segunda-feira, 30 de abril de 2018

GP do Azerbaijão: Baku é onde os "fracos" não tem vez

Vocês todos assistiram a corrida. Alguns de vocês costumeiramente já comentam os takes mais importantes no Twitter ou outro espaço. Eu até tentei fazer o mesmo, mas tive visitas no mesmo instante e cometi algumas gafes de "gritar" interrompendo conversas para falar dos ocorridos na pista.

Tudo já começou anuviado na transmissão: a participação especial de Felipe Massa. De especial, nada tinha. Pouco acrescentou na transmissão, até porque nunca "se deu bem" nessa pista (porque dizer "disputar", para mim, não é termo páreo para ele). Sua participação rendeu dentre outras coisas, um papo tosco de alerta do Galvão sobre pneus: "Aqui chamamos de macio e super macio", disse em tom de professor. "Desculpe", foi a replica fofinha do sem gracinha ex piloto brasileiro. Podia ter deixado isso e mais um monte de coisas passarem. Mas é querer demais né não?!

A quarta corrida foi deleitosa, no que se refere à duas partes: houve começos e fins eletrizantes, meio morno que propiciou que pudéssemos admirar a paisagem de Baku.
Novamente, vocês todos assistiram a corrida, e tenho certeza, absoluta, que assistiram a mesma corrida que eu, como fazem à tanto tempo.
A questão é que, não vivemos cada um de nós em diferentes mundos paralelos, nem mesmo viajamos no tempo e espaço como nas narrativas de ficção científica. Mas, erroneamente, sempre temos interpretações meio bizarras sobre alguns eventos das corridas. E sempre são discrepantes. É incrível!

Não dá para dizer que não existe implicação científica nesse costume: sim, há. O queridão Einstein diria que "tempo é relativo", e sim, ele está certo: tempo que se dedica à uma causa prazerosa, pode durar pouco do que se deseja. 
Eu creio que se você dedica à uma causa por uma pessoa ou um fim, dificilmente você perceberá outros movimentos ou outras pessoas. A não ser que esse outro movimento ou pessoa interfira no andamento daquele estado e causa que tem sua atenção. Imaginem um encontro com seu (sua) amado(a) com aqueles olhares apaixonados, risadas compartilhadas e de repente, passa uma pessoa das quais você não gosta, cumprimenta o casal e fica puxando conversa. Na manhã seguinte, se alguém pergunta como foi o encontro para você, você responde: "ciclano apareceu e detonou a minha noite"...

Immanuel Kant diria algumas coisas a respeito da teoria do juízo de gosto: por não gostar do indivíduo que "atrapalhou" seu encontro, a causa de todos os males do "fracasso" de seu momento, foi arrebatador e derrotante. Movido (a) pelas paixões, você só vai ver a inconveniência do indivíduo que atrapalhou seu namoro, mas não perceberá, que talvez que, não havia controle sobre isso, por mais que tivesse tentado.

Pelo juízo de gosto, fatalmente perigamos não vermos os defeitos das coisas: se amo muito uma música, não presto atenção que o músico seja um mau-caráter. Talvez não importa que ele seja assim, o que e preciso é que você não imponha o gosto pelo músico, simplesmente por um ato artístico admirável.
Se amamos um filme, não admitimos que alguém aponte um erro no roteiro. Mas, ainda cabe dizer: eu gosto e problema seu se não. Impor o gosto e forçar alguém a mudar de ideia é burrice. 
Se estamos encantados num encontro amoroso, não percebemos, por ventura, que o companheiro(a) acenou para o indivíduo e o convidou a se sentar com vocês e que ele, na melhor das intenções, não achou que o encontro foi estragado pela presença de alguém mais. Quem detonou o momento foi você que sentiu incomodado com a presença desagradável. Seu particular foi afetado.

Houveram 4 corridas até agora e apenas Austrália foi morna do começo ao fim.
Engraçado que as simples medidas feitas para dar "emoção" para as corridas tem sido irrelevantes, talvez por acaso. Toda etapa, depois da primeira, suscitou um arfar frenético de quem assistiu. Nas três últimas, inclusive Baku, essa respiração acelerada ou suspensão do ar foi propiciada pelas Red Bulls. Coincidentemente, nenhum dos dois carros do touros rubros tiveram protagonismo relevante na primeira corrida. 

Quem acompanhou as transmissões soube que houve um oba-oba repentino com Ricciardo. O novo heróizinho da F1. Depois de ter "desbancado" o companheiro de equipe na corrida passada, o mesmo que já foi considerado o piloto mais empolgante das temporadas passadas, desde sua estréia, Max foi altamente crucificado por exatamente aquilo que lhe deu fama: o arrojo. 
Ano passado ele passava à esmo pelas "cabeças" dos dois pilotos da Ferrari, seus alvos favoritos. A Mercedes nem chiava, pois seus atos deixavam eles em situação super confortável. Por aqui, gargalhava-se, com a razão de estarmos cansados de pilotos morninhos ou, ráimos por pura maldade, por ter um ódio latente pela equipe Vermelha.
Agora que ele mostrou (ainda que não do jeito que eu preferiria) que não é seletivo com suas manobras arriscadas, Max é imaturo, inconsequente, maluco. Alguns até gritaram no Twitter sobre dizer sempre que ele era "detestável".
A Mercedes acordou para os atos. Tendo consideráveis maiores dificuldades que no ano passado de estarem tranquilos, até Lauda soltou comentários depreciativos sobre Max já que, ele em duas ocasiões, afetou diretamente o protegido, numa delas, quase (eu escrevi quase) prejudicou.

A vida de Ricciardo já foi bastante diferenciada em um fim de semana. O lado oposto da moeda, ganhou seu rosto e sorriso: se de um lado, Max era o lado perverso do piloto ideal, Ricciardo era o lado corretinho, do jeito que pilotos devem ser. O dualismo na F1 tarda, mas nunca falha. 
O garoto "colgate" venceu e muita gente lambeu as sapatilhas regadas à champanhe. Mais "cabeça" que o companheiro, ele fez ultrapassagens limpas, bonitas e sem jogar ninguém para fora da pista. O prêmio veio com o pódio. Se Verstappen tivesse sido inteligente como o colega, teria feito dobradinha, quiçá teria disputado de igual para igual nas últimas curvas, na corrida passada. Mas não foi assim. O que ele fez que gostaram tanto foi ter rodado com Vettel e detonado a corrida do alemão. Hamilton chegou a agradecer sarcasticamente pela ajuda - e que foi uma bela ajuda, dada as circunstâncias para chegar à Baku. 

