segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Fim de 2019: Boas Festas!



Peço desculpas pelo remoto sumiço, mas o fim do ano mostrou-se bem acumulado de coisas para resolver, tanto no trabalho, quanto na vida pessoal. A conclusão é que não tenho férias. Tenho fim de contrato e um novo ciclo de estudos e dedicação para as oportunidades que podem surgir para 2020. Então, algumas preparações para esse espaço ainda precisaram de um tempo de maturação para acontecerem.
Como deixei claro no cartão acima, tenho muito a agradecer a quem passou aqui e leu meus textos e me apoiou durante a primeira metade do ano para continuar a postar textos da F1: um muito obrigado é pouco, mas um começo para expressar o quão importante isso foi para mim.
Agradeço também as contribuições de participação de amigos e leitores: minhas queridas Carol e Yasmin, meus colegas de blogs parceiros e esportes, Paulo, Ron Groo e Márcio e a leitora, Carol Almeida. Vocês foram incríveis!
2020 terá novidades que espero que deem bastante certo. Posso adiantar que será sobre Fórmula 1 e que os outros assuntos que me agradam bastante, estará em um outro projeto, que em breve fará sua estréia, o "Musique-se" - projeto idealizado pelo Ron Groo com a qual fui gentilmente convidada a dar a minha contribuição, e fiquei muito feliz e empolgada. 
As redes sociais já estão à todo vapor! Siga-nos nas redes baixo para saberem das novidades da página:


Um grande abraço afável à todos!

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 21: GP de Abu Dhabi

Com um campeonato previamente resolvido ainda na metade e matematicamente decidido faltando duas corridas para o fim da temporada, era de se esperar que as circunstâncias de corrida fossem verdadeiras perdas de tempo. Desde que Lewis Hamilton venceu com sobras o somatório geral do campeonato no GP das Américas, pairou a sensação de que as corridas finais poderiam ser verdadeiros fiascos.

Por talvez uma razão de patriotismo, consideramos o GP do Brasil um dos melhores GPs do ano, mesmo que tivesse sido mais eletrizante nas voltas finais. Repetir o resultado eufórico em Abu Dhabi era otimismo demais.
As possibilidades do último GP do ano conter todas as nossas insatisfações com a F1 como um todo era muito propício. Abu Dhabi, desde que entrou no calendário oferece nada mais que deslumbramento apenas no que se refere à estética. Em termos competitivos é um circuito simplório. Oferece pouca possibilidade de mudanças de posições, a porcentagem de ultrapassagens é baixa e seria certamente uma procissão de carros, com os melhores ganhando muita vantagem. 

Essa expectativa de que Abu Dhabi seria perda de tempo total veio já no primeiro momento "valendo" do fim de semana: a classificação. Nela, Hamilton retornou ao "mundo das poles" e com ela resumiu a temporada - ele que, sempre que viu oportunidade, discursou sobre a dificuldade em ter pegado o jeito do carro acabou ajudando na crença de que havia certo "equilíbrio" nas disputas deste ano. Coitado, ele estava sofrendo com o carro. Que dó!

A questão certa é que as Mercedes sobraram, a Ferrari tomou os holofotes não pelo desempenho, mas pelos feitos (e "desfeitos") seus pilotos, as burrices estratégicas e a má gerência de Mattia Binotto. Essas duas últimas circunstâncias na Ferrari reacendeu uma força na Red Bull de forma bem incisiva, como justo em Abu Dhabi pudemos comprovar.
No que podemos reavaliar é que a Mercedes esteve o ano todo fazendo o básico e ainda passando um rolo compressor em todos, sem deixar sequer uma chance para as demais tentarem colocar uma pressão mínima que fosse na equipe prateada.

A Ferrari, como ressaltei, se destacou pela sua incapacidade de gerir classificações, corridas, pilotos e o próprio nome, ouso acrescentar. Foi vítima de chacota (e com razão) em todas atrapalhadas que produziram. Salvo o triunfo no quintal de casa (Monza), houveram poucos casos para os "tifosi" se orgulharem de serem, "tifosi".
Para Abu Dhabi as coisas estavam especialmente complicadas para a dupla de pilotos da Scuderia. Depois de protagonizarem uma desnecessária disputa em Interlagos, Charles Leclerc e Sebastian Vettel perderam a chance de se aproximarem de Max Verstappen para uma das únicas coisas que ainda precisava ser decidida na temporada: a terceira colocação da tabela.

A causa independe, afinal o resultado acabou se tornando fato: o acidente entre eles tirou os dois da corrida. Lá na frente, Verstappen conquistava a vitória e sua missão estava praticamente cumprida.
Apostos para a terceira colocação, assim que o GP em Austin terminou, Leclerc possuía vantagem para a conquista: ele estava em terceiro, com 249 pontos, enquanto o holandês da Red Bull somava 235 e Vettel 230 pontos no geral. Em Interlagos, o que mais precisava trabalhar era o último dos três, pois estava na quinta colocação. Devido ao que já tomamos de conhecimento (uma equipe que não se interessa mais por ele e a grande pressão por resultados "fabulosos") o mais prejudicado pelo toque com companheiro acabou sendo Vettel, que ficou muito mais distante da conquista pela terceira colocação geral do que antes.
Leclerc se mostrou um tanto irracional no avanço contra o companheiro no GP anterior. Sabendo que Max venceria a corrida, a sua quinta colocação lhe renderia 10 pontos a mais no somatório. Max terminaria a corrida com 260 e ele, 259 pontos. Em Abu Dhabi a coisa poderia ser interessante, poderia ferver. Mas ele não dedicou tempo de contar esses pontos,  ou não teria feito o que fez.
Já Vettel, mesmo com 12 pontos a mais, somaria 242 e estaria ainda longe de seus "rivais". Suponho que, quando tentou retomar a quarta colocação em Interlagos, ele estava pensando no mínimo de pontos que poderia guardar no bolso, por isso tentou recuperar. 12 pontos era melhor que 10, no seu caso.
Colocado nesses termos aquela disputa em Interlagos pareceu ilógica, mas não foi nada do que o pessoal da Ferrari pudesse reclamar. Erraram o ano todo tanto com Vettel quanto com Leclerc. Tinham que engolir essa, e caladinhos.
Em Abu Dhabi a chance de engolirem à seco a derrota, dessa vez para a Red Bull, estava próximo dos 90%. Tudo começou com o atraso em mandar os pilotos para a última volta rápida no Q3. Resultado: P4 para Charles, P5 para Sebastian. Quem era o P3? Isso mesmo, Verstappen. A Ferrari "cavou" todas derrotas que tiveram no ano. Seus pilotos, e especialmente o mais criticado deles, Vettel,  não são o problema da equipe.
Se não fosse a troca de motor de Valtteri Bottas, Leclerc não poderia ter a chances de pódio, uma vez que estaria em quarto e as Mercedes viriam (como sempre) fortes e Max não entregaria nada sem lutar em Abu Dhabi.

De cara para o vento, Hamilton não teria intromissões de seu passeio dominical. 
Verstappen só precisaria de um bom ritmo para manter o P2 e fechar seu ano na terceira - ainda que ele seja um tanto petulante - merecida colocação na tabela.
Vettel, que desejava estar em casa com o recém nascido filho, parecia ter entregado os pontos logo depois da classificação. E com razão. Mais um erro da equipe, mais uma virada de costas, mais um balde de água fria, mais um caminhão de críticas. Estar desgostoso era o mínimo.
E Leclerc estava sob investigação por conta de uma irregularidade no peso do combustível. Pairou a informação antes da largada que ele poderia ser desclassificado. Os comissários decidiram analisar o caso depois da corrida. Isso já era um tanto tendencioso: para mim, ficou claro que só decidiriam dependendo totalmente do resultado. Caso Leclerc fizesse milagres ou Verstappen abandonasse, imaginei que a punição seria perder posições e/ou uma multa - claro, para evitarem que dissessem estar "protegendo" o garoto e a Ferrari.
No entanto, ele largou em terceiro e terminou em terceiro. Verstappen ainda era segundo. Nessa configuração, logo que a corrida acabou, mantiveram o resultado e decidiram apenas por um multa à Ferrari pela irregularidade.
A equipe salvou a corrida de Charles uma vez que não errou a estratégia com ele. Preferiram destruir a possibilidade de Vettel competir por um lugar ao pódio. Como fizeram? Chamando ambos para uma parada dupla e muito cedo. Não conseguiram fazer uma única parada descente para os dois numa mesma corrida o ano inteiro. Acharam de bom grado fazer as duas paradas, seguidas e com compostos de pneus diferentes para um e para o outro. Resultado: se afobaram com a parada de Sebastian e ele perdeu ritmo. Assim também, ele terminou no P5 tanto na corrida quanto na tabela.

Vettel teve um ano para esquecer. Obviamente ele não admitirá isso e colocará panos quentes caso alguém venha a perguntar. Mas é fato que 2020 será um martírio, dadas as "estatísticas" que a mídia  (inclusive grandes portais de notícias) esportiva tem esfregado na cara dos fãs da F1 sem pudor ou ética. Não há nenhuma preocupação de BBCs ou de comentaristas renomados em evitarem ser tendenciosos, arrebentando de vez com a carreira de Sebastian Vettel em termos de falatório e opinião (invejosa).

Para Leclerc será outro ano duro, mas não tanto. A pressão de ser piloto da Ferrari já está com ele faz tempo. No seu segundo ano com a equipe, ele precisará se forçar a cometer menos erros para poder cobrar e exigir que a equipe não erre com ele em 2020. Ainda há muito para aprender com Vettel, e ele deve aproveitar a chance de tê-lo como companheiro de equipe. Nenhum outro, sendo campeão mundial QUATRO vezes, o respeitaria mais do que Sebastian parece (a meu ver) respeitar.

Para Max as coisas começam a caminhar melhor, finalmente. Ele obteve um ano bem mais consistente. Seus erros foram bem menores que nos anos anteriores. Está certo que ele não enfrentou disputa interna na RBR, mas foi por pouco que Alexander Albon não começou a causar incômodo. Se estivesse com ele, como estará em 2020, desde o começo da temporada, pode ser que até que houvesse algum tipo de atrito entre eles.
Essa será uma dupla que já criou boa expectativa e que poderá colocar pressão na Mercedes ano que vem. Caso os planos de Bottas em superar Hamilton dê errado, é bem possível que Verstappen e até mesmo Albon possam deixar Hamilton um pouco (talvez só um pouquinho) preocupado em não conseguir o sétimo título mundial.

