quarta-feira, 18 de setembro de 2019

F1 2019: comentando manchetes

Durante as comemorações dos 90 anos da Ferrari, várias situações ocorreram. Uma delas não tive a oportunidade de comentar, mas aconteceu, lá na Piazza Duomo. Os "tifosi" chamavam pelo Kimi Räikkönen, enquanto o Felipe Massa dava entrevistas.
Há certas coisas que, não tem preço rsrsrsrsrs...



Só pude achar isso engraçado, pois do lado de cá, podíamos acompanhar o vídeo ao vivo pelo Facebook, sentadinhos no conforto de casa. Reparei que havia um petulante ser que volta e meia comentava no vídeo as palavras: "Hamilton" e "Mercedes".
Qual a necessidade dessa provocação? A falta de segurança de 'fanboys' é uma coisa lastimável, mesmo. Sempre à procura de uma "cutucada".

Nos dias seguintes à essa comemoração qualquer um de nós deve ter visto algo relacionado à Lewis Hamilton na Ferrari - fosse uma matéria em que ele dizia nem que sim nem que não, fosse uma foto dele com um macacão vermelho.
A tal foto inclusive, gerou alguns comentários nas redes de fãs e não fãs do inglês. Do último grupo, eu estava inclusa. Questionei a ida dele para a equipe. Porque sairia da sua "zoninha" de conforto? Não fazia sentido.

► Não sei também se a Ferrari iria querer Hamilton como um de seus. Não me lembro de nenhum piloto ter sido mais provocativo com os pilotos da Scuderia ou mesmo, de como eles lidam com as coisas na F1, do que Hamilton. Talvez tenha existido alguém que perturbasse, mas, recentemente, não tiveram contratações de tipos que foram pedra no sapato na equipe nesse sentido. 
Parecia insensato.
E deve ser mesmo, dadas essas duas manchetes:


Uma coisa é a gente "brincar" com a "máfia" italiana. Outra é falar sério, sobre possíveis problemas que enfrentariam caso tivessem a "justiça" a seu favor, como Toto e Hamilton indicaram em suas respectivas falas sobre o ambiente de Monza. Um choro desmedido e - me pareceu - interminável.

Toto Wolff se esquece que, especialmente neste ano, a FIA foi M(ercedes)IA em todas as decisões de punições que afetariam diretamente o resultado 100% positivo da equipe prateada. Quando surgiu uma possibilidade de não cortar a competição de uma só vez, se viram "injustiçados"(!!!!!) e encresparam. Nem foi assim tão prejudicial, dado a vantagem que ambos, tanto Hamilton quanto Valtteri Bottas garantiram no último GP.
Puderam achar ruim dessa vez, mas acharam super justo o que foi feito no Canadá, este ano. Também não chiaram quanto ao que ocorreu entre Max Verstappen e Charles Leclerc no GP da Áustria.

Seguindo o "chefinho" (ou o chefinho segue ele, tanto faz) veio o drama do Hamilton... Incompreendido, o cara critica as decisões, fez apelos contra o piloto da Ferrari e quer ser bem tratado pelos donos da casa?

Não que os torcedores estavam certos em vaiar, mas sejamos pragmáticos: os "tifosi" não são do tipo que pensam e colocam na balança as suas emoções. Se não gostam, quebram o pau. Se gostam, faltam lamber a pessoa amada.
Que Hamilton ignorasse esse extremismo da "platéia". Singapura estava próximo. É bem claro que vai ter vitória (com possível dobradinha da Mercedes), com discursos de "estou muito feliz, lutei muito para ter um fim de semana excelente, a equipe está de parabéns, pois viemos de um GP (sic) difícil..."


► E acham que teve fim toda essa "lenga-lenga"? Se você disse "não", você acertou amiguinho e amiguinha:


Só você pode ficar mudando de direção para se defender de ultrapassagens é?
Além disso, todos querem uma explicação da FIA por punições que sofreram.
Sebastian Vettel quis e foi atrás de uma reversão sobre a punição do Canadá. Deu com os burros n'água. Agora está atrás do Leclerc na tabela, rotulado como segundão, sendo criticado por uma parcela dos fãs como "fraco mentalmente", outra parcela como "fraco profissionalmente". 
O próprio Leclerc adoraria que explicassem para ele porque Verstappen não recebeu nem uma bandeira quadriculada na Áustria.
E o nosso amigo sorriso, Daniel Ricciardo em Paul Ricard? Vítima das regrinhas do uso do extra pista. 

Vivo escrevendo e peço desculpas pela repetição: as decisões sobre batalhas por posições na F1 (e outras) são seletivas e respeitam um critério que não está escrito no livrinho de regras. Depende do humor dos comissários, de quem está envolvido na batalha, de qual equipe é. Também há o quanto vai ter de choro depois, e o quanto vão ter que aguentar de reclamação.
Acham pouco? Acrescenta aí outro ponto de análise da FIA com relação às batalhas: como elas afetam na tabela de pontos.
Ora, dos citados acima, Daniel Ricciardo na ocasião do GP francês tinha marcado 16 pontos. Seu melhor resultado tinha sido um sexto lugar no GP anterior. Tanto fazia se punissem ou não. Aí valeu abrir o "pdf" de regras para dar uma consultada e aplicar a "notificação".
Nos casos de Vettel e Leclerc, valeu a premissa da tabela: evitando correr o risco de Sebastian criar asas para cima de Hamilton, a canetada se fez valer. As críticas choveram, não só dos ferraristas, então, eles não tardaram em deixar que Verstappen pudesse fazer seu espetáculo, no afã de se mostrarem justos e que deixam os caras livres para serem supremos. Ainda mais depois do tanto de gente que odiou o GP da França pela monotonia que foi.
Deixar os caras livres era uma estratégia boa para apagar a ideia de que estávamos diante de uma temporada muito chata, sem competição. Maquiou-se também, de outra forma, já que a liberdade também só foi possível pois na tabela não afetava os ponteiros, afetava os envolvidos: Hamilton ia para 197 pontos na ocasião, e Verstappen para 126. Entre eles havia Bottas com 166 pontos, quarenta a mais que Max. Leclerc mesmo, ia para 105. Em média, Max tinha 100 pontos e Leclerc 85 (esquecendo das voltas rápidas) antes do "incidente da disputa", e a primeira posição naquela corrida definia quem seria o terceiro colocado na tabela. Não tinha problema deixar livre, mesmo com a forçada do holandês para Leclerc usasse o extra pista. Não teve regrinhas marotas acionadas. Uma semana depois da França, já davam doce de graça para que achássemos que tinha alguma competição na temporada sim, e isso era maravilhoso.
Se os personagens fossem Hamilton e Bottas, duvido que estaria tudo tão solto.

Então, querido Hamilton, se você conseguir clareza e exatidão da FIA agora, nessa altura do campeonato, vai ser só para você ter mais facilidades nas conquistas. 
Afinal, LH é um piloto, senhores e senhoras, que não erra, é mentalmente equilibrado e é totalmente justo e limpo.



