segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 20: GP do Brasil

Senhores, senhoras, "senhoritos" e senhoritas,

O texto base, com participação de uma amiga ainda será em construção, e logo compartilho com vocês.

Como esses dias foram corridos e pouco produtivos aqui neste espaço, decidi avisar que ainda existo com meus adendos sobre o GP em nossas belas terras. Tentarei fazer do meu post hoje direto e reto. A razão para isso, além de retomar o nosso fluxo de postagens é outro bem simples: haverá um belo texto para "comemorarmos" o GP do Brasil e com esse aqui, já faço um "esquenta" para esse momento.

A presença da F1 em Interlagos foi envolta por um assunto: a mudança de "casa" para sediar o evento. Este ano, o atual governo levantou a possibilidade de transferir a F1 para o Rio de Janeiro. Há quem discorde muito, quem discorde um pouco. Houveram comentários dos pilotos, em sua maioria, contrários a mudança... Uma série de coisas envolvem toda essa circunstância e, mesmo que Interlagos tenha se mostrado mais uma vez completamente necessária para o calendário da F1, sabemos que estamos lidando com um cabeça-dura. 

Aproveitando o que escrevi - que Interlagos acaba sendo um circuito que não deve ser considerado fora de um calendário da categoria - o que aconteceu na edição de ontem (a 36ª oficial) pode ser um dos bons argumentos para mantê-lo. Embora tenhamos perdido a chance de fechar o calendário, Interlagos sempre proporciona uma ou duas viradas de resultados que não premeditamos. Seja por chuva ou por pequenas disputas, Interlagos não é monótono.
Infelizmente, ontem estava dando pinta de que seria. Até que no fim, sem chuva nem nada, tudo passou a dar sinais de trazer a vigésima etapa para a companhia de outras como uma das melhores do ano.

Sintam comigo como ao longo do tempo, a corrida teve uma virada crucial para tornar-se uma das melhores:

► Pole de Max Verstappen, seguido de Sebastian Vettel e Lewis Hamilton. Charles Leclerc largaria na 14ª posição devido uma troca no motor e via uma batalha dura à frente, valendo a terceira colocação na tabela, que disputava com o companheiro e com o pole position. 
Lewis fazia graça, com ímpeto competitivo, apesar de não ter nem seu chefe Toto Wolff por perto. Sebastian Vettel deveria (mas não foi) ter um destaque maior com a sua corrida número 100 pela Ferrari. 
E Max só poderia dar o melhor de si para recuperar o fiasco que acabou sendo a sua corrida do ano passado, aqui mesmo. 

► Largada normal, Max acelerou e Hamilton tomou a segunda colocação de Vettel. Um minuto depois, Leclerc já era 11º. O que não se comentava com o mesmo fervor era Sainz que saiu de último para 16º na mesma volta. 

► Por volta da 5º volta, Leclerc era 8º e Sainz, um pouco mais tarde, 13º.

► Volta 8 e Ricciardo se enroscou com Magnussen. Abriu-se investigação e Ricciardo foi considerado culpado pelo pequeno toque. 

► Por volta da 22, Hamilton faz o seu pit stop e optou por pneus macios, ficando em sexto lugar e acompanhando a estratégia de duas paradas. Max que vinha em ritmo forte, parou na volta seguinte, com pneus macios. Graças à uma atrapalhada da Williams por ter liberado Kubica muito na frente de Verstappen, o holandês acabou atrás de Hamilton. 

► Menos de uma volta depois, Max abriu a asa e passou Hamilton. 
Começou o festival reclamação de Lewis. Todos os rádios que se seguiram era alguma frase gritada do inglês apontado uma estratégia errada dos pneus ou um carro sem potência.

► Vettel fez a sua parada e colocou pneus médios, dando a entender que iria até o fim. Os rádios raivosos do Hamilton se seguiam, dessa vez o inglês achava difícil acompanhar o ritmo de Max. 
Nunca, em toda a minha vida, eu quis tanto estar no lugar do cara que responde o Hamilton, só para mandar essa:


► Terceiro colocado, Vettel fazia o melhor tempo, e na volta seguinte (lá pela volta 30), Leclerc fez o pit stop, saindo com pneus médios que também deveriam durar até o fim da corrida.

