segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 19: GP dos EUA

O GP das Américas havia se desenhado antes mesmo (talvez) dos treinos livres. E eu já havia trabalhado um pouco com as minhas expectativas para evitar qualquer frustração e ilusões. 
Assim, viria para a postagem pós corrida, precavida: Para evitar um texto longo e ranzinza como foi o do México, refiz os convites aos amigos mais eloquentes no assunto F1. E garanti não só um texto excelente para vocês, como dois, porque a Manu aqui, é dessas. 
Primeiramente, insisti com o Ron Groo, companheiro de blogs, de Fantasy da NFL e um comentarista de música de primeira, para fazer uma contribuição para mim. Este ano, ele deu uma parada nos suas postagens da F1, mas a meus pedidos, fez ontem esse texto delicioso para um GP morno e (porque não?) sem graça lá em Austin.
Confiram!!

***

Grande Prêmio das Américas - por Ron Groo 

Ultimamente tenho preferido ver jogos da NFL, quando a temporada está em andamento, do que corridas de F1 que conflitam nos horários.
Até porque, os conflitos geralmente são com os monótonos GP’s do México, que nem vi por não ter energia elétrica no bairro e o GP dos EUA, no não menos monótono Circuito das Américas.
Porém, no entanto e com tudo... Esta edição poderia sagrar o campeão da temporada.
Como foi no ano passado e como tem ficado meio manjado desde a aquisição da F1 por um bando de americano esquisito.

E já que falei em NFL, vou traçar um paralelo meio bobo para a situação de Lewis Hamilton neste momento.
Hamilton seria o kicker no momento de chutar o field goal que pode dar a vitória para seu time nos minutos finais do quarto período.
E nem é um field goal de longe não... Um field goal da linha de dez jardas. 
Coisa que para bons kickers é chamada de: “automático”.
Para ser campeão nesta corrida, Lewis precisa de apenas quatro pontos.
O bom kicker pode errar? Claro...
Lewis pode não marcar os quatro pontos? Também... 
Mas para qualquer analista (bom ou ruim) tanto do FA quanto da F1, ai é automático.

Começa que larga da quinta posição enquanto o único que pode lhe tirar a chance de ser campeão nos EUA (porque lhe tirar o título é algo que ninguém no universo acredita que possa acontecer) sai da pole.
Porém, esse tem sido um campeonato de seis carros: dois da Mercedes; dois da Ferrari e – teoricamente – dois da Red Bull.
Em uma corrida com nível de azar médio, ele seria o sexto colocado e já bastaria.
Em uma com nível de azar hard, não completa a prova. Com tempo bom, condições normais e conhecedor da “bundamolice” dos que estão prestes a ganhar o título com antecedência, o nível hard é quase impensável.

A largada trouxe uma surpresa: Hamilton passa as duas Ferrari ainda antes de completar a primeira volta.
De quinto, passou a primeira volta em terceiro.
Vettel transformado em corre mão de estação viu todo mundo passando por ele, inclusive a McLaren de Lando Norris.
Se tinha alguma esperança do segundo piloto da Mercedes, com esta largada deve ter perdido. 
Todo castigo pra trouxa é pouco. Dane-se segundo piloto da Mercedes.

E com sete voltas a coisa ficou como todo mundo esperava.
Com o segundo da Mercedes na frente, sem ser atacado, e Hamilton tranquilo em terceiro, com mais de cinco segundos à frente do Leclerc e chegando sem forçar na Red Bull do Verstappen.
Para ajudar, naquela narrativa dos seis carros, Vettel quebra a suspenção e abandona.
Agora são só cinco carros... O chute que seria automático parece que vai ser sem a defesa para tentar atrapalhar.

E a monotonia se seguiu passando pela troca obrigatória de pneus onde os que importavam optaram por pneus duros para tentar não trocar mais.
Hamilton foi o último a parar e voltou à pista em terceiro. Mais do que suficiente para a conquista maior do dia.

Mesmo com a surpreendente segunda parada do segundo piloto da Mercedes, nada de competitividade.
Outros seguiram na estratégia de mais uma parada.
Sem Vettel, e com Leclerc andando fora de combate, a conta dos seis carros caia apenas para quatro e com menos um, já que Albon também não combatia ninguém que importasse.
A monotonia já fazia com que eu me arrependesse de não estar assistindo NFL.

Faltando quatro voltas, o segundo piloto da Mercedes ataca Hamilton que nem faz esforço para se defender.

A bola foi colocada na linha de dez jardas, Hamilton foi lá e chutou no meio do Y, FG good.
Com o tempo que falta para o fim do jogo, mesmo fazendo TD, Bottas é derrotado.
Que bom que este campeonato já acabou...

***

É isso! Ainda bem que acabou! 
Antes de fazer meus comentários, queria agradecer muito o Ron Groo, por ter lançado mão de um texto ótimo, com referências à NFL (esporte que poderíamos ter continuado assistindo e teria sido mais produtivo) o que fez o GP em Austin parecer ótimo. 

De todo, não pudemos ter todas as flores do jardim. Tivemos os espinhos: transmissão mequetrefe (como sempre) com comentários raivosos sem propósito.
Ao final do chato circuito,  e com a vitória de campeonato de Hamilton, também não pudemos fugir daquela boa e velha premissa cantada em coro pelos comentaristas e jornalistas de que Lewis  é incrível e que estávamos presenciando a história sendo escrita. 

O sexto título nos apareceu em momentos muito fáceis e com carros e equipe altamente equilibrada. Sigo entendendo como seu primeiro título o único digno de nota, mesmo que tenha vencido por pouco às custas das más escolhas da Ferrari (sim, desde aquela época). Os demais cinco títulos, Lewis correu sozinho, com rivais de dois tipos: um companheiro sem muita voz na equipe - embora tenha saído da categoria com um título (escapado) debaixo do braço - e um tetra campeão correndo de Ferrari, equipe aniquilada desde meados dos anos 2000. Só Michael Schumacher reergueu a Ferrari e mesmo assim, demorou alguns anos.
Oportunista, Hamilton aproveitou do equilíbrio externo para ser particularmente glorioso em uma carreira com o mesmo motor desde que pisou na F1. Ao menor sinal de crise, se desestabilizou. Coloquem aí que em 2020 ele alcança o cara (o mesmo que salvou a Ferrari de um marasmo) que desenvolveu o carro para a Mercedes ser o que é hoje, juntamente com outro campeão, o Niki Lauda, e teremos o sétimo título tão fácil quando foi este ano para "Reimilton". Graças à um companheiro tolhido e limitado. Graças à uma rival incoerente e perturbadoramente burra. Graças à outra rival, por ser totalmente inconstante. 
Adianta escrever tudo isso? Obviamente que não. Parece desmerecimento puro e simples. Talvez até seja. 
Mas sinto uma latente falta de um coração cheio de emoção por presenciar, ter acompanhado essa tal história importante para o esporte sendo escrita.  Faz tempo, desde 2013, não olho para tv achando as reações de vitórias genuinamente bonitas, independentes de torcer ou não pelos pilotos que estão felizes pelas conquistas. É uma sensação que nem lembro mais como é. 

Volto mais tarde com outro texto, dessa vez do Márcio Kohara!

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*Atualização da tarde*

Aproveitando o assunto, já compartilho com vocês o outro texto produzido para esse espaço, dessa vez do Márcio, que mandou muitíssimo bem num texto mais técnico e analítico. 

Obrigada mais uma vez, Ron e Márcio pelos textos. Ficaram excelentes! Nem precisarei fazer adendos sobre a corrida de ontem, pois tudo necessário foi contemplado por ambos. 

