segunda-feira, 4 de maio de 2020

Editorial da Manu: Texto de Eduardo de Campos

Há alguns dias comecei um texto e parei; retomei após uma pausa, reescrevi algumas partes e resolvi ir ler outras coisas na esperança que as ideias "decantassem". Retomei o tal texto, depois de alguns dias de estudo particular. Ao reler, pensei bem: Não estava nada bom. Apaguei tudo. 
Não acho nem que vale a pena mencionar qual era a ideia inicial do texto. 
Depois de alguns dias, o meu amigo Eduardo de Campos, comentou sobre F1 - assunto que fez com que nos conectássemos pelas redes sociais e encontrássemos outras afinidades. 
Temos uma amizade engraçada: não nos conhecemos pessoalmente, somos de gerações diferentes, mas em 90% dos assuntos que colocamos a cachola para pensar, a gente chega a quase completar a fala um do outro. Coisa de nascidos sob o signo de gêmeos? rsrsrs...

Aproveitei o momento e fiz o convite de que ele escrevesse um texto para mim, com tema livre. Sugeri alguns pontos que pudessem ser tocados, mas o fato dele não ter seguido as sugestões de forma criteriosa foi ainda mais conectado do que eu poderia ter imaginado. E ele me enviou na sexta-feira, no dia 1 de maio, data bem simbólica para todos nós. 
Abaixo, compartilho com vocês o texto do Eduardo. 

***

Porque ainda amo a Fórmula 1, mesmo o Brasil não sendo mais protagonista?

Vivemos mais uma vez a comoção em torno do 1º de maio, data marcante para o automobilismo mundial e certamente a mais trágica para o desporte brasileiro. Nessa mesma ocasião, há 26 anos, o brasileiro Ayrton Senna da Silva ia de encontro ao muro da “curva torta” Tamburello, no circuito italiano de San Marino, perdendo sua vida quase que instantaneamente. Esse dia ficou conhecido, para muitos, como o dia em que a Fórmula 1 morreu. Mas será que morreu, mesmo? Se morreu, o que temos visto desde então em muitos finais de semana, com carros a dar voltas e mais voltas por circuitos em dezenas de países ao redor do mundo? Acho que isso se chama Fórmula 1, ora bolas...

Estou hoje com 46 anos, exatamente a um mês de completar 47 no próximo 1º de junho. Data de aniversário também de um dos nomes mais importantes (e para mim antipáticas) da F1: Ron Dennis. Acompanho a categoria desde minha infância nos meados dos anos 70, quando acordava meus pais com o som da TV no talo para acompanhar o “Emersão Pitifaldi”, como meu pai diz que eu me referia ao Rato. Sempre gostei de carros e de corridas. Passei a ter mais consciência e entender o que realmente se passava no início dos 80, com a entrada definitiva do brasileiro Nelson Piquet para a elite de pilotos, com seu vice campeonato em 1980 e primeiro título em 1981. Nunca escondi de ninguém que o Piquet sempre foi meu piloto preferido. E provavelmente sempre será, pois sou do tipo de pessoa que, se gosta de uma coisa ou pessoa, dificilmente irá mudar de opinião, a não ser que que aquilo ou quem se mostre nocivo. Alguns dizem que tenho personalidade forte, muitos outros dizem que sou simplesmente chato. Na verdade, não me importo com quaisquer dessas opiniões.

Mas voltando ao assunto de interesse aqui, a F1 sempre foi meu esporte preferido. Mais até do que o futebol. Principalmente depois das tristezas vividas e choradas com uma das maiores e melhores seleções brasileiras de todos os tempos, em 1982. E também porque meu time de coração, o Cruzeiro, na época não ganhava nem mesmo o campeonato regional. Mas segui torcendo pelo time, que se tornou e ainda é o único gigante do estado de Minas Gerais, mesmo que no momento tenha caído para a Segunda Divisão do campeonato brasileiro. Mas tropeções e quedas fazem parte da vida e do aprendizado, não é mesmo? Como disse Thomas Wayne na trilogia Batman: “Por que caímos, Bruce? Para aprendermos a nos levantar!”.

