terça-feira, 16 de julho de 2019

Faixa a Faixa: Into The Wild

De volta, com mais um Faixa a Faixa, para dar uma relaxada feliz com umas músicas boas.

O álbum que venceu, surpreendeu que fosse o escolhido. Entrou recentemente na enquete, e teve dois votos, sendo a escolha deste post.
Agradeço já quem participou e já encarno a "pidona" para a pedir que votem na próxima enquete no fim da postagem, belê?



♫ Nome do álbum: Into The Wild

O primeiro álbum do vocalista da banda Pearl Jam, "Into The Wild", foi, na verdade, parte da trilha sonora de um filme de mesmo nome, traduzido em nossas terras tropicais como "Na Natureza Selvagem". O filme é de 2007, baseado na história biográfica de Christopher McCandless que viajou pela América do Norte no início da década de 1990. Há um livro, de 1996 de Ken Krakauer com o qual o roteiro do longa se baseia. A história é real, de um aventureiro idealista que buscou romper com o materialismo da sociedade em que viveu. Viver com intensidade, buscar tudo da natureza que tanto amou e não ter obtido o que procurava, é a questão que mais salta aos olhos. O debate que permeia todo o filme é aquela exaltação de uma sociedade doente, materialista e mesquinha que vivemos e o quão difícil é se desprender disso. Não para menos, o diretor é ninguém menos que Sean Penn. Basta dar um Google para saber a postura ideológica do ator fora das grandes telas.

O que posso adiantar é que Eddie Vedder é amigo de Sean Penn, Tim Robbins e atores politizados de Hollywood. Penn escolheu Vedder para formular a música para o filme, muito provavelmente pois, anteriormente, o músico havia contribuído com duas músicas para a trilha sonora do filme "Dead Man Walking" (Os Últimos Passos de Um Homem) de 1995, e um cover de " You Got to Hide Your Love Away ", dos Beatles, para a trilha sonora do filme de 2001 "I Am Sam" (Uma Lição de Amor). Em ambos, Sean Penn faz os papéis principais. 

► Arte, capa e encarte:

Existe, obviamente, o disco com a capa do pôster oficial do filme. A capa abaixo é do LP:




Sejamos pragmáticos, essa é mais interessante que pôster do filme: 


No primeiro caso, temos um jogo de sombras interessante e simples, fazendo menção, talvez ao fato da busca do equilíbrio de forças da história do personagem: viver em sociedade e viver da natureza. Porém isso é decididamente subjetivo, sendo então um palpite meu.
No segundo caso, para quem assistiu o filme, faz pleno sentido por ser nesse ônibus velho que McCandless passa boa parte dos seus *spoiler alert* últimos dias. Ali em cima, ele contempla o lugar e faz o que faz o tempo todo, desde que decidiu partir em busca de uma epifania para sua vida: pensar.
Sobre a arte do LP, temos: Brad Klausen – layout, design, Francois Duhamel  e Chuck Zlotrick –responsáveis pela fotografia e a arte final, Anton Corbijn – fotografia e Sato Masuzawa – ajustes artísticos.

Datados de setembro de 2007, o filme e a trilha foram indicados à vários prêmios, tendo ganhado um Globo de Ouro de Canção Original por "Guaranteed".

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Voltado para o estilo folk, Vedder compôs ou trouxe canções baseados no material que Sean Penn deixou à ele. De início, a criação passou a ser produzida a partir do roteiro. Depois de três dias, Penn recebeu as canções e essa troca foi sendo feita, de modo criativo, livre para o músico.
No álbum, há duas canções não compostas por Vedder. Uma delas é a cover "Hard Sun" de Indio, Gordon Peterson, um compositor e músico canadense. A música provém de um álbum dele, de 1989, chamado "Big Harvest". A outra é "Society" de Jerry Hannan, um dos músicos convidados para a gravação do álbum. 
Responsáveis: Eddie Vedder – vocal, guitarras, baixo, bandolim, banjo, piano, órgão, bateria, percussão, produção, mixagem, layout e design.
Convidados: Jerry Hannan – guitarra e backing vocals, Corin Tucker – backing vocals.
Técnicos: Adam Kasper – produtor, gravação, mixagem, John Burton e Sam Hofstedt – engenheiros de som, Bob Ludwig – masterização, George Webb III – técnico e Mike Kutchman – assistente técnico. 

► Produção e Gravadora:

Além de Vedder, como produtor temos:
Técnicos: Adam Kasper – produtor, gravação e mixagem, John Burton e Sam Hofstedt – os engenheiros de som, Bob Ludwig – responsável pela masterização, George Webb III – técnico de som e Mike Kutchman – o assistente técnico. 
"Into The Wild" foi gravado em 2007 no Studio X em Seattle pelo selo J Records, propriedade da Sony Music Entertainment e distribuída pela RCA Music Group. A J Records era o selo da banda Pearl Jam, antes da dissolução da RCA em 2011.

"Into The Wild" como trilha sonora foi lançado dia 18 de setembro de 2007. Possui 11 canções e 33 minutos e 04 segundos de duração.

► Música favorita do álbum e a segunda melhor:

A minha favorita é "Far Behind" e a segunda escolha fica com "Rise". Mas a menção honrosa fica para "Hard Sun", sem sombra de dúvidas, um excelente cover.

► Faixa a Faixa de "Into The Wild":

♫ "Setting Forth"

Gosto muito da voz de Eddie Vedder, então uma música mais ou menos, com seu toque, soa uma boa pedida para dedicar uns bons minutos de audição. "Setting Forth" é curtíssima, com um minuto e trinta e sete segundos, muito bem harmônicos trazendo uma boa vibe para as demais canções dodisco e abrindo espaço nos nossos ouvidos para a também curta, faixa dois.

♫ "No Ceiling"

Começando com um banjo, a também curta faixa "No Ceiling" é cadenciada, e amistosa. Um  folk simples que casa bem com atmosfera inicial do filme, meio "road movie".

♫ "Far Behind"

Mais animadinha, Far Behind é uma das minhas canções favoritas do disco, bem mais típica de Eddie e que soa funcionar super bem em apresentações ao vivo que ele fez e faz durante o tempo do filme e posteriormente, em meio a turnês com o Pearl Jam.

♫ "Rise"

Para abaixar os ânimos exaltados na faixa três, em "Rise" temos apenas a combinação de voz e bandolim nada intimista. Apenas perfeitinha e direta.

♫ "Long Nights"

A canção mais "caidona" do disco é a faixa "Long Nights", quase reforçando a ideia de contemplação e solidão, juntas num só "pacote sentimental", se assim posso descrever. Melancólica como deve ser, mas ainda assim que te trás conforto.

♫ "Toulumne"

A sexta faixa tem apenas 1 minuto de melodia em violão sem voz, mas que diz bastante coisa, especialmente a lembrar que se trata de uma cancão para trilha de filme. Ela dá engate para a  regravação de "Hard Sun" que vem logo em seguida.

♫ "Hard Sun"

Confesso, o dia que assisti ao filme, e ouvi essa música achei espetacular. Minha infeliz ignorância me traiu, pois nem imaginava que era uma canção já existente. Quase agi como adolescente sabe-nada de hoje e saí falando a bobagem de que Vedder era um gênio por ter escrito tão bela canção.
Por sorte, não fiz isso e descobri a canção original e fui ouvir para comparar. Ela não é muito diferente em termos de melodia e voz. Obviamente a releitura do Vedder tem a sua marca registrada que é a sua voz, por vezes copiada (muito mal) por aí afora. Mas isso não tira o mérito da nova roupagem, inclusive não ter interferido muito ainda teve a sua especificidade.
A sacada melhor é, de fato, o encaixe da música de 1989 para compor a trilha do filme. Uma música que te dá sensação de liberdade e casa totalmente com a história de McCandless.