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Deitou - por Márcio Kohara

A vaca deitou. Talvez não seja como se espera para o início de um texto sobre Fórmula 1, mas é a sensação que temos depois deste Grande Premio dos Estados Unidos, disputado em Austin, capital do Texas. O campeonato mundial de pilotos finalmente deu seu último suspiro e Lewis Hamilton conquistou matematicamente o seu sexto título mundial ao chegar na segunda colocação em Austin. O título parecia tão assegurado que já haviam sido feitas pinturas relativas a comemoração no parque fechado do circuito. E assim aconteceu. 
Claro que o título de Hamilton não aconteceu apenas e tão somente pelo desempenho deste domingo no estado da estrela solitária. Mas, se a vaca citada no início do texto se mexeu em Austin, pode ter sido em decorrência das ondulações da pista e não de alguma emoção que a disputa do campeonato tenha provocado. 
Este final de semana foi dominado por Valtteri Bottas, que era o único piloto com alguma chance de reverter a situação e cumpriu a sua parte da missão, vencendo. Mas o piloto do carro 44 seria campeão mesmo se ficasse com a oitava posição. Apesar de não ter ido bem na classificação e ter largado apenas na 5a colocação, nunca esteve fora da zona que o garantia o título, largando bem e chegando a liderar a corrida. Alcançou a meta final em segundo, se dando ao luxo de arriscar uma vitória que, aqui entre nós, quase aconteceu (a alternativa em certo momento da prova era trocar os pneus desgastados e chegar em segundo ou seguir e tentar a vitória -o que havia dado certo na semana passada no México).
Parece que faz uns três anos, mas na pré temporada parecia certo que a Ferrari tinha finalmente produzido um carro capaz de brigar pelo título e capaz de impedir a festa anglo-germânica. Esta sensação se dissipou ainda no começo do campeonato, permitindo que a Mercedes vencesse as oito primeiras etapas do campeonato. A verdade é que a ideia de que o baixo arrasto frontal seria algo que poderia fazer com que a equipe italiana pudesse se destacar nesta disputa foi um grande equívoco e em nenhum momento a Ferrari teve um carro convincentemente competitivo, mesmo tendo vencido 3 etapas desde então. Este problema ainda não foi resolvido, e já estamos em novembro. E em Austin este pesadelo voltou a incomodar os italianos, que tiveram problemas de desempenho em decorrência do carro que tinha tendência de sair de frente de forma exagerada. A suspensão traseira esquerda do monoposto número 5 de Sebastian Vettel ter implodido na curva 10 da oitava volta não ajudou em nada, mas mesmo Charles Leclerc, que terminou em quarto, foi incapaz de seguir o ritmo das Mercedes. 
Por outro lado, quem também se tornou uma postulante a vitórias no decorrer da temporada foi a Red Bull. Mas o começo de 2019 apresentou um desafio grande para os austríacos, que recebiam o contrato oficial das unidades de potência da Honda. A verdade é que a equipe oficial dos energéticos nunca entrou na briga pelo título, apesar de terem até lutado pela vitória em Austin contra a Mercedes e, mais importante, terem conquistado duas vitórias no ano. A melhora no desempenho da Red Bull faz imaginar que ano que vem pode não ser tão previsível quanto este (mas esta é uma sensação que temos há uns quatro anos e ela nunca se concretiza).
O campeonato já parecia decidido desde Shangai. Se o Bahrein deu alguma esperança para a Ferrari por causa da quase-vitória-por-causa-da-quebra de Charles Leclerc, depois ficou claro que as Flechas de Prata eram o melhor carro disparado. Assim, os últimos seis meses foram apenas para confirmar aquilo que já parecia certo no campeonato, que cedo ou tarde Lewis Hamilton se sagraria pela sexta vez campeão mundial de Fórmula 1.
E Valtteri Bottas? Bom, em algum momento da temporada, é verdade que o finlandês chegou a parecer que poderia fazer frente ao seu companheiro de equipe. O piloto do carro 77 é capaz de finais de semana brilhantes como este de Austin, ou de Suzuka, quando abre vantagem e domina a corrida. Mas o finlandês é instável, não parece capaz de repetir constantemente estas boas apresentações. A sensação de que Bottas poderia, finalmente, equilibrar uma disputa de campeonato e levar até o final também se esvaiu ainda no começo da chamada temporada europeia. O ponto mais baixo da temporada do finlandês, como de toda a Mercedes, foi em Hockenheim, quando Bottas tinha uma boa chance de vencer a prova, mas acabou abandonando ao rodar sozinho e bater no final da corrida.
Geralmente, o melhor das corridas de Fórmula 1 tem sido as brigas no pelotão da confusão, entre a segunda Red Bull, Mclaren, Renault, Toro Rosso e Racing Point, com Haas e Alfa Romeo um pouco atrás. A corrida norte americana não fugiu ao roteiro usual. Disputas entre Alexander Albon, Daniel Ricciardo, Lando Norris, Carlos Sainz, Sérgio Pérez, Nico Hulkenberg, Daniil Kviat e Pierre Gasly garantiram um bom período de entretenimento da tarde no Texas.

Albon foi o nome da corrida após ser atingido por Sainz na primeira curva da corrida e cair para a última posição, mas fez uma notável corrida de recuperação e chegou em quinto. Outros destaques ficam com Ricciardo e Norris, que tiveram ótimos desempenhos e terminaram em sexto e sétimo. Sainz, Hulkenberg e Perez, depois de uma punição de cinco segundos a Kvyat, fecharam a zona de pontuação. A melhor volta foi de Charles Leclerc, o último das equipes grandes a trocar de pneus.

***

Selamos mais um ano de F1 literalmente. Temos agora apenas duas corridas que servirão para fechar a tabela. Uma destas corridas ainda vale a pena conferir por ser um circuito tradicional e que é quase sempre imprevisível. A última, em Abu Dhabi, só assistiremos porque sabemos que depois ficaremos sem essa maldita (que parece roteirizada) F1 por uns 3 meses. 
A única "decisão" ainda pendente é o terceiro lugar que no momento está com Charles Leclerc. Além dele, Max Verstappen está à espreita e Sebastian Vettel também pode fazer pressão, afinal os pontos estão em 249 para o monegasco, 235 à Max e 230 à Vettel - que prejudicou-se pelo DNS ontem. 
Uau! Que empolgante, não?
Os comentários estão finalmente abertos. Espero que tenham se deliciado com os textos dispostos hoje para vocês, tanto quanto eu!

Abraços afáveis e boa semana para todos!

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 18: GP do México

(Devido alguns problemas técnicos - literalmente rsrsrsrs... - hoje, para o "desespero" de muitos, o texto da corrida será o meu mesmo, com toda aquela carga de ranhetice que me domina nos últimos anos.)

Honestamente, não queria ter ficado para escrever sobre o GP do México. Como tem sido nas últimas postagens, tenho convidado alguns amigos e conhecidos para fazerem esse trabalho por mim. Os resultados têm sido tão satisfatórios que fiquei tranquila inclusive para deixar isso acontecer mais vezes durante o ano. 
Porém, se fosse necessário engatilhar algo meu, que fosse o evento na cidade do México e não o dos EUA. Uma das corridas mais mornas do ano tem endereço em Austin, no Texas. Pelo menos no México as coisas pareciam um pouco mais divertidas.

Mas me enganei. 
Havia toda uma expectativa em torno do sexto título de Lewis Hamilton. No post anterior, deixei todas as possibilidades disso esmiuçadas. Para mim, não parecia tão complicado que Lewis se sagrasse campeão no México, faltando ainda 3 corridas para o fim da temporada.
O empecilho (para todos outros) era um só: Valtteri Bottas. Mas, depois do GP da Rússia, se a equipe apoiasse as suas corridas, fornecendo possibilidade de pódios ou mesmo vitórias, seria apenas para tardar o título de seu primeiro piloto. Favoreceriam assim, a F1 como um todo, ajudando a manter o interesse dos espectadores até pelo menos, a penúltima corrida.
Entretanto, para mim, não havia nenhuma possibilidade de contar com aquele Bottas do começo do ano, raivoso, dando o dedo do meio para as fotos e tudo mais. A Mercedes não ia permitir outro Nico Rosberg no caminho de Lewis. É por isso que Bottas teve contrato renovado. Eles o conhecem a ponto de saber as suas limitações e conseguem controlá-lo com facilidade.

Como nas últimas corridas, também não via - talvez com certa infelicidade por isso - a Ferrari com chances de fazer um serviço tal que atrapalhasse os planos de Lewis Hamilton. A Ferrari iniciou o ano de 2019, com a pré temporada, dando ares de vir com tudo. As cinco primeiras corridas pra valer mostraram que foi apenas uma ilusão. A Mercedes, não mais bobinha, dava as cartadas até mesmo, na pré temporada: ficando meio de lado, o foco ia para a rival, que tomaria toda atenção, enquanto eles trabalhariam tranquilos. Poderiam também usar dos erros que certamente a Ferrari cometeria durante a temporada para também poderem projetar o carro do ano seguinte.

No post anterior, também indiquei que as corridas consideradas mornas ou simplesmente ruins foram protagonizadas pela dupla da Mercedes. México entrou para a lista, podem acrescentar aí. Não surpreende, mas frustra bastante. 
Mas não é sobre isso que menciono as etapas vencidas ou com pódios dos caras da Mercedes. A questão que prova que, estamos tão no "mundo da lua" com a F1 - seja como "bobos da corte" que tem páginas de F1, perfis de Twitter, ou blogs como esse aqui, seja jornalistas ou comentaristas que cobrem a categoria -  é que nós mesmos deixamos de lado o esporte, para dar atenção à coisas totalmente irrelevantes. Em nenhum momento nos atentamos para uma competitividade forçadamente enfiada a qualquer custo na boca de narradores e jornalistas. Deixamos de lado isso para prestar atenção no enfoque excessivo de rádios e declarações malcriadas de chefes de equipes à pilotos, comentários do alto das suas vassouras de ex pilotos (alguns deles, há bodas não apareciam na mídia), e por fim, mas não menos ridículo, dedicamos um olhar apurado na vida privada de alguns pilotos - alguns até, chamando atenção para esse lado, como se fosse relevante.