Alguns seres sapientes ainda disseram que seria o fim de Räikkönen na Ferrari, afinal, Ricciardo está sem contrato e era talentoso, poderia ser o tipo que afrontaria o reinado (reinado?) de Vettel na equipe Ferrari... 
Pode até ser, mas duvido muito por exemplo, caso a Red Bull continue sendo responsável pelas viradas de situação nas corridas - sempre como consequência, o débito para a equipe de Maranello...
Mas de novo: é querer demais né não?!

Pois dessa corrida, o exagero latente sob Ricciardo foi o seca pimenteira infalível da mídia e de certa forma, do torcedor brasileiro. Basta que esse povo verde-amarelo diga quem gosta, das duas uma, ou é uma "M" das grandes ou o nível cai, cai, cai até ruir. Se detestam também um qualquer, basta um errinho, e se preparem para o dilúvio. Na F1, isso nunca funcionou com o Hamilton. Torcem por ele e ele nunca tem uma corrida das quais seja totalmente estragada, embora, ele não seja tudo isso de talento. É que o santo dele é tão fenomenal, que se ele tem problemas (o que é raro), ao rival acontece algo muito pior. 

E então Baku quase rimou com aquele nome de uma parte do corpo que a gente usa para xingar quem nos perturba.
Tudo começou com uma abertura grande e toque de Ocon em Raikkonen, em sexto. Erro de Ocon, completamente compreensível, embora ele já dê indícios de ser o próximo "Odiado" da lista Raikkônica  (leia-se grupo de fãs eternos ou sazonais do finlandês). 
Ocon saiu e Kimi teve grande "preju": teve de ir para os boxes. A sombra maléfica veio e eu disse que a família dele por perto, era sinal de uma falta de concentração sem precedentes. Mas eu falo demais... ¬¬'

Lá no fundão, Sirotikin foi espremido por uma Renault (se não me engano) e foi de encontro à lateral da McLaren de Alonso.
A dita está feita: piloto da Williams encontrando com qualquer que seja, ainda mais com Alonso, vai ser culpa do "fraco". Mesmo que não houvesse espaço para ele ou para o espanhol, ele tinha meio que acionar asas imaginárias e batê-las voando para longe, para que ninguém o culpasse. Fora da pista, e "preju" grande de Alonso. O espanhol foi, com as duas rodas esquerdas inteiras, se arrastando para os boxes à trocar as direitas, totalmente rasgadas. Voltou para pista para remar tudo de novo, assim como Kimi. 
SC na pista, e a pergunta do milhão: Quem mandou fazer pista estreita? Eu detesto circuito de rua pois qualquer erro parece inabilidade, de fraqueza. E quem não erra, fica com marca de pilotão da "po¨%*#".

Relargada, mantendo constância, Kimi e Alonso tentando recuperação, Verstappen não fazendo loucuras grandes, e Renaults fazendo bons showzinhos por conta dos pneus. Mas a coisa fica sempre ruim para quem não merece, ou seja, os tais "fracos": Hulkemberg teve problemas com os compostos e abandonou a corrida prematuramente. 
Enquanto isso, lá na frente as Red Bulls travavam duelos internos que davam indícios de dar meleca. Hamilton, em segundo, fritava pneus na tentativa - frustrada, mais de uma ocasião - de se aproximar de fato de Vettel.

Depois do meio em diante e com as paradas, Bottas ficou momentaneamente em primeiro, lá pela volta 41 a briga das Red Bulls se intensificou a ponto de - olha só! - Ricciardo errar o ponto da freada e socar o carro na traseira de Verstappen.
Por ser reincidente, inconsequente, Verstappen ganhou a etiqueta de causador do problema. Mas foi o equilibrado Ricciardo-sorrisão quem errou e foi, afoito, desmedido, e inconsequente. 

Um erro passível de ser aceito, inclusive pois, todos, mesmo que detestamos internamente por motivos, muitas vezes, irracionais, são humanos. Mas não dá para aceitar o erro do Ric se não fosse as interpretações errôneas dos demais "críticos". Só porque não simpatizam com Max, não admitiram que ele foi dentro dos padrões do correto, do aceitável, talvez, pela segunda vez na carreira. 

(E eu cortei a visita, para dizer: "Eu sabia que ia dar nisso!!!" Crianças, não façam isso. Tia Manu foi mal educada... )

SC na pista, e uma vitória possível para Bottas.
Até que Grosjean, que foi mencionado na transmissão por estar num fim de semana emotivo-lagrimoso, errou feio (feíssimo) aquecendo os pneus, perdendo o controle e batendo numa mureta, espatifando pedacinhos de carro para todo lado.
Internamente eu xinguei, pois a visita ainda estava em casa. Comentamos o lance entre nós, mas eu me contive mais. 
Imaginei gente xingando o franco-suíço, e captei Galvão criticando ele por ter jogado as luvas no rumo de um funcionário da Haas e o Massa condenando a atitude como um Sr. Perfeito...
Eu xinguei pois, os pedacinhos iam demorar para serem recolhidos. 

Assim como Max, Grosjean é saco de pancada de muitos de nós. Errar em pistas como Baku pode ser crucial para o fracasso, mas já cravar que é por falta de talento, só se dá com os supostamente "fracos". Primeiro o russo da Williams, depois o Hulk, o Max e depois o Grosjean. O primeiro, ninguém nem conhece direito, mas já "desce a lenha". O segundo, teve bons momentos, mas nunca um bom carro. Chegou ao estigma de inútil. Max só é amado quando ataca Vettel, de resto é só um malucão. E Grosjean já foi muito odiado por acidentes que nem foi o único responsável.
E vejam bem na sequencia dos fatos da corrida, se não estou falando dos "fracos" mesmo...

Voltas e voltas de arrumação da pista, com SC e eles deram a relargada. Vettel avançou, quase conseguiu deixar Hamilton para trás. Afastou-se muito, pois poderia ter colisão já que o inglês curte espalhar-se pela pista. Kimi deu de ombros - e assinou, para mim, a marca de que ele não vai seguir ordens da equipe - se é que existem em antecipação como dizem. Avançou quase no mesmo minuto de Vettel, e ao ver que ele tinha saído da pista, não se conteve e seguiu. 
Aparentemente sem pneus, Vettel tinha de tentar, ou não saberia se era capaz. Ficou em terceiro, quase à ponto de passar Kimi numa oportunidade. 
Para a grande infelicidade mundana, Bottas, passou num estilhaço de carro - talvez de Grosjean - e teve um dos pneus rasgados. A corrida morna de Hamilton propiciou vitória. Os "fracos", todos, tentaram, mas não foram páreo para o santo do Hamilton.
Vettel, sem condições ainda foi ultrapassado pelo sempre amalucado Pérez. Bottas saiu da corrida que era sua. Apenas Kimi se safou bem e teve com a segunda colocação, quase uma vitória, dado o incidente da largada. Um pouco mais e não sei se teria pneus para segurar quem quer que fosse o terceiro colocado. No caso era Pérez, mas poderia ser qualquer um. 

