sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Pré Abu Dhabi: Última corrida da temporada 2019

Neste fim de semana teremos o último Grande Prêmio da Temporada 2019 da Fórmula 1.
Mas, o GP é em Abu Dhabi. Um circuito que é apenas esteticamente pomposo, mas que oferece pouca emoção competitiva como outros circuitos do calendário.
Portanto, para a comunidade de fãs da F1, a insatisfação se dá por dois fatores mais fortes: é a última corrida até março e é em uma pista pouco atrativa.
Especificamente para alguns de nós, essa tristeza não é apenas bidimensional.
Uma das situações é que, pragmaticamente, não vale muita de nada essa corrida. Não há muita importância saber quem será terceiro, quarto, quinto ou sexto