segunda-feira, 29 de outubro de 2018

GP do México: Penta do Hamilton

"A história foi feita diante do nossos olhos". Alguém deve ter escrito isso por aí. Você aí, já deve ter lido. 

Serei historiadora chata, dessas que fala coisas forçadas, recheada de rancor nas entrelinhas: história escrita, quando já tem a historiografia esboçada no papel, nem que seja à lápis, não é história coisíssima nenhuma. 

Realmente não tenho mais nada a completar. A não ser que, em condições normais, a corrida teria sido bem melhor apreciável. Sem o holofote ou a "babação de ovo" excessiva sob um só. 

No sábado teve a pole de Ricciardo. Por mais que seja simpático, felizão e justo, temo que não produza muito mais na categoria, a não ser com uma boa dose de sorte. Na F1, os caras que são legais, batalham muito para conseguir certas vitórias, e ainda mais, a vencer campeonatos. Alguns param num só e depois, ficam só amassando barro. Não são como outros que apenas usam de uma boa lábia, e tem tudo na mão.
Encaixem aqui o nome que quiserem. Se não está claro, que cada um faça o que acredita ser o caso.

Se ainda não deu para sacar, deixo explícito: não gosto do Hamilton. Não vejo nada de especial nele, acho suas condutas fora da pista indevidas, não engulo qualquer coisa que ele diz e faz dentro dela e especialmente não vejo um pingo de amor pelo esporte como ainda reconheço nos outros. Ele é celebridade e não piloto. Ele não respira automobilismo, ele respira o glamour provocado pelo esporte. Uma grid girl poderia - se ainda existisse - respirar o mesmo glamour. 
E eu não gosto de programa de fofoca, apesar de ser geminiana, então, celebridade para mim é carta fora do baralho. Muita produção e pouco conteúdo. Dispenso.
Eu fico confortável admirando esportistas cuja vida pessoal sei muito pouco. Se eu quisesse saber, o que comem, cor favorita e o que vestem, eu não assistia nenhum esporte. Veria filmes, séries e aqueles programas do canal E!

Não que eu endeuse piloto de F1 como alguns fazem, especialmente por nossas terras, com um certo cara que ainda não foi para a luz, porque não deixam ele ir até ela. Ou não vejo só com olhos femininos a beleza de alguns tipos do paddock. Vale reiterar que sim, sou mulher e claro que algumas cobiças ocorrem, mas elas não são preponderantes na hora de "baixar o facho" e vir aqui escrever um texto. Confessem, vocês achariam um porre se eu ficasse falando sobre isso.  
Como a gente olha, mas sabe que isso não arranca pedaço, passado alguns minutos de contos de fadas a gente volta ao normal. Limpa a lente do óculos e vê a coisa enquanto esporte. Afinal, em tese, é para isso que serve. 

É por essa razão então que, depois com os olhos ou as lentes desembaçadas, a gente tenta pensar com racionalidade. Quando comecei a ser fã do Kimi, eu não iria aceitar por exemplo, com muita facilidade, o jogo de equipe. Quando "adotei" Vettel como segundo favorito, seria complicado aceitar que um Verstappen viesse a disputar com afinco a ponto de acabar com suas corridas. 
Hoje, consigo pensar o porque de jogos de equipe. Embora as vezes seja difícil de engolir, certas medidas precisam ser enfáticas, ou jamais saberá se resolveu ou não. E para elas acontecerem, alguém tem que sair prejudicado. Se ocorre com quem eu torço, paciência. 
E sim, eu acho Verstappen um bom piloto. Ouso dizer que é, de mais de tipos como ele, que a F1 precisa.

No sábado ele merecia a pole, tirada pelo Ricciardo. A questão que eu até prefiro o menino petulante ao sorridente é exatamente essa: ambos respiram automobilismo (ao contrário do penta campeão). Então o que difere um do outro? Se todos preferem o simpático, eu prefiro o petulante. Não fazer gentilezas, ser duro, na atual F1 me parece imprescindível. 
Opinião certo? Quero convencer ninguém aqui. Convencer é colonizar o outro. Já não basta as tentativas de mudar voto, acho que já estamos de saco cheio, literalmente - até as mulheres - desse papo.