Sim, Hamilton deve concluir 2020 conquistando o sétimo título. Não será fácil como 2018 ou 2017. Talvez seja um pouco parecido com 2019. Ele pode experimentar um pouco mais de dificuldade. Pode ser que conquiste o título em Interlagos, como muitos fãs brasileiros da F1 torceram. Quem sabe até, conquiste em Abu Dhabi, para dar um sentido para essa pista ruim. E é aí que ele experimentará a dificuldade: Ganhar o campeonato nas últimas corridas é o máximo de sofrimento que ele e a Mercedes poderão ter em 2020.
Enquanto isso ele chorará muito a respeito desses probleminhas que surgirão e no fim, será exaltado como tem sido nos últimos 5 anos.

Para fechar, os destaques além do já mencionado sobre a tabela e outros assuntos:
► Excelente sexta colocação de Carlos Sainz e a Mclaren, com seus 96 pontos. Interessantíssimo ver a Mclaren minimamente competitiva de volta e ainda, com uma das duplas de pilotos mais legais do grid, com Saiz e Lando Norris. O garoto ficou em 11º em seu ano de estréia e com 49 pontos bem maneiros para um começo como piloto titular.

► Pierre Gasly e Alexander Albon ficaram com 95 e 92 pontos respectivamente e trocaram de lugar no meio da temporada. Apenas Albon não teve o seu pódio, mas Gasly, depois de rebaixado, pode experimentar essa ideia no Brasil, algo bacana de se ver.

► Daniel Ricciardo na nona colocação com 54 pontos comprova uma expectativa que eu temia que fosse realidade no começo do ano: a Renault não é equipe (ainda) para oferecer algo a altura de Ricciardo.
Com a demissão de Nico Hulkenberg, uma das coisas mais chatas (e porque não, idiotas) da temporada, a Renault receberá em 2020, Esteban Ocon (de volta à F1). Fica difícil não torcer contra, ainda mais sabendo que Hulk acabou por ficar sem vaga em 2020 - e por ser "pessimista" (oi?!?) demais.. Em tese, sua carreira acabou na F1 (embora ele não descarte o retorno) sem contar pelo menos com um pódio. Terminou seu último ano em 14º, e 37 pontos. Uma colocação ruim e poucos pontos revelariam uma "justificativa" para o seu desemprego. Porém, estou segura em dizer que tais números não condizem com a realidade.

► Sergio Pérez fecha o top 10 de 2019, com  52 pontos. Seu companheiro e filho do dono da Racing Point, Lance Stroll fechou o ano em 15º, e marcou 21 pontos. Sua vaga seria - sem sombras de dúvidas - muito melhor aproveitada por um piloto como Hulk. O garoto rico é um desperdício de cockpit.

► Kimi Räikkönen fez o que pode com a Alfa Romeo e terminou o ano em 12º com 43 pontos. Já seu companheiro novato, Antonio Giovinazzi não produziu legal, mas o suficiente para o ano de estréia, numa equipe que nem mesmo pode ser considerada de meio de grid: fez 14 pontos e o 17º lugar.

► Daniil Kvyat obteve miseráveis 37 pontos na Toro Rosso e viu os dois companheiros, tanto Albon quanto Gasly ficarem muito mais à frente dele. Seguirá com Gasly na equipe que agora se chamará Alfa Tauri e não mais Toro Rosso. 

► Por fim, as tristezas: a Haas, com Kevin Magnussen e Romains Grosjean tiveram participações bem ruins. O primeiro fez 20 pontos e ficou com o 16º lugar. O segundo marcou miseráveis 8 pontos, ficando em 18º. A Haas era um dos possíveis destinos de Hulk e eles optaram por manter a dupla atual. Embora eu tenha tomado partido em favor à Grosjean esse ano, não irei dizer que uma das vagas - a dele - deveria ser de Hulk, pois a Haas é uma péssima equipe. Eu tenho é pena dos pilotos, isso sim.
Outra equipe ruim (mas não pelos seus pilotos, novamente) foi a Williams. Apenas Robert Kubica marcou um ponto, ficando em penúltimo. Criticado aos montes, voltou à F1 e está de saída novamente. Não é mais aquele Kubica que conhecíamos. 
George Russell o outro novato, acabou zerado. Terá, em 2020, um piloto pagante como companheiro: Nicholas Lafiti, vice campeão da F2. O futuro dirá, mas poderá ser mais um desperdício de cockpit - ainda que seja na "em ruínas" Williams.

E assim terminamos 2019. Não foi excelente. A gente clama por mudanças. Quem sabe até março de 2020 a gente não começa alimentar as ilusões de novo?

Cá está e os palpites de vocês estão abertos. Se esqueci de algo, basta comentarem.


Abraços afáveis!

PS: Peço desculpas pela demora da última coluna pós corrida do ano. Havia um texto ponto para ser publicado ontem, mas o site não salvou. Garanto a todos que o texto era bem melhor que esse.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Pré Abu Dhabi: Última corrida da temporada 2019

Neste fim de semana teremos o último Grande Prêmio da Temporada 2019 da Fórmula 1.
Mas, o GP é em Abu Dhabi. Um circuito que é apenas esteticamente pomposo, mas que oferece pouca emoção competitiva como outros circuitos do calendário.
Portanto, para a comunidade de fãs da F1, a insatisfação se dá por dois fatores mais fortes: é a última corrida até março e é em uma pista pouco atrativa.
Especificamente para alguns de nós, essa tristeza não é apenas bidimensional.
Uma das situações é que, pragmaticamente, não vale muita de nada essa corrida. Não há muita importância saber quem será terceiro, quarto, quinto ou sexto na temporada. A não ser que, a gente torça para quem está ali na disputa dessas colocações.
Duas que, por conta de três ou quatro corridas boas do ano, o saldo da temporada acabou sendo muito positivo entre os fãs, especialmente os recentes. Mas a temporada se conclui com mais do mesmo, sem nada para se empolgar demais, especialmente quanto à campeonatos de construtores e piloto.
Sendo Abu Dhabi a última corrida do ano, uma dessas que a gente descartaria do calendário sem pensar duas vezes, ela sucede uma que muita gente se empolgou para valer.

Poderia ser que estavam nossas terras, mas o GP de Interlagos acabou sendo uma das melhores corridas do ano, ao lado de Áustria e Alemanha, no top 3. Para o top 5, dá para acrescentar Monza e Singapura. E mesmo assim, vamos para Abu Dhabi, para fechar o ano.
Conscientes de que valerá pouca coisa, muito que reserva Abu Dhabi pode já estar escrito, à ponto de se concretizar com certa facilidade: a terceira colocação para Max Verstappen está quase garantida - graças a seu empenho em algumas corridas, inclusive no Brasil e graças também à má administração da Ferrari durante "tooooodo" o ano de 2019.

E por falar em Ferrari, a única pendência para esse campeonato que teria a chance de se resolver em Abu Dhabi, envolve justamente os pilotos dessa equipe. Ambos saíram "queimados" do GP de Interlagos por terem se envolvido num acidente que, como a maioria deles, poderia ter sido evitado. A grande questão é que a ação de evitar toques sempre carrega a discussão de quem seria a culpa quando acontece. O pensamento sempre vai a diversas análises:
a) se o piloto x deixou espaço suficiente da pista para o piloto y;
b) se o piloto x (ou y) acertou ou errou o ponto da freada;
c) se havia algum problema no carro dos pilotos envolvidos;
E etc.

Em Interlagos, o acontecido entre Sebastian Vettel e Charles Leclerc era um incidente de corrida que tirou ambos da disputa pelo terceiro lugar na tabela - e que, com a vitória no mesmo GP, ficou muito mais propício para Verstappen que para um dos dois. O toque também propiciou que Alexander Albon fizesse uma corridaça (se não fosse o hexa -espetacular-campeão Lewis Hamilton, teria ido ao pódio), assim como Pierre Gasly e (após a punição) Carlos Sainz tivessem os primeiros pódios de suas carreiras na F1.
O que houve entre os pilotos da Ferrari foi simples: Charles decidiu passar o companheiro, que não aliviou. O troco foi dado por Seb, e Lerclerc também não aliviou. Conclusão: Suspensão quebrada e pneu furado. Ambos ficaram fora da corrida.

Quem foi o culpado? Há duas respostas para essa pergunta.
A primeira é "Os dois são culpados".
Para isso, justifica-se: Os dois são culpados pois, nenhum aliviou, mediu, pensou, analisou as possibilidades de investir numa ultrapassagem e/ou mantê-la. Tudo por um quarto (e miserável) lugar. O foco de manterem-se na pista os ajudava matematicamente, afinal estavam na disputa pela terceira (ainda que morna) colocação no campeonato.
Decidiram e optaram pelos seus próprios egos - o orgulho manifestado em Leclerc é o de piloto promessa, futuro de campeão da Ferrari. O de Vettel é orgulho de ser tetra campeão, que não aceitaria uma ultrapassagem qualquer. Para o primeiro se tivesse dado certo, estaríamos enlouquecidos, rotulando Charles como espetacular. Alguns torceriam muito para que a Ferrari fizesse um carro competitivo em 2020 para ver o embate dele com "o melhor do mundo", Lewis Hamilton.
Notadamente, com essa situação, aumentaria demais "os gritos" clamando por uma aposentadoria de Vettel. Agora se este tivesse tirado Leclerc da corrida, aqueles sussurros abafados de que Vettel é sujo e ignorante com quem é "mais talentoso que ele", se transformaria em gritos. Seus fãs - ainda que parecem poucos - cansariam de dar exemplos e expor qualquer argumento em favor de seu ídolo, a ponto de, talvez, "perderem a voz".

