terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Balanço da Temporada F1 2020 (parte IV)

Desmotivada dos meus dedões do pé até os meus cabelos (que precisam, urgentemente de um corte, ou logo me transformo na menina daquele filme, "O Chamado"...), seguimos com o Balanço da F1.
Deveria explicar porque de começar o texto dessa forma, mas melhor não ou sairei do foco estipulado para essa pagina. Posso dizer que, em breve, ficarão livres da minha (precoce?) ranhetice.

Depois das três primeiras corridas do campeonato, fiz um bom resumo, piloto a piloto, de como se encontravam na temporada. Deixo o link para conferirem e assim, consigo "afunilar" o assunto.
Dava para ver que havia pouquíssima esperança de que o campeonato fosse "empolgante" em 2020. Tanto é que não fiz mais esse levantamento nas postagens que se seguiram... Relapsa, eu? Não, foi o doutorado pegando pesado com meu curto tempo e também, não havia nada de especial que valesse o esforço.

Com a nova leva de corridas com poucos dias de intervalos entre elas, percebi uma vantagem: a primeira do segundo módulo de 3 corridas, me garantiu um dos melhores textos que já escrevi aqui no blog. Modéstia parte, ficou bem bom!
Na primeira parte, fiz como manda o figurino: escrevi uma belo texto falando de uma corrida como se fosse emocionante, desde o começo, de um jeito que devem ter encontrado em muitos portais sobre o esporte por aí afora. Na segunda metade, voltei a ser a Manu de sempre, achando tudo trivialmente providencial e forçado demais para se dizer que era emocionante. Até citei o rei Roberto Carlos como uma epígrafe para o texto!!!

Leiam aqui, acho que vale a pena (ou não, já diria Caetano, rsrs...) 

A idolatria ao Lewis Hamilton saiu explodindo na primeira etapa em Silverstone. E a intolerância também: destilaram ofensas (algumas, até graves) para quem fez pouco caso de seus feitos. Desnecessário, ter que opinar? Talvez sim. É de direito, se quiserem? É, por mais difícil que seja em admitir. Inclusive, sobre isso, é preciso aceitar que nem todo mundo pensa igual (graças!) a você. 

Canonizaram Lewis? Ainda não, mas deve estar no processo. Mais ao fim do ano, descobríamos que ele receberia título de Sir da Ordem do Império Britânico. 

Até entendo a necessidade do ser humano em ter ídolos. Desde os tempos mais primitivos, as sociedades não complexas tinham os seus. Nesse caso Sol, Lua, e etc. eram os "deuses" das proto-sociedades, tribais. Depois que se tornaram complexas, foram acrescentando sentidos ou significados que a necessidade humana requisitou como "explicações" de sua própria existência. Tudo, por mais "fantasioso" que parecesse, sempre teve um quê interessante para cada cultura.
Pena que, de uns tempos para cá, parece que viramos do avesso. Quase ouso a dizer que tendemos a ser mais primitivos que o homem das cavernas que cultuava o fogo. Hoje, os "ídolos" não precisam necessariamente ser figuras fundamentais no curso da nossa História. Basta fazer alguma coisa que a mídia encheu de elogios e *pimba!* Até honrarias monárquicas passam a ser atestado de grandiosidade.

Está bem, estou exagerando. Mas é que, eu daria esses títulos para um cara, que mudou a sociedade inglesa, instaurou teorias que foram importantíssimas para o ramo da filologia... *Jogando para o universo um exemplo que deveria ser aleatório, mas não é* Enfim. Tais títulos também, não são nada, de verdade, ainda que tenha uma galera que faça questão deles.

Voltando ao tópico de hoje, eu fiquei incomodada quando disseram, após Silverstone 2020, que "Lewis vencendo com 3 rodas é fato histórico..." Ai ai, ainda bem que já tomei meu café quando escrevo esse texto ou cairia dura no chão. "Fato histórico"? Nesse espírito, logo vai existir  "History Knowledge Coaching"!! *Fujam para as montanhas*

O que quero dizer é que Lewis vencendo com 3 rodas, não faz dele, deus. Foi circunstancial - como seria com muitos outros. Não houve destreza. Ele estava no lugar certo, propiciado por um ótimo carro, uma equipe atenta e claro, ele era (e é) o piloto principal. Mais uns segundinhos e se parte da roda se soltasse ou todo o pneu se desfizesse, não seria bacana: seria perigoso, principalmente para ele. 

Esporte é entretenimento, e assim, arrumem outros termos para designar as conquistas esportivas como grandes feitos. Genialidade para mim são aqueles mais científicos, significativas descobertas ou teorias que traçam mudanças na sociedade, que afetam vidas, que rompem paradigmas, que quebram sistemas, que mudam a nossa visão de mundo. 

Assim, acho que finalizo, dizendo que o fato de alguém ter outro "herói" do esporte, não denota caráter. É um detalhe de cada um apenas.
Ninguém sabe o que os outros fizeram para tentar resultados incríveis. Pois exemplo, o fracasso do Bottas é o mais corriqueiro de acontecer na vida real. Vão me dizer que fracasso não faz parte do dia a dia, mais do que resultados positivos? Olhe à sua volta. O mundo não é o que se diz nos cursos de coaching. Se fosse, não teríamos um punhado de gente nas terapias, sofrendo de ansiedade.

Além do mais, no aspecto fútil, o que a gente sente de emoção (ou a falta de), não é algo que a gente controla. É impossível explicar, traduzir emoções para ou outros. É também impossível fazer-se entender que, não dá para achar que a sua vida se define por quem você torce, o quê ouve, assiste, lê...
São características, gostos. A melhor coisa que faz, é não fazer deles mais importantes do que são.  

Buenas... Vamos ao que interessa: o infográfico (cliquem para aumentar) e o placar de classificações, todos comentados.

Mas antes, um adendo: para essa corrida, houve a primeira "baixa" entre pilotos por conta da Covid-19. Sérgio Pérez andou visitando países com alto índice de contágio e acabou contraindo o vírus maldito, sendo impedido de participar do GP. Muita gente criticou a postura do mexicano, mas logo isso seria um assunto relativizado - dependeria de quem fosse o contaminado, para passarem pano.
Vamos fingir surpresa para ficar mais bacana, combinados?

De todo, e torcendo para sua plena recuperação (em tese, Checo esteve assintomático e foi isolado imediatamente), chamaram Nico Hulkenberg para substituí-lo. O cara estava de volta e se não fosse por alguns detalhes, teria mostrado o seu (bom) valor.


Pelo gráfico já perceberíamos que não havia nada de novo no front. Os fracassos da Mercedes nunca são totais, e costumeiramente são para o Valtteri Bottas - uma espécie de bucha de canhão da equipe. Perderam a dobradinha, mas tiveram ainda a vitória do seu protegido. Estavam feitos.

Marcaram pontos, aqueles não citados no gráfico:

► Em quarto, Daniel Ricciardo em sua melhor colocação desde o começo da temporada. Largou do 8º lugar e deu um plus de entusiasmo aos torcedores. 
Seu companheiro, Esteban Ocon foi o sexto e largou do 9º posto. 

► Lando Norris foi o representante da McLaren entre os 10 primeiros, terminando a corrida em quinto, a mesma posição do grid de largada. 
Carlos Sainz não foi tão bem e terminou a corrida em Silverstone em 13º. Sua posição de largada no entanto, era favorável: um sétimo lugar era o mínimo que poderia se esperar.