♫ "Society"

Outra canção que não foi composta por Vedder mas que tem a sua interpretação como ponto alto. A canção tem apenas voz e cordas e é carregada com uma letra de crítica a sociedade. Segue o trecho do refrão consciente:

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me

Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me

♫ "The Wolf"

De todo o disco, The Wolf é uma canção que por não ter letra, trás mais "feelings" do que se dissesse algo a respeito de um homem livre na natureza. Talvez seja muito mais isso que reflita bem no filme do que qualquer uma das outras 10. É ouvir para conferir.

♫ "End of the road"

A penúltima canção do álbum quase me lembra Pearl Jam e poderia facilmente estar num dos recentes álbuns do grupo de Seattle. Serve como introdução para a longa e principal canção do disco.

♫ "Guaranteed"

A mais folk do álbum é também uma canção premiada. Uma sacada excelente de Vedder para sua composição com todos os elementos necessários sobre a história, as metáforas e alegorias, a vida, as relações humanas e a nossa contribuição para tudo que implica a nossa humanidade. Ela tem uma longa pausa de silêncio e um retorno com melodia acompanhada com a voz. Pode parecer enfadonha para alguns, mas pode ser também proposital para reflexão.

► Uma história do disco, uma questão pessoal ou uma curiosidade:

Eu demorei um tempo para assistir o filme. Havia o DVD original do filme em casa e depois de um tempo é que decidi assistir e conferir o tal filme interessante e filosófico que era. Não vou mentir que não achei assim tão legal. Tive uma visão meio radical de tudo que dá para discutir com ele. Mas em termos artísticos, o longa conta uma boa história, com recortes precisos e invocam pertinências e perguntas corriqueiras, mas que as respostas não são solucionadas. É obvio que algumas passagens tenham sido floreadas. Mas isso faz parte da sétima arte. A questão posta é que, um filme sem uma música encaixada é um como um convidado mal vestido na sua festa. Ele destoa entre os demais e não te oferece conforto. Vagamente, "In The Wild" ganha uns pontos quando analisamos a contribuição que a trilha proporciona à história.

Comentem sobre o disco, o filme e o que mais quiserem!
Lanço aqui, os próximos 5 álbuns para votarem. Últimas chances para Faith No More e Metallica, e o acréscimo do meu álbum favorito de Aerosmith:




Está com vocês agora! Beijo nas crianças e, claro, abraços afáveis!

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 10: GP da Grã-Bretanha

Que o GP britânico não seria como o GP austríaco isso era fato.
As razões para isso eram bem simples, dentre elas, a mais comum: tudo que é bom, dura pouco. Em se tratando de F1, eu desconfio quando a esmola é muita. 
Uma sequencia de GPs bons ia ser muito entusiasmo para pouco espaço. Era perigoso a gente ter uma overdose de alegria, afinal, a abstinência de empolgação nas corridas estava praticamente, pela hora da morte. 

Mas vou dizer aqui, na real (como dizem "os manos das quebradas"): eu não sei dizer se o capítulo 10 da novelinha foi ou não, bom. Um "mixed feelings" se abate (novamente) sobre a minha pessoa.
Nem chamo para concordarem comigo, mas se fizerem, imaginem que estou do lado de cá fazendo corações com as mãos para vocês.

A classificação foi sem gracinha. Bottas poderia ter tomado a pole de Leclerc, mas sabíamos que, entre uma largada e uma parada nos boxes na corrida de domingo, a ordem entre Bottas e o rei da F1-campeão de 2019 poderia ser dada como feita. A única coisa que dependeria ainda do roteiro do dia, era se a troca de posições seria escancarada ou não.

A largada aconteceu, e por "increça que parível" - ou melhor, por incrível que pareça - Bottas sustentou a primeira colocação e mais tarde, quando a DRS já era liberada, Hamilton tentou tomar a primeira colocação do companheiro que, surpreendentemente se manteve de forma limpa e segura. 
Não é que eu não goste do Bottas. Até acho que existe talento nele. O grande lance é que, ser companheiro de Lewis exige culhões. Essa coragem e fibra é mais dada à uma petulância a sobrepor  o inglês do que necessariamente ser mais talentoso. É um simples modo de ser "casca grossa". 
Ter a casca grossa na F1 pode ser comprometedor para a carreira do indivíduo. Ou você "vaza" logo, porque ninguém gosta de você, ou porque você é muito bocudo e aí, ninguém vai te querer por perto.
Existem alguns que, suponho, foram banhados em mel. Eles podem até ser cascas grossas, bocudos, chatos e pelas costas, poucos gostarem deles. Mas eles chegam lá. Tiram 2, 3 campeonatos seguidos. Viram mitos, o pessoal da F1 lambe o chão que passa, a mídia enobrece, os fãs endeusam. Raramente, são povos de bom caráter. Aqueles que ainda restam um pouco disso, são tratados como chatos, reclamões, mimados, e afins, mas eles não foram banhados em mel, chocolate, creme de avelã... Por isso, se chegam lá, logo caem das "tamancas", num tombo que deixa hematomas feios. 

Não vou ser injusta com todo o GP: estava bonito ver Leclerc segurar Verstappen que vinha salivante para tomar o terceiro lugar. O grande x da questão é que, se no GP da Áustria garfaram a Ferrari pela segunda vez no ano, dessa vez houve menos blábláblá e Leclerc deixou às claras que a lição estava aprendida. Ele foi mestre a deixar Verstappen suando na tentativa. Também nos fez crescer na torcida por ele, afinal, indicou que, se ele também errou na corrida passada ao não lembrar quem era Max Verstappen e agir com ingenuidade na disputa, agora ele não ia mais fazer isso. Como se esperava, ele foi carne de pescoço, mesmo com o desgaste de pneus, durante boas voltas.

As paradas começaram, Bottas sendo o primeiro a trocar os pneus. Lá na décima quarta volta, Leclerc e Verstappen foram aos boxes, juntos. Verstappen ganhou vantagem, uma pelo fato dos boxes estar na frente do box da Ferrari, e dois, por terem feito uma parada milésimos de segundo mais rápida, colocando a vantagem de um bico para Verstappen sair na frente de Leclerc. 
É só lembrar também que tem aquela de limite de velocidade nos boxes e a gente percebe que era tudo muito favorável à RBR pela disposição desses boxes. 
Ainda que pudesse ter briga boa entre os dois, estávamos achando bom. Eu estava, vocês não? Nem sabia o que acontecia com as Mercedes e pouco me importava. Eu queria era saber do terceiro para trás. Quem sabe até, poder ver Verstappen impor banca para cima das Mercedes e fazer festa no topo do pódio na casa do rei-campeão de 2019. Deixar todo mundo instável e Leclerc, na perseguição, chegar também em segundo ou até ameaçar a primeira posição de Verstappen, de novo, numa vingancinha saborosa...! Oras, sonhar não custava!?!