Sempre me senti meio solitário por gostar tanto da F1 e nunca encontrar outras pessoas que gostassem tanto e com quem pudesse conversar sobre a categoria, desde coisas bobas como qual capacete era o mais bonito ou até quem era o melhor no momento e seria campeão naquele ano. Perdi muitas peladas nas manhãs de domingo e também amizades porque eu preferia ficar vendo corrida pela Tv do que correr atrás de uma bola com outros moleques. No dia em que não o fiz, me arrependi enormemente. Justamente na corrida de Mônaco, em 1984, quando o Senna não venceu porque arrumaram uma mutreta para beneficiar o Prost. O que acabou lhe saindo caro no final da temporada, pois perdeu o título por apenas meio ponto. Se a corrida de Mônaco não tivesse sido interrompida, Prost provavelmente chegaria em segundo e levaria mais pontos do que levou com o primeiro lugar que valeu metade da pontuação. Castigo? Parece que sim. Desse dia de corrida, lembro de minha avó Maria tentando me explicar como terminou a corrida e eu não entendia nada. Pior, tive que esperar até passar no Fantástico a reportagem mostrando como tudo aconteceu. Desse dia em diante, só perdi corridas por, ou eu estar trabalhando, ou dormindo por ressaca, ou quase coma. Peladas com os amigos? Nunca mais. Desde então fui chamado de o Sozinho, o Do Contra, o Autista (quanta ignorância, Senhor!) ou outros apelidos pejorativos. E, mais uma vez, não me importei. Continuei assistindo minhas corridas e com meu amor pela F1. 

Mas com a ascensão do Senna, muita gente começou a acompanhar as corridas e sempre vinha alguém me perguntar: “E o Senna, hein?! O Senna é o melhor! Piquet?! Esse não tá com nada, arrogante, metido, anti patriota, velho, acabado...”. Pois é. Nessa época já percebi que brasileiro gosta é de quem está no topo, quem ganha, só para bajular e dizer que gosta do melhor. E Senna para eles já era o melhor, começara a ganhar corridas, dar espetáculo e tinha o “carro mais lindo” da F1, a Lotus preta e dourada com patrocínio da JPS. Conheci trouxa que começou a fumar por causa disso, aiai... 
Piquet se arrastava em pista com a outrora vencedora Brabham, dando amostras que a equipe já não tinha mais o pique de antes. Quando ele assinou com a Williams para 1986, eu disse que ele tinha claras chances de chegar ao tetra campeonato. Mas dentro de casa eu vi a torcida contra. Quando começou a sabotagem do time inglês em benefício do idiota veloz do Mansell, era um tal de “lá vem o Leão!!!”, que me fazia perder o equilíbrio. Confesso que por breves momentos pós corridas tive vontade de esfregar as fuças de uns aí no chão, mas isso seria crime. E hediondo, por serem meus irmãos, pai e mãe. 

Quando Prost conquistou o título de 86, eu não vi por ter apagado durante a corrida. Meu pai me acordou, contou como foi a corrida e me mandou dormir. “A partir de amanhã tu começa a torcer pra um piloto de verdade, o Senna”, disse ele. Em 1987 veio minha desforra, com o Piquet travando com o inglês uma das maiores batalhas por um título. E no final, venceu o brasileiro. Tri campeão, porra!!! Mas aíííííííí..., o infeliz cisma de ir para a Lotus, quando poderia ter ido para a McLaren. Segundo alguns, só para sacanear Ron Dennis e Bernie Ecclestone, que o queriam em suas equipes e teriam apostado para saber quem o levaria. Piquet quis ferrar os dois e acabou se ferrando, pois a Lotus não foi nem sombra da equipe um dia dirigida por Collin Chapman. Depois, ainda fez muito com a promissora Benetton, mas por vezes foi melhor que o equipamento e perdeu boas oportunidades de pontuar por rodar demais nas pistas. 



Enquanto isso, Senna ia para a McLaren e lá conquistaria seus três títulos mundiais, sempre com o melhor carro/motor. Por que será que isso me lembra alguém da atualidade? Era o auge do ufanismo e pachequismo. Imagina, passamos por tantas dificuldades, o futebol não vencia, só dava vexames, nossa politica continuava com a habitual roubalheira, o dragão da inflação cada vez mais gordo. O que tínhamos para nos dar alegria? Apena um brasileirinho contra o mundo. Ah, não! Esse aí foi outro que surgiu tempos depois... Tínhamos o Ayrton Senna da Silva, o Ayrton Senna da Chuva, como gritava a plenos pulmões o narrador principal da TV Globo, Galvão Bueno. Fizeram do brasileiro o herói solitário, nosso Don Quixote que, em vez da lança empunhada, levantava aos céus a bandeira brasileira e mostrava a garra e valentia do nosso povo sofrido. Piegas? Enredo de novela? Sempre achei que sim. 

