segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 16: GP da Rússia

Bom dia, meu povo! Espero que quando acessarem esse humilde blog, estejam todos bem.

Mais uma etapa da F1 se concluiu ontem, e mais uma vez trago um texto sobre o GP de participantes. Dessa vez, houve uma mudança de ordem nas participações. Quem eu havia convidado precisou de um tempo por motivos pessoais - por isso, deixo aqui meu recado: força! No que precisar, estamos aqui!!
Diante disso, no domingo mesmo, adiantei o convite ao Paulo, amigo virtual e redator do Continental Circus - blog dedicado à automobilismo que recomendo a leitura para quem ainda não conhece. 
Ele aceitou rapidamente e aqui publico, na íntegra, a "tradução" do que foi o GP da Rússia, de uma forma que eu - confusa como estou - não poderia ter feito melhor. 

***

UM PRIMEIRO PILOTO NUNCA SERÁ SEGUNDO - por Paulo Alexandre Teixeira

Não deveria ser eu a escrever sobre Sochi, mas calhou. Era para andar nestas bandas em Suzuka, uma pista que admiro e respeito, e do qual tenho histórias pessoais para contar. Mas como o interlocutor inicial não pode estar presente e ela me pediu para antecipar, cá estou, com todo o prazer.

Tenho idade para ter barbas brancas - as minhas são negras, por agora - mas sou do tempo em que ia pilotos serem queimados ainda vivos. Chassis de alumínio, motores potentes e que quebravam sempre que exageravam nas rotações. Tenho saudades desse tempo? Não. Sou raíz, mas acho que estes tempos são melhores. 

Dito isto, vamos ao que interessa: o circuito de Sochi existe porque as autoridades russas gastaram imenso dinheiro para receber os Jogos Olímpicos e querem que as infraestruturas sejam usadas para além desse evento. E ter o GP russo foi uma das estratégias. Gastam 25 ou 30 milhões de dólares, pediram ao Hermann Tilke para desenhar a pista e pronto: tudo funciona. Mas o preço a pagar é que o GP russo é dos mais inúteis do calendário. Quase ninguém gosta dela. E ainda por cima, ganham sempre os mesmos.

E este ano, as coisas foram diferentes. Não pelo vencedor - Lewis Hamilton, num 1-2 da Mercedes - não pela corrida - que foi entediante, apesar das duas aparições do Safety Car - mas por um momento que aconteceu na partida, onde o poleman, Charles Leclerc, deixou passar Sebastian Vettel, e depois se falou de deslealdade. E como sabemos disso? Pelas suas constantes comunicações para as boxes, queixando-se de que tinha faltado ao compromisso. 

Leclerc queria que Vettel cedesse o posto ainda na primeira volta, ou nas primeiras voltas. Ora, nessa altura, o alemão era o mais veloz na pista, com ar limpo e a bater as voltas mais rápidas, com pneus moles, que iriam durar menos tempos que os médios, calçados pelos Mercedes, e do qual iriam resistir mais tempo, logo, favoráveis aos Flechas de Prata. Se calhar, se tivesse sido mais claro, poderia haver motivo que queixa, mas a troca aconteceu depois da paragem nas boxes, tal qual como em Singapura... e lá, nem houve tanta tinta.

Mas não foi por causa da combinação que a Ferrari perdeu. Ironicamente, foi porque Vettel desistiu e causou a segunda entrada do Safety Car. Os Mercedes tinham os moles calçados e o monegasco tinha os médios, que depois trocou para os moles, ficando atrás de Valtteri Bottas, do qual, depois do Safety Car ter sido recolhido, andou atrás, sem o conseguir passar e assistindo Hamilton a distanciar-se, rumo à vitória.

Muitos podem dizer cobras e lagartos de Vettel, que não cumpre ordens de equipa, de ser desleal. Na realidade, desejavam que Vettel fosse Bottas, um empregado do mês, e não é. E imaginemos que Vettel cumpriria a ordem, cedesse o lugar e depois desistisse na mesma, com os Mercedes a vencerem com dobradinha. Que culpados iriam arranjar? O Mattia Binotto? O que os fãs querem secretamente é humilhar o Vettel.

E Charles Leclerc, que tem todo o potencial para ser campeão do mundo, tem também o potencial de ser um sacana na pista, como era Michael Schumacher. Razão tem Lewis Hamilton quando disse, depois de Monza, que agora sabia o tipo de piloto que ele é. Pode ser monegasco, mas é impiedoso. Quer vencer e vai pisar toda a gente para lá chegar. Não tem estofo segundo piloto, não é empregado do mês, e odeia ter um piloto igual a ele. Aproveitou muito bem enquanto Vettel esteve em baixo, só que agora, o alemão recuperou dos seus maus dias, e ele sente-se incomodado, porque pensava que tinha um estatuto garantido. E agora, a Ferrari sabe têm dois primeiros pilotos, como teve a McLaren em 1988-89, a Ferrari em 1990, e de novo, a McLaren em 2007. E de todas essas vezes, as coisas acabaram mal, com a equipa a explodir e os outros a aproveitarem. Agora sabemos disso.

Mas independentemente disso tudo, a Mercedes ganhou, com sobras. E agora tem de escolher o palco a sua consagração. Dão o seu melhor para que seja em Austin, ou ficarão seduzidos pelo ambiente de Interlagos? A escolha é deles.


***


O texto do Paulo foi categórico. Se irei fazer algum comentário sobre o GP da Rússia ao longo da semana, deverá ter esta postagem como fio condutor, embora (como mencionei, foi contundente) não tenha muito o que acrescentar. Estou decantando ideias e absorvendo opiniões, especialmente depois do (pequeno) caos que foi algumas leituras no Twitter, ontem. 

No mais, para o GP do Japão, teremos uma participação de uma jornalista formada e amiga que, ontem, dividimos uma tarde de troca de mensagens muito agradável e acabei fazendo-lhe o convite para o evento que nos coloca atentos à TV durante a madrugada. 

Obrigada Paulo pela dedicação e atenção por aceitar o convite às pressas e por ter me passado um texto da qual me identifiquei totalmente. Simplesmente espetacular!

Fico por aqui, desejando a todos uma semana produtiva, agradável e deixando os comentários ao dispor de vocês!
Abraços afáveis!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

F1 2019: Pontinhos de Cingapura 2019

No post anterior vocês tiveram a coluna pós corrida da Carol Almeida e não um texto meu. Basicamente ela escreveu o que eu teria escrito aqui, só que do jeitão dela de se expressar.
A "novidade" para as colunas seguirá; teremos um participante para o GP da Rússia. Não vou estragar a surpresa, mas alguns já sabem quem é. Aguardem! 

Enquanto isso, colocarei aqui meu tópicos sobre o fim de semana em Cingapura.

► Não gosto do circuito. Acho que permite muitas atrapalhadas, muito pelo desgaste físico dos pilotos por conta da alta temperatura e também por ser circuito de rua, cuja ideia de passar próximo aos muros é necessário para ter melhores resultados. Mas nem todo mundo pode ficar 'brincando' volta a volta com isso. 

► Vocês devem ter visto memes ou comentários projetando a eficiência da Ferrari depois de Monza. Acreditava-se (eu inclusa) que em Cingapura voltaríamos a ter as Mercedes no topo do pódio um Lewis Hamilton estampando sorrisos num rosto úmido de suor. A brincadeira já estava presente: o pessoal queria saber como a Ferrari lidaria com uma pista sem as tais retas que favorecem a eficiência do SF90.
A Scuderia deu uma acordada (tarde demais para ter efeito arrebatador) e desestabilizou um pouco a Mercedes já no treino classificatório: Sebastian Vettel deu sinais de "fênix", mas Charles Leclerc completou a quinta pole, a terceira seguida na temporada. 
Houve reação de Hamilton sobre a quinta pole do monegasco (surpreso, o inglês soltou até palavrão) e ficamos no aguardo de uma possível redenção de Vettel. 

