sexta-feira, 20 de abril de 2018

Faixa a Faixa: Black Sabbath "Paranoid"

Desta vez, consegui com maior exatidão os "15 dias" de intervalo para cada postagem, conforme havia prometido! E desta vez também tivemos maior número de votações. As parciais do site computaram sete votos:


Com 42,9% dos votos, comento "Paranoid" do Black Sabbath, o primeiro post desde a estréia que não terei como falar do álbum como os demais, por não ter o disco físico comigo. Quem sabe um dia? Ligando o modo "cara de pau", meu aniversário é dia 19 de junho, aceito de presente... Hahahahaha... 

Brincadeiras à parte, vamos ao post.

♫ Nome do álbum: Paranoid


Este é o segundo álbum do Black Sabbath, lançado em 1970 no Reino Unido, perfazendo, 48 anos. Poderíamos dizer que essa é também, a idade do Heavy Metal, já que Sabbath é considerada uma das primeiras bandas do estilo. Para mim, o Heavy Metal começou com o álbum homônimo da banda ("Black Sabbath" é também de 1970) e diria certamente que o estilo tem quase 50 anos por conta das contribuições essenciais desse quarteto para a cena metal, que não existiria sem o pontapé destes. 
"Paranoid" em uma tradução literal, significa "paranóico". Se o Rock 'n Roll sempre foi reação musical de rebeldia, ele "evoluiu" bem, ou tomou a decisão de dar um passo maior, alcançando seu ápice em atitudes subversivas, a partir do surgimento do Heavy Metal - penso eu. Temáticas literalmente, mais pesadas, passaram a fazer mais sentido tanto no chamado "metal pesado" e subgêneros posteriores, quanto no punk e no rock tradicional, sendo um divisor de águas das músicas populares, ou mesmo do pop dançante, quase sem utilidade pragmática a não ser melodias grudentas e vocais nasais. 
Neste período, havia no ar uma incitação contra as guerras e o poder bélico ditava a rebeldia de jovens da geração Woodstock, pautados no slogan "paz e amor". Apesar das calças boca de sino no visual dos caras, o disco não tem essa simplicidade quase soltando um aroma de rosas e grama recém-cortada. É direito, no que confere coisíssima nenhuma de "paz e amor": o mundo era uma verdadeira porcaria, cheia de guerras e disputas territoriais, polarizado por dois sistemas altamente cruéis com os menos favorecidos - o capitalismo e o comunismo. 

► Arte, capa e encarte:

A capa mostra um homem, em ataque, com escudo e espada, desfocado como numa espécie de visão rápida de câmera de definição de calor, num local escuro de uma floresta. O uso do capacete e uma capa, faz uma alusão à super-herói embora, não seja essa questão que me salta aos olhos, mas sim uma personificação do homem em constante luta com o próximo, seja por território/espaço no começo da humanidade, seja por territórios para montar "impérios", "grandes nações", que visam inclusive mais potência, 'boom' econômico, imposição de  ideias e estabelecimento de poderes.
As canções tem além do manifesto anti-bélico, uma metáfora apocalíptica. Desta maneira (e não à toa), o disco inicialmente chamaria "War Pigs", a faixa de abertura do disco. Para não ter problemas com o governo americano (já que o termo "porcos capitalistas" é comum até hoje, mesmo não tendo mais Guerra Fria nem potências comunistas de expressão), a gravadora vetou e sugeriu que o álbum fosse intitulado em menção à faixa 2 e isso de certa forma, resume o sentimento humano, seja ele a favor ou contra guerras: somos todos meio paranoicos de fato.