Sim, mesmo com todas as nossas opiniões sobre Bottas, o que dá para dizer é isso mesmo ele não consegue seguir o ritmo dos demais. 
A equipe está fazendo alguma coisa para reverter essa situação e melhorar as condições competitivas do segundo finlandês do grid? Não. 
O que podem estar fazendo - ainda que eu duvide - é o mínimo de ajustes para manter ele em condições de terminar corridas entre os cinco primeiros, pelo menos. Eles vão apertar as "porcas" se, por ventura, Verstappen retomar o protagonismo em disputas.
Depois das férias, ele teve duas corridas muito desfavoráveis e está incomodando pouco as Mercedes agora. Depois de Monza, e já com data (este fim de semana) e local (Singapura), Max passou a ser problema da Ferrari. Com a segunda vitória de Leclerc, ele soma 182 pontos e o garoto não só passou Vettel na tabela como está à 3 pontos do holandês, ameaçando a sua terceira colocação.

Inclusive, se conheço bem a Ferrari, é exatamente nisso que focarão para Singapura: manter Leclerc à frente de Verstappen. Pensarão pequeno e não se importarão com a possibilidade da Mercedes ser hegemônica nesse circuito. Talvez seja até bom, pensar numa coisa de cada vez, já que essa pista deixou marcas profundas nos estrategistas da Ferrari...


► Depois de uma semana de reclamação, a "falsiane" deu as caras:


Reparem que eu coloquei acima, um pouco antes da reportagem sobre o Bottas, que Hamilton ainda chorava sobre a medida tomada pela FIA em relação a disputa com Leclerc em Monza.
Uma semana depois ele decidiu ser marqueteiro e falar que gosta de disputas.
Se gostasse, não reclamava tanto...


Na reportagem, ele diz que se vierem fortes para cima das Mercedes, seria ótimo, e que torcia para que houvesse competitividade entre eles, as Red Bulls e as Ferraris. 
É hora de decidir: ou quer que as disputas aconteçam para poder mostrar seu real valor, e com isso, calar umas boquinhas grandes que temos por aí, (inclusive a minha) ou prefere que a FIA aja com as punições (bestas) para conseguir suas facilidades já consumadas. Decida-se!

Fica a questão: seria LH forte mentalmente, porém bipolar?


► Todos tiveram opiniões, sobre Sebastian Vettel. Poucos foram melhores nas suas falas do que Juan "Pablito" Montoya. Selecionei alguns pitacos e vamos por partes, como Jack Estripador.


O momento só é difícil, pois Vettel é um grande nome no automobilismo, quer queira ou não. 
Na reportagem Ross Brawn analisa tudo que envolve Vettel, esse ano até o seu ato em Monza. Sua opinião recai na ideia que está na boca de muitos: o alemão não está sabendo lidar com um companheiro mais novo e mais forte, já que seu erro final teve exatamente um reflexo contrário na pele de Leclerc.

Brawn está certo em apontar que não será fácil reconstruir a confiança?
Só o tempo dirá.
Mas Ross tem um certo conhecimento de causa que nos falta: ele foi ex chefe da Ferrari, e portanto sabe como as coisas funcionam lá dentro. Talvez seja por isso que a sua conclusão sobre o alemão seja essa e não outra, do tipo que incentiva a recolher os pedaços, se refazer e deixar claro que acredita que Seb seja capaz disso, como Toto Wolff acabou (involuntariamente) fazendo.


Não gosto da figura de Toto Wollf. Muitas vezes se mostra falso e é sucinto sobre assuntos que não lhe apraz. Mesmo assim ele colocou a cara para fora da moita quando perguntado sobre a situação na qual Vettel se colocou depois do GP italiano.
Ao contrário de alguns "carniceiros" de plantão, Toto foi justo: disse que não é hora de descartarem Vettel, alertou para o número de títulos que ele possui e disse que nomes assim se reerguem. Monza havia sido apenas um dia ruim de Sebastian.
Claro que Toto está sob a carne seca, com seu piloto favorito tranquilo e saltitante. Porém, não perderia nada se criticasse como outros fizeram, sem dó, alertando inclusive que, por Vettel ser tetra campeão, não poderia se abater mentalmente por um novato ainda verde na carreira e blábláblá...

Mas o melhor de todos dando pitacos sobre Vettel, deixei propositalmente para agora.


Escapando da onda, Montoya não montou discursos sobre a dificuldade de Seb ser piloto da Ferrari, superado por um companheiro recém chegado. Montoya sabe, mais do que nós como as coisas funcionam internamente na Ferrari. Não tanto quanto Ross Brawn, mas sabe.
Montoya também não fez críticas à questão mental do profissional Vettel. Nem trouxe 2014 na memória dos detratores. Também não fez elogios. Foi direto num ponto que ninguém especulou e me parece o mais certo até agora: os problemas de Vettel são técnicos.

Até o GP da França, Vettel levava o campeonato praticamente sem erros, Leclerc nem tanto. A partir do GP francês a Ferrari decidiu sacrificar a estabilidade da parte traseira para melhorar a aderência na parte dianteira do carro. Os ajustes, as soluções encontradas para o SF90 pode ter desestabilizado o conceito do carro em relação ao estilo de pilotagem de Vettel. 
Sob essa perspectiva, se Leclerc estava enfrentando dificuldades, talvez ainda com o ajuste, sobressaiu por ter tido tempo e alguém acompanhando de perto para que, depois do GP francês, cometesse menos erros (salvo Alemanha) e foi se adaptando mais e melhor ao carro. Pode ser então que durante o período de férias, ele tenha se encontrado com o seu SF90 e agora a lua de mel esteja à todo vapor.

Os problemas de Vettel são técnicos, e em se tratando do clima que é trabalhar para a Ferrari, existe a pressão enorme que é não estar entregando os resultados positivos "para ontem" que tanto se faz presente na rotina de quem trabalha na equipe.

Kimi é um piloto diferenciado. Não é dado a estrelismos, bebe entre um GP e outro e pouco se lixa para a politicagem da categoria. Mas peguem as duas passagens dele pela Scuderia.
Na primeira, venceu em 2007, selando o último título da equipe. No ano seguinte, no máximo contribuiu para que a equipe ganhasse o campeonato de construtores. Em 2009, passou uns bocados. Foi chamado de desmotivado pela torcida. A Ferrari precisava vagar um dos seus cockpits para ter Fernando Alonso. Com um acidente (feio) de Massa, Kimi foi a alternativa. Recebeu uma bolada para sair da equipe e foi considerado mercenário. Ficou sem uma vaga em equipe competitiva em 2010 e 2011.
Voltou para a F1, numa Lotus. Fechou o ano, em terceiro lugar, fazendo uma temporada absurda. O 2013 não foi grandioso como o anterior, mas muito próximo do resultado bom, mesmo com uma Lotus meio capenga. Voltou à Ferrari e teve um 2014 ridículo, ficando em 12º na colocação geral e sendo companheiro de Alonso, em seu último ano na equipe. O sexto lugar do espanhol indicava o quão ruim era o carro da Ferrari naquele ano.
O ano péssimo, não voltaria a se repetir, mas também não haveria muito do que contar vantagem, salvo o 2018, em que foi o terceiro na colocação geral. O último ano de Kimi na Ferrari foi embalado pelo coro dos pedidos de aposentadoria. Assinou com a Sauber (que virou Alfa Romeo) e juro que li um pessoal achando mais prudente que dessem mais uma chance para Marcus Ericsson e não para o "velho Kimi".