► Pierre Gasly da Alpha Tauri ficou entre os 10 primeiros, com o sétimo lugar. Saindo da 11º, marcou seus 6 pontos, enquanto seu companheiro, Daniil Kvyat tinha um fim de semana cheio. Depois de classificar-se em 14º, recebeu 5 posições de punição por conta da troca da caixa de câmbio. Na corrida, o pneu traseiro direito falhou e ele acabou batendo, lá na volta 12. Estava na 12º colocação. 

► Em oitavo, estava Alex Albon, conforme dito no gráfico. Alex se envolveu numa colisão com Kevin Magnussen, que era o décimo segundo, nas primeiras voltas. Um Safety Car foi acionado para retirar o carro da Haas e Albon acabou, mais tarde, punido com 5 segundos, responsabilizado pela colisão.

► Lance Stroll foi o nono. Seu "novo-velho" companheiro, Hulk acabou nem largando. Após a volta de apresentação, o carro falhou e ele largaria dos boxes. Nem isso aconteceu. Hulk assistiu a corrida inteira, de fora, como fizera desde o começo da temporada. O argumento da Racing Point foi um problema na unidade de potência. 

► Em décimo, Sebastian Vettel, conforme está no infográfico.

Demais pilotos:

► Em 11º, Bottas, sem marcar pontos, ficou preso atrás de Vettel. Seu pneu estourou faltando 3 voltas para o fim da corrida, quando caminhava para fechar a corrida, em segundo. Recuperar-se do prejuízo era quase impossível.
O companheiro dele, já sabem: tem a bunda virada para a Lua. Arrisco a dizer que o brilho da Lua não é mais por reflexo da luz do Sol. Deve ser do "popô iluminado do Hamilton" que proporciona isso... *Terra-planistas, corram aqui!*

► Para alegria geral da nação, George Russell fazia um belo resultado com o P12, tendo saído da última colocação. Seu desempenho na classificação foi bom: passou para o Q2 e fez o 15º tempo, porém, por ter acelerado durante bandeiras amarelas, ele foi punido com 5 posições.
Já seu parceiro, Nicholas Latifi foi o 15º na corrida e classificou-se no P20. Na largada, ele saiu do 18º lugar, beneficiado pelas punições de Kvyat e Russell.

► Em 13º, Sainz (já comentado), em 14º o primeiro carro da Alfa Romeo - o de Antonio Giovinazzi. Seu companheiro, o campeão mundial de 2007, Kimi Räikkönen, sofreu a corrida toda e terminou em 17º (e último, dado os abandonos).

► Latifi foi o décimo quinto e terminamos os classificados com - ainda ainda não comentado - Romain Grosjean, em 16º.

Abandonos: 

► Hulkenbeg, que nem largou, deixou o seu 13º lugar no grid, vago. Magnussen, logo nas primeiras voltas, por colisão com Albon, foi o primeiro a se retirar e o o segundo, por fim, foi o Kvyat.

A tal tabela da discórdia:

Contei acima apenas levando em conta os tempos de classificação. As punições não foram consideradas. O * em Stroll x Pérez, não foi acrescentado com Hulkenberg no lugar, pois, era um tanto óbvio que Lance se classificaria à frente e até, terminaria na corrida, à frente. Filho do dono, digamos.  Outro ponto era que, não dava para contar que ele retornasse depois no lugar de Pérez. Mesmo assim, o 13º lugar de Hulk foi notável, levando em conta que ele estava parado esse tempo todo. 
Mas para os tarados e taradas do placar, aqui vai: Stroll 1 x 0 Hulk.

Interessante (mas nem tanto) destaque: empate na Ferrari e na Haas e a ainda injustificada troca de Hulk por Ocon, na Renault... Está bem, parei.

Especificidades:

Piloto do dia: Lewis Hamilton da Mercedes. Sim, só por conta de um pneu furado.
Roteirizado para a Netflix? Que isso, nem parece...!

► Depois dessa corrida a classificação geral ficaram os cinco primeiros: 

Hamilton abriu 30 pontos em relação ao Bottas - somando 88 e 58 pontos, respectivamente. Em terceiro, Verstappen, com 52 pontos. Norris em quarto com 36 e Leclerc acabou subindo de sexto para quinto depois de conquistar o seu segundo pódio no ano, ficando com 33 pontos. 

No campeonato de construtores, a Mercedes ia à perder-se de vista: 146 pontos contra apenas 78 da Red Bull. Em terceiro, a McLaren, com 51. A Ferrari saltou para quarto com 43 pontos, e deixou cair a Racing Point, que ainda ficou encostadinha com 42.

Parece que foi eletrizante, mas na verdade foi ilusão... 

Não sei se dava para confiar que melhorasse. Spoiler? Só relembraremos o que rolou, daqui uns dias. 

Comentem o que quiserem! Abraços afáveis!!!

sábado, 9 de janeiro de 2021

Balanço da Temporada 2020 Fórmula 1 (parte III)

A última corrida da primeira tríade de GPs seguidos deixava explicito que boa parte dos fãs estavam bem satisfeitos com a sequencia de corridas. A ansiedade para assistir mais um fim de semana de carrinhos dando voltas em um circuito, era mínima em relação aos anos anteriores.
Maaaaaaas, isso não significava que os resultados delas estavam sendo satisfatórios.

Está bem, estavam para a maioria, mas não para mim. 
E na Hungria, isso ficou um tanto escancarado.

Foi neste circuito - vejam bem o terceiro do ano!! - que ficou claro que Lewis Hamilton seria hepta e a Mercedes, campeã no campeonato de construtores pela sétima vez seguida. 
"Compensava todo aquele esforço e sistematizações?", questionei. 
Claro que eu pesava que não, embora soubesse que não é sobre resultados excitantes e entretenimento puro e simples que a categoria almeja. 

A 90ª pole position de Lewis fez com que as minhas constatações prévias - brincando e dizendo a verdade ao mesmo tempo - sobre a F1 2020 ser a Fórmula Hamilton, fez com que eu risse sozinha ao escrever este texto aqui. Eu estava certa de novo!

Tradução: "Mesmo?" 

Mencionei no texto (relembrem no link) que Hamilton bateria os recordes do grande Michael Schumacher e que Valtteri Bottas não ofereceria perigo.
E então, passei a chamá-lo de heptacampeão, mas não sem criticar seu papo "sandbagging" e a sua insistência em cobrar posturas socio-políticas das autoridades da F1, das equipes e até, dos outros pilotos.

Avisei, lá no primeiro post sobre isso. Se não fizesse com firmeza ou decência, colocaria muita gente em uma situação desnecessária. Assim, foi sintomático que agora, o público leia certas atitudes de alguns pilotos como reações de extremistas, como se fossem "inimigos" da causa. Isso seria grave e até irresponsável. Afinal de contas, como figura pública, o Hamilton, querendo ou não, (e estando certo ou não) é formador de opinião. Por isso, era preciso saber muito bem o que estava fazendo, ter rigor e sensatez sobre isso.
Infelizmente, não parecia o caso. Parecia mais uma questão que ele achou interessante em agregar à sua personalidade e figura pública. 
Legítima, claro, mas ainda insuficiente em termos de luta e projeto de mudanças. 
Mais tarde, na Bélgica, a gente entenderia que a militância só dava as caras quando convinha. Pouquíssimo sacrifício em prol da causa, foi visto, durante a temporada toda. Mesmo assim, não faltaram em exaltar, sobretudo na mídia.

