terça-feira, 31 de julho de 2018

Legendando Fotos do GP da Hungria 2018

Juntei essas duas fotos (vejam que tem uma linha no meio que deixa a mesa torta) pois elas foram divididas no Intagram oficial da Ferrari. 
Antes dos treinos livres, houve reunião e notei que todos estavam com seus computadores e Kimi, de boa jogadão na cadeira, só olhando.
Ficaria até feio defender o cara, se a postura dele é ir para uma reunião e ficar assim. Pensei que ele ficou que nem eu em reunião pedagógica - eu ouvia tudo com a voz da professora do Charlie Brown: "bloblobbloablebloabubla"...


Mas então, a corrida passou e a foto tomou outra perspectiva. Quem estava no mundo da lua talvez nem era o Kimi, era todo o resto da mesa que estava com um computador, salvo Vettel, provavelmente. Arrivabene deve ter falado, falado e falado e os bonitos estavam jogando, vendo vídeos, comprando no E-bay... 
Isso justificaria os erros bizarros na corrida da Hungria


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Depois de ficar esperando a "madama" Hamilton, conversando umas borrachas finlandesas com o Kimi, o lambe Bottas estendeu o bracinho e se juntou ao "poderoso salve-salve". Kimi, que não bastou ter sido feito de besta para uma foto que sempre achei inútil, ainda foi sumariamente isolado nela


Detalhe para a braçadeira preta de luto de Kimi. Tanto ele quanto Vettel usavam por causa de Marchione. Estranhamente, na transmissão, não me lembro de terem mencionado algo sobre isso


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Robin, acabou marcando mais presença que o pai e inclusive, mais que o pole position, nesse momento.
Todo mundo sacou o "aww" do fundo garganta e mandou ver




Kimi certamente deu instruções para o garotinho arrumar um picolé daqueles para ele... rsrsrsrs...

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<3 amiguinhos="" font="" para="" sempre="">
Foi bem peculiar ver Bottas depois da classificação, com um sorriso bonito, como se ele tivesse alcançado o primeiro lugar. Mas era segundo, então é como se ele já tivesse aceitado o rótulo


Disseram as "boas" línguas que a disputa entre ele e Hamilton estava liberada para a corrida...


Então eu conto que a Disney e a Broadway já estão na disputa pelos direitos dessa história: a primeira fará um conto de fadas contemporâneo e a segunda irá fazer um roteiro musical mais luxuoso que "Cats"


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Fim de semana também contou com o aniversário do desperdiçado  Alonso. 
O máximo que ele teve de alegria foi um bolo apetitoso, o seu rosto em uma máscara de papelão e um oitavo lugar


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A verdadeira face do Mad Max:

Ficou nervoso. E com muita razão


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"As costas do Ajudante (2018, foto em HD)"

Essa é a parte do corpo que carrega os mandos e desmandos da equipe. 
Se o Bottas ainda acha que foi um equívoco o uso do termo, sugiro que ele abra os olhos e os ouvidos, porque ele está sendo ludibriado...


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E então, Mini-Kimi deu as caras novamente


Detesto a exposição excessiva que a mãe provoca, mas não tenho absolutamente nada com isso.
Porém, pode ser que os fãs do Hamilton tenham ficado mordidos. O menino chamou atenção mais que ele 


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Cadê a turminha do "Vettel Mimado, só fica feliz quando é o primeiro colocado", hein? 
Gastando o italiano: Dovè tu, ragazzi?


Aparecer para criticar, quando ele faz bobagem, é fácil.

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Ursinho quase cosplay de Alonso, dando um bye bye para a primeira metade da temporada. 
A foto, é do Intagram da F1 oficial e foi postada no treino livre 3.
Talvez não seja mera coincidência que o carro do fundo é o que sai de férias com 24 pontos de vantagem sob o rival...


Abraços afáveis e até Spa!*

*PS: Sobre F1 agora, apenas em casos de notícias relevantes. Caso nada aconteça, só volto ao assunto, na semana do dia 20 de agosto.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

GP da Hungria: Dê uma paradinha aí, sim?

O GP da Hungria não soou favorável depois  da classificação. Mais do mesmo, mesmo quando era provável que tivéssemos uma pole de Raikkonen. No fim do fim do Q3, a Mercedes colocou não só um, como seus dois carros no P1 e P2. Escandaloso, Toto Wolff chegou a sapatear nos boxes, em solavancos bizarros na cadeira, quando Hamilton - e não Bottas -, fez o último e melhor tempo. Derrotado, Vettel ficou só com o quarto lugar do grid, mesmo tendo dominado os treinos livres. Em entrevistas, ele dá bandeira de resignado. Isso, meu amigo, não é postura combativa, mas se for um jogo, para deixar os rivais acreditarem nisso, já funcionou. No momento, não funciona, pois eles estão à dar de ombros, afinal, estão e estarão por cima da carne seca.
Tanto que estavam tranquilos que chegou a aparecer uma notícia dos dramaturgos do ano: estaria liberado a disputa entre os pilotos da equipe prateada. 
Houve quem tivesse acreditado. Eu não, e nem por um segundo.
E o segundo que só confirmou as minhas expectativas com essa corrida, se deu no instante 1 da largada. Quem tem o mínimo de bom senso (o que é custoso hoje em dia, em termos de opinião sobre as coisas) sabe que aquela largada do Bottas foi uma largada de escudeiro. 

Vale a piada de que escudeiro bom, ou era brasileiro, ou é finlandês. Mas um destes finlandeses de hoje, pelo menos, não deu na cara e quase prejudicou o companheiro em um par de curvas naquela largada. Kimi pode ter tentado, talvez abrir espaço, buscar o erro de Bottas para que Vettel pudesse tomar as duas posições e estar, no plano ceto de vencer a corrida. Mas, não podemos confirmar. Fato é que ele mesmo, parecia querer tomar posições para si. 
Já a "cordeirisse" do Bottas deixou claro o jogo de equipe. 
Por mais sujo que pareça, eu prefiro os jogos da Ferrari. Pelo menos quando acontece é escancarado. É humilhante para o Kimi, que é campeão mundial e tudo o mais. Mas ele conhece a equipe em que está, já esteve lá outras vezes, com outros companheiros. Se está de novo nesse espaço, tem que dançar conforme a banda toca. Se vai dançar desengonçado, ou só mexer os bracinhos, não importa. 
Agora essa papo piegas da Mercedes que não existe jogo de equipe, desde Rosberg, é sumariamente irritante e desmoralizante. 
Há quem sinta falta do Rosberg por ali, quando o Bottas age de má fé. Rosberg pareceu resiliente, muitas vezes, mas ele não nos deu a chance de vê-lo ser humilhado depois de um título. Quem poderá dizer que não teria sido pior que Kimi na Ferrari, hoje? 
Não "conheço" Rosberg a ponto de tentar imaginar sua reação caso estivesse ainda disputando. Mas não acho que seria tão diferente dos anos em que foi "superado". Sim, superado entre aspas, pois sem o controle do Hamilton e dele com a equipe, ele fica apático. Foi Rosberg aprender a se virar sozinho e abrir vantagem, que depois, nem a equipe conseguiu resolver o impasse. Mas foi quase. A ideia de que um tem mais títulos do que o outro sempre vai contar. E talvez Rosberg tenha pulado fora do barco por conta disso. Mas tudo isso é palpite.
Kimi, em todo o momento que foi escudeiro, deixou claro que isso teria consequências. Em nenhum momento ele foi vitimista ou palerma, tanto quanto os comparativos dos já conhecidos segundões brasileiros. A piada vale, mas só como piada.