Há outra resposta para "quem foi o culpado", lembram? Pois bem, e essa resposta é "Nenhum deles".
Já justifico: Nenhum tem culpa na disputa, mesmo que fosse apenas por um quarto lugar. Nenhum tem culpa, pois ambos queriam (e querem) ficar com a terceira colocação no campeonato.
Vettel queria (e quer) ser o terceiro em 2019, pois é tetra campeão. Como experiente, já mostrou muita inteligência na pista, mesmo neste ano em que choveram críticas. Um destes bons episódios foram as suas decisões estratégicas e sua luta pela vitória em Singapura. 
Além disso, foi um ano duríssimo para ele. É visível que a Ferrari já o deixou de lado (algo que eu mesma disse, no ano passado, quando projetei o futuro da Ferrari com a contratação de Leclerc). E ele, pela história que tem, não iria deixar fácil que aquela ultrapassagem não tivesse troco, ainda mais estando longe de conquistar esse terceiro lugar na tabela. Não aliviou. Não se espera que alivie sendo um tetra campeão. Se esperavam que ele fizesse papel de trouxa o ano todo, então o errado aqui não é ele, é quem pensou assim.
Leclerc queria (e quer) ser o terceiro na tabela dessa temporada. Está no seu segundo ano de F1, seu primeiro na Ferrari, equipe dos seus sonhos desde que começou a correr. Ficando em terceiro, estaria apenas atrás das duas Mercedes, então arrumar para que essa conquista ficasse mais próxima do real, seria uma vitória para ele e também para a Ferrari, pois garantiria (mais ainda) o posto de número um da Scuderia. Podemos julgá-lo por tentar avançar sobre o rival que, estando à frente, poderia dar trabalho na última corrida do ano? Não. Assim, não aliviou. E subestimou o companheiro achando que ele facilitaria a sua investida.

Isento ambos de culpa, pois tudo isso acontece muito rápido na cabeça dos caras. Nós analisamos o acontecido depois com textões, podcasts e vídeos no Youtube, mas naquele momento mesmo, tudo aconteceu numa fração de segundo.
Vocês sabem, pois todos nós passamos por isso: para se fazer algo que se arrepende, basta ter agirdo (errado) num piscar de olhos.
E arrependimentos ocorreram por parte de ambos: Vettel estava visivelmente frustrado. Não foi aos boxes e ficou parado olhando tirarem seu carro da pista com reações negativas.
Seu rosto não demonstrava ódio, apesar de ter xingado muito no rádio. Leclerc também tinha se exaltado, mas em seguida, sumiu e não foi se retratar com o companheiro.
Do lado de cá as pessoas torciam por socos e tapas. Mas a questão ficou de um jeito bem mais civilizado. Em tese eles se evitaram, o que foi a melhor escolha. Numa dessas, de cabeça quente, teriam dito e feito coisas que poderiam romper de vez a relação para uma convivência nociva. 
Mattia Binotto evitou dar declarações conclusivas. Inventou de dizer que depois eles sentariam para conversar e isentou, por um momento, a culpa deles. Deixou claro uma coisa: ambos estavam livres para disputarem posições. Abriram as portas para a discordância competitiva, mas não a desavença pessoal, entendam.
O arrependimento de Leclerc transpareceu nas redes: ao ver fãs xingarem Vettel, ele próprio denunciou os perfis que publicaram ofensas. Alguns casos vieram ao conhecimento do público e rachou novamente a opinião de fãs: que soube, louvou a atitude do monegasco. Outros ficaram com um pé atrás com Leclerc por ter defendido o então acusado de culpa pelo incidente. 

Após declarações, Binotto exaltou algo que relação dos pilotos é boa, apesar do que dizem por aí. Fica difícil acreditar nesse cara depois de toda a sua má gerência. Porém parece, apesar disso, que é bem por aí. Uma relação boa, mas não de amor pleno. 
Para quem compra a ideia de que Vettel e Leclerc sairiam no tapa como duas crianças birrentas, peço que assistam todas as brincadeiras pré GPs que a Ferrari fez com os dois e divulgou nas redes sociais oficiais da equipe. Reparem como eles agiam um com o outro. Adultos como são, competitivos como muitos, sabem melhor que muitos de nós separar profissional do pessoal. Não havia alfinetadas, nem caras feias. 
Mesmo assim, se deram muitas brigas na internet, especialmente por partes dos seus fãs. Uns defendendo Charles, outros atacando muito Vettel. Os haters do Vettel é maioria, ainda que não se sabe o real motivo.  
Entre os pilotos, indícios davam conta de estarem tranquilos, apesar do silêncio. A mãe de Leclerc brincou em seu perfil com a batida do filho com Seb. Porém Vettel, que já era consumado vilão da história, tinha a sua redenção duas semanas depois de Interlagos - ou seja, nesta semana. Não tem rede social, não se defende através da mídia. Mantém sua vida pessoal muito "escondida". Faz o certo, embora deixa em suspenso a sua chance de se retratar e mostrar sinceridade. 

A mídia tratou de colocar lenha na fogueira: escalou Vettel e Leclerc para a mesma coletiva. Esperavam pelo tradicional "fogo no parquinho". 
Mas Seb não iria aparecer: seu terceiro filho, estava a caminho e chegou ao mundo, ontem. Sua chegada ao paddock estava adiada para essa sexta. 
Não foi difícil esperar por isso: logo apareceram sabichões a acusar Vettel de fugir da responsabilidade de responder pelo enrosco com o companheiro em Interlagos. 
Essa é a culminância da temporada, mesmo antes da última corrida: passamos um ano inteiro de fofoquinhas e picuinhas. Pouco assunto da categoria foi tratado com seriedade.
 Houve um aumento, significativo de fãs do sexo feminino. Tivemos uma "superlotação" de perfis fazendo memes ou curtindo da cara de alguns pilotos. Alguns destes perfis todos - diz a boca pequena - nem eram tão fãs dos pilotos que estão nas capas de suas páginas, mas criaram "empatia" (para não dizer outra coisa) e se popularizaram nas redes - em especial o Twitter. Em meio a estes, haviam os perfis que, estavam lá já fazia muito tempo, e estavam muito empolgados com uma temporada que começou muito ruim, teve seus bons momentos e pode ter um fim bem condizente e semelhante ao seu introito.
Na F1 em si, logo que tivemos um começo de ano bem chato e sonolento, do nada as corridas começaram a ficar boas e até surpreendentes. Pareceu ajeitado para uma empresa de streaming famosa engatilhar uma segunda temporada de seriado com os bastidores. No ano anterior, a primeira temporada forçou a barra em muitos fatores para trazer certo drama. Dessa vez, nem precisarão "ajeitar" os capítulos: está recheado de polêmicas, de reviravoltas, de embates e rivalidades, de triunfos. Se quiserem, tem até como mencionarem romances rompidos. 

Se Abu Dhabi vai ser bom, eu tenho lá minhas ressalvas. Mas por via das dúvidas, a gente vai com vontade para esse sábado e domingo, afinal, ficaremos abstentos de F1 até março de 2020. Quase quatro meses sem sermos iludidos é muita coisa, admitimos!

Até segunda!!! E boa corrida para todos!
Abraços afáveis!

terça-feira, 19 de novembro de 2019

GP do Brasil por Yasmin Farias

Pessoinhas, cá estou com o texto programado como oficial do GP do Brasil. Trago um texto lindão da Yasmin que este ano está lá na terra de meus bisavós, em Portugal, e acabou assistindo de muito longe a corrida, depois de tantos anos estando lá mesmo, em Interlagos, acompanhando de pertinho toda a movimentação do evento.

Confiram que está ótimo!!

***

Grande Prêmio do Brasil por Yasmin Farias

Ah Interlagos...
Com muitas saudades de casa e com aquele sentimento de nostalgia que sempre acaba por aparecer quando não vou a Interlagos, posso chamar de melhor Grande Prêmio do ano sem dúvida nenhuma, apesar de tudo estar decido a favor da Mercedes, o GP do Brasil surpreendeu por lotar vários setores e uma mistura de vários sentimentos como indignação, raiva, esperança entre outros mais...

A corrida já prometia com o trio que tínhamos no pelotão da frente e aposto que não fui a única que pensou que na descida do S do Senna poderia ter ou não algum enrosco entre Verstappen, Vettel e Hamilton, acabou que o inglês passou de boas pelo alemão sem problema nenhum e assim começou a briga pela ponta.

Podemos ver depois de muitas corridas, o carro da Alfa Romeo largar entre os dez primeiros, o que não acontecia desde as férias de verão (e se eu estiver errada me corrijam) e podemos ver o Kimi novamente mostrando para Grosjean que não é bem assim pra passar e o mesmo vale para e o mesmo podemos dizer para nosso menino de ouro Leclerc que levou um belo chega pra lá do Lando Norris.

Hamilton, que não conseguia chegar no Verstappen, começou a falar em perda de potência (o que eu particularmente não acreditei ele sempre tem alguma desculpa quando o carro não está do jeito que ele gosta...). Até então, tudo seguia nos conformes, mas parecia que uma luz divina que iluminou ainda que por pouco tempo a Ferrari e chamaram Vettel para colocar o macio e até eu não sou fã do alemão, estava por ver o parquinho pegar fogo, quando vemos Bottas que até então estava com volta rápida ver o motor dando adeusinho...

Safety Car na pista chegou dar aquela emoção, porém o mais experto de todos que brigavam pelo lugar mais alto do pódio, foi o Verstappen, que logo fez o pit e colocou o supermacio para sair voando às tranças e garantir a vitória...

Gostei de ver o Gasly mostrando para o Hamilton que ele pode ter até seis títulos, mas briga é briga... E falando em Hamilton, totalmente desnecessária a batida no Albon, porém pior que isso, só a organização da F1, que demorou para penalizar o inglês e tirar o brilho de ver o Sainz no pódio! E gente: depois de muito muito, muito tempo ver a McLaren em um pódio sem ser "zueira" de Fernando Alonso é bom demais! ☺️  Palmas também para a Alfa que colocou os dois carros entre os dez" ☺️

E agora minhas amigas e meus amigos, vamos ao ponto alto da maior treta que está rolando no Facebook, no Twitter, na Alemanha, em Mônaco, entre os Tiffosi, demais Ferraristas, fãs de Vettel e do Leclerc, digo uma coisa: - FOI BRIGA NORMAL DE CORRIDA!!!!!
O Vettel não é vilão da história (nem eu acredito que escrevi isso), muito menos o Charles resolveu virar o volante em direção ao carro do companheiro de equipe (e sim eu vi pessoas, se prestarem a fazer printscreen e criar teorias sobre isso ). Vimos ambos irritados, como eles vão organizar a “casa” daqui pra frente, realmente não sei, mas que é preciso alguém tomar a frente, isso é verdade, porém eu me pergunto, se não fosse pelos constantes erros da própria equipe, teríamos ambos em condições para brigar pelo título, agora a pergunta que não quer calar, vocês escolheriam priorizar o tetracampeão ou o futuro campeão?

O Gp do Brasil vai deixar imensa saudade e emoções. Até a monótona ou não: - Abu Dhabi!!

Beijokas 
Myn

***

Resumo completo de como foi a corrida sob um olhar criterioso de quem já esteve lá em Interlagos várias ocasiões e entende de F1 como ninguém.
Obrigada Myn pelo carinho e pelo texto! Foi demais, amei mesmo!!! 

