quinta-feira, 14 de maio de 2020

F1 2020: Sem corrida, mas um pouco de dança das cadeiras

Quinta-feira, dizia a boca pequena, seria o dia do anúncio do substituto de Sebastian Vettel na Ferrari.

Desde o anúncio de que o alemão não faria parte da equipe mais em 2021, as especulações tomaram conta das redes, principalmente, o Twitter.
As fichas estavam sendo colocadas na mesa de apostas. Umas (empolgadas?) fichas foram colocadas para Lewis Hamilton, um pilha enorme veio para Daniel Ricciardo (torcida masoquista, essa...) e algumas também para Carlos Sainz (não sem algum protesto).
Ao longo da terça-feira, as apostas foram mudando e até "breaking news" falsos brotavam tanto que deviam causar minis ataques cardíacos nos fãs dos pilotos envolvidos.

Algumas reportagens cortaram logo a brincadeira: na terça-feira mesmo, Sainz era o mais forte candidato a ocupar o lugar de Vettel, faltando apenas o anúncio. Na quarta, tudo indicava que Ricciardo iria para a McLaren.

Hoje, as confirmações: 


E: 


Enquanto lamenta-se uma, empolgamos com a outra. 
Creio que qualquer um que tivesse aceitado a oferta da Ferrari, não teria feito bom negócio. A equipe se tornou um antro de destruição de carreiras. Se torram a paciência dos italianos, ah, é pé na bunda e se tropeçam, podem até levar um pé na cara também. Tudo depende das circunstâncias nas quais está saindo:
- Os topetudos saem com uma péssima reputação. 
- Os "nem aí", saem dando de ombros pois, "não estão nem aí" mesmo. 
- Os dedicados,  saem de mãos abanando, e muito humilhados. 
Sainz pode ter feito besteira. Assinou para ser segundo e não será campeão mundial. É mais uma opção que nunca veremos acontecer. Lamentamos, mas a escolha foi dele. Paciência.
Não tem vantagens nessa contratação, a não ser que você seja fã louco do Charles Leclerc e queira casar-se com ele.  Leclerc parece ótimo piloto e deu muitos sinais disso no ano passado. Mas ainda tem muito tempo para virar fato, e nesse ninho de cobras... 

Esse cenário, de ter a vaga da Ferrari não parecia descente para um dos caras mais simpáticos do grid: Ricciardo. "Ah, mas na Ferrari ele teria chances de ser campeão". Não, não teria. Ele é bom e tal, mas na Ferrari, o cara tem que ser fenomenal e isso, não existe.
Ano passado, com o o atritos entre Vettel e Leclerc, o lema demorou, mas não tardou em ser jogado na cara deles: Nada (e nem ninguém) é maior que a Ferrari.
As chances (mínimas) de serem competitivos são dadas, mas erros de pilotos são os únicos inadmissíveis. Não vai ter ninguém passando a mão na cabeça deles e em alguns casos, a imprensa se assegura de não aparecer nenhuma alma que os console.
Assim sendo, para durar na equipe, só sendo medíocre e puxando muito saco alheio. Trabalhar para vencer um campeonato, toma tempo, exige concentração, e nada deve interferir, inclusive, pressão de chefe megalomaníaco. Fazer tudo isso e ainda ter tempo para ser idolatrado, só o Michael Schumacher conseguiu. E olha que quando surgiu um tal de Fernando Alonso, nem ele se aquietou lá dentro.

Ricciardo pode ter acertado mais que Sainz, ainda que a McLaren não seja aquela que temos saudades. Ele tem a chance de poder reerguer a equipe ao lado do promissor Lando Norris. Creio ainda que terá muito mais chances de pinçar vitórias, do que se se mantivesse na Renault. 
Coloquem aí um plus: será uma dupla cheia de risadas no paddock. Já estou ansiosa por conferir e pode contar com eles como única razão que me mantenha assistindo corridas da F1 em 2021, pois ao que parece, estarei totalmente sem piloto para "torcer" ou dar "preferências".

Adoraria ver Lewis Hamilton na Ferrari. Mas já expus no post passado, as razões pelas quais ele não iria para a Scuderia. Está aí um elogio para fazer à Lewis (que diria?): ele parece inteligente em não querer nem passar perto da equipe. Porque será? 
É bem óbvio que ele sabe que lá, não tem "faremos tudo para você" com a facilidade que ele tem na Mercedes. Uma chiada que ele dá e a equipe se molda em seu torno. 
Na Mercedes, nada é maior que a equipe, a não ser que se chame Lewis. E é por isso que ela vence à sete anos o campeonato de construtores (mesmo que em um deles, escapou um Nico Rosberg, por sorte, se certificam sempre, de não passarem por isso, de novo). 
Se esse raciocínio não for adotado pela Ferrari, fica apenas a tradição, o nome. Os títulos, não voltarão.

O que lamento muitíssimo mesmo é a partida (prematura) de Sebastian Vettel. 
Sim, há ainda a vaga na Renault, e especula-se até que Valtteri Bottas não chegue num acordo com a Mercedes.
O cenário dele na Mercedes seria altamente espetacular, no ponto de vista esportivo. 2021 passaria a ser um ano muito bom para os fãs da F1. O resultado positivo em favor do Vettel, faria tanto hater espumar de raiva que eu iria ter "barriga tanquinho" de tanta gargalhada que daria. Mas confesso que não gostaria muito de ver, como sempre a Mercedes fazendo com que Lewis tivesse todos os seus privilégios.
Por isso, acho que a Mercedes nem vai se dar o trabalho. Para ela, Vettel é apenas um jeito de conseguir duas coisas primordiais na equipe, em tempos de campeonato suspenso e número de corridas reduzidas por conta da pandemia - usando Vettel eles conseguem duas coisas à favor deles:
1º) Negociando a extensão de contrato com Lewis, eles ameaçam trazer o Vettel para rivalizá-lo. Com os "gritos" nervosos do Hamilton, eles garantem manter Bottas, desde que ele aceite ficar sob redução de salário para "ajudar a equipe" a dar um carro que ele possa conquistar o oitavo título.
2º) Ameaçando substituí-lo por Vettel, Bottas aceitaria as exigências contratuais e passaria a ser um resiliente piloto que faz tudo sem poder reclamar das imposições da equipe para favorecer Lewis.