► A quinta pole do ano de Leclerc mostra um já comprovado e notado vigor de futuro campeão. Indica também que os ajustes feitos no SF90 estão mais propensos ao garoto do que ao veterano Vettel, embora, alguns indícios puderam ser observados na corrida com relação à pilotagem do alemão.
Lembram que, no post que fiz, a respeito de algumas manchetes noticiadas após Monza, mencionei que Juan Pablo Montoya havia dito que o problema de Vettel era mais técnico que psicológico? 
Pois bem. Tanto concordei que ainda permaneci com isso em mente para projetar o que a Ferrari deveria fazer, mesmo tendo em mãos o Leclerc com um futuro brilhante a ser traçado. A equipe poderia, ao invés de optar pela diminuição dos "deveres" de Vettel com a equipe, ao menos dar-lhe opções de ajuste mais confortáveis e não fazê-lo passar a humilhação de ser escudeiro puramente.
Sigo concordando com Montoya. Mas não acredito que a Ferrari - após a declaração de de Mattia Binotto sobre ter dois pilotos fortes na equipe, não ser ideal para a gerência interna - tenha propiciado que Vettel se achasse novamente na equipe. Podem ter dito algumas palavras de apoio, mas trabalho duro por parte deles não me parece que foi o critério levado a sério nos dias anteriores à Cingapura. A prioridade seguiu e segue sendo Leclerc, como já havia dito, no começo do ano, antes mesmo de suas vitórias emocionantes e de Vettel começar com seus "erros" que levaram à sua recente crucificação .
O que eu acredito mais é que, por ele não ter rede social, e ter recebido algum apoio de fãs e entusiastas do esporte, possa ter usado os dias de intervalo de um GP à este último, para esfriar a cabeça, enterrar os erros, e buscar forças para terminar o ano, minimamente bem.

► Dito que Leclerc tem vigor de campeão já atestado, isso trás outras ideias, especialmente sobre o andamento e conclusão da corrida.
Por algumas voltas, talvez um terço da corrida, Leclerc estava segurando a primeira colocação, mas sem se valer de uma grande vantagem para os demais. Enquanto isso, Hamilton não conseguiu acompanhar o ritmo do queridinho da Ferrari, ficou apenas à espreita de qualquer oportunidade de ganhar a posição - fosse por Safety Car, fosse por estratégia de pitstop. Eram estes os jeitos mais propícios. 
Após o inglês reclamar do desgaste dos pneus, a Ferrari deu pressa para trazer Vettel para o pitstop. Um tempo depois, chamariam Leclerc. E aí é que a surpresa se deu: não calcularam que Vettel viesse à frente de Leclerc, fazendo um undercut. 
Diante dessa situação, muitos de nós acreditavam que a Ferrari solicitaria a mudança de posições. 
Hamilton, que havia indicado desgaste de pneus, passou a pedir por permanência na pista. A transmissão gritalhona calculava que ele e a equipe aguardavam por um Safety Car. Não houve nenhum nesse período até que, quando fez a parada, não só perdeu a chance de disputar posições para a vitória, como perdeu o pódio para uma Red Bull.

► Nesse meio tempo de pitstops, o undercut não premeditado pela Ferrari não pode ser considerado "ajuda" estratégica para Vettel vencer como algumas matérias (essa aqui, inclusive) indicaram. Uma pois, ficou claro que a Ferrari não esperava por tamanha eficiência de Vettel. Duas que, logo que pode, Vettel foi passando os pilotos à frente, antes mesmo de decidirem fazer também as suas paradas. Os mesmos carros - Giovinazzi entre eles, que ficaram algumas voltas na liderança - e ofereceram pouca dificuldade à Leclerc e à Max Verstappen. A terceira razão é que Vettel voou mesmo e pode garantir assim o direito de vencer a corrida.
No mais, Seb pareceu realmente confiante, tanto que forçou uma ultrapassagem mais arriscada para cima de Pierre Gasly. Ele não procurava por punições, ele procurava não perder tempo, pois era necessário que a vitória fosse possível à equipe. Desde a classificação estava claro que ele queria, e na corrida ele passou a merecer conquistá-la. Bastava continuar fazendo um bom trabalho.

► Para juntar todo mundo e ter alguma chance de ataques, era necessário um Safety Car. E houveram 3. Algumas pessoas na rede do passarinho azul (Twitter) colocaram lenha na fogueira. Todos quiseram lembrar do "crashgate" de 2008, brincando que essa seria a chamada de Toto Wolff para Valtteri Bottas.
Um adendo: na ocasião, quantos de nós não julgamos o incidente como um evento sujo? Fernando Alonso, em 2008, não precisava daquilo. Era bicampeão e tal. ... 
Mas estaria tranquilo se  o esquema se repetisse com Bottas arrebentado o carro no muro e Hamilton vencendo?
...
Voltando então ao assunto principal: O primeiro SC veio como algo lamentável, não só pelo ocorrido em si, mas mais pela forma como foi tratado. O culpado do lance? Romain Grosjean. 
Vocês não leram (nem lerão) na mídia especializada que o acidente foi um algo de corrida simples e que, pelo onboard do Grosjean, o "Linguini" não teve para onde ir. George Russell tinha um carro de lado e "fechou a porta". Não estava num circuito com escape e o movimento de defesa foi, no mínimo, estranhíssimo.
Mas o piloto da Haas (tomando raivinha da equipe em 3...2...) é um dos sacos de pancadas da F1 atual. Talvez o principal deles. Além do mais, apesar de lembrarem o "crashgate" ninguém queria que acontecesse algo semelhante de novo (ou só eu esperava que ninguém quisesse?)...

► Tentando não pensar na relação da Mercedes com a Williams, imaginei que a Ferrari então faria Vettel protagonizar a segunda cena humilhante do ano, depois de Spa, assim que o SC se retirasse da pista.
Por sorte, houve uma largada limpa com Vettel relargando bem e os demais, também. 
No segundo SC, dessa vez com Pérez estacionando o carro por algum problema elétrico ou de motor, talvez a situação fosse colocada em prática. Era a 44ª volta e o SC só saiu 4 voltas mais tarde. 
Novamente, largada limpa e Vettel manteve o bom ritmo. Não havia razão para a mudança de posições e isso pareceu claro. 
Na volta 50, Daniil Kvyat se enroscou com Kimi Räikkönen. O finlandês deixou o carro com suspensão quebrada na área de escape e assim entrou o terceiro SC.

Fim de semana ruim para Kimi. Parece ainda que o finlandês não voltou das férias e precisa "sacudir a poeira" e entender que estamos já com os trabalhos para serrem feitos e resultados entregues. Voltar mesmo não desse jeito; com pernas 'machucadas', abandonos ou batidas. 

À essa altura, apesar dos protestos no rádio de Leclerc sobre o undercut do Vettel, ambos foram avisados pela equipe para manterem as posições.
Isso gerou desconforto no pessoal que não gosta do Vettel. Queriam que Leclerc tentasse ultrapassar e Vettel rodasse. Qual a alegria em ver isso, ainda estou para saber. 
Para a Ferrari, o jogo era claro: a dobradinha, fosse a ordem que fosse, era necessária. Se antes das paradas, chamaram Vettel com medo de perderem a posição para Verstappen, manter um pódio com duas Ferraris era o plano 1. Uma possibilidade era a de tentarem tomar a posição de Hamilton. Não calcularam que Vettel seria tão rápido a ponto de conseguirem tudo isso, mas com o agravante da mudança da ordem entre os seus pilotos. Conseguir fazer com que Hamilton por exemplo, ficasse perdido e não eles, era o maior lucro que estavam tentando conseguir. 
Essa situação colocou os pingos nos is. Estavam com uma dobradinha certa. Qualquer gracinha era desperdício. Ainda mais que Verstappen parecia ter optado pelo bom senso, já que em duas relargadas ele priorizou manter a posição e conter o avanço afoito de Hamilton. Manter tudo como estava era o mais sensato a ser feito.