Hoje, ele retomou a fama de ser um "pilotaço": marcou pontos em 8 das 14 corridas, e garante 31 pontos dos 34 da Alfa Romeo. Mesmo o Homem de Gelo é outro cara quando a administração da Ferrari fica menos em cima dele, cobrando e exigindo.
O que Vettel precisa nesse momento é isso. Relaxar quanto as cobranças, por mais difícil que seja, e sentar com mecânicos e equipe de estrategistas para estudar formas de ser mais consistente e ter o carro como aliado e não como inimigo. Ajudaria se os "seca pimenteiras" esquecessem um pouco dele.
Como dizem por aí: "se não vai ajudar, também não atrapalha".

► Parece que as pragas brasileiras à qualquer esportista alemão por conta do 7 x 1 de 2014 chegou também à F1. Não só Vettel, mas Nico Hulkenberg também está "precisado" de uns banhos de sal grosso.
Vamos olhar algumas notícias que envolveram o moço?


Poxa Prost, tá de sacanagem? Pessimismo não nasce do nada não, meu querido! Se Nico contestou algumas coisas da equipe cabia a quem está na gerência da equipe, o senhor, por exemplo, sentar com ele e tentar ver a melhor forma para que ele não agisse com tanta negatividade. E no mais, isso nem é um problema. Visto daqui de fora, parece que não há muito o que se motivar pela Renault.
Penso que, provavelmente fizeram com o Hulk o que se faz em muitos lugares para deixar ele no ápice de sua desmotivação e revolta pessimista: devem ter comparado ele com o Ricciardo, mandado ele fazer algo que na visão dele, não daria certo e desconfiaram de sua própria experiência enquanto piloto. Quer que o cara fique modo Pollyanna como?

Não que eu torça contra, mas Esteba Ocon pode ser uma "draga" na Renault em 2020. Depois de Interlagos 2018, não tenho nenhuma simpatia pelo "cara de doninha"...




Ó outro que está de sacanagem, né, senhor Steiner?
Nada contra Romain Grosjean, mas infelizmente ele não está rendendo. Talvez seja hora de se achar em outra categoria, procurar um lugar seja mais propício. Optar pelo Hulk me leva a acreditar que a Haas tem a ganhar um pouco mais.

Se bem que, mesmo que no texto da matéria, as reticências sobre a contratação paira em termos financeiros e questões de aptidões, a  indecisão só se justificaria pelo fato emocional.
Kevin Magnussen como companheiro de Hulk pode retratar a briga interna mais pesada já vista na F1 nos últimos 10 anos. O "Pessimista" contra o "Suck my Balls".


►Afinal, quem é Charles Leclerc na boca do povo?

Fazendo um pequeno ibope no paddock e entre os ex pilotos temos uma complicação no que se refere a Leclerc pessoa/piloto (já que uma coisa não está nunca dissociada da outra, vamos usar a barra).

Vamos à algumas falas desse pessoal:


Falou uma das figuras mais sisudas do grid. No começo eu acreditava fielmente que Bottas era casca grossa. Hoje, vejo que nem tanto. 
Mas a manchete não faz jus ao conteúdo que Bottas abordou. Ele mostrou o quão bacana foi ver a força de ganhar outra corrida por parte do Leclerc.
E foi bacana mesmo. Embora não acho que isso tenha relação com a idade, acredito mais que seja pela trajetória e busca insistente de realizar sonhos que faz, todos eles que são muito talentosos, começar a colher os frutos de seus esforços. 

Mas nem tudo foi só elogios ao monegasco gracinha...


Jean Todt, além de presidente da FIA, já foi chefe da Ferrari. Assim como Ross Brawn parte desse comentário sobre Leclerc é algo já aguardado. A questão é que Todt não é do tipo que dá palpites sempre. Por vezes, pode nem ser muito consultado, mas o elogio assim destacado se deve pela sua posição no meio automobilístico
Essa posição também carrega outro tipo de desconfiança para com o elogio ao Leclerc. É também notório que, ele conheça o garoto mais do que qualquer outro: seu filho, Nicolas Todt, é empresário de Charles.

Já Gerard Berger não aparece muito nas notícias. Questiono até as razões dessa aparição para falar do menino Leclerc. O destaque certamente foi dado pela mídia especializada pois ele não indica elogios fofinhos. 
Nessa vou precisar da ajuda dos universitários: nunca soube de Berger ser meio "bocudo". Se já foi, alguma vez, que me alertem para isso, pois desconheço.

Sei das peripécias comentadas por Jacques Villeneuve e que discordo dele em quase 95% dos casos. Dessa vez, ele o canadense usou as palavras em defesa de Hamilton e disse o que eu achei que sfoi feito sim, mas de forma muito sutil: que Leclerc teria mudado de linha várias vezes para se defender de ataques. Mas, Villeneuve fala, a gente fica sabendo e critica. Mas as nossas opiniões sobre o assunto, muitas vezes, seguem sem alteração.

Agora, tenho outro para a listinha do "só fala porcaria": Nico Rosberg - aparentemente, elogiou Charles, mas claro, sendo este companheiro de Vettel, Nico não desperdiçaria outra oportunidade para comentários depreciativos sobre o compatriota.

Mas Berger ser assim, pimpão dos comentários, pode ser novidade. Ou não?

Achei ele muito abrutalhado para falar que, mesmo com aqueles olhinhos lânguidos e carinha de bom moço, que Leclerc tem instinto assassino. Se fosse Verstappen, até entenderia, mas também não sei se usaria esses termos.
Logo ele mostra uma visão completamente diferente de tudo: Vettel é que seria o bonzinho demais, enquanto as aparências poderiam depor o contrário.

Eis então algo que venho teclando repetidamente nas minhas postagens recentes: a percepção sobre pilotos na F1 varia muito. Procuramos uma lógica universal para tratarmos de nossa empatia e torcida que não existe. A maré toca em direção à genialidade e força de Charles Leclerc pois, como já dito no post passado, o piloto é analisado sempre à luz de seu último resultado. Não demora e Leclerc tem uma corrida ruim, deixando reativar as lembranças de seus erros e sobretudo, algumas críticas.