É amiguinhos e amiguinhas, vou retornar com minha "presença" ranzinza. Então, se segurem aí!
Com os treinos livres do fim de semana no México, tivemos uma ideia do que poderia acontecer na classificação. Boa parte dos que, de fato, prestavam atenção, conseguiram palpitar certo sobre quem seriam os caras da primeira fila. Como já vem acontecendo, quase ninguém, a não ser "os baba ovos" da transmissão local, consideravam a possibilidade de pole de LH. 
Pois bem. Na qualificação, assim como no TL3, tudo que era devidamente relevante, ficou para os 10 minutos finais. Antes disso, detalhes: as Alfas penando um pouco, as McLarens fazendo bons tempos, as Renaults decepcionando, especialmente com Ricciardo. No Q3, as red Bulls surpreendiam, até mesmo com Alexander Albon. Mas Max Verstappen fez o melhor tempo. Foi seguido pelo Charles Leclerc e Sebastian Vettel. Lewis Hamilton tinha apenas o quarto tempo. 
Na segunda tentativa de melhorar os tempos, Bottas acabou por bater forte, um pouquinho antes de fechar a volta rápida. A batida foi forte e deixou o piloto ofegante no rádio. Nada de mais grave aconteceu. Apenas um erro e um susto. Com a sua batida, duas sinalizações foram dadas à 4 pilotos que vinham logo atrás em voltas rápidas: uma luz e uma bandeira amarelas foram sinalizadas no trecho da Peraltada, onde Bottas estava.
Aprendemos da pior maneira essa parte do regulamento da F1: acidentes na pista, da forma como foi,  por questões de segurança faz com que os pilotos sejam obrigados a desacelerar, tirar o pé. Mesmo que o carro acidentado esteja fora da pista, e o piloto se garanta sobre a segurança, não é assim que a coisa funciona. Viu bandeira amarela? Tire o pé. Simples assim.
Dos pilotos que vinham atrás de Bottas na volta rápida, alguns não haviam marcado tempos roxinhos, menos um: Max acelerou e melhorou seu tempo que já era de pole position. 
Sugiro abrirem qualquer portal de notícias e chequem todas as matérias após a classificação. Duvido que algum coloque a volta rápida de Verstappen após a batida como problema a ser discutido. 
Até que... As falas viraram protagonistas. A primeira que indicava algo estranho foi a de Hamilton que disse que ao ver batida de Bottas tirou o pé, mesmo assim, não conseguiria alcançar as Ferraris e muito menos, Max. E então, ao ser questionado, na coletiva de imprensa sobre ter acelerado sob a bandeira amarela ele confirmou que tinha feito. Ainda acrescentou que, sabia o que estava fazendo e que se fosse o caso era só tirar a volta rápida dele e ainda seria pole. 
Isso deve ter enfurecido a FIA, mas não tanto quanto alguns comentaristas conhecidos nossos. O que manda na regra é 5 posições de penalidade por ignorar bandeiras amarelas. Depois de algum tempo, chamaram Max para um papo e diante da sua confirmação do mesmo, decidiram por puni-lo com 3 posições. 

Além disso, demorou muito para decidirem pela penalidade e quando decidiram foi apenas do jeito deles, numa forma clara de dizer quem é que manda.
Alguém gabaritado chegou a tuitar: "Regra para um, regra para todos", justificando a decisão. Está mais para "regra para um, regra para alguns". Seguramente é uma questão que depende muito de quem comete a infração, e qual a posição dela diante tudo. Quantas vezes eu não escrevi que as punições são seletivas?
Acompanhem comigo: A FIA não colocou sob investigação enquanto ouvíamos os pilotos dando declarações assim que deixaram seus carros. A coisa só desandou para Max, pois ele admitiu não ter reduzido a velocidade para jornalistas na coletiva.
Isso causou uma discussão sem precedentes na comunidade da F1 nas redes. Dessa vez não foi  uma simples briguinha de fã, mas uma exaltação incoerente de um conhecido jornalista da Rede Globo.

Reginaldo Leme faz tempo que deixou de ser um comentarista contundente. Diversas vezes foi pego em assuntos dando seu parecer particular como se fosse verdade dada. Posso dizer que, nos últimos 10 anos, deixou de ser um comentarista minimamente capaz, autoridade no assunto, para ser um torcedor de microfone. 
Está certo que, após a declaração (infeliz) de Verstappen, e a punição da FIA, Reginaldo usou da sua conta nas redes sociais para dizer que a reação dele foi imbecil e que o mesmo agiu com irresponsabilidade. 
Faz-se o que bem entende de suas redes sociais. Mas também é preciso saber que todas as postagens têm consequências. Assim, ao ser criticado por alguns tantos, decidiu chamar o piloto holandês de "idiota". 
Não, ele não mediu as palavras. E, mesmo sendo uma figura pública, escreveu sim a palavra "idiota" como se a sua experiência não mostrasse pilotos que tivessem dado declarações absurdas ao longo da história da F1.

Isso gerou um tremendo protesto. Um pessoal que não é fã do Verstappen achou desmedida a reação de Reginaldo. Alguns jornalistas ficaram ao seu lado, claro. Mas outros perfis, de "zueira" inclusive, fizeram colocações mais inteligentes que o já experiente comentarista.
Está certo que, rede social é uma coisa muito complexa e ninguém sabe usar com bom senso o tempo todo. Quantas vezes não postamos algo que nos arrependemos depois? É com certos "tombos" que a gente vai aprendendo a usar a ferramenta. 
Existe uma responsabilidade muito grande com o que se posta na internet. Eu evito xingar piloto. Meu perfil do Twitter está aberto. Se posto uma coisa ofensiva, brota alguém para revidar com mais ofensas. Já aconteceu isso só porque eu disse que uma atriz havia "estragado um personagem" num filme e o fã clube da garota veio me xingar e falar que eu tenho inveja (oi??) da "deusa". 
A bancada julgadora da internet é perigosíssima. Se eu, "anônima", não estou imune à ataques tais como o que mencionei, imagina Reginaldo Leme, um cara influente? Muita gente compraria (como compraram) a sua opinião sobre algum evento/piloto da F1. E muita gente também achou que ele foi anti ético e foi bater de frente, cobrando imparcialidade. 

Se preparem aí, pois vou defender Verstappen. (E acho que tenho feito isso mais vezes do que ele realmente merece. Mas vamos lá...!) Na postagem inicial de Reginaldo, ele indica que a sua estupidez maior era ter sido prepotente. A punição então, ele parecia concordar, tinha sido pela prepotência de Max admitir que ignorou o alerta de segurança e em seguida ter tripudiado. Reginaldo em si não disse nada na transmissão sobre Max não ter tirado o pé. Assim, se o piloto tivesse ficado calado, talvez ninguém teria percebido? Se tivesse negado, não merecia ainda ser investigado e punido? 
É como eu disse: a regra é para um, a regra é para alguns. Não é regulamento que dita as decisões, é arbitrariedade dos comissários. 
Colocaram na balança: "Opa! O menino é rápido, mas peitou a gente, vamos penalizar em 3 posições só. Agradamos o pessoal da Ferrari, que vão encrencar caso decidamos abafar o caso e colocamos Hamilton na segunda fila. Ninguém vai achar ruim, pois estamos ainda dando chance de competitividade..." Foi isso o que aconteceu.
Depois de ser criticado, Leme decidiu estourar o "idiota" para Max. Só conseguiu piorar ainda mais a situação. Eu ou algum de vocês publicarem uns palavrões para um piloto por raiva, é uma coisa. Reginaldo  tem um compromisso ético profissional e um respeito que deveria transparecer, portanto não deveria se permitir à isso. Exagerou. E muito! Especialmente pois, se fosse outro piloto muito querido por ele (e também pelos outros de sua bancada) o tratamento seria completamente diferente, ou seja, defenderia com unhas e dentes a atitude e acusaria a FIA e suas regras.

E é aí que eu quero chegar: Max não negou. Foi honesto. Falou o que fez e assumiu a responsabilidade. Não mentiu e vamos ser bem sinceros um com os outros? Está certo. Creio eu que dos pilotos da atualidade, todos ele optariam por colocar panos quentes, dariam alguma desculpa ou simplesmente mentiriam sobre terem ignorado o alerta. 
Verstappen já se mostrou muito prepotente e raivoso em diversas ocasiões. Algumas vezes foi criticado duramente, e eu não consegui não dar razão para ele pelo menos em algum ponto. Um destes casos, foi exatamente o que motivou o comentário de Reginaldo.
Ao ler o que Leme postou sobre Max, me lembrei das críticas do Verstappen em relação ao Felipe Massa, em 2017. Fiz até um texto sobre ver aqui) na ocasião. Já sabia que a implicância era "pessoal". E então, pouco tempo depois, lá estava outra postagem do jornalista como justificativa,  mencionando o corrido com "brasileiros" e dando a entender que se Max não respeitava, não mereceria respeito. Estava fechada a questão.

Temos no Brasil esse critério seguido por muitos: aqui se leva pelo gosto pessoal qualquer coisa (geralmente irrelevante) e a mídia poliniza a situação como verdade dada.
Para isso, voltamos o olhar para o GP do México: muita festa, caveiras. Eu gosto do local. Adoraria visitar a Cidade do México, embora tenha um certo receio com a culinária e outras coisas que a gente ouve falar. Poderia ter sido um GP menos morno, menos com cara de manipulado? Certamente. Mas aí é pedir demais.
Com relação à transmissão, quem não tem TV por assinatura, sofre: nos últimos anos, GPs mexicanos e estadunidenses são "anulados" da TV aberta e priorizado o campeonato brasileiro de futebol. Mesmo que títulos sejam decididos nestes lugares, eles jogam na programação B, isto é, nos canais de assinatura. Essa opção nem de longe faz parte de um processo mais apurado que uma transmissão no canal "popular". Talvez por acharem que não há tanta adesão, somos expostos à erros intermináveis da transmissão, piadinhas sem graça, e críticas à pilotos "saco de pancada". Quem acompanhou os TLs sabe: Romain Grosjean virou chacota num dos momentos.  Havia necessidade de tanta crítica e piadinhas sobre Grosjean? Não, não mesmo. 