► Uma troca de posições teria mostrado uma certa injustiça. Vettel havia andando rápido e não tinha errado. Não tinha uma vitória desde o Canadá. Retirar dele, mais essa, por mandos de equipe, era fechar a tampa do caixão de sua carreira. Nada o salvaria da chuva de críticas que vinha (e ainda vem) sofrendo. E se o fogo viesse de casa, ficaria péssimo para a Ferrari se insistissem na troca. 
Nada garantia que, pela raiva de ter que fazê-lo, Leclerc não forçaria o suficiente para que Vettel perdesse até a posição para Verstappen, com certeza só à espreita de uma oportunidade dessas. Seb ainda teria que lidar com um "sem paciência" Hamilton. Arriscar perder a dobradinha para proteger o futuro campeão da equipe era uma decisão muito arriscada. Injusta para ele, mas justa para a equipe, que já cometeu muitos erros que lhe custaram o campeonato.
Já que - por uma surpresa - a situação assim estava, assim deveria ser mantida. Manter as posições era um pedido que, aos nossos ouvidos, empacava a emoção de competição que, por sinal, não tinha acontecido durante toda a corrida - monótona em boa parte dela. Porém, havia outra questão que colocava a Ferrari à mercê de aplausos pela decisão: tentar desestabilizar a Mercedes à curto prazo, já que para a Rússia eles e não a Ferrari são favoritos. 
O único pormenor é o seguinte: se a mudança de posições ocorresse de forma limpa, e Leclerc vencesse a terceira corrida seguida, ele teria passado Verstappen na tabela de pontos e garantido a terceira colocação geral, podendo então pensar em se aproximar de Bottas - visivelmente já anulado na Mercedes apesar de ter renovado contrato. Teriam colocado uma pressão extra na Mercedes: forçariam que eles pensassem também nas corridas do Bottas para proteger o seu primeiro piloto.
Talvez seja aí que Leclerc estivesse tão possesso com a decisão da equipe, pois, assim como nós, sabe que o campeonato de construtores está no papo - a Mercedes tem 9 dedos e meio no título.

► Embora exista esse lado prático dos pontos, faltou ao Leclerc diplomacia e postura diante ao trabalho em equipe. Sim, a Ferrari não vencerá o campeonato de construtores. Mas em Spa, não vimos Vettel reclamando de ter sacrificado sua corrida em prol da vitória do companheiro. Naquela corrida ele perdeu muito, não só a dignidade como o seu rendimento caiu  a ponto dele sequer ir ao pódio na Bélgica. 
Leclerc não respondeu ao rádio depois do fim da corrida, ficou com cara de poucos amigos após tirar o capacete, e disse à David Coulthard na entrevista pré pódio que estava frustradíssimo. Disse entre dentes que era pelo bom resultado do time, mas não agiu nem tem agido em conformidade com a política do time: ele ainda procura por explicações por não terem mandado fazer a troca de posições.

Ele sabe, mais do que nós, que a Ferrari vem primeiro e está acima de qualquer outro, seja o último piloto  a vencer com eles, seja o último piloto a trabalhar duro para eles, seja um multi campeão da F1 que escolheu ser piloto deles.
A mídia seguiu o padrão de divulgação: Vettel teria ganhado "ajuda" estratégica e Leclerc teria achado injusto o undercut que tomou. Criando uma rivalidade nas notícias, o monegasco deu munição para os "especialistas": exigiu que a Ferrari desse explicações. 
Binotto foi enfático: alertou sobre a possibilidade de Vettel perder a posição para Verstappen que estava em quarto. Já sabiam o que fariam com Leclerc assim que tivesse um tempo propício mais tarde, e que com a parada de Vettel, poderiam colocar ele em posição de atacar Hamilton ou até, tomar a sua segunda colocação. Se esqueceram que Vettel poderia fazer voltas ótimas com pneus novos - o que aconteceu.
Explicaram para Leclerc, e ainda assim, ele insiste estar à par das decisões como se tivesse sido "roubado" dele a chance de ser vitorioso pela terceira vez.
Reforçando o climão entre os pilotos, foi divulgado que Vettel teria declarado que a "Ferrari está acima de qualquer indivíduo" como se tivesse mandado um recado ao companheiro. Do lado de cá, de comentaristas até fãs, a grande maioria defendia Charles sob um pretexto plausível, mas discutível: todo campeão reclama de "perder" a vitória. Era assim com Senna, com Alonso, é assim com Hamilton, e até já foi muito com Vettel. 
Negar isso é bobagem. Todos pilotos, até mesmo os não campeões mundiais tem essa petulância, digamos, natural. Mas a questão, como escrevi, é discutível. Lembro que, pelo menos com dois destes citados, toda vez que abriam o rádio para pedir passagem, presos atrás de seus companheiros de equipe, chovia críticas. A principal frase: "Quer a vitória? Então passa!"
Houve isso com Charles? Se houve, eu não fiquei sabendo.

Sejamos pragmáticos aqui: a Ferrari não disputa o campeonato, nem de pilotos, nem de construtores. Por mais que esteja todo mundo insano, não existe a menor possibilidade de não dar Hamilton no fim da temporada. E a Mercedes está tranquila, apesar de já ter colocado na ponta do lápis tudo que precisam fazer até o fim do ano para garantir o campeonato de seu protegido. 
O máximo que a Ferrari está possibilitando é tardar esse momento. Leclerc então deveria comemorar as conquistas da equipe. Faz tempo que não acontece reações como essa na equipe. Há de se procurar nos "arquivos", mas arrisco escrever que talvez a última vez que a Ferrari experimentou sensações como essas deve ter sido em 2009. E olhe lá, já são 10 anos, se eu estiver certa no meu palpite.

Vettel é da Ferrari. Em nenhuma ocasião, desde que pisou na equipe, ele não deixou de ser diplomático. Com o passar dos anos ficou até bobo, de tanto que pede desculpas. Além disso, não disse algo que fosse contra as decisões da equipe e sempre evitou esse tipo de declaração. Sabe que é a marca primeiro, depois o resto. E quando se fala resto, é resto mesmo.
A prova que a Ferrari estava certa em ter chamado Vettel primeiro é que também Verstappen parou na mesma volta e ficou à frente de Hamilton. O timing foi perfeito para os dois para que não ficassem presos atrás de alguém. E isso ainda aconteceu, mas conseguiram se desvincilhar rapidamente dos carros que ainda não haviam feito pitstops.
No início da prova, a impaciência também era nossa: o ritmo lento dos ponteiros era estratégia para não dar espaço para as paradas de quem vinha trás. Se Leclerc tivesse acelerado, ganhado vantagem, talvez nem se Vettel quisesse teria feito o undercut. No máximo, teria ficado preso atrás dele, cuidando para que Verstappen e talvez Hamilton não se aproximassem.
Leclerc tem os tifosi com ele, babando colorido. Se ele tivesse se mostrado jogador de equipe, membro incentivador, não faltaria gente para segurar as suas... err... mãos! Sair reclamando assim, mais tarde vai depor contra ele quando experimentar a ponta da sua crise na equipe. Ele poderia ter tentado olhar nos olhos do Vettel e exaltar o seu retorno ao topo. Para a mídia, poderia dizer que estava frustrado, mas feliz pelo companheiro, elogiar e dizer que Vettel ainda é importante para equipe e para a categoria.
Teria soado falso? Oras, Hamilton faz isso o tempo todo e não parece incomodar nem os fãs, nem os jornalistas. Só porque Charles foi sincero e direto, não significa que vamos passar pano, só porque é bonitinho e estamos todos empolgados com as suas demonstrações de talento.