A questão que fica em dúvida é se Bottas vai querer passar mais um tempo na sombra do Hamilton Não á melhores opções para ele. No entanto, ele age como capacho, mas não tem saco de filó. Pode ser que a sua demora em se acertar com a equipe indique que ele estuda a possibilidade de sair de lá, mesmo que não tenha mais carro competitivo. Tudo é uma questão de achar que se diverte em outra equipe e se livra de gente chata. E isso, pode ser louvável só para o particular. No profissional, denotaria fraqueza. 
Creio que só assim a Mercedes poderia levar a sério a contratação de Vettel, mas não sem antes certificá-lo que ele não atrapalhará o dono (desculpem! rs) o primeiro piloto. Diante das melhores contratações fechadas, mesmo que Lewis não quisesse ficar na Mercedes de 2021 em diante, ele vai aguentar pelo menos, mais um ano lá, com o octa garantido e aí sim, pensar numa transferência ou aposentadoria em 2022, quando as regras mudariam mesmo...

As notícias ainda falam em três possibilidades para ocupar a vaga "solta" da Renault:


Sobraria ao Vettel correr numa equipe que só não é mais "baratinada" que a Haas. Ele toparia? Talvez não. Ele está bem com cara que depois de tanto chute na cara, ficar em casa, com os filhos, seria melhor e mais tranquilo. Mas ele é um dos poucos que tem paixão pelo que faz, então, poderia aceitar na esperança de que surgisse algo melhor no futuro. 
Alonso é cotado para qualquer vaga solta. Nunca dá para saber se é porque de fato ele procura as equipes, ou porque ninguém se esquece dele.
Nico não fez nada de escolha em relação à sua vida profissional. Saiu pois não sobrou vaga, literalmente. Não deveria voltas, já que a Renault fez um boa cachorrada com ele em 2019. Mas, o Ricciardo deu uma bela rasteira neles e agora Hulk não parece tão ruim, mais não é, people?
(E pensar que eu "desenterrei" o cara antes mesmo de seu nome brotar nas redes sociais...)

Mais especulações? Claro. O pessoal parece que está se divertindo com isso.
Se eu estou?Em partes. Acho que 2020 foi a minha última chance de ver Kimi Raikkonen de perto, e o novo Coronavírus, e fatores financeiros, me impossibilitaram de realizar o plano. Em 2021 não vai sobrar interesse que me leve à um GP aqui no Brasil.
Pena.

Comentem suas apostas, sensações e previsões. Voltarei com qualquer informação nova assim que anunciada.

Abraços afáveis!

terça-feira, 12 de maio de 2020

F1 2020: Sem campeonato iniciado, Ferrari já se despede de Vettel

Em meados de 2018 eu deixei claro: o fato da Ferrari ter trocado Kimi Räikkönen por Charles Leclerc era um golpe para Sebastian Vettel.
Houve quem se exaltou e não só fui contestada, como fui chamada de ingênua por acreditar que o fim da linha para Sebastian estava dado. Havia quem acreditasse que a Ferrari estendia um tapete para Vettel e fazendo um trilha de pétalas de flores para ele e isso colaborava com o crescimento do ódio pelo tetracampeão.
Eu não via dessa forma. Em 2018, A Ferrari jogou Seb aos leões. Como ele reagiu mal (e a pergunta sem resposta é: quem não reagiria mal diante tanta pressão?), eles deram a primeira rasteira com a contratação de um garoto ávido por vitórias. 

A maioria não contestou que eu tivesse dito que a era Vettel começava a ruir. Temo que seja porque não faço parte da "popular comunidade da F1". No entanto, pode ser que a maioria não tenha contestado, porque era de alguma forma ou outra, era uma ideia totalmente possível: Vettel poderia sim, com a chegada do novato, ser passado na Scuderia. Como a equipe é um pouco "ame ou odeie" pode haver nesse meio, aqueles que deram de ombros para todas as opiniões acerca disso, pois para eles, o que acontecia ou deixava de acontecer na Ferrari não interfere em nada em suas vidas.

Para mim era óbvio, que a situação era mais ou menos assim: um "se vira aí" em 2018; ele errou em alguns momentos, erraram por ele em outros, Räikkönen venceu nos Estados Unidos e a equipe colocou a mão na cintura para Vettel, como mãe que espera a justificativa por ver o filho fazendo arte. Kimi teria dado força ao assunto de que a Ferrari tinha o melhor carro e então, terminando em terceiro no campeonato, Vettel tinha feito besteira em não ter vencido Lewis Hamilton. 

Chances desperdiçadas na Ferrari é sinônimo de duras consequências. A não ser que o cara seja durão ou um cordeirinho, é bem capaz que ele seja maltratado até que se renda, perdendo além do contrato, a credibilidade enquanto profissional e a dignidade enquanto pessoa.
Assim, forçando para que Vettel se mostrasse digno do cockpit, a Ferrari trouxe Leclerc para auxiliar em mais um pouco da pressão. Muniram o garoto da preferência (ainda que velada, pelo menos no começo) e também apostaram nele com discursos enfatizando que Charles era o futuro da equipe.

