quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Somos ou não mais inteligentes?


Hoje, pela manhã, fiz uma coisa não muito normal à vista de, digamos, 80% das pessoas comuns nesse mundo.
Acordo todo dia da semana de segunda a sexta as 5:10 da manhã para me arrumar a tempo e pegar o ônibus que me leva à faculdade na cidade vizinha à minha, a UFU – Universidade Federal de Uberlândia (que ficou famosíssima nesse último fim de semana pelo Fantástico – quem não viu a reportagem do médico que cobra consulta em um hospital público?... Pois bem, é a mesma faculdade. Pena que falcatruas existam a mais tempo, bem antes das denúncias. - Mas isso não é o foco do post.). Enquanto me arrumava e tentava forçadamente olhar para o espelho e pensar que eu não estava com cara de sono e que aquilo que eu via era coisa da minha cabeça, caiu na prateleira atrás de mim, um livro: “Algoritmos e Estruturas de Dados”...
Acreditem: eu não sou um tipo comum de mulher. Pego o ônibus a duas quadras da minha casa às 5:45 da manhã. Acordando as 5:10, o mínimo que aconteceria era eu não conseguir me arrumar a tempo, Afinal mulheres são absurdamente lentas para se vestir. Antes disso demoram mais ainda para escolher o que irão vestir.
Eu faço isso na noite anterior. Deixo a roupa arrumada se for possível. Basta vestir, pentear o cabelo, por brincos que combinam com a roupa e com o horário, tomo um copão de leite e beleza: antes das 5:30 estou pronta.
Hoje era 5:20 e o maldito livro despencou de uma pilha de coisas que não me pertenciam (minha irmã é a senhora desorganização então arremessou sua bagunça nas minhas coisas – que maravilha!).
Eu tinha ainda 10 minutos. Peguei meu copo de leite fui dar uma olhada no livro (era isso que eu me referi no início do post que fiz uma coisa que 80% das pessoas não fariam – Quem 5:20 da manhã leria um livro sobre estruturas básicas de comando computacionais?)
Eu tive Introdução à Ciência da Computação quando cursei o primeiro período de graduação em matemática. Tive aula sobre algoritmos. Mas nunca, nunca usei o tal livro porque o professor passou algoritmo tão rápido em aula que nem sequer deu tempo de eu pegar o livro para estudar. Foi um tempo difícil. Aprendi, porém não como deveria, afinal lembro pouca coisa hoje (percebi lendo o livro).
Passando as páginas me deparei com essa imagem que está acima deste post.
Olhando bem e o livro sendo de 1985 (dois anos depois eu estaria nascendo!) vejo que já nessa data se tal cena assustava os mais velhos, imagina hoje?
Tecnologia. Computador é uma coisa útil. Com ele se faz cálculos mais rápidos, e com eles monta gráficos, tabelas, faz projetos de engenharia com mais exatidão, desenhos geométricos... É útil vamos admitir!
Internet também.
Celular sim, embora até pouco tempo as pessoas utilizassem de telefones públicos e antes até nem telefones públicos havia e ninguém morria por isso. Hoje ninguém vive sem o maldito celular. Mulher então, nem se fala. Liga pro namorado de 5 em 5 minutos, com aqueles famosos toquinhos. Em algum intervalo de tempo liga pra conversar mesmo: “oi amor!Que vc está fazendo hein?... O que vc vai almoçar hoje?... Já tomou banho?”... Parece que não dá para esperar chegar o momento em que vão se encontrar, estar sozinho e enfim poder perguntar a cor da cueca, se isso interessar (isso sim é inútil não é mesmo?) Enfim... Cada um com a sua necessidade momentânea.
Mas tudo que o ser humano toca vira porcaria, no bom sentido. Computador: Inventaram o tal do vírus! Tudo pra destruir sua máquina e para quê? Uns fazem por maldade. Outros crêem na teoria que é culpa da Microsoft que criou o Windows com tantas falhas. Com coisa que não existam outras empresas eficientes no mercado como o Linux, por exemplo.
E internet? É cabal admitir que 60% do conteúdo encontrado na internet não são assim úteis. Tem pornografia, pedofilia, estímulos de violência, receitas de dieta que podem matar alguém, assuntos bobos em discussão, vídeos quem humilham pessoas que nada fizeram para merecer isso e alista ficaria enorme se eu fosse escrever tudo. É uma pena isso tudo, por que uma ferramenta de comunicação e informação como essa tinha tudo para ser perfeita por muito tempo. Mas...
Seguido disso veio o CD, DVD, Mp3, (agora Mp4, Mp5), e-book, I-pood... E assim vai!Tem coisa que nem eu sei pra quê serve e se realmente pode ser necessário. Junto veio a pirataria, que no caso dispensa discussão. Já existe de tudo que vc pensava que só seria invenção de filmes como Missão Impossível.
Agora pense comigo: estamos mais inteligentes que nossos avôs e avós?
Pela internet temos acesso a livros raros, acesso a informações de música de qualidade e podemos ouvir-las, acesso principalmente a notícias do mundo todo em tempo real. Tem inúmeros sites de matemática, de química, física, história, geografia, de línguas estrangeiras, de direito, de artes, biologia etc, etc... E mesmo assim vc senta ao lado de um adolescente e 90% deles só sabem falar de MSN e Orkut. Vc pergunta para alguém o que seria “Ensaio Sobre a Cegueira” e é perigoso vc receber a resposta: “não seria o novo CD do Stevie Wonder?”, mas raras pessoas responderiam que é um livro de José Saramago.
Quando mais nova eu ouvia que os jovens são o futuro do mundo. Isso me assusta e deprime ouvir certos absurdos por aí. Só eu me sinto assim?