A corrida tomou moldes calmos logo depois de algumas insatisfações: toques bobos na largada, abandono de  Leclerc, Verstappen (com direito à muito palavão - com razão - no rádio)...
Os chatos de plantão, não aparecem quando as corridas estavam (ainda que forçadamente) boas. Mas basta uma corrida morna, que eles começam a criticar. 
Eu critico corrida que tem Hamilton dominando a fila. Essas são chatas para mim. E como eu sabia que ontem, toda conta, previsão e tentativa iam dar em nada, cheguei a reclamar do ritmo da corrida.

Enquanto as Mercedes propiciavam para que a F1 se torne indesejada, a Ferrari bagunçava o coreto: Kimi ficou sem tomar isotônico. Um corrida de temperatura alta, e o cara não tinha isotônico. Enquanto o pessoal xingava a equipe, eu pensava que, concentrada, essa seria a primeira coisa que eu verificaria no carro. Sua mente, no caso, estava noutra coisa: a família. Se você levar criança para seu local de trabalho, seu serviço do dia, renderia?
Não sei vocês, mas eu já tive aula na faculdade, com a mãe da criança, levando a dita cuja para a sala. A concentração de todos era próxima a zero. Já perdi mais de 40 minutos de uma aula de estágio, num debate dela com a professora, sobre o tipo de desenho animado que uma criança de menos de 3 anos, pode assistir. Naquele dia, ninguém disse nada sobre "verdade histórica" ou "interpretação de fontes",  assuntos do programa da disciplina.

Está certo que isso é opinião, mas algo unânime é que a equipe de Maranello conseguiu dar uma aula de "como não fazer pitstops". Kimi parou cedo demais. Parou em ocasiões imprecisas. Não tinha como arrumar o lance do isotônico, mas tiveram tempo para demorar a troca de um dos pneus. Vettel permaneceu mais tempo na pista. Andava bem, com um ritmo excelente. A transmissão projetava emoção no fim da corrida: Vettel tomaria a posição de Bottas e ainda teria tempo, no final, de atacar Hamilton.
Eu achava que, no máximo ele tomaria a posição de Bottas, que infernizaria ele até o fim da corrida para evitar que ele atacasse Hamilton. Cheguei a pensar até que ele voltaria muito perto do Bottas, teria mais potência para ultrapassá-lo, mas não faria pois a pista é travada e o escudeiro, teria ordens de manter a qualquer custo a posição. 

Com essa última possibilidade em mente, imaginei a falta de paciência do antigo Vettel surgindo e *puff* ocorrendo um incidente e o cara não só sofrendo críticas, mas também um número exorbitante em punição. 
Houve, de fato, um "tipo isso", faltando umas 7 voltas para o final. Antes disso, Vettel vinha em primeiro, fazendo o que lhe cabia e foi para os boxes, na volta 40. A parada foi tão amadora e "chinfrim" que não pude ter outra reação se não essa:


Inacreditável. 
A equipe tinha o carro mais regulado para a pista seca. Tinha mais possibilidades combativas que a Mercedes. Tem a melhor dupla de pilotos. E faz caquinha com os pitstops dos dois. Vejam o gif do Jim Carrey de novo, só para eu seguir com o assunto. 


Assim, e então, Vettel tinha no rádio, um aviso super amistoso e que colocaria qualquer um empolgadíssimo: Você precisa passar Bottas na pista. Se fosse eu, diria que ele s deveriam ter feito um pitstop para me poupar dessa, cazzo!
Ele não disse e perseguiu. Era mais rápido. O Bottas, de vez enquanto, dava umas afastadas. Segurou, com maestria, mesmo com pneus gastos. O traçado favorecia que Vettel ficasse estagnado atrás dele, mesmo com mais velocidade. Até Kimi chegou próximo à Vettel e a pressão aumentou para o finlandês da Mercedes. 
Eis que faltando 7 voltas, a aproximação era iminente. Na volta 65, Vettel atacou Bottas por fora. Veio por dentro e aos custos, passou. Abriu bem a curva, para garantir que não tomasse um x. Bottas, no desespero, ao ver que até Kimi poderia o ultrapassar, fez uma virada torta e bateu a asa dianteira no pneu de Vettel, já mais de meio carro à frente. Por sorte - e finalmente ela sorriu para o Vettel e para a Ferrari - não houve danos para o alemão, e ainda Kimi tomou a terceira colocação.
Bottas perdeu o tempero. Depois que saiu dos boxes, disputou posição com Ricciardo e jogou ele para fora da pista. Abriu-se investigação para os dois casos. Ricciardo (que fez uma corrida custosa, largando do fundão) retomou a quarta colocação e depois da corrida, Bottas ainda levou alguns segundos, que não fizeram diferença.  

Bottas havia feito o serviço bem feito, apesar do erro desesperado. Está certo que jogo de equipe estava firme e forte até a volta 64, mas a intenção da Mercedes era Hamilton no topo. Se tivesse dobradinha, era lucro. O plano A da equipe era Hamilton se afastar ainda mais do Vettel e isso foi propiciado, graças ao Bottas e aos erros da Ferrari.
E eu questiono: houve rádio do Hamilton em algum momento, pedindo ajuda, ou questionando alguma decisão da equipe? Não. Porque com ele na frente, ele não precisa de ninguém mais. 