Esse tipo de coisa, mudar os nomes e ideias criativas, pode ser ruim para a liberdade artística de uma banda, mas no fim das contas, a mudança trouxe mais um sentido bem interessante: o fato de as músicas soarem, 48 anos depois, ainda como atuais. Recentemente vimos o governo americano se interferindo em causas sírias, num ataque e bombardeio. Continuamos, numa era em que os "governos" se detonam mutualmente, e civis mais fracos, no caso os sírios, ficam no fogo cruzado: são vítimas do governo absurdo de dentro, e de potências exteriores que foram colocados num status tal que se "acham" determinados a controlar os demais "rebeldes". O mundo ainda é assim, aflorado com o gosto por guerras, incapazes de viver em harmonia ou ao menos coexistirem em sossego, cuidando do próprio umbigo.

Encarte do álbum Paranoid da Versão Inglesa (Fonte: Rock 'n' Roll Maniac)
O encarte acima, trás uma separação de Ozzy dos demais. Não há necessidade de "paranóia" nesse caso, uma mudança de posição sem importância aparente, parecendo ser apenas uma questão gráfica. Talvez as gravadoras gostassem desse detalhe relacionando frontman à cantores, o que não necessariamente trazia a ideia de "dono da banda" ou porta voz - que ao Sabbath Iommi tinha mais esse perfil, embora não pré-determinado ou imposto.
Inclusive, Iommi foi vinculado à figura da capa de "Paranoid", de forma totalmente sem noção. O semblante do homem não se assemelha à Tony embora a confusão talvez tenha se dado com um sujeito de bigode, assim como o guitarrista. 
As fotos e o design do primeiro disco e de "Paranoid" são atribuídas à Marcus Keef.

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Os mentores do Heavy Metal tem nomes e sobrenomes conhecidos em 11 entre 10 metalheads de responsa. Tony Iommi, o grandioso guitarrista também principal compositor, junto com Bill Ward, baterista viram um anúncio de um cantor que procurava montar uma banda ou se inserir em uma.  Este era Ozzy Osbourne, o vocal (excêntrico, mas nem tanto) que chamou Geezer Butler, baixista e principal letrista em meados de 1966, para formar o Polka Tulk Blues Band, encurtado para Pulka Tulk, mantendo o repertório de músicas blues. 
Este nome teria sido sugerido por Ozzy ao se deparar com as latas de talco da mãe no banheiro, uma "fã" do produto. 
Em 1968 eles modificaram o nome para Earth, mas devido à uma existência de outra banda com mesmo nome, ficaram com "Earth" por pouco tempo. Logo, Butler que era fã de romances macabros e de magia negra, assistiu um filme italiano de terror chamado "I Tre Volti Della Paura" ("As Três Máscaras do Terror" de Mario Bava), exibido na Inglaterra com o nome de "Black Sabbath". Esse filme foi a inspiração da letra homonômica da música, e que Butler acabou trazendo como sugestão de nome do grupo.
O novo nome significou fortemente na formulação do som deles: acompanhado de toques folk, o som é uma transição do blues tocado de forma cada vez mais obscura e forte como uma nova fórmula interpretativa de se fazer música: eis então, a razão das quais são considerados os pioneiros (ou, como no meu caso, "os pais" de fato) do  Heavy Metal. Uma banda como o Sabbath nos anos 70, não se encontrava nem mesmo com semelhante sonoridade.

Para o "Paranoid", aquela noção de álbum de apresentação e novidade tinha sido deixado às claras no antecessor. O segundo álbum poderia até parecer simples, mas não era. Tão importante quando o primeiro, é um dos essenciais para se "estudar" o Heavy Metal e está incluso na lista dos 200 álbuns definitivos do "Rock and Roll Hall of Fame".

As composições são creditadas aos quatro membros e não há participações nem convidados especiais.

► Produção e Gravadora:

A produção do disco é de responsabilidade de Rodger Bain, produtor vinculado não apenas ao BS, mas também ao álbum "Rocka Rolla" do Judas Priest.
"Paranoid" foi gravado em dois estúdios londrinos, nos dias 16 à 21 de junho de 1970: Regend Sound e Island Studios. Já os selos da gravadora, foram inicialmente pela Vertigo no Reino Unido e Warner nos EUA. A Vertigo era uma filial da Phillip Records na década de 60. Tem nomes de seu catálogo como Dire Straits, Nirvana, Tears For Fears e Thin Lizzy. A gravadora agora faz parte da Universal e tem as bandas Metallica e The Killers como nomes do atual catálogo.
A duração total de "Paranoid" é de 42min02s, contendo 8 faixas ao todo, quatro de cada lado, no caso dos vinis.