► Para finalizar, mais duas manchetes, sendo a primeira a seguir:


Mattia Binotto não me inspira confiança. Fez com que eu sentisse falta de Maurizio Arrivabene. A declaração de Binotto, logo após a auto promoção de Max, escancarou toda a incapacidade da Ferrari em trabalhar com uma dupla de pilotos forte de fato. 
Preciso agradecer Verstappen por ter se oferecido para ser companheiro de Leclerc. Dizer que não seria ruim a parceria incitou várias coisas, mas a pior delas, teve consequências graves. Pensando na possibilidade de ter uma dupla como Charles e Max, Binotto deixou claro as reais intenções da Ferrari após o GP da Itália: Farão com que Sebastian Vettel vire um Rubens Barrichello ou pior, um Felipe Massa na equipe. Reduzirão o alemão à um mero escudeiro para conseguir trabalhar em cima da evolução de Leclerc. 
Está errado? Talvez não. Mas se esse era o plano, o que precisava era saber a hora de se fazer isso. Está errado manter um tetra campeão na equipe para esse tipo de humilhação. Dali, Vettel não recupera nunca mais a sua credibilidade enquanto profissional. E assim, Ross Brawn estava certo.
Mais errado ainda esteve Binotto ao declarar da forma que declarou. Reparem:

“Cheguei à Ferrari na época de Schumacher, quando Barrichello ou Massa estavam ao seu lado"."Creio que deveríamos ter um grande primeiro piloto e outro que possa ganhar corridas e somar pontos. Algo como Hamilton e Bottas. Dois pilotos como Max e Charles juntos criariam dificuldades para a gestão da equipe”.

Em quatro, aparentemente frases, temos as reações mais graves de todas que comentei aqui, hoje:

* A Ferrari precisa de UM grande piloto e outro para ganhar corridas e somar pontos? Bem, o grande piloto então não precisa ganhar muitas corridas e somar muitos pontos para ter prioridades na equipe. Basta ser aquele que eles querem num momento X para assim considerá-lo.

* Diante disso: Charles é o grande piloto e Sebastian - como disse Rosberg - virou um Barrichello. Tal situação é realmente péssima considerando que Seb ainda tem contrato e compromissos com a equipe. É falta de prestígio que fala?

* Acrescentando um pouco mais, se for necessário reduzir um dos seus pilotos - fortes - a um Zé Ruela insignificante, farão (como já fizeram) sem pestanejar. Péssimo também. Max nem deveria ter pedido para fazer par com Leclerc num ambiente apodrecido destes. Charles já está corrompido, e não podemos mais salvá-lo.

* Projetam o objetivo da equipe (que não é novata no ramo) justo na equipe rival - "Algo como Hamilton e Bottas" - para saber como gerir a disputa interna entre seus pilotos. Ridículo!

* Com isso, Binotto acabou também "revelando" que, por mais que tente, Bottas é o capacho do Hamilton e considerou que o finlandês da Mercedes é o piloto básico para ter umas vitórias e alguns pontinhos. Contratasse ele, então, queridão!

* Dá para começar a concluir que já podemos ir no cartório e registrar que o pessoal da Ferrari não sabem e não podem ter um "dream team" a seu dispor. Esquecem de sua "história", não sabem refazer a receita Schumacher + piloto mediano e desde a aposentadoria do homem, eles se apaixonam por um grande piloto com a mesma rapidez que o abandonam à esmo.

A reportagem acima (e outras matérias) casam com a última manchete desse post:


Na real, ninguém aguenta mais outro campeonato vencido por pilotos da Mercedes. O nome de Lewis Hamilton já não trás empolgação. E o reflexo está aí: quando apareceu a disputa entre dois nomes "não populares" até os pedreiros que estavam fazendo umas reformas na minha casa, comentaram entre eles sobre o "pega" entre Leclerc e Verstappen no GP da Áustria. Eles estavam trabalhando aqui, desde antes do GP da França. Nunca houve comentários sobre F1 nas conversas deles, até que os dois pilotos movimentaram uma das melhores corridas da temporada. 
A F1 prestou atenção nisso e parece que por agora, não temos mais corridas muito mornas. O protagonismo de Hamilton está ficando apagado apesar de seu carro super potente e sua presença nos pódios. Ainda não está 100%. Quando olhamos para a tabela percebemos ainda que falta muito para ter um equilíbrio.
Sinto dizer que LH não está com essa bola toda mais não. Talvez não seja só Monza um lugar em que ele não seja um querido.
Se Leclerc e Verstappen estão trazendo as pessoas de volta para as corridas, porque insistir na falta de equilíbrio que está o campeonato atual? Ninguém quer começar a ver a corrida 1 da temporada sabendo qual o campeão com sobras e antecipado. Está claro agora, ou querem que eu desenhe?

Para fechar de vez, temos mais um ponto para complementar com a fala do Mattia Binotto que destaquei alguns parágrafos antes.

* A Ferrari tem vários problemas. Um deles, de se acharem tão espertos que não fazem um carro arrebatador há muito mais do que 10 anos. O outro, é que são incompetentes em termos estratégicos e de gerência interna, ou não pensariam Max e Charles criaria dificuldades. São burros, pois não entendem que dois pilotos fortes, mas domados para se respeitarem diante das adversidades e competição, seria uma arma que as rivais imediatas Mercedes e - em menor escala - a Red Bull, não têm. Além disso, garantiria um grande show e imprevisibilidade para quem acompanha cada corrida. Todo mundo ganha nisso aí!

* Por fim - e não menos importante - a Ferrari não liga para o espetáculo, para o que o fã torcedor quer. Agem pior que a Mercedes, pois a equipe prateada, ainda que também não estejam ligando para o espetáculo, seguem ganhando muito dinheiro, podendo produzir  um carro imbatível para continuar ganhando tudo e ganhando muito mais dinheiro para o ano seguinte, e no ano seguinte e no ano seguinte...

Fico por aqui com esse post gigantesco. Possivelmente - a não ser que ocorra uma grande novidade - esse é o post "pré" Singapura. No mais, na segunda-feira retorno com uma surpresa para a coluna da corrida. Aguardem! 
Abraços afáveis e se cuidem!

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

F1 2019: ... E não é que perguntaram sobre Baku 2017?

Se você aí não leu meu texto anterior tenho más notícias. Divaguei na quinta-feira sobre um assunto e acabei me enrolando um pouco na exposição. A outra má notícia é que, se esse texto mencionado foi longo, esse aqui pode ser também. Mas vou aliviar o lado de vocês leitores: vou tentar ser direta.

No texto anterior eu quis retomar uma discussão sobre a validade dos títulos de Sebastian Vettel. Usei alguns outros pilotos para tentar conduzir uma lógica. Em meio ao texto mencionei um caso: o GP da Malásia 2013. Ali a relação entre Vettel e Webber soltaram mais algumas faíscas e esta situação depois tinha sido revelada como uma vingança fruto de farpas antigas.

Como escrevi, divaguei um pouco e em meio ao texto, caminhei para a conclusão citando outro evento: GP do Azerbaidjão 2017. Arrisquei deixar claro que, se alguém lembrasse da corrida em Baku há dois anos, eu teria uma resposta preparada.
O meu fornecedor de pauta, Diogo tratou de não me fazer esquecer disso, rsrsrsrs...