O último pódio da primeira metade do campeonato foi fofinho, com Robin, o filho de Kimi, protagonizando as cenas de carinho pelo pai. Se na classificação ele apareceu com um picolé na mão correndo para cumprimentar o pai, dessa vez ele foi levar uma garrafinha de água. Logo depois, brincou no pódio, com uma naturalidade maior que o pai, que sempre foi sisudo, mas agora está bem manteiga derretida. 
É claro que babaram colorido. Criança divertida tem essa dádiva de encantar à todos e ali, Robin chegou a tomar os holofotes do Hamilton. Deve ter tido alguns bonitões fãs do inglês que se sentiram incomodados com isso. Para eles:


Estamos de férias da F1, 3 semanas livres. Parece ruim, mas nem tanto. Vou concordar com Ricciardo que disse que precisa dessa pausa. Nesse tempo, a Ferrari tem que tomar vergonha na cara e trabalhar como nunca antes. Hamilton já está à frente, como planejado, com 213 pontos. 24 pontos separam ele de Vettel. O trabalho para retomar os pontos precisa ser intenso. Ouso dizer que vão morrer na praia. Voltaremos em Spa, felizes por ter a F1 tde novo, mas já alerto para estarem cientes que agora, as disputas se pautam novamente em quem será o segundo colocado. 

A gente pedia por corridas mais empolgantes e até ganhamos. Mas com a aproximação do resultado final, deu no mesmo.

Abraços afáveis!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Prorrogação do Faixa a Faixa #7

Leitores e leitoras notáveis:

Amanhã, o Faixa a Faixa completaria 15 dias e estaria no ponto de fechar a votação para a postagem do álbum vencedor, publicado na segunda-feira, no mais tardar.
Porém... Duas questões impedem que eu faça a postagem conforme foi prometido, de 15 em 15 dias. O primeiro deles, apesar da causa "nobre", poderia ter sido evitado, caso eu tivesse me lembrado de calcular as datas: o GP da Hungria, neste domingo, prolongaria a postagem do Faixa a Faixa para uma quarta ou quinta feira da próxima semana, levando em conta que os comentários sobre a corrida aconteceriam na segundas e terças-feira, como é de costume, salvo algumas exceções.
O segundo é um tanto mais forte, pois é imprevisível e sai do meu controle: dos 5 álbuns propostos, quatro deles tem um voto, o que me dá uma baita impasse de 4 discos e 4 bandas diferentes no páreo.
Assim sendo, reforço a enquete, para quem não escolheu, poder ter tempo de fazer, e para quem já, pode aproveitar para votar de novo, em outro disco, no mesmo disco... Vocês que mandam!




Manterei a enquete aberta por mais três dias: domingo, segunda e terça, dia 01 de agosto.

► Não sabe do que se trata o Faixa a Faixa? Só conferir na aba "Especial 3: Corrente Musical - Faixa a Faixa", ou clicar no link

Abraços afáveis!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Legendando Fotos do GP da Alemanha 2018

Há um tempo atrás eu tinha algumas redes sociais de adolescentes. Existia um treco chamado "Fotolog" em que a galera infanto-juvenil postava fotos de má qualidade, de máquina digital à pilha que foi comprada à parcelas nas Casas Bahia. Eu via uma turminha de meninos magrelos de boné e óculos escuros, meninas com decotinhos discretos com recheios miúdos e os achava "toscos" e "inconsequentes", nesta mesma ordem. Se hoje, eu, com aquela idade, visse os caras bombados e suas veias de braço e pescoço estufadas, as fotos das colegas e amigas das colegas de calcinha e sutiã transparentes no Instagram, mudaria o termos para "assustador" e "carentes".
Nunca postei foto minha nesse fotolog. Eu usava ele para postar uma foto aleatória e comentar sobre ela. Eu digitava uma citação de livro combinadas com uma paisagem. Ou colocava foto de um músico que gosto e comentava sobre como o descobri e o que estava ouvindo naquele momento.
Nunca gostei de foto. Sou contraditória e admito, pois muitos de nós somos: tenho Instagram e Facebook, mesmo não achando certo esse exibicionismo, mesmo não achando que alguém se importe onde estou, com quem estou ou o que estou fazendo. 
Mesmo pensando assim, eu não fecho as contas. 

Certa vez, nesse extinto fotolog meu, coloquei uma foto de Lewis Hamilton e Felipe Massa e escrevi sobre o último GP do campeonato da F1 2008. No título, saquei a pergunta: O Sujo ou o Mal Lavado?
Eu não lembro o que escrevi, mas acredito que fiquei dividida e tentei - certamente sem sucesso - argumentar quem era o Sujo e quem era o Mal Lavado. Naquele ano, assisti ao GP de Interlagos e fiquei triste por Massa perder o campeonato em poucos segundos. Um ano mais tarde eu fazia piada com a situação. Anos mais tarde eu o chamaria de ridículo toda vez que diziam que Timo Glock sabotou a corrida do brasileiro, sendo que ele próprio havia errado em corridas como o GP inglês, e ninguém dizia nada sobre isso.

Arrependi de ter compadecido com Massa. Mas seguramente, nunca disse que Hamilton mereceu vencer. Acho que em mais de duas circunstâncias deixei claro que tal disputa entre os dois foi só possível pois, Alonso e Raikkonen estavam basicamente anulados naquele ano. Não era talento do inglês, era um carro, uma aparente garra de começo de carreita, e muita pompa que o levou à campeão mundial. 

Já faz 10 anos isso. Muita coisa mudou. Aprendi a ver a F1 sem ter um piloto preferido, dois anos depois desse evento. Passei dois anos, achando que de fato, Vettel era um bom piloto, sério candidato à top 5 de sua geração. Quando ele foi tetra, tive a certeza disso.
Nisso, minha raiva pelas atitudes pequenas de Massa, como culpar os outros de suas próprias falhas e ser, no mínimo, pedante sobre sua função em muitas entrevistas, só foi algo que me ocupei, durante sua "carreira". 
Me ocupei sim, de forma muitas vezes exageradas, mas por algum tempo, eu não tive amarras para criticá-lo. Pois por aqui, até mesmo em portais de notícias, o que deveria ter era isenção em noticiar as coisas do esporte. Tudo que víamos era notícias tendenciosas a defender um dos lados. E isso reflete, inclusive nos fãs da F1: ninguém critica um piloto, a não ser que ele tenha pisado no calo do seu piloto favorito. Está certo, são fãs, não profissionais. Mesmo que não tenha um piloto que ame de paixão, é fácil encontrar alguém que na primeira corrida empolgante do ano, escolhe um herói/genial e um vilão/mimado.