Com essa configuração, Baku marcou a volta à estaca zero: Hamilton, não fazendo absolutamente nada de bom no compêndio de 4 corridas, está na liderança do campeonato.
Não posso dizer que isso é bom. Na verdade é péssimo, pois nesse ponto, Hamilton não se deixa abater. Temo que logo adiante, na próxima etapa, essas corridas terão ficado na saudade... Pena. Estava tão bom!

Abraços afáveis!

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Faixa a Faixa: Black Sabbath "Paranoid"

Desta vez, consegui com maior exatidão os "15 dias" de intervalo para cada postagem, conforme havia prometido! E desta vez também tivemos maior número de votações. As parciais do site computaram sete votos:


Com 42,9% dos votos, comento "Paranoid" do Black Sabbath, o primeiro post desde a estréia que não terei como falar do álbum como os demais, por não ter o disco físico comigo. Quem sabe um dia? Ligando o modo "cara de pau", meu aniversário é dia 19 de junho, aceito de presente... Hahahahaha... 

Brincadeiras à parte, vamos ao post.

♫ Nome do álbum: Paranoid


Este é o segundo álbum do Black Sabbath, lançado em 1970 no Reino Unido, perfazendo, 48 anos. Poderíamos dizer que essa é também, a idade do Heavy Metal, já que Sabbath é considerada uma das primeiras bandas do estilo. Para mim, o Heavy Metal começou com o álbum homônimo da banda ("Black Sabbath" é também de 1970) e diria certamente que o estilo tem quase 50 anos por conta das contribuições essenciais desse quarteto para a cena metal, que não existiria sem o pontapé destes. 
"Paranoid" em uma tradução literal, significa "paranóico". Se o Rock 'n Roll sempre foi reação musical de rebeldia, ele "evoluiu" bem, ou tomou a decisão de dar um passo maior, alcançando seu ápice em atitudes subversivas, a partir do surgimento do Heavy Metal - penso eu. Temáticas literalmente, mais pesadas, passaram a fazer mais sentido tanto no chamado "metal pesado" e subgêneros posteriores, quanto no punk e no rock tradicional, sendo um divisor de águas das músicas populares, ou mesmo do pop dançante, quase sem utilidade pragmática a não ser melodias grudentas e vocais nasais. 
Neste período, havia no ar uma incitação contra as guerras e o poder bélico ditava a rebeldia de jovens da geração Woodstock, pautados no slogan "paz e amor". Apesar das calças boca de sino no visual dos caras, o disco não tem essa simplicidade quase soltando um aroma de rosas e grama recém-cortada. É direito, no que confere coisíssima nenhuma de "paz e amor": o mundo era uma verdadeira porcaria, cheia de guerras e disputas territoriais, polarizado por dois sistemas altamente cruéis com os menos favorecidos - o capitalismo e o comunismo. 

► Arte, capa e encarte:

A capa mostra um homem, em ataque, com escudo e espada, desfocado como numa espécie de visão rápida de câmera de definição de calor, num local escuro de uma floresta. O uso do capacete e uma capa, faz uma alusão à super-herói embora, não seja essa questão que me salta aos olhos, mas sim uma personificação do homem em constante luta com o próximo, seja por território/espaço no começo da humanidade, seja por territórios para montar "impérios", "grandes nações", que visam inclusive mais potência, 'boom' econômico, imposição de  ideias e estabelecimento de poderes.
As canções tem além do manifesto anti-bélico, uma metáfora apocalíptica. Desta maneira (e não à toa), o disco inicialmente chamaria "War Pigs", a faixa de abertura do disco. Para não ter problemas com o governo americano (já que o termo "porcos capitalistas" é comum até hoje, mesmo não tendo mais Guerra Fria nem potências comunistas de expressão), a gravadora vetou e sugeriu que o álbum fosse intitulado em menção à faixa 2 e isso de certa forma, resume o sentimento humano, seja ele a favor ou contra guerras: somos todos meio paranoicos de fato.

Esse tipo de coisa, mudar os nomes e ideias criativas, pode ser ruim para a liberdade artística de uma banda, mas no fim das contas, a mudança trouxe mais um sentido bem interessante: o fato de as músicas soarem, 48 anos depois, ainda como atuais. Recentemente vimos o governo americano se interferindo em causas sírias, num ataque e bombardeio. Continuamos, numa era em que os "governos" se detonam mutualmente, e civis mais fracos, no caso os sírios, ficam no fogo cruzado: são vítimas do governo absurdo de dentro, e de potências exteriores que foram colocados num status tal que se "acham" determinados a controlar os demais "rebeldes". O mundo ainda é assim, aflorado com o gosto por guerras, incapazes de viver em harmonia ou ao menos coexistirem em sossego, cuidando do próprio umbigo.

Encarte do álbum Paranoid da Versão Inglesa (Fonte: Rock 'n' Roll Maniac)
O encarte acima, trás uma separação de Ozzy dos demais. Não há necessidade de "paranóia" nesse caso, uma mudança de posição sem importância aparente, parecendo ser apenas uma questão gráfica. Talvez as gravadoras gostassem desse detalhe relacionando frontman à cantores, o que não necessariamente trazia a ideia de "dono da banda" ou porta voz - que ao Sabbath Iommi tinha mais esse perfil, embora não pré-determinado ou imposto.
Inclusive, Iommi foi vinculado à figura da capa de "Paranoid", de forma totalmente sem noção. O semblante do homem não se assemelha à Tony embora a confusão talvez tenha se dado com um sujeito de bigode, assim como o guitarrista. 
As fotos e o design do primeiro disco e de "Paranoid" são atribuídas à Marcus Keef.