Minha expectativa foi minada em questão de 6 voltas. No 20º giro, Giovinazzi *INFELIIIIIIIZ* rodou e caiu na caixa de brita. Lembramos o porque da F1 tirar o bendito recurso das britas no extra pista. Sempre que alguém vai parar ali, o SC é acionado. 
Dessa vez, eles não devem ter achado tão ruim de colocar o carro de segurança; por coincidência (será?) isso beneficiava Hamilton que fez sua parada assim que o SC entrou na pista. Bottas já havia feito a parada antes. Assim, quase imperceptível, troca de posições foi feita.

O Galvão Bueno - narrador que basta aparecer, todo mundo começa a chiar - falou várias vezes algo que concordei por completo: Giovinazzi tinha bagunçado com a corrida. Para mim, já tinha acabado. 
Claro que ele não fez de propósito. Mas, infelizmente pela questão da segurança, a direção de prova não poderá nunca mais evitar os safety cars. Ainda que o carro tivesse longe da pista, foi logo que colocaram o carro na pista e Hamilton saltou para a primeira posição.

Ao menos, não voltamos à aquele infortúnio de ver os ponteiros dando volta nos retardatários. O foco ainda era Ferrari e Red Bull. Com essa zona causada pela rodada do Giovinazzi, outros italianos também fizeram "caquinha": a Ferrari chamou Leclerc para os boxes e fez ele sair de P3 disputar no páreo com Verstappen novamente e ver Gasly, num jogo de equipe, estar entre os dois, deixando-o com o P6.

Só na 36º volta é que Leclerc passou Gasly. Não havia mais como chegar rápido em Verstappen que já estava à ponto de atacar Vettel. Aí que a coisa morreu de vez, e nesse caso, para Vettel.
Eis o diálogo que se seguiu do meu pai para minha mãe, logo que ela exclamou um chateado "aaaaah":

- "O cara da frente freou, depois de ultrapassar, o que o de trás tinha para fazer?"

Descrição da cena: Verstappen passou Vettel que por sua vez tentou retomar a posição e viu o holandês dar uma rabiada estranha na frente e bateu na traseira do carro, prejudicando o pódio dele, e a sua corrida.
Lei de trânsito: bateu na traseira, o errado é você. Não importa a situação.
Lei das redes sociais/mídia em geral: quem eram os envolvidos? Alguém e Vettel? Então, o Vettel é culpado.
Fim de papo.

O mais beneficiado com isso, foi Leclerc, que havia perdido a terceira colocação por um errinho da Ferrari e agora, voltava ao P3 graças ao companheiro de equipe. Além dele, Gasly, perigante em perder o emprego, ficou na frente do companheiro, mas ainda não por méritos próprios. 
Vettel foi punido pelo incidente (novidade!) e Hamilton ficou se sacolejando no carro assim que recebeu a bandeirada. Posou com a bandeira da casa, fez festa com os fãs. Mais falso que nota de três reais, não passa paixão ou patriotismo algum. Apenas ceninha, como gosta de fazer.

Se por um lado a F1 está bem melhor desde o GP da França ela ainda está patética pois, somos pescados por uma isca que não é viva e devolvidos à água depois de uma foto para os "stories do Instagram". 
A FIA, sacou que o que a gente quer ver é disputas roda à roda e torcida indo à loucura junto com a gente. Tanto é que, quando Bottas virou "troll da floresta" para cima de Lewis, a FOM levou a imagem para a torcida. Depois do safety car, pouco se mostrou da duplinha da Mercedes. Ficamos entre Verstappen, Leclerc e depois Vettel, inclusive, levando a disputa às vias de fato: retiradas de pista e toque. Infelizmente, essa isca é falsa. Listo, para não ficar cansativo:

1) Além das punições acontecerem, novamente, por circunstâncias duvidosas, pois o Verstappen já tomou uma dessa ano passado, pelo companheiro Ricciardo e ninguém foi punido, a FIA mostrar-se anti-Vettel (e quiçá, anti-Ferrari);
2) Ainda a dizer que as punições são seletivas-  pois Verstappen reclamou das mudanças de direção de Leclerc quando disputava com o monegasco no começo da corrida - ele tem essa característica desde sempre: Max sempre obriga que o adversário freie um pouco antes quando há uma proximidade. Por questão de reflexo, penso eu que o erro do ponto da freada - ainda mais no caso que foi ontem, saber a hora exata de frear antes ajudou na colisão, mas não foi totalmente culpa do Vettel. Faz parte do jogo? Sim. Mas é justo? Não, ou Verstappen mesmo não teria reclamado de Leclerc, mais cedo, que tentava assim, ter menos pressão aerodinâmica. De todo modo, poucos pilotos sabem fazer isso sem causarem colisões e isso passa a ser subjetivo de análise; 
3) A FIA (e a mídia)  é anti-Vettel. O segundo "erro" no ano só fez escancarar que o alemão perdeu-se na carreira, por completo. Se sair da categoria, é covarde, se não sair, sofrerá com críticas (mesmo que sejam TODAS injustas). 
4) Campeonato bom é quando temos pilotos talentosos com carros semelhantes. A rivalidade Verstappen e Leclerc não só precisa continuar sendo mais explorada do que Mercedes e sua hegemonia chata e inabalada quanto o devido destaque para ambos, é necessário para a saúde da categoria. Porém o que acontece no fim da corrida é um sem número de oba-obas para as (fáceis) conquistas do Hamilton que não são monstruosas.

Dá para melhorar isso, e pelo amor de nossos filhinhos: não deixem para dar esse gostinho de  termos empolgantes rivalidades só para serem concretamente produtivas em 2021. Pode ser que até lá, caras como Vettel e Raikkonen não participarão da "brincadeira" e Leclerc, Verstappen e outros, estarão meio que cansadões de lutar pelas migalhas. 

E vocês, o que acharam da corrida e de tudo que envolveu o fim de semana na F1?

Abraços afáveis! 

PS: Volto em breve, quero aproveitar bem minhas duas semanas miseráveis de férias por aqui...

quinta-feira, 4 de julho de 2019

F1 2019: Posso zuar de leve?

Estive pensando... Acho que fomos enganados. Todos nós.
Ficamos super eufóricos com a F1 no último fim de semana que nem nos atentamos para fatos importantes da temporada. É o que fica escrito, lá no fim da temporada:

Na classificação geral, mudou pouca coisa, pelo menos, no que interessa: os cinco primeiros.

Os nomes, são os mesmos. Mudou a ordem do terceiro e quarto. As Mercedes continuam passando o rodo. Podem fazer cara feia, porque é isso mesmo.


Acompanha comigo. Acabou o GP da França. Quem se atenta para essas coisas, conferiu a tabela de classificação. Eram 8 etapas concluídas e um saldo de pontos varando mais de 150 pontos para os dois primeiros colocados: Lewis Hamilton com 187 e Valtteri Bottas com 151.
Sebastian  Vettel era terceiro colocado, com miseráveis 108, enquanto o companheiro ainda não havia sentido o gostinho dos 100 pontos, em quinto, com 87. Entre eles, estava Max Verstappen com 100 exatos e redondos.

Não à toa, a gente detestou aquela corrida. Além de monótona, se não tivesse acontecido, não faria diferença nenhuma na nossa vida.


Olhando assim, só abriu a porteira de nossos bichos raivosos. Era fato que Hamilton ia ganhar, com sobras, o campeonato.
Só que teve um agravante. Uma galera percebeu que a F1 estava verdadeiramente uma:


Reclamamos muito para os nossos pares. Emburramos com a Tv. Xingamos muito no Twitter.


Uma semana depois, tinha corrida de novo. Depois do GP francês, não parecia ser boa ideia.