Estranhamente, mesmo que alguns tenham sido o ápice da arrogância, podridão e mentira, são aceitos de bom grado, como se fosse "normal". Em alguns destes quase 20 anos que assisto todas as corridas, e acompanho campeonatos inteiros, todo ano ocorreu isso: um Chapeuzinho Vermelho e um Lobo Mal. E divididos em grupos, quase iguais, lá no começo dos anos 2000. Às vezes o Chapeuzinho era aquele que venceu o campeonato e o Lobo, foi a pedra no sapato do vencedor. As vezes, o Lobo era o segundo melhor na pista e só porque o que venceu, era um apaixonado, tornou-se antipático. 
Nunca houve padrão. Hoje, há a turma que detesta o Alonso, pelo "Faster than you", e em meio à eles, pode encontrar quem goste de Vettel, que ontem, praticamente exigiu uma frase assim, para Raikkonen. 
Há quem deteste o Vettel por ele ser mimado, ou "chorão" como dizem. Como se o seu piloto favorito, nunca tivesse choramingado migalhas, acusado equipe de pouco empenho, exigido passar o companheiro mais lento. Acontece isso até na quase fracassada Force India.
Talvez os únicos fãs que possam acusar Vettel de ser mimado, Hamilton de ser arrogante, e Alonso de ser chorão, seja os fãs do Raikkonen. Velho de guerra - literalmente - sempre disse, quando as coisas não davam certo, que o que aconteceu, aconteceu, e "vamos ver o que acontece". Isso dito, com um "bwoah", dando de ombos e finalizando com "let's wait and see", soa frio, mas soa certo. 
Mas poucos serão como Kimi. E no fundo, não se iludam, ele também é arrogante. Algumas vezes ele disse que segundo lugar não é como o primeiro. Quando ele retornou à F1 pela Lotus, ao ser perguntado sobre recordes que ele atingiu, ele mandou a real: recordes não ajudam a vencer campeonatos.

Como eu disse, desde 2008, desde o Sujo x Mal Lavado, muita coisa mudou. Minha percepção sobre F1 alterou-se. Hoje, não me irrito com mandos de equipe. Para mim é lógico: se tem disputa interna, pode custar caro no fim do campeonato para o que tinha mais condição de vencer. Eu teria dado ordem ao Kimi ontem? Teria. É errado? Sim, mas envolve muito dinheiro e não há igualdade, não há competitividade que nos dê a chance de deixar a coisa correr livre. Na verdade, talvez nunca tenha havido igualdade entre pilotos. A gente tem uma coleção de histórias, de disputas internas e que rendeu duas verdades. Não há como ser isento o tempo todo em se tratando de esporte. Uma hora, a gente vai dizer algo que trata-se do que a gente sente pelo esportista e não pelo que de fato está acontecendo. Até porque ninguém sabe o que está acontecendo.
Eu sou hipócrita por achar feio quando a Mercedes fazer jogo de equipe? Na verdade não. Quando eu reclamo disso há duas coisas em jogo: uma que ela não fazia isso quando Michael Schumacher corria por ela e que justificaria totalmente, pois era Schumacher, não um Zé ninguém. A Ferrari sempre fez isso, sempre teve um acima do outro na hora de trabalhar. Duas que quando acontece na Ferrari, chove críticas, de vocês, de comentaristas, de fanáticos. Quando a Mercedes faz, alguém comenta algo sarcástico, alguém dá um RT e depois esquecem.
O ataque do Bottas, depois que saiu o SC era plausível? Sim, ele estava mais rápido. Mas quem disputava o campeonato era o Hamilton? Sim, então, porque ninguém chamou Hamilton de mimado quando o rádio alertou Bottas para manter as posições?
Não me venha com "acidente" entre os dois que custaria pontos preciosos. Isso só faz ficar pior. Em tese, se Vettel não podia passar Kimi, Bottas tinha de passar Hamilton. Pelo bem do esporte, isso sim é que seria corrida genial e competição certa. 
É questão de escolha: querem competição ou ordem de equipe? 
Vamos deixar só os comissários da FIA fazerem as punições seletivas. Deixem só eles escolherem quem vai punir e quem vão apenas "alertar" como se não tivesse sido proposital, ou ao menos, providencial. Nós, se queremos ser decentes, temos de escolher: ordem de equipe? Então, vale para qualquer uma delas. Competição? Então, devemos criticar Hamilton e Mercedes por podar o Bottas. 

Não, não esqueci que eu coloquei no título, "fotos". Eu na verdade vou falar delas. 
Confesso que apaguei 12 fotos desse fim de semana para esse post. Não havia espaço para fazer do evento, bem humorado. Tudo em volta era muito "sem graça". Uma das mudanças que aprendi desde 2008 é fazer piada até com quem eu defendo. Mas ou estou amarga ou sem criatividade. 
Só deixei duas delas, salvas. Eis que se seguem:

O Sujo ou o Mal Lavado?

O Mal Lavado ou o Sujo?

Um, tem quatro campeonatos vencidos, com facilidade, sem ser perturbado por alguém de real talento e tendo a experiência de sempre ter corrida em equipe grande, bem estruturada.
O outro, também tem quatro campeonatos vencidos, com alguma facilidade nos dois últimos anos conquistados. Teve uma disputa ferrenha com o melhor piloto do grid no primeiro deles ano que foi campeão mundial. Começou como piloto de teste, subiu à equipe média onde teve sua primeira vitória em uma corrida. Quando venceu seu primeiro campeonato, não era de equipe grande de muitos anos de F1 e foi uma pequena surpresa. Era raro alguém tirar a Ferrari e a McLaren do páreo, isso só aconteceu com Alonso, nos anos antecedentes, com uma Renault (que era Benetton).

O primeiro, já mentiu, já burlou regras. Já brigou com jornalistas, deixou de falar com supostos amigos da categoria. 
O segundo brigou com companheiro de equipe , já protagonizou cenas vergonhosas, já errou feio.

O primeiro é problema para o dono da equipe sempre que algo dá errado. Desaparece nas férias, não vai à eventos da F1 nem da equipe para estar com amigos em eventos de moda. O segundo, nunca foi acusado sequer  de gritar com funcionário, quebrar quarto de hotel. Não me lembro de fazer cena em pódio, ou desprezar jornalistas.

O primeiro só volta atrás de suas atitudes feias, quando convém ser bom samaritano. O segundo, já foi mais petulante. Hoje, pede desculpa por respirar no mesmo ambiente dos demais.