Ainda que falte mais uma corrida, esse ano contei com excelentes textos aqui. O primeiro foi da leitora Carol Almeida, sobre o GP de Singapura, colocando os seus bons comentários não na caixinha abaixo do post, mas de forma destacada, como era a minha intensão. 
Em seguida, um dos melhores administradores de página sobre automobilismo que conheço, aceitou meu convite e escreveu um texto muito superior em qualidade ao que é o GP russo. Paulo, do Continental Circus escreveu esse espetacular texto aqui
No mês de outubro, tivemos minha amiga querida, Carol Monteiro, com não só o seu olhar jornalístico para o GP do Japão, mas também compartilhou uma matéria sobre ser também torcedora da Ferrari. Seus textos foram textos fabulosos!! 
Eu entreguei um texto para o GP do México, mas como sabia que estava perdendo algo com a experiência das participações, tratei de correr atrás de mais dois textos para o GP dos EUA, para compensar o anterior. Um dos textos é do meu amigo Ron Groo e outro do Márcio Kohara, ambos, grandes caras que tive o prazer de reservar o espaço para seus textos aqui no blog.
E agora, Yasmin, companheira minha e de Carol, que conversamos todo dia num grupo recheado de zueira, memes e piadas internas, trouxe um texto especial para um GP especial. 

Como vai ser Abu Dhabi, ainda não sabemos. Mas se a temporada contou apenas com meia dúzia de corridas boas, aqui, eu tratei de trazer coisa legal para a gente ler em todas as etapas!
Obrigada amigos!!! Vocês são demais!!

Abraços afáveis!

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 20: GP do Brasil

Senhores, senhoras, "senhoritos" e senhoritas,

O texto base, com participação de uma amiga ainda será em construção, e logo compartilho com vocês.

Como esses dias foram corridos e pouco produtivos aqui neste espaço, decidi avisar que ainda existo com meus adendos sobre o GP em nossas belas terras. Tentarei fazer do meu post hoje direto e reto. A razão para isso, além de retomar o nosso fluxo de postagens é outro bem simples: haverá um belo texto para "comemorarmos" o GP do Brasil e com esse aqui, já faço um "esquenta" para esse momento.

A presença da F1 em Interlagos foi envolta por um assunto: a mudança de "casa" para sediar o evento. Este ano, o atual governo levantou a possibilidade de transferir a F1 para o Rio de Janeiro. Há quem discorde muito, quem discorde um pouco. Houveram comentários dos pilotos, em sua maioria, contrários a mudança... Uma série de coisas envolvem toda essa circunstância e, mesmo que Interlagos tenha se mostrado mais uma vez completamente necessária para o calendário da F1, sabemos que estamos lidando com um cabeça-dura. 

Aproveitando o que escrevi - que Interlagos acaba sendo um circuito que não deve ser considerado fora de um calendário da categoria - o que aconteceu na edição de ontem (a 36ª oficial) pode ser um dos bons argumentos para mantê-lo. Embora tenhamos perdido a chance de fechar o calendário, Interlagos sempre proporciona uma ou duas viradas de resultados que não premeditamos. Seja por chuva ou por pequenas disputas, Interlagos não é monótono.
Infelizmente, ontem estava dando pinta de que seria. Até que no fim, sem chuva nem nada, tudo passou a dar sinais de trazer a vigésima etapa para a companhia de outras como uma das melhores do ano.

Sintam comigo como ao longo do tempo, a corrida teve uma virada crucial para tornar-se uma das melhores:

► Pole de Max Verstappen, seguido de Sebastian Vettel e Lewis Hamilton. Charles Leclerc largaria na 14ª posição devido uma troca no motor e via uma batalha dura à frente, valendo a terceira colocação na tabela, que disputava com o companheiro e com o pole position. 
Lewis fazia graça, com ímpeto competitivo, apesar de não ter nem seu chefe Toto Wolff por perto. Sebastian Vettel deveria (mas não foi) ter um destaque maior com a sua corrida número 100 pela Ferrari. 
E Max só poderia dar o melhor de si para recuperar o fiasco que acabou sendo a sua corrida do ano passado, aqui mesmo. 

► Largada normal, Max acelerou e Hamilton tomou a segunda colocação de Vettel. Um minuto depois, Leclerc já era 11º. O que não se comentava com o mesmo fervor era Sainz que saiu de último para 16º na mesma volta. 

► Por volta da 5º volta, Leclerc era 8º e Sainz, um pouco mais tarde, 13º.

► Volta 8 e Ricciardo se enroscou com Magnussen. Abriu-se investigação e Ricciardo foi considerado culpado pelo pequeno toque. 

► Por volta da 22, Hamilton faz o seu pit stop e optou por pneus macios, ficando em sexto lugar e acompanhando a estratégia de duas paradas. Max que vinha em ritmo forte, parou na volta seguinte, com pneus macios. Graças à uma atrapalhada da Williams por ter liberado Kubica muito na frente de Verstappen, o holandês acabou atrás de Hamilton. 

► Menos de uma volta depois, Max abriu a asa e passou Hamilton. 
Começou o festival reclamação de Lewis. Todos os rádios que se seguiram era alguma frase gritada do inglês apontado uma estratégia errada dos pneus ou um carro sem potência.

► Vettel fez a sua parada e colocou pneus médios, dando a entender que iria até o fim. Os rádios raivosos do Hamilton se seguiam, dessa vez o inglês achava difícil acompanhar o ritmo de Max. 
Nunca, em toda a minha vida, eu quis tanto estar no lugar do cara que responde o Hamilton, só para mandar essa:


► Terceiro colocado, Vettel fazia o melhor tempo, e na volta seguinte (lá pela volta 30), Leclerc fez o pit stop, saindo com pneus médios que também deveriam durar até o fim da corrida.

► Na volta 30, Leclerc havia ganhado 8 posições, estava em sexto. Enquanto isso, Vettel é o mais rápido que os dois à frente, estando em terceiro.

► Até pouco mais que a volta 40, a única coisa agitada da corrida é a mudança de direção do vento. A monotonia dava as caras. Os segundos pit stops começam com Bottas, em seguida, Hamilton.

► Verstappen parou e voltou atrás de Vettel. Mais atrás, Bottas decidiu atacar Leclerc em disputa pela quinta colocação. O monegasco se defendeu e Bottas seguiu com a sua sina de não ser digno de guiar uma Mercedes - embora Hamilton também enfrentasse certa dificuldade com o carro, ontem.

► Verstappen diminui a vantagem, e Vettel parou mais uma vez, caindo para quarto. A estratégia de uma parada, não seria possível.
Faltando 20 voltas para o final, "nothing new"... Albon fazia o segundo pit stop e Vettel retomava a terceira colocação. 

► Volta 53, Bottas abandonava a corrida. Safety Car na pista. Parecia roteiro de filme. Iniciava ali duas sessões: a de terror para uns, a de comédia para outros. 
Hamilton não reduziu a velocidade nos trechos com bandeira amarela. Nada aconteceria com o inglês, pelo contrário, o SC o ajudaria na sua incapacidade de se aproximar de Max. 

► Verstappen e Leclerc mudaram para os pneus macios. Assim a deixa para Hamilton ser ponteiro e reclamar mais um pouco. Tem SC na pista, tem Hamilton ligando o rádio para informar a "lentidão do carro de segurança"...


► Reorganizam-se os carros e a relargada teve início lá pela volta 59. A relargada ocorreu de forma boa, pois Max retomou a primeira colocação. Fantástico!!!
A sutil nulidade do hexacampeão perante o garoto maluco era uma coisa interessantíssima de se ver... Para melhorar um pouco, o terceiro colocado, Albon colocava uma pressão extra no inglês. E eu passava a torcer com muito fervor (apesar de estar me sentindo doente) pela dobradinha da Red Bull. 

A 8 voltas para o final, Vettel tentou ultrapassar Albon e não conseguiu. Para junto deles, se aproximou Leclerc. Os três queriam a terceira colocação, de qualquer jeito. 

► Volta 66 se deu como a pior de todas: Leclerc atacou Vettel e conseguiu a quarta colocação por um piscar de olhos. Tentando dar o troco Vettel retomou a posição sem afrouxar para o companheiro. Leclerc também não aliviou. Resultado: um toque, pneu traseiro furado do Vettel e a suspensão dianteira quebrada do Leclerc. 


As culpas são de parcelas idênticas, para um e para o outro. Porém, por aí há um sem número de analíticos e jornalistas a culpar Sebastian Vettel.

*Adendo rápido: Vettel enfrentará um ano de 2020 complicadíssimo. É uma grande pena ver a que ponto chegou a "zueira" e a depreciação propriamente dita com o alemão, tanto por parte da equipe Ferrari, quanto por parte dos fãs do automobilismo.*

► Safety car de novo na pista. Não houve encontro de Leclerc e Vettel. O alemão ficou próximo ao seu carro e esfregava o rosto com as mãos em descontentamento e chutava pedrinhas. Não havia nada a ser feito a não ser, lamentar.
Enquanto isso, Verstappen, Albon e Gasly (!!!) eram os três primeiros. Hamilton era quarto, por um a brecha de pitsotp. 

► Na segunda relargada Gasly não conseguiu segurar o afoito Hamilton. Ele estava totalmente exposto ao que realmente é, sem Toto por perto. Aquela premissa de cara forte mentalmente cai em segundos quando os planinhos dão errado.
Numa destas o inglês bateria em alguém e eu questionaria o seu sexto título quando está sobre pressão. Oras, se questiona o Vettel ter vencido 4 títulos, mas não se questiona quando Hamilton faz os seus shows só porque ele AINDA tem um carro muito estável e por essas, não erra muito.
Ele estava totalmente exposto ao que realmente é, sem Toto por perto...

► Apenas pensei e Hamilton prejudicou Albon numa disputa e o fez rodar na pista. Albon caiu para muito atrás da zona de pontuação. 
E eu fiquei possessa com a injustiça...

► Quando Max cruzou a linha de chegada, Hamilton estava colocando o carro de lado para passar Gasly. Por muito pouco, a Toro Rosso ficou com a segunda colocação, com a Mercedes do lado, pouco atrás. 
Abriu-se investigação para Hamilton sob a sua movimentação com o Albon e os comissários não decidiram à tempo de termos Carlos Sainz devidamente no pódio.
Ah, lembram do Sainz? Pois é, estava ali, fazendo um ótimo trabalho depois de largar em último!