As minhas expectativas sobre os pilotos acabam por se confirmar na pista. Ricciardo acabou, por sua justeza, não tendo a visão de que Hamilton avançaria pelo meio. É bom ver largadas limpas? É excelente. Mas não quando você está do lado, ou próximo à um que gosta de vencer e outro que gosta de aparecer... Precisa ser menos inocente. 
Ainda que se esperasse que as Red Bulls se digladiassem, houve paciência ali. Ninguém ficou disposto a estragar a festa da Mercedes, nem a própria. Nem mesmo Verstappen. Se ele fosse o que dizem, tinha fechado Hamilton de novo. Foi calmo e aproveitou a curva a seu favor tomando a ponta. Salvo algo muito errado, estava com a corrida na mão. 
"Esse algo errado", pensei, seria nada mais que a Mercedes fazendo uma estratégia e tomando a sua posição.
Hamilton ainda ficou com o segundo lugar e isso ainda lhe dava o título, já que o "vacilão" da torcida do Flamengo estava em quarto. (Detalhe, Ricciardo decidiu oferecer dificuldade não ao companheiro ou ao Hamilton, mas à Vettel...)

A despedida de Alonso se costura mal. Já são duas corridas e ele não consegue absolutamente nada a se orgulhar, nem mesmo, completar as voltas. Fez bem anunciar a saída. Ele é um destes, que apesar de turrão, foi "jogado para escanteio" porque ele talvez gostasse mais do esporte do que do holofote (apesar do holofote ter perseguido, até quando não mais precisava e parecia ser só por implicância...)

Dali, as trocas de pneus começaram e eu fiquei pipocando entre um jogo da NFL e a corrida. Mesmo que houvesse algo extraordinário, duvidava que fosse para protelar a conquista do gênio. Muito menos que ele chegasse ao ponto de ficar em oitavo, nono e o Vettel se aproximasse de Verstappen. Como é que o carro da Ferrari é o melhor,  se ele não conseguiria ao menos chegar numa Red Bull? Como é que Hamilton conseguia vencer Vettel no braço, se ele praticamente não se encontrava em meio de grid?

Pelos vais e vens dos canais, pude conferir outras paradas, Hamilton tendo certa dificuldade com pneus, (o que eu sempre soube, que nunca foi um bom administrador desses infelizes), erros bizarros do mesmo: Perdeu a terceira colação, depois a quarta, tomou um passão de misericórdia do rival, foi passear na área de escape. Esse foi o pior. É ridículo admitir que para o penta, um erro primário destes ocorra. 
A poucas voltas do fim estava em quinto. Vettel em segundo. Ao menos estavam acabando com a festa da Mercedes que não estava completa. 
Eu cheguei a tuitar que era ridículo que o penta fosse tão genial que não conseguisse um pódio. O que é a pressão não é mesmo? Assim que ela aparece, toda aquela genialidade some. Mas poucos se atentam a isso. 

Mas de quê adiantava? Ainda assim a transmissão "ovulava" (desculpem-me o termo, mas é verdade), e os vencedores, eram sumariamente ignorados. O foco era o cara que, de uma hora para outra saiu abraçando até câmeras. 
Não vi uma gota de lágrima. Aqui eu também não senti a mínima da emoção. Não significou nada para mim. 
Queria ver Verstappen que parecia se incomodar com a atenção voltada à outra coisa que não sua vitória. Mas foi só impressão. Esse de fato, estava ali para vencer corridas, não importava o que estava acontecendo junto com seu momento. 
Para coroar duas questões: uma, que Kimi foi ignorado por Coulthard para falar com o Hamilton. Podia ser o Massa ali, mas que essa ignorada foi bem horrorosa, foi. Era o terceiro lugar, e essa esnobada, mostra o que realmente não vale mais a pena na categoria: essas entrevistas pós corrida. Custava ir depois atrás do magnânimo rei? 
A segunda questão também é um tanto recheada de contra gosto: achei a postura do Vettel besta, ao largar a entrevista com meias respostas e ir cumprimentar Hamilton, que já vinha em sua direção. Mas se for parar para pensar, apesar de trouxa, pelo menos não ficou com jeito de mau perdedor.
Li declarações que ele sente-se acabado, e que não poderá mais vencer um campeonato. Não culpou a Ferrari, como qualquer outro poderia ter feito. Só que não podia mais ser o melhor. 

Será mesmo que o melhor é aquele que fica com todos os louros da conquista? 






Ainda temos duas corridas, uma aqui no Brasil (e mais um ano não vou porque "sou pobre de marré deci", e o PT não me tirou da pindaíba rsrsrsrsrs...), e a outra Abu Dhabi. Assistiremos porque gostamos. Não porque significarão alguma coisa. Na verdade, não significará nada.

Até lá, a gente se fala de novo com outros assuntos. Se tudo correr bem, volto com meu Faixa a Faixa, na semana que vem. 
Abraços afáveis! 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

GP dos EUA: Fanatismo é um m...