"Manu, você está sendo tendenciosa...". 
Peço desculpas. Mas me prove o contrário de qualquer coisa escrita acima e terei prazer em voltar atrás.  

O primeiro que rezou ao lado do carro, na primeira foto, será penta. 
O segundo que bateu é o babaca. "Coisa boa!", disseram em vários tuítes.
Para muitos, a definição de sujo e mal lavado está clara. Para alguns outros, o Sujo, não é sujo. Para poucos, o Mal Lavado, não é mal lavado.

Não temos lógica, apenas sentimentos. Todos nós. É apenas mais um campeonato de F1 das quais agimos de forma irracional, movidos por paixões, mais perdidos que cachorros caídos de mudança: correndo e latindo para todo o lado, mas sem saber nada do certo, nem mesmo sabendo se essas são as atitudes certas. 
Mas esporte é isso, não é? Duro é quando o esporte puro e simples já não é tão protagonista. 

Abraços afáveis!

domingo, 22 de julho de 2018

GP da Alemanha: providencial e... providencial

Teve corrida? Teve.
Teve teatro? Sim. 
Ações providenciais? Todas as possíveis.
Injustiças? Muitas. 
Corrida? Muito pouca. Em condições normais, nada daquilo teria acontecido.
Erros? Sim.
O jogo virou? Também.
O penta é do Hamilton? Nunca tive dúvidas.
Todo mundo está feliz? Pelas reações do Twitter, sim. Muita gente, inclusive.
Se eu estou feliz? Não, e ninguém liga.

Saudades da NFL? Muitas. Lá não fico com o estômago revirado.
Para quem lançou pragas ao Vettel, peço que digam várias vezes que vou arrumar um emprego legalzão. As palavras de vocês tem poder...
Abraços afáveis!

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Dica de Série: Versailles

Hoje, todo mundo maratona séries. De mamando a caducando, estão ligando Netflix, Amazon e TVs por assinatura à rodo.
Eu não tenho uma lista maior que as de livros para séries, mas vez ou outra sou fisgada por alguma das produções. Recentemente, aquilo que sempre evitei nas outras áreas do entretenimento (filmes, música ou livros) ocorreu. Há algum tempo antes, se render à modinhas poderia não ser tão ruim. Eu mesma me rendi à um certo livro que fazia muito sucesso entre as crianças chamado "Harry Potter" em meados de 1998 e acabei sendo da primeira geração de fãs do personagem, antes mesmo dos filmes fazerem parte da associação ao personagens entre os (preguiçosos) jovens de hoje. 
Mas quando me rendi à tal outra modinha chamada "Crepúsculo", aí o arrependimento bateu forte. A história não me agradou. 
Aconteceu isso sempre com filmes: se falavam muito sobre ele, eu demorava a entender o espirito da coisa, ou não entendia de maneira alguma.  Esse sentimento foi quase sempre certeiro quanto à música (especialmente pois, o tipo de som que escuto, raramente é modinha - e agradeço por isso, imensamente).

Séries, no entanto, eu tinha preguiça: ficar presa à uma história que não seja por livros, pode ser um pouco fatigante. 
Mas sempre amei sitcons; minha favorita sempre foi "FRIENDS". Depois de muito tempo, assisti "How I Met Your Mother" e segui achando "FRIENDS" superior. Se na minha favorita, hoje, através do Buzzfeed - ou seja,  das modinhas "lacradoras" (bleeerg) - descobriram um desgosto por Ross Geller, Ted Mosby é ainda mais chatinho, Barney passa a ser repetitivo da terceira temporada adiante e aquele casalzinho Lily e Marshall é muito chulé. Entretém, tem episódios engraçados, mas não flui tão propriamente como "FRIENDS". Mas há a turma de um e de outro. Brigar sobre qual é melhor, é chover no molhado. Ninguém chegará à um veredicto e prefiro não provocar quem venha me falar dos machismos, bullying e não seis mais o quê das séries. 
Gostei de séries que ninguém deu a mínima, como Ripper Street e Pushing Daisies. O povo fala em série com personagens gays só para serem (de novo???) "lacradores", mas nunca assistiram Vicious, que é ótima. 
Assistem à séries que dão algum toque de contexto socio-político para repetir o clima do termo acima (que me nego a repetir) como "Black Mirror", "Handmade's Tale" e outras que dão alguns tapas na cara da sociedade, mas são contraditórios no dia a dia e apenas revolucionários com um teclado por perto. 

Além disso, a grande atração das séries são atores e atrizes que seduz o público. Se for uma série com romance, minha nossa! Se fosse cinema, não haveria mais lugar nas seções e teríamos longas filas de dobrar esquinas. Se for aquelas de heróis jovens, ou crianças adolescentes em aventuras, também funciona. Alguns épicos, que fingem contar histórias antigas como aconteceu, funcionam bem, em algumas vezes. Não sem antes colocar um vasto elenco charmoso e com todos os dentes, e tomando banho, como é o caso das séries sobre realeza. Essa galera não se banhava todo dia, mas ainda assim, os retratos das séries rainhas com a pele alva e nenhuma mancha na pele... Mas aceito, embora seja rude para minha profissão: série é ficção, então vale os pozinhos mágicos.

Assisto à Game of Thrones. Confesso. É desmoralizante pois acho que sei o final desde o começo da primeira temporada. Vou para a última, ano que vem, pois se cheguei até aqui, vou terminar. Sou total a favor da tomada de poder pelos "vilões" da história, os Caminhantes Brancos. Me irrita um pouco os #teamDany e #teamSnow... Os fãs e a manifestação deles na internet é que detona o entretenimento. Se pensava que eles melhoravam a coisa, não é? Engano de vocês.