Além de dizerem que isso é postura de campeão, outros podem dizer que se ele ficasse tranquilo e dócil com a decisão, futuramente viraria capacho. Mas vamos à um exemplo fácil sobre isso. Felipe Massa, maior "puxa saco" da Ferrari sempre foi capacho do Schumacher. Em 2007 fez nada mais do que sua obrigação cedendo posição para Räikkönen tentar conquistar a vitória e o campeonato. Cumpriu com o combinado, com o jogo de equipe, então em 2008 teve a sua chance de buscar a vitória e precisar da ajuda de Kimi. A dívida foi paga, mas não pode contar com outros fatores para vencer o campeonato. Tanto ele quanto Kimi sabiam de suas respectivas funções na equipe e quanto a isso, nunca pode reclamar do companheiro finlandês e vice-versa.
Embora fosse puxa-saco, ele colocava a culpa no carro quando algo não saia como suas intenções. Pilotos que fazem esses questionamentos tem a tendência de serem rapidamente descartados pela Scuderia.
"Ninguém é mais importante que a Ferrari", disse Vettel, que tanto sabe disso, que demonstra e demonstrou em atitudes, inclusive  na hora de subir ao pódio com uma bandeira com os dizeres: "#essereFerrari".
Leclerc no começo do ano, declarou que estava aprendendo com Seb. Não parece ter "tomado nota" o suficiente. Como a apoteose midiática parece reforçar, a figura de Leclerc o estampa como incapaz de digerir a derrota.

► Apoteose ou não da mídia, a Ferrari precisa ajustar-se. Colocar ambos à par dos planos e resolver de uma vez por todas - sem anular - a "ressurreição" de Vettel e a "competitividade" latente de Leclerc.
Já devem ter feito isso já que Rússia está aí, e o começo dos trabalhos são para sexta-feira. A equipe pode até deixar a mídia se esbaldar com essa (forçada?) rivalidade entre ambos. Faz bem para trazer ibope. Mas o que Binotto deve fazer, nem que seja às escondidas, é ter planos eficientes para manter o mesmo bom ritmo para o próximo GP, sem deixar que seja primordial os joguinho extra pista.
Agora se a coisa descontrolou mesmo, aí só posso executar o modo #SóLamento. Não era difícil dois pilotos fortes na equipe? E agora Mattia José? (Eu bem que avisei...)

Do outro lado da corda, Hamilton reclamou que a estratégia da equipe tirou suas chances de vitória e pódio. A estratégia que ele parecia consciente. Num rádio reclamou do desgaste, no outro, não queria fazer a parada. Depois, o bipolar das declarações, explicou como a decisão afetou no seu resultado.
Ele se diz não iludido mesmo tendo 96 pontos de vantagem para os terceiros colocados. "Se houver alguém na equipe relaxado no momento, eles precisam conversar, porque todos devemos sentir a dor. E vamos para a próxima corrida tentando fazer um trabalho melhor.", disse.
Obviamente a Mercedes tem 100% de chances de sair vitoriosa na Rússia. Trabalho duro mesmo recai para a Ferrari e a Red Bull.
Por essa razão as duas equipes têm por obrigação dar 200% de seus esforços para tentarem repetir feitos semelhantes a Cingapura. Para a Red Bull o foco é claramente voltado à Verstappen. Este precisa, no GP russo, ficar à frente de Leclerc já que estão empatados com 200 pontos.
Na Ferrari, se querem mesmo tentar mostrar que não estão acabados, basta fazer trabalho de equipe, e repetir moldes semelhantes como os de Cingapura - sem egos e sem protecionismos - fazendo valer a premissa do "somos uma equipe". Quem sabe não entendem que é possível sim ter dois pilotos fortes?
Tardar o título do Hamilton pode estar nos detalhes: eles esqueceram e não se importam com Bottas. Colocar ele como um hamster exercitando na rodinha em poucos dias, pode não oferecer tantos resultados. Além disso, Hamilton está batendo os pezinhos com cara feia e braços cruzados. Se o pessoal da Mercedes não vier com planos eficientes para o GP russo, pelo menos para ele, o inglês vai ser aquele Hamilton que todo mundo esquece que existe só porque está adormecido.

E é fim de história? Ainda não. Vale dizer que Leclerc e Verstappen são os grandes nomes que trazem cada vez mais interesse à F1 esse ano. A Globo, nossa emissora de transmissão das corridas, bateu recorde de ibope novamente com o último GP. E não havia Hamilton no pódio...
Tardar esse título é lucrativo!

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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 15: GP de Cingapura

Temos novidades hoje na coluna completa pós corrida - um texto não meu, mas de uma convidada:  Carol Almeida.
Decidi que, depois de Monza, iria convidar quem comenta por aqui, a fazer uma coluna de cada corrida até o fim do ano. Comecei com a Carol e ela aceitou o convite me mandando o texto de ontem para hoje, que vocês poderão conferir logo abaixo.
Durante a semana, de minha parte, farei um post curto (já que escrevi demaaaaaais no post anterior) com comentários sobre essa corrida que só foi quente pela temperatura e os ânimos entre os protagonistas.
Espero que gostem e aguardem: o próximo convidado pode ser você! hehehehehe...