Vocês já devem ter acompanhado o blog algumas corridas em que eu reforcei aquele bom e velho argumento de que o fanatismo nos trai mais que a lua da Joelma (a referência foi péssima, mas recheada de boa intenção hehehehe...).
Vou refrescar a memória de vocês: eu sempre escrevo que ninguém coloca o pé no freio na hora de defender sua figura pública favorita, ou no caso, o piloto que mais gosta. Opta - e muitas vezes fomos ensinados assim - por idolatrias extremadas em detrimento da boa razão. Alguns portais especializados fazem isso, porque não os mero mortais, tuiteiros, blogueiros, e afins? Vejam como a mídia brasileira trata os ex pilotos brasileiros, em especial, aquele que nos deixou em 1994 e se aproximarão da imagem do exagero. Ficam abobados. 

Enquanto acompanho a F1, eu sou meio irracional lá no muro das lamentações também. (Muro das lamentações = Twitter.) Geralmente eu não defendo com unhas e dentes um ou outro, mas questiono as posturas de um em específico. 
"God Save The Queen"? Pobre Elizabeth II... Na F1, ela é sumariamente esquecida e passa a ser "God Save The King"... 
Só falta ajoelharem depois do hino e dizerem: All hail the King! 

A premissa "Long Live To The King" está velada, mas está à todo vapor. Posso garantir-lhes. Ainda não surgiu nenhuma ideia que ponha em xeque, ou ao menos, ameace a hegemonia da Mercedes. Ninguém apareceu com uma suposta ideia de todo mundo nivelar seus carros. Uma boa medida seria um teto orçamentário, ou algo semelhante ao que ocorre na NFL: lá, quem fica na "lanterna" da tabela, é o primeiro time a escolher jogadores bons para reestruturar o time. Além disso, ocorre que esses times com menos vitórias que os demais, tem um salary cap a gastar maior que os que por exemplo, ganharam o Super Bowl. Desta forma, é dada a chance para 32 times, administrarem-se da melhor maneira, à uma disputa minimamente competitiva na temporada seguinte.

Na F1, tentar isso, seria um tanto complicado. A grana rola pesada. Estipular um teto orçamentário é loucura, sei bem. O investimento pesado agora é em tecnologia. E um bom tanto de propaganda também ajuda. Podem até dizer que essa propaganda é o esporte em si... Será? 

Outras medidas seriam interessantes. A Liberty veio com a promessa de diminuir. Mas foi promessa de político. "Vamos fazer girar o capital", os presidenciáveis dizem. Mas eles nem sabe como. No fim, o capital "girando" mesmo é entre eles e empresários. A gente faz girar é trocados, moedinhas de 25 centavos, quando não, gira a cabeça de muita cerveja. 

Desviei-me do assunto, peço desculpas. A questão é que, se a Liberty interferir nas tais regras bestas da FIA, perde-se dinheiro. Interferir também no esquema de pontuação, nem pensar. Lembro que quando tinha um piloto ganhando todas, a pontuação era quase assunto de toda hora. Hoje nem se fala nesse assunto.

Eu não faço a menor ideia de como explicar a minha irracionalidade - até porque se é irracional, não tem lógica - mas vou arriscar, assim como o Vettel: vou arriscar mesmo, pois quem não um tenta, morre na saudade. A Ferrari está fazendo papel de trouxa. Uma que ela não tem o melhor carro e precisa dar de cara com uma mídia que veicula informações sobre seus erros absurdos e as supostas inaptas reações de um de seus pilotos e os vacilos do outro. Duas que, a rival, dizem não ter o melhor carro, mas eles insistem em dizer que na verdade, tem piloto.

Assistam o vídeo comigo:


(Riram junto? Então não estou tão maluca assim...) 

A Ferrari errou esse ano? Sim, ela sempre dá das suas e ultimamente compromete resultados de uma temporada. O Vettel errou? Sim, por que ele não é piloto poste. Nunca foi na verdade. Ele é combativo, as vezes até demais. O que acontece é que ninguém deixa ele ser combativo sem provocar o sangue quente dele, que não tem nada de alemão. Não deixam o Dr. Hyde preso. Nem o boa gente do Ricciardo. 
Por sinal, valeu hein, Quase-xará! Excelente! Ganhou bastante sendo casca grossa na largada... Uau! Talvez na Renault isso não aconteça mais então, aproveita enquanto pode...
Outro ponto é que, o Hamilton nunca precisar arriscar como Vettel sempre está propenso (li ontem que o Kimi merece vitórias porque ele não tem tudo na mão igual ao Vettel e ao Hamilton.  O fanatismos é míope, estrábico e vesgo, ao mesmo tempo),  pois é um piloto de frente safety car, piloto de simulador - nada na frente, atrapalhando, só administrando o tempo. E quando larga mais atrás, ninguém oferece dificuldades. O que corrobora para ele ter uns 50 pontos na frente do rival, faltando 6-5 corridas é na realidade, o carro mais equilibrado do grid, caso contrário, ele estava no máximo, 20 pontos à frente, faltando 3 corridas. 
Hamilton com a Ferrari de hoje, estaria pior que o Vettel. E aí, a minha irracionalidade aparece de novo. Eu não tenho dúvidas disso, mas também não tenho fontes. Então, eu dou uma de presidenciável falastrão: falo, grito palavras de ordem, acuso, posso ter um grupo que me chama de "Manu Mito", mas na real, falei para o vento.
Qualquer um (menos o Bottas) faria o que Hamilton fez com o carro da Mercedes esse ano.