Jamais prometam isso para si mesmos: "comecei, vou terminar..." É chato. Comecei a tal "Westworld". Metade que assiste, é só pela forma como os capítulos são apresentados: sem um cronologia certa, são propositalmente feitos para confundir as mentes como se fosse um truque de mágica: confusos e com pontas soltas de um episódio para outro, flashbacks e personagens falando frases difíceis, o seu cérebro desfoca no necessário e quando algo importante é revelado, você se surpreende.
Assim, metade que está assistindo, está amando a série pela colagem "perfeita". Eu estou adivinhando tudo, antes de acontecer. Sou inteligente? Não, só sou acostumada com vais e vens dos filmes. Essa série é de um irmão do Christopher Nolan. É típico. Ele pega uma noção simples e troca de ordem na hora de contar. Hoje as pessoas sofrem de memória curta e uma dificuldade extrema de ler e interpretar as coisas. O simples ato de mudar momentos de uma história de ordem, dá um nó no cérebro que, com a conclusão, a pessoa fica confusa, mas achando tudo genial. Gostamos de ser ludibriados, essa é a verdade.
Ainda não terminei a série. Empaquei no terceiro capítulo da segunda temporada e só estou à caminho do oitavo episódio porque estou sendo obrigada a terminar de ver. Já desconfio do final dessa temporada, tenho pouco apego pela história, e cheguei no impasse: não queria ter dado ouvido à modinha e começado a ver. 
Aqui em nossas terras, o povo não teria se ligado tanto à série, mas creio que se não 90%, 80% assiste porque tem Rodrigo Santoro. 
É melhor nem comentar, né?* *Nada contra, é um ator fantástico, mas nacionalismo do brasileiro me dá coceiras...

Certamente, nunca ouviram falar da série Versailles. Sim, pois, não é famosa, tem até ter um elenco charmoso, mas mesmo tendo elementos que atraem a população geral, não é uma das mais conhecidas. Tem todos os pontos que poderia fazer dela, uma "Sense8" da vida, com legiões viciadas, suplicando por conclusões na internet caso tivesse sido cancelada. Tem o Rei Luis XIV em seu auge no palácio de Versalhes, daí o nome. Tem luxo, paisagens belas do local, como se você estivesse lá. Tem um figurino caro, elenco bem apessoado, e detalhes ricos. Tem sexo, e muito sexo. Não podem reclamar: o rei e suas amantes aparecem nus em quase todo capítulo da primeira temporada. Existe detalhes das relações homossexuais do príncipe Philippe de Orleans. E tudo isso se estende às temporadas seguintes. Há intrigas, e tramas envolvendo motins contra os levantes da realeza. Tem História, luxo, enredo bem costurado e uma das séries mais fiéis ao relatados nos livros fontes. 
Porque pouca gente conhece? Vai saber...?! Há coisas que nem o marketing forte funciona. Uma das causas, suponho, é o fato de ser de produção de um canal desconhecido: Canal +, um canal francês.


Se eu indico? Sim, fortemente. Só não indico para quem tem menos de 15 anos. Pode ser conservadorismo meu, mas é assim que é.
Se quiserem assistir, são apenas 3 temporadas, o último capítulo foi ao ar na BBC inglesa essa semana se não me engano. Um começo, um meio e um fim, sem demoras, capítulos inúteis e muita riqueza de conteúdo. Um elenco primoroso e não falo das aparências. 30 capítulos, 10 em cada temporada, muito bem feitos. A dica tem direção, para quem tem tv por assinatura: GNT play
Alguns sites de torrent possuem a primeira e a segunda temporadas completas, mas a terceira está ainda no capítulo 4, aguardando legendas em português para os outros 6 capítulos. Quem souber francês ou inglês, pode assistir os links em sites como esses, com a opção online. 
Deixem suas impressões na página do blog, caso decidam "maratonar" a série!

Volto segunda, com comentários do GP da Alemanha. Animados?
Abraços afáveis!

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Faixa a Faixa: Ten

A possibilidade de fazer o Faixa a Faixa veio estrategicamente no dia do rock, uma data trivial para a maioria das pessoas que andam por aí, mas que para mim é comemorado como se fosse Natal. Hoje também, completa 15 dias que a enquete foi criada e consigo assim cumprir o prometido do Faixa a Faixa rapidinho. Eis o álbum vencedor:


Me surpreendeu o resultado dessa vez, achei que Pearl Jam sairia da disputa por falta de votos, bem rápido. Felizmente, não foi assim. 
Pela primeira vez, desde que montei essa tag, falarei de uma banda das quais já estive em um show e também pela primeira vez, comento sobre um álbum de estréia. 

♫ Nome do álbum: Ten

"Ten" é o álbum 1 da banda Pearl Jam. Nos tempos de hoje é quase remoto que algum músico faça um sucesso arrebatador logo no começo dos seus trabalhos. Quem talvez tenha possuído esse alcance foram as "divas", as tais Rihanna, Beyoncè, Lady Gaga, Adele e etc. Teria de pesquisar, mas sinceramente, duvido que as tais tenham discos de estréia que sejam realmente proveitosos da primeira faixa até a última. Muito que se faz delas, é imagem. Mídia é um "trem" (no bom uso do termo "mineirês") que a indústria do rock tem uma relação de amor e ódio. Já para essas "cantoras" a coisa é mais fluida e exposta na medida que lhes apraz.

Rock é subversão. Aprendemos isso, quando ouvimos a primeira banda do gênero. Eu concordo em até certo ponto; sou bastante cética com significações das artes em módulos fechados, como é o caso da atribuição "subversivo". De fato, o estilo rompeu e ainda rompe com os ditames, e com isso, revoluciona através da cultura fonográfica quando são recepcionados por crítica e público. Mas daí fazer com que isso seja um fim em si mesmo, esvazia a arte como arte e neste ponto, eu peço para descer no ponto mais próximo, porque para mim,é muito para aceitar de bom grado. 
Existe uma relação das artes que eu não abro mão: o sentimento. Isso não se traduz em termos acadêmicos, intelectuais. O sentimento de uma música pode traduzir "n" coisas, para "n" indivíduos de realidades diversas e ainda sim, apresentar uma relação de transcendentalidade que só o particular dá conta e vislumbra. Pode ser a letra mais besta e a melodia mais simples. Se tocou ao coração, pode estar falando de vermes com laços de fita na cabeça, que ainda é a sua música favorita da playlist. Se você arrepiou com aquele solo de guitarra de uma música falando sobre a guerra do Vietnã e você nem era nascido na época, não faz ideia do que seja Vietnã, muito menos passou por recessão em tempos de guerra, isso não te faz um ser obtuso frente à um intelectual que conheceu tudo isso.

Talvez por isso, e de certa forma, eu tenha deixado no parágrafo anterior umas aspas discretas (ou não) nas "cantoras". Confesso que o fiz mais por aversão à esse tipo de som que fazem, do quê necessariamente uma questão ideológica. "Mas ser revolucionário é ter ideologias! E essas moças tem esse ímpeto em algumas de suas letras!", pode alguém me dizer. Sim, é verdade. E é por essas ideologias, esses "ismos" tão perturbadores, que nem sempre eu gostaria de saber dos trabalhos da turma que faz música dos anos 2000 para cá.