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Heavy Metal: um estilo de vida ou subversão?


Quem já não foi apontado ou criticado por algum ato na vida?
Enfim os headbangers (ou metaleiros como diz os menos informados) são alvo de crítica e até mesmo chacota em toda parte do mundo e isso é fato.
O post anterior foi colocado aqui de forma proposital.
Uma comparação com o que pode ser tratado e encarado com erudito melhora muito o lado de quem curte heavy metal. Podemos até acreditar que um dia headbangers possam ser tratados com respeito como qualquer outro adepto a qualquer estilo de música.
Estereotipar é característica de 11 entre 10 seres humanos. Quando não se conhece nada sobre então nem se fala.
Por muito tempo, desde o surgimento de Black Sabbath (com certeza os precursores dessa idéia de música pesada) o som foi tratado à época (e até hoje, por que não?) por fanáticos religiosos. Para eles a teoria girava em torno de que esse era o som de acesso ao Diabo.
Há inúmeras teorias sobre isso e pretendo até estender essa história mais adiante.
Até por que é uma discussão essa que daria muito, mas muito comentário. O porque disso realmente não tem explicação lógica e/ou científica. Cada um terá uma concepção para isso.
Mas em regra ou fora dela, o fato é que ouvintes de heavy metal são pessoas normais, como eu e você. Sem estereótipos. Para uns é sua filosofia de vida, sua forma e identidade em notas musicais. Para outros é apenas o som que te alegra e te faz sentir vontade de encarar o dia por exemplo.
Sou fã confessa de heavy metal a alguns anos. Admiro muito o estilo bem como seus músicos. Quem pouco conhecimento tem sobre música pode dizer que é um estilo peculiar e não assim tão simples e fácil.
Nesse ponto creio que heavy metal se compara mais a música clássica do que imaginamos, não só apenas nos aspectos psicológicos retratados na reportagem mas sim na forma de execução musical. Música clássica é complexa, requer muito estudo, muito empenho, muito gosto, muita vontade, muito talento, muita espiritualidade seja você ouvinte ou músico. Heavy metal se encaixa da mesma forma nesses quesitos.
Eu particularmente respondo, sempre quando perguntada sobre meu estilo de música favorito, a mesma coisa: gosto de música boa! Heavy metal e suas vertentes, clássico e certas coisas que não se enquadram nesses quesitos mas que são admiráveis.
Não é preciso sair de roupa preta, com coturnos ou botas, cintos e pulseiras, maquiagens e afins. Não é preciso profanar o Diabo e dizer que é ateu e sair em busca de queimar igrejas. Não é preciso se trancar no quarto e "bater cabelo" até cair de cansaço e torcicolo. Nada disso é necessário para se firmar como um headbanger.
Você pode ir contra a maré e ser sim uma pessoa normal aos olhos da sociedade preconceituosa e chegar na sua casa e colocar a música Enter Sandman do Metallica no seu som no último volume e correr para cozinha para fazer um lanche.
Ser headbanger é ser fiel ao som que você ouve, sem ser obrigado a se fantasiar ou dar ouvidos a quem acha que você é subversivo. Você é sensato e se garante.
Subversão e/ou perversão é achar que as músicas da Mulher Melancia são músicas.