Todas as pessoas que tinham opinião sobre o contrato de Leclerc, e a expectativa sobre Vettel no ano seguinte, tinham total direito de pensarem o que quisessem sobre. 
Mas que é um tanto bom ter dito algo que estava correto, antes mesmo de ter acontecido, ah isso é! Estaria longe de sacar dos bastidores da F1, mas não foi bem assim. Não ser uma comentarista popular ou um perfil famosinho de rede social tem as suas vantagens. Não preciso de quilos de maquiagem numa foto para ter seguidores que pensam como eu me defendendo, afirmando que entendo de F1. Nem consigo, através de uma suposta beleza, passar a ser "respeitada" pelos fãs do esporte, que são, em larga escala, homens. 

O fato de não ter mais, necessariamente, o costume de ser fã de piloto, que defende como advogada do diabo - ou seja, até quando faz besteira das grandes - também ajudou muito a ver as coisas com mais clareza. Sou torcedora do Kimi Räikkönen, e evito fanatismo exacerbado. Oras... Não é saudável.
Não concordar com suposições, análises, conspirações, nem acreditar em lendas ou reportagens de uma mídia especializada, mas também super tendenciosa, também é ponto positivo. Assim, não fico gastando tempo expondo todas as minhas opiniões particulares. Vez ou outra, eu reclamo das notícias sem noção, mas vá lá... Também não sou sangue de barata. 
Mas sempre que posso, coloco o pé no freio. Pode ser que ninguém dê a mínima para o que eu penso. 

Por isso, é aquela coisa: o egocentrismo trás malefícios. Achar bom por estar correta em relação ao casamento Ferrari e Seb me faz virar uma espécie de "petista em tempos de governo semi-ditatorial, dando bom dia para cavalo". "Eu avisei!" é uma expressão que te coloca como superior aos supostamente "menos esclarecidos", como se fosse o "bom da boca", "sabe-tudo". E esse tipo é chato pra caramba!

Opinião é algo que pode ser compartilhado, mas não imposto. E isso nos escapa no dia-a-dia, ainda mais para quem gosta muito de usar as redes sociais - que são o grande mal do mundo contemporâneo.
Claro que falamos de esporte aqui, e não política - que é algo bem mais sério, mas que muitas vezes, não tratamos com a devida seriedade. Tanto a esquerda quanto a direita no país, desconhecem os limites desse embate. Volta e meia, ambos agem como verdadeiros idiotas, usando inclusive,  os mesmos embasamentos para argumentações. Essas semelhanças ou "copia e cola" nunca são percebidos pelos seus partidários. Só quem tem realmente alguma predisposição para o discernimento é que capta os sinais de que são "tudo farinha do mesmo saco". E pode jogar esse saco fora, porque essa farinha passou do prazo de validade faz muito tempo.

Mas no esporte agimos do mesmo jeito. Mistificamos um piloto ou um dado período em detrimento do atual ou diferente. Ainda que no esporte justifica-se essa ação, ela irrita na mesma medida.
É impossível aí, não chegar aos exemplos que causam mais brigas. Entre nós brasileiros, temos as viúvas do Ayrton Senna. A Tv Globo está reprisando as corridas boas do "santo" homem e isso tem gerado o movimento de seus fãs eternos. Eles saíram das moitas e foi (e ainda vai ser) comentado de tudo sobre sua figura esportiva (e olha, que andei dando um tempo nas redes sociais...)!
O processo de beatificação do Lewis Hamilton também se iniciou nesse período de pandemia, sem campeonato de F1 rolando... Jornalistas deram conta de que Lewis NUNCA cometeu nenhum ato antidesportivo desde sua estreia em 2007.

Não adianta ou adiantou tentar listar: ter fingido não saber de nada sobre as maracutaias de sua equipe em 2007, ou sua atitude em Melbourne 2009, ainda as jogadas de carro para cima de Felipe Massa em 2011, não contaram como atitudes ruins para o seu "eu esportivo". Nem a divulgação de dados da telemetria nas suas redes sociais no final de sua passagem na McLaren, suas picuinhas com Jenson Button ou a justificativa de saída da casa-mãe porque "queria os troféus conquistados por ele, com ele", contam como pontos negativos de sua passagem na categoria. Esses são alguns pontos dos anos iniciais e "bons", em certa medida, em que era só mais um piloto celebridade (mimado, vale acrescentar) na F1. 
Na Mercedes,  o entendimento sobre sua personalidade mudou (mas só na fachada, pois o verdadeiro Lewis ainda permanece). Com os motores híbridos, ele ainda continuava disputando com mesmo tipo motor e então, passou a ser obrigação ser hegemônico, já que Michael Schumacher havia deixado a equipe perfeita para ele que gosta de fazer pouco, porém fazendo parecer muito. 
Na "nova equipe" as suas reações com o companheiro Nico Rosberg podem ser consideradas bem antidesportivas. Em alguns momentos, o alemão o incomodou bastante, sendo melhor do que ele em algumas corridas e batendo-o no último campeonato antes de se aposentar, em 2016. Hamilton respondia as investidas de Nico com jogadas sujas na pista (que eram revidadas com a mesma vontade por parte de Rosberg, sendo "vilanizado" por isso), além de declarações cínicas e jogadas de boné no rosto do adversário com raivinha de dar vergonha até em aluno de terceira série primária.
Um bom moço, de fato. O argumento de que Lewis NUNCA foi antidesportivo é realmente louvável. O "Vaticano" já está deliberando a sua beatificação. A ver.