Com a classificação mal narrada, indicava uma corrida nos mesmos moldes. Pairava uma nuvem de reação complexada no trio da SporTV. Qualquer coisa era motivo de acusar a incapacidade de Verstappen ser um piloto responsável e digno de exaltação. 
Já na largada, Luciano Burti procurou problemas na largada de Vettel. Verstappen errou e os três arrumaram a primeira oportunidade de criticá-lo.
A corrida seguiu normal, com um excesso de comentários elogiosos para Albon, na terceira colocação. Claro, esse é companheiro de Verstappen. Indiretamente, falavam mal do novo vilão.
O conto da carochinha começou com as primeiras paradas. Assim que Leclerc fez uma parada, o rádio do Vettel foi divulgado. O engenheiro queria saber o que Vettel achava do "plano C".
Era óbvio: o Plano A da Ferrari era não deixar que Hamilton avançasse. O Plano B era o que Leclerc tinha assumido: fazer duas paradas. O Plano C era tentar uma só. A transmissão ficou boiando por alguns minutos sobre isso. 
Já podemos mandar currículos para comentar lá? Pois é bem capaz que todos nós tenhamos aí, com nossa pobre experiência de blogs, podcasts e perfis de F1, capacidade de fazermos um trabalho mais bem feitinho que esses caras. 
Brincadeiras à parte sabemos que há um pessoal bem mais capacitado a entregar bom conteúdo nas transmissões do que os são garantidos pela bancada da Rede Globo. Tenho certeza que há muitos nomes muito melhores aí na web cobrindo a F1 sem parecer um programa de fofoca. 

Ao contrário dos três patetas, a Mercedes entendeu bem os planos da Ferrari. Avisaram Lewis que Leclerc faria duas paradas. Eles então iriam de uma só, para garantir que ele ganhasse a corrida. 
O único esforço dele era de sustentar a platéia com seu monólogo teatral de dar inveja à Shakespeare. Assim que parou e colocou os pneus de faixa branca, iniciou os rádios que questionavam a estratégia. 
Do lado da Ferrari eles agiam naturalmente "baratinados". Leclerc não tinha rendimento e passaram a mentir para ele sobre o "stint". Vettel, mais esperto, se negava a parar quando era solicitado, tentando sentir a capacidade de valer a estratégia de uma parada só para ir até o fim e tardar a troca para, pelo menos, manter o P2. Sagaz, ele fez a sua própria corrida. Se tivesse ido para os pits quando o engenheiro pediu, teria sido outro fiasco e mais uma dobradinha (de graça) à Mercedes. 
Alguém elogiou? Alguém percebeu essa sacada? Só Leclerc quando foi dar as declarações pós corrida e olhe lá, pois foi uma forma de exemplo do que ele - que se cobra muito - deveria ter feito.

Assim que Leclerc selou a sua ingenuidade em confiar demais na equipe e (mais uma vez) errarem com seu futuro campeão numa segunda parada lenta no pitstops, continuávamos com uma narração que colocava dúvidas sobre a resistência dos pneus de Hamilton.
Não havia nenhuma razão para achar que LH não ia chegar ao fim da corrida, e ainda por cima, com toda a pompa de "ter feito uma corrida espetacular". 
Para isso, ele já tinha mudado de quadro na sua peça teatral: não reclamava da estratégia; seus rádios eram de pedidos que o deixassem correr. Fingindo tensão e concentração, o "showman" fazia tudo de acordo com seu plano. A pergunta de um milhão de reais é essa: Quando é que, nos últimos seis anos, a Mercedes perdeu corridas por desgaste de pneus? Ora, façam-me o favor! 
A ladainha da narração se seguiu e se seguiu, e até mesmo faltando umas oito voltas para o fim, ainda se falava nisso, com um adendo: Hamilton estava muito longe de Vettel e então passaram a dizer que o inglês estava fazendo mágica e tinha um ritmo absurdamente genial. 

O ano todo, com exceção talvez das cinco primeiras corridas, não se falava muito de Hamilton. Nas primeiras corridas, se falava de um "novo" Bottas. Depois do Canadá, passamos a ouvir e ler sobre Ferraris: um reclamão e chato Vettel, um inexperiente Leclerc. A Ferrari tornou assunto de todo o começo da segunda metade da temporada. Leclerc protagonizou 2 vitórias que fez tudo parecer bem empolgante. Ganhou um título e tornou-se o "poleman". Também depois das férias de verão, sua vida pessoal foi exposta.
Nas últimas corridas, se falou mais de Vettel e uma possível rixa que teria tido com seu companheiro novato e querido pelos novos torcedores. Na real, tudo "disse-me-disse". Os caras continuaram na deles, e o povo, fomentando polêmicas. 
Hamilton em si, estava bem apagado, especialmente na segunda metade do ano. Suas classificações estão sendo básicas demais. As vitórias, tanto Rússia como México, foram todas possíveis pelo erro estratégico da Ferrari que desperdiçaram o favoritismo em ambas.
E quando ele está fora dos holofotes é o momento de amostras certas de estrelismos: Postou fotos com Ferraris. No Japão, teimou em ir para Tóquio para ver jogo de basquete (ou sei lá o que era o evento). Houve uma manifestação por ter quase participado do "Top Gun 2" (mas deu uma desculpa besta, e ficou totalmente irrelevante a informação) e por fim, a que deu mais assunto: Na pausa entre o fim de semana em Suzuka e o seguinte no México, defendeu uma vida saudável em suas redes sociais.

Cheguei num ponto crítico: nada contra a pessoa se declarar "veganas". Não pago a comida dessas pessoas, pouco me importa se elas não querem comer carne. Mas - acho que não sou a única - eu me irrito com veganos que querem porque querem incutir nas outras que essa é a melhor forma de viver: comendo vegetais e nada de origem animal. Eu sinto que proteína animal é necessária para meu desenvolvimento. Se passar a comer só frutas e verduras, eu vou sumir!! E não somos todos iguais, com metabolismo funcionando igual para começarmos todos a consumir as mesmas coisas. Exige um acompanhamento e não me parece ser o meu caso.
Sim, eu critiquei (como alguns outros também criticaram) o Hamilton por ter exposto seus hábitos alimentares e se revoltado com a "destruição ambiental". O pessoal da comunidade que debate F1 saiu na defesa. Era mais um motivo para odiarem o já "sofrido" Lewis. Além de acusar um pessoal de racismo, li outros comentários sobre o fato de discutir o hábito alimentar e sua "militância ambiental" coisa de gente ignorante, acéfala. 
Foi quando saiu uma matéria de que Fernando Alonso teria criticado o inglês. O argumento do ex piloto da F1 e ex companheiro de Lewis era que, ele - Alonso - não via necessidade de divulgar o que comia. Outro ponto de argumentação do espanhol era semelhante ao meu: era contraditório ter uma grande preocupação com o meio ambiente uma vez que o estilo de vida dele não era nada próximo de alguém declarado ambientalista. Mencionou inclusive que pilotos pegam 200 vôos por ano. 
E aí? Fora isso, são 21 etapas no ano - ano que vem 22. Não se liga os motores só para a corrida, se liga nos treinos livres de sexta e de sábado, na classificação e no domingo. Os combustíveis, por acaso não são poluentes? E os pneus? São reciclados? As Ferraris que ele postou convidando a todos, para um passeio com ele, têm motor elétrico?

O que a mídia fez? Saíram perguntando para pilotos e ex pilotos sobre isso. Alonso declarou algo que tem sua razão e foi metralhado. Porque é Alonso, e porque não se fala mal de Hamilton. Grosjean parece que disse que seria perigoso um piloto ser vegano (e concordo também, sob o ponto de vista da energia que proteína animal oferece e não, não há substitutos compatíveis). Como o narrador da SporTV mencionou num dos TLs "Grosjean fala muita porcaria". Olha só, se fosse verdade, Grosjean deveria ser o ídolo do trio global, mais os outros dois narradores já conhecidos. 

Está na moda ser ambientalista. Quantos artistas que não sabem onde está a ponta do nariz (plastificado) comentaram suas abobrinhas sobre Amazônia? Lembraram de certa "cantora"? Pois é. Ela e tantos outros, falaram absurdos sobre meio ambiente. Deu uma baita vergonha na gente, pois sabemos que não são capazes sequer de regar uma samambaia.
Os jornalistas tiveram a chance não de procurar com os companheiros de Hamilton as opiniões deles sobre meio ambiente ou alimentação saudável. Poderiam pegar o caso do GP da Holanda e os entraves para acontecer em 2020 só para ilustrar. 
Olhem só se não tinham assunto para mostrar o quão hipócrita Hamilton foi só para ter um pouco de atenção: De protestos à emissão de gases, GP da Holanda enfrenta problemas para acontecer em 2020. Essa matéria saiu no começo de outubro e poderia ser usada contra o discurso de "querer desistir de tudo" e fazê-lo se posicionar à contento.
Enquanto ele fica sendo imune a críticas, os outros, não. Por inveja, ranhetice, por "ódio" do "blessed"... Escolha a sua razão e seja feliz. Eu não me importo. É vida que segue. A dele e a nossa. 