Infelizmente, Pearl Jam está nessa "vibe". Eles são politizados desde o começo de suas carreiras, o que eventualmente, não faz mal algum. O grande lance é quando você faz da música, da arte, uma bandeira ideológica, uma pregação de algo, o excessivo holofote da melhor relação humana em sociedade que se pode ter ao invés da simplicidade que a arte causa, desde o cara do subúrbio até o mais rico da cidade. 
Obviamente é isso que a mídia faz saltar os olhos: os cinco shows em capitais brasileiras em 2015 foram artigos de revistas especializadas em música. A grande mídia relatou as doações de cachê do Pearl Jam para as vítimas do acidente natural causado pela Samarco em Mariana. 
Existe aí três significados que fazem parte de uma única verdade: é muito bonito que alguém que nada tenha a ver com o problema, se manifeste contra e apoie incondicionalmente os prejudicados. Ao mesmo tempo que é bonito, é vergonhoso ter que esperar de estrangeiros, músicos visitantes, ações mais enfáticas que são responsabilidade do governo e do poder executivo. E é triste, pois, a música, o objetivo de topo das bandas, fica em segundo plano no quadro midiático.

► Arte, capa e encarte:


"Ten" foi lançado em 21 de agosto de 1991. A banda se juntou em 1990 como uma cria da então extinta Mother Love Bone. Embora eu tenha dito que é incomum uma banda fazer sucesso com seu primeiro trabalho, no caso de Pearl Jam, foi logo em 1992 que o reconhecimento mais exato do disco, se deu. 
Eu não possuo o disco, por sinal, nunca nem vi em alguma loja. Por isso, não terá fotos do encarte, e as informações serão coletadas principalmente do livro "Pearl Jam 20" em que comemora os vinte anos do grupo.


A capa do disco é bem singela: Letras em rosa forte indicam a sombra de fundo do nome da banda destacado em branco no topo da capa. A foto principal são os membros da banda unidos como num abraço comunitário e com os braços erguidos, apontando para cima. É interessante de olhar; representa uma unidade específica. A partir de relatos sobre a preparação e gravação de "Ten", percebe-se que a química entre os membros foi o suficiente para que o trabalho tivesse a qualidade que possui.

A direção de arte, ficou a cargo de Jeff Ament, o baixista, que por um tempo, cursou artes em Montana, mas não deu continuidade ao seu apelo para ser designer gráfico. Porém, como tudo na vida tem um porque, seja na aptidão ou vontade, ele pode dirigir a arte e o conceito do disco. 

Jeff produzindo as grandes letras do fundo da foto da capa

Uma das fotos de "Ten"

A arte adicional ficou com a responsabilidade de Steve Pitstick e também com o vocalista Eddie Vedde, o design de Lisa Sparagano e Risa Zaitschek, e as fotos são de Lance Mercer.

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Após deixarem o "Mother Love Bone", o baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard recrutaram mais membros: neste caso, o guitarrista Mike McCready em 1990. Em setembro deste mesmo ano, Jack Irons (baterista original do Red Hot Chilli Peppers) entregou à Eddie Vedder, seu amigo, uma fita com cinco músicas instrumentais de uma banda de Seattle que não tinha ainda nem batera nem vocalista. Cerca de um mês depois ele se juntou aos outros membros pouco depois deles terem encontrado Dave Krusen para a bateria. Neste encontro, eles fizeram algumas jams e começaram o que seria o embrião de "Ten".
O álbum conta com a participação do então produtor Rick Parashar contribuindo com piano, ógão e percussão.

À respeito das composições, é a primeira vez no Faixa a Faixa que falo de um banda das quais um membro é o responsável pelas letras e os demais, a música: Eddie Vedder assina as faixas 1 a 11 com letras pautadas nas experiências, frustrações e consequências da vida adulta. As músicas compostas seguem um padrão: Ament e Gossard praticamente detém a autoria do disco, sendo que duas delas, os dois assinam juntos: "Garden" e "Deep". "Oceans" é deles e também de Vedder, e "Release" é creditado todos, inclusive McCready e Krusen. "Once", "Even Flow", "Alive" e "Black" foi composta por Stone Gossard, "Why Go" e "Jeremy" por Jeff Ament e a única composição exclusiva é "Porch", escrita e composta por Eddie Vedder. 

► Produção e gravadora:

Rick Parashar assina a produção, junto à banda. Ele é um dos mais notórios produtores que teve auge nos anos 90 pelo seu trabalho com bandas grunge - além do Pearl Jam, trabalhou com o Alice in Chains e o Blind Melon. A gravação aconteceu no "London Bridge Studio", um estúdio dos irmão Parashar, em Seattle. A gravadora foi a Epic Records.
A mixagem aconteceu em "Ridge Farm Studios" em Dorking na Inglaterra.

O disco original de 1991 possui 11 faixas (sendo que "Release" tem uma faixa oculta depois de 5:20, chamada "Master/Slave") e a duração completa dele é de 53min24s.

► Música favorita do álbum e segunda melhor:

As pessoas que podem ir direto ao estilo grunge com certeza falariam bastante desse disco. E certamente se rasgariam de elogios nos triviais e notórios sucessos dele: "Even Flow", "Alive", "Black", "Jeremy". Fãs da banda podem até questionar: "Ei, porque não falaram de Porch?" e com razão. As vezes ela é esquecida pelos ouvintes sazonais.
Mas eu vou num caminho diferente do trilho: apesar de ser uma entusiasta das guitarras, eu amo "Oceans". Para mim, a melhor canção do álbum. 
Se saio do clichê com a favorita, eu volto à ele, com a escolha da segunda que mais gosto: "Black".

► Faixa  Faixa: 

♫ Once

"Once" é a perfeita introdução de disco que em poucos segundos de execução te derruba no chão. Fico tentando imaginar o que era o impacto de ouvir pela primeira vez. Porque digo isso? Não havia cantor como o Eddie com seu jeito único carregado de emoção e ao mesmo tempo, peso. "Once" foi o embrião de uma das três músicas que o vocalista gravou em San Diego para enviar à banda antes de juntar-se à eles. Essa e "Alive" foi aproveitada, e reorganizada também.

♫ Even Flow

A canção talvez mais conhecida da banda, junto com "Alive" é uma escolha bem clichê até mesmo para quem pouco conhece a banda. A cadência do ritmo das cordas é algo muito interessante e bem elaborada, algo que ouso dizer que retira a banda do estilo puro do grunge e dava um corpo muito mais intenso à banda; a de rock alternativo, algo que os define, hoje, muito melhor.  