No caso de Vettel, o trabalho ficou designado aos demônios mesmo. No purgatório desde 2018, especialmente depois do GP da Alemanha, Sebastian conta com algumas orações para a salvação de sua alma, mas a concorrência pode ser desleal e os servidores do tinhoso estão empenhado em puxar ele para o andar de baixo. Aposto que estão pensando aí no incidente do "multi 21" para dizer que nem ele é santo, porque Lewis está sendo crucificado?
Bem, a questão é que a hierarquização de caráteres na F1 transformam os seguidores destes em monstros. As pessoas podem até ser legais, mas o fã clube delas, nos faz desejar portar armas de fogo.

Com a ajuda dos detratores, Seb também deu com a cara nas costas dos "manda-chuvas" da Ferrari quando a temporada 2018 começou a chegar ao fim. Era impossível que o seu 2019 prestasse em termos de resultados com tudo que fizeram com ele. Mesmo que existam ótimos momentos do campeonato passado, o velho Vettel tinha pedras sendo colocadas nas suas costas. O que ia ficar escrito, seriam apenas os  seus "erros".
Charles Leclerc chegou para ser o querido dos tifosi e a coisa só se firmou quando ele venceu o GP da Itália, e o Vettel fez crescer a fama de "cam-pião".
Patético. É o achismo se trasvestindo de fato e falando alto. E quando os compradores da ideia fazem coro, arrumam seguidores, assim como também, (ainda que poucos) contestadores.

No diálogo de surdos, eu que não sou fã, me irrito, pois percebo as contradições. Dar de cara com fãs de Fernando Alonso a criticar Vettel ou rir de duas derrotas é de uma falta de empatia que decepciona, mas não surpreende. Alonso não experimentou nada diferente do que Vettel esteja  experimentando. Ambos foram contratados para serem o "salvadores" da Ferrari, pois chegaram como consagrados e campeões. Tiveram seus últimos anos na Scuderia sendo limados aos poucos, num ato quase sádico, cortando a pouca esperança e vontade de serem competitivos.
Alonso arrumou uma fama impossível de reverter: "mau caráter e de difícil convívio no trabalho". Vettel virou o "banana que só roda e choraminga". Perdeu os cabelos e envelheceu estando na Ferrari, e a equipe respondeu assim: ou fica um ano só, com o salário reduzido, ou "tchau".
Colocado nesses termos, com uma proposta horrível dessas, só poderia concluir na saída de Vettel, mesmo com a dignidade maculada. Paciência tem limite. 

E é isso. Ontem surgiu o boato de que Vettel estaria fora da Ferrari em 2021. Não teriam chegado num acordo. A proposta da equipe de um ano de contrato e redução do salário enquanto que para Leclerc foi dado cinco anos e não falaram nada sobre redução salarial, não poderia ser traduzido como uma forma de forçar a saída e humilhar o tetracampeão (inútil, pelo visto) por parte da diretoria.
As matérias sobre Vettel ter negado o contrato, davam conta dos dados estatísticos do alemão em 2019. Estes dados foram comparados com os do companheiro monegasco. Haviam matérias que também enfatizavam os "incidentes" entres os dois, remontando a narrativa  de que "eles se odeiam".
A pecha do Vettel estava escancarada, inclusive na mídia, e a Ferrari teria deixado isso acontecer livremente.
Confirmaram algumas horas depois que ele não seria mais piloto deles, a partir de 2021.

Desde o ano passado, especula-se os substitutos para Seb, como torcida pela retirada. 
Desde a saída do Schumacher da equipe de Maranello, quem não faz por onde, deve ser cortado da equipe não sem antes tomar um belo esporro. Só não aconteceu isso com o Felipe Massa. Mas o resto... ¬¬' 
Räikkönen foi massacrado duas vezes. Na primeira, vazou de bolsos cheios. Sua personalidade garantiu que não ligasse para os xingamentos dos torcedores da categoria. Depois saiu de novo, no fim de 2018, e apesar de ter sido mais tranquilo, não foi sem os gritos de "aposenta, velho!" e não sem restar mais nada de opção do que uma equipe pequena. Ainda que alguns digam que ele é o último campeão da equipe e que por isso deve ser exaltado, as pessoas gostam mais de suas respostas frias aos jornalistas e suas histórias de bêbado do que qualquer outra coisa.
Alonso causou traumas na Ferrari e agora Vettel é cotado até que se aposente já que ele é mimado demais e não se adequaria à equipes menores que a Mercedes ou a Red Bull. 

Um retorno à Red Bull é totalmente improvável, já que dividir espaço com Max Verstappen pode ser muito para Helmut Marko resolver. Max também tem um contrato longo com a equipe, então isso estaria fora de cogitação. Aparentemente eles investem muito no Vespa que, até o momento, tem sido a única razão de muitos para assistir a F1 atual, mesmo que ele seja detestado por muitos outros.  
A Mercedes não deve ter interesse, mas deveria. Infelizmente, é bem provável que eles cogitem Vettel, mas não contratem. Hamilton com toda certeza vetaria a chegada de um piloto como Seb. No começo do ano passado Bottas colocou só um pouco as asinhas de fora e isso já deixou Hamilton de sobreaviso - reclamou mais dos pneus e das decisões da equipe, que nos anos anteriores. Porém, o inglês não tem contrato afirmado para 2021 e os anos seguintes, e tem feito jogo duro...

Há quem diga que Vettel vai para a Renault, substituindo Daniel Ricciardo. As pessoas querem Ric sofrendo na Ferrari a qualquer custo e ainda dizem que gostam do australiano (mas está óbvio que não gostam do Vettel...)! 
A Mclaren surgiu também como opção de destino de Seb. De lá, viria Carlos Sainz Jr.. Essa questão tomou força nos últimos dias e há quem crave Sainz na Ferrari faltando só o anúncio.
Com a confirmação de que Vettel não será piloto da Ferrari em 2021, a McLaren teria se juntado à Renault e dando sinais de que querem tê-lo nas suas equipes. 
Räikkönen foi outro boato para substituir Seb. Não surpreenderia que a Ferrari gostasse de fazer do Kimi, uma bola de ping-pong. 