"Ah, mas o Bottas nem perto está. Saudades do Rosberg..."

Queridos irmãos e irmãs... Nico Rosberg superou Hamilton porque ele tinha alguns poucos amigos dentro da Mercedes. Existia um gerência de boa vizinhança ali, nem que fosse na base das aparências. Ele tinha um contrato com a equipe, desde que ela apareceu ali lá em 2010. Ele conquistou alguns e aproveitou que Hamilton esteve no mundo da lua e deu bote. E aí ele venceu em 2016 e para não ter que manter o posto de líder,  pois o leão estava fora da jaula, ele aposentou-se. Ia ser meio humilhante o que ia rolar depois, para ele. 
Tá aí porque é que alguns dizem - Hamilton inclusive insinua - que Rosberg pode ter sido covarde em ter se aposentado depois de estar no ápice de sua competitividade. No fundo, claramente essa perspectiva tem sua razão de existir. O alcance da realização pessoal é nobre, a gente usa como subterfúgio para qualquer coisa que a gente faz na vida. A terceira noção é que, em tese (mas só em tese, especialmente na F1), quando o ano começa, todo mundo está zerado. E ele podia sim, sofrer muitas injustiças no ano pós ter vencido.
Nisso, o Bottas é quem? Johnny No Name. O Zé das Couves Finlandês. 

Sabendo da obviedade dos resultados, sabendo que já escrevi que nos EUA, Hamilton vencia o campeonato. Sabendo que aquela projeção para o México, era balela, especialmente a saber que a Mercedes tem o melhor carro, eu assisti só o Q3 do treino. Já sabia que Vettel tinha tomado uma punição (ridícula, diga-se) que ia legitimar a vitória antecipada do Hamilton. Ao ver o King na pole, mudei de canal. 
Domingo fiquei vendo NFL. Mas disse a mim mesma: "Só a largada"... Afinal amigos, não conseguimos nos salvar do vício.
Vi lá, um Hamilton deixando Kimi sem espaço na largada. Acho que só eu vi isso. A narração dizia: "Raikkonen espalha!!!" E eu, cegueta, perguntava internamente: "Para onde?". Ah, se fosse o Vettel no lugar do Hamilton: "Sujo", "cafajeste" seriam os apelidos mais meigos.

A Ferrari não tem o melhor carro, mas tem a melhor dupla. Kimi é melhor que Hamilton, sempre foi, e ontem, soube se virar e tomar a ponta. 
Lá atras uma Williams atingia Fernando Alonso. Bandeira amarela nos setores, mas pelo menos não Safety Car. 
No meio, Ricciardo resolveu ser carne de pescoço com Vettel. Claro que daria "m". E claro que seria culpa do Vettel. Já fizeram sua caveira. Ele pode virar monge tibetano, pode virar um celibatário que dá de comer aos pobres e ele mesmo passa fome, que ele segue sendo o burro para uns e o babaca para outros. O povo só pensa binariamente; não tem solução.

Vettel rodou e meu coração acelerou. Mudei de canal. Continuei vendo NFL (nem o Broncos tem me tirado tanto do sério quanto a F1), com um jogo meio chatinho, mas ainda assim, mais imprevisível e divertido. Acompanhei (grande erro!) a corrida pelo Twitter. Um gato miando na transmissão era o foco da maioria. O resto queria falar mal da Ferrari. Devia estar muito bom para os assuntos serem esses.
Lá pelas tantas mudei de canal. Hamilton estava em disputa com o Kimi. Fechei os olhos e apertei o botão de retornar ao canal anterior. Tive raiva de mim mesma. 
Faltando 15 voltas para o fim, mudei de canal. Parecia que Kimi estava na frente, de acordo com (os bons) informadores do Twitter, e estava nos casos de ter disputa ferrenha entre Verstappen e Hamilton. Eu tinha que ver!
Ora, porquê?? A) sou Räikkönen desde 2002. B) queria ver se Verstappen ia ser piloto de fibra à não abrir porteiras para "All Hail The King"... 
Hamilton já tinha que passar Bottas. Easy, right?
Passou e tinha que ia para cima do Verstappen. Esperei. "Cadê o genial?", questionei. Foi muitas voltas hein? Estava quase acreditando que a Ferrari tem mesmo o melhor carro...
Quando ele tentou...! A máxima galvanística do "chegar é uma coisa, passar é outra" se mostrou.
Tem carro bom, tem equipe a favor, está mentalmente tranquilo, mas tomou pau do moleque holandês? Ah, penta campeão!!!! E olha só, na sutileza, ele errou a mão e saiu do traçado. Achava que ele era perfeito. 