Não sou de me gabar, mas para fechar o assunto, acho que vale a pena o print do que escrevi lá no texto. Sigo pensando da mesma forma (cliquem na imagem):



Sobre a personalidade de Lewis, eu tentei explicar que ele sempre me pareceu blindado à críticas. Levantei um fato: quando Sebastian Vettel vencia muitas corridas, LH foi o primeiro a fazer duras críticas, a dizer que hegemonias entendiava os fãs. Nenhum jornalista ousou voltar essa frase para que ele comentasse hoje. 
Talvez nem precisassem fazer essa pergunta, já que ele teria o discurso pronto. De fato, entediava fãs, mas ele justificaria o trabalho duro da equipe, dele e do companheiro "moldado à capacho" e estaria tudo certo. 
Por isso, não é de se espantar que tenha sido o episódio da Hungria, a primeira corrida considerada sonolenta (não que as anteriores não tivessem os seus momentos chatos) da temporada.

Com uma pista molhada, Max Verstappen quase não largou, Bottas se perdeu na largada, Charles Leclerc também errou, Sebastian Vettel buscou a quarta colocação e os comissários distribuíram punições bobas à pilotos de fim de grid - Kimi Räikkönen, foi o primeiro, e depois da corrida ter acabado, os pilotos da Haas, Kevin Magnussen e Romain Grosjean tomaram outra.
E Hamilton não tardava em humilhar os concorrentes - no caso, o Lance Stroll que era o segundo (!!!!!) colocado. 

Com a volta 3, a pista estava em melhores condições. Os boxes lotaram de pilotos trocando os seus compostos por outros que não fossem o de chuva. Nesse momento, Carlos Sainz e Nicholas Latifi se tocaram, gerando uma punição para o piloto esterante da Williams. 
A Ferrari fazia lambança estratégica, mas com Vettel, teria um certo requinte de crueldade. 
A surpresa ficava com a Haas, que viria a ser punida depois por isso, estava no começo da fila de carros, pois os pilotos trocaram os pneus logo depois da largada.
Bottas sofria para se livrar de Stroll e eu acrescentei que Pérez ainda que fosse constante, não mostrava ser tão excelente e experiente como seria tachado, algumas corridas mais tarde, pela mídia. Ele errava e errou na largada do GP húngaro, mas isso, sequer pairava no ar.

Depois da volta 17, nada de mais acontecia na corrida.
Fora dela, abria-se espaço para o debate sobre talentos e capacidades. Logo na terceira corrida do ano se questionava a capacidade de Bottas de oferecer perigo ao Hamilton - e criticava-se mesmo sem saber se isso não é exatamente o que a Mercedes pretendia com ele, desde que pisou lá. 
Em contrapartida, muito se considerava que, com um motor bom, qualquer um conseguiria destaque, por mais "obtuso" que fosse. Esse era o caso de Lance Stroll. A "Mercedes Rosa" ou Racing Point tinha virado a novidade da temporada - com direito até à polêmica sobre os carros. 

Minimamente em condições iguais, esses "achismos" não atormentariam tanto... Se bem que... Minto, ser humano é dado à encher o saco. Sempre tem um grupo, do contra, apto a ficar menosprezando X e exaltando Y. Ainda mais em se tratando de esportes. Argumentações permaneceriam rasas e toscas, não adianta a lutar contra. 

Pensando no campeonato, sugeri que Bottas não tinha "peito" para bancar uma ameaça ainda que sutil em relação ao Hamilton e a Red Bull não teria chances, ainda que a equipe se esforçasse e Max fizesse um bom trabalho. Com isso, critiquei um pouco, a falta de ação de Alexander Albon. Partindo do pressuposto que todo mundo usa para falar mal do Bottas - refleti que Albon tinha o mesmo equipamento que Max (assim como Bottas tem - será? - o mesmo tipo de carro que Hamilton). 

Projetei ainda que a Racing Point não chegaria a lugar algum por não ter piloto à altura. Não, eu não gosto tanto assim do Sérgio Pérez. Acho que ele teve chances suficientes para mostrar valor na F1 e não fez nada que enchesse os olhos. Discordo mais ainda que tenha tido outra chance, e das boas, para 2021, mas isso é passível para um outro texto. Já adianto: pode ser que vocês verão que ele não é essa "coca-cola toda", e lembrarão de mim. Ou não... Vai saber?!

Critiquei, mais uma vez, a Ferrari, aos montes no texto da corrida. Parecia cansativo, ter que arrumar novos jeitos de falar o quão inaptos são. 
As McLarens, que haviam protagonizado bons lances nas corridas anteriores, fizeram corridas modestas.  
Para finalizar, sumiram com os carrinhos robôs que entregavam os troféus (já que houve críticas do "Blessed", será?) e puniram as duas Haas por uma regra que só lembraram dela, no fim da corrida. Era como chutar cachorro morto.

Satisfeita? Pelo texto, dá claramente para ver que eu não estava, e nem um pouco. Segue o link e o infográfico: 


Não mencionados na tabela acima:

► Sebastian Vettel ficou em sexto, tendo largado da quinta colocação e feito uma escolha mais sensata na troca de pneus do que os estrategistas.
Leclerc, que acatou a escolha da equipe, terminou fora da zona de pontuação, no 11º lugar. (Largou em sexto!)

► Em sétimo, Pérez, errou na largada e fez uma corrida de recuperação. Checo foi o quarto colocado do grid e poderia ter acompanhado Stroll de perto, mas não foi assim.

► Em oitavo, Daniel Ricciardo, largou da 11ª colocação. Esteban Ocon, seu companheiro da Renault, largou do P14 e terminou a corrida no P13.

► Em 9º, Kevin Magnussen - só que não! Com a punição de 10 segundos para os pilotos da Haas por "interferência da equipe nos resultados de pista durante a volta de formação, para troca de pneus" (patético, eu sei!), Kevin foi só o 10º, marcando 1 ponto para ele a Haas. Romain Gosjean terminou no P15 e depois ficou com a 16ª posição final.

► Em nono realmente, ficou Carlos Sainz Jr., tendo largado da mesma colocação. Seu parceiro Lando Norris terminou a corrida em 14º (e largou da 8ª posição). 

Não marcaram pontos:

► Em 11º - Leclerc, seguido de Daniil Kvyat da Alpha Tauri (classificou-se em 17º). 

► Ocon em 13º e Norris, em 14º (já mencionamos), seguido do primeiro carro da Alfa Romeo - o de Kimi Räikkönen, em 15º (ganhou uma posição, com a punição do Grosjean). Kimi largou da última colocação e tomou uma punição por ter "queimado a largada"...

► Grosjean foi 16º (largou da 18ª colocação), Antonio Giovinazzi ficou com o P17, (e largou do P19), não tinha muito o que fazer.

► George Russell e Latifi em suas Williams fechavam o grid em 18º e 19º respectivamente. Largaram das posições 12 e 15.

Abandonos:

► Apenas Pierre Gasly, na volta 16, com problemas no motor de sua Alpha Tauri, não terminou o GP húngaro.

Os famigerados placares:


► Hegemonia de Verstappen, Gasly e Russell sob os companheiros, Albon, Kvyat e Latifi.

► Nada de novo sob o sol: Hamiotn na frente de Bottas e Ricciardo na frente de Ocon. 

► Até aqui, Vettel vencia Leclerc, Norris vencia Sainz, e Stroll vencia Pérez. 

► No caso das duplas da Alfa Romeo e da Haas, parecia um ping-pong básico, alternando em classificações, um ou outro.

Especificidades:

Piloto do dia: Max Verstappen da Red Bull. O piloto holandês saiu da 7ª colocação, saiu da pista na volta de apresentação e superou o Bottas, que viria a ser o seu rival direito, na corrida. 
Tudo bem: foi merecido.