GP de Cingapura - por Carol Almeida 

O GP de Cingapura foi bem morno, pelo menos uns 85% de coisas interessantes dessa corrida vieram do pelotão intermediário e teve uma vitória muito merecida do Vettel, principalmente se pensarmos na baixaria que aconteceu no Canadá. Ele merecia ter uma vitória incontestável.Considerando esse GP no máximo OK de Cingapura, é até curioso que eu tenha tido duas surpresas: A primeira foi a Mercedes não ganhar, o que mostra que as atualizações da Ferrari estão começando a dar certo, ainda que tarde demais; e a segunda surpresa foi Leclerc ter começado a botar as asinhas de fora bem antes do que eu imaginei.
Digo “bem antes” porque esse típico egoísmo em relação ao colega de time é inevitável quando se trata de pilotos competitivos, o próprio Vettel era assim durante os tempos áureos da RBR, aliás. Mas eu achei de verdade que iria demorar mais algum tempo para o Leclerc se tornar uma “dramaqueen” de fato, tipo certos pilotos aí. Acho que fui ingênua.
O que aconteceu é que a Ferrari, querendo fazer uma dobradinha, mandou o Vettel parar antes nos pits, logo na volta 21. Assim, eles ficariam com as duas primeiras posições quando fosse a vez do Hamilton de ir para o pit. Na volta seguinte seria a vez do Leclerc trocar os pneus e ele sairia na pista mantendo a liderança, com o alemão em segundo. O que ninguém esperava – nem a própria Ferrari – era que Vettel estivesse mais rápido do que eles calcularam, o que resultou em Leclerc assumindo a segunda posição ao sair dos boxes ao invés da primeira. Vettel, então, administrou bem sua liderança até conquistar a vitória.
Leclerc, naturalmente, ficou decepcionado. Até aí OK, qualquer um ficaria no lugar dele. Agora querer que o Vettel devolvesse a posição a ele porque sim é até risível, ficou parecendo aquele menino emburrado que se recusa a pegar na mão da mãe porque ela não quis comprar-lhe um brinquedo. Se alguém teve culpa por sua derrota foi a Ferrari, porém, Vettel estar mais rápido do o calculado era, obviamente, imprevisível e, para a equipe, o importante mesmo era a dobradinha, o resto que se danasse. Enfim, são coisas que acontecem. Só resta engolir o choro e seguir em frente, sem fazer a “Maria do Bairro”.
Quanto ao Vettel, parece mais confortável no carro, vamos ver o que vai acontecer mais para frente, mas todos nós sabemos que esse é o tipo de situação que vai escalar até ficar insustentável. Agora nós vemos um puxãozinho leve de tapete ali, outro acolá, um olhar frio de um lado, um sorriso forçado do outro (quem viu os dois juntos ao final da classificação sabe do que falo), até que no futuro estaremos diante do momento inevitável no qual os dois se envolverão num incidente e vão jogar uma corrida fora. Quem tiver o menor fã-clube será o culpado e nós já sabemos qual dos dois é.
Sinceramente, não acho que o Vettel continua na Ferrari depois de 2020. Nem se ele ganhasse o mundial ficaria. Leclerc é jovem, tem muita lenha para queimar e nós sabemos que a Ferrari é equipe de um piloto só. Não vai dar para deixar Vettel e Leclerc debaixo do mesmo teto por muito tempo, principalmente se o alemão conseguir reagir. Após 2020, a Ferrari vai seguir o caminho da Mercedes e contratar alguém mais dócil para guardar Leclerc, evitando todo o estresse de ter que lidar com dois pilotos competitivos.
Quanto ao restante da corrida, foi um final de semana péssimo para a “Stroll Point”. O Lance ainda teve uns brilharecos aqui e ali, fez um trabalho melhor que o Pérez, sem dúvida, mas nada que salvasse o fim de semana.
Verstappen preferiu se acomodar no terceiro lugar. Provavelmente achou que era mais fácil perder o podium para Hamilton do que escalar posições, portanto escolheu se concentrar em quem vinha atrás.
Giovinazzi chegou a liderar por um tempo e terminou em 10ª, assegurando um pontinho, enquanto Kimi não terminou por causa de uma batida com o Kvyat. O italiano continua na Alfa Romeo ao que parece, mas sinceramente não o vejo ir tão longe na F1. Ele é o tipo de piloto que não se destaca de forma nenhuma, não tem o mesmo brilho do Russell, por exemplo, que se destaca mesmo numa banheira.
Outro que fez péssima corrida foi o Ricciardo. Tudo bem que é difícil se recuperar largando do fundo enquanto pilota o carro ruim da Renault. Sair da RBR foi o pior erro da carreira dele, daqueles erros em que você pensa toda vez que vai dormir, mas pelo menos ele está mais rico do que jamais estaria se estivesse na Red Bull, né? Então podemos dizer que ir para a Renault foi um agradável tiro no pé para o Ricci. Ironicamente, Hulkenberg foi o único que pontuou neste final de semana.
Falando em Hulkenberg, achei mesmo que ele tomaria o lugar do Grosjean na Haas, mas pelo visto tudo não passou de uma jogada para renovar com o Grosjean pagando menos. O alemão disse que recusou uma proposta da Williams, o que faz sentido porque deve doer na alma querer tanto um pódio e se arrastar em último no grid. Acho mesmo que esse é o último ano dele na F1 e, sinceramente, ele deveria desapegar desta categoria e ir tentar ganhar em outro lugar, como o Alonso e outros estão fazendo. Estar na F1 é desperdício de vida para alguém que está na posição dele. Quase uma década por lá já deve ter bastado para juntar uma boa grana, deveria procurar outro lugar para conseguir o tão sonhado pódio. As crianças no “Drive to Survive” me fizeram sentir um misto de dó e vergonha alheia por ele, quem assistiu sabe o que falo.
Eu tô achando que a Netflix deve ser patrocinadora secreta do Grosjean, porque só isso explica a decisão da Haas em mantê-lo para o ano que vem. E o Kevin Magnussen? Perdendo para a Williams do Kubica? Que morte horrível. Em defesa dos dois, o fato da Haas renovar a dupla de pilotos é um reconhecimentoda equipe de que o carro deles é realmente muito ruim. Ou é isso, ou os dois devem ter algum vídeo comprometedor do Haas envolvido numa orgia com drogas e travestis. 
Grosjean e Magnussen são, no máximo, inconsistentes. Vejamos essa corrida, por exemplo: O Grosjean chegou em 11ª, o Magnussen em último. E olha que o francês ainda se envolveu numa batida com o Russell. O carro da Haas é ruim, mas justifica chegar atrás da Williams de Kubica? A impressão geral que tenho até aqui é que o carro deles não é muito inferior ao da Racing Point, por exemplo, mas os pilotos fazem o carro parecer uma Williams.
Para finalizar, a equipe vencedora deste ano fez uma corrida bem discreta; e deu até para esquecer que o Hamilton estava nesta corrida, não tem nem o que dizer do Bottas, não é? Mas acredito que na Rússia eles vão ditar as cartas, apesar da evolução da Ferrari.

***

Obrigada Carol pelo texto! Achei muitos pontos perspicazes... Em outro post, que farei durante a semana, tentarei abordar alguns pontos sobre a corrida - de forma sucinta - e perceberá que estou de acordo com muita coisa que escreveu. 

Aos demais, especialmente aqueles que eu não tenho nenhuma forma de contato, deixem nos comentários algum email, ou me escreva uma mensagem pela página do blog (clicar aqui), para que eu possa fazer os futuros convites. Aos que eu tenho o contato, fiquem atentos!

Espero que tenham gostado tanto quanto gostei da experiência de compartilhar textos de um de vocês e claro, mando abraços afáveis à todos! 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

F1 2019: comentando manchetes

Durante as comemorações dos 90 anos da Ferrari, várias situações ocorreram. Uma delas não tive a oportunidade de comentar, mas aconteceu, lá na Piazza Duomo. Os "tifosi" chamavam pelo Kimi Räikkönen, enquanto o Felipe Massa dava entrevistas.
Há certas coisas que, não tem preço rsrsrsrsrs...



Só pude achar isso engraçado, pois do lado de cá, podíamos acompanhar o vídeo ao vivo pelo Facebook, sentadinhos no conforto de casa. Reparei que havia um petulante ser que volta e meia comentava no vídeo as palavras: "Hamilton" e "Mercedes".
Qual a necessidade dessa provocação? A falta de segurança de 'fanboys' é uma coisa lastimável, mesmo. Sempre à procura de uma "cutucada".

Nos dias seguintes à essa comemoração qualquer um de nós deve ter visto algo relacionado à Lewis Hamilton na Ferrari - fosse uma matéria em que ele dizia nem que sim nem que não, fosse uma foto dele com um macacão vermelho.
A tal foto inclusive, gerou alguns comentários nas redes de fãs e não fãs do inglês. Do último grupo, eu estava inclusa. Questionei a ida dele para a equipe. Porque sairia da sua "zoninha" de conforto? Não fazia sentido.

► Não sei também se a Ferrari iria querer Hamilton como um de seus. Não me lembro de nenhum piloto ter sido mais provocativo com os pilotos da Scuderia ou mesmo, de como eles lidam com as coisas na F1, do que Hamilton. Talvez tenha existido alguém que perturbasse, mas, recentemente, não tiveram contratações de tipos que foram pedra no sapato na equipe nesse sentido. 
Parecia insensato.
E deve ser mesmo, dadas essas duas manchetes:


Uma coisa é a gente "brincar" com a "máfia" italiana. Outra é falar sério, sobre possíveis problemas que enfrentariam caso tivessem a "justiça" a seu favor, como Toto e Hamilton indicaram em suas respectivas falas sobre o ambiente de Monza. Um choro desmedido e - me pareceu - interminável.

Toto Wolff se esquece que, especialmente neste ano, a FIA foi M(ercedes)IA em todas as decisões de punições que afetariam diretamente o resultado 100% positivo da equipe prateada. Quando surgiu uma possibilidade de não cortar a competição de uma só vez, se viram "injustiçados"(!!!!!) e encresparam. Nem foi assim tão prejudicial, dado a vantagem que ambos, tanto Hamilton quanto Valtteri Bottas garantiram no último GP.
Puderam achar ruim dessa vez, mas acharam super justo o que foi feito no Canadá, este ano. Também não chiaram quanto ao que ocorreu entre Max Verstappen e Charles Leclerc no GP da Áustria.

Seguindo o "chefinho" (ou o chefinho segue ele, tanto faz) veio o drama do Hamilton... Incompreendido, o cara critica as decisões, fez apelos contra o piloto da Ferrari e quer ser bem tratado pelos donos da casa?