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Os mentores do Heavy Metal tem nomes e sobrenomes conhecidos em 11 entre 10 metalheads de responsa. Tony Iommi, o grandioso guitarrista também principal compositor, junto com Bill Ward, baterista viram um anúncio de um cantor que procurava montar uma banda ou se inserir em uma.  Este era Ozzy Osbourne, o vocal (excêntrico, mas nem tanto) que chamou Geezer Butler, baixista e principal letrista em meados de 1966, para formar o Polka Tulk Blues Band, encurtado para Pulka Tulk, mantendo o repertório de músicas blues. 
Este nome teria sido sugerido por Ozzy ao se deparar com as latas de talco da mãe no banheiro, uma "fã" do produto. 
Em 1968 eles modificaram o nome para Earth, mas devido à uma existência de outra banda com mesmo nome, ficaram com "Earth" por pouco tempo. Logo, Butler que era fã de romances macabros e de magia negra, assistiu um filme italiano de terror chamado "I Tre Volti Della Paura" ("As Três Máscaras do Terror" de Mario Bava), exibido na Inglaterra com o nome de "Black Sabbath". Esse filme foi a inspiração da letra homonômica da música, e que Butler acabou trazendo como sugestão de nome do grupo.
O novo nome significou fortemente na formulação do som deles: acompanhado de toques folk, o som é uma transição do blues tocado de forma cada vez mais obscura e forte como uma nova fórmula interpretativa de se fazer música: eis então, a razão das quais são considerados os pioneiros (ou, como no meu caso, "os pais" de fato) do  Heavy Metal. Uma banda como o Sabbath nos anos 70, não se encontrava nem mesmo com semelhante sonoridade.

Para o "Paranoid", aquela noção de álbum de apresentação e novidade tinha sido deixado às claras no antecessor. O segundo álbum poderia até parecer simples, mas não era. Tão importante quando o primeiro, é um dos essenciais para se "estudar" o Heavy Metal e está incluso na lista dos 200 álbuns definitivos do "Rock and Roll Hall of Fame".

As composições são creditadas aos quatro membros e não há participações nem convidados especiais.

► Produção e Gravadora:

A produção do disco é de responsabilidade de Rodger Bain, produtor vinculado não apenas ao BS, mas também ao álbum "Rocka Rolla" do Judas Priest.
"Paranoid" foi gravado em dois estúdios londrinos, nos dias 16 à 21 de junho de 1970: Regend Sound e Island Studios. Já os selos da gravadora, foram inicialmente pela Vertigo no Reino Unido e Warner nos EUA. A Vertigo era uma filial da Phillip Records na década de 60. Tem nomes de seu catálogo como Dire Straits, Nirvana, Tears For Fears e Thin Lizzy. A gravadora agora faz parte da Universal e tem as bandas Metallica e The Killers como nomes do atual catálogo.
A duração total de "Paranoid" é de 42min02s, contendo 8 faixas ao todo, quatro de cada lado, no caso dos vinis.

►  Música favorita do álbum e a segunda melhor:

"Paranoid" é meu disco favorito do Sabbath e a canção "Iron Man" é a minha favorita do álbum. A segunda melhor ficaria mega difícil de escolher, pois fico dividida entre "Paranoid" e "War Pigs". (Pode ser as duas? rsrsrsrsrs...)

► Faixa a Faixa:

♫ War Pigs

Eu não sei vocês, mas toda vez que ouço essa música eu fico encantada. Mesmo você entendendo muito pouco de inglês ou música, fica tão dentro da melodia e da voz do Ozzy na sua cabeça, que é quase um transe. (Já digo, é meu disco favorito então, vou rasgar a seda mesmo.)
War Pigs tem uma letra bombástica, sobre guerras, sobre governantes corruptos que incitam o conflito, mas que mandam o seu povo pegar em armas, e não se voluntariam pelo "bem comum" eles mesmos. 
Um tapa, ou melhor, um soco na cara da sociedade em que vivemos, seja lá qual sistema vigente, seja qual regime for. E como disse no começo da postagem, o disco como um todo, em especial essa canção é atemporal: ela equivale a qualquer momento da humanidade. Pode ter sido escrita há quase 50 anos, mas define nossa vidinha sócio-política medíocre como nada melhor ainda feito.

♫ Paranoid

Cheguei a escolher essa música em outra ocasião como música para dançar. E se parar para pensar, sim, até que é possível. Talvez uma das músicas mais conhecidas da banda, tem todos os elementos que a bem define: o vocal característico de Ozzy - que até hoje, ninguém soube ser ao mínimo um terço parecido - as boas linhas de guitarra do mestre Iommi, linhas de baixo ótimas e baterias bem feitas, num compasso harmônico e pesado de forma direta e maravilhosa.

♫ Planet Caravan

Quase psicodélica, Ozzy cantando parecendo que está dentro d'água, é uma música bem calma aos moldes das duas primeiras. É quase um momento de fôlego, depois de dois impactantes sons. O solo é totalmente calcado no blues. Uma bela música apesar da letra bem "viagem", rsrsrsrs...

♫ Iron Man

Fôlego bem dado, com a faixa 3, logo vem "Iron Man" na quarta, com uma batida de bumbo, ritmada dando começo ao que logo viria a ser um dos riffs mais maravilhosos que já ouvi na vida. É a música chave que escolheria para explicar à um iniciante o que é Heavy Metal. 
O "Homem de Ferro" da letra é como uma metáfora, ao meu ver, podendo ser uma definição de um homem duro, cheio de cólera e subversivo: o Heavy Metal teria nesta "figura", uma possível primeira personificação do tipo "metalhead" enquanto sujeito assim que o estilo se sedimentasse.

♫ Eletric Funeral

Numa sagaz menção à iminente possibilidade de guerras nucleares e avanços tecnológicos propiciando uma ideia apocalíptica, a faixa cinco de "Paranoid" é incrivelmente eficaz. É muito bom como tudo se encaixa nela: letra, o jeito de interpretar de Ozzy, as cordas fazendo sons macabros... É fácil visualizar um mundo em decadência pela expansão tecnológica com essa trilha. Novamente: a atemporalidade das letras, é fenomenal!!!

♫ Hand of Doom

Num outro jeito de dar uns toques blues na forma de cantar e tocar, mas com refrão bombástico e com nuance bem pesada, "Mão da Desgraça" estilhaça toda a raiva da miséria da guerra. A desilusão é grande que, na letra, menciona o desgosto do mundo caótico e a entrega às drogas. O ato de se drogar como escape da realidade cruel; uma ação igualmente mórbida só que de auto-destruição como catarse por não "digerir" bem a "verdade" cotidiana.
Depois de "War Pigs" é a canção mais longa do disco, com 7min09s.

♫ Rat Salad

A única canção instrumental do disco, trás um título nojento: "Salada de ratos". Contém até mesmo um solo frenético de bateria: o momento holofotes bem dado para Bill Ward.
Músicas instrumentais requerem introspecção, apreciação mesmo. Apesar da falta de letras, ela mostra a boa estirpe de criação da músicos. Funciona bem no disco embora, seja mais apresentável para quem entende ou estuda música.