Então, vamos lá!
Havia relido a minha postagem de Baku 2017 nesta semana para o texto publicado na quinta-feira. Para variar, é um texto grande. Mesmo assim, apesar de um monte de erros ortográficos e de concordância (o que é vergonhoso) o texto se assemelhou em conteúdo ao que fomentou o comentário acima.
Relembrando o caso de Baku: Vettel atingiu Hamilton na traseira após uma freada do inglês mais lento por estar acompanhando um Safety Car. Raivoso, Vettel botou o carro de lado e deu uma jogadinha lateral em Hamilton, gesticulando nervoso. 
Uma barbeiragem. De ambos. Depois de uma curva, Hamilton deu uma paradinha e Vettel achou que ele se preparava para o alinhamento. Acertou a traseira dele por conta de uma reação afoita provocada por uma manobra indevida de Hamilton. 
O problema foi Vettel se exaltar, colocar o carro de lado e, como se desse um tapinha de aviso, jogou o carro sob o inglês.
Uma cena lastimável que acabou ligando o botão da crítica nos internautas e os comissários já vieram com seus apitos de advertência e punição.

No texto em 2017 mencionei essa dicotomia da F1: o cara bom e o cara mau que persegue toda temporada que acompanhamos. Nem é preciso dizer quem foi o cara mau ali: Sebastian Vettel. Considerado mimado, estava enfrentando duras críticas até de ex pilotos da categoria. 
Desde de possivelmente 2014, ele estava experimentando novos rótulos, grande parte deles depreciativos. 
Ou seja, não está sendo novidade para ele. Chegamos ao ápice dessas críticas, afinal, desde então, ele só conquista algumas poles e vitórias, mas perdeu pelo menos 3 campeonatos. Agora, ele está derrubado, atormentado e conta sempre com alguém já experiente nesse tipo de ataque, para lhe passar a rasteira quando nem ao menos ele arrumou forças para se reerguer.
O golpe final? Tem nome, e endereço: a própria FIA no GP do Canadá, este ano.
A resposta para Baku de 2017 é essa: não foi erro Vettel bater depois do erro de Hamilton. O erro dele foi reagir de forma puramente humana: se está errado, ele apela. 
Ou, apelava. Depois de Monza ele mesmo erra, e se desculpa com quem prejudica.

Sebastian tem uma carreira repleta de vitórias e feitos. Enfrenta o pior momento da carreira. Alguns dizem ser este o último momento, já que ele não dá sinais de melhora e parece entregar os pontos. 
Mas o que conquistou lhe pertence, é seu mérito. Nada anula os feitos, pois sua história está consolidada. 

Em 2014, ele experimentou o começo dessa reação negativa com ele. Tornou-se - de forma muito injusta - "o tetra campeão que só conquistou os títulos porque tinha o melhor carro".
E então ele assinou com a Ferrari e pode voltar às glórias de vencer corridas, ser figura fundamental numa equipe. Mas não o suficiente para mais gente considerá-lo forte ou deixar de questionar seu talento.

Como vi no perfil do Twitter chamado "Contos da Fórmula 1", todo piloto de F1 é julgado pelo seu último resultado. E não há melhor colocação se não essa, pois se encaixa tanto para as críticas, quanto para os elogios. 
Observem comigo: Poucos de nós agora ousaria criticar Charles Leclerc seja pelo mínimo errinho que possa ter cometido. Estamos apaixonados, quase na mesma medida que os italianos/ferraristas. A gente se deixa levar por isso, claro, pois nos caracteriza como fãs de automobilismo. Alguns de nós ponderamos essa emoção para não sermos injustos, mas nem todos - como disse no texto anterior - consegue ver os dois lados e buscar o equilíbrio das suas opiniões. 

Na mesma medida, com a fase dominante de Hamilton, pouca gente ousa destacar que ele também já cometeu erros, que teve uma espécie de hiato na carreira logo após o seu primeiro título. E, olha só que inusitado!!! Demonstrou fraqueza em 2016. É dominante hoje graças a "acordada" que teve logo depois de perder para Nico Rosberg, um piloto médio como muitos outros. Nico acabou contribuindo para que Hamilton apareça para todos como "forte mentalmente", inclusive para diminuir os companheiros numa briga interna. Jenson Button havia deixado a dica: para desestabilizar Hamilton os companheiro deviam mostrar firmeza na disputa com ele, dentro da equipe. 

Quando ele entrou no campeonato de 2016, entrou confortável, se achando poderoso a ponto de fazer o mínimo e ainda estar no topo. Quase conseguiu, mas perdeu. Isso o deixou "mordido". Assim como tantos outros - inclusive o "arrogante" Fernando Alonso - ele se acha melhor que todo o resto. Não a toa, hoje, mediante qualquer crítica do ex companheiro de Mercedes em seu canal, Lewis devolve comentários contrariados e até mesmo com um certo rancor.
Além dessa pequena contribuição de Rosberg - de fazê-lo forte mentalmente - a Mercedes cuida para que o companheiro de Lewis na equipe não possa ser alguém com segurança de si, para evitar que ele novamente, perca a compostura. Sim, com o mínimo de adversidade que encontra ao buscar conquistar vitórias, ele "solta os cachorros". 

Um exemplo recente é a própria reação dele, ao se ver "preso" atrás de Leclerc em Monza, domingo passado. Sobrou para a FIA, para a torcida italiana (reclamando de ser sempre vaiado no circuito) e cessaram os "elogios" que ele direcionava à Charles. Não vejo a hora do hexacampeão experimentar as críticas negativas depois de ler coisas como essas abaixo:


No GP de 2017, no circuito de Baku ele também declarou coisas bem medíocres para quem é "forte mentalmente". Terminou a corrida em quinto e Vettel, punido, acabou ficando em quarto. Diante disso, o inglês, inclusive, colocou uma proposta de briga de "homem" com Vettel. As declarações eram até risíveis, como dá para conferir em uma matérias da época que selecionei:


Como bem mencionado na ocasião, Vettel disse que F1 era para lugar para adultos. E Hamilton, na mínima oportunidade que tem, não teima em ser infantil, então, não se dava e não se dá o respeito, como podemos ver como tratou o embate com Leclerc no último domingo. 

Temos 6 e meia dúzia, aqui. Se Hamilton age assim e ninguém se importa, é porque todo piloto de F1 é julgado conforme seu último resultado. Para ele basta dizer depois, com a cabecinha "fria", que seria fantástico ter outras disputas semelhantes, que está tudo bem. No meio da semana os julgamentos viraram. Percebeu-se que Hamilton segue dominante no campeonato. Agora alguns arriscam questionar a "dureza" de Charles para as disputas e claro, condenar Vettel. 
O último resultado define o piloto? Completamente! Meus cumprimentos ao autor da página! Não há colocação mais precisa que poderia encontrar. 