► Na volta 30, Leclerc havia ganhado 8 posições, estava em sexto. Enquanto isso, Vettel é o mais rápido que os dois à frente, estando em terceiro.

► Até pouco mais que a volta 40, a única coisa agitada da corrida é a mudança de direção do vento. A monotonia dava as caras. Os segundos pit stops começam com Bottas, em seguida, Hamilton.

► Verstappen parou e voltou atrás de Vettel. Mais atrás, Bottas decidiu atacar Leclerc em disputa pela quinta colocação. O monegasco se defendeu e Bottas seguiu com a sua sina de não ser digno de guiar uma Mercedes - embora Hamilton também enfrentasse certa dificuldade com o carro, ontem.

► Verstappen diminui a vantagem, e Vettel parou mais uma vez, caindo para quarto. A estratégia de uma parada, não seria possível.
Faltando 20 voltas para o final, "nothing new"... Albon fazia o segundo pit stop e Vettel retomava a terceira colocação. 

► Volta 53, Bottas abandonava a corrida. Safety Car na pista. Parecia roteiro de filme. Iniciava ali duas sessões: a de terror para uns, a de comédia para outros. 
Hamilton não reduziu a velocidade nos trechos com bandeira amarela. Nada aconteceria com o inglês, pelo contrário, o SC o ajudaria na sua incapacidade de se aproximar de Max. 

► Verstappen e Leclerc mudaram para os pneus macios. Assim a deixa para Hamilton ser ponteiro e reclamar mais um pouco. Tem SC na pista, tem Hamilton ligando o rádio para informar a "lentidão do carro de segurança"...


► Reorganizam-se os carros e a relargada teve início lá pela volta 59. A relargada ocorreu de forma boa, pois Max retomou a primeira colocação. Fantástico!!!
A sutil nulidade do hexacampeão perante o garoto maluco era uma coisa interessantíssima de se ver... Para melhorar um pouco, o terceiro colocado, Albon colocava uma pressão extra no inglês. E eu passava a torcer com muito fervor (apesar de estar me sentindo doente) pela dobradinha da Red Bull. 

A 8 voltas para o final, Vettel tentou ultrapassar Albon e não conseguiu. Para junto deles, se aproximou Leclerc. Os três queriam a terceira colocação, de qualquer jeito. 

► Volta 66 se deu como a pior de todas: Leclerc atacou Vettel e conseguiu a quarta colocação por um piscar de olhos. Tentando dar o troco Vettel retomou a posição sem afrouxar para o companheiro. Leclerc também não aliviou. Resultado: um toque, pneu traseiro furado do Vettel e a suspensão dianteira quebrada do Leclerc. 


As culpas são de parcelas idênticas, para um e para o outro. Porém, por aí há um sem número de analíticos e jornalistas a culpar Sebastian Vettel.

*Adendo rápido: Vettel enfrentará um ano de 2020 complicadíssimo. É uma grande pena ver a que ponto chegou a "zueira" e a depreciação propriamente dita com o alemão, tanto por parte da equipe Ferrari, quanto por parte dos fãs do automobilismo.*

► Safety car de novo na pista. Não houve encontro de Leclerc e Vettel. O alemão ficou próximo ao seu carro e esfregava o rosto com as mãos em descontentamento e chutava pedrinhas. Não havia nada a ser feito a não ser, lamentar.
Enquanto isso, Verstappen, Albon e Gasly (!!!) eram os três primeiros. Hamilton era quarto, por um a brecha de pitsotp. 

► Na segunda relargada Gasly não conseguiu segurar o afoito Hamilton. Ele estava totalmente exposto ao que realmente é, sem Toto por perto. Aquela premissa de cara forte mentalmente cai em segundos quando os planinhos dão errado.
Numa destas o inglês bateria em alguém e eu questionaria o seu sexto título quando está sobre pressão. Oras, se questiona o Vettel ter vencido 4 títulos, mas não se questiona quando Hamilton faz os seus shows só porque ele AINDA tem um carro muito estável e por essas, não erra muito.
Ele estava totalmente exposto ao que realmente é, sem Toto por perto...