O que quero chamar atenção é que, na segunda metade da temporada essa vitória no México foi a segunda que caiu no colo de Lewis. Expliquem como um carro equilibrado teria um desgaste de pneus tais que comprometeria a primeira colocação de Hamilton e ficarei quieta, na minha.
Gostaria também de perguntar, porque, das 10 vitórias que teve na temporada, em nenhuma delas ele foi escolhido piloto da corrida. Isso é uma palhaçada para medir aceitação da categoria nas redes. Mas, na Rússia escolherem Vettel como piloto da corrida. No México, escolheram Verstappen. Percebam que, existe uma coisas sendo dita aí através dessa escolha e ela não é arbitraria. O pessoal dirá que é porque ninguém suporta o sucesso de Hamilton. Será?

Expliquem como um carro equilibrado teria um desgaste de pneus tais que comprometeria a primeira colocação de Hamilton e prometo que ficarei quieta, na minha. 
Como não há uma explicação para isso, a não ser apenas dizer que o cara é maravilhoso, tal e coisa e coisa e tal, o GP mexicano terminou como num filme blockbuster. Assistimos à tudo como se fosse a coisa mais heroica já vista desde os Vingadores derrotando Thanos. A corrida terminou com milhares de pessoas tendo orgasmos múltiplos com a vitória de LH. Para melhorar ainda mais, e deixar a minha pessoa com uma cara de tédio gigantesca, haveria a suspensão do carro vencedor até o pódio. 
A cena, todos vocês viram: Hamilton em pé no cockpit, com os braços para o alto. No telão, a foto de garoto sedutor, canhões de fumaça e de papeizinhos picados deram o toque final. 
No Instagram da F1, colocaram o vídeo dele emergindo com a seguinte legenda: "Still I Rise" - em português "Ainda assim, eu me ergo". Essa frase é tatuada de ombro a ombro nas costas do piloto:


Propício, não? Jamais imaginaríamos outro piloto ali naquela mesma situação que não ficasse, pelo menos, sem jeito. Talvez, e no máximo, arrisco dizer que Ricciardo poderia combinar com uma situação dessa. Mas o emergir do piloto com o carro, no pódio colou demais com a frase, quase uma hashtag do "Celebrity boy". 
Estamos satisfeitos com isso? 

Neste fim de semana nos encontramos de novo, dessa vez nos EUA. Americano sabe fazer festa e a pista favorece a Mercedes e Hamilton. O hexa virá com que tipo de apoteose? Façam seus palpites.

Abraços afáveis!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

F1 2019: Pós GP do Japão e Prévia do GP do México

Faltam apenas 4 corridas para o fim da temporada. Algumas coisas já foram concluídas e nós começamos a sofrer de abstinência antecipada. Não que as corridas tivessem sido um primor neste ano, mas, é aquela coisa: vício é vício.
Se ficássemos presos, única e exclusivamente focados nas corridas, no que acontece nos circuitos - sejam eles, chatos ou não - estaríamos (talvez) próximos ao paraíso. Mas, todavia, entretanto, no entanto, outrossim... sofremos, padecemos de algo tipicamente humano: nos atentamos à detalhes totalmente inúteis. 
Vivemos tempos de muito som e de muita fúria. Ficamos raivosos com pouca coisa, sem o mínimo da lógica. E quando o assunto é F1, extrapola-se todos os limites do bom senso.

Durante esses anos de total incapacidade administrativa da Ferrari, Sebastian Vettel e Charles Leclerc não se safaram de serem crucificados pelos comentaristas. 
A mídia trabalha com imagens, e a do Vettel - de um piloto "chato" que só vence se estiver nas prioridades da equipe - está consolidada. Agora, se constrói a imagem de Leclerc como piloto novato que chora por atenção. Essas imagens são uma construção de outros a respeito de acontecimentos que os envolvem. É impossível concluir se estas condizem muito ou pouco com a realidade.  
De qualquer forma, são construções que a Ferrari deveria ter evitado ao máximo.
Como nos outros anos, e com outros personagens, não houve compromisso em evitar esse tipo de publicidade negativa. Na vontade de atrasar o(s) título(s) iminente(s) da Mercedes, expuseram seus pilotos à situações que - mesmo que fizessem parte do "jogo" -  não tinham a mínima da necessidade. 

Enquanto isso, a maioria dos que acompanham a F1, soltam os seus xingamentos quando a Ferrari é salva por alguma brecha do regulamento. Regulamento que, se fosse perfeito, pelo menos, justificaria toda a revolta. Mas ele só é aplicado seletivamente e muitas vezes de forma altamente controversa. 
Erros cometidos por outra grande equipe e acobertados por comissários não causa tamanha gritaria. Então, o gosto do fã da F1 também é seletivo e polêmico (nem que seja para irritar um pessoal). Isso explica porque é que tanta gente comenta abobrinhas nas redes sociais e em matérias (tendenciosas) abertas à comentários. Explica também o quanto a "comunidade", especificamente a brasileira, é tão tóxica. Mais ainda: coloca uma maioria hierarquizando o entretenimento como mais importante do que o esporte.

Logo que o GP da Rússia terminou e a mídia (italiana, inclusive) revelou uma dessas imagens montadas: deram a deixa que os pilotos da Ferrari não se suportavam e que, pelas pequenas brigas que tiveram, o clima entre eles era insustentável.
Isso é lenha para a fogueira da discórdia (e porque não dizer, fogueira das vaidades?). Houveram mais discussões à esse respeito: quem já não era afetuoso com Vettel, não poupou críticas. Quem estava com um pé atrás com Leclerc, colocou o segundo: já não viam mais ele como promissor, pois reclamava demais no rádio.
No GP do Japão, não houveram protestos semelhantes referentes as reclamações de rádio de Lewis Hamilton perante as decisões estratégicas de pagar dívidas com seu capacho-mor, Valtteri Bottas. Deram-lhe o direito da vitória já que tinha conquistado às custas do erro de um piloto da Ferrari e isso não agradou o ego do "Miltão".

Aqueles grupos supracitados - os detratores de Vettel e os novos críticos de Leclerc - estiveram durante toda a corrida, projetando as "rodadas" do primeiro. Para o segundo, queriam uma severa punição pela sua "irresponsabilidade" - um ataque sob Max Verstappen na largada e o fato de permanecer na pista soltando pedaços do carro.
Pareciam torcer, a qualquer custo, por uma das coisas mais chatas do ano: dobradinha da Mercedes, e ainda às custas da Ferrari. Pior: queriam que Hamilton fizesse valer sua reclamação (e eu achava que Hamilton "nunca reclamasse no rádio"como afirmavam por aí...) e tivesse a troca de posições entre ele e Bottas.
Costumo dizer que o pior parte da figura pública - seja ele ou ela, da música, do cinema, da TV ou do esporte - é o seu fã. Essa ideia não está longe do fã da F1 - porque torcer para a "rodada" de um piloto, para ter  a possibilidade de uma das cenas mais vergonhosas da categoria?
Se é pelo show, bem... Tem algo errado aí. 

Depois que, nem mesmo com os erros estratégicos a Ferrari conseguiu acabar com a corrida de Vettel, os espectadores noturnos torciam para que Hamilton ultrapassasse o alemão. Algo que não aconteceu e "a culpada" foi a Mercedes.
Depois de decantar "os pensamentos" a forma como Toto Wolff e cia. resolveram as coisas, foi vista como a ideal e perfeita. Se à equipe, nada de críticas, aos pilotos é dedicada alguns comentários:  para Bottas, os depreciativos, para o Hamilton, as bocas continuariam seladas. Um rompante de surdez e/ou esquecimento totais com relação às reclamações infundadas do hexa campeão mundial se fez presente. Ninguém se incomodou.
Parênteses: Sim, Hamilton já é hexa. Digo isso desde o começo da temporada.

Assim como Vettel ou Leclerc, o inglês não parecia interessado ao que a equipe precisava fazer na corrida. Assim como os pilotos da Ferrari, Hamilton não havia pensado no plano da Mercedes, não havia pensado no campeonato de construtores, não havia ponderado sob a dívida (grande) que tem com o companheiro. Agiu de forma egoísta, arrogante como sempre foi. Mas não houve um "a" sobre isso.
Depois dos treinos livres de sexta, ele foi para Tóquio e não permaneceu em Suzuka como os demais. Não se escuta ele dizendo que se estudou as estratégias. Literalmente dá de ombros e deixa no ar a pergunta: quem precisa delas?