► Nas decisões, Sainz ficou com o terceiro lugar, o primeiro pódio da McLaren após 5 anos, e também o primeiro pódio do espanhol. Não estourou um champanhe no modo convencional, mas o que valeu, valeu. 
Kimi Räikkönen ficou com a quinta e Antonio Giovinazzi com sexta colocações. As Alfas arrasaram em Interlagos! 
Hamilton recebeu 5 segundos de acréscimo e ficou em sétimo (risos frenéticos). 

Antes da corrida, a disputa pela terceira colocação da tabela estava entre Leclerc, Verstappen e Vettel, cada um com 249, 235 e 230 pontos, respectivamente. 
Vão lutar por essa terceira colocação em Abu Dhabi, com as chances mais favoráveis e propícias voltadas para Max. Com as Ferraris se engalfinhando, o quadro mudou: agora é Verstappen (com 260 pontos), Leclerc (249) e Vettel (230). Vettel só é candidato a terminar o ano em quarto, já que mesmo que vença na última corrida, e faça a volta mais rápida, somará 256 pontos. Max ainda pode nem terminar a corrida e ficaria à frente de Seb. 
O caldo ferve (ainda) entre os companheiros ferraristas. Eles vão para a última corrida, livres para disputarem entre si, e talvez, protagonizarem outra cena "capciosa" ou talvez a melhor colocação seja "polêmica", como a de ontem.
Chances essas de proporcionar espetáculo e muito disse-me-disse dos sabichões de plantão onde quer que estivermos.

Para finalizar, devo ressaltar: houve 3 grandes corridas neste ano - Áustria, Alemanha (que vai sair do calendário já em 2020 e isso é ridículo...) e possivelmente, Brasil. Todas as três, coincidentemente, com vitórias do Verstappen. A de ontem, faria os detratores dele ficarem bem quietos. Não houve nenhum erro que justificasse a sua falta de inteligência que, as vezes, sobressai e o prejudica. 
À estas, podemos acrescentar Monza e (quem diria) Singapura, como corridas com pontos interessantes e chamativos. Estou trazendo mais duas corridas, pois, no total de 21, é muito vergonhoso postular que apenas 3 foram realmente de tirar o fôlego. Forçando a barra, pego mais duas e brinco que cinco salvaram uma temporada que, em 2/3 dela, pareceu roteiros propícios para a  série da Netflix. 
Mas a F1 ainda não está morta. Ou ainda não afetaria tanta gente, inclusive nós, como afeta.

Volto em breve com o texto da minha amiga Yasmin. Comentários abertos!

Abraços afáveis!!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 19: GP dos EUA

O GP das Américas havia se desenhado antes mesmo (talvez) dos treinos livres. E eu já havia trabalhado um pouco com as minhas expectativas para evitar qualquer frustração e ilusões. 
Assim, viria para a postagem pós corrida, precavida: Para evitar um texto longo e ranzinza como foi o do México, refiz os convites aos amigos mais eloquentes no assunto F1. E garanti não só um texto excelente para vocês, como dois, porque a Manu aqui, é dessas. 
Primeiramente, insisti com o Ron Groo, companheiro de blogs, de Fantasy da NFL e um comentarista de música de primeira, para fazer uma contribuição para mim. Este ano, ele deu uma parada nos suas postagens da F1, mas a meus pedidos, fez ontem esse texto delicioso para um GP morno e (porque não?) sem graça lá em Austin.
Confiram!!

***

Grande Prêmio das Américas - por Ron Groo 

Ultimamente tenho preferido ver jogos da NFL, quando a temporada está em andamento, do que corridas de F1 que conflitam nos horários.
Até porque, os conflitos geralmente são com os monótonos GP’s do México, que nem vi por não ter energia elétrica no bairro e o GP dos EUA, no não menos monótono Circuito das Américas.
Porém, no entanto e com tudo... Esta edição poderia sagrar o campeão da temporada.
Como foi no ano passado e como tem ficado meio manjado desde a aquisição da F1 por um bando de americano esquisito.

E já que falei em NFL, vou traçar um paralelo meio bobo para a situação de Lewis Hamilton neste momento.
Hamilton seria o kicker no momento de chutar o field goal que pode dar a vitória para seu time nos minutos finais do quarto período.
E nem é um field goal de longe não... Um field goal da linha de dez jardas. 
Coisa que para bons kickers é chamada de: “automático”.
Para ser campeão nesta corrida, Lewis precisa de apenas quatro pontos.
O bom kicker pode errar? Claro...
Lewis pode não marcar os quatro pontos? Também... 
Mas para qualquer analista (bom ou ruim) tanto do FA quanto da F1, ai é automático.

Começa que larga da quinta posição enquanto o único que pode lhe tirar a chance de ser campeão nos EUA (porque lhe tirar o título é algo que ninguém no universo acredita que possa acontecer) sai da pole.
Porém, esse tem sido um campeonato de seis carros: dois da Mercedes; dois da Ferrari e – teoricamente – dois da Red Bull.
Em uma corrida com nível de azar médio, ele seria o sexto colocado e já bastaria.
Em uma com nível de azar hard, não completa a prova. Com tempo bom, condições normais e conhecedor da “bundamolice” dos que estão prestes a ganhar o título com antecedência, o nível hard é quase impensável.

A largada trouxe uma surpresa: Hamilton passa as duas Ferrari ainda antes de completar a primeira volta.
De quinto, passou a primeira volta em terceiro.
Vettel transformado em corre mão de estação viu todo mundo passando por ele, inclusive a McLaren de Lando Norris.
Se tinha alguma esperança do segundo piloto da Mercedes, com esta largada deve ter perdido. 
Todo castigo pra trouxa é pouco. Dane-se segundo piloto da Mercedes.

E com sete voltas a coisa ficou como todo mundo esperava.
Com o segundo da Mercedes na frente, sem ser atacado, e Hamilton tranquilo em terceiro, com mais de cinco segundos à frente do Leclerc e chegando sem forçar na Red Bull do Verstappen.
Para ajudar, naquela narrativa dos seis carros, Vettel quebra a suspenção e abandona.
Agora são só cinco carros... O chute que seria automático parece que vai ser sem a defesa para tentar atrapalhar.

E a monotonia se seguiu passando pela troca obrigatória de pneus onde os que importavam optaram por pneus duros para tentar não trocar mais.
Hamilton foi o último a parar e voltou à pista em terceiro. Mais do que suficiente para a conquista maior do dia.

Mesmo com a surpreendente segunda parada do segundo piloto da Mercedes, nada de competitividade.
Outros seguiram na estratégia de mais uma parada.
Sem Vettel, e com Leclerc andando fora de combate, a conta dos seis carros caia apenas para quatro e com menos um, já que Albon também não combatia ninguém que importasse.
A monotonia já fazia com que eu me arrependesse de não estar assistindo NFL.

Faltando quatro voltas, o segundo piloto da Mercedes ataca Hamilton que nem faz esforço para se defender.

A bola foi colocada na linha de dez jardas, Hamilton foi lá e chutou no meio do Y, FG good.
Com o tempo que falta para o fim do jogo, mesmo fazendo TD, Bottas é derrotado.
Que bom que este campeonato já acabou...

***

É isso! Ainda bem que acabou! 
Antes de fazer meus comentários, queria agradecer muito o Ron Groo, por ter lançado mão de um texto ótimo, com referências à NFL (esporte que poderíamos ter continuado assistindo e teria sido mais produtivo) o que fez o GP em Austin parecer ótimo. 

De todo, não pudemos ter todas as flores do jardim. Tivemos os espinhos: transmissão mequetrefe (como sempre) com comentários raivosos sem propósito.
Ao final do chato circuito,  e com a vitória de campeonato de Hamilton, também não pudemos fugir daquela boa e velha premissa cantada em coro pelos comentaristas e jornalistas de que Lewis  é incrível e que estávamos presenciando a história sendo escrita. 

O sexto título nos apareceu em momentos muito fáceis e com carros e equipe altamente equilibrada. Sigo entendendo como seu primeiro título o único digno de nota, mesmo que tenha vencido por pouco às custas das más escolhas da Ferrari (sim, desde aquela época). Os demais cinco títulos, Lewis correu sozinho, com rivais de dois tipos: um companheiro sem muita voz na equipe - embora tenha saído da categoria com um título (escapado) debaixo do braço - e um tetra campeão correndo de Ferrari, equipe aniquilada desde meados dos anos 2000. Só Michael Schumacher reergueu a Ferrari e mesmo assim, demorou alguns anos.
Oportunista, Hamilton aproveitou do equilíbrio externo para ser particularmente glorioso em uma carreira com o mesmo motor desde que pisou na F1. Ao menor sinal de crise, se desestabilizou. Coloquem aí que em 2020 ele alcança o cara (o mesmo que salvou a Ferrari de um marasmo) que desenvolveu o carro para a Mercedes ser o que é hoje, juntamente com outro campeão, o Niki Lauda, e teremos o sétimo título tão fácil quando foi este ano para "Reimilton". Graças à um companheiro tolhido e limitado. Graças à uma rival incoerente e perturbadoramente burra. Graças à outra rival, por ser totalmente inconstante. 
Adianta escrever tudo isso? Obviamente que não. Parece desmerecimento puro e simples. Talvez até seja. 
Mas sinto uma latente falta de um coração cheio de emoção por presenciar, ter acompanhado essa tal história importante para o esporte sendo escrita.  Faz tempo, desde 2013, não olho para tv achando as reações de vitórias genuinamente bonitas, independentes de torcer ou não pelos pilotos que estão felizes pelas conquistas. É uma sensação que nem lembro mais como é. 

Volto mais tarde com outro texto, dessa vez do Márcio Kohara!

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*Atualização da tarde*

Aproveitando o assunto, já compartilho com vocês o outro texto produzido para esse espaço, dessa vez do Márcio, que mandou muitíssimo bem num texto mais técnico e analítico. 

Obrigada mais uma vez, Ron e Márcio pelos textos. Ficaram excelentes! Nem precisarei fazer adendos sobre a corrida de ontem, pois tudo necessário foi contemplado por ambos. 