► Hamilton fez a 90ª pole position da carreira. 
Além disso, marcou a oitava vitória na Hungria, igualando-se ao Michael Schumacher que tem também 8 vitórias no mesmo circuito - o de Magny Cours, na França. Essa marca do Schumi foi conquistada em 2006.
Lewis ficou 66 das 70 voltas na liderança. As outras quatro, foi o Verstappen que segurou a ponta da fila quando LH foi trocar pneus. 
"Aiiiin, a F1 é competitiva sim..." 


Para já irmos finalizando:

Terceira corrida da temporada e Hamilton passou Bottas no campeonato: 63 pontos para ele e 58 para o finlandês. 
Verstappen subiu 3 posições, somando 33 pontos e ficando com a terceira colocação. 
Um vislumbre da temporada, lembram?
Com isso, Norris perdeu a terceira colocação, ciando para quarto e somando 26 pontos e apesar de Albon ter feiro um modesto quinto lugar, subiu para a quinta colocação geral, com 16 pontos somados.

A Mercedes, bem... abriu 66 pontos em relação à segunda colocada, que passou a ser a Red Bull. 
Bacaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaana...


Não vou prometer uma data para a próxima postagem para não descumprir com ela, sem querer. 
Mas em alguns dias, não mais do que 10 deles, estarei de volta.

Abraços afáveis e comentem o que quiserem!

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Balanço da temporada da F1 2020 (parte II)

Para quem não leu a primeira parte do balanço, cá está o link direto: cliquem aqui. Tenho procurado condensar cada GP sob o que escrevi daquele dia, com os dados em infográficos simples, mas que dão um certo trabalho para serem feitos.  
Confesso que usar a palavra "condensar" é mal colocada. Como podem ver, não consigo ser objetiva.

Como dizíamos, a Fórmula Hamilton-Mercedes 1 teve a sua estreia, finalmente, em julho de 2020. A primeira experiência no circuito austríaco tinha levantado algumas situações inviáveis: uma delas era o número de abandonos - por falhas nos carros. Foram 7 pilotos abandonando ao todo, até a volta 53,  e mais dois que completaram 67 e 69 voltas respectivamente e, apesar das falhas, ficaram classificados. Não se sabia se isso seria uma rotina, durante a temporada.

Outra, era o momento de pandemia. Regras que todos nós passamos a ter que cumprir, foram aplicadas com força no primeiro evento (e nos demais): o uso de máscaras obrigatório, higienizações de objetos com álcool e as mãos, com álcool em gel, além de exames preventivos antes de admitir as pessoas (desde membros da equipe até jornalistas autorizados) no paddock, e a distância de 2 metros para conversarem e darem entrevistas. Fatores importantes: houve a proibição de público e era necessário um programa de "bolhas" - estar o mínimo possível em lugares fechados com muita gente - isto é, voltar para casa entre um GP e outro deveria ser evitado.

Para facilitar esse último - as bolhas - o circuito de Spielberg receberia a F1 duas vezes, num fim de semana seguido do outro. Era 3,4 e 5 de julho para o GP da Áustria e depois o "GP de Estíria", nos dias 10, 11 e 12. Foram 4 dias de "folga" no mesmo local (em tese, claro) para outra disputa, no mesmo circuito. A sagacidade dos organizadores estava na mudança do nome, já que a proposta de grid invertido, nem foi sequer testada - até porque a Mercedes, foi contra. Boa coisa não viria do "repeteco".

Sob a desculpa de que o melhor carro deveria sempre largar na frente, aboliram a ideia que, apesar de soar boba, em uma temporada atípica, não custava nada tentar. Era só um jeito de tentar outras formas. Em todo, se o carro era bom, e seus pilotos são ótimos... Não tinha porque se preocuparem. Devia ser divertido.
Bem, um deles é considerado extraordinário, então, esse choro todo não tinha razão. Em cinco ou seis voltas, Lewis Hamilton estaria na zona de pontuação e antes de completarem 1/3 da corrida, estaria lutando pela vitória. Afinal, heptacampeão não teria o que temer e daria um novo sabor às vitórias ficando cada vez mais enfadonhas.

No entanto, a repetição da corrida, do mesmo jeito que foi no fim de semana anterior era a melhor medida para manter todo mundo isolado e menos propício à contágio. Mas teve piloto voltando para casa para estar com amigos e namoradas, sabendo que 4 dias não os matariam se não fizessem. 
Apesar da suposta irresponsabilidade de alguns deles, nada de grave aconteceu por conta disso, isto é, eles não se contaminaram e "provaram" que, tomando os devidos cuidados e seguindo os protocolos até mesmo na volta para casa, era possível se manter bem, desde que os convivas também respeitassem as medidas.

A mudança para o segundo GP da Áustria ficou por conta da natureza: Com uma chuva no sábado, a classificação deu indícios do retorno ao óbvio - pelo menos no que diz respeito a ser a Fórmula Hamilton.  Ele ressurgiu, depois de um fim de semana de muitos erros (e punições), fez questão de fazer a pole position e ver o companheiro ser apenas o quarto.
A pergunta que ficou era: como, de um sábado para o outro, Valtteri Bottas "perdeu a mão" completamente do circuito? Um mistério só respondido por aqueles que "sabem tudo"#sarcasmo.
Claro que o fator da chuva é uma justificativa razoável, porém, isso nem foi pauta - as análises feitas pela imprensa, nem passaram por esse ponto. 

Na Áustria, Hamilton parecia disperso na primeira semana. Na segunda, Lewis não queria que chovesse, pois estava "enfrentando dificuldades para se ajustar ao carro". Discurso manjado. Assim, a "rasgação de seda" para sua pole e vitórias, tiveram falas, comentários e matérias digno de gente dopada.
Com requintes de crueldade, havia ainda uma historieta de que a pintura preta da Mercedes, super aquecia o carro e isso era um fator problemático e preocupante.
Tudo balela. Faltou olhos para revirar tantas vezes que esses dois assuntos eram citados.

Max Verstappen fez uma excelente classificação e corrida. Trouxe a RBR para o holofote mesmo e como uma rival para as Mercedes. Ainda que soubéssemos apenas que ele seria rival direto de Bottas, ainda assim, é bom ver o Verstappen fazer algumas boas coisas na pista, apesar das ressalvas sobre ele, que aqui, não se aplicam, e creio que não irão, futuramente. 

Carlos Sainz trouxe a McLaren de volta ao protagonismo, mas seria  apenas na classificação. Logo, na corrida, pouco se ouviria falar dele.
Em contrapartida, seu companheiro, Lando Norris teve holofote novamente depois de uma boa corrida.

Sobre as Ferraris, a opinião pública deixou clara a preferência. Houve toque entre os dois pilotos da Scuderia na largada. No caso, Charles Leclerc reconheceu o erro e ficou tudo bem. No máximo, acrescentariam em matéria que era "incidente de corrida", nada de mais.
Fico realmente maravilhada quando essa expressão é usada. Em 90% dos casos, ela é unânime (como foi) quando um dos pilotos é queridinho demais para ser criticado. 

De todo modo, em uma semana, a relação de Sebastian Vettel com a sua (ex) equipe não era melhorada pelo chefe, Mattia Binotto. Em declarações podres que o pessoal da Ferrari sempre fez, Binotto bateu recordes e fez a primeira, das muitas que faria durante a temporada: "não houve culpado no incidente", disse.  
Ao menos a imprensa italiano fazia as duras críticas necessárias, deixando claro aos tifosi que o carro era mal nascido e não havia piloto "salvador". 