Se não ficou claro, vou deixar: invertam os papéis da Mercedes com os da Ferrari, e temos o inferno na Terra. Teríamos falas que indicam uma dupla de pilotos mimados, chatos, cínicos e não profissionais, nocivos para a categoria. Como de fato, ocorreu, em Cingapura e na Rússia, especialmente com Vettel e em menor escala, com Leclerc. 
Um piloto ousar peitar os mandos de sua equipe é saudável para o esporte só quando o atleta em questão apraz o gosto da torcida. 
Dito de outra forma: atitudes semelhantes de uma estrela como é Lewis Hamilton, brilhando com um enorme ego (sim, maior do que o conteúdo de suas cuecas - exibição feita que trouxe um sem número de interessados e interessadas) ninguém se incomoda. Até porque depois de tanto reclamar nos rádios, ele faria um discurso falso recheado de elogios forçados, com algumas manifestações de frustração e todos dizem: "Campeão é assim mesmo, está ótimo, ele é genial!"
Observem: ele criou o entretenimento com as reclamações, ameaçou desobedecer, mas fez parte do resultado que, por mais que tenha sido legítimo, foi manipulado. 

É exatamente aí que a Ferrari nos irrita: por deixar essas coisas acontecerem. Ela expõe seus pilotos à  transparecer falhas de caráter - que podem ser absolutamente irreais -, os deixa à mercê de erros para correr atrás de prejuízos provocados pela equipe, o que desencadeia ainda mais erros.
Além disso, quando manipulam resultado, são criticados duramente, acusados de estarem fora das "regras". Quando um de seus pilotos desobedece, os gritos são histéricos. Parece que a Ferrari é a única que age de má fé.
Corre ainda o risco de ninguém ter percebido algo que o leitor Robson comentou há dois posts atrás, aqui no blog: o SF90 poderia não ter melhorado, mas sim, que a Mercedes tivesse confortável para ganhar o suficiente para recuar e iniciarem os trabalhos do carro de 2020.
É completamente possível que as mudanças no SF90 tenham sido para companhar a Mercedes e a equipe se desgastou, enquanto a Mercedes em si, já consciente das garantias que tinham, estavam já pensando por antecipação, entregando o simples apenas para terminar o ano. 
É óbvio que as Mercedes voltem a apresentar domínio em 2020, aproveitando-se (de novo!) do desgaste da oponente. Nessa de querer se aproximar da Mercedes e garantir que a Red Bull não colocasse um de seus pilotos na terceira colocação do campeonato, a Ferrari não terá fôlego para seguir a rival em pé de igualdade, especialmente no começo do ano quem vem.
Isso complicaria muito a nossa expectativa de competitividade, uma vez que eles estão mais perdidos que cachorrinho que caiu do caminhão da mudança.

Com isso, fica bem fácil para a mídia em geral divulgar que a Ferrari melhorou, que tem o melhor carro, um rendimento tal que lhe garante algumas vitórias, e que, um possível impasse e brigas internas entre seus pilotos refletiu resultados negativos, para exaltar as conquistas da Mercedes quando ela decide aparecer, como foi o caso, no GP japonês.
Do lado técnico, surgem as acusações sobre o motor ou aerodinâmica do carro. Como aconteceu, à um passo da 18ª etapa de 21. Tudo pois, ela teria um rendimento tal, que levantaram suspeitas de irregularidades. A Mercedes venceu 10 das 12 primeiras etapas, sendo 7 delas, com dobradinha.
Basta olhar as estatísticas e os pódios até aqui e perceber que ainda assim, a Mercedes deve ganhar todas as "somas" feitas. Não levanta suspeitas. É tudo muito bem feito. E pelos anos anteriores, tem uma nota preta rolando fácil para fazer carros perfeitos.

Risadas foram dadas quando a Mercedes alcançou o sexto título de construtores. O GP da Rússia foi chato. Já o GP japonês garantiu comentários ao nível de comparar resultados: se Bottas ganha uma corrida, já se sabe que ela foi desinteressante. 
Quero que me respondam, com toda a sinceridade de vocês: quais foram as corridas mais chatas do ano? Austrália? Barein, China, Azerbaijão? 
Espanha foi chatíssima? Com certeza, concordamos que também foi a corrida da França?
O GP da Grã Bretanha, talvez? E o da Hungria? Ambos bem mornos, não?
Da segunda metade da temporada, ainda podemos pedir opiniões: Rússia ou Japão? Qual foi mais "estragada"?

Na Austrália tivemos dobradinha da Mercedes. E olhem que inusitado!!! No Barein também.
Na China também.
No Azerbaijão e na Espanha, tam-bém!
Foram cinco corridas direto, com dobradinhas da Mercedes, sem pausa!
Na sequência, Mônaco, com todo um oba-oba e glamour de costume, não houve dobradinha, mas contou com os dois pilotos da equipe no pódio.

No Canadá, o que aconteceu foi um baita roubo. É isso que vai ficar registrado da etapa de 2019. Não foi alguma coisa comum de uma corrida. Não se destacou por ter muitas ultrapassagens ou estratégias inteligentes. Foi uma "garfada" e uma vitória caindo no colo do Hamilton. Canadá não foi nem mesmo propícia para quebrar as dobradinhas da Mercedes, pois logo no GP francês - outra corrida horrível de termos acompanhado - contou exatamente com a sexta dobradinha em oito corridas.
Apenas no GP francês é que ouvimos protestos sobre um ano difícil de engolir. Porém, a temporada estava enfadonha havia dias...

Áustria poderia té ser uma boa escolha sobre uma boa corrida. Mesmo assim, havia Mercedes no pódio, com o Bottas em terceiro. Na Grã Bretanha, tivemos a sétima dobradinha da Mercedes.

Numa tentativa de procurar algo que salvasse essas campanhas, pode-se cogitar a possibilidade de eleger o GP da Alemanha como melhor corrida até aqui.
Como não perder a cabeça a pensar que, é exatamente essa corrida que não vamos ter do calendário do ano que vem? Olhem, que mer...!
Para acabar, veio a chatinha Hungria, sem dobradinha, mas com Hamilton vencendo.

Empolgamos com Bélgica? Sim, mas tinha lá dois carros da Mercedes, além do Leclerc. A mesma coisa, acabou acontecendo na Itália. Cingapura foi outra que pode estar entre aquelas de salvação, além da Alemanha ou Áustria, mas não tem como "amar" de fato qualquer resultado daquele circuito demorado.

Voltamos a programação normal nas últimas corridas. Na Rússia, tivemos a oitava dobradinha da Mercedes. A vitória do Bottas no Japão, com Hamilton em terceiro trouxe uma sutil chiadeira. Mas ainda muito pouco. O campeonato de construtores foi ganho faltando ainda México, EUA, Brasil e Abu Dhabi.

No próximo fim de semana, Hamilton se sagrará campeão com combinações muito fáceis:
► Deve vencer e marcar a volta rápida, com Bottas abaixo do terceiro lugar;
► Vencendo, sem volta rápida, Bottas não pode ser nem P2, nem P3 ou P4;
► Sendo o segundo, Bottas precisaria estar pelo menos, na oitava colocação;
► Em terceiro, Hamilton precisaria da volta rápida e Bottas, ser o nono colocado. Sem volta rápida, Bottas tem que marcar apenas 1 ponto, de décimo colocado, para que Hamilton possa comemorar seu sexto título (com motor Mercedes) regado à muita tequila;
► Em quarto, mesmo que Bottas não marque pontos, Hamilton levaria o título para ser decidido nos EUA. Se Bottas abandonar, Hamilton precisa pelo menos, fazer a terceira colocação, para que México seja "a casa" do título.
Me diz aí, se não está ridiculamente fácil para a Mercedes?
Inclusive a vida do Bottas está bem boa, imaginando que depois do feito no GP japonês, a Mercedes sabe bem como conduzir as estratégias para as próximas corridas e garantir seu vice campeonato.

Enquanto se discutia a vida particular de pilotos, rádios estrategicamente divulgados, fotos e vídeos com olhares de fúria, recortes de indiretas maquiadas pela imprensa, tudo isso, feito com tanto ímpeto que parece estar ajudando (forçosamente, como no ano anterior) a produzir roteiro/pauta para a montagem da série de documentários da Netflix, sendo que o que realmente deveria ser o mais lógico na roda da conversa, ficou ali, praticamente jogado no canto, à esmo: a hegemonia da Mercedes - que teima em durar contando com a ajuda marota da incompetência das rivais, a incapacidade de gerir carro-piloto-equipe na Ferrari, as péssimas escolhas da Red Bull, as injustiças de pilotos ruins de verdade terem vagas enquanto outros são obrigados a se humilharem por alguma migalha das sobras, entre outros. Capaz até que essas coisas tenham ido com o tufão Hagibis antes mesmo dele aparecer como ameaça no fim de semana passado.
Gasta-se um tempão com uma parcela de coisas que "envolvem" a F1 que, o que realmente importa e o que significa algo, são de interesse da "comunidade" do tamanho equivalente à salário de professor de escola pública:


Entramos no jogo da Liberty. A Netflix já contribuiu valorizando um drama danado: rivalidades, batidas, pilotos com os nervos à flor da pele. Emoção que não acabou mais para quem viu "Drive To Survive". A cada episódio eu franzia a testa a pensar "aconteceu assim?"
Imaginem a temporada 2 dessa série... Capaz que vão encontrar muitos meios para dizerem que houve muita, mas muita competitividade.