A gente ia ver, porque somos um bando de maluco sádico do "hell". Se tivesse muito igual à França, a gente não pestanejaria em fazer outra coisa.

Mas eis que nosso desconforto com a categoria, passou quase rápido. Tivemos ação suficiente na Áustria, para substituir os traumas que foram Espanha e França. Talvez, para fazer justiça à uma pista que muita gente ama, Mônaco, tinha tudo para não entrar na lista das piores do ano, mas está ali, atrás da Espanha e da França, que estão bailando agarradinhas.


Como um "Acooooooorda, menina e menino!!!!!", o GP da Áustria fez a gente ficar pra lá de empolgados e empolgadas, pensando: "É isso, aêêêêêê!!!"


Tenho más notícias. Todo nosso coraçãozinho palpitante, nossos pulos no sofá e as faltas de ar, foi relativamente, em vão.


Bizoiem: Hamilton - 197 pontos, Bottas - 166, Verstappen - 126, Vettel - 123 e Leclerc - 105.
Da França para a Áustria, mudou de F1 "boring" para "é disso que eu estava falando".
Mas na tabelinha de pontos, o primeiro segue em primeiro com vantagem de mais de 30 pontos para o segundo. O segundo para o terceiro, 40. O terceiro para o quarto (huuum, quarto...) na França a diferença era de 8 pontos, na Áustria caiu para 3. E por fim, do quarto para quinto, a diferença era de 13, agora é de 18.

Que mudou? Hamilton ganhou 10 pontos a mais - teria sido empolgante se tivesse zerado. Mas na atual conjuntura, presenciar ele, num quinto lugar, atrás do companheiro e tendo tomado um "passão homérico" do rival, é tipo achar o último bombom da caixa e ser o de café. É ruim, mas é bombom, então, glicose pra que te quero. 
Bottas ganhou mais 15 pontos. Teve pódio e tudo. Talvez seja a única vez que, sozinho, levou a Mercedes ao pódio. Ok, é tipo sobremesa grátis, mas a única opção que tem é "sem glúten e sem açúcar". 
Vettel conseguiu, tendo largado em nono, tendo uma parada ridícula que o fez perder um pódio, ganhar 12 pontos. MAAAAAAAAAAS perdeu a terceira colocação. Agora viu vantagem? Mas sossegue o facho: tem uma vantagem de 3, apenas 3 pontos para o terceiro. 
Verstappen de fato, é o que encheu os nosso olhos, na corrida e na tabela: ganhou 25 pontos, na bruta, depois de fazer uma largada péssima. Pulou de 100 pontos para 126 (1 de volta rápida). Ainda permanece só 3 pontos à frente de Vettel, portanto, impossível de saber se a vantagem continuará aumentando. 
Leclerc, o mais prejudicado, judiado e maltratado dessa categoria. Meus sais. Ganhou 18 pontos, chegou aos 105 pontos somados. Está sem vitória na Ferrari e é o que está mais merecendo. Continua em quinto, desde a França. Mó sacanagem.


Pô, tanta empolgação, para pouca coisa hein? Eis o que a F1 faz com a gente. Ficamos 8 corridas em jejum de empolgação, e quando apareceu uma que prestasse pra valer, teve pouco resultado prático na temporada. 
Maldade isso aê!


Menino Leclerc... *Pausa dramática: me nego a chamar de Charlinho, não tenho essas intima não, sô! Quisera, eu...


Enfim, menino Leclerc fez uma pole, tinha tudo para ter primeira e bela vitória na categoria e na Ferrari, confirmando todas as expectativas que tínhamos sobre ele e sedimentando o terreno na equipe, de vez. Mas não deu. Perdeu o primeiro lugar, depois de uma disputa bela e acabou, dando sopa e foi um tanto inocente.
E ele ficou aborrecido com o resultado. Não era para menos. 

Imagina você, numa praia. "Hoje, vou fazer o castelinho de areia mais maravilindo que esse mundão de Deus já viu!"
Você trabalha a manhã toda, mais de duas horas, solão nas costas. Sua turma te chama para dar uma refrescada e tomar um refri, na sombra. Você revida, xingando, que está trabalhando numa obra importante: "Não enche!"...

Do nada, vem uma onda, "fdp". Você esperneia desesperado(a) pois 2/3 do seu castelinho ruiu. Atrás de você, sua turma se rasga de rir e você, se vira com sangue nos olhos:


Puto(a) da vida... Bem capaz que você chute o resto do castelinho e ainda caia de bunda. Famoso "quem nunca?"


O incidente vira história, contada pelo mais comédia da turma, com requintes de crueldade. Mas fato é que, até que você vá embora da praia, você vai estar de mal do mar, para sempre. As suas olhadas para as ondas agora, serão encaradas, como se chamasse para briga:


Outra situação. 
Você planeja seu serviço antecipado. Sexta, quando der uma hora antes de sair do trabalho, tudo que era para ser feito, estará prontinho para ser entregue com um largo sorriso para seu superior. Ele (ela) não vai agradecer, porque chefe quer que a gente se exploda, mas ele (ela) pode até elogiar: "eeeeeh, por isso que eu gosto de você, sempre que preciso, vc está lá...". 
Numa boa, você almoça na sexta, até imaginando o diálogo com seu superior e ele (ela) do nada, começando a falar em aumento... Você viaja... Volta para o trabalho e, um infeliz de um colega seu, não emitiu um documento. Passou a manhã inteira atrás do café. Depois do almoço, deitou na mesa e disse que ia dar uma olhada no computador para verificar se o sistema voltou a funcionar.  Vc começa a suar frio. Precisa daquele maldito papel para terminar suas coisas com antecedência. Começa a calcular: "se ele me entregar às 14hs eu corro e consigo terminar até as 17hs..." Exatamente uma hora antes de acabar o expediente, o cara te entrega um paco de documentos que o maledeto, não fez antes com a desculpa do sistema ter caído. Ele sorri, sabe que não vai dar em nada para ele. No mesmo instante, passa seu (sua) chefe: "Galera, se não terminar, sábado vocês terão que vir aqui deixar tudo pronto na minha mesa!"

Como é que você fica com o maluco que enrolou a tarde inteira com aqueles papéis? Meiguinho(a)? Soltando florzinhas e jogando confete?
Não, você fica com sangue nos olhos, mais ou menos assim:







Não é isso? Então.
O menino Leclerc escolheu ficar puto como? Assim:


Meu...  Dava muito um meme "Tenha um relacionamento com alguém que olhe como o Leclerc olha para o Verstappen", não? 

Se isso é seu nervoso, moço... Tá precisando ainda de umas aulas: Ser cretino, deixar de ser inocente. E... bem, aprender a ter olhar "estou putaço!". Porque isso aí, ó, meu querido... É outra coisa! 


Abraços afáveis!

PS: Fecharei o Faixa a Faixa amanhã, viu, seus fofos e fofas! Se ainda não votou, corre aqui e dá um clique no seu álbum preferido!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 9: GP da Áustria

Parece unânime: gostamos do GP da Áustria. Alguns, amaram de montão.