Não que os torcedores estavam certos em vaiar, mas sejamos pragmáticos: os "tifosi" não são do tipo que pensam e colocam na balança as suas emoções. Se não gostam, quebram o pau. Se gostam, faltam lamber a pessoa amada.
Que Hamilton ignorasse esse extremismo da "platéia". Singapura estava próximo. É bem claro que vai ter vitória (com possível dobradinha da Mercedes), com discursos de "estou muito feliz, lutei muito para ter um fim de semana excelente, a equipe está de parabéns, pois viemos de um GP (sic) difícil..."


► E acham que teve fim toda essa "lenga-lenga"? Se você disse "não", você acertou amiguinho e amiguinha:


Só você pode ficar mudando de direção para se defender de ultrapassagens é?
Além disso, todos querem uma explicação da FIA por punições que sofreram.
Sebastian Vettel quis e foi atrás de uma reversão sobre a punição do Canadá. Deu com os burros n'água. Agora está atrás do Leclerc na tabela, rotulado como segundão, sendo criticado por uma parcela dos fãs como "fraco mentalmente", outra parcela como "fraco profissionalmente". 
O próprio Leclerc adoraria que explicassem para ele porque Verstappen não recebeu nem uma bandeira quadriculada na Áustria.
E o nosso amigo sorriso, Daniel Ricciardo em Paul Ricard? Vítima das regrinhas do uso do extra pista. 

Vivo escrevendo e peço desculpas pela repetição: as decisões sobre batalhas por posições na F1 (e outras) são seletivas e respeitam um critério que não está escrito no livrinho de regras. Depende do humor dos comissários, de quem está envolvido na batalha, de qual equipe é. Também há o quanto vai ter de choro depois, e o quanto vão ter que aguentar de reclamação.
Acham pouco? Acrescenta aí outro ponto de análise da FIA com relação às batalhas: como elas afetam na tabela de pontos.
Ora, dos citados acima, Daniel Ricciardo na ocasião do GP francês tinha marcado 16 pontos. Seu melhor resultado tinha sido um sexto lugar no GP anterior. Tanto fazia se punissem ou não. Aí valeu abrir o "pdf" de regras para dar uma consultada e aplicar a "notificação".
Nos casos de Vettel e Leclerc, valeu a premissa da tabela: evitando correr o risco de Sebastian criar asas para cima de Hamilton, a canetada se fez valer. As críticas choveram, não só dos ferraristas, então, eles não tardaram em deixar que Verstappen pudesse fazer seu espetáculo, no afã de se mostrarem justos e que deixam os caras livres para serem supremos. Ainda mais depois do tanto de gente que odiou o GP da França pela monotonia que foi.
Deixar os caras livres era uma estratégia boa para apagar a ideia de que estávamos diante de uma temporada muito chata, sem competição. Maquiou-se também, de outra forma, já que a liberdade também só foi possível pois na tabela não afetava os ponteiros, afetava os envolvidos: Hamilton ia para 197 pontos na ocasião, e Verstappen para 126. Entre eles havia Bottas com 166 pontos, quarenta a mais que Max. Leclerc mesmo, ia para 105. Em média, Max tinha 100 pontos e Leclerc 85 (esquecendo das voltas rápidas) antes do "incidente da disputa", e a primeira posição naquela corrida definia quem seria o terceiro colocado na tabela. Não tinha problema deixar livre, mesmo com a forçada do holandês para Leclerc usasse o extra pista. Não teve regrinhas marotas acionadas. Uma semana depois da França, já davam doce de graça para que achássemos que tinha alguma competição na temporada sim, e isso era maravilhoso.
Se os personagens fossem Hamilton e Bottas, duvido que estaria tudo tão solto.

Então, querido Hamilton, se você conseguir clareza e exatidão da FIA agora, nessa altura do campeonato, vai ser só para você ter mais facilidades nas conquistas. 
Afinal, LH é um piloto, senhores e senhoras, que não erra, é mentalmente equilibrado e é totalmente justo e limpo.



Sim, mesmo com todas as nossas opiniões sobre Bottas, o que dá para dizer é isso mesmo ele não consegue seguir o ritmo dos demais. 
A equipe está fazendo alguma coisa para reverter essa situação e melhorar as condições competitivas do segundo finlandês do grid? Não. 
O que podem estar fazendo - ainda que eu duvide - é o mínimo de ajustes para manter ele em condições de terminar corridas entre os cinco primeiros, pelo menos. Eles vão apertar as "porcas" se, por ventura, Verstappen retomar o protagonismo em disputas.
Depois das férias, ele teve duas corridas muito desfavoráveis e está incomodando pouco as Mercedes agora. Depois de Monza, e já com data (este fim de semana) e local (Singapura), Max passou a ser problema da Ferrari. Com a segunda vitória de Leclerc, ele soma 182 pontos e o garoto não só passou Vettel na tabela como está à 3 pontos do holandês, ameaçando a sua terceira colocação.

Inclusive, se conheço bem a Ferrari, é exatamente nisso que focarão para Singapura: manter Leclerc à frente de Verstappen. Pensarão pequeno e não se importarão com a possibilidade da Mercedes ser hegemônica nesse circuito. Talvez seja até bom, pensar numa coisa de cada vez, já que essa pista deixou marcas profundas nos estrategistas da Ferrari...


► Depois de uma semana de reclamação, a "falsiane" deu as caras:


Reparem que eu coloquei acima, um pouco antes da reportagem sobre o Bottas, que Hamilton ainda chorava sobre a medida tomada pela FIA em relação a disputa com Leclerc em Monza.
Uma semana depois ele decidiu ser marqueteiro e falar que gosta de disputas.
Se gostasse, não reclamava tanto...


Na reportagem, ele diz que se vierem fortes para cima das Mercedes, seria ótimo, e que torcia para que houvesse competitividade entre eles, as Red Bulls e as Ferraris. 
É hora de decidir: ou quer que as disputas aconteçam para poder mostrar seu real valor, e com isso, calar umas boquinhas grandes que temos por aí, (inclusive a minha) ou prefere que a FIA aja com as punições (bestas) para conseguir suas facilidades já consumadas. Decida-se!

Fica a questão: seria LH forte mentalmente, porém bipolar?


► Todos tiveram opiniões, sobre Sebastian Vettel. Poucos foram melhores nas suas falas do que Juan "Pablito" Montoya. Selecionei alguns pitacos e vamos por partes, como Jack Estripador.


O momento só é difícil, pois Vettel é um grande nome no automobilismo, quer queira ou não. 
Na reportagem Ross Brawn analisa tudo que envolve Vettel, esse ano até o seu ato em Monza. Sua opinião recai na ideia que está na boca de muitos: o alemão não está sabendo lidar com um companheiro mais novo e mais forte, já que seu erro final teve exatamente um reflexo contrário na pele de Leclerc.

Brawn está certo em apontar que não será fácil reconstruir a confiança?
Só o tempo dirá.
Mas Ross tem um certo conhecimento de causa que nos falta: ele foi ex chefe da Ferrari, e portanto sabe como as coisas funcionam lá dentro. Talvez seja por isso que a sua conclusão sobre o alemão seja essa e não outra, do tipo que incentiva a recolher os pedaços, se refazer e deixar claro que acredita que Seb seja capaz disso, como Toto Wolff acabou (involuntariamente) fazendo.


Não gosto da figura de Toto Wollf. Muitas vezes se mostra falso e é sucinto sobre assuntos que não lhe apraz. Mesmo assim ele colocou a cara para fora da moita quando perguntado sobre a situação na qual Vettel se colocou depois do GP italiano.
Ao contrário de alguns "carniceiros" de plantão, Toto foi justo: disse que não é hora de descartarem Vettel, alertou para o número de títulos que ele possui e disse que nomes assim se reerguem. Monza havia sido apenas um dia ruim de Sebastian.
Claro que Toto está sob a carne seca, com seu piloto favorito tranquilo e saltitante. Porém, não perderia nada se criticasse como outros fizeram, sem dó, alertando inclusive que, por Vettel ser tetra campeão, não poderia se abater mentalmente por um novato ainda verde na carreira e blábláblá...