♫ Fairies Wear Boots

Ver dragões, gnomos e fadas? Ainda vendo fadas usando botas dançando com um anão? Pois é isso que diz o começo dessa canção que, é a terceira mais longa do disco, e a segunda das quais é meio "high", rsrsrsrs... Apesar da letra, tem umas linhas de guitarra e baixo, excelentes. Fecha o disco, com uma propriedade sem precedentes.

► Elemento chave do álbum:

É um disco soberbo, mas não no sentido pejorativo - é incrivelmente simples se pensarmos que hoje, se faz um heavy metal de primeira linha, mas Black Sabbath foram os mentores de um pontapé tão bem feito para o estilo, que "Paranoid" é perfeito e orgulhoso com certa propriedade de ser e é ainda, "moderno" por assim dizer.
O elemento chave do álbum (bem como da banda) é o pé no blues combinado com o peso, a densidade da atmosfera, especialmente feita com a guitarra. O melhor jeito de "captar" isso é ouvir os riffs da em "Iron Man" que começa com o soar da corda Mi (sexta corda) num efeito semelhante à um bend. Na sequencia, power cords de si, de ré, mi, sol e até fá# . Como disse acima, é a faixa que eu usaria para explicar aos inciados ao Heavy Metal, do que se tratou a gênese desse tipo de som.

► Porque desgosta de alguma canção do álbum:

Não há dentre as 8 músicas de "Paranoid" que eu desgoste. Existem as preferidas, três delas, as minhas favoritas da banda, que já disse, e além disso, é meu disco favorito do Sabbath, sendo também um dos meus favoritos em geral, então ...

► Uma história sobre o álbum, como uma questão pessoal ou uma curiosidade:

Não tenho histórias sobre esse disco, nem mesmo me lembro quando foi que ouvi ele completo pela primeira vez - o que é uma pequena vergonha, já que é um disco das quais considero um dos melhores.  Certamente foi quando adolescente, entre meus 14-15 anos. Outra pequena "shame on me" é não ter o disco físico. Mas desafortunadamente, ainda não encontrei uma mina de ouro nem mesmo uma loja tivesse o disco a preço não exorbitante para meu orçamento.


► 5 novos álbuns para a escolha da próxima postagem:

Como "Cowboys From Hell" não foi votado nem na primeira vez, nem na segunda, ele dará lugar à outro álbum, podendo, no futuro, voltar ao páreo, caso seja necessário. Feito "Paranoid" também vamos substituí-lo por outo título. Novos nomes para nossa enquete à caminho.
Escolham o que mais os apetece e daqui 15 dias, retorno com o vencedor.



Os comentários, aqui e na página do blog estão abertos para comentarem sobre "Paranoid", suas impressões do disco, sobre o texto, se estão gostando da tag, podem dar dicas de álbuns para fazerem parte das próximas enquetes, puxar a orelha... (Esse último, espero que não aconteça, hehehe...) De qualquer forma, a bola está com vocês! Obrigada pela participação de sempre! Espero que esteja agradando. 

Abraços afáveis!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Faixa a faixa: último dia de votação

Estarei formulando o Faixa a Faixa com o álbum vencedor amanhã. Seguramente, no sábado de manhã, a postagem estará no ar.
Conto com vocês para os votos (e por ventura, o desempate, hehehehe...) até amanhã de manhã, quando fecharei a enquete.





Abraços afáveis!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Legendando fotos do GP da China 2018

A F1 não mudou. Mesmo que tenha o nome da Liberty em tudo ressoando como "nova proposta".
Mesmo que o logotipo não seja aquele que reconhecíamos à tempos - e que vocês continuam reclamando como se fosse o fim do mundo


... Tecnicamente ainda, ela não mudou.
Continua fazendo umas sacadas da gestão anterior, como escalarduas figuras das quais se destacaram na corrida anterior para a coletiva do GP seguinte e um bobinho que quase ninguém tem o que perguntar para parecer um "sorteio":

Gasly mal se acostumou com os holofotes e já "pulverizou-se"


Verstappen ainda curte a luz bem forte nele, mesmo que seja pelo mau-feito. 
É ele tentar uma ultrapassagem que a gente não vê espaço que...


O bobinho da vez foi Ericsson


***

Aqui o garoto sorriso largou os gracejos. Vociferou, vociferou na sexta, no TLs...
E não é que deu certo? Quem apostaria?


***


Volto a mencionar: raspa essa porcaria, senhor Seb.
Coisa mais despropositada!!! 
Pior que isso, só os cabelos azuis, verdes, rosas que tenho visto aos montes por aí



 ***

Parece que na Haas o lance é fazer bullying com os mecânicos, é?
Ao menos Grosjean foi meigo. Magnussen corrida passada foi um valentão mais feroz
(ver aqui para entender o feito do dinamarquês)


***


"Perkele, esqueci o sorvete na mala..."


***
Há quem diga que música acalma as feras.
Há quem use música clássica em currais para as vacas ficarem com a carne macia...
Música para mim é remédio: relaxa, acalma, me faz esquecer os problemas, nutre a alma, me desliga do mundo de forma que tudo que faço, faço melhor com trilha sonora...


Precisamos pegar Verstappen e dar uma olhada na sua playlist


***


Bottas - conhecido agora entre os entendedores algo correlato à desperdício - é mesmo anti social: nem ergueu os bracinhos, pô!


Aproveitando o "insight", alguém pode me explicar, por meio de argumentos lógicos, não pautados no juízo de gosto, porque é que Bottas é um desperdício tendo um dos melhores carros do grid nas mãos, e não fazendo por onde e Kimi, é humilhado, um pisoteado piloto que não pode vir a ser vitorioso, pois não deixam?
Em outras palavras, porque é que a falta de aproveitamento completo nas corridas do Kimi é culpa da Ferrari e do Vettel, e a culpa da falta de tempero de Bottas é culpa dele mesmo e não da Mercedes e do Hamilton?


***


Essa é a expressão de quem lembra que vai largar ao lado do Vettel e na frente do Bottas. Da próxima vez Kimi, faça a pole, não fique só na promessa. Começando na frente, pode ser um problema a menos.


