmo tempo, as regras são aplicadas de forma seletiva. Alguns são protegidos. Quantas vezes Verstappen agiu de forma desmedida? Não digo que sempre foi a opção errada, mas ele nunca foi punido quando atacou um ou dois carros da Ferrari, ao mesmo tempo e tirou, um ou dois da corrida. Se ele tivesse a oportunidade de torrar a paciência dos caras da Mercedes, teria o mesmo efeito?



Para uns é "No Further Action". Para outros é a coisa é bem diferente. 
Quantas vezes vi Hamilton ziguezaguear, trocando de traçado duas, três vezes na frente dos adversários? Era uma das regras mais bestas que eu via na F1, e a que ele mais cometeu em toda a sua carreira. Nunca puniram. Agora, pede para um Vettel - não, peça para um Verstappen, um Ricciardo, fazerem isso. Meu, os caras vão xingar, mas vai ser mais chorinho sem resultado.
Exemplos podem ser bem claro, mas lembrei-me de um, até bem recente, que fiquei a discutir com a Tv: "Uai, pode isso?" São 13 segundos, que podem ser acompanhado aqui. Percebem como é que a punição seletiva está colocada na F1, agora, mais que nunca? 



O acontecido de ontem foi uma miscelânea de erros. A Ferrari desconcentrando seu suposto piloto nº1 e, seguindo um protocolo besta, parece ter forçado ele a subir no pódio sendo que, era muito mais legal que fechassem a cara, colocassem banca ao lado da piloto da casa. 
Outra coisa vergonhosa foi Hamilton só dando um "oi, sumida!" para os comissários que, cordeirinhos, resolveram rapidinho em seu favor. Isso não é só corriqueiro, como extremamente errado. A ceninha do capô (capô??) aberto não havia funcionado, a FIA aproveitou outra oportunidade para colocar o piloto que, no mínimo, rende muito quando está vencendo, ou não tem outra explicação. 



Logo, a cena de Vettel tirando as plaquinhas, após ser obrigado a subir ao pódio é a melhor cena do ano e era a única coisa a ser feita. 



Pena que, na minha opinião, tenha estragado tudo pedindo que não vaiassem Lewis, assim que o mesmo questionasse o motivos dos "booooooo".
Acho que se tivesse ficado calado, era melhor. Mas o Vettel é bobo. Mesmo sendo assim, "cordial", o pessoal ainda considera ele "mimizento", "chorão", "mimado".
Obviamente, e digno de Oscar, Hamilton se vitimizou "não sou eu quem dá as ordens". 




Esqueceu do rádio, meu caro? Eu não. Era o start para que analisassem a situação e colocasse em cheque a corrida do Vettel. Era para vaiar mesmo, e ainda vaiaram pouco. Pois não foi só ontem que o esporte, a competição foi assassinada e os responsáveis foram sim, todos os 10 dedinhos dos comandantes da Mercedes.

É claro que essa não deve ser a primeira vez que a categoria "garfou" um vitória de algum piloto. O que salta aos olhos é que, jamais veríamos isso acontecer à Ferrari, à tal mafiosa equipe do grid, aquela que todo mundo sempre disse que ganhava as coisas no grito. 
O que é cativante #sqn é que não surgiu pouca gente revoltada, menos ainda, alguém avessa às circunstâncias e que, de fato, peitasse a categoria tal como está. Se fosse o contrário era fato que ia ter muito xingatório, e até mesmo acusações raciais. Talvez até, a FIA voltaria atrás, uma coisa que certamente, seria inédita.
Mas a questão não é essa que ocorreu. 
Toda ação do Vettel, após a notícia de que ele perderia 5 segundos, a reclamação (que eu não teria feito diferente), a cena dele empurrando seu carro, saindo para os boxes e finalmente, trocando as plaquinhas é a que tem que ser escrita sobre essa "corrida". 
Com ajuda do Vettel, eu consigo, finalmente concluir o quão a temporada está ruim, falsa e ridiculamente sem atrativos. A F1 respirava com dificuldades e com ajuda de aparelhos. Agora, não tem mais salvação. Na sétima corrida, é fato que virou um belo e requintado circo e nós somos os palhaços. Comissários que decidem quem ganha e quem perde, não pode ser coisa de esportes à motor. Não é carnaval, desfile das escolas de samba!!! 


Mercedes - Categoria comissão de frente: 10!
Enredo: 10!
Porta Bandeira: 10!
Alegoria: 9.9!...



Ora...
Há tempos que está assim. Comissários agindo como banca de defesa, fazem uma vista grossa quando o "aluno é articulado", e não há um infeliz que levante a voz, diga que se sente incomodado, injustiçado. E quando o faz, logo vem o "puta cara chorão, meu!?!"...
Que isso, gente! Na boa, vão achar isso certo? O automobilismo, a história que a F1 escreveu até aqui, não pode começar a ruir assim. É independente, inclusive de nossa afeição por pilotos que gostamos, defendemos e amamos. Seja pelo talento que nossas lentes captaram como atraentes, sejam porque achamos bonitões ou simpáticos (que acontece sim, não vou negar). É uma questão de bom senso, algo que parece, não estar disponível nem na pista, nem na cabine de comissários.

Deixem seus comentários. Lerei e responderei ao longo da semana, com carinho. 
Ademais: abraços afáveis e boa semana para nós!