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Deitou - por Márcio Kohara

A vaca deitou. Talvez não seja como se espera para o início de um texto sobre Fórmula 1, mas é a sensação que temos depois deste Grande Premio dos Estados Unidos, disputado em Austin, capital do Texas. O campeonato mundial de pilotos finalmente deu seu último suspiro e Lewis Hamilton conquistou matematicamente o seu sexto título mundial ao chegar na segunda colocação em Austin. O título parecia tão assegurado que já haviam sido feitas pinturas relativas a comemoração no parque fechado do circuito. E assim aconteceu. 
Claro que o título de Hamilton não aconteceu apenas e tão somente pelo desempenho deste domingo no estado da estrela solitária. Mas, se a vaca citada no início do texto se mexeu em Austin, pode ter sido em decorrência das ondulações da pista e não de alguma emoção que a disputa do campeonato tenha provocado. 
Este final de semana foi dominado por Valtteri Bottas, que era o único piloto com alguma chance de reverter a situação e cumpriu a sua parte da missão, vencendo. Mas o piloto do carro 44 seria campeão mesmo se ficasse com a oitava posição. Apesar de não ter ido bem na classificação e ter largado apenas na 5a colocação, nunca esteve fora da zona que o garantia o título, largando bem e chegando a liderar a corrida. Alcançou a meta final em segundo, se dando ao luxo de arriscar uma vitória que, aqui entre nós, quase aconteceu (a alternativa em certo momento da prova era trocar os pneus desgastados e chegar em segundo ou seguir e tentar a vitória -o que havia dado certo na semana passada no México).
Parece que faz uns três anos, mas na pré temporada parecia certo que a Ferrari tinha finalmente produzido um carro capaz de brigar pelo título e capaz de impedir a festa anglo-germânica. Esta sensação se dissipou ainda no começo do campeonato, permitindo que a Mercedes vencesse as oito primeiras etapas do campeonato. A verdade é que a ideia de que o baixo arrasto frontal seria algo que poderia fazer com que a equipe italiana pudesse se destacar nesta disputa foi um grande equívoco e em nenhum momento a Ferrari teve um carro convincentemente competitivo, mesmo tendo vencido 3 etapas desde então. Este problema ainda não foi resolvido, e já estamos em novembro. E em Austin este pesadelo voltou a incomodar os italianos, que tiveram problemas de desempenho em decorrência do carro que tinha tendência de sair de frente de forma exagerada. A suspensão traseira esquerda do monoposto número 5 de Sebastian Vettel ter implodido na curva 10 da oitava volta não ajudou em nada, mas mesmo Charles Leclerc, que terminou em quarto, foi incapaz de seguir o ritmo das Mercedes. 
Por outro lado, quem também se tornou uma postulante a vitórias no decorrer da temporada foi a Red Bull. Mas o começo de 2019 apresentou um desafio grande para os austríacos, que recebiam o contrato oficial das unidades de potência da Honda. A verdade é que a equipe oficial dos energéticos nunca entrou na briga pelo título, apesar de terem até lutado pela vitória em Austin contra a Mercedes e, mais importante, terem conquistado duas vitórias no ano. A melhora no desempenho da Red Bull faz imaginar que ano que vem pode não ser tão previsível quanto este (mas esta é uma sensação que temos há uns quatro anos e ela nunca se concretiza).
O campeonato já parecia decidido desde Shangai. Se o Bahrein deu alguma esperança para a Ferrari por causa da quase-vitória-por-causa-da-quebra de Charles Leclerc, depois ficou claro que as Flechas de Prata eram o melhor carro disparado. Assim, os últimos seis meses foram apenas para confirmar aquilo que já parecia certo no campeonato, que cedo ou tarde Lewis Hamilton se sagraria pela sexta vez campeão mundial de Fórmula 1.
E Valtteri Bottas? Bom, em algum momento da temporada, é verdade que o finlandês chegou a parecer que poderia fazer frente ao seu companheiro de equipe. O piloto do carro 77 é capaz de finais de semana brilhantes como este de Austin, ou de Suzuka, quando abre vantagem e domina a corrida. Mas o finlandês é instável, não parece capaz de repetir constantemente estas boas apresentações. A sensação de que Bottas poderia, finalmente, equilibrar uma disputa de campeonato e levar até o final também se esvaiu ainda no começo da chamada temporada europeia. O ponto mais baixo da temporada do finlandês, como de toda a Mercedes, foi em Hockenheim, quando Bottas tinha uma boa chance de vencer a prova, mas acabou abandonando ao rodar sozinho e bater no final da corrida.
Geralmente, o melhor das corridas de Fórmula 1 tem sido as brigas no pelotão da confusão, entre a segunda Red Bull, Mclaren, Renault, Toro Rosso e Racing Point, com Haas e Alfa Romeo um pouco atrás. A corrida norte americana não fugiu ao roteiro usual. Disputas entre Alexander Albon, Daniel Ricciardo, Lando Norris, Carlos Sainz, Sérgio Pérez, Nico Hulkenberg, Daniil Kviat e Pierre Gasly garantiram um bom período de entretenimento da tarde no Texas.

Albon foi o nome da corrida após ser atingido por Sainz na primeira curva da corrida e cair para a última posição, mas fez uma notável corrida de recuperação e chegou em quinto. Outros destaques ficam com Ricciardo e Norris, que tiveram ótimos desempenhos e terminaram em sexto e sétimo. Sainz, Hulkenberg e Perez, depois de uma punição de cinco segundos a Kvyat, fecharam a zona de pontuação. A melhor volta foi de Charles Leclerc, o último das equipes grandes a trocar de pneus.

***

Selamos mais um ano de F1 literalmente. Temos agora apenas duas corridas que servirão para fechar a tabela. Uma destas corridas ainda vale a pena conferir por ser um circuito tradicional e que é quase sempre imprevisível. A última, em Abu Dhabi, só assistiremos porque sabemos que depois ficaremos sem essa maldita (que parece roteirizada) F1 por uns 3 meses. 
A única "decisão" ainda pendente é o terceiro lugar que no momento está com Charles Leclerc. Além dele, Max Verstappen está à espreita e Sebastian Vettel também pode fazer pressão, afinal os pontos estão em 249 para o monegasco, 235 à Max e 230 à Vettel - que prejudicou-se pelo DNS ontem. 
Uau! Que empolgante, não?
Os comentários estão finalmente abertos. Espero que tenham se deliciado com os textos dispostos hoje para vocês, tanto quanto eu!

Abraços afáveis e boa semana para todos!

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 18: GP do México

(Devido alguns problemas técnicos - literalmente rsrsrsrs... - hoje, para o "desespero" de muitos, o texto da corrida será o meu mesmo, com toda aquela carga de ranhetice que me domina nos últimos anos.)

Honestamente, não queria ter ficado para escrever sobre o GP do México. Como tem sido nas últimas postagens, tenho convidado alguns amigos e conhecidos para fazerem esse trabalho por mim. Os resultados têm sido tão satisfatórios que fiquei tranquila inclusive para deixar isso acontecer mais vezes durante o ano. 
Porém, se fosse necessário engatilhar algo meu, que fosse o evento na cidade do México e não o dos EUA. Uma das corridas mais mornas do ano tem endereço em Austin, no Texas. Pelo menos no México as coisas pareciam um pouco mais divertidas.

Mas me enganei. 
Havia toda uma expectativa em torno do sexto título de Lewis Hamilton. No post anterior, deixei todas as possibilidades disso esmiuçadas. Para mim, não parecia tão complicado que Lewis se sagrasse campeão no México, faltando ainda 3 corridas para o fim da temporada.
O empecilho (para todos outros) era um só: Valtteri Bottas. Mas, depois do GP da Rússia, se a equipe apoiasse as suas corridas, fornecendo possibilidade de pódios ou mesmo vitórias, seria apenas para tardar o título de seu primeiro piloto. Favoreceriam assim, a F1 como um todo, ajudando a manter o interesse dos espectadores até pelo menos, a penúltima corrida.
Entretanto, para mim, não havia nenhuma possibilidade de contar com aquele Bottas do começo do ano, raivoso, dando o dedo do meio para as fotos e tudo mais. A Mercedes não ia permitir outro Nico Rosberg no caminho de Lewis. É por isso que Bottas teve contrato renovado. Eles o conhecem a ponto de saber as suas limitações e conseguem controlá-lo com facilidade.

Como nas últimas corridas, também não via - talvez com certa infelicidade por isso - a Ferrari com chances de fazer um serviço tal que atrapalhasse os planos de Lewis Hamilton. A Ferrari iniciou o ano de 2019, com a pré temporada, dando ares de vir com tudo. As cinco primeiras corridas pra valer mostraram que foi apenas uma ilusão. A Mercedes, não mais bobinha, dava as cartadas até mesmo, na pré temporada: ficando meio de lado, o foco ia para a rival, que tomaria toda atenção, enquanto eles trabalhariam tranquilos. Poderiam também usar dos erros que certamente a Ferrari cometeria durante a temporada para também poderem projetar o carro do ano seguinte.

No post anterior, também indiquei que as corridas consideradas mornas ou simplesmente ruins foram protagonizadas pela dupla da Mercedes. México entrou para a lista, podem acrescentar aí. Não surpreende, mas frustra bastante. 
Mas não é sobre isso que menciono as etapas vencidas ou com pódios dos caras da Mercedes. A questão que prova que, estamos tão no "mundo da lua" com a F1 - seja como "bobos da corte" que tem páginas de F1, perfis de Twitter, ou blogs como esse aqui, seja jornalistas ou comentaristas que cobrem a categoria -  é que nós mesmos deixamos de lado o esporte, para dar atenção à coisas totalmente irrelevantes. Em nenhum momento nos atentamos para uma competitividade forçadamente enfiada a qualquer custo na boca de narradores e jornalistas. Deixamos de lado isso para prestar atenção no enfoque excessivo de rádios e declarações malcriadas de chefes de equipes à pilotos, comentários do alto das suas vassouras de ex pilotos (alguns deles, há bodas não apareciam na mídia), e por fim, mas não menos ridículo, dedicamos um olhar apurado na vida privada de alguns pilotos - alguns até, chamando atenção para esse lado, como se fosse relevante.