*** 


A foto desfavorece, mas parece que Verstappen foi pedir desculpas para Vettel logo depois da corrida ter terminado. Vettel, colocou panos quentes na situação, ambos terminaram as corridas, pelo menos. Mas só para um deles"deu ruim" - o alemão.
Essa boa 'samaritanice' do Vettel já está custando caro. Primeiro ele defende Hamilton de um ato de arrogância para com Max na corrida passada. Depois, Max segue barbarizando, e ele é o principal prejudicado e aparentemente fica tudo numa boa?
Quando Hamilton passar no campeonato por conta das burradas dele ou de outros, quero ver se Vettel vai ficar calmo. Aí vai ser tarde...
Mas na boa, melhor assim. Fãs de todo tipo detestam Sebastian. Tá para nascer cara mais detestado na categoria atualmente. Melhor ele não dar chilique mesmo se não... Haja saco para aguentar o povo chamando ele de todo tipo de nome. Para estes detratores:


Eu fiquei "p" da vida, particularmente, embora tenha pedido para ver o circo em chamas.
 Mas é que sou favorável à ideia de que se é para fazer lambança, que Max faça sem ser seletivo.


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Clique bizarro do fim de semana é do Ricciardo.
O dono da boca cheia de dentes e patenteador do "shoey" - o troço mais nojento da F1 desde o tradicional banho de champanhe depois de duas horas de corrida, seguindo sem pausa para entrevistas numa salinha pequena... Meu, imaginem o cheirinho!


Agora, imaginem o suor do pé de um cara misturado num champanhe... 


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Ric: "- Eu posso por um pouco na minha meia se quiser..."
Kimi: "- Nem fu..."


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Jantar com peito defumado?
Vamos torcer para ser mesmo, comida.


PS: Tem uma doninha no capacete do Quase-Xará*?

Abraços afáveis!

*Para quem não sabe, as intenções de minha mãe quando estava ainda em formação na barriga é que, se fosse menino, chamaria Ricardo. Sorte que deu mais um cromossomo x... (Imagina o apelido "Ricardinho"... Ai, senhooooor!)

domingo, 15 de abril de 2018

GP da China: como Barein

Se o treino está tomando proporções boas e eficientes: poles "inesperadas" nos últimos segundos, as corridas, também: corridas mornas como a Austrália já não nos parece realidade mais. Ou pelo menos, é assim que desejamos para as próximas . 
Inflamar raivas pela segunda vez consecutiva contra Vettel e (por extensão) a Ferrari, no que diz respeito à pole possível, não concretizada do Kimi, é no mínimo chover no molhado. Uma que não resolve se revoltar e duas que, faz parecer 
tranquilamente que somos torcedores bem burros: Kimi é, e assinou contrato, para ser escudeiro. Fora que com o passar dos anos ele perdeu aquele ímpeto de ser vitorioso em uma circunstância das quais abra precedentes, como foi, no GP da China - a corrida perdida do piloto principal de sua equipe. 
Lembram que no post anterior eu disse que Verstappen não deveria ser seletivo nas suas provocações? Nisso ele acertou. Mais ainda, disse que se fizesse das suas que pelo menos, tirasse as chances do adversário de ser vitorioso ou minimamente competitivo? 
Pois o bestão decidiu ir para cima do rei adormecido... Não soltou tinta, para vocês verem o quanto o cara é protegido pelos deuses. Max achou de bom grado tentar mais adiante e decidiu detonar a corrida de uma Ferrari de novo. E a do Vettel. Aí sim ele fez o que pedi. 
O povo adorou, bateram palminhas.
Acho realmente engraçado. Pouca gente riu quando foi com Lewis corrida passada. Na verdade não acho ridículo, mas não posso ditar como é que torcem por aí.

Alguém no Twitter disse, antes do GP barenita, que temia fortemente que as Red Bulls atrapalhassem corridas boas, e tomassem pontos daqueles que tinham chances de vencer o campeonato, já que nem o carro nem os pilotos andavam na suas melhores formas. 
Essa pessoa, assim como eu, deveríamos não ter nos pronunciado. Incitamos o caos.

A corrida foi, pelo menos, equivalente ao Barein. Corrida chata, agora ficou lá na Austrália. 
Vettel abalou Kimi logo na largada com um chega para lá, básico.  Se esse movimento, vocês acham que não é permitido numa competição interna, deixem de assistir a F1. O que não deveria ser de feitio de um piloto experiente como Kimi, é se abalar a ponto de perder mais posições logo em seguida

Com a corrida quase desenhada os caras da Toro Rosso foram do céu ao inferno, de uma corrida para outra enfrentaram desta vez, muitos problemas, culminando - até no período de paradas - um incidente bem chato de corridas assim. 
Para provar que SC não beneficia vitórias à esmo, Vettel, que tinha perdido posição nos boxes para Bottas, não recuperou, é ainda trouxe a ameaça de Lewis. Mas o problema estava só por vir...

Logo, as Red Bulls estavam à ponto de ameaçarem Hamilton. Verstappen tentou, espalhou e quase perdeu a corrida. Impetuoso e impaciente, Max não sabe medir as ultrapassagens e padeceu de uma coisa que eu só explico pelo viés sobrenatural: mexer com Lewis é se ferrar bonito. O cara tem um bolha repelente a toques? Qual é!!!
Ricciardo, mais prudente, deu aula. Passou pelo apagado tetra campeão de forma fácil. Nada pararia o australiano.  Mesmo assim não há lições que sejam a longo o curto prazo que façam Verstappen entender a coisa: sua impaciência deu as caras quando atacou Vettel.  Ambos ficaram ao contrário e Vettel foi o que se ferrou mais, por conta de pneus já desgastados.
Apesar de achar que a punição tenha sido trivial, achei injusto que Max ainda permanecesse na pista e marcasse mais pontos que o alemão.  A punição mais dolorosa dele, não foi os 10s, foi não ter acompanhado Ricciardo no pódio. Mas ele está na tendência de não sacar que não sabendo medir as ultrapassagens, ele se ferra também. 
Mas o que importa agora é que Vettel se ferrou, bonito. Tomou até passão do Alonso, o que na minha opinião foi a melhor coisa da corrida.

No fim, Ricciardo foi p1, Bottas fez uma boa corrida, p2, e Kimi, amornado ao extremo, p3. Hamilton comprou o lugar cativo de p4 e logo, deve dar seus shows. Está relativamente calmo o inglês.  Ou já sabe que logo, as coisas normalizam, ou está dopado. Acho que é a primeira opção.
A questão que se desenha é que mesmo com corridas apagadíssimas, tudo promove para que logo, logo a F1 volte a ser o dos últimos anos. A Mercedes vai ter tempo suficiente para entender o que há de errado e Lewis voltará a vencer, sendo penta. Principalmente se as Red Bulls continuarem assim: com rompantes de inconstância do motor, e com Verstappen encrespando para o lado das Ferraris.
Se... SE encrespar feio com as Mercedes, veremos se todos vão dar risada e se as medidas contra o garoto doido não vão ser mais brutas... Vamos ver...