No começo do ano, Leclerc era uma promessa ainda sem essência. A todo momento um ou outro forçava uma ideia de que o monegasco estava "batendo sem dó" no companheiro tetra campeão. As corridas incompletas e ainda a sua falta de vitórias, fazia a gente gesticular negativamente para quem jogava essa "informação". 
Demos o benefício da dúvida. Estar na Ferrari, jovem como é, é muita pressão. Tivemos paciência. E fizemos bem. Depois das férias, ele já dado como um novo Senna, graças as falas desmedidas dos Sr. Galvão Bueno. Já tem gente reproduzindo a ideia, não é?

Eu sempre soube que não tardava para que a Ferrari escolhesse o garoto para ser o seu foco. (Tive meus motivos. Acreditava que o fato de honrarem o pré contrato que tinham com ele era sinal de que não queriam mais perder tempo. A questão é, podem ter os melhores pilotos do mundo e mesmo assim tem errado feio com a "casa desarrumada"... ¬¬' ).
Então, já esperava que qualquer erro do Vettel fosse a gota d'água. Eu já tinha visto esse filme, com Räikkönen. E olha que o cara havia vencido o último título da equipe, e mesmo assim foi trocado por Fernando Alonso depois de um ano dado como "inconsistente" e "desmotivado" para os ferraristas. Em 2018, na segunda passagem pela Scuderia, Kimi estava até bem. Mesmo assim, tinha uma grande turma que suplicava por sua aposentadoria. Agora na Alfa Romeo ele é um "pilotão da p*&¨%". Vai entender...?
Vettel vem de duas corridas para esquecer. Spa foi o aviso sobre a sua função daqui adiante na equipe. Deu certo. Em Monza eles convidaram Vettel para festejar. "Sentaram na mesa" com ele. Mas é bem certo que ele era apenas aquela pessoa que a gente chama para comer na nossa casa só por educação. Depois do erro, ele cavou a sua cova entre os tifosi. Foi como o convidado indesejado tivesse bebido muito no jantar e dado vexame.  
A equipe vai, até o final de 2020 exaltar o valor do alemão por questão de aparências. Ele tem tudo para se reerguer, a questão é saber se existe espaço para isso, se cabe ele na atual F1 e na atual Ferrari. E pelo que eu experimentei da equipe, creio que, se ele quiser ser o grande Vettel novamente, talvez não seja mais entre os italianos.

Agora se ele vencer em Cingapura, dirão que o forte Vettel voltou. E aí, amigos e amigas, voltamos aos julgamentos - para o bem e para o mau - novamente. 
Segue-se o ciclo vicioso...!

Fico por aqui pessoal. Espero não ter sido muito chata voltando ao o assunto em menos de 24hs e agradeço ao Diogo pelo comentário anterior! Já deixo para vocês comentarem o que quiserem abaixo ;)
Desejo à todos um fim de semana formidável! Bom descanso!
Abraços afáveis!!!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

F1 2019: teorias da conspiração

Eu tinha algumas opções de post novos para antes do GP de Cingapura. 
Ainda em planos, pagarei a minha dívida do Faixa a Faixa. 
Outra opção deveria ser algo da F1, mas divertido. Faz tempo que não legendo fotos da F1. Confesso que andei meio politicamente correta, evitando tentar alguma coisa nesse sentido. Acabei indo contra os meus princípios, pois gosto de fazer umas piadinhas marotas. 
Mas, há uma justificativa mais plausível e fácil de admitir: fiquei sem tempo para acessar uma boa quantidade de fotos e fazer postagens cheias de gracinhas. 
No entanto, esses dias estava reorganizando as fotos de celular e percebi que tinha algumas coisas relacionadas a F1 que estavam salvas e eu nem tinha me dado conta. Qualquer dia desses eu comento cada um dos cliques estranhos com alguns gifs bestas, só para descontrair. 

Para hoje decidi que ia comentar uma discussão que vi no Twitter e aqui mesmo, mencionaram algo nos comentários do post sobre o GP italiano. Neste último caso, envolveria a relação de rivalidade entre Fernando Alonso e Sebastian Vettel, que acabou tendo uma correlação com o que li num perfil espanhol na rede do passarinho azul. 

Para quem quer se inteirar do que foi mencionado no post anterior, basta rolar o cursor e clicar nos comentários. 
Em referência ao meu texto, mencionando aquela premissa de que Sebastian Vettel venceu 4 títulos pela Red Bull por conta da genialidade do projetista Adrian Newey, dois leitores - Carlos e Carol - avistaram como indiciador dessa "discórdia", o espanhol Fernando Alonso.

Sim, de fato, Alonso começou com esse assunto quando competia diretamente com Vettel nos anos de 2010 até 2013. Enquanto Alonso lutava com uma Ferrari, que sempre soubemos poder ser mais do que apresenta em pista, Vettel vivia um momento glorioso: um grande ímpeto de campeão e um carro ajustado ao seu modo de pilotagem que contribuiu para conquistas. 

Campeões são soberbos quando estão no topo. É um tanto impossível encontrar grau elevado de humildade em caras que vencem muitas corridas, especialmente quando estes caras são jovens cheios de energia. Esse era Vettel, lá nos seus anos dourados. Não engolia sapos, era confiante e combativo. Conquistou o primeiro título em 2010 e conseguiu derrotar o piloto que mais tinha chances de ser campeão de novo. Era de sentir muito orgulho.

Seu começo (completo, pelo menos) se deu em 2007, primeiro com uma BMW (melhor resultado um oitavo lugar no GP dos EUA) e depois, nas 7 últimas corridas daquele mesmo ano, foram guiando uma Toro Rosso (e com ela, o melhor resultado foi um quarto lugar, na China). 
Em 2007 Alonso estava cometendo o maior erro da sua carreira: depois de duas grandes vitórias na Renault, ele foi para McLaren substituir Kimi Räikkönen que seria agora a aposta da Ferrari pós "era Schumacher". Foi em 2007 que o espanhol encontrou todo o tipo de adversidade possível. 

Preciso fazer uma pausa aqui. Não estou firmemente convicta de que Alonso teria mostrado sua "real "face "ordinária" em 2007. Acredito ainda que, tudo foi uma questão de como a mídia pintou o seu caráter. Naquele momento, todas as suas atitudes para mim, estavam corretas. 
Acredito até - e agora posso até ser polêmica - que diante do que se passou na McLaren naquele ano, Alonso teria ajudado mais a Ferrari e por extensão, Kimi Räikkönen do que Felipe Massa (como muitos dizem por aí) a vencer naquele ano. 
Enquanto o finlandês deveria ser a prioridade da equipe italiana, já que tinha mais vitórias e pódios que o brasileiro, após a punição da equipe McLaren, Alonso pode ter desenvolvido uma estratégia de conquista da preferência dos italianos. Venceu o GP italiano, ficando à frente do protegido companheiro Hamilton, inocente e fingindo estar alheio ao que ocorria internamente na equipe. No GP belga, não tardou em ficar à frente de LH. Enquanto Alonso não completou o GP do Japão, ele ficou próximo da Ferrari de Kimi que venceu o GP da China. No Japão, LH havia vencido, mas não terminou a corrida da China. O Brasil poderia ser divisor de águas, então Alonso ficou em terceiro, apenas à espreita, e com uma cara muito satisfeita no pódio para quem na verdade, estava em terceiro no campeonato e de saída da equipe. Para ele, era melhor ver Kimi, numa Ferrari, ganhando, do que o cara que ajudou a derrubar ele do topo, lá no começo do que poderia ter sido seu ápice, ganhando um título logo na estréia da categoria.
Duvido um pouco, sob essa ótica, que Alonso não tivesse só arrogância para contribuir. Acho que havia também um bom senso de justiça, mas claro, guardada com um pouco de interesse no futuro.
Em contrapartida, acredito seriamente que, toda a proteção e holofote que Hamilton recebeu no primeiro ano na categoria, moldou seu caráter para o que conhecemos hoje, porém não ousamos criticar (se bem que eu até ouso, mas...).
Depois de 2007, Alonso seria dado com um homem difícil, pretensioso, exigente e capaz de passar por cima de qualquer um para conseguir o que queria. Alguns fatores foram contribuindo para reforçar essa imagem, inclusive com as próprias atitudes do espanhol.