(PS importante: Verstappen precisa de um carro melhor, ou essa F1 vai afundar um pouco mais.) 

A briga garantiu à Kimi uma certa calma para cruzar a linha de chegada. A espera foi longa aos fãs. Fazia tempo que não víamos Kimi no alto do pódio. 
Ele deu das suas na entrevista pós corrida, ficou batendo papo com Verstappen, estatelado no sofá, deu uma tirada homérica no Hamilton: Ele queria saber se ele não venceu o campeonato. O sorriso sarcástico dele depois do "no" rancoroso do inglês me fez ganhar o dia, hehehehehe...

Lembram que eu disse que fanatismo demais deixa a pessoa abobada? Fiquei naquela de "fã é chato, fã é uma porcaria cega ambulante..." Aí o Kimi vence a corrida, os caras da Ferrari sorrindo de orelha a orelha (achei que eles eram pró Vettel...uai!?) e eu: "Que HOMEM!!! QUE HOMEM!!", louca da vida... ¬¬' Sorte que ninguém viu. Mas como sou boa pessoa, divido minhas falhas com vocês. Longe de mim ser hipócrita. 
Demorou para que eu voltasse ao jogo do marido da Gisele. Estava agitada que nem criança quando come muito açúcar. Fanatismo faz a gente perder a dignidade, tomem cuidado!

O finlandês mais vencedor da F1. Foram 113 corridas (ou algo assim) de espera para ver ele no topo do pódio de novo. Mas falou a real: o gosto do champanhe foi o mesmo do que se tivesse em terceiro. O propósito dele ainda é vencer, então ele atingiu o objetivo. Mas muda pouco. E esteve coberto de razão. Foi uma festa, a gente ficou feliz, pois gostamos dele. Mas foi só isso. 
Colocando as emoções de lado, foi um espetáculo que passou.

Iludiram tão bem a gente, que deu o cara mais popular da F1 numa corrida que seria óbvia e jogaram a decisão (certa) para o México. Vão ganhar mais uns dinheiros, nisso. 
Enquanto isso, a Ferrari sonha para não ser derrotista, a Mercedes finge que está tensa. 
Vão se pautar que fizeram decisões erradas, e a Ferrari as certas. Mas essas coisas acontecem uma em mil das chances.
A gente vibra, jurando que foi um "vantajão". 
Foi nada... No crivo da razão "esportiva," só protelaram o fim da "disputa". (As aspas é pois que nem dá para chamar isso de disputa).

Mas já sabemos no que vai dar e não devemos estar nada felizes.

Resta alguma coisa por parte da Ferrari? Sugiro aproveitar o local, México e promover sacrifícios tais como os astecas faziam: Pintar alguém de azul e oferecer ao Quetzalcóatl na pirâmide de sacrifício...
Vai que?...

Abraços afáveis!

*** Aviso aos interessados:  o Faixa a Faixa está rascunhado, mas estou com muito estudo até dia 01/11. Mas anotem aí, farei um duplo Faixa a Faixa, e o primeiro será postado na semana do dia 5/11. ***

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

GP do Japão: O que dizer?

Eu peço que vocês recordem o que escrevi no post anterior, sobre o GP da Rússia.
Se lá eu disse que a pista era ruim, mas que denotava uma única perspectiva a partir do resultado ridículo: esperar para ver quem vai ser o segundo, de forma sádica, só porque gostamos de assistir corrida desde que nos entendemos por gente... Bem, eu fui mais eficiente que muito jornalista pimpão de F1 com nome em caixa alta nos portais especializados.
(Já agradeço antes de ler os comentários, rsrsrsrsrs...)

Lá, também eu disse - e vocês podem conferir, no segundo parágrafo abaixo do meme "Ma che cazzo?" (aqui) - que havia quem discursasse que Hamilton seria campeão no México. Eu "adiantei" dizendo que no Japão ele já saia com a mão na taça para vencer nos EUA. 
De novo, tô melhor que um cara aí com meu sobrenome, mas graças aos deuses, não tenho parentesco.