É amiguinhos e amiguinhas, vou retornar com minha "presença" ranzinza. Então, se segurem aí!
Com os treinos livres do fim de semana no México, tivemos uma ideia do que poderia acontecer na classificação. Boa parte dos que, de fato, prestavam atenção, conseguiram palpitar certo sobre quem seriam os caras da primeira fila. Como já vem acontecendo, quase ninguém, a não ser "os baba ovos" da transmissão local, consideravam a possibilidade de pole de LH. 
Pois bem. Na qualificação, assim como no TL3, tudo que era devidamente relevante, ficou para os 10 minutos finais. Antes disso, detalhes: as Alfas penando um pouco, as McLarens fazendo bons tempos, as Renaults decepcionando, especialmente com Ricciardo. No Q3, as red Bulls surpreendiam, até mesmo com Alexander Albon. Mas Max Verstappen fez o melhor tempo. Foi seguido pelo Charles Leclerc e Sebastian Vettel. Lewis Hamilton tinha apenas o quarto tempo. 
Na segunda tentativa de melhorar os tempos, Bottas acabou por bater forte, um pouquinho antes de fechar a volta rápida. A batida foi forte e deixou o piloto ofegante no rádio. Nada de mais grave aconteceu. Apenas um erro e um susto. Com a sua batida, duas sinalizações foram dadas à 4 pilotos que vinham logo atrás em voltas rápidas: uma luz e uma bandeira amarelas foram sinalizadas no trecho da Peraltada, onde Bottas estava.
Aprendemos da pior maneira essa parte do regulamento da F1: acidentes na pista, da forma como foi,  por questões de segurança faz com que os pilotos sejam obrigados a desacelerar, tirar o pé. Mesmo que o carro acidentado esteja fora da pista, e o piloto se garanta sobre a segurança, não é assim que a coisa funciona. Viu bandeira amarela? Tire o pé. Simples assim.
Dos pilotos que vinham atrás de Bottas na volta rápida, alguns não haviam marcado tempos roxinhos, menos um: Max acelerou e melhorou seu tempo que já era de pole position. 
Sugiro abrirem qualquer portal de notícias e chequem todas as matérias após a classificação. Duvido que algum coloque a volta rápida de Verstappen após a batida como problema a ser discutido. 
Até que... As falas viraram protagonistas. A primeira que indicava algo estranho foi a de Hamilton que disse que ao ver batida de Bottas tirou o pé, mesmo assim, não conseguiria alcançar as Ferraris e muito menos, Max. E então, ao ser questionado, na coletiva de imprensa sobre ter acelerado sob a bandeira amarela ele confirmou que tinha feito. Ainda acrescentou que, sabia o que estava fazendo e que se fosse o caso era só tirar a volta rápida dele e ainda seria pole. 
Isso deve ter enfurecido a FIA, mas não tanto quanto alguns comentaristas conhecidos nossos. O que manda na regra é 5 posições de penalidade por ignorar bandeiras amarelas. Depois de algum tempo, chamaram Max para um papo e diante da sua confirmação do mesmo, decidiram por puni-lo com 3 posições. 

Além disso, demorou muito para decidirem pela penalidade e quando decidiram foi apenas do jeito deles, numa forma clara de dizer quem é que manda.
Alguém gabaritado chegou a tuitar: "Regra para um, regra para todos", justificando a decisão. Está mais para "regra para um, regra para alguns". Seguramente é uma questão que depende muito de quem comete a infração, e qual a posição dela diante tudo. Quantas vezes eu não escrevi que as punições são seletivas?
Acompanhem comigo: A FIA não colocou sob investigação enquanto ouvíamos os pilotos dando declarações assim que deixaram seus carros. A coisa só desandou para Max, pois ele admitiu não ter reduzido a velocidade para jornalistas na coletiva.
Isso causou uma discussão sem precedentes na comunidade da F1 nas redes. Dessa vez não foi  uma simples briguinha de fã, mas uma exaltação incoerente de um conhecido jornalista da Rede Globo.

Reginaldo Leme faz tempo que deixou de ser um comentarista contundente. Diversas vezes foi pego em assuntos dando seu parecer particular como se fosse verdade dada. Posso dizer que, nos últimos 10 anos, deixou de ser um comentarista minimamente capaz, autoridade no assunto, para ser um torcedor de microfone. 
Está certo que, após a declaração (infeliz) de Verstappen, e a punição da FIA, Reginaldo usou da sua conta nas redes sociais para dizer que a reação dele foi imbecil e que o mesmo agiu com irresponsabilidade. 
Faz-se o que bem entende de suas redes sociais. Mas também é preciso saber que todas as postagens têm consequências. Assim, ao ser criticado por alguns tantos, decidiu chamar o piloto holandês de "idiota". 
Não, ele não mediu as palavras. E, mesmo sendo uma figura pública, escreveu sim a palavra "idiota" como se a sua experiência não mostrasse pilotos que tivessem dado declarações absurdas ao longo da história da F1.

Isso gerou um tremendo protesto. Um pessoal que não é fã do Verstappen achou desmedida a reação de Reginaldo. Alguns jornalistas ficaram ao seu lado, claro. Mas outros perfis, de "zueira" inclusive, fizeram colocações mais inteligentes que o já experiente comentarista.
Está certo que, rede social é uma coisa muito complexa e ninguém sabe usar com bom senso o tempo todo. Quantas vezes não postamos algo que nos arrependemos depois? É com certos "tombos" que a gente vai aprendendo a usar a ferramenta. 
Existe uma responsabilidade muito grande com o que se posta na internet. Eu evito xingar piloto. Meu perfil do Twitter está aberto. Se posto uma coisa ofensiva, brota alguém para revidar com mais ofensas. Já aconteceu isso só porque eu disse que uma atriz havia "estragado um personagem" num filme e o fã clube da garota veio me xingar e falar que eu tenho inveja (oi??) da "deusa". 
A bancada julgadora da internet é perigosíssima. Se eu, "anônima", não estou imune à ataques tais como o que mencionei, imagina Reginaldo Leme, um cara influente? Muita gente compraria (como compraram) a sua opinião sobre algum evento/piloto da F1. E muita gente também achou que ele foi anti ético e foi bater de frente, cobrando imparcialidade. 

Se preparem aí, pois vou defender Verstappen. (E acho que tenho feito isso mais vezes do que ele realmente merece. Mas vamos lá...!) Na postagem inicial de Reginaldo, ele indica que a sua estupidez maior era ter sido prepotente. A punição então, ele parecia concordar, tinha sido pela prepotência de Max admitir que ignorou o alerta de segurança e em seguida ter tripudiado. Reginaldo em si não disse nada na transmissão sobre Max não ter tirado o pé. Assim, se o piloto tivesse ficado calado, talvez ninguém teria percebido? Se tivesse negado, não merecia ainda ser investigado e punido? 
É como eu disse: a regra é para um, a regra é para alguns. Não é regulamento que dita as decisões, é arbitrariedade dos comissários. 
Colocaram na balança: "Opa! O menino é rápido, mas peitou a gente, vamos penalizar em 3 posições só. Agradamos o pessoal da Ferrari, que vão encrencar caso decidamos abafar o caso e colocamos Hamilton na segunda fila. Ninguém vai achar ruim, pois estamos ainda dando chance de competitividade..." Foi isso o que aconteceu.
Depois de ser criticado, Leme decidiu estourar o "idiota" para Max. Só conseguiu piorar ainda mais a situação. Eu ou algum de vocês publicarem uns palavrões para um piloto por raiva, é uma coisa. Reginaldo  tem um compromisso ético profissional e um respeito que deveria transparecer, portanto não deveria se permitir à isso. Exagerou. E muito! Especialmente pois, se fosse outro piloto muito querido por ele (e também pelos outros de sua bancada) o tratamento seria completamente diferente, ou seja, defenderia com unhas e dentes a atitude e acusaria a FIA e suas regras.

E é aí que eu quero chegar: Max não negou. Foi honesto. Falou o que fez e assumiu a responsabilidade. Não mentiu e vamos ser bem sinceros um com os outros? Está certo. Creio eu que dos pilotos da atualidade, todos ele optariam por colocar panos quentes, dariam alguma desculpa ou simplesmente mentiriam sobre terem ignorado o alerta. 
Verstappen já se mostrou muito prepotente e raivoso em diversas ocasiões. Algumas vezes foi criticado duramente, e eu não consegui não dar razão para ele pelo menos em algum ponto. Um destes casos, foi exatamente o que motivou o comentário de Reginaldo.
Ao ler o que Leme postou sobre Max, me lembrei das críticas do Verstappen em relação ao Felipe Massa, em 2017. Fiz até um texto sobre ver aqui) na ocasião. Já sabia que a implicância era "pessoal". E então, pouco tempo depois, lá estava outra postagem do jornalista como justificativa,  mencionando o corrido com "brasileiros" e dando a entender que se Max não respeitava, não mereceria respeito. Estava fechada a questão.

Temos no Brasil esse critério seguido por muitos: aqui se leva pelo gosto pessoal qualquer coisa (geralmente irrelevante) e a mídia poliniza a situação como verdade dada.
Para isso, voltamos o olhar para o GP do México: muita festa, caveiras. Eu gosto do local. Adoraria visitar a Cidade do México, embora tenha um certo receio com a culinária e outras coisas que a gente ouve falar. Poderia ter sido um GP menos morno, menos com cara de manipulado? Certamente. Mas aí é pedir demais.
Com relação à transmissão, quem não tem TV por assinatura, sofre: nos últimos anos, GPs mexicanos e estadunidenses são "anulados" da TV aberta e priorizado o campeonato brasileiro de futebol. Mesmo que títulos sejam decididos nestes lugares, eles jogam na programação B, isto é, nos canais de assinatura. Essa opção nem de longe faz parte de um processo mais apurado que uma transmissão no canal "popular". Talvez por acharem que não há tanta adesão, somos expostos à erros intermináveis da transmissão, piadinhas sem graça, e críticas à pilotos "saco de pancada". Quem acompanhou os TLs sabe: Romain Grosjean virou chacota num dos momentos.  Havia necessidade de tanta crítica e piadinhas sobre Grosjean? Não, não mesmo. 

Com a classificação mal narrada, indicava uma corrida nos mesmos moldes. Pairava uma nuvem de reação complexada no trio da SporTV. Qualquer coisa era motivo de acusar a incapacidade de Verstappen ser um piloto responsável e digno de exaltação. 
Já na largada, Luciano Burti procurou problemas na largada de Vettel. Verstappen errou e os três arrumaram a primeira oportunidade de criticá-lo.
A corrida seguiu normal, com um excesso de comentários elogiosos para Albon, na terceira colocação. Claro, esse é companheiro de Verstappen. Indiretamente, falavam mal do novo vilão.
O conto da carochinha começou com as primeiras paradas. Assim que Leclerc fez uma parada, o rádio do Vettel foi divulgado. O engenheiro queria saber o que Vettel achava do "plano C".
Era óbvio: o Plano A da Ferrari era não deixar que Hamilton avançasse. O Plano B era o que Leclerc tinha assumido: fazer duas paradas. O Plano C era tentar uma só. A transmissão ficou boiando por alguns minutos sobre isso. 
Já podemos mandar currículos para comentar lá? Pois é bem capaz que todos nós tenhamos aí, com nossa pobre experiência de blogs, podcasts e perfis de F1, capacidade de fazermos um trabalho mais bem feitinho que esses caras. 
Brincadeiras à parte sabemos que há um pessoal bem mais capacitado a entregar bom conteúdo nas transmissões do que os são garantidos pela bancada da Rede Globo. Tenho certeza que há muitos nomes muito melhores aí na web cobrindo a F1 sem parecer um programa de fofoca. 