Abraços afáveis!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Take a Take das manchetes da F1 2018

Tenho estado displicente com a F1 e decidi remediar essa situação nesta semana. Selecionei algumas manchetes e conteúdos legais para dar pitacos despretensiosamente sinceros ou até mesmo, sarcásticos.


Construçãozinha de frase ordinária essa, hein? Ficou parecendo que todos os outros é que são os egoístas... Mas vá lá: Magnussem pode ser um piloto mediano, tendendo ao irrelevante e gracinha (olhar não arranca pedaço, ainda mais virtualmente assim), mas ele padece de uma coisa que é inevitável na F1 - enquanto piloto de equipe pequena, de meio de grid - pouca gente dá ouvidos ao que terá ele a dizer. Mesmo que o cara lance uma verdade dessa, na lata. 
Piloto de equipe grande até pode tentar ser sincerão assim, mas corre o risco de ficar muito chato que nem um Villeneuve da vida - e perder o filtro do bom senso, falando mais besteira do que verdades ou opiniões convenientes -  ou se cansar, simplesmente, começando a se moldar de acordo com a diplomacia exigida pelas grandes equipes e pela F1 como um todo - isto é, virando um frouxo. 

Já houve tempos em que Hamilton desceu a lenha no ano de terceira conquista de campeonato pelo Vettel, dizendo que "hegemonia de um piloto era prejudicial para a categoria". Dois anos mais tarde ele deu de ombros para essa proposição e quando mencionada como questão, ele negava que fosse prejudicial, se dizendo inclusive confortável. Oras, ele estava vencendo sem esforço, talvez em circunstâncias bem mais favoráveis que o alemão, que teve, por um tempo, Alonso como principal rival, que sempre foi (e é) um piloto acima da média.

Assim mesmo, Magnussen foi sagaz: piloto não dá a mínima para que a categoria fique boa enquanto esporte/competição. Ele só gosta do negócio quando ele próprio, vence, e está na disputa. Alguns turrões, largaram o osso cedo: Montoya era um desses - perdeu a graça para ele correr atrás do rabo. Foi para um lugar onde a competição existe (embora, nem todo mundo goste, mas ela existe). Você não acerta fácil quem vai vencer uma corrida na Indy, na terceira ou quarta volta, por exemplo. O exercício na F1, nos últimos anos, fácil em acertos.
Piloto é sim egoísta. E Magnussen está certíssimo; perguntar a opinião destes só gera olhares para os umbigos. Vão me dizer que a Mercedes e a Ferrari vão amar, por exemplo, que a Liberty imponha um padrão aerodinâmico dos carros e que todos, tenha um teto de gastos?


Já foi comentado isso e os grandes já teve alguns burburinhos.

De fato, a reação de aumentar os setores de uso da DRS é uma medida não só exagerada quanto desesperada. Vejam o que aconteceu com o Vettel: se o Bottas tivesse tirado tempo uma volta antes, teria também tirado o doce da vitória ferrarista sem esforços e deixando Seb sem a chance de defesa. E isso lá é disputa de ultrapassagem? Ainda mais no fim da corrida assim, a gente lembra da falsidade do lance assim que lembra da injustiça que se faz com a medida.
É como as cidades que fazem com as pavimentações das ruas pós as chuvas: tapam o buraco do asfalto que com o desgaste, abre na chuva mais forte seguinte...


Outra manchete ordinária. A frase foi "duvido que estarei aqui". Pode ser que esteja, pode ser que não, então a dúvida não cabe na afirmativa "não estarei aqui". Sim, ele está velhinho, mas não se sabe como vai ser daqui a diante. Pode ser que ele dê de Tom Brady e diga que vai "trabalhar" até os 50 anos de idade e ter contrato para fazê-lo...


De qualquer modo, Kimi remete à mudanças da F1 para melhorar a aproximação dos fãs e também gerar mais competitividade. Ele não se importa. Duvido muito que se importaria caso tivesse mais uns anos na carreira. Ele é do tipo que não liga para a parte política da F1 e com razão ou não, penso que ele é preguiçoso para esse lado, já que pode ser que se fale e lute por coisas que nem seriam levadas em conta propriamente. Por isso ele diz (de forma bem grossa sim, não adianta dizer que não foi mal educado, porque foi, embora não deixa de ser verdade) que nada adianta dar uma lista de mudanças à eles, pois não valerão nada.

Com a Liberty, vejo um empenho em tornar a categoria atrativa, mas certas coisas ainda teimam em soar como a antiga F1 gerida por Bernie Ecclestone. Eles sabem que certas coisas, não se muda mais, na atual conjuntura. Mas a declaração de Kimi casa devidamente com a fala de Magnussen: os nórdicos jogaram perfeitamente a informação, sendo que o primeiro sabe que a lista de cada piloto virá recheada de medidas que lhes favorecem e o segundo sabe que, mesmo que se entregue uma lista dessas visando o bem comum, muita grana pode ser perdida e vai ter muita chiadeira, voltando atrás. 
Melhor mesmo é ignorar os egoístas pilotos e assumir o canetão para impor medidas puras e drásticas: quem quiser ficar, será aos moldes tais, tais e tais. E que assumam as consequências disso, quem permanecer por "amor ao esporte", mesmo que lhe prejudique. Será que a Liberty está mesmo tão apta assim a arriscar? É bem provável que não.


Ano passado o papo era uma alusão à possível decisão de aposentadoria repentina. Logo que a chance de competição fácil contra Vettel era uma realidade, o assunto foi apagado. Chegou a ter até indiretas à quem abandona o barco depois de ganhar campeonatos como se fosse um ato de quem realmente não amava o que fazia.
Essa inconstância de Hamilton, pelo menos nas falas dele com a imprensa, não mostra um bom jogo mental como dizem. Mostra quase uma habilidade em transparecer-se um sociopata. 
Ok, ok, exagerei de propósito apenas para agitar o texto, rsrsrsrsrs...