De todo modo para mim é bem claro: Vettel saindo da Ferrari terá um 2021 sendo achincalhado todo santo domingo, seja qual for o seu desempenho em outra equipe. Eu já dizia que em 2020 ele teria um ano muito difícil em termos de críticas. Não estava errada (de novo!) pois, embora não tivemos nenhuma corrida, as críticas brotam como se o campeonato de 2019 ainda não tivesse acabado.

E quem quer que ocupe um lugar na Ferrari é possível que não seja tão mais "potente" que o Leclerc, ou de que adiantaria ter apostado as fichas no garoto? A meu ver, a escolha da Ferrari deve ser um piloto mediano ou da casa, para esquentar lugar para o filho do Schumi - o Mick. 
Mesmo que o filho do homem seja fogo de palha, ele é da escola da Ferrari e é uma aposta que eu arriscaria tentar, mas não sem antes deixar ele amadurecer, por exemplo, na Alfa Romeo. 
Da Alfa, há uma boa opção de substituto de Sebastian: Antonio Giovinazzi. A curto prazo, pode até surpreender. 
Se fosse para ser ousada e querer, sei lá, apostar em coisas inusitadas, eu ligaria para o Nico Hulkenberg... 
O que entrava é uma coisa só: será que essas carreiras todas, com a do Leclerc inclusa, valem a pena de serem gastadas na "baratinada" Ferrari? Do ponto de vista pessoal, qualquer contratação na Ferrari parece muita coisa, mas no prático, os caras se desgastam ali para absolutamente... Nada!

Da Red Bull, ninguém está cotado para substituir Vettel. Mas da Mercedes, Hamilton estaria fazendo "doce" para renovar, levantando boatos de que estaria negociando com a Ferrari.
Ele foi diplomático no ano passado sobre isso, mas neste foi enfático em negar a sua mudança de equipe. No entanto, como isso não ia gerar mídia, ele apagou o post em que reforçava o discurso de que se sentia bem onde estava, mas a imprensa já havia tomado nota.
Ou ele quis mídia, ou ele foi informado que a Mercedes não descartaria trocar ele por Vettel. Ou ainda, a Ferrari em si, tivesse feito uma oferta irrecusável para ele. 
Todas as três hipóteses fazem pensar.

Mesmo assim, e correndo o risco de ser contestada: Hamilton não sai da Mercedes antes da equipe dar sinais de enfraquecimento. Ele não colocaria o dele na reta para competir com um motor diferente, num ambiente tão inóspito, estando no estágio de se igualar a Michael Schumacher. Poderia colocar o plano de ser hepta a perder, cego de vaidade de ter feito mudar uma equipe que estava nadando e morrendo na praia há mais de 10 anos. A não ser que Vettel realmente estivesse com um pé na Mercedes, e isso acabaria com toda essa hipótese.

Sem Vettel na Ferrari em 2021, o caminho de Hamilton está muito mais que fácil para passar o Schumi em número de títulos, se tornando com toda certeza, oito vezes campeão na F1 no fim do campeonato. Por isso, a chances dele se acertar com a Mercedes são muito maiores.
Alcançando o "feito monstruoso", ele até poderia se dar o luxo de mudar para a Ferrari em 2022. Se falhasse na tentativa, a desculpa estaria pronta: a mudança no regulamento teria prejudicado e ele precisaria de mais tempo para se adaptar. 
E esse plano está certinho. Vettel decidiu o futuro dele, antes. Agora Hamilton poderia renovar com a Mercedes e parar com o joguinho melindroso, exigindo qualquer coisa da equipe que também não iria querer trocar o certo pelo duvidoso.
Ele poderia também, depois de conquistar o oitavo título, se aposentar no auge, demorando muitos anos para ter o seus 8 títulos, superados. Essa possibilidade é bem fraca, em vista de sua latente vaidade em se dizer sempre combativo. Ele precisaria de uma queda de rendimento para pensar nessa possibilidade, como fez em outras ocasiões na carreira, quando algo não parecia de seu agrado.

Tanto Alonso quanto Vettel foram contratados pela Ferrari com o intuito de ser "novos Schumachers". Quando as pessoas "colocam" Hamilton na Scuderia, levam em conta essa premissa, de que ele é bom o suficiente para refazer a Ferrari e trazê-la de volta ao topo com muitas vitórias e proporcionando que ela volte a vencer campeonatos, inclusive o de construtores.
Elas realmente acreditam que Hamilton é um acertador de carros, com o psicológico fortíssimo a ponto de sofrer pressão de uma equipe tanto exigente quanto tradicional e ainda aparentar que conquistou tudo isso de maneira muito fácil. 

Ainda que seja justo pensar assim, eu pessoalmente discordo, como já sabem. Mas acredito que, se caso Hamilton vá para Ferrari, não me surpreenderia tanto. Ele teria certeza de que seria bem sucedido para decidir pela troca e dois resultados vem à minha mente: assinando com a equipe para 2021, ele teria chegado ao ápice de sua megalomania. E é aí que os tombos acontecem. O campeonato de 2021 tornaria-se um ano excelente de acompanhar, e já aguardaria por ele com ansiedade.
O outro resultado é que, sem tombo, Hamilton vencendo todas como se estivesse ainda na Mercedes, eu cogitaria me dedicar ao estudo de bruxaria porque não vejo nenhuma razão racional para acreditar que seja possível salvar a Ferrari. 
Por aqui, passaria a escrever sobre NFL. Estudaria as estatísticas, sobre os drafts, e coisa toda da liga. Viraria a caquética do "no meu tempo era Fórmula 1, não Fórmula Hamilton"...