Moldados como se fosse um roteiro de filme, com corridas que tem, cada dia mais, resultados manipulados, seja por decisões de comissários que cortam aspectos mínimos de competição situacionais, seja por desobediências dos pilotos mediante os mandos de seus chefes ou mesmo estratégias arquitetadas e já colocadas em prática em classificações ou largadas previamente, entramos sim no jogo da Liberty. 
Um aspecto que ela queria de trazer era o exemplo da NFL para transformar a F1, e o que ela trouxe de lá foi só a propaganda que a liga de futebol americano também fatura. Não foi buscar ter o equilíbrio entre as equipes, o teto orçamentário e todo aquela possibilidade de fazer uma equipe fraca, ressurgir após temporadas totalmente desestruturadas. O que a Liberty fez o "crtl c + crtl v" no show, no espetáculo que atrai os fãs novos, que não pestanejam em fazer bancada crítica nas redes, com mesquinharias. Esse novo público além de incapazes de demostrar discernimento das ações, pegam uma F1 apoteótica. Mas eles não deixam nunca de ser voláteis, sazonais. Permanecem ainda enquanto os agrada, e quando ainda está em alta.  
Já comentei aqui e vocês sabem tão o melhor que eu: a quantidade de perfis de Twitter que fazem memes sobre a F1. Fãs "oldschool" da categoria que vez ou outra faziam as suas piadinhas, competem acirradamente com outros, e podem estar perdendo espaço para os novos "zueiros" de plantão. Ainda mais grave, são os perfis femininos*  que falam dos pilotos num tom de dar inveja ao Leão Lobo ou Nelson Rubens. (*Toda generalização é burra, mas costumeiramente deparo com comentários de muito baixo nível nestes perfis.)
Aos fãs não novatos, "velhos de guerra" percebemos desconforto, rompantes ranzinzas e muita impaciência nessa "nova fase" da categoria.
Sigo dizendo, sem medo de errar: a F1 segue sendo uma grande novela. E as novelas não ficam na sessão de esportes.

E vocês, o que acham?

Abraços afáveis!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

F1 2019: "Nada de novo, só a Ferrari sendo Ferrari"

O segundo texto da semana é mais um da Carol, dessa vez adentrando no gosto pessoal dela. Confiram a sua reflexão sobre os rumos tomados pela Ferrari, em destaque, nas últimas corridas.
Vamos? Já aviso que está demais! ;)

Nada de novo, só a Ferrari sendo Ferrari - Por Caroline Monteiro

Na semana passada, eu estava fazendo as contas de há quanto tempo assisto F1, que sou fã de Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel. Quando comecei a assistir a categoria, há 16 anos, eu torcia para Ferrari, amava tudo aquilo que ela representa e a paixão que envolve. Mas em 2009, por motivos óbvios, "cortei" relações. Só que o mundo dá voltas e pouco depois Kimi e Seb estavam lá. Ou seja, os pilotos que eu torci sempre correram pela Ferrari nesses 16 anos, exceto por quatro temporadas, 2010 a 2013. Mundo irônico! 

Confesso, que apesar de tudo, ainda sou apaixonada pela Scuderia. Minha relação é muito forte, principalmente com a Itália. Não é algo racional, eu amo por amar e acabou. Além disso, parece que eu não consigo ficar longe de um sofrimento italiano. Minhas opções em outros esportes comprovam isso. Acho que sou louca! Bom, mas por que falei sobre tudo isso? Simples, são 12 anos acreditando que a Ferrari vai vir bem, vai acertar o carro, fará boas estratégias, saberá gerir a dupla de pilotos, mas no fim é tudo ilusão. Com exceção dos anos de 2003, 2004 e 2007, o resto é só vergonha.

A reação da Ferrari pós-férias parecia algo incrível. Duas poles e vitórias do Charles Leclerc. Toda a loucura de vencer em Monza, os tifosi. Só que neste momento também surgiram os "contratempos". Charles não fez o combinado e Seb teve uma corrida para esquecer. Singapura não era a melhor pista para eles, mas, né? Já que a situação estava boa, o que custava tentar? Porém, estamos falando da Ferrari. Charles pole, vitória do Seb, rádios e mais rádios, insatisfação, clima ruim na equipe. A vitória foi essencial para o alemão, ele precisava disso para recuperar a confiança ou seja lá qual fosse o problema dele. 

Binotto não tem noção de como gerir a dupla de pilotos e tenta demonstrar que está tudo sob controle, quando, na verdade, parece desmoronar. A F1 chegou a Rússia e o que aconteceu? Parabéns para a Ferrari! Com Charles na pole e Seb em terceiro, resolveu fazer joguinhos e tocar mais lenha na fogueira. Se não sabe elaborar boas estratégias, muito menos tente fazer joguinhos. No fim, o que era para ser uma dobradinha italiana, foi entregue a Mercedes como um presente. Foi aí que, na teoria, as coisas azedaram na equipe italiana. 

Me simpatizo bastante com Leclerc, mas antes sou fã do Vettel. Apesar disso, não sou tapada ao ponto de defender ele nessa situação. Foi errado e ele admitiu. Porém, antes de o Seb estar errado, a Ferrari foi quem provocou isso. De onde tiraram aquela ideia idiota da largada? Uma vergonha uma equipe como ela apresentar esse papel, mas nenhuma novidade, não é mesmo?. Os dois são pilotos, não são? Estão na Ferrari porque tem talento, não estão? Então, que deixem eles pilotarem. Não era para Charles ter cedido a posição, ele foi o mais rápido na classificação e mereceu estar a frente. Quer passar? Passa por méritos próprios. A mesma coisa o contrário. Quer passar, Leclerc? Vai e mostra para o que veio. Porque essa situação só beneficia a Mercedes, faz Charles parecer um novato chorão e Seb o piloto que só ganha por causa de jogo de equipe.

A Ferrari tem um dilema bem complexo. De um lado ela tem um tetracampeão e, do outro, o que chamam de "il predestinato". E agora, como resolver isso? Apostar em um e queimar o outro? Leclerc vinha melhor que Vettel, mas o alemão é o número 1, pela menos na teoria. Depois de Singapura e Rússia, Binotto mostrou que não tem experiência suficiente para gerir a disputa entre seus dois pilotos e que, sob pressão, continua cometendo erros graves. 

Mas, ao contrário, do que se comentou entre o intervalo dos GPs da Rússia e Japão, de que a situação na Ferrari estava insuportável, os pilotos já não podiam se ver, eles pareceram bem amigáveis. Na verdade, até um pouco estranho. Não por estarem se dando bem, mas depois de largar na primeira fila e terminarem em segundo e sexto (antes da punição), por que rir tanto? Suspeito!

Os erros cometidos pela Ferrari nas últimas corridas podem sim influenciar a relação entre Seb e Charles, mas nada que aparentemente vá acabar em "pancadaria". Isso, claro, se os joguinhos não continuarem entregando a vitória para os rivais. Seb é o presente da Ferrari e Charles o futuro. O que a equipe vai escolher? Focar no presente e queimar o futuro? Focar no futuro e queimar o presente? Focar em ambos? Ou queimar ambos, como vem fazendo?

Sobre os próximos GPs? Bom, como nos últimos 12 anos, vou deixar a Ferrari me iludir com uma boa classificação e sofrer na corrida com estratégias ridículas. Nada de novo! Se vencer, excelente, vou comemorar muito. Caso contrário, já estou acostumada. Fiquem quietos nos boxes e "let them race"!

***

Eis um resumo pragmático dos últimos momentos da Ferrari. Especialmente pois, depois de Cingapura e Rússia, muito se falou sobre a conduta adotada pelos dois atuais pilotos da equipe, e pouco ou quase nada à respeito dos oportunistas da Mercedes. 
A Ferrari ainda representa um poder muito grande de interesse na F1 e nós, enquanto fãs da categoria, ao vermos a equipe agir como tem agido a tanto tempo como se fosse um bando de novatos, gera um sentimento desconfortável. E esse sentimento é ainda potencializado porque quem nutre torcida e paixão pelo time. 
No geral, apesar de se criticar a equipe, o que se lê e ouve por aí ainda é pouco, pois o que mais fere e o que mais se dedica esforços são para comentários negativos feitos aos pilotos; são eles as figuras mais expostas quando os erros patéticos da Scuderia brotam nas classificações ou nas corridas - quando é ainda mais grave.

Obrigada Carol por mais esse texto e saiba que o espaço está abertíssimo sempre que quiser! Foi uma honra ter a sua participação!

Mais para o fim da semana, prometo fazer um pequeno texto para fecharmos essa etapa e já pensamos no próximo, GP do México - aquele em que pode ser a conclusão da temporada 2019. 

Abraços afáveis!

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 17: GP do Japão

Depois de uma pausa (infelizmente por muitos afazeres) acabei não aparecendo aqui para fazer comentários prévios sobre o GP do Japão, a etapa mais cacofônica do calendário da F1 (falem em voz alta "GP do Japão" e entenderão o que eu quero dizer com isso, rsrsrsrs...).