De um domingo ao outro, vimos uma corrida cheia de assuntos improváveis acontecerem, dando lugar para uma previsível e um tanto sem graça - porém, eram os traços o que seria a temporada em seu final.
De um domingo ao outro, caiu a ideia de que teríamos uma temporada competitiva, que haveria menos disparidades entre companheiros e etc.

Por aqui, passaram a se incomodar (sem a mínima da razão) com o narrador da Globo, Cleber Machado. Os profissionais insuportáveis de fato, já tinham a preferência do público, mas não a minha. A crítica ao Cleber também mostrava que, uma semana depois, a F1 tinha voltado à sua rotina, por isso, prestavam atenção à fatores irrelevantes - como narradores que estão visivelmente de "saco cheio" da falta de emoção que é a F1 atual. 

Com uma corrida resolvida nas primeiras metade, partimos para observar pilotos de meio de grid, sobretudo os pilotos jovens: aparentemente habilidosos e colocados como grandes promessas. O tempo dirá o que se tornarão mesmo. Ultimamente, toda promessa que chega para "arrasar quarteirão", só fica na premissa. Algumas carreiras são esfaceladas por pura politicagem ou investimento dos mimados. A questão é que, como a maioria dos casos que envolve a categoria máxima do automobilismo, o pessoal só comenta sobre essas coisas, quando convém - como por exemplo, quando um milionário compra uma vaga e deixa algum "queridinho" sem lugar.
É chover no molhado, sinceramente. Mas um dia, comento melhor sobre isso.

O GP de Estíria segue neste link (caso queiram reler).
Sem mais demora, vamos aos dados do segundo fim de semana na Áustria (basta clicarem para aumentar a imagem):


Outros que marcaram pontos: 

► Lando Norris, que classificou-se em sexto lugar, foi punido logo depois do qualifying por ultrapassar durante as bandeiras amarelas na primeira sessão de treinos. Foi punido com 3 posições, largando da nona colocação. Mesmo assim, fez uma boa corrida, finalizando-a em quinto. Nas duas corridas, somou 26 pontos ao todo, ocupando o terceiro lugar, na classificação da temporada.
Seu companheiro, fez apenas o novo tempo, como colocado no gráfico, ficando à uma volta do Hamilton. Com a volta rápida, Sainz marcou dois pontos, mais um. Na classificação geral, ficou em sétimo, com 13 pontos.
* Entre Norris e Sainz, são 13 pontos de diferença, até a corrida 2. *

► Sexto colocado foi Sérgio Pérez, que protagonizou junto com Norris, Stroll, Albon e Ricciardo, o momento mais eletrizante da corrida, no finzinho dela. Mas, ele sequer fez uma boa classificação: largou do 17º lugar. No fim do GP da Estíria, ficou quinto na classificação geral, subindo uma posição e com 16 pontos totais. 
Seu companheiro, Lance Stroll, fez o décimo terceiro tempo, e terminou em 7º. Na classificação geral, ficou em décimo, com apenas 6 pontos conseguidos nesse segundo GP. 
* Entre Pérez e Stroll, são 10 pontos de diferença, até a corrida 2. *

► Daniel Ricciardo classificou-se em nono, mas com a punição de Norris, ele acabou largando na posição em que chegou, em oitavo.
O outro piloto da Renault, Esteban Ocon retirou-se com 25 voltas completadas. Ele havia largado da quinta colocação. 
* Ambos nem estavam entre os 10 primeiros na classificação geral. 
Estavam empatados, com 4 pontos cada, até a corrida 2. *

► Por fim, Daniil Kvyat da Alpha Tauri, último da zona de pontuação, à uma volta atrás de Hamilton. O russo largou na posição 14 e com o décimo, marcou um ponto.
Pierre Gasly, no entanto, largou do P7 (classificou em oitavo, mas ganhou uma posição em relação à punição do Norris) e terminou no P15. Gasly é nono colocado na classificação geral, com 6 pontos.
* A diferença de pontos entre eles era de 5 pontos até aqui. *

Tivemos ainda:

► Um bom resultado para a Alfa Romeo, com o 11º lugar de Kimi Räikkönen. Kimi fez apenas o 16º tempo na classificação. Antonio Giovinazzi largou do 19º e chegou em 14º. 
*Apenas Gio tem pontos: 1, no primeiro GP do ano. * 

► Um bom resultado também para a dupla da Haas: Kevin Magnussen e Romain Grosjean foram 12º e 13º e largaram do P15 e P20 respectivamente. O resultado de Romain é ainda mais expressivo do que o de Magnussen, ainda que se faça pouco caso disso. 
* Os dois até então, não haviam pontuado. *

► No fundão, as Williams: George Russell largou da 12ª colocação, passou do Q1 e terminou em penúltimo - em 16º. Nicholas Latifi largou da 18ª colocação e terminou em último, em 17º.
A situação era tão feia da Williams que eles estavam à duas voltas do Hamilton.
* Ambos sem pontos, algo que não mudaria muito com a continuidade do campeonato. *

Não completaram ou abandonaram:

► Na largada, uma colisão entre os companheiros Leclerc e Vettel os tiraram da corrida - Vettel logo na primeira volta e Leclerc, 4 voltas depois. Largaram: Vettel em 10º e Leclerc em 14º. Na verdade, Charles ficou com o P11, mas levou uma punição, perdendo 3 posições por impedir a classificação de Kvyat. 
Ao que tudo indica, Leclerc tinha a estratégia (ou a instrução?) de tomar o lugar de Vettel o mais rápido possível. Não quero ser a chata, até porque pouca gente vai rotular assim, mas o monegasco ficou com um ar de "maníaco das primeiras curvas". ...
Com essa brincadeirinha afoita, Leclerc perdeu duas posições na classificação geral, ficando em quarto, com 18 pontos. Ainda assim, mais que Vettel, que tinha, até a segunda corrida do ano, apenas um ponto. 

► Ocon, que já foi comentado, não completou nem 1/3 da corrida.

O (ir)relevante placar de classificação:


► Na segunda corrida, Hamilton empatou com Bottas. Claro que não deixaria que a diferença entre eles ficasse escancarada. Jeitinhos foram dados, de qualquer forma.

► Na Red Bull, não havia outra possibilidade se não um 2 a 0 para Verstappen.
Num cenário possível de se imaginar, Gasly ganhava de Kvyat assim como Russell batia mais um companheiro de equipe; desta vez, Latifi. 

► Na McLaren, a coisa parecia clara e possível: mesmo com a saída de Sainz da equipe em 2021, não interferiam.
O mesmo se aplica à Renault. O empate até a segunda corrida, não mostrava ressentimento com a partida do Ricciardo. 
Não dá para dizer a mesma coisa da Ferrari. Quando Vettel empatou com Leclerc, previ que ia acontecer alguma "M" na corrida. E deu. 

► A Racing Point teve um empate, também mas parecia questão de tempo que Stroll superasse o "Checo"...
Na Alfa, as coisas soavam como um pra lá e um pra cá, mas isso ficou mais claro que era o caso da Haas. Peço que observem as próximas tabelas de placares dessa equipe ao longo das postagens de balanço: será um GP em que o Magnussen se classifica na frente, no outro, é o Grosjean, pelo menos, até o 10º GP do ano. Ficou parecendo de propósito, e se foi, foi um bonito companheirismo do "Romanussen".