► Apenas pensei e Hamilton prejudicou Albon numa disputa e o fez rodar na pista. Albon caiu para muito atrás da zona de pontuação. 
E eu fiquei possessa com a injustiça...

► Quando Max cruzou a linha de chegada, Hamilton estava colocando o carro de lado para passar Gasly. Por muito pouco, a Toro Rosso ficou com a segunda colocação, com a Mercedes do lado, pouco atrás. 
Abriu-se investigação para Hamilton sob a sua movimentação com o Albon e os comissários não decidiram à tempo de termos Carlos Sainz devidamente no pódio.
Ah, lembram do Sainz? Pois é, estava ali, fazendo um ótimo trabalho depois de largar em último!

► Nas decisões, Sainz ficou com o terceiro lugar, o primeiro pódio da McLaren após 5 anos, e também o primeiro pódio do espanhol. Não estourou um champanhe no modo convencional, mas o que valeu, valeu. 
Kimi Räikkönen ficou com a quinta e Antonio Giovinazzi com sexta colocações. As Alfas arrasaram em Interlagos! 
Hamilton recebeu 5 segundos de acréscimo e ficou em sétimo (risos frenéticos). 

Antes da corrida, a disputa pela terceira colocação da tabela estava entre Leclerc, Verstappen e Vettel, cada um com 249, 235 e 230 pontos, respectivamente. 
Vão lutar por essa terceira colocação em Abu Dhabi, com as chances mais favoráveis e propícias voltadas para Max. Com as Ferraris se engalfinhando, o quadro mudou: agora é Verstappen (com 260 pontos), Leclerc (249) e Vettel (230). Vettel só é candidato a terminar o ano em quarto, já que mesmo que vença na última corrida, e faça a volta mais rápida, somará 256 pontos. Max ainda pode nem terminar a corrida e ficaria à frente de Seb. 
O caldo ferve (ainda) entre os companheiros ferraristas. Eles vão para a última corrida, livres para disputarem entre si, e talvez, protagonizarem outra cena "capciosa" ou talvez a melhor colocação seja "polêmica", como a de ontem.
Chances essas de proporcionar espetáculo e muito disse-me-disse dos sabichões de plantão onde quer que estivermos.

Para finalizar, devo ressaltar: houve 3 grandes corridas neste ano - Áustria, Alemanha (que vai sair do calendário já em 2020 e isso é ridículo...) e possivelmente, Brasil. Todas as três, coincidentemente, com vitórias do Verstappen. A de ontem, faria os detratores dele ficarem bem quietos. Não houve nenhum erro que justificasse a sua falta de inteligência que, as vezes, sobressai e o prejudica. 
À estas, podemos acrescentar Monza e (quem diria) Singapura, como corridas com pontos interessantes e chamativos. Estou trazendo mais duas corridas, pois, no total de 21, é muito vergonhoso postular que apenas 3 foram realmente de tirar o fôlego. Forçando a barra, pego mais duas e brinco que cinco salvaram uma temporada que, em 2/3 dela, pareceu roteiros propícios para a  série da Netflix. 
Mas a F1 ainda não está morta. Ou ainda não afetaria tanta gente, inclusive nós, como afeta.

Volto em breve com o texto da minha amiga Yasmin. Comentários abertos!

Abraços afáveis!!

2 comentários:

Carol Reis disse...

Eu também já notei isso: O Luizinho sempre se descontrola quando a situação não tá favorável. Até me bate a vontade de ver o Drive to Survive só p ver o fiasco da Alemanha.

Interlagos foi muito bom, no meu ranking foi a segunda melhor corrida do ano atrás de Hockenheim. Aquela ali foi perfeita do começo ao fim.

Manu disse...

O GP alemão foi espetacular. E não terá mais no calendário! Isso é um absurdo, eu ainda não consegui me conformar... ¬¬'