Não preciso - olha que delícia! - estar nos cercadinhos do paddock a saber umas coisas. Muito menos, dar notícias triviais do tipo "fulano disse isso" para constatar certas ideias. 
Basta grudar meus olhinhos na tv, quando necessário e puxar na memória - já fraca - coisas semelhantes e compará-las, sem anacronismo. Explico: eu nunca vi o Verstappen atacando ou forçando ao erro, um carro prateado. Minto. Eu nunca vi o Verstappen fechando a curva de forma arrojada em cima do Hamilton. Mas já perdi as contas, especialmente em fim de campeonato, quantas vezes ele perseguiu as Ferraris. Deve ter sido umas 3 ou 4.

Com razão, vejam bem: o cara não tem nada a perder e quer vencer. Assim como Vettel quis. Mas errou. "Ele tem errado demais. Não merece ser campeão assim." É aquele lance: se tenta ultrapassar, é burro, se não, é inapto. Dos dois jeitos, ele estaria jogando o campeonato no lixo. 
Na boa? Que campeonato? Essa porcaria, já acabou lá em Monza... E nesse caso a gente pode ficar "full pistola" com o Verstappen: custa arrebentar o campeonato do que tem o melhor carro? Carambolas, a coisa já tá chata, o cara vai e detona quem já está detonado? 

Já fiz - de novo - as minhas exposições sobre Vettel. Vou convencer? Não. Não convenço nem um petista a entender que eles  não são arautos da alteridade e expõe o ódio tanto quanto o Imbecil, que dirá convencer que as pessoas estão sumariamente entrando no jogo da F1/mídia: já arrumaram um  sei lá, um antagonista, um derrotado para ser pisado. Eis o Vettel. Toda vez isso. Um santo e um demônio. 

As prévias se confirmam: Hamilton "genial" vencendo e desta vez não fugiu das entrevistas. Legal, que nobre! 
O pessoal da Mercedes sorria de orelha à orelha. Vettel derrotado, falando algumas coisas que no fim, são mais pontos para moldar as chacotas. Daqui a pouco, a Ferrari inicia aquele papo de "vamos focar no ano que vem", o famoso jogando a toalha...
A Ferrari toca a mesma ladainha, é só esperar. Mas a F1 também, desde que o cofre continue cheio e lucrando. Inclusive, nenhum grandes nomes cogitam mudanças cabais, como pontuação, padronização de motores, teto orçamentário... Porque será?

Então o que dizer? "Ai, Japão é legal"... Mas olha aí como foi?! Umas ultrapassagens aqui, uns eventos que geraram safety car acolá. Saldo final: mais de 60% da corrida em si foi monótona como se fosse uma pista ruim, que ninguém sente falta caso falem que vai sair do calendário.
Nem as boas salvam? Pois é, nem as boas salvam. 
A categoria já está praticamente morta, mas na vista de muitos, ainda passa bem. 

Abraços afáveis! 

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

GP da Rússia: Questões pragmáticas

GP da Rússia. E como o Vladmir Putin, eu cheguei um pouco atrasada, mas ainda em tempo de fazer algumas coisas, como no caso, comentar o evento.

Tínhamos 21 corridas para a temporada, já estamos na de número 16. Faltam 5 e o que nos restou para essas demais 5? A mesma coisa, desde meados de 2008.
2007 foi o último ano da qual o resultado surpreendeu uma boa parte, se não todos. E no fim, na última corrida, que naquela época ainda era em terras brasileiras. Desde então, 2008 era mais na cara que nariz, pelo menos para mim, que um piloto mediano não seria campeão mundial (mesmo que tenha sido por alguns segundos e mesmo tendo um adversário inconsistente).
2009 foi atípico, por assim dizer, mas ele já estava desenhando uma tônica que faria da F1, na década seguinte, previsível: a decisão do campeão mundial algumas corridas antes do fim da temporada. Assim, desde 2009, nos colocamos - caso não gostemos do piloto vencedor por antecipação - a torcer pelo segundo colocado. Porque fazemos isso? Porque somos bem bobos e viciados. 
Em termos práticos, ninguém lembra do vice, a não ser que seja um ser que gosta de implicar e "zuar". Mas em termos de história do esporte, o nome do vencedor é escrito em letras garrafais e em neon. Pode ter uma notinha sobre a rivalidade com um outro, que calhou de ser vice, mas, muda-se o nome e a escrita é sempre romantizada. 

Aposto que vocês já se lembraram dos 4 anos seguidos em que Vettel foi campeão. Por antecipação: 2011, com 4 corridas e em 2013, com 3 corridas antes do fim da temporada. 
O choro sempre foi livre. Mas a opinião caquética, nem sempre. Há quem afirme que o mesmo só conseguiu tais títulos porque tinha nas mãos "o melhor carro".