Especifidades:

Piloto do dia: Sérgio Pérez, da Racing Point-Mercedes. Não escrevi nada da razão dessa escolha na postagem. Eu entrei no site e cliquei no Lando Norris, mas não sei porque raios, apareceu que tinha votado no Hamilton. Sei entender o que rolou, eu dei de ombros e não me importei com o resultado. Pérez deve ter ganhado a votação por conta das voltas finais do GP de Estíria.

► Por falar em Hamilton, esta foi a sua vitória de número 85. Com ela também, ele marcou mais 25 pontos, e subiu duas posições na classificação geral do campeonato. Em segundo lugar, ele tinha 37 pontos totais. Bottas, permanecia em primeiro, com 43 pontos. A diferença, dava indícios que o finlandês não tardava em ser tolhido: 6 miseráveis pontos separavam os dois.

► Lembra do "igual, mas diferente, mas ainda igual"? Pois é... Eis o campeonato de construtores! 
Segunda corrida da temporada e pelo menos uma Mercedes estava no pódio. Com duas corridas, a Mercedes somou 80 pontos. Em relação à segunda colocada - a McLaren - abriu uma diferença de 41 pontos.
E para ficar tudo previsível, na segunda corrida, tivemos a dobradinha perfeita - Hamilton e Bottas. Porque perfeita? Bem, Hamilton nunca é segundo com Bottas sendo vitorioso. Ser segundo significa que faltou pouco para vencer. Isso acontecia (pouco, mas acontecia) na era Nico Rosberg. Para Hamilton, isso era e ainda é inadmissível de voltar acontecer. Esses são os jeitinhos imperceptíveis  que são postos como falhas do finlandês. Há mais aí do que pressupõe a nossa vã filosofia...
Ah, está bem, é preciso deixar registrado: Foi a 54ª dobradinha da Mercedes na F1. 

Finalizo o post pedindo o feedback de vocês. É importante que me digam se está do agrado e comentem as suas ideias, depois que a temporada já acabou à cada parte que for levantando aqui.
A próxima postagem, sairá daqui à 6 dias e falará do GP da Hungria. 
Pelo tamanho do texto, parece que eu tive muito assunto...

Abraços afáveis!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Balanço da Temporada 2020 Fórmula 1 (parte I)

Eu prometi então, vou cumprir. Além disso, fiz uma enquete no Twitter e no Facebook. Ainda que um votante tenha escolhido a opção de não fazer o balanço da temporada, venceu a maioria. 
Cá estou, no dia 1 de janeiro fazendo análises da temporada 2020 da Fórmula Mercedes, digo Fórmula 1 começando com a parte I. 

Das 17 etapas que aconteceram nesse ano, aos atropelos de fins de semana, sem chance de fazer a galera que trabalha na categoria poder respirar e sem a gente ter um pouco mais de tempo para decantar as ideias. Tudo isso com direito a bolha e protocolo de segurança, houveram mais situações negativas do que positivas. Mas as tais positivas, se forem levadas à sério, podem ser alternativas benéficas para 2021 - o que, desculpem todos, acho improvável. 

Começamos com o primeiro GP na Áustria. 
Minha postagem sobre a confirmação da temporada previa o que seria a tônica - a militância e os discursos sobre direitos civis, para além do esporte (que de toda forma, teria o mesmo resultado comum). No texto, eu pontuei um pouco de como toda essa situação deveria transcorrer sem maiores problemas e até indiquei o que poderia ser feito sem que soasse como algo apenas promocional. Relendo o texto, percebi que sentar e pensar sobre certos tópicos não custou nada em fazer e de fato, tudo soou muito mais marketing que campanha. Link: F1 vai acontecer em 2020... Finalmente (?)

Sobre a primeira corrida na Áustria, duas coisas saltaram aos olhos: uma, eu realmente precisava reduzir o tamanho das minhas postagens e duas que confirmar certas premissas me deixa muito nariz empinado (risos).

Um sinal de que eu já estava achando que a mídia brasileira estava muito pior que em outros momentos (anteriores), sobretudo no que diz respeito em fazer análises e matérias relacionadas, esteve lá, naquele texto. Conjecturas fortes, com duas ou até três razões possíveis não foi feita em nenhuma situação da temporada por parte da mídia especializada. Tudo parecia muito simples para a maioria deles e delas. Ninguém foi razoável e, isso foi possível perceber ao longo dos meses e se confirmou, totalmente, com o fim da temporada, e ainda agora, com a offseason acontecendo. Não existe análise bacana no Brasil sobre F1; tudo é trivialmente falso, raso (e muitas vezes, as duas coisas juntas). Preocupante, mas não surpreendente. Basta olharmos as matérias feitas sobre outros assuntos e percebemos o quão patético está o nível jornalístico por aqui.

Não tenho a pretensão de dizer que aqui, vocês encontram o melhor conteúdo sobre o assunto. Mas podem acreditar que eu passo longe do que soa como "factual" para os que deveriam ter esse compromisso. Gosto de dar chance para aquilo que ninguém disse. E espeço para vocês palpitarem o que quiserem nos comentários, também. 

No texto sobre o GP de abertura deixei claro que não engoli fácil a história que montaram para justificar a dispensa de Sebastian Vettel da Ferrari, ainda que achasse primordial que ele se livrasse da equipe o quanto antes. Também quis saber porque achar supimpa a "ascensão" da Racing Point. Mais tarde, talvez eu entenderia (e agora, quero saber se esse "oba-oba" permanecerá com a mudança para Aston Martin...).

Quis, de alguma forma, mostrar que a minha opinião sobre competência é bem diferente da maioria. Competência é dada pela formação, enquanto obrigação é dada pelo sistema. 
No caso da F1, a Mercedes era colocada por muitos como a mais competente e por isso, "odiada". Eu entendia que, pelo sistema, a equipe era (e é) basicamente obrigada a entregar resultados incríveis. Em 2014 tiveram um carro vencedor, que foi fruto de 4 anos de muito trabalho até chegarem àquele ponto favorável e competitivo. Competência? Está bem. 
Depois deste ano, os ajustes para manter-se no topo era menor em relação às outras equipes. Passou a ser obrigação. 
Em contrapartida, o caso das demais equipes que sequer se aproximam da Mercedes (desde 2014) não deixa mesmo, nenhum outro adjetivo senão o rótulo de incompetentes.  
Eu sei, é confuso. Mas não sou fã de colocações simplistas. 

No texto também, escrevi que "Vettel teria um ano difícil". 
E teve. Aponto inclusive, todas as questões que fariam Charles Leclerc ser retratado na imprensa como um "milagreiro" com um carro muito ruim, enquanto Vettel teria todo o seu legado questionado e mostraria muitos sinais de fraqueza. 
E foi exatamente assim que o quadro foi pintado na imprensa - antes mesmo de acontecer. Percebem o quão problemático isso parece?

O primeiro GP levantou questões morais. Lewis Hamilton foi colocado em punições que, ao ver de muitos, eram injustas. As pessoas se esquecem (ou não conheceram) o Lewis do início de carreira. A memória volátil de alguns causa efeitos danosos para os novos fãs da categoria, aqueles que se interessaram pelo esporte graças à Netflix ou por alguma thread de Twitter. 
No mais, se esquecem que todos eles, erram ou erraram pra caramba. Mas porque não exaltar?