Já se desenhava, desde sábado, que o GP seria diferente do francês, à uma semana atrás. O que ninguém imaginava era que, tudo que deveria ter acontecido no GP da França, aconteceu no GP austríaco. Vou tentar listar:

- No GP francês esperávamos por uma largada que suspendesse a nossa respiração por alguns segundos. 
- Semana passada, esperamos por mudanças, em pelo menos 1 dos 3 ponteiros.
- No domingo retrasado, queríamos que tivessem ultrapassagens, mesmo com ajuda marota do DRS, que enchesse nossos olhos. 
É, teve. Mas... (Olha aí a conjunção adversativa que nos trai...)
- A melhor coisa daquele GP chato, ultrapassagens do garoto colgate, Daniel Ricciardo, gerou duas punições. 

Só por essas 3, vocês já percebem que, em uma semana, todos os nossos problemas foram resolvidos.


Bomba! Mudaram o diretor da novela. Ele pediu licença por conta de uma pequena indisposição e deixou algumas coisas prontas. O roteirista achou de bom grado, fazer vista grossa, pois estava sem o chefe por perto. Tanto é que, depois do feito, foi o melhor capítulo da novela. 


Tenho a leve impressão que foi de propósito, dado os protestos dos fãs depois do GP da França. Em uma semana, a Mercedes passou de protagonista à... Ferrari. Sim, estou falando sério. Tanto Lewis Hamilton quanto Valtteri Bottas, agiram como pilotos da segunda melhor equipe do grid. O primeiro, inclusive, intocável e perfeito, cometeu erros na classificação, um deles, foi não conseguir voltas rápidas, e além disso, cometeu outro: o cortar a pista prejudicando a volta rápida de Kimi Räikkönen. Já Bottas, teve uma tal falta de comunicação dos diabos.
A cortada de Hamilton, gerou uma punição, que foi amenizada. Eis o primeiro indício em dizer que, algumas coisas que aconteceram ontem, na corrida, foram propositais para que eu e vocês esquecêssemos do fiasco que foi na França.


Vou "falar rasgado": os probleminhas da Mercedes, foram bem teatrais. A gente não vai desconfiar pois, o lance é que deu muito errado para eles. Porém, podem anotar aí: eles não vão mais fingir, ou então, no somatório de deslizes, podem perigar não marcarem tantos pontos quanto é possível. Então, dia 14 de julho, a gente vai sentir saudades da corrida da Áustria.


Hamilton deveria ter largado na quinta posição, por ter atrapalhado a volta de Räikkönen. Largou em quarto - com Bottas à frente dele... Com todas as justificativas abestadas ou reais, dos comissários, a projeção de ultrapassagem na largada era iminente.


Eu jurei que Max Verstappen, que adora atacar Ferraris, faria um estardalhaço logo na largada. Nem comentei no Twitter. Não queria zicar o Charles Leclerc, já manchado pelos erros da equipe.
Por sinal, classificação de Leclerc foi altamente louvável, mas a de Sebastian Vettel, foi ladeira abaixo. Depois de um sétimo no GP da França, um misterioso vazamento apareceu no seu carro, e ele largou em nono. 
Mas a Ferrari trabalhou, trabalha e trabalhará sempre, para Vettel. 


Do nada, Verstappen ficou meio paradão e os saltos aconteceram. Caiu para sétimo. Era a hora de uma corrida de recuperação, que a gente não sabia se ia dar certo, mas ia esperar para ver.
Talvez, por conta dele, é que Hamilton não teve como atacar o companheiro de equipe, de imediato,. Bottas então, pensou rápido e se resguardou degarantir a segunda colocação.

Dalí, talvez apenas Kimi e Vettel, tenham se beneficiado legal: de sétimo, passou a quarto e Vettel, de nono era sexto, nos primeiros giros. Quando as DRS foram liberadas, Kimi perdeu suas posições e Vettel chegou a ficar em quarto. Seu problema seria Verstappen, que, na sétima volta, já era quinto.
Após de uma punição (ooooooooooooh) para Kevin Magnussen por ter se posicionado errado na largada, Bottas e Vettel abriram as paradas. Como uma equipe novata, os mecânicos da Ferrari se atrapalharam na parada do Vettel. Afobaram-se e, de acordo com as notícias, não tinham ouvido que Vettel estava à caminho. A sensação foi que, viram a Mercedes pronta, com compostos de pneus duros e acharam que era Hamilton o primeiro a ser chamado. Ou isso, ou aquela boa e velha premissa na Ferrari, de que se um piloto para ela, não tem mais tanta serventia, e optam por não se importar mais, está se fazendo às claras. 


Concentraram-se em Leclerc, tanto que, na 22ª volta, ele fez a sua troca, sem problemas. Pelo menos isso de certo.
O drama maior, mas não tão importante foi o da Mercedes, Hamilton, o piloto exemplar, "o melhor que o Vettel", precisou trocar o bico, por, de acordo com as notícias da transmissão... Ah, não, não vale nem repetir.


Se estávamos no céu, com uma corrida morna, mas narrada com calma e sem gritos, domingo passado, neste, tivemos gritos e muito assunto inacabado, erros de nomes de equipe e pilotos e umas frases bizarras...! Pensamento de todo o momento:


Mas vá lá, o que nos trouxe aqui, para não criticar totalmente a F1? O que nos trouxe é que, depois das paradas, Verstappen dava sinais de que seria combativo pela vitória. 
Podem me crucificar, eu duvidei. Não da capacidade dele, mas não achava que em uma semana, todas as nossas frustrações com a categoria nesse ano, teriam acabado.
Percebem que, mesmo quando Vettel vencia campeonatos, pegas como os de ontem, aconteciam com mais frequência? E que os últimos dois anos, quase três de Hamilton superior à tudo e todos, essas coisas acontecem, quando acontecem, com os segundos colocados para baixo na tabela?
Essa ideia é compartilhada no meu texto anterior e não vou ficar nessa ladainha novamente. Mas é osso, esperar combates de outros pilotos que, no máximo, terminarão o ano em terceiro ou quarto no campeonato. 

A nossa empolgação com a corrida de ontem, acabou nos trazendo de volta à aquele sentimento que fez a gente se tornar fã. Aquela suspensão da respiração, aquela ajeitada de corpo no sofá, fazia quase um ano que eu não sentia. Acho que vocês também experimentaram tudo isso, de novo, somente ontem.
Fui pega, e acho que vocês também, num ato de bipolaridade ridículo, quando Verstappen chegou no Leclerc: não sabia para quem eu torcia mais. Prendi a respiração várias vezes. Um segundo queria que passasse, no outro, não mais. E assim foi. Até a conclusão.

Sorri, com um sorriso largo, quando Vettel deu um "passão" no Hamilton, terminando a corrida em quarto, depois de sair do nono. Poderia ter um pódio, caso a Ferrari não tivesse sido estúpida.

Eu respirei com mais calma, não de alívio, mas de questionamento, quando Verstappen conseguiu a ultrapassagem de vez e conquistou o primeiro lugar. Pensei sobre a ultrapassagem do Verstappen. Em outras circunstâncias, teria vibrado muito e ficado pesarosa pelo Leclerc, num misto de sentimentos.


Queria ver sua vitória prometida desde o Barein. Se fala tanto que o menino é bom, ele precisa ter a chance de mostrar isso. Ainda assim, teria vibrado, pois Verstappen é um destes poucos que, volta e meia, digo que trás à F1 aquilo que fez a gente gostar dela.