►  Música favorita do álbum e a segunda melhor:

"Paranoid" é meu disco favorito do Sabbath e a canção "Iron Man" é a minha favorita do álbum. A segunda melhor ficaria mega difícil de escolher, pois fico dividida entre "Paranoid" e "War Pigs". (Pode ser as duas? rsrsrsrsrs...)

► Faixa a Faixa:

♫ War Pigs

Eu não sei vocês, mas toda vez que ouço essa música eu fico encantada. Mesmo você entendendo muito pouco de inglês ou música, fica tão dentro da melodia e da voz do Ozzy na sua cabeça, que é quase um transe. (Já digo, é meu disco favorito então, vou rasgar a seda mesmo.)
War Pigs tem uma letra bombástica, sobre guerras, sobre governantes corruptos que incitam o conflito, mas que mandam o seu povo pegar em armas, e não se voluntariam pelo "bem comum" eles mesmos. 
Um tapa, ou melhor, um soco na cara da sociedade em que vivemos, seja lá qual sistema vigente, seja qual regime for. E como disse no começo da postagem, o disco como um todo, em especial essa canção é atemporal: ela equivale a qualquer momento da humanidade. Pode ter sido escrita há quase 50 anos, mas define nossa vidinha sócio-política medíocre como nada melhor ainda feito.

♫ Paranoid

Cheguei a escolher essa música em outra ocasião como música para dançar. E se parar para pensar, sim, até que é possível. Talvez uma das músicas mais conhecidas da banda, tem todos os elementos que a bem define: o vocal característico de Ozzy - que até hoje, ninguém soube ser ao mínimo um terço parecido - as boas linhas de guitarra do mestre Iommi, linhas de baixo ótimas e baterias bem feitas, num compasso harmônico e pesado de forma direta e maravilhosa.

♫ Planet Caravan

Quase psicodélica, Ozzy cantando parecendo que está dentro d'água, é uma música bem calma aos moldes das duas primeiras. É quase um momento de fôlego, depois de dois impactantes sons. O solo é totalmente calcado no blues. Uma bela música apesar da letra bem "viagem", rsrsrsrs...

♫ Iron Man

Fôlego bem dado, com a faixa 3, logo vem "Iron Man" na quarta, com uma batida de bumbo, ritmada dando começo ao que logo viria a ser um dos riffs mais maravilhosos que já ouvi na vida. É a música chave que escolheria para explicar à um iniciante o que é Heavy Metal. 
O "Homem de Ferro" da letra é como uma metáfora, ao meu ver, podendo ser uma definição de um homem duro, cheio de cólera e subversivo: o Heavy Metal teria nesta "figura", uma possível primeira personificação do tipo "metalhead" enquanto sujeito assim que o estilo se sedimentasse.

♫ Eletric Funeral

Numa sagaz menção à iminente possibilidade de guerras nucleares e avanços tecnológicos propiciando uma ideia apocalíptica, a faixa cinco de "Paranoid" é incrivelmente eficaz. É muito bom como tudo se encaixa nela: letra, o jeito de interpretar de Ozzy, as cordas fazendo sons macabros... É fácil visualizar um mundo em decadência pela expansão tecnológica com essa trilha. Novamente: a atemporalidade das letras, é fenomenal!!!

♫ Hand of Doom

Num outro jeito de dar uns toques blues na forma de cantar e tocar, mas com refrão bombástico e com nuance bem pesada, "Mão da Desgraça" estilhaça toda a raiva da miséria da guerra. A desilusão é grande que, na letra, menciona o desgosto do mundo caótico e a entrega às drogas. O ato de se drogar como escape da realidade cruel; uma ação igualmente mórbida só que de auto-destruição como catarse por não "digerir" bem a "verdade" cotidiana.
Depois de "War Pigs" é a canção mais longa do disco, com 7min09s.