Além disso, havia o aspecto das campanhas "we race as one" e "end racism" que entraram na pauta para não saírem mais. E gerou controvérsias. No primeiro caso, não tão no começo. Mas o segundo... Tacharam os pilotos que não ajoelharam no hino, de "racistas" e até de "nazistas", mesmo sem saber o que tais termos implicam. A coisa ficou ainda mais desmedida ao longo da temporada. 
Lá no texto, não ficou claro, mas já tinha em mente que isso seria um problema grave e que Lewis teria de ter consciência do que estava fazendo, e muita firmeza, ou colocaria muita gente em maus lençóis, de graça.
Pena que bom senso não é o campo mais forte da atualidade. Vimos uma polarização bem ruim acontecer e sem sentido para o esporte que tanto gostamos. No entanto, era sintomático que isso acontecesse em 2020.

Na postagem, claro, falei da corrida em si, dei alguns "insights" do que estava por vir, reclamei um pouco do despreparo que parecia ser com os caras voltando às pistas sem muitos testes. A quantidade de DNF deixou isso parecer ser um grande problema para as próximas etapas. 
As quebras diminuíram ao longo da temporada, mas ainda acho que, com o pouco tempo para desenvolver carros, o trabalho exaustivo em blocos de três fins de semana seguidos, algumas situações teriam sido bem diferentes em condições normais, isto é, sem pandemia. 
Diferentes, porém iguais, ou seja, a hegemonia da Mercedes teria sido mais gritante. 

O saldo da abertura da temporada foi agridoce: enquanto o resultado final, mostrava uma F1 aparentemente mais competitiva, firme nas regras e tudo o mais, logo, tudo voltou ao corriqueiro, na mesma pista e uma semana depois. 
Apelidei as postagens de corrida de "Chapter", capítulo em português, pois estava convicta de que seria como as divisões de um livro. Preciso deixar claro que fiz isso sem pensar muito, mas acabou sendo providencial, afinal nem sempre o "introito" entrega a história. As vezes, o capítulo de introdução só te fisga para continuar devorando as demais páginas, e nem sempre, condiz com o conteúdo delas.

Leiam (se quiserem) no link Chapter 1 F1: GP da Áustria para captarem alguma coisa que passou despercebido. Verão que eu não sei ser objetiva nem à base de ameaças (risos).

Aqui, tentarei ser direta. Para cada GP então, apresentarei um infográfico com as primeiras colocações do grid e da corrida, mais as informações adicionais dos companheiros daqueles melhores classificados. Basta clicar nas imagens abaixo para lerem melhor.


Outros que marcaram pontos: 

► Sérgio Pérez, saiu do grid na sexta colocação, e terminou também no P6, marcando 8 pontos. O piloto da Racing Point Mercedes foi punido com 5 segundos acrescidos do tempo final por ter excedido a velocidade no pit lane. Seu companheiro, Lance Stroll foi o terceiro piloto a abandonar a corrida; largou em nono e completou 20 das 71 voltas.

► Pierre Gasly da Alpha Tauri foi o sétimo colocado, tendo largado da 12ª colocação. Marcou 6 pontos enquanto seu companheiro Daniil Kvyat largou em 13º e foi o último a retirar-se (pneus) com 69 voltas completadas, e no P12. 

► Da Renault veio o oitavo colocado da primeira corrida: Esteban Ocon largou do P14 e marcou os primeiros 4 pontos da equipe. Daniel Ricciardo foi o segundo DNF da corrida. Com problemas no motor, ele completou 17 voltas das 71. Largou em décimo.

► Por fim, Antonio Giovinazzi da Alfa Romeo-Ferrari marcou os 2 pontinhos iniciais da equipe, ficando em nono tendo largado do fundão do grid - ele saiu da 18ª colocação. 
Enquanto isso, Kimi Räikkönen, que largou da posição 19, foi o penúltimo a abandonar a corrida (pneus) com 53 voltas completadas. 

► No gráfico, já informamos o décimo colocado (Vettel). 

Tivemos ainda:

► Nicholas Latifi, estreante da Williams, em 11º, tendo largado em último.

► Alexander Albon (que largou da quarta colocação) teve um problema elétrico e ficou em 13º na classificação geral, por ter completado, ao menos 67 das 71 voltas finais. Daniil Kvyat também teve essa vantagem, ficando em 12º com as 69 voltas já mencionadas.

Abandonos: 
► O primeiro foi Verstappen, que estava em segundo, teve uma pane elétrica e abandonou na volta 11. 

► Mais tarde, Ricciardo e Stroll, que já comentamos. 

► Logo, Kevin Magnussen da Haas-Ferrari abandonou na volta 24 numa colisão com Ocon, provocando inclusive, a entrada do carro de segurança. Kevin largou da 16ª colocação. 
Mais adiante, seu companheiro Romain Grosjean abandonou por falhas no motor com 49 voltas completadas. Junto com ele, George Russell, da Williams, abandonava pelo mesmo motivo. O franco-suíço largou da 15ª e o inglês da 17ª colocação do grid.
E o Kimi, logo em seguida dos dois, completando apenas 53 voltas. 

Para quem gosta (eu acho totalmente subjetivo e não diz nada para mim), fiz uma tabela com os placares de classificação por dupla. E, ficaram assim, depois da primeira etapa:



Especificidades: 

Piloto do dia: Alexander Albon da Red Bull
Apesar de não ter completado a corrida, o toque com o Hamilton sensibilizou a galera. As vezes, é isso "significa" mais do que celebrações no pódio. 

► Hamilton tomou duas punições em duas situações diferentes em um só fim de semana. A primeira veio da classificação - perdeu três posições no grid por não diminuir a velocidade no Q3 em um trecho da pista que estava com bandeira amarela por conta de um incidente com Bottas.
Depois, ele teve outra na corrida: foi punido com cinco segundos em seu tempo final por causar uma colisão com  Albon na volta 64. 
Já era a segunda vez que ele se atracava com o piloto da Red Bull. A primeira foi no  GP do Brasil, em 2019 quando sentimos nostalgia ao lembrar como é Lewis defendendo posições de quem "não tem medo" de atacá-lo... Bons tempos!
Enfim... Com essas, Hamilton tomou pontos na superlicença. Mais tarde, perigaria ficar uma corrida fora pela quantidade de infrações cometidas. (... Mas, foi só sustinho, para variar!)

► Lando Norris foi o terceiro mais jovem piloto à subir no pódio, com 20 anos e 235 dias. Com aquele terceiro lugar, ele marcou direto 15 pontinhos para a McLaren. Ele também marcou a sua primeira volta rápida na categoria. (Seria a primeira de muitas?)

► Bottas voltou, pelo segundo ano seguido a começar liderando o campeonato, dando ares de estar mentalmente empenhado nisso. Desta vez, liderou a corrida de ponta a ponta, fazendo barba, cabelo e bigode (isto é, pole + largada + vitória). 
O tempo mostrou que é uma pena que ele possa ser extraordinário, mas as circunstâncias não permitem (nem permitirão) que ele demonstre isso - como veremos nas próximas postagens, sobre as outras corridas. (Adianto que, por mais que pareça, essa situação toda pode não ser totalmente culpa do finlandês de voz bonita...).

► O fato da Ferrari estar no pódio não indicou nada além de uma pitada de sorte e um trabalho totalmente voltado ao carro 16. Seria assim toda corrida que estivesse no calendário atípico. Não havia espaço para pensarem, depois de todo o 2019, que gastariam tempo ajustando tudo para que o segundo piloto tivesse chances de fazer boas corridas. Uma só questão estaria em jogo e era a confortabilidade do Leclerc e dentro das limitações, ele seria não seria prioridade: ele seria a ÚNICA prioridade. 
Assim, o carro número 5 experimentou apenas o que seria a tônica de toda a temporada: classificações ruins e um carro "inguiável", para sustentar a decisão feita antes da temporada começar - a sua dispensa. 
Os ditos dos dirigentes era que o carro seria moldado para o jeito do Vettel, portanto, a munição estava dada: A expressão "que faaaaaaase do Vettel" com uma boa dose de falsa piedade e risinhos bafados de chacota dos comentaristas irritaria até os surdos. 