Mas o melhor de todos dando pitacos sobre Vettel, deixei propositalmente para agora.


Escapando da onda, Montoya não montou discursos sobre a dificuldade de Seb ser piloto da Ferrari, superado por um companheiro recém chegado. Montoya sabe, mais do que nós como as coisas funcionam internamente na Ferrari. Não tanto quanto Ross Brawn, mas sabe.
Montoya também não fez críticas à questão mental do profissional Vettel. Nem trouxe 2014 na memória dos detratores. Também não fez elogios. Foi direto num ponto que ninguém especulou e me parece o mais certo até agora: os problemas de Vettel são técnicos.

Até o GP da França, Vettel levava o campeonato praticamente sem erros, Leclerc nem tanto. A partir do GP francês a Ferrari decidiu sacrificar a estabilidade da parte traseira para melhorar a aderência na parte dianteira do carro. Os ajustes, as soluções encontradas para o SF90 pode ter desestabilizado o conceito do carro em relação ao estilo de pilotagem de Vettel. 
Sob essa perspectiva, se Leclerc estava enfrentando dificuldades, talvez ainda com o ajuste, sobressaiu por ter tido tempo e alguém acompanhando de perto para que, depois do GP francês, cometesse menos erros (salvo Alemanha) e foi se adaptando mais e melhor ao carro. Pode ser então que durante o período de férias, ele tenha se encontrado com o seu SF90 e agora a lua de mel esteja à todo vapor.

Os problemas de Vettel são técnicos, e em se tratando do clima que é trabalhar para a Ferrari, existe a pressão enorme que é não estar entregando os resultados positivos "para ontem" que tanto se faz presente na rotina de quem trabalha na equipe.

Kimi é um piloto diferenciado. Não é dado a estrelismos, bebe entre um GP e outro e pouco se lixa para a politicagem da categoria. Mas peguem as duas passagens dele pela Scuderia.
Na primeira, venceu em 2007, selando o último título da equipe. No ano seguinte, no máximo contribuiu para que a equipe ganhasse o campeonato de construtores. Em 2009, passou uns bocados. Foi chamado de desmotivado pela torcida. A Ferrari precisava vagar um dos seus cockpits para ter Fernando Alonso. Com um acidente (feio) de Massa, Kimi foi a alternativa. Recebeu uma bolada para sair da equipe e foi considerado mercenário. Ficou sem uma vaga em equipe competitiva em 2010 e 2011.
Voltou para a F1, numa Lotus. Fechou o ano, em terceiro lugar, fazendo uma temporada absurda. O 2013 não foi grandioso como o anterior, mas muito próximo do resultado bom, mesmo com uma Lotus meio capenga. Voltou à Ferrari e teve um 2014 ridículo, ficando em 12º na colocação geral e sendo companheiro de Alonso, em seu último ano na equipe. O sexto lugar do espanhol indicava o quão ruim era o carro da Ferrari naquele ano.
O ano péssimo, não voltaria a se repetir, mas também não haveria muito do que contar vantagem, salvo o 2018, em que foi o terceiro na colocação geral. O último ano de Kimi na Ferrari foi embalado pelo coro dos pedidos de aposentadoria. Assinou com a Sauber (que virou Alfa Romeo) e juro que li um pessoal achando mais prudente que dessem mais uma chance para Marcus Ericsson e não para o "velho Kimi".


Hoje, ele retomou a fama de ser um "pilotaço": marcou pontos em 8 das 14 corridas, e garante 31 pontos dos 34 da Alfa Romeo. Mesmo o Homem de Gelo é outro cara quando a administração da Ferrari fica menos em cima dele, cobrando e exigindo.
O que Vettel precisa nesse momento é isso. Relaxar quanto as cobranças, por mais difícil que seja, e sentar com mecânicos e equipe de estrategistas para estudar formas de ser mais consistente e ter o carro como aliado e não como inimigo. Ajudaria se os "seca pimenteiras" esquecessem um pouco dele.
Como dizem por aí: "se não vai ajudar, também não atrapalha".

► Parece que as pragas brasileiras à qualquer esportista alemão por conta do 7 x 1 de 2014 chegou também à F1. Não só Vettel, mas Nico Hulkenberg também está "precisado" de uns banhos de sal grosso.
Vamos olhar algumas notícias que envolveram o moço?


Poxa Prost, tá de sacanagem? Pessimismo não nasce do nada não, meu querido! Se Nico contestou algumas coisas da equipe cabia a quem está na gerência da equipe, o senhor, por exemplo, sentar com ele e tentar ver a melhor forma para que ele não agisse com tanta negatividade. E no mais, isso nem é um problema. Visto daqui de fora, parece que não há muito o que se motivar pela Renault.
Penso que, provavelmente fizeram com o Hulk o que se faz em muitos lugares para deixar ele no ápice de sua desmotivação e revolta pessimista: devem ter comparado ele com o Ricciardo, mandado ele fazer algo que na visão dele, não daria certo e desconfiaram de sua própria experiência enquanto piloto. Quer que o cara fique modo Pollyanna como?

Não que eu torça contra, mas Esteba Ocon pode ser uma "draga" na Renault em 2020. Depois de Interlagos 2018, não tenho nenhuma simpatia pelo "cara de doninha"...




Ó outro que está de sacanagem, né, senhor Steiner?
Nada contra Romain Grosjean, mas infelizmente ele não está rendendo. Talvez seja hora de se achar em outra categoria, procurar um lugar seja mais propício. Optar pelo Hulk me leva a acreditar que a Haas tem a ganhar um pouco mais.

Se bem que, mesmo que no texto da matéria, as reticências sobre a contratação paira em termos financeiros e questões de aptidões, a  indecisão só se justificaria pelo fato emocional.
Kevin Magnussen como companheiro de Hulk pode retratar a briga interna mais pesada já vista na F1 nos últimos 10 anos. O "Pessimista" contra o "Suck my Balls".


►Afinal, quem é Charles Leclerc na boca do povo?

Fazendo um pequeno ibope no paddock e entre os ex pilotos temos uma complicação no que se refere a Leclerc pessoa/piloto (já que uma coisa não está nunca dissociada da outra, vamos usar a barra).

Vamos à algumas falas desse pessoal:


Falou uma das figuras mais sisudas do grid. No começo eu acreditava fielmente que Bottas era casca grossa. Hoje, vejo que nem tanto. 
Mas a manchete não faz jus ao conteúdo que Bottas abordou. Ele mostrou o quão bacana foi ver a força de ganhar outra corrida por parte do Leclerc.
E foi bacana mesmo. Embora não acho que isso tenha relação com a idade, acredito mais que seja pela trajetória e busca insistente de realizar sonhos que faz, todos eles que são muito talentosos, começar a colher os frutos de seus esforços. 

Mas nem tudo foi só elogios ao monegasco gracinha...


Jean Todt, além de presidente da FIA, já foi chefe da Ferrari. Assim como Ross Brawn parte desse comentário sobre Leclerc é algo já aguardado. A questão é que Todt não é do tipo que dá palpites sempre. Por vezes, pode nem ser muito consultado, mas o elogio assim destacado se deve pela sua posição no meio automobilístico
Essa posição também carrega outro tipo de desconfiança para com o elogio ao Leclerc. É também notório que, ele conheça o garoto mais do que qualquer outro: seu filho, Nicolas Todt, é empresário de Charles.

Já Gerard Berger não aparece muito nas notícias. Questiono até as razões dessa aparição para falar do menino Leclerc. O destaque certamente foi dado pela mídia especializada pois ele não indica elogios fofinhos. 
Nessa vou precisar da ajuda dos universitários: nunca soube de Berger ser meio "bocudo". Se já foi, alguma vez, que me alertem para isso, pois desconheço.