No ano de 1993, eu já era um dos poucos que continuavam sem perder uma corrida sequer. O Senna já não ganhava todas e por isso muitos não queriam mais ver as Williams fazendo barba, cabelo e bigode a cada corrida e o hino inglês sendo repetido quase todos os finais de semana. Muitos perderam o que talvez tenha sido a melhor temporada do brasileiro na F1. Para mim, foi mesmo a melhor e assisti isso com brilho nos olhos. Comecei a torcer por ele, para que tivesse mais chances de dar espetáculos. Mas logo me desapaixonei quando ele assinou com a Williams para 1994, pois sua fome de ganhar o levava de novo para ganhar só com o melhor carro do grid. Por que será que isso me lembra alguém da atualidade? Lembro dos embates terríveis que tive com uma de minhas irmãs, logo após as corridas do Brasil e principalmente a de Aida, no Japão, quando ela chegou a gritar que me odiava. Mal sabíamos que dias depois o Senna sofreria seu acidente fatal e nunca mais correria, nunca mais venceria e levantaria a bandeira verde e amarela para lavar a alma e corações dos brasileiros. Piegas, mas...

Mas isso me remete à uma observação, maldosa, eu bem sei. Praticamente todo mundo diz se lembrar muito bem do que estava fazendo naquele fatídico dia 1º de maio de 1994. Só que uma coisa que reparei, foi que poucos dizem que estavam realmente assistindo à corrida. Muitos estavam dormindo e acordaram com alguém lhes dando a notícia, outros estavam cuidando de afazeres domésticos, mas com a TV ligada num volume baixo, portanto não estavam prestando atenção ao ocorrido e se espantaram quando viram os inúmeros replays do acidente. E muitos outros estavam na rua e voltaram correndo pra casa assim que souberam da notícia. Como minha irmã, que estava na Feira de Artesanato de Belo Horizonte.

Então, voltando ao início desse meu texto, a Fórmula 1 não morreu naquele dia, não. Já vinha moribunda porque não tínhamos mais nenhum brasileiro vencendo “de ponta a ponta, com muito cuidado, na ponta dos dedos”, como dizia o Galvão Bueno. E essa mesma doença nós vimos depois com Gustavo Kuerten no tênis, com a seleção masculina de voleibol, com Anderson Silva naquela rinha chamada UFC e outros momentos mais meteóricos que não chegaram a durar muito ou nem mesmo acontecer, como vimos recentemente com Daiane dos Santos e Diego Hipólito, na ginástica. 
Eu continuei gostando, curtindo e amando a F1. Mesmo com as críticas em tom de deboche das outras pessoas. Mesmo quando Michael Schumacher virou o alvo do ódio de muitos que sempre desdenhavam seus brilhantes feitos, desmerecendo todo o seu trabalho e dando luz somente às vigarices. Como se o “Santo Daquelas Manhãs de Domingo” não tivesse também cometido as suas, antes mesmo de chegar à F1. E isso piorava quando eu dizia que torcia para outros pilotos que não eram os brasileiros Rubens Barrichello e Felipe Massa. Claro que torci para que conquistassem vitórias e até títulos, mas que fossem por mais do que apenas 30 segundos. Como os dois acabaram aderindo ao capachismo maranellista, continuei torcendo por outros, pelo espetáculo, por acidentes, confusões dentro e fora das pistas. Exceto pela patacoada sem precedentes do Nelsinho Piquet, naquela bisonha armação para favorecer o intocável Trapaceiro das Astúrias. Depois daquilo, tivemos bons pegas, grandes nomes surgindo e sumindo por falta de espaço, perdemos o Queixudo 7 Estrelas num acidente bobo a 20 km/h, na neve! Mas continuei e continuarei assistindo e torcendo pelo show. Que é feito muito mais do que apenas de vitórias do melhor piloto no melhor carro.

Bom...é isso. A Manu tinha me proposto escrever sobre pilotos que não são os protagonistas, mas a gente ama quase ou mais do que os queridinhos da maioria. Fugi (e muito!) do tema, mas espero que tenha valido a leitura de quem chegou até aqui.
Uma pena apenas a temporada de 2020 estar sendo cada vez mais comprometida, por causa do Covid-19. Faz falta ouvir os roncos dos motores, mesmo os atuais meio sem sal, sem o poder e fúria dos antigos e fascinantes V8, V10 ou aquele V12 Ligier-Matra que podemos assistir no Youtube. Esse é de se ouvir chorando. Mas também, ando chorando por qualquer coisa que me traga saudade. Só não vou mais chorar por causa desse 1º de maio.
Quem quiser ouvir o belo ronco e pegar carona com o francês Jacques Laffite em sua Ligier-Matra, basta clicar nesse vídeo:


***

E é com esse texto que abrimos a primeira semana de maio. Agradeço demais o Eduardo por ter trago a sua visão da categoria, pessoal e histórica, coisa que me falta muito.