Não sei até que ponto o que se diz sobre a personalidade de Alonso é verdade. Muito pode ter sido exagero, inclusive da mídia. Tenho para mim que ele mexeu com as pessoas erradas e então, por ter personalidade forte, garantiu outros rótulos inevitáveis de quando se é assim. Um pessoa forte, sincera e consciente de suas próprias capacidades gera esse tipo de reação por parte de alguns, enfraquecidos ou não, mas que são vingativos ou  poderosos.
Em caso de uma figura pública seria perseguida com olhos e ouvidos atentos para que, a cada atitude ou declaração, recortes necessários seriam feitos para que se tente "derrubar" a pessoa. Ele não foi o primeiro a ser vítima dessa ação, nem será o último. Não se pode defender 100% Alonso pois, como um destes seguros de si, ele sempre foi convicto de suas habilidades e isso incomodou muita gente. Se fosse um "pastel" estaria sendo criticado da mesma forma, como agora registramos com Vettel. 

Tudo que está no topo uma hora dessas, tem a queda. A do Alonso foi uma escada. Com a Ferrari, ele  teve a chance de voltar ao topo, mas foi caindo conforme os degrais mais estreitos se aproximavam. A mídia realmente não ajudou que ele se sustentasse em um deles. 
Não que tivesse obrigação de ajudar, mas é bem claro que Vettel contribuiu para o segundo maior tombo de Alonso. 

Feito os adendos, retomo o começo de trajetória de Vettel na F1. Em 2008 ele conquistou a primeira vitória, ainda com uma Toro Rosso. Era o GP da Itália.
Monza foi, em 2008 a sua glória e foi também a sua derrota, no último domingo. 11 anos depois é tempo suficiente para demonstrar que nada é seguro, perfeito, nem mesmo, completo. No mesmo ambiente, Sebastian experimentou o sentimento de estar no céu e estar no inferno.
Naquela ocasião gloriosa, Vettel vibrou muito, pulou, e me lembro como se tivesse sido hoje, que se emocionou bastante. A sensação que tive com Charles Leclerc no domingo passado, tive com Vettel, em 2008. 
No domingo, o oposto do sentimento - já tendo 4 títulos mundiais e idade suficiente para ser homem com H maiúsculo - separou ele de qualquer outro piloto que, por uma arrogância ou rompantes "desumildes" precisarão mostrar muito em breve quando experimentarem a sua decadência profissional. Vettel cometeu um grande erro no GP italiano, prejudicou outro piloto e não tardou, mesmo em situação miserável, de se retratar com Lance Stroll pelo dano causado. Educado, ele ergueu a cabeça, reconheceu e tratou de remendar com desculpas sinceras e nobres. 
Digam o que quiserem, mas é exatamente isso que torna ele um campeão inquestionável. Saber estar na miséria e ainda, admitir e aceitar suas derrotas, mostrando uma essência gigante e procurando ser pelo menos, digno e justo já que não haveria possibilidade de voltar atrás.

Seguimos nas lembranças: em 2009 ele foi vice campeão, já com uma Red Bull. No ano seguinte, ele era forte presença, mas não imaginaríamos que seria tão arrebatador - afinal ele estaria contra um Alonso numa das mais poderosas equipes do grid, a Ferrari. A diferença entre eles acabou em 4 pontos naquele ano. 
Claro que Alonso não ficou feliz. Era um cara muito mais novo batendo ele. Para quem acredita ser bom, tem confiança em si é duro ter que encarar um jovem - pela segunda vez - criando asa no seu terreno.
Foi um campeonato competitivo. Foi uma das poucas boas temporada que vimos nestes últimos 10 anos.  E eu estava eu "órfã" de um piloto para torcer. Räikkönen tinha decidido, depois de se ver sem vaga na Ferrari, decidiu se divertir com campeonato de rali. Assim, adotei o Vettel. Não que tivesse algo contra Alonso, muito pelo contrário. Tinha passado a respeitá-lo, depois de 2006. Ainda acho um excelente piloto. Certamente um dos top 5 que vi correr. Nessa lista, não estava Hamilton e sinto informar a todos que ele permanece fora desse ranking. Gosto de listas, mas essa é uma das mais espinhosas que nem ouso compartilhar. Então, não me peçam isso. Vou declinar com um sorriso bem amarelo e um monte de desculpas sem noção. 

É certo que em 2011 Vettel foi muito superior a todos e isso pode ter deixado alguns incomodados. Porém, no ano seguinte, as coisas amenizaram e Alonso voltou a perseguir outro título. E acabou perdendo por pouco, 3 pontos separou ele de Vettel, tricampeão no final de 2012. Havia passado o próprio Alonso em títulos. 
Foi o momento do sangue espanhol ferver: ele intensificou provocações que já vinham sendo feitas, antes. Rivais fortes, fomentam com nervos à flor da pele. Para não reclamar da inconsistência do carro ferrarista, Alonso preferiu o discurso de que desejava o carro do rival e assim, poderia fazer o mesmo se não, melhor.
  
Três pontos não era necessariamente por conta de um carro muito bem projetado. Naquele ano, inclusive, Mark Webber, que era o segundo na lista de rivais de Vettel, não tinha tido nenhum tato e espírito de equipe com o companheiro na última corrida do ano, em Interlagos. Na largada, ele pressionou Vettel contra um muro ao perceber que o companheiro investiu em tomar sua terceira colocação. Webber o fez perder posições, mesmo sabendo que apenas ele e Alonso teriam chances de vencer o campeonato. Deu de ombros para equipe e, claro para o companheiro.
Vettel acabou conquistando o campeonato, mas como escrevi acima, por muito pouco. Fechou o ano com 281 pontos, e um sexto lugar no Brasil em 2012. Alonso, saiu de sétimo à segundo colocado e mesmo assim só teve 278 pontos. Na mesma corrida, Webber não ofereceu resistência à Alonso quando este se aproximou dele.