Ao contrário dos três patetas, a Mercedes entendeu bem os planos da Ferrari. Avisaram Lewis que Leclerc faria duas paradas. Eles então iriam de uma só, para garantir que ele ganhasse a corrida. 
O único esforço dele era de sustentar a platéia com seu monólogo teatral de dar inveja à Shakespeare. Assim que parou e colocou os pneus de faixa branca, iniciou os rádios que questionavam a estratégia. 
Do lado da Ferrari eles agiam naturalmente "baratinados". Leclerc não tinha rendimento e passaram a mentir para ele sobre o "stint". Vettel, mais esperto, se negava a parar quando era solicitado, tentando sentir a capacidade de valer a estratégia de uma parada só para ir até o fim e tardar a troca para, pelo menos, manter o P2. Sagaz, ele fez a sua própria corrida. Se tivesse ido para os pits quando o engenheiro pediu, teria sido outro fiasco e mais uma dobradinha (de graça) à Mercedes. 
Alguém elogiou? Alguém percebeu essa sacada? Só Leclerc quando foi dar as declarações pós corrida e olhe lá, pois foi uma forma de exemplo do que ele - que se cobra muito - deveria ter feito.

Assim que Leclerc selou a sua ingenuidade em confiar demais na equipe e (mais uma vez) errarem com seu futuro campeão numa segunda parada lenta no pitstops, continuávamos com uma narração que colocava dúvidas sobre a resistência dos pneus de Hamilton.
Não havia nenhuma razão para achar que LH não ia chegar ao fim da corrida, e ainda por cima, com toda a pompa de "ter feito uma corrida espetacular". 
Para isso, ele já tinha mudado de quadro na sua peça teatral: não reclamava da estratégia; seus rádios eram de pedidos que o deixassem correr. Fingindo tensão e concentração, o "showman" fazia tudo de acordo com seu plano. A pergunta de um milhão de reais é essa: Quando é que, nos últimos seis anos, a Mercedes perdeu corridas por desgaste de pneus? Ora, façam-me o favor! 
A ladainha da narração se seguiu e se seguiu, e até mesmo faltando umas oito voltas para o fim, ainda se falava nisso, com um adendo: Hamilton estava muito longe de Vettel e então passaram a dizer que o inglês estava fazendo mágica e tinha um ritmo absurdamente genial. 

O ano todo, com exceção talvez das cinco primeiras corridas, não se falava muito de Hamilton. Nas primeiras corridas, se falava de um "novo" Bottas. Depois do Canadá, passamos a ouvir e ler sobre Ferraris: um reclamão e chato Vettel, um inexperiente Leclerc. A Ferrari tornou assunto de todo o começo da segunda metade da temporada. Leclerc protagonizou 2 vitórias que fez tudo parecer bem empolgante. Ganhou um título e tornou-se o "poleman". Também depois das férias de verão, sua vida pessoal foi exposta.
Nas últimas corridas, se falou mais de Vettel e uma possível rixa que teria tido com seu companheiro novato e querido pelos novos torcedores. Na real, tudo "disse-me-disse". Os caras continuaram na deles, e o povo, fomentando polêmicas. 
Hamilton em si, estava bem apagado, especialmente na segunda metade do ano. Suas classificações estão sendo básicas demais. As vitórias, tanto Rússia como México, foram todas possíveis pelo erro estratégico da Ferrari que desperdiçaram o favoritismo em ambas.
E quando ele está fora dos holofotes é o momento de amostras certas de estrelismos: Postou fotos com Ferraris. No Japão, teimou em ir para Tóquio para ver jogo de basquete (ou sei lá o que era o evento). Houve uma manifestação por ter quase participado do "Top Gun 2" (mas deu uma desculpa besta, e ficou totalmente irrelevante a informação) e por fim, a que deu mais assunto: Na pausa entre o fim de semana em Suzuka e o seguinte no México, defendeu uma vida saudável em suas redes sociais.

Cheguei num ponto crítico: nada contra a pessoa se declarar "veganas". Não pago a comida dessas pessoas, pouco me importa se elas não querem comer carne. Mas - acho que não sou a única - eu me irrito com veganos que querem porque querem incutir nas outras que essa é a melhor forma de viver: comendo vegetais e nada de origem animal. Eu sinto que proteína animal é necessária para meu desenvolvimento. Se passar a comer só frutas e verduras, eu vou sumir!! E não somos todos iguais, com metabolismo funcionando igual para começarmos todos a consumir as mesmas coisas. Exige um acompanhamento e não me parece ser o meu caso.
Sim, eu critiquei (como alguns outros também criticaram) o Hamilton por ter exposto seus hábitos alimentares e se revoltado com a "destruição ambiental". O pessoal da comunidade que debate F1 saiu na defesa. Era mais um motivo para odiarem o já "sofrido" Lewis. Além de acusar um pessoal de racismo, li outros comentários sobre o fato de discutir o hábito alimentar e sua "militância ambiental" coisa de gente ignorante, acéfala. 
Foi quando saiu uma matéria de que Fernando Alonso teria criticado o inglês. O argumento do ex piloto da F1 e ex companheiro de Lewis era que, ele - Alonso - não via necessidade de divulgar o que comia. Outro ponto de argumentação do espanhol era semelhante ao meu: era contraditório ter uma grande preocupação com o meio ambiente uma vez que o estilo de vida dele não era nada próximo de alguém declarado ambientalista. Mencionou inclusive que pilotos pegam 200 vôos por ano. 
E aí? Fora isso, são 21 etapas no ano - ano que vem 22. Não se liga os motores só para a corrida, se liga nos treinos livres de sexta e de sábado, na classificação e no domingo. Os combustíveis, por acaso não são poluentes? E os pneus? São reciclados? As Ferraris que ele postou convidando a todos, para um passeio com ele, têm motor elétrico?

O que a mídia fez? Saíram perguntando para pilotos e ex pilotos sobre isso. Alonso declarou algo que tem sua razão e foi metralhado. Porque é Alonso, e porque não se fala mal de Hamilton. Grosjean parece que disse que seria perigoso um piloto ser vegano (e concordo também, sob o ponto de vista da energia que proteína animal oferece e não, não há substitutos compatíveis). Como o narrador da SporTV mencionou num dos TLs "Grosjean fala muita porcaria". Olha só, se fosse verdade, Grosjean deveria ser o ídolo do trio global, mais os outros dois narradores já conhecidos. 

Está na moda ser ambientalista. Quantos artistas que não sabem onde está a ponta do nariz (plastificado) comentaram suas abobrinhas sobre Amazônia? Lembraram de certa "cantora"? Pois é. Ela e tantos outros, falaram absurdos sobre meio ambiente. Deu uma baita vergonha na gente, pois sabemos que não são capazes sequer de regar uma samambaia.
Os jornalistas tiveram a chance não de procurar com os companheiros de Hamilton as opiniões deles sobre meio ambiente ou alimentação saudável. Poderiam pegar o caso do GP da Holanda e os entraves para acontecer em 2020 só para ilustrar. 
Olhem só se não tinham assunto para mostrar o quão hipócrita Hamilton foi só para ter um pouco de atenção: De protestos à emissão de gases, GP da Holanda enfrenta problemas para acontecer em 2020. Essa matéria saiu no começo de outubro e poderia ser usada contra o discurso de "querer desistir de tudo" e fazê-lo se posicionar à contento.
Enquanto ele fica sendo imune a críticas, os outros, não. Por inveja, ranhetice, por "ódio" do "blessed"... Escolha a sua razão e seja feliz. Eu não me importo. É vida que segue. A dele e a nossa. 

O que quero chamar atenção é que, na segunda metade da temporada essa vitória no México foi a segunda que caiu no colo de Lewis. Expliquem como um carro equilibrado teria um desgaste de pneus tais que comprometeria a primeira colocação de Hamilton e ficarei quieta, na minha.
Gostaria também de perguntar, porque, das 10 vitórias que teve na temporada, em nenhuma delas ele foi escolhido piloto da corrida. Isso é uma palhaçada para medir aceitação da categoria nas redes. Mas, na Rússia escolherem Vettel como piloto da corrida. No México, escolheram Verstappen. Percebam que, existe uma coisas sendo dita aí através dessa escolha e ela não é arbitraria. O pessoal dirá que é porque ninguém suporta o sucesso de Hamilton. Será?

Expliquem como um carro equilibrado teria um desgaste de pneus tais que comprometeria a primeira colocação de Hamilton e prometo que ficarei quieta, na minha. 
Como não há uma explicação para isso, a não ser apenas dizer que o cara é maravilhoso, tal e coisa e coisa e tal, o GP mexicano terminou como num filme blockbuster. Assistimos à tudo como se fosse a coisa mais heroica já vista desde os Vingadores derrotando Thanos. A corrida terminou com milhares de pessoas tendo orgasmos múltiplos com a vitória de LH. Para melhorar ainda mais, e deixar a minha pessoa com uma cara de tédio gigantesca, haveria a suspensão do carro vencedor até o pódio. 
A cena, todos vocês viram: Hamilton em pé no cockpit, com os braços para o alto. No telão, a foto de garoto sedutor, canhões de fumaça e de papeizinhos picados deram o toque final. 
No Instagram da F1, colocaram o vídeo dele emergindo com a seguinte legenda: "Still I Rise" - em português "Ainda assim, eu me ergo". Essa frase é tatuada de ombro a ombro nas costas do piloto:


Propício, não? Jamais imaginaríamos outro piloto ali naquela mesma situação que não ficasse, pelo menos, sem jeito. Talvez, e no máximo, arrisco dizer que Ricciardo poderia combinar com uma situação dessa. Mas o emergir do piloto com o carro, no pódio colou demais com a frase, quase uma hashtag do "Celebrity boy". 
Estamos satisfeitos com isso? 

Neste fim de semana nos encontramos de novo, dessa vez nos EUA. Americano sabe fazer festa e a pista favorece a Mercedes e Hamilton. O hexa virá com que tipo de apoteose? Façam seus palpites.

Abraços afáveis!