Sei das peripécias comentadas por Jacques Villeneuve e que discordo dele em quase 95% dos casos. Dessa vez, ele o canadense usou as palavras em defesa de Hamilton e disse o que eu achei que sfoi feito sim, mas de forma muito sutil: que Leclerc teria mudado de linha várias vezes para se defender de ataques. Mas, Villeneuve fala, a gente fica sabendo e critica. Mas as nossas opiniões sobre o assunto, muitas vezes, seguem sem alteração.

Agora, tenho outro para a listinha do "só fala porcaria": Nico Rosberg - aparentemente, elogiou Charles, mas claro, sendo este companheiro de Vettel, Nico não desperdiçaria outra oportunidade para comentários depreciativos sobre o compatriota.

Mas Berger ser assim, pimpão dos comentários, pode ser novidade. Ou não?

Achei ele muito abrutalhado para falar que, mesmo com aqueles olhinhos lânguidos e carinha de bom moço, que Leclerc tem instinto assassino. Se fosse Verstappen, até entenderia, mas também não sei se usaria esses termos.
Logo ele mostra uma visão completamente diferente de tudo: Vettel é que seria o bonzinho demais, enquanto as aparências poderiam depor o contrário.

Eis então algo que venho teclando repetidamente nas minhas postagens recentes: a percepção sobre pilotos na F1 varia muito. Procuramos uma lógica universal para tratarmos de nossa empatia e torcida que não existe. A maré toca em direção à genialidade e força de Charles Leclerc pois, como já dito no post passado, o piloto é analisado sempre à luz de seu último resultado. Não demora e Leclerc tem uma corrida ruim, deixando reativar as lembranças de seus erros e sobretudo, algumas críticas.

► Para finalizar, mais duas manchetes, sendo a primeira a seguir:


Mattia Binotto não me inspira confiança. Fez com que eu sentisse falta de Maurizio Arrivabene. A declaração de Binotto, logo após a auto promoção de Max, escancarou toda a incapacidade da Ferrari em trabalhar com uma dupla de pilotos forte de fato. 
Preciso agradecer Verstappen por ter se oferecido para ser companheiro de Leclerc. Dizer que não seria ruim a parceria incitou várias coisas, mas a pior delas, teve consequências graves. Pensando na possibilidade de ter uma dupla como Charles e Max, Binotto deixou claro as reais intenções da Ferrari após o GP da Itália: Farão com que Sebastian Vettel vire um Rubens Barrichello ou pior, um Felipe Massa na equipe. Reduzirão o alemão à um mero escudeiro para conseguir trabalhar em cima da evolução de Leclerc. 
Está errado? Talvez não. Mas se esse era o plano, o que precisava era saber a hora de se fazer isso. Está errado manter um tetra campeão na equipe para esse tipo de humilhação. Dali, Vettel não recupera nunca mais a sua credibilidade enquanto profissional. E assim, Ross Brawn estava certo.
Mais errado ainda esteve Binotto ao declarar da forma que declarou. Reparem:

“Cheguei à Ferrari na época de Schumacher, quando Barrichello ou Massa estavam ao seu lado"."Creio que deveríamos ter um grande primeiro piloto e outro que possa ganhar corridas e somar pontos. Algo como Hamilton e Bottas. Dois pilotos como Max e Charles juntos criariam dificuldades para a gestão da equipe”.

Em quatro, aparentemente frases, temos as reações mais graves de todas que comentei aqui, hoje:

* A Ferrari precisa de UM grande piloto e outro para ganhar corridas e somar pontos? Bem, o grande piloto então não precisa ganhar muitas corridas e somar muitos pontos para ter prioridades na equipe. Basta ser aquele que eles querem num momento X para assim considerá-lo.

* Diante disso: Charles é o grande piloto e Sebastian - como disse Rosberg - virou um Barrichello. Tal situação é realmente péssima considerando que Seb ainda tem contrato e compromissos com a equipe. É falta de prestígio que fala?

* Acrescentando um pouco mais, se for necessário reduzir um dos seus pilotos - fortes - a um Zé Ruela insignificante, farão (como já fizeram) sem pestanejar. Péssimo também. Max nem deveria ter pedido para fazer par com Leclerc num ambiente apodrecido destes. Charles já está corrompido, e não podemos mais salvá-lo.

* Projetam o objetivo da equipe (que não é novata no ramo) justo na equipe rival - "Algo como Hamilton e Bottas" - para saber como gerir a disputa interna entre seus pilotos. Ridículo!

* Com isso, Binotto acabou também "revelando" que, por mais que tente, Bottas é o capacho do Hamilton e considerou que o finlandês da Mercedes é o piloto básico para ter umas vitórias e alguns pontinhos. Contratasse ele, então, queridão!

* Dá para começar a concluir que já podemos ir no cartório e registrar que o pessoal da Ferrari não sabem e não podem ter um "dream team" a seu dispor. Esquecem de sua "história", não sabem refazer a receita Schumacher + piloto mediano e desde a aposentadoria do homem, eles se apaixonam por um grande piloto com a mesma rapidez que o abandonam à esmo.

A reportagem acima (e outras matérias) casam com a última manchete desse post:


Na real, ninguém aguenta mais outro campeonato vencido por pilotos da Mercedes. O nome de Lewis Hamilton já não trás empolgação. E o reflexo está aí: quando apareceu a disputa entre dois nomes "não populares" até os pedreiros que estavam fazendo umas reformas na minha casa, comentaram entre eles sobre o "pega" entre Leclerc e Verstappen no GP da Áustria. Eles estavam trabalhando aqui, desde antes do GP da França. Nunca houve comentários sobre F1 nas conversas deles, até que os dois pilotos movimentaram uma das melhores corridas da temporada. 
A F1 prestou atenção nisso e parece que por agora, não temos mais corridas muito mornas. O protagonismo de Hamilton está ficando apagado apesar de seu carro super potente e sua presença nos pódios. Ainda não está 100%. Quando olhamos para a tabela percebemos ainda que falta muito para ter um equilíbrio.
Sinto dizer que LH não está com essa bola toda mais não. Talvez não seja só Monza um lugar em que ele não seja um querido.
Se Leclerc e Verstappen estão trazendo as pessoas de volta para as corridas, porque insistir na falta de equilíbrio que está o campeonato atual? Ninguém quer começar a ver a corrida 1 da temporada sabendo qual o campeão com sobras e antecipado. Está claro agora, ou querem que eu desenhe?

Para fechar de vez, temos mais um ponto para complementar com a fala do Mattia Binotto que destaquei alguns parágrafos antes.

* A Ferrari tem vários problemas. Um deles, de se acharem tão espertos que não fazem um carro arrebatador há muito mais do que 10 anos. O outro, é que são incompetentes em termos estratégicos e de gerência interna, ou não pensariam Max e Charles criaria dificuldades. São burros, pois não entendem que dois pilotos fortes, mas domados para se respeitarem diante das adversidades e competição, seria uma arma que as rivais imediatas Mercedes e - em menor escala - a Red Bull, não têm. Além disso, garantiria um grande show e imprevisibilidade para quem acompanha cada corrida. Todo mundo ganha nisso aí!

* Por fim - e não menos importante - a Ferrari não liga para o espetáculo, para o que o fã torcedor quer. Agem pior que a Mercedes, pois a equipe prateada, ainda que também não estejam ligando para o espetáculo, seguem ganhando muito dinheiro, podendo produzir  um carro imbatível para continuar ganhando tudo e ganhando muito mais dinheiro para o ano seguinte, e no ano seguinte e no ano seguinte...

Fico por aqui com esse post gigantesco. Possivelmente - a não ser que ocorra uma grande novidade - esse é o post "pré" Singapura. No mais, na segunda-feira retorno com uma surpresa para a coluna da corrida. Aguardem! 
Abraços afáveis e se cuidem!