Abraços afáveis!

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Editorial da Manu: Texto de Eduardo de Campos

Há alguns dias comecei um texto e parei; retomei após uma pausa, reescrevi algumas partes e resolvi ir ler outras coisas na esperança que as ideias "decantassem". Retomei o tal texto, depois de alguns dias de estudo particular. Ao reler, pensei bem: Não estava nada bom. Apaguei tudo. 
Não acho nem que vale a pena mencionar qual era a ideia inicial do texto. 
Depois de alguns dias, o meu amigo Eduardo de Campos, comentou sobre F1 - assunto que fez com que nos conectássemos pelas redes sociais e encontrássemos outras afinidades. 
Temos uma amizade engraçada: não nos conhecemos pessoalmente, somos de gerações diferentes, mas em 90% dos assuntos que colocamos a cachola para pensar, a gente chega a quase completar a fala um do outro. Coisa de nascidos sob o signo de gêmeos? rsrsrs...

Aproveitei o momento e fiz o convite de que ele escrevesse um texto para mim, com tema livre. Sugeri alguns pontos que pudessem ser tocados, mas o fato dele não ter seguido as sugestões de forma criteriosa foi ainda mais conectado do que eu poderia ter imaginado. E ele me enviou na sexta-feira, no dia 1 de maio, data bem simbólica para todos nós. 
Abaixo, compartilho com vocês o texto do Eduardo. 

***

Porque ainda amo a Fórmula 1, mesmo o Brasil não sendo mais protagonista?

Vivemos mais uma vez a comoção em torno do 1º de maio, data marcante para o automobilismo mundial e certamente a mais trágica para o desporte brasileiro. Nessa mesma ocasião, há 26 anos, o brasileiro Ayrton Senna da Silva ia de encontro ao muro da “curva torta” Tamburello, no circuito italiano de San Marino, perdendo sua vida quase que instantaneamente. Esse dia ficou conhecido, para muitos, como o dia em que a Fórmula 1 morreu. Mas será que morreu, mesmo? Se morreu, o que temos visto desde então em muitos finais de semana, com carros a dar voltas e mais voltas por circuitos em dezenas de países ao redor do mundo? Acho que isso se chama Fórmula 1, ora bolas...

Estou hoje com 46 anos, exatamente a um mês de completar 47 no próximo 1º de junho. Data de aniversário também de um dos nomes mais importantes (e para mim antipáticas) da F1: Ron Dennis. Acompanho a categoria desde minha infância nos meados dos anos 70, quando acordava meus pais com o som da TV no talo para acompanhar o “Emersão Pitifaldi”, como meu pai diz que eu me referia ao Rato. Sempre gostei de carros e de corridas. Passei a ter mais consciência e entender o que realmente se passava no início dos 80, com a entrada definitiva do brasileiro Nelson Piquet para a elite de pilotos, com seu vice campeonato em 1980 e primeiro título em 1981. Nunca escondi de ninguém que o Piquet sempre foi meu piloto preferido. E provavelmente sempre será, pois sou do tipo de pessoa que, se gosta de uma coisa ou pessoa, dificilmente irá mudar de opinião, a não ser que que aquilo ou quem se mostre nocivo. Alguns dizem que tenho personalidade forte, muitos outros dizem que sou simplesmente chato. Na verdade, não me importo com quaisquer dessas opiniões.

Mas voltando ao assunto de interesse aqui, a F1 sempre foi meu esporte preferido. Mais até do que o futebol. Principalmente depois das tristezas vividas e choradas com uma das maiores e melhores seleções brasileiras de todos os tempos, em 1982. E também porque meu time de coração, o Cruzeiro, na época não ganhava nem mesmo o campeonato regional. Mas segui torcendo pelo time, que se tornou e ainda é o único gigante do estado de Minas Gerais, mesmo que no momento tenha caído para a Segunda Divisão do campeonato brasileiro. Mas tropeções e quedas fazem parte da vida e do aprendizado, não é mesmo? Como disse Thomas Wayne na trilogia Batman: “Por que caímos, Bruce? Para aprendermos a nos levantar!”.

Sempre me senti meio solitário por gostar tanto da F1 e nunca encontrar outras pessoas que gostassem tanto e com quem pudesse conversar sobre a categoria, desde coisas bobas como qual capacete era o mais bonito ou até quem era o melhor no momento e seria campeão naquele ano. Perdi muitas peladas nas manhãs de domingo e também amizades porque eu preferia ficar vendo corrida pela Tv do que correr atrás de uma bola com outros moleques. No dia em que não o fiz, me arrependi enormemente. Justamente na corrida de Mônaco, em 1984, quando o Senna não venceu porque arrumaram uma mutreta para beneficiar o Prost. O que acabou lhe saindo caro no final da temporada, pois perdeu o título por apenas meio ponto. Se a corrida de Mônaco não tivesse sido interrompida, Prost provavelmente chegaria em segundo e levaria mais pontos do que levou com o primeiro lugar que valeu metade da pontuação. Castigo? Parece que sim. Desse dia de corrida, lembro de minha avó Maria tentando me explicar como terminou a corrida e eu não entendia nada. Pior, tive que esperar até passar no Fantástico a reportagem mostrando como tudo aconteceu. Desse dia em diante, só perdi corridas por, ou eu estar trabalhando, ou dormindo por ressaca, ou quase coma. Peladas com os amigos? Nunca mais. Desde então fui chamado de o Sozinho, o Do Contra, o Autista (quanta ignorância, Senhor!) ou outros apelidos pejorativos. E, mais uma vez, não me importei. Continuei assistindo minhas corridas e com meu amor pela F1. 