Assim como o Eduardo, eu assisto corridas desde criança, tudo por conta de uma "tradição familiar" que muitos de nós tem. Me lembro pouco do daquele 1º de maio de 1994. As pessoas se emocionam com o fato, muitos porque viveram. Há quem me escreveu: "ele era um cara legal, chorei muito no dia e não quis ir a escola." São depoimentos de gente que nunca viu uma corrida inteira. Não vou negar que poderia ser um cara legal. Ele atraiu muita admiração. Juízo de gosto não se trata aqui. Se respeita, se deixa o espaço para demonstrar, mas não se julga. 
Iria completar 7 anos no mês seguinte naquele 1994, lembro do clima, de irmãs e pais em volta da TV apreensivos. Não gosto de contar para os outros que sei do que foi aquele dia, e como ficou marcada na minha alma, porque eu estaria aumentando muito. Lembro de flashes, não sei se chorei, não posso dizer que tenho saudades, como vi depoimentos dos jovens fãs declarando seus "obrigados" nas redes sociais. Acho que aí já é demais. 

Após essa data, sim, eu continuei a assistir F1, quanto muitos abandonaram. Minha irmã Michelle ainda acompanhava alguns GPs, e até torcia por brasileiros. Rubens Barrichello, entre eles. Disso lembro bem, inclusive de já sem saber, ficar fazendo chacota com a coitada. Só fui fazer da F1 algo normal nos meus domingos, no fim dos anos 1990, lá por meados de 1997. Efetivamente, todos os domingos, criteriosamente? Foi só quando Kimi Räikkönen foi para a McLaren. E dali, domingo virou sagrado, fiquei viciadona em 2005 em diante, do tipo chata que não sai de casa em horário de treino e corrida. 

Assisti corridas em reprises nesses tempos de quarentena. Algumas, eu até era nascida, mas não acompanhei. Tive sensações estranhas com todas elas, até as mais recentes. Algumas, lembrei como se fossem ontem. Lamentei muito. Existe tanto melhor a ser feito, melhorado, e que abarque mais do esporte. Opta-se por umas bobagens, que sempre existiram, mas acabam com a nossa boa vontade. Em todo, as corridas atuais, tilkódromos, e esses motores híbridos, tiraram uma parte considerável do sabor que a F1 teve. Esse sabor existe, mas de 2014 para cá... Parece que, volta e meia, se coloca em "quarentena".

Bem, foi por isso que pedi ao Eduardo um texto sobre os "não protagonistas que amamos". Sem eles, será que já teríamos "abandonado o barco"? Procurei essas respostas e pedi uma ajuda para ele. 
No entanto, isso vai ficar para um outro texto.

Espero que tenham gostado do texto pessoal do Eduardo e sintam-se inclusive motivados a fazerem os seus e compartilharem aqui. Será bem vindo(a)!
Aproveito a oportunidade para indicar que mais textos dos amigos que já apareceram aqui, virão! 

Abraços afáveis, boa semana a todos e cuidem-se! Fique em casa!

7 comentários:

Eduardo De Campos disse...

Poxa, Manu. Acabou que seu texto após o meu ficou excelente e o complementou divinamente. Agradeço pela amizade e confiança para compartilhar contigo minhas esquisitices de gêmeos. E fiquei "deveras" emocionado pela descrição de nossa estranha e bacana amizade. Agora percebi que no texto faltou falar das amizades que consegui por causa da F1 em redes sociais, como a sua, da Michelle, do Vander e outras figuras maravilhosas.Mas isso pode ser corrigido numa outra hora e noutra escrita.
Fico te devendo também o texto sobre os coadjuvantes que amamos e não tardarei em te entregá-lo.Espero...rsrs
No mais, mais uma vez obrigado!!!

Manu disse...

Eu, obviamente, que agradeço por ter aceitado o convite. E, como já sinalizei, o convite foi feito e as portas seguem abertas para sempre que quiser compartilhar com o espaço, qualquer coisa relacionado ao automobilismo!

Michelle disse...