Logo que o GP da Áustria terminou, uma notícia ficou para ser confirmada e foi. Fiz uma nota sobre isso quando decidi retomar os meus post de fotos com gifs engraçadinhos. 
A "questã" era o retorno do Fernando Alonso, na Renault, em 2021. Relendo a postagem, nem parecia eu escrevendo - devia estar inspirada naquele dia (mas não muito, rsrsrs...). Para quem quiser dar uma olhada, basta clicar aqui.

Sigo pensando a mesma coisa sobre o retorno de Fernando Alonso. Vai ser bom ter ele de volta. No meu mundo da fantasia, até pensei em algumas coisas bacanas que poderiam acontecer e eu ficaria bem interessada na próxima temporada. Sua presença estaria inclusa nessa expectativa. 
Mas vai ser uma decepção danada... Não o seu retorno, mas o que previa como sendo ideal para 2021. Quem sabe não conto o que é nas próximas postagens e vocês, não estarão mais de saco cheio dos meus textos gigantes? 

Acreditando não ser uma "falastrona abobalhada", fico por aqui, prometendo a próxima parte para logo. 

Abraços afáveis e que venha um bom 2021 para todos nós!!!!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Off Topic: Agradecimentos de fim de ano

Depois de uma grande decepção em 2017 e um momento muito ruim em 2018, decidi que não faria mais planos. Deixaria que tudo que fosse para acontecer na minha vida, fosse ao acaso. 
Meu plano era não ter planos; aproveitar oportunidades quando elas surgirem e principalmente: não criar expectativas com elas.
Em 2019, essa ideia, deu certo. Tive um emprego por um ano, fiz valer o salário que recebi e bem, investi em uma pós como se fosse uma nova "brusinha".
Passei no doutorado e 2020 poderia ser promissor, pelo menos em termos de estudos. Por isso, acabei caindo na tentação e feito alguns planos. 

Sim: 2020 foi um ano promissor em termos de estudos, mas não de emprego. De todo modo, há males que vieram para o bem: trabalhar com educação no meio da pandemia, não teria sido tarefa fácil. Sem contrato com uma escola, pude dedicar meu tempo à cursar créditos de disciplinas do doutorado sem que comprometesse os meus horários de trabalho. Pude ler textos e fazer trabalhos e ainda ter um restinho de tempo para outras atividades.
A pandemia garantiu mais outra vantagem: ainda que não fosse possível fazer as atividades acadêmicas do modo normal (ou seja, presencialmente), tive a chance de participar de eventos em outros estados e faculdades que, numa pós sem bolsa, teria sido muito mais complicado para me deslocar e estar presente. Com emprego então, eu nem cogitaria sequer me inscrever nas palestras online - só as aulas e as atividades delas tomavam bastante tempo do meus dias.

Além disso, com encontros acontecendo de forma online, comecei a participar de um grupo de estudos fora da minha universidade e conheci um pessoal muito bacana. As discussões das quais participei fez com que eu aprendesse muito e me sentisse muito feliz com a oportunidade de estar em contato com esse pessoal de uma forma que não posso descrever. 

A pandemia não foi um completo desastre, mas proporcionou frustrações pesadas. Nas relações interpessoais, por exemplo, algumas amizades se desgastaram ou simplesmente, desapareceram. Isso já vinha de antes: os partidarismos no nosso país, fez com que muita gente se tornasse um estranho, próximo do intolerável. Com a Covid-19 descobrimos um sem número de "convivas" completamente ignorantes ou simplesmente egoístas. Negacionistas, anti-vacinas, intolerantes, radicais religiosos, e claro, hipócritas, vieram dos dois lados: esquerdopatas se tornaram mais ridículos e conservadores, totalmente malucos. A que ponto chegamos...

Em contrapartida, através da busca do bem estar e boas notícias de quem quero o bem, fui recompensada: mensagens, pedidos de orações, carinho, e amizade não faltaram daqueles que, vieram para ficar. Uns vão, mas os que permanecem, são infinitamente mais importantes.

Em março, fui à um show que, a Manu de 11/12 anos teria ficado explodido de felicidade. Estive num dos shows dos Backstreet Boys no Brasil e foi divertidíssimo. Encontrei duas amigas "virtuais" lá e pude voltar a ser uma adolescente despreocupada com tudo por duas horas com danças e músicas que eram minha trilha sonora dessa fase da vida. 
Mas... perdi um show e dinheiro, já que investi num show do KISS, de despedida e foi cancelado numa das cidades que eu comprei o ingresso para ir.  O impasse se segue, já que nosso obtuso presidente decretou uma lei de calote que não pressupõe estorno. Infelizmente, é assim mesmo. Seja qual for o governo vigente, no Brasil o povo só se ferra. Assim, nada de novo no front.

Para meu aniversário de 33 anos eu iria pedir uma ajuda financeira dos familiares para comprar ingressos da F1. Eles iam chiar, mas estava na ponta da língua a resposta para a pergunta sobre "o que você quer?"
Era isso. A pessoa que tinha decidido não fazer planos, fez e o novo coronavírus tratou de me colocar nos eixos com um "aqui não, queridinha" logo em março, três meses antes do meu aniversário.  
Não creio que em 2021 será possível estar em Interlagos (e ver o Kimito na pista). Ainda que seja algo que quero muito, as pessoas não sabem o que pode estar por vir no ano que vem.

Cabe ainda dizer algo que, apesar de duro, é real: 2021 é incerto, em todas as dimensões. A única certeza que tenho é que vou para meu segundo ano de doutorado. Se vou com saúde, se vou ter a chance de vacina, se vou ter grana e um emprego, se vou conseguir chegar ao final dele bem e podendo agradecer por alguma coisinha... Não sei. Acho que é a primeira vez que um sentimento de insegurança misturado com medo, está batendo forte em mim. Tudo nebuloso, inclusive o futuro desse espaço. 

Em 2021 faço 13 anos que tenho essa página. Eu realmente não tenho mais tanto a dizer aqui que já não tenha sido dito e está cada dia mais complicado pensar sobre F1 e dar uns palpites por aqui. Os textos são gigantes e passo mais tempo pensando sobre as contradições dos fãs e da imprensa do que necessariamente sobre a categoria em si. 
Planejei novidades para 2020, mas não deu certo (ah, planos maledetos!) Uma delas foi querer contar com ajuda externa, montar um podcast, algo dinâmico e não restrito, que não foi possível em nenhum jeito que eu pensei. 
Sim, passou pela minha cabeça (de novo!) em abandonar o blog. Novamente, não é algo ainda que tenho certeza, mas não vou mentir que o desânimo é grande, visto que, são 13 anos, talvez 10 deles falando mais de F1 de qualquer outra coisa e bem... Vocês sabem a "porcaria" que é; e estão aqui ainda, as vezes deixando comentários e tudo o mais por uma consideração à minha pessoa - o que agradeço imensamente. 

Por isso, e tentando manter o clima mais ameno, prometo não fechar essa postagem tão para baixo! O que realmente importa e o que eu realmente desejo está no cartãozinho:


Abraços afáveis e fiquem bem!