No fundo do fundo, essa "não pressa" do Hamilton é jogada de contrato: tudo depende de algum erro de estratégia da equipe, depende do sofrimento que ele terá com o centro de gravidade do carro, mais pesado que o carro do ano anterior, se esforços (se é que ele sabe fazer isso, como um acertador de carros) vão render ou não ao longo da temporada, e claro, dos seus rompantes de estrelismos caso a dificuldade em alcançar os rivais sejam a cada etapa mais latentes, colocando desempenhos cruciais para pontuações, à perder. Agora se a partir de Xangai tudo voltar ao normal, com o combo 'pole + corrida', sem intromissões, ele começa a ajuntar razões para ficar. Se continuar assim até antes da pausa do meio do ano, vai faltar apenas a assinatura no rodapé do papel lá depois que ele vencer o campeonato por antecipação, como ano passado.


Nada não Gasly, mas o Verstappen, louco por uma vitória pode bater em qualquer coisa que vier pelo caminho, rsrsrsrsrs...
Piadinhas toscas à parte, o francês "novato" (que lembra um amigo meu) admitiu que o quarto lugar no Barein, esteve muito além de sua imaginação. 
Não só a sua, meu filho, a de muita gente. Foi a melhor posição dos motores Honda desde seu retorno à F1, o que significa que deve ter gente muito "p" da vida na McLaren. 
Quem pode julgá-los?



Tragam o "troféu trouxa do ano" para o Sebastian Vettel, por favor! Uma coisa é defender companheiro de equipe, outra é defender o rival. Atitude nobre sim, com certeza. Mas, sejamos pragmáticos? Quantas vezes Vettel teve problemas com Verstappen e foi criada uma confusão com isso pelos nervos aflorados, declarações inflamadas e pedidos de desculpas, e em qual delas Hamilton tomou partido em favor da parte prejudicada (no caso, Vettel, ou Raikkonen)? Nenhuma. Por isso, troféu de trouxa-mor para Sebastian. Quase um brasileiro que votou no PT. #oooops


Pior! Hamilton nem concordou tanto quanto deveria com Vettel!!! Pode não ter chamado o Verstappen de "dickhead" (traduzido como "idiota" na reportagem) novamente, mas reiterou, logo após a declaração-defesa do alemão na coletiva, que a manobra do menino foi "boba e desnecessária", chamando - como o jornalista queria - holofote para a situação e desmerecendo o discurso bem pontuado do Vettel.

Sorte que o menino Verstappen é cabeçudo o suficiente para lançar mão de respostas mais duras à nível "não quer brincar, não desce para o play", como fez ano passado em que as "tretas" com as Ferraris  angariou ditos do holandês como "corridas são assim mesmo, achei que soubessem"...


Fui sedenta pela resposta grossa, chamando para a briga e depois de ler essa manchete, dei com os burros n'água com o texto completo. Putz, Verstappen! Justo agora que defendi sua truculência sob as pessoas que o chama de imbecil? 


Max não rebate coisíssima nenhuma, como diz a manchete, e ainda diz que ignorou o insulto, que essas coisas acontecem por conta da adrenalina. Mas não só não rebateu o xingamento, como justificou que viu espaço e tentou a ultrapassagem - resposta trivial, nada ofensiva e que colocou ponto final à situação... (Ao menos ele seguiu o discurso do Vettel...) #RevirandoOlhosEternamente
Menino Verstappen: não seja topetudo só quando você tira os outros da pista, seja quando você também se perde no meio do caminho. Rebatesse: "Idiota foi ele que não me deu espaço!", hahahahaha... 
E pode revidar o "King" sim, não seja seletivo nas suas provocações. Queremos fuá, bagunça, tretas! Ele não é "intocável".

Por fim, então, duas "irmãzinhas" para fechar os palpites:



Colocar calma na situação relativamente boa em que Vettel (e um pouco a Ferrari) vive, tendo alcançado a segunda etapa do ano, não é só prudente, quanto sábia. A questão é que, internamente, a Ferrari solta os bichos e perde a mão salgando o jantar à luz de velas, sem tempo para comprar comida descente fora de casa. Nos últimos anos, especialmente o ano passado, o prato acabou sendo jogado fora, e tiveram que se virar com um misto quente com uma mísera fatia de queijo bem fininha. 
Sim, aparentemente a Ferrari está boa, está melhor, mas 2017 mostrou que nem sempre o melhor vence e do nada aparece gente para atrapalhar - os pontos acabam por escorrer pelos dedos em poucas corridas. 
Calma, segurança, e principalmente, pensar corrida à corrida não é o forte dos italianos, mas é necessidade no momento é isso que precisa ser feito. Fazem quase 11 anos que eles não comemoram títulos. É caso extremo, até porque se 2017 foi lição para eles, para a Mercedes também foi. Os prateados reviram o começo tumultuado naquele ano e aprenderam também. Pode muito ser que "acordem" mais cedo do que o esperado. Mesmo que seja um fato considerável, pelo menos para mim, que as supostas dificuldades deles pode ser apenas um jeito de conta-gotas, já que a temporada é longa e estão só se aguardando para dar o bote, colocando a Ferrari felizona no topo e deixando cair do cavalinho rampante num estalar de dedos, ou em duas etapas seguidas, pouco custa. 
Xangai está logo aí e na Ferrari tudo pode voltar a ser o jantar salgado jogado fora, sem chance de pedir uma pizza de plano B, sobrando só a opção de pão de forma bolorento e manteiga vencida para comer.

Já sobre a segunda manchete é o seguinte: A Liberty quase deu uma dentro ano passado quando tentou proibir o 'rádio coaching'. Deveria ter proibido. Eu queria ver criatura tendo que poupar pneus sozinho, aprender a ler plaquinhas com os tempos colocadas pelos comissários, usar o retrovisor, suar quando ver através deles, a aproximação de um adversário e apertar botões errados no volante. Ah, se queria!!!


Mas olha que fofo e cândido: bastou uma corrida em que Hamilton não largou nas posições 1, 2 ou 3, amargando boa parte da corrida em quarto, para pedir, suplicar, implorar que falassem com ele no rádio. Não há como ter a estatística, pois ele ficou, boa parte da carreira, de cara para o vento. Mas em termos "supositórios" (sem duplo sentido, please, hahahahaha...), imagino que ele seja o piloto que mais pediu orientações via rádio. Se virar sozinho para ele é um martírio, se não uma total inabilidade. Tanto é que quando ele está confortável, com 20 segundos na frente dos demais, ele pede, sempre, que não falem com ele, que não fiquem falando coisas desnecessárias no rádio...
Uma corrida das quais ele fique perdido e ele questiona o modo como a comunicação se dá entre ele e equipe!
Ai, se eu fosse chefe da equipe Mercedes, um "vá para &*¨% que pariu" no rádio, ia ser o modo de comunicação adotado. Que tal?


Abraços afáveis!