Muita gente tem horror ao Max. As razões passam por todos os tipos imagináveis. Mas naquele momento, eu não teria retornado a vitória ao Leclerc. Quando a F1 não controla as corridas com mãos de ferro, elas são atrativas, interessantes. A gente é levado à emoções de euforia, corações batendo rápido, e até choros. 
Quando se tem equilíbrio, se tem disputas acirradas. Combatentes que usam todo o tempo da corrida, para conquistar um lugar confortável, o máximo de pontos possíveis... A vitória! Há suor, tensão, roda com roda. Mesmo que tenha ajuda do DRS. 
Não foi à toa, que amamos a corrida, ontem. Claro que não foi todo mundo. Vai ter alguém aí para falar que estamos exagerando, babando ovo para uma corridinha mequetrefe. Não dá para agradar todo mundo.

Mas o que ficou foi, de novo, o extra pista. E isso é bem triste. A FIA lançou a investigação sobre a ultrapassagem do Verstappen sob o Leclerc, pouco depois do acontecido.
A razão era que, Verstappen fechou a curva e deixou nenhum espaço de pista para que os carros ficassem lado a lado, dentro dela. Quase todo fora da pista, Leclerc perdeu. 
Muito se especulou depois disso. A transmissão não mostrou o pódio e eu particularmente não vi o "climão" entre os pilotos. Houve até um compartilhamento de documento (falso) da FIA indicando um "no further action".


Se a FIA não punisse Verstappen, evidenciava os pesos diferentes para as regras que ela mesma impõe. Aquela história que eu repito sempre, que, por vezes as punições são seletivas, que cada caso é um caso, e que se assim for, é melhor que não existam regras, para deixar correr solto os combates de pista. Isso se fazia valer inclusive com a divulgação do documento falso, que acabou "adivinhando" o resultado da decisão.

Vamos esquecer por um minuto, Canadá e vamos nos concentrar ali, na Áustria. Se fosse Raikkonen cortando o espaço e prejudicando a volta rápida do Hamilton, era certeza que o finlandês perderia 3 posições do grid. Ainda mais sendo de de uma Alfa Romeo. Sempre foi, 3 posições do grid para quem atrapalha voltas rápidas. Mas era o inglês perfeito que tinha feito isso, então, sim eles amenizaram com só duas posições. Colocar estrategicamente em quarto, com o companheiro de equipe em terceiro, era mais viável. Dois pesos, duas medidas. E de novo.
Então, justificaram essa aplicação e para mim, se precisou de justificativa, era porque estavam remendando coisas, favorecendo umas pessoinhas.
É claro que, não são as mesmas situações. Então vamos comparar com Canadá e Áustria, cujo impasse é semelhante?

Se a FIA punisse Verstappen, estaria, pelo menos sendo coerente com todo o conteúdo de regras e suas aplicações punitivas, deste ano. Colocariam os dois pés firmes com relação aquele papo piegas, sobre o uso das escapes para ganhar vantagem, sobre as jogadas de carro para defender posições ou disputá-las. 


Não haveria espaço para acharmos as punições são seletivas, dadas de acordo com as "necessidades". Mas abriria brecha para acharmos que estavam matando a categoria. 

Diante da não punição, o que temos? Verstappen ultrapassou e a conquista do primeiro lugar era sua por direito. Vettel, por ter se mantido no primeiro lugar, no Canadá, e mesmo tendo corrido risco de ter enfiado a cara no muro, não pode ter direito de manter a posição por um sem número de justificativas que, convenhamos, não dá para engolir nem à base de muito refrigerante. 
O mesmo se aplica para Ricciardo, na corrida passada, se pensarmos um pouco. 

Parem bem para pensar: se essas coisas não tivessem acontecido antes, a gente não estaria no marasmo que estávamos antes da NONA etapa na categoria - desmotivados, com preguiça de assistir as corridas. Custou de 8 corridas, três delas, horríveis, para sentirmos alegria estarmos ligados na tv aos domingos novamente. É perigoso ainda, a nona etapa fechar sendo a ÚNICA das 21 do ano, que preste e que tenha sido notável. 

Fica a incoerência, a punição seletiva da FIA. Menos problemático que as punições "corta barato"? As pessoas que a amaram a corrida, apesar disso, concordarão que isso é de menos. "Pelo menos, há ainda vida competitiva na F1...". 

A categoria que parecia respirar por aparelhos, teve uma melhora significativa e está estável. 
Mas pode ter sido aquela famosa melhora da morte. 


Vamos torcer que eu esteja errada.
Abraços afáveis!

quarta-feira, 26 de junho de 2019

F1 2019: Vamos falar de números?

De frases toscas que ouvimos dos outros, as piores vem de nossos pares, mais próximos. Fãs de automobilismo como nós, por exemplo, sempre tem alguma delas, na manga, para "cutucar as feridas". Claro que a gente respeita, mas algumas a gente sente que precisa de algo mais forte, uma intervenção angelical ou um suquinho de maracujá,  para não apelar. 
Exemplo: "Tá reclamando do quê? A F1 sempre foi assim!" ou ainda: "Quando o Vettel vencia todas corridas, era muito mais chato que hoje"... Essa premissa é muito falada, pois, acredita-se, é so senso comum, que Vettel não tinha (ou tinha poucos) concorrentes, e só chegou a conquistar seus 4 títulos por conta da sagacidade do projetista da RBR, Adrian Newey.

Essas frases também abrem brechas para que as pessoas que acompanham a categoria, desenhem argumentos que corroboram largamente com a opinião de comentaristas esportivos e a mídia especializada. A mais alarmante vem sendo pouco contestada: "Hamilton é melhor que Vettel".

Vamos então, comigo, à uma brincadeira de criança? Brincar de somar, subtrair, olhar gráficos? Vai ser bom, sinto falta dos tempos de escola e de aulas de matemática...
Peguemos os 4 anos de pontuações de Vettel foi campeão, os vices e o terceiros colocados. Apenas números, aqueles que ficaram em quarto, quinto, se aposentaram ou partiram para anos sabáticos, naquele ano, ficarão com simbólicos 0 pontos, para facilitar a nossa visualização. 


O gráfico é simples: eixo y com as pontuações dos 3 pilotos, eixo x com as quatro temporadas, consideradas como "era Vettel".
De cara, a gente já percebe uma série de coisas. 
Uma destas, refuta totalmente o tal "quando era o Vettel que ganhava, era muito mais chato".
Muito mais chato? Nos 4 anos de "dinastia", foi superior aos demais, com mais de 100 pontos, em dois deles. A metade! 
E facilitou nossa vida de espectador (claro, não de propósito): isso só se repetiu em anos alternados. 

O primeiro título do alemão, então, foi além de inédito, imprevisível e interessante, equilibradíssimo: enquanto ele somou 256 pontos, Fernando Alonso quase tirou sua alegria, somando 252, e pegando a responsabilidade de ser piloto de uma já desestruturada administrativamente, Ferrari. Mark Webber (mesmo equipamento/motor e equipe que Vettel) fechou o ano com 242 pontos. 

Sim, 2011 foi um passeio. Vettel alcançou a casa do 300 pontos, com 392, se consagrando campeão no GP do Japão, 4 corridas antes do fim do calendário. Jenson Button, campeão de 2009, foi seu concorrente mais "perigoso". Correndo de McLaren, ficou com 270 pontos, enquanto Webber, companheiro de Vettel, acompanhou o inglês mais de perto, fechando a temporada com 258 pontos. Neste ano, Alonso foi só o quarto colocado, alargando que na Ferrari, ser piloto talentoso "it is not enough anymore".