Grande abraço a todos!^^




quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Fãs de música clássica são parecidos com fãs do heavy metal, diz pesquisa


LONDRES (AFP) - Os fãs de música clássica e os fãs do heavy metal têm muito mais coisas em comum do que poderíamos imaginar, segundo um estudo britânico publicado nesta sexta-feira e que estabelece uma relação entre gosto musical e personalidade.

Assim como os fãs da música clássica, os fãs do metal são criativos, constatou o estudo, realizado nos três últimos anos por Adrian North, professor de psicologia da Universidade Heriot-Watt de Edimburgo.
Os admiradores do heavy metal compartilham "um amor pela magnificência", que os predispõe a apreciar da mesma maneira algumas obras de música clássica.
"Fora a diferença de idade, são fundamentalmente o mesmo tipo de pessoa", disse o professor North. "Muitos seguidores do heavy metal dirão que também gostam de Wagner porque ele é grandioso, barulhento e exuberante".
Além disso, o estudo demonstrou que ao contrário do que se pensa, os fãs do heavy metal têm um temperamento agradável, não são os mais veemente no trabalho e têm pouco confiança em si mesmos. Já os admiradores da música clássica têm uma boa opinião de si mesmo, de acordo com este estudo.
"O público sempre taxou os fãs do heavy metal como deprimidos e suicidas, como um risco para a sociedade e para eles mesmos. Entretanto, são pessoas muito delicadas", ressaltou Adrian North.
Segundo o estudo, os fãs do country são trabalhadores, os fãs do rap são sociáveis, e os do jazz têm espírito de inovação e grande auto-estima.
"Nós sempre havíamos suspeitado da relação entre os gostos musicais e a personalidade", disse North. "Esta é a primeira vez que somos capazes de observar esta tese em detalhe. Ninguém nunca havia realizado um estudo desta ordem".
Mais de 36.000 pessoas em todo o mundo foram entrevistadas para este estudo, falando sobre 104 estilos musicais e responderam a perguntas sobre sua personalidade.


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Paixões!


A paixão faz a pessoa parar de seguir seu curso normal de vida.

Sua rotina é rompida.

Muita gente se assusta, afinal derruba toda a sua construção de planos, na maioria das vezes, em poucos minutos. Derruba todas as coisas concretas que você tem, e passa a ser a ação soberana.

Ação? Sentimento? Ato? Estado? Não sei bem o que é paixão.

Para muitos é o primeiro sintoma de Amor, para outros; aventura, desejo, liberdade, experiência.

Ninguém quer desorganizar seu mundo.

Mas eis que uma pedra jogada em um lago parado faz pequenos círculos e pequenas ondas.

O lago pode esperar que isso venha a acontecer por que é bem hábito. Mas nunca sabe a hora exata.

O mesmo acontece com a paixão. Muitos relutam, mas quando aparece é como as ondinhas causadas pela pedra no lago: acontece e muda. E você não consegue deixar passar despercebido. Por mais que conte com uma idéia de que você é uma pessoa centrada que não se abate por pequenas coisas. É quando vê se pega no trabalho pensando naquela pessoa. E se pergunta toda vez: "por que estou a pensar nisso agora???Preciso me concentrar!!!". Mas não há como fugir. Até o mais frio e calculista ser-humano existente na Terra teve medo, insegurança e desconcerto na frente de uma suposta paixão. Sofreu, como todo mundo um dia sofre, mesmo não admitindo.

Outras pessoas já pensam exatamente o contrário. Admitem paixão como algo benevolente e entregam-se sem pensar, esperando encontrar nela a solução de seus problemas. Depositam sua expectativa de felicidade em uma pessoa e a culpa por possível infelicidade também.

Ficam eufóricas num dia perfeito, algo maravilhoso aconteceu ao lado daquele que se metodiza como alvo de sua admiração e deprimidas naquele dia em que nem se viu seu vulto.

Afastar-se da paixão, ou entregar-se cegamente a ela?

Qual seria o caminho menos desastroso?


*"Meus amores morrem antes mesmo de nascer." - Onze minutos (Paulo Coelho; página 118)