Gostaria de um favor. Apenas parem. Dou duas razões para pararem com esse papinho tosco: 

a) O melhor/bom carro nas mãos de um piloto mediano, não dá em nada. Exemplo? Massa em 2008 e Barrichello em 2009. (Mas eu não disse os nomes de Webber ou Rosberg, vejam bem...). 

b) Se o Vettel tinha "o melhor carro, nhenhenhém" e "só sabe vencer com carros ótimos..." Hamilton é ainda pior que ele posto nestes termos. Quando a McLaren começou a ruir, ele desapareceu do grid. Foi superado por um piloto que todos dizem ser ruim para médio. Pediu para sair, e foi correr com "o melhor carro do grid". Detalhe: Ele corre de motor Mercedes desde que pisou na F1. Assim sendo, desde que a estrutura de carro esteja excelente, ele tem triunfais aparições. 

Nas duas circunstâncias, se continuarem a dizer que o Vettel só vence com o melhor carro, é preciso dar crédito que ele pelo menos, não corre com o mesmo motor desde que começou. Dito de outra forma: ele dá a cara a tapa. 
E isso também exclui aquele papo tão bobo quanto de que Hamilton está na frente do campeonato porque está "ganhando no braço".
Ninguém abre 50 pontos de vantagem "no braço", por antecipação, na corrida 13, de 21. Ainda mais depois de 2009. Tem sim o carro mais equilibrado e uma vantagem que o Vettel não tem: dirigentes que estendem tapetes para ele e não dão murros em ponta de faca comentendo erros abichornantes quando não totalmente risíveis.

Assim, voltamos ao contexto: tivemos corrida 16, faltam 5. Rússia já é uma pista com poucos atrativos. Ruim. No máximo, tivemos Verstappen fazendo os nossos olhos encherem de maravilhamento. Mas o pobre ser, não teve nem sequer lugar no pódio por conta das regras de pneus.
Aí de repente, uma "novidade": jogo de equipe, desfavorável e intrinsecamente podre aconteceu para colocar toda a nossa bílis em ação. 
Mas aquela máxima surgiu: "A Ferrari também faz isso!" 
E quando pior: quando faz, faz mal ao esporte, ao automobilismo. É suja. Fede. "Mata" a competição e deixou o "corpo" à míngua.
Quando a Mercedes faz, alguém pode até dizer que é feio (a transmissão com o Galvão disse, até ser chato como sempre). Mas a justificativa logo pairou (inclusive entre eles): esses jogos de posições sempre houveram. 
Mas só uma é "o ninho das cobras", "a detonadora de carreiras", "gente vil e baixa".
parece nossa politicagem brasileira, não é? Parece que todo mundo tem uma necessidade de maniqueísmos, que se não fizer, solta pus pela pele...



Apesar do que realmente importava na corrida, essas discussões tomaram conta do que real necessário: habilidades, saúde de motores, estratégias bem pesadas, etc. O teatro foi montado: fingiram que foi uma decisão desesperada a troca de posições. Hamilton fez a sua parte no diálogo: mentiu que tinha problemas no pneu. Maquiou uma situação que a gente sabe que não era real. Eles vivem fazendo isso. E não é a primeira vez que ele faz um completo cosplay de Pinocchio. 
Com o fim, a equipe, fala no rádio do Bottas, que depois vão explicar pra ele a decisão. A decisão que já estava combinada. Ou vocês acham normal aquela lambeção de botas com o Bottas, no sábado? Desculpe o trocadilho, mas Hamilton lambeu o Bottas que nem mãe-gata com seus gatinhos recém nascidos. E ele só fez isso porque a tenda estava armada. E os trouxas acharam que foi "atitude desesperada"... 



Há que se convir que, na hora do ato, Bottas deixou parecer uma insatisfação ao abrir muito espaço para o companheiro. Pareceu que deixava claro que houve o mando e que então ele não ia forçar a barra/ dificultar, por pirraça. Deixou a coisa ainda mais feia, só que para o lado do Hammy-Hammy. 
Este ano Kimi ouviu um "deixa ele passar" no rádio, e teve gente usando o caps lock no Twitter para o Vettel como se fosse um grito que ele ouviria: "Não é bom? Então passa sozinho". Houve quem chamou o alemão de nomes muito feios, e nem são fãs do Räikkönen.  
Vimos o mesmo com o Hamilton? Ah, nem 1/3 do esperado. O homem é intocável na pista, e não é criticado quase nunca. Mesmo sendo tão mesquinho quanto qualquer outro.