Mas com a ascensão do Senna, muita gente começou a acompanhar as corridas e sempre vinha alguém me perguntar: “E o Senna, hein?! O Senna é o melhor! Piquet?! Esse não tá com nada, arrogante, metido, anti patriota, velho, acabado...”. Pois é. Nessa época já percebi que brasileiro gosta é de quem está no topo, quem ganha, só para bajular e dizer que gosta do melhor. E Senna para eles já era o melhor, começara a ganhar corridas, dar espetáculo e tinha o “carro mais lindo” da F1, a Lotus preta e dourada com patrocínio da JPS. Conheci trouxa que começou a fumar por causa disso, aiai... 
Piquet se arrastava em pista com a outrora vencedora Brabham, dando amostras que a equipe já não tinha mais o pique de antes. Quando ele assinou com a Williams para 1986, eu disse que ele tinha claras chances de chegar ao tetra campeonato. Mas dentro de casa eu vi a torcida contra. Quando começou a sabotagem do time inglês em benefício do idiota veloz do Mansell, era um tal de “lá vem o Leão!!!”, que me fazia perder o equilíbrio. Confesso que por breves momentos pós corridas tive vontade de esfregar as fuças de uns aí no chão, mas isso seria crime. E hediondo, por serem meus irmãos, pai e mãe. 

Quando Prost conquistou o título de 86, eu não vi por ter apagado durante a corrida. Meu pai me acordou, contou como foi a corrida e me mandou dormir. “A partir de amanhã tu começa a torcer pra um piloto de verdade, o Senna”, disse ele. Em 1987 veio minha desforra, com o Piquet travando com o inglês uma das maiores batalhas por um título. E no final, venceu o brasileiro. Tri campeão, porra!!! Mas aíííííííí..., o infeliz cisma de ir para a Lotus, quando poderia ter ido para a McLaren. Segundo alguns, só para sacanear Ron Dennis e Bernie Ecclestone, que o queriam em suas equipes e teriam apostado para saber quem o levaria. Piquet quis ferrar os dois e acabou se ferrando, pois a Lotus não foi nem sombra da equipe um dia dirigida por Collin Chapman. Depois, ainda fez muito com a promissora Benetton, mas por vezes foi melhor que o equipamento e perdeu boas oportunidades de pontuar por rodar demais nas pistas. 



Enquanto isso, Senna ia para a McLaren e lá conquistaria seus três títulos mundiais, sempre com o melhor carro/motor. Por que será que isso me lembra alguém da atualidade? Era o auge do ufanismo e pachequismo. Imagina, passamos por tantas dificuldades, o futebol não vencia, só dava vexames, nossa politica continuava com a habitual roubalheira, o dragão da inflação cada vez mais gordo. O que tínhamos para nos dar alegria? Apena um brasileirinho contra o mundo. Ah, não! Esse aí foi outro que surgiu tempos depois... Tínhamos o Ayrton Senna da Silva, o Ayrton Senna da Chuva, como gritava a plenos pulmões o narrador principal da TV Globo, Galvão Bueno. Fizeram do brasileiro o herói solitário, nosso Don Quixote que, em vez da lança empunhada, levantava aos céus a bandeira brasileira e mostrava a garra e valentia do nosso povo sofrido. Piegas? Enredo de novela? Sempre achei que sim. 

No ano de 1993, eu já era um dos poucos que continuavam sem perder uma corrida sequer. O Senna já não ganhava todas e por isso muitos não queriam mais ver as Williams fazendo barba, cabelo e bigode a cada corrida e o hino inglês sendo repetido quase todos os finais de semana. Muitos perderam o que talvez tenha sido a melhor temporada do brasileiro na F1. Para mim, foi mesmo a melhor e assisti isso com brilho nos olhos. Comecei a torcer por ele, para que tivesse mais chances de dar espetáculos. Mas logo me desapaixonei quando ele assinou com a Williams para 1994, pois sua fome de ganhar o levava de novo para ganhar só com o melhor carro do grid. Por que será que isso me lembra alguém da atualidade? Lembro dos embates terríveis que tive com uma de minhas irmãs, logo após as corridas do Brasil e principalmente a de Aida, no Japão, quando ela chegou a gritar que me odiava. Mal sabíamos que dias depois o Senna sofreria seu acidente fatal e nunca mais correria, nunca mais venceria e levantaria a bandeira verde e amarela para lavar a alma e corações dos brasileiros. Piegas, mas...

Mas isso me remete à uma observação, maldosa, eu bem sei. Praticamente todo mundo diz se lembrar muito bem do que estava fazendo naquele fatídico dia 1º de maio de 1994. Só que uma coisa que reparei, foi que poucos dizem que estavam realmente assistindo à corrida. Muitos estavam dormindo e acordaram com alguém lhes dando a notícia, outros estavam cuidando de afazeres domésticos, mas com a TV ligada num volume baixo, portanto não estavam prestando atenção ao ocorrido e se espantaram quando viram os inúmeros replays do acidente. E muitos outros estavam na rua e voltaram correndo pra casa assim que souberam da notícia. Como minha irmã, que estava na Feira de Artesanato de Belo Horizonte.