Em 2012, um pequeno equilíbrio retornou entre Vettel e talvez o seu melhor rival, Alonso. De novo, foi por pouco que Vettel levou o campeonato, ficando com 281 enquanto Alonso somou 278 pontos. Webber, nem apareceu entre os 3 pela primeira vez. Por aí, o senso comum "Vettel só venceu porque tinha o melhor carro", não é favorável. 
O terceiro acabou sendo, nem mesmo, o segundo da Ferrari, mas sim o renovado Räikkönen voltando à F1, guiando uma Lotus e terminando o ano com 207 pontos. 
Este ano talvez tenha sido o melhor, dos últimos na F1. A disputa foi genuinamente à ponto por ponto e, considerando que a Lotus não era equipe de ponta, o diferencial de todo o campeonato, estava de encher os olhos: 3 pilotos talentosos, competitivos e de 3 equipes diferentes. 

Pena que em 2013 isso acabou. Foi o último momento de Vettel ao sol, inclusive. Mas fez o que se esperava dele, mesmo que não precisasse mais provar valores. Massacrou rivais com mais de 100 pontos de diferença. Terminou com 397 pontos, enquanto Alonso, patinou de forma um tanto humilhante com a Ferrari, fazendo miseráveis 242 pontos. Webber havia voltado ao top 3, e fechou o ano, quase 200 pontos abaixo do companheiro: 199. Não à toa, aposentou-se, talvez querendo curtir uma maré tranquila e respirar novos ares. 

Confesso que teria ficado chato, se Vettel tivesse permanecido no topo, em 2014. 
Se ainda pairava as premissas de que era o preferido do Christian Horner, e que era vencedor porque tinha o melhor carro; tudo ruiu de uma só vez, em 2014: Vettel teve apenas uma modesta quinta colocação e 167 pontos. Ele amargou aquela temporada e foi superado pelo recém chegado à RBR, o sorridente Daniel Ricciardo, que acabaria, entre os top 3. 

Quem também havia trocado de casa, mas não de motor, era Lewis Hamilton, em 2013. Percebem que, ele não apareceu no gráfico anterior? Em 2011, por exemplo, tinha Jenson Button de companheiro, na McLaren. Tinha, obviamente, o mesmo equipamento nas mãos. Vivia, inclusive com os problemas internos de 2007, debaixo da asa de Ron Dennis, protegidinho na McLaren. Depois que conseguiu uma vitória em cima de um dos pilotos mais fajutos que vi correr na F1 em 2008, Hamilton, simplesmente, desapareceu. Não voltou nem mesmo, para reafirmar seu posto de veterano na equipe, quando esta contratou Button, campeão de 2009 pela Brawn GP. 
Sim, ele teve algum destaque: umas disputas que resultava em acidentes com Felipe Massa, ataque de estrelismos, por conta do companheiro que afetou seu psicológico e fez ele se sentir sempre, ameaçado. 
Saiu da equipe e migrou para a Mercedes em 2013. Hamilton saiu falando mal da comida que  o alimentou desde 2007 e na Mercedes, achou quem impasse seus pés até quem poderia estender os tapetes para que ele passasse. Ao contrário de alguns "estreantes", ele não apareceu em destaque no primeiro ano de Mercedes, por isso, não há seu nome no gráfico anterior nem mesmo quando  mudou de casa. 

Tudo mudaria em 2014, mas só as caras, o logo e o local dos boxes. O MOTOR era o mesmo, desde que ele havia pisado na F1.

Gráfico da Era Mercedes/Hamilton:


Mesmo esquema: eixo y - pontuações dos 3 primeiros e eixo x, cada temporada.
Prevejo o que pensarão, mas segurem seus bois antes da carroça.
Comparem comigo os 3 primeiros anos, só no visual. As torres azuis escuro é Lewis Hamilton, sempre na casa dos 300, seguido por Nico Rosberg o companheiro de equipe. De 2014 até 2017, existe este padrão entre os dois.
Em 2018, Hamilton passou dos 400. E há quem diga: "Vettel perdeu o campeonato com o melhor carro da pista". Se a Ferrari era o melhor carro, o que sobrava para o carro da Mercedes? Extraordinário? Mas vamos chegar lá. 

Ainda no padrão Hamilton e Rosberg, vemos ali que Rosberg, o vermelho, fez mais, do mesmo em 2014 e 2015. O pulo do gato dele foi ver a comodidade do inglês e fazer um pouco mais. Observem os azuis de novo, até 2016. Mesma faixa. 
Querendo, ou não, há uma razão fidedigna de pedir o retorno de Nico Rosberg à categoria. Talvez até, de Button. Ambos souberam que para superar Hamilton como companheiro de equipe, não pode fazer só o que dá, tem que ter cartas na mangas e não contar com ajudinhas externas. 

Vamos aos números:
2014 - Hamilton: 384 pontos. Rosberg: 317 pontos. Ricciardo: 238.
Dobradinha das Mercedes. O carro ajudava Vettel naqueles 4 anos, mas não ajudava Webber? Nunca se expressou dessa maneira, com relação às Mercedes. 
Hmm... seguimos?

2015 - Hamilton: 381 pontos. Rosberg: 322 pontos. Vettel (já de Ferrari): 278.

De novo, Mercedes na casa dos 300. De novo, Hamilton muito mais na frente que o segundo colocado. Ninguém achou chato. O argumento-fermento  de que Hamilton era um piloto excepcional, e que ganhava até uma disputa interna com o companheiro, ganhou força. Não surgiu, naquele momento, ninguém que dissesse que o carro era perfeito. 
Aqui, foi a vez de Vettel deixar a RBR e fazer um excelente ano de estréia na Ferrari. Se estivesse nos tempos de RBR teria batido, quem quer que fosse, que estivesse na Ferrari. Porém, os tempos eram outros. Havia uma equipe que corria, praticamente, numa categoria à parte e esse era só o começo.

Antes de partirmos para 2016, reparem: Alonso desapareceu dos gráficos em 2014 e 2015. Neste último ele tinha retornado à já em decadência, McLaren, que não seria mais a mesma nos anos seguintes. A carreira do bicampeão, em termos competitivos, tinha acabado e só saberíamos disso, quase 3 anos depois.

2016 - Rosberg: 385 pontos. Hamilton: 380 pontos. Ricciardo: 256 pontos.

Quando Hamilton perdeu, perdeu para o companheiro de equipe. Fica a pergunta: Com um carro perfeito, será que muda alguma coisa, quem está no volante? 
A diferença entre ele e Rosberg foi 5 pontos. Rosberg sim, fez mais do que lhe foi possível nos anos anteriores. Hamilton, deve ter jurado, que não estava ameaçado. Deve ter ficado possesso.
Mesmo que o feito do Rosberg, quando olhamos a torre vermelha do gráfico, seja significativo, quando aparecem as torres azuis a gente só vê que sua comodidade gerou apenas 5 pontos. Mais uma corrida, ou mais um arqueada de sobrancelhas de Toto Wolff e não teríamos o nome de Rosberg no topo de 2016.

Sabendo que isso, não iria acontecer de novo, Rosberg se aposentou. Ele tinha um sonho. E conseguiu. Foi cuidar da família e fazer coisas de gente chique. Largou a F1 e toda aquela pressão. 
Há quem diga que fraquejou. Talvez. Mas olha só: eu não teria feito diferente. Se ele estava na equipe, desde que ela surgiu no mapa da F1, e era, muitas vezes, a segunda opção dos dirigentes, o que sobrava para os próximos anos, sendo campeão mundial? A cobrança, por mais que seja velada, ia vir e muito forte. Viraria um pobre cara que ganhou um ano e depois virou piada. Já tinha conquistado sua meta. Ficou feliz, escreveu seu nome na história do automobilismo. Tchau e bença. Coitado de quem o substituiria... Ia ser ainda mais, carta fora do baralho para os dirigentes da Mercedes.
Escolheram o (até então) possivelmente talentoso, Valtteri Bottas. E é aí que o gráfico muda.