No fim, Bottas não é digno nem de ser compatriota do Kimi. Achava que finlandeses eram frios e até grossos. Ele até esboçou sorrisos sem graça e aceitou, de bom grado, aquela cena ridícula do pódio.
Já digo que perdi a vontade de tentar defender Bottas, ou ainda dizer que tenho dó. 
Ele sabe muito bem onde é que se enfiou. Foi um paspalho de marca maior. 
No pódio e na entrevista, poderia ter virado as costas, feito cara feia, evitado olhar na cara do companheiro e dado declarações do tipo: "eu merecia, eu lutei por isso e não estou satisfeito". Não que ia resolver, mas pelo menos não ficaria com essa cara passiva e diplomacias.
Até porque, sejamos pragmáticos: a Ferrari todas as vezes que fez jogo de equipe, assumiu que os tais pontos eram imprescindíveis para o campeonato. Doeu? Problema. Foi feito e pronto. 
Hamilton tinha uma enorme vantagem. Não precisava de mais, afinal, falam que ele chega campeão depois do México, mas já enfiem na cabeça que no Japão ele já sai com o título para os EUA. Não precisa de conta e ficar pensando que o Vettel pode vencer e blábláblá porque a gente sabe que precisa do Lewis não marcar pontos para dar esperança pro Vettel e isso é impossível. Não tem quebra, não tem pneu explodindo, e não tem um miserável para errar e bater nele. Esse papo é só para dar margem para assistir as outras corridas. Quem gosta vai ver sem precisar de propaganda desse tipo. Quem gosta de verdade sabe que é ridículo pensar que exista alguma chance para o Vettel. E isso, já suspeitamos desde a Bélgica e confirmamos em Monza. 

Mas voltando ao Bottas; o que ele fez naquele pódio? Sorriu amarelo e foi cordial em todas declarações. 
Depois o Kimi é que é o capacho, mercenário. Ou para fãs, o humilhado e desprezado.


O rádio da Mercedes, marcou o começo do fim de uma encenação tocante, que ainda tinha mais um capítulo a ser escrito. 
O Pinocchio Hamilton tem um futuro nas artes muito bem delineadas. Minhas partes favoritas, das interpretações shakesperianas foram:

Cena 1: "Meu amigo, Valtteri", do sábado.
Me fez arrepiar os pelinhos do braço! Que bonito era ver a amizade entre dois companheiros de equipe, genuinamente transposta em imagens! 

Cena 2: "Alguém me ajude, por favor!"
Essa me levou à aflição!!!! Comoção total, o caos...! Tanto que nem lembro se eram bolhas nos pneus, de tão afobada que fiquei: elas podiam dar um final mais trágico que foi em "Édipo Rei". Sofri mesmo. Era o fim último de uma tragédia grega: suscitar o compadecimento com o herói. E eu fiquei com pena... oooooooooooh!

Cena 3: "Tome o meu troféu, é seu por direito."
Apesar de não ter fim trágico, essa cena me levou às lágrimas. Não houve um piloto na história da F1 que tenha feito isso. Chamar o seu companheiro para o primeiro lugar por ter feito uma troca de posições e ambos ficarem sem graça e com os rostos visivelmente desconfortáveis - um com raiva e medo - e o outro fechado e envergonhado.  Que nobreza, que atitude! Foi tão inovador quanto é técnica do CGI para personagens virtuais em filmes de ação.

"Vai enganar outro, rapá!"

A Liberty falhou. Ela nos prometeu algumas mudanças. Nos prometeu entretenimento. Acabou por nos dar doces ao invés de refeições completas: aproximarmos mais dos pilotos, termos uma interação maior via redes sociais, no afã de trazer mais holofote à categoria é o que tem, mas não é o que nos nutre. Assim, a F1 continua a mesma, só que agora, é como se fosse uma nota de 3 reais. A mídia não importa, pois a F1 e a FIA fazem tudo para ter um frisson em cima do que eles acham que é bom e agrada. A F1 ultrapassou o limite do insuportável do tédio com essas corridas em circuitos toscos e com os protagonistas sem carisma e esnobes. Sempre houve os esnobes? Sempre. Mas eles também sabiam ser nobres ou geniais. Hoje o que tem é corpo tatuado, roupas da moda e brilhantes nas orelhas, e muita soberba.

O fugir da entrevista pós corrida que Hamilton propiciou é claro sobre o que é a F1 hoje, já que Liberty quer essa mídia louca para ganhar muitos cifrões: "estou cagando para todos, para fãs do automobilismo, para a categoria". O "vou sair da McLaren pois aqui não posso levar o que é meu, meus troféus que conquistei, para minha casa" é o fim máximo da categoria encarnado; categoria essa que a gente ama e sofre tanto, por dedicar um tempo à assistir. 
Aceitar de bom grado esse tipo de figura a ganhar o quinto título mundial, é intragável pois já ultrapassa o sentido da torcida por si só e deveria ser inadmissível em termos de esporte que pressupõe não só jogo limpo quanto carisma do atleta.

Abraços afáveis! (Mas sem uma aparente cólera - por conta do texto - juro que o abraço é sincero).