Assim como nos últimos eventos da nossa amanda novelinha, eu convidei uma grande amiga, jornalista, para escrever sobre o GP no circuito de Suzuka. Os pontos de vista mais diversos, terão espaço no blog, como forma de divulgação e um toque democrático. 
Novamente, com a terceira participação, eu me senti muito feliz por poder contar com mais um excelente texto para publicar aqui. Não é porque é minha amiga não, mas, fiquei empolgadíssima! Espero que todos gostem da contribuição da Carol como eu gostei!

***

Mais uma ilusão e título para a Mercedes - por Caroline Monteiro

Que semana estranha! O centro das atenções para o GP do Japão de 2019 foi o Tufão Hagibis. Vai atrapalhar ou não? Vai ter classificação no sábado ou não? Vai ter corrida ou não? Provavelmente, fazia um bom tempo que os fãs de F1 não ficavam tão interessados em meteorologia. Suzuka não é um circuito que traz boas lembranças quando se fala de chuva e segurança, já que é impossível esquecer o acidente do Jules Bianchi, em 2014.

A indecisão em cancelar as atividades de sábado, dia previsto para a tempestade passar por Suzuka, começou a ser questionada. Por fim, foi decidido que seriam realizados os treinos de sexta-feira e o treino classificatório no domingo, antes da corrida. Na região onde fica o circuito, as consequências do tufão não foram tão graves como apontavam as previsões, mas foi a melhor decisão a ser tomada. Essa experiência despertou em alguns pilotos o interesse por finais de semanas mais curtos, com atividades em apenas dois dias. Nós, fãs, teríamos um dia a menos para apreciar o esporte, mas para quem trabalha na categoria, poderia ser um descanso extra, principalmente com o calendário maior no próximo ano.

Hagibis passou e o domingo chegou com um céu limpo e sol. Como diz o ditado, “depois da tempestade vem a bonança”. Valtteri Bottas dominou os treinos livres, mas Sebastian Vettel e Charles Leclerc surpreenderam e ficaram com a primeira fila. Outros destaques da classificação foram Alexander Albon (6º), Carlos Sainz (7º) e Lando Norris (8º). Kevin Magnussen e Robert Kubica tiveram incidentes no mínimo estranhos e as equipes correram contra o tempo para participarem da corrida.  

Porém, a felicidade para a Ferrari durou pouco. Com a péssima largada dos pilotos da equipe italiana, Bottas assumiu a liderança, enquanto Leclerc e Max Verstappen se chocaram. O holandês reclamou no rádio pedindo punição ao rival, que veio só após o fim da corrida, 5 segundos por causar o incidente e 10 por continuar na pista com a asa danificada. Verstappen acabou abandonando nas voltas seguintes. Depois da prova, o monegasco assumiu a culpa pelo incidente.

“Ah, a FIA sempre defende a Ferrari!”, isso não é de hoje, assim como ela vem defendendo a Mercedes nos últimos anos. É certo? Não, mas não sou eu que tenho poder para mudar isso. Sabe-se que Leclerc e Verstappen foram rivais no kart, então, a disputa é bem mais antiga do que parece. Porém, o piloto holandês deveria observar sua trajetória na F1 antes de dizer que o piloto da Ferrari apresentou uma pilotagem irresponsável. Verstappen é um dos atuais pilotos do grid que menos pode falar isso. Ele está criticando Leclerc, mas quando ele comete erros parecidos os comissários que são muito cautelosos, que não deixam eles pilotarem. Engraçado como as coisas mudam, né?

Outra discussão foi sobre a queima de largada do Vettel. Outra vez “A FIA trabalha para a Ferrari”. Primeiro, ele queimou sim. Segundo, os comissários são humanos, não são os mesmos em todos os GPs e cada um pensa de uma forma, ou seja, há brecha para diversas interpretações. É nas falhas do regulamento que as equipes se aproveitam, então, arrumem o regulamento. Para felicidade de Ferrari e do Vettel, os comissários não o puniram, alegando que ele se manteve da tolerância aceitável.

Como fã, digo que ele só se prejudicou com esse erro. Toda a expectativa de mais uma vitória ferrarista foi por água abaixo com a largada ridícula dos dois pilotos. Da parte do Vettel sabemos o erro, mas não vi câmera onboard do Leclerc e ele também não falou especificamente sobre o tema. Além disso, o que mais me deixa intrigada é como os pilotos que largaram na primeira fila, ficam sorrindo alegremente ao chegarem em 2º e 6º (antes da punição)? Coisas estranhas desse GP do Japão.

Apesar da lambança na largada, Vettel se manteve entre os primeiros durante toda a corrida. Mesmo com as más escolhas de pneus, o alemão conseguiu segurar a pressão de Hamilton nas últimas voltas e terminou em 2º. Enquanto isso, Leclerc precisou parar logo no início para trocar a asa dianteira quebrada, aproveitando para já fazer a primeira troca de pneus. Falando nas consequências do toque com Verstappen, uma parte da asa ainda se soltou e quebrou o retrovisor de Lewis Hamilton.

Após a corrida, a FIA divulgou um vídeo em que o piloto da Ferrari está com uma mão no volante e com a outra segurando o retrovisor esquerdo. Como dizem, não há nada tão ruim, que não possa piorar. Pode ser que o monegasco tivesse conquistado um resultado melhor, mas a Ferrari foi Ferrari e errou nas estratégias. Principalmente, na última parada nos boxes. Leclerc não conseguiu fazer a volta mais rápida e ainda perdeu segundos que possivelmente teriam mantido a sexta posição após a punição.

Assim, como no treino classificatório, Sainz e Albon apresentaram excelentes desempenhos. O piloto da Red Bull teve um enrosco com Norris logo no início, mas conseguiu fazer uma corrida consistente e alcançou o seu melhor resultado na temporada, com o 4º lugar. Sainz se manteve forte e mostrou que vem evoluindo a cada corrida, terminando logo atrás de Albon. Quem surpreendeu no Japão também foi a Renault, que conseguiu se recuperar depois de uma classificação ruim. Ricciardo fez lindas ultrapassagens e terminou em 7º, mas com a punição de Leclerc acabou indo para 6º. Já Nico Hulkenberg, que ainda segue com o futuro indefinido, completou o Top 10. O “meio do pelotão” está competitivo e trazendo bastante emoção, que é o que nós, fãs do esporte, queremos.

E no dia que tudo apontava para uma festa italiana, quem comemorou foi a Mercedes, ao conquistar seu sexto título seguido no Mundial de Construtores. Mas nem tudo foi um mar de rosas. Se a Ferrari protagonizou os rádios na Rússia, agora foi a vez da Mercedes. Sabemos que sempre que Bottas está na frente, James aparece no rádio para uma conversinha. A princípio, Hamilton faria uma parada e o finlandês duas. Porém, a equipe mudou de ideia.

Quando ouvi o rádio do Bottas informando que o companheiro faria uma parada a mais, imaginei que era o tradicional blefe da equipe e que estavam só fazendo o piloto de bobo mais uma vez. Só que a Mercedes se superou e surpreendeu a todos. Chamaram Hamilton para uma segunda parada, mesmo com pneus em bom estado, com objetivo de devolver a posição ao Bottas. O diferente desta vez foi que o “James” apareceu para o primeiro piloto, que ficou irritado no rádio e chorou como o de sempre. Não é legal quando James aparece, não é?

A próxima corrida será o GP do México, daqui duas semanas, onde Hamilton pode confirmar seu título, sagrando-se hexacampeão. Faltando um pouco mais de um mês para o fim da temporada, as equipes já pensam para 2020. O drama fica por conta da Williams que, além dos maus resultados, enfrenta problemas com peças para os carros. A Ferrari continuará forte? Sendo realista, a pergunta a se fazer é: a Ferrari vai parar de errar nas estratégias contribuindo com o sucesso da rival?


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Obrigada Carol, pelos textos. Ficaram magníficos! Já aproveito para incentivar ainda mais que monte um espaço só seu para escrever, já que você comentou neste fim de semana sobre esse desejo. Eu gosto muito de escrever - aqui mesmo, tenho escrito textos gigantescos... E a gente se sente bem compartilhando algumas ideias. E você, como jornalista, deve pensar e produzir muita coisa e então já aviso: Apoio muito que tenha um espaço seu para colocar a profissão em prática e tenho certeza que muita gente irá apoiar da mesma forma! 

Aos leitores, não estão enganados que eu tenha escrito um agradecimento à Carol "pelos textos". Sim, ela me enviou dois: um comentando Suzuka e outro sobre esse desconforto na Ferrari - já que bem sei ela é fã da equipe (e de esportistas italianos). Conversamos depois do GP da Rússia (e dessa conversa até montamos um grupo com nossa amada Yasmin, que está um passatempo divertidíssimo!) e chegamos num acordo - bem mais efetivo que os da Ferrari (risos) - sobre a contribuição dela, aqui no blog. 
O segundo texto dela será publicado amanhã, pela manhã, e está igualmente legal ao de hoje. 

Quanto aos meus comentários sobre o GP japonês, eles devem ser poucos, em vista que muito já foi comentado pela Carol. Mas é certo que até sexta-feira, algo em torno do fim de semana por lá, estará disponível para a leitura, por aqui. ;)

Abraços afáveis!