♫ Rat Salad

A única canção instrumental do disco, trás um título nojento: "Salada de ratos". Contém até mesmo um solo frenético de bateria: o momento holofotes bem dado para Bill Ward.
Músicas instrumentais requerem introspecção, apreciação mesmo. Apesar da falta de letras, ela mostra a boa estirpe de criação da músicos. Funciona bem no disco embora, seja mais apresentável para quem entende ou estuda música.

♫ Fairies Wear Boots

Ver dragões, gnomos e fadas? Ainda vendo fadas usando botas dançando com um anão? Pois é isso que diz o começo dessa canção que, é a terceira mais longa do disco, e a segunda das quais é meio "high", rsrsrsrs... Apesar da letra, tem umas linhas de guitarra e baixo, excelentes. Fecha o disco, com uma propriedade sem precedentes.

► Elemento chave do álbum:

É um disco soberbo, mas não no sentido pejorativo - é incrivelmente simples se pensarmos que hoje, se faz um heavy metal de primeira linha, mas Black Sabbath foram os mentores de um pontapé tão bem feito para o estilo, que "Paranoid" é perfeito e orgulhoso com certa propriedade de ser e é ainda, "moderno" por assim dizer.
O elemento chave do álbum (bem como da banda) é o pé no blues combinado com o peso, a densidade da atmosfera, especialmente feita com a guitarra. O melhor jeito de "captar" isso é ouvir os riffs da em "Iron Man" que começa com o soar da corda Mi (sexta corda) num efeito semelhante à um bend. Na sequencia, power cords de si, de ré, mi, sol e até fá# . Como disse acima, é a faixa que eu usaria para explicar aos inciados ao Heavy Metal, do que se tratou a gênese desse tipo de som.

► Porque desgosta de alguma canção do álbum:

Não há dentre as 8 músicas de "Paranoid" que eu desgoste. Existem as preferidas, três delas, as minhas favoritas da banda, que já disse, e além disso, é meu disco favorito do Sabbath, sendo também um dos meus favoritos em geral, então ...

► Uma história sobre o álbum, como uma questão pessoal ou uma curiosidade:

Não tenho histórias sobre esse disco, nem mesmo me lembro quando foi que ouvi ele completo pela primeira vez - o que é uma pequena vergonha, já que é um disco das quais considero um dos melhores.  Certamente foi quando adolescente, entre meus 14-15 anos. Outra pequena "shame on me" é não ter o disco físico. Mas desafortunadamente, ainda não encontrei uma mina de ouro nem mesmo uma loja tivesse o disco a preço não exorbitante para meu orçamento.


► 5 novos álbuns para a escolha da próxima postagem:

Como "Cowboys From Hell" não foi votado nem na primeira vez, nem na segunda, ele dará lugar à outro álbum, podendo, no futuro, voltar ao páreo, caso seja necessário. Feito "Paranoid" também vamos substituí-lo por outo título. Novos nomes para nossa enquete à caminho.
Escolham o que mais os apetece e daqui 15 dias, retorno com o vencedor.



Os comentários, aqui e na página do blog estão abertos para comentarem sobre "Paranoid", suas impressões do disco, sobre o texto, se estão gostando da tag, podem dar dicas de álbuns para fazerem parte das próximas enquetes, puxar a orelha... (Esse último, espero que não aconteça, hehehe...) De qualquer forma, a bola está com vocês! Obrigada pela participação de sempre! Espero que esteja agradando. 

Abraços afáveis!

2 comentários:

Rafael de Nuzzi Dias disse...

Muito bom! É um clássico.

Manu disse...

Deveras! É um disco que sempre gosto de ouvir inteiro sem saltar nenhuma das faixas.
ABS!