Que texto gostoso de ler, tanto o texto principal de Eduardo como os 'adendos' de Manu! Me fez recordar de muita coisa boa e ruim! Eu era fã de Senna, sim! Não há como negar! Mas eu gostava das "brigas" em pista e isso se seguiu por um tempo, após o falecimento do Senna. Depois do 'período Senna', acho que eu "tentei substitui-lo" pelo Rubinho (apesar das diversas chacotas) e pelo Fenando Alonso. Porém, torcia pelo espetáculo! Torcia pelo Trulli, Villeneuve, Damon Hill, Alonso e assim vai... Aos poucos fui perdendo o interesse, pelas corridas ficarem previsíveis (há quem discorde disso). Hoje assisto, sem compromisso, sem torcida - talvez na ideia de "um dia vai melhorar e vai ficar bem disputado"... tentando resgatar a diversão vivida, citada no texto de vocês! Ótimo texto Eduardo e Manu!

Manu disse...

Aí, lembro dessas coisas todas hehehehe... Lembro dos seus recortes de jornais, lembro do poster do Senna no quarto da Cláudia - nossa prima... Mas falar na sensação de saber que ele morreu? Ah, isso não consigo. Vi diversos depoimentos dando conta de uma "saudade" que sentem, e são todos, mais jovens que eu. Está certo que lembrança é algo que muda de pessoa para pessoa, mas Senna acabou envolto de um mito midiático que não tem fundamento mais.
Fora que o coitado não vai para a luz, pois ninguém deixa...

Enfim, sobre a imprevisibilidade das corridas, acho que demora a "voltar". Desde 2014, com esses motores híbridos, alguns até tentam trazer a disputa como protagonista, mas eles são sempre os coadjuvantes. Existe uma esperança para aquelas regras de 2021, que agora devem vir só em 2022, mas ainda é incerto. Seguiremos sofrendo sem a diversão que deu seus últimos suspiros em meados de 2013 (e já tinha gente reclamando na época, que não reclama de nada, hoje... Vai entender?!).

Michelle disse...

Engraçado... eu assistia quase todas as corridas do Senna... a corrida do acidente, eu não assisti! Eu estava no período de estudo para o vestibular (você lembra disso) e nesse domingo, estava cansada para levantar cedo. Além de desanimada, por tantos acidentes nos treinos. Acordei com a notícia...e não acreditava! Como comentei que o texto do Eduardo me fez recordar de coisas boas e ruins, tenho várias recordações e sensações desse época... E hoje as corridas são diferentes e são outras pessoas, outras tecnologias, outra tempo...não tem como não ser diferente.

Manu disse...

Eu lembro da sua situação de estudos, mas não lembro exatamente daquele domingo. Lembro melhor da morte dos caras do Mamonas Assassinas, dois anos mais tarde.

Mas esse ponto é crucial: eram outros tempos, e algumas "histórias inventadas" tbm ocorriam e viraram lendas. Os apelidos e estigmas, também... Mansell era o que sempre fazia coisa errada? Pois agora, o Vettel é o 'cam-pião' da pista. Ele rodou menos em toda a sua carreira do que o Massa em Silverstone 2008, mas ai de nós lembrarmos desse fato. Mentira deslavada, né? rsrsrsrs

=*

Eduardo De Campos disse...

A melhor definição do Mansell foi dada pelo Nélson Piquet: Um idiota veloz. Tinha o pé direito pesado, era bastante arrojado, mas com uma capacidade incrível de fazer besteiras uma atrás da outra e quando menos se esperava. Um Grosjean com um carro magnífico e que não tinha como perder o título mundial de 1992, acho que eu poderia afirmar. Mansell, além disso, era muito cheio de firulas, cheio de nove horas, de dramas. Um ator de comédias pastelão, que acelerava muito.
No início da carreira do Hamilton eu o chamava de Newmansell, pois acreditava que era outro idiota. Conseguiu perder o título de 2007 mesmo com todo o favorecimento da McLaren a ele, trabalhando contra o Alonso. Mas sou grato, pois assim o nosso queridão Kimi pôde aproveitar e conquistar seu único titulo.
O próprio Senna também era meio afoito em seus primeiros anos, querendo andar mais que o carro e forçando motores e pneus. Tem uma corrida, Austrália 1985, em que a Lotus preta e dourada dele não parava na pista, parecia um carro de rallye. Como era a última corrida da temporada, ele deve ter aproveitado as férias pra pensar nas burradas que andava fazendo e passou a ser arrojado, mas mais cerebral.