♫ Alive

"Alive" é quase um hino para a banda, uma introdução curta da guitarra que é sustentada pelos acordes em junção com uma letra poderosa. Nessa canção, Vedder colocou todo seu sentimento à tratar do fato de que ele não conheceu seu verdadeiro pai. A história é estranha: o pai que ele achava ser o biológico, não era, na verdade. Ele convivia com o verdaeiro em diversas ocasiões, pois ele era amigo da família. Mas Eddie só soube do parentesco depois que o pai morreu em 1981 devido à esclerose múltipla e a letra trata-se disso: a não chance de poder vê-lo novamente, sabendo de toda história.

♫ Why Go

Outra letra baseada em situações cotidianas, tratando-se de uma amiga de Vedder que foi pega fumando maconha pelos pais e internada em clínica psicológica. Assim, Eddie trata com ferocidade sobre o parâmetro egoísta dos pais adultos com seus filhos jovens. A música é de autoria de Ament, por isso a linha de baixo é tão preponderante e dita o corpo da canção.

♫ Black

Eis uma música romântica apesar de não parecer pelo título. Trata-se de um movimento todos que passamos na vida: o de buscar reconstruir um coração despedaçado. Ela começa com fraseados quase alegres e vai tomando um tom e palavras sombrias à medida que vai chegando ao fim.
Quase uma balada (foi desenvolvida a partir de uma instrumental de Gossard chamada "E-Ballad") é um show à parte do vocal, em minha opinião. Ter a noção do que é essa música ao vivo ecoando num estádio... É uma sensação um tanto inexplicável...

♫ Jeremy

Todos conhecem o clipe dessa música. É uma verdadeira poesia sobre um menino específico que cometeu suicídio em frente aos colegas de sala numa escola do Texas, em janeiro do ano em que o disco saiu. Vedder lia o jornal que relatava o ocorrido trágico e teve a inspiração para a letra pesada, carregada de profundidade e significado. Outra canção composta por Ament, ela basicamente é toda em Lá, algo que deixou a sua complexidade mesmo para a letra e que consequentemente, ia contra uma música acessível, popularizada, sem viradas de notas significativas. Mesmo assim, ela funciona muito bem.

♫ Oceans

Essa é uma música que amo muito e que possui um fato curioso relatado no livro: Ao sair para trocar moedas num parquímetro, Vedder acabou ficando trancado de fora do estúdi,o sem querer. Sentado, próximo à parede do estúdio, e chovendo, a única coisa que ele ouvia era o baixo, por isso, a linha vocal segue o instrumento. A letra foi rascunhada enquanto ele ouvia de fora o que acontecia no estúdio. É outra "poesia" inspirado no amor de Vedder pelo surf. Parece bobo, não é? Mas acaba sendo bonita para caramba!

♫ Porch

Sinto toda vez que escuto, que "Porch" está mais para um jeitão punk no começo do que necessariamente grunge. Apesar de sugerir isso, mesmo não sendo fã de punk rock, a música se tornou quase obrigatória nos shows ao vivo, e é tocada, sempre mais com duração estendida do que só os 3 minutos do disco, como também é mais acelerada que a versão do estúdio. 

♫ Garden

Garden parece no disco para dar uma acalmada e recobrar o fôlego. Essa de fato tem um começo de  rock-ballad e um meio com um sonoridade quase blues. Ela possui também, uma personagem feminina na letra, um refrão bonito e sofrido, como outras canções do disco. Não é um álbum feliz, de forma alguma e a intenção parece ser enfática: a vida adulta é sofrida e carregada de emoções.

♫ Deep

Essa é bem acelerada, quase experimental, e bem "groovada". Jeitão mais rock and roll, com letra subversiva e pesada, sem significados depressivos aparentes. Tem altos e baixos interessantes e que soa, para mim, como "Porch", ou seja, funciona para shows e empolga o público em larga escala.

♫ Release

Por fim, "Release" foi a primeira tentativa - antes mesmo de formular "Alive" - de manifestar as emoções sobre Vedder pelo trauma de não ter conhecido o pai, enquanto pai. Parece que foi instantâneo: ao ouvir Gossard tocar o riff do começo, repetidamente, ele foi ao microfone e acompanhou os novos companheiros num improviso de letra tratando de seu pai biológico.
Talento é necessário, mas a química entre os membros de uma banda é o que faz as coisas funcionarem para um disco. A não ser que você seja um multi-instrumentista, a dependência de um compositor sagaz e genial de letras pode ser 8 ou 80. E no caso do Pearl Jam com esse pontapé inicial, foi próximo do 100. 

► Porque desgosta de uma canção do álbum:

Existem preferências é claro. Por excesso de mídia, as canções conhecidas as vezes são saltadas para as menos populares. "Porch", "Deep" e "Release" são de humor. As vezes quero ouvir elas nos DVDs ao vivo, cuja interpretação está lá como protagonista. Mas é um excelente disco, muito completo e desafiador do seu tempo. Abriu as portas para conhecer a banda e nos fazer acompanhá-los até hoje. 

► Uma história do disco, como uma questão pessoal ou uma curiosidade:

Não tenho nenhuma relação pessoal com o disco em específico. "Ten" se tornou um sucesso comercial importante na época do lançamento em meados de 1992, e eu tinha 5 anos. Esse sucesso não era só "raro" devida a qualidade da banda, como era também para bandas que tinha um pé no rock alternativo, estilo que abrange melhor a banda do que o grunge que teve auge nos ano 90, através - principalmente - do "Nevermind" do Nirvana. Nesse disco do Nirvana, o grunge me parece saltando muito mais aos ouvidos (existe essa expressão? Se não, acabei de inventar, rsrsrs...) do que em "Ten".
Pearl Jam era uma dessas bandas mais "novas", que a gente ouvia em casa, nas rádios e conhecia através de videos na tv (especialmente MTV). Eu não tinha grande fascinação pela banda quando criança, mas me ajudou a compreender a música melhor com o amadurecer. De fato, faz sentido, uma vez que a banda não é acessível como um rock tradicional ou hard rock pode ser na fase infantil. 

► 5 sugestões para a próxima votação:

Deixem suas impressões sobre o "Ten" nos comentários! 
E deixo à vocês, os próximos cinco discos para a votação daqui à 15 dias. 




Abraços mega afáveis nesse dia do rock, uma bela sexta-feira 13! 
Excelente fim de semana a todos (e obrigada desde já pelos votos)!