Então, voltando ao início desse meu texto, a Fórmula 1 não morreu naquele dia, não. Já vinha moribunda porque não tínhamos mais nenhum brasileiro vencendo “de ponta a ponta, com muito cuidado, na ponta dos dedos”, como dizia o Galvão Bueno. E essa mesma doença nós vimos depois com Gustavo Kuerten no tênis, com a seleção masculina de voleibol, com Anderson Silva naquela rinha chamada UFC e outros momentos mais meteóricos que não chegaram a durar muito ou nem mesmo acontecer, como vimos recentemente com Daiane dos Santos e Diego Hipólito, na ginástica. 
Eu continuei gostando, curtindo e amando a F1. Mesmo com as críticas em tom de deboche das outras pessoas. Mesmo quando Michael Schumacher virou o alvo do ódio de muitos que sempre desdenhavam seus brilhantes feitos, desmerecendo todo o seu trabalho e dando luz somente às vigarices. Como se o “Santo Daquelas Manhãs de Domingo” não tivesse também cometido as suas, antes mesmo de chegar à F1. E isso piorava quando eu dizia que torcia para outros pilotos que não eram os brasileiros Rubens Barrichello e Felipe Massa. Claro que torci para que conquistassem vitórias e até títulos, mas que fossem por mais do que apenas 30 segundos. Como os dois acabaram aderindo ao capachismo maranellista, continuei torcendo por outros, pelo espetáculo, por acidentes, confusões dentro e fora das pistas. Exceto pela patacoada sem precedentes do Nelsinho Piquet, naquela bisonha armação para favorecer o intocável Trapaceiro das Astúrias. Depois daquilo, tivemos bons pegas, grandes nomes surgindo e sumindo por falta de espaço, perdemos o Queixudo 7 Estrelas num acidente bobo a 20 km/h, na neve! Mas continuei e continuarei assistindo e torcendo pelo show. Que é feito muito mais do que apenas de vitórias do melhor piloto no melhor carro.

Bom...é isso. A Manu tinha me proposto escrever sobre pilotos que não são os protagonistas, mas a gente ama quase ou mais do que os queridinhos da maioria. Fugi (e muito!) do tema, mas espero que tenha valido a leitura de quem chegou até aqui.
Uma pena apenas a temporada de 2020 estar sendo cada vez mais comprometida, por causa do Covid-19. Faz falta ouvir os roncos dos motores, mesmo os atuais meio sem sal, sem o poder e fúria dos antigos e fascinantes V8, V10 ou aquele V12 Ligier-Matra que podemos assistir no Youtube. Esse é de se ouvir chorando. Mas também, ando chorando por qualquer coisa que me traga saudade. Só não vou mais chorar por causa desse 1º de maio.
Quem quiser ouvir o belo ronco e pegar carona com o francês Jacques Laffite em sua Ligier-Matra, basta clicar nesse vídeo:


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E é com esse texto que abrimos a primeira semana de maio. Agradeço demais o Eduardo por ter trago a sua visão da categoria, pessoal e histórica, coisa que me falta muito.

Assim como o Eduardo, eu assisto corridas desde criança, tudo por conta de uma "tradição familiar" que muitos de nós tem. Me lembro pouco do daquele 1º de maio de 1994. As pessoas se emocionam com o fato, muitos porque viveram. Há quem me escreveu: "ele era um cara legal, chorei muito no dia e não quis ir a escola." São depoimentos de gente que nunca viu uma corrida inteira. Não vou negar que poderia ser um cara legal. Ele atraiu muita admiração. Juízo de gosto não se trata aqui. Se respeita, se deixa o espaço para demonstrar, mas não se julga. 
Iria completar 7 anos no mês seguinte naquele 1994, lembro do clima, de irmãs e pais em volta da TV apreensivos. Não gosto de contar para os outros que sei do que foi aquele dia, e como ficou marcada na minha alma, porque eu estaria aumentando muito. Lembro de flashes, não sei se chorei, não posso dizer que tenho saudades, como vi depoimentos dos jovens fãs declarando seus "obrigados" nas redes sociais. Acho que aí já é demais. 

Após essa data, sim, eu continuei a assistir F1, quanto muitos abandonaram. Minha irmã Michelle ainda acompanhava alguns GPs, e até torcia por brasileiros. Rubens Barrichello, entre eles. Disso lembro bem, inclusive de já sem saber, ficar fazendo chacota com a coitada. Só fui fazer da F1 algo normal nos meus domingos, no fim dos anos 1990, lá por meados de 1997. Efetivamente, todos os domingos, criteriosamente? Foi só quando Kimi Räikkönen foi para a McLaren. E dali, domingo virou sagrado, fiquei viciadona em 2005 em diante, do tipo chata que não sai de casa em horário de treino e corrida. 

Assisti corridas em reprises nesses tempos de quarentena. Algumas, eu até era nascida, mas não acompanhei. Tive sensações estranhas com todas elas, até as mais recentes. Algumas, lembrei como se fossem ontem. Lamentei muito. Existe tanto melhor a ser feito, melhorado, e que abarque mais do esporte. Opta-se por umas bobagens, que sempre existiram, mas acabam com a nossa boa vontade. Em todo, as corridas atuais, tilkódromos, e esses motores híbridos, tiraram uma parte considerável do sabor que a F1 teve. Esse sabor existe, mas de 2014 para cá... Parece que, volta e meia, se coloca em "quarentena".

Bem, foi por isso que pedi ao Eduardo um texto sobre os "não protagonistas que amamos". Sem eles, será que já teríamos "abandonado o barco"? Procurei essas respostas e pedi uma ajuda para ele. 
No entanto, isso vai ficar para um outro texto.

Espero que tenham gostado do texto pessoal do Eduardo e sintam-se inclusive motivados a fazerem os seus e compartilharem aqui. Será bem vindo(a)!
Aproveito a oportunidade para indicar que mais textos dos amigos que já apareceram aqui, virão! 

Abraços afáveis, boa semana a todos e cuidem-se! Fique em casa!