Em 2013, ano do tetra de Vettel, logo no começo do ano, o momento de maior tensão entre Webber e Vettel ficou muito mais aparente no GP da Malásia quando o australiano tinha a vantagem numa dobradinha, e Vettel desrespeitou a ordem da equipe sobre devolver os carros intactos. Ultrapassou o companheiro, venceu a prova e colocou o time numa panela de pressão. Webber sentou no sofá antes de ir para o pódio e questionou Vettel sobre o "Multi 21" - uma ordem interna da equipe em que demonstrava a vantagem de Webber para a dobradinha. Vettel se fez valer da vantagem em ter pneus novos e buscou a vitória ignorando a "regra"...
Se não me engano, ano passado, Christian Horner revelou que a ignorada de Vettel na verdade tinha sido fruto de uma vingança. O clima entre os dois não era grande coisa e o chefe da equipe RBR indicou que, o acontecido em Interlagos no ano anterior tinha provocado a vingança de Vettel para cima de Webber no ano seguinte.

Quando soube disso, confesso ter ignorado. Assim que aconteceu o "Multi 21", eu tinha o pensamento de que se Webber fosse mesmo um piloto "bonzão" não teria passado aqueles 3 anos em que foi companheiro de Vettel tão distante dele em pontos: em 2010 a diferença era de 14 pontos entre eles, em 2011 aumentou para 134 pontos, e em 2012, no ano da gracinha final de Webber, a diferença ficou a 102 pontos. Malásia era o segundo GP do ano de 2013. Não precisava desse stress todo em frente às câmeras...

... A não ser que Webber já quisesse legitimar o discurso do Alonso: Vettel tinha um carro excelente só para ele e isso lhe garantia tantas vitórias. Assim, em 2013 a diferença entre os companheiros de equipe foi a maior dos 4 títulos do alemão: 192 pontos.
No fim do ano, Webber aposentaria da F1 e Alonso teria à frente seu pior ano na equipe Ferrari.

Até aqui usei o comentário dos leitores de Alonso x Vettel para chegar num caso que li por um perfil no Twitter: a menção do GP da Malásia 2013. Um aleatório, deu RT em um comentarista que, ao perceber que muitos exaltavam Vettel pelo grande piloto que é, se esqueciam do caso em 2013 e publicou o vídeo solto, sem contexto.
O RT foi dado por outro perfil que provocava a pessoa dizendo que Malásia tinha sido apenas uma vingança de Vettel diante da tentativa do "anjo" Webber ajudar na conquista do tricampeonato de seu amigo Alonso.

Fazia sentido: Webber era muito ligado à Alonso. Havia páginas no Tumblr  que eu seguia na época, dedicadas ao bromance "webbonso". A teoria da conspiração estava dada. E as engrenagens da maldade sopitavam na minha cabeça.

Claro que, como eu respondi ao Carlos sobre ele ter chamado Alonso de mau caráter, é uma questão muito complicada de afirmar. Todos nós temos uma perspectiva muito pequena do que é e quem é Alonso como um todo. Muito do que temos como fonte de análise pode ter sido forjado por um invejoso de plantão e a coisa se alastrou. Muito da nossa pequena certeza de que ele seria um cara muito difícil apesar de talentoso, pode se dever por alguma preferência nossa: conheço fãs do Räikkönen que odeiam Alonso por conta de rivalidade. Fãs do Vettel também podem apresentar uma raiva dado que, como próprio disse recentemente, o espanhol parecia não gostar dele.
Da mesma forma que, Alonso pode ser vítima de rótulos que não fazem parte de sua real face, Vettel está enfrentando o mesmo, com um certo requinte de crueldade.

Colocado à esses termos, já espero que alguém mencione Baku em 2017 para afirmar que Vettel não tem nenhum controle de si quando está lidando com outros querendo interferir nas suas tentativas de de glória.
Vejamos se aparecem, pois terei a resposta preparada.
Inclusive já me preparei para o pessoal que (sinceramente não sei o que querem) questionaram os atos de Charles Leclerc durante o fim de semana passado, desde a classificação até a manobra sob Hamilton na corrida. Dentre os malucos, está o próprio Hamilton. O inglês choramingou por aquela manobra em várias oportunidades. Está dando vergonha alheia, mas, poucos parecem se incomodar.

Sem uma conclusão sobre o (suposto) mau caratismo de Alonso, penso que mau caratismo confirmado são aqueles que, à aguardar que Vettel cometa outros erros, levante a questão de sua impropriedade profissional em ter sido 4 vezes campeão mundial. 
Eu não me julgo dona da razão a dizer quem merece ter nenhum, um, dois múltiplos títulos. As circunstâncias são tantas que nem daria para listar: momento certo ou errado, carro bom ou ruim, carisma ou falta de, lucros, marketing... Fora aquelas ideias sentimentais: "Gosto deste!", "Não, gosto daquele!". "Vejo talento nesse aqui, mas naquele ali, tenho dúvidas...", "Quem disse que esse cara é bom, só se for a mãe dele..."
Tudo isso acontece na hora de elaborarmos uma opinião, mas as chances de termos um consenso é muito remota. 

De uma vez por todas, o que dá para concordar em grande escala é quem nenhum campeão mundial de F1 venceu com um carro dos Flintstones, usando os pesinhos como motor. Sejamos pragmáticos quanto à isso. 
Sim, Vettel pode ter dado sorte? Pode. Talvez em dois momentos dos quatro espetaculares que teve. 
Hamilton pode também ter dado sorte? Muita, inclusive. Seu campeonato mais disputado ficou lá em 2008. Ele segue numa zona de conforto que, diante do mínimo de derrota que experimenta, mostra-se tão cínico e abalado quanto qualquer outro.

Jenson Button, Kimi Räikkönen, e o próprio Nico Rosberg deram uma baita sorte quando venceram. Um estava no lugar certo, na hora certo, no momento certo, o outro já vinha buscando esse resultado fazia dois anos. Os dois primeiros, nunca mais voltaram a ter um lugar ao sol. O último, saiu fora, assim que percebeu que jamais conseguiria o mesmo feito, de novo. Hoje limita-se a julgar o que fulano e ciclano deveriam fazer ou deixarem de fazer em pista.

Não dá para ser ávido em darmos de Rosberg ou Villeneuve e julgar os atos dos caras. No máximo que podemos fazer é dizer o que achamos, com a cabeça consciente que podemos estar redondamente enganados.
A F1 em si já compartilha de muita injustiça. A categoria está sempre mostrando uma ou outra incoerência que lhe custa a credibilidade de quem é fã. Se na nossa reação passional contribuirmos um pouco mais para picuinhas e briguinhas, fica tudo muito pior. 

Teremos agora, a partir do dia 20 de setembro, a 15ª etapa da temporada. Contando com Cingapura, são 7 etapas restantes. Dentre elas, no máximo duas empolgam só de escutarmos o lugar do GP: Japão e Brasil.  No máximo!!!
Respiremos fundo e seguimos adiante...

Abraços afáveis!