2017 - Hamilton: 383 pontos. Vettel: 317 pontos. Bottas: 305 pontos.

É aqui, em 2017 que as relações de carros potentes e pouca competitividade salta aos olhos. Coincidentemente é quando a F1 e a Liberty tiveram notoriedade. 
A Liberty Media, conglomerado de telecomunicações estadunidenses comprou a F1, e foi anunciado o acordo em setembro de 2016. 
A expectativa era que a F1 se tornasse uma grande categoria, já que americanos para eventos esportivos eram e são muito famosos. Basta dar uma olhada em toda a apoteose que fazem com a liga de futebol americano, a NFL, todo ano. Logo que houve a compra, as declarações davam conta exatamente disso: de transformar a F1 em uma NFL da vida. 
Isso poderia ser interessante, desde que eles pegassem princípios bons da liga: o teto orçamentário e a possibilidade de chances de reajustar o time para o ano seguinte àquela equipe cujo rendimento na temporada tenha propiciado a última colocação geral.
Havia esperança, mas não era coisa que parecia que ia acontecer. Eu quase suspeitei que a F1 ia ser só festa e marketing. 
Devia ter batido três vezes numa madeira. 

Todos os três primeiros pilotos, em 2017, terminaram na casa dos 300 pontos. Até o "novato" Bottas. A surpresa era a Ferrari ter melhorado, mas não o suficiente. Alguma coisa, administrativo ou mecânico, faz dos carros da equipe e os pilotos nunca serem bons o suficiente, desde 2008. A melhora da equipe vermelha ia ter uma resposta bizarra, no ano seguinte.

2018 - Hamilton: 420 pontos. Vettel: 320 pontos. Kimi: 251 pontos.

100 pontos de diferença. Cem! Dizer que estava chato, era coisa de poucos de nós. Tanto que o senso comum deste ano fatídico era uma verdadeira ladainha: Vettel perdeu o campeonato porque é desequilibrado mentalmente, afinal, "a Ferrari tem o melhor carro do grid". Será que podemos jogar a culpa toda, num dado mental que só podemos supor que exista?
Räikkönen reforçou que a Ferrari era o melhor carro terminando a seua segunda última temporada na Ferrari com 251 pontos. 
Penso eu que, se isso fosse verdade, mesmo com erros, Vettel teria, pelo menos, fechado o ano com 360 pontos, e Kimi, somado algo em torno dos 300 pontos.

"Hamilton é melhor do que Vettel". Até parece ser isso. Olhando bem, Vettel teve nos seus bons tempos, pelo menos, 4 concorrentes de peso, ao título, entre eles - goste ou não goste - Fernando Alonso. Ainda mais, entre eles, o companheiro de equipe, Mark Webber, que teve sim, em tese, e sem teoria conspiratórias, o mesmo carro.

Hamilton teve mais, e superou todos com louvor, menos Rosberg. Vejam bem: o único que Vettel e Hamilton enfrentou de "rival" chama-se Kimi Räikkönen. Os demais, não aparecem na lista de rivais de Hamilton, como Button ou Alonso. Webber se aposentou, então Hamilton enfrentou seu substituto imediato: Ricciardo. 
Da lista de Hamilton, ele teve a "distração" de perder o campeonato para Rosberg, companheiro de equipe. Ainda assim, a sua raiva deve ter sido sumariamente egoísta, pois Rosberg era de sua própria equipe. A solução seria muito simples: Bastaria chorar por um companheiro capacho, que todos seus problemas estariam rapidamente resolvidos, logo no ano seguinte.
Vamos concordar que foi, mais ou menos isso?

Além disso, ele enfrentou um Vettel com uma Ferrari instável, um Räikkönen combativo, mas nem tanto. Acrescentamos um companheiro inexpressivo como o Bottas e estava mais fácil que descascar uma banana. Não enfrentou um abacaxi. No máximo, Ricciardo, que nem ainda tem seu nome no Hall da Fama. Era e ainda é apenas promessa.
Em 2019, por Ricciardo ter, cascado fora da RBR, mostra que não tinha carro, tinha mais era vontade.

"A era Vettel foi muito mais chata". Foram só 4 anos, e dois deles, disputados até a última corrida.
"Vettel venceu porque tinha o melhor carro". Mas Webber não ameaçou ele de forma que perigasse perder o título em nenhum dos anos.
"Hamilton é melhor que Vettel". Hamilton nunca superou os mesmos rivais, nem mesmo, experimentou fazer seus feitos grandiosos com uma equipe de motor desconhecido. 

E a que eu mais gosto: "Vettel é ruim, se ele não tiver uma equipe que trabalha para ele, ele não faz nada..." 
O Hamilton saiu da McLaren antes da equipe começar a ruir. De repente, a Mercedes, que teve até Michael Schumacher no corpo de pilotos, dispensou o heptacampeão e em um ano, resolveu todos os seus problemas internos e questões de confiabilidade no carro. Tanto que Hamilton em seu segundo ano na Mercedes, somou 384 pontos e Rosberg 317. 
Sejamos bem sinceros? Desde 2007, Hamilton ganha as coisas, no grito. Experimentem observá-lo longe da primeira colocação. Basta um segundo lugar, com um zambetante ponteiro. É choro e vela no rádio, como qualquer outro.
Não se enganem: ele também bate o pé. O problema é que a Mercedes não tem histórico como a Ferrari de nas caras de qualquer mulambento, que trabalham para um piloto específico e o outro que se lasca.
Mal Kimi saiu da Ferrari, e "ele é genial na Alfa-Romeo". Na Ferrari, tudo quanto é crítico achava que Kimi "deveria ser mandado embora". 
Mal entrou, e "Leclerc sofre porque a equipe trabalha só para o Vettel". Eles iam mesmo, fazer o possível para trazer o cara, honrar pré-contrato e fazer o papelão que estão fazendo até agora?

Temos todas as armas para afirmar tudo isso. Grandes argumentos.

Mas, vou declinar deles, todos, se me permitem. Não vejo assim. E olha que não sou fã do Sebastian Vettel. Caso alguém ainda duvide, sou fã do Kimi Räikkönen. Mas, convictamente, não tenho empatia pelo Lewis Hamilton

A temporada 2019, já começa a dar sinais de fazer parte do mesmo gráfico: Hamilton já tem 187 pontos, em 8 corridas. 6 vitórias, 8 pódios. Bottas é o segundo, com 151. Já temos a dobradinha da Mercedes, fácil, pela quarta vez em 6 do total.
Vettel o terceiro, agora que alcançou a casa dos 100, com 111 pontos. É perigoso Hamilton passar dos 450. 
Vencendo todas as 13 corridas que restam (o que parece ser a premissa mais próxima do real) Hamilton terá 325 pontos, que somados aos 187, pasmem, dá 512.

Ele detêm recordes de poles, de vitórias e o escambau. Com esse sistema de pontuação, será o maior pontuador da história, e ninguém questionará essa "facilitação" matemática, digamos assim.

"Hamilton é melhor que Vettel".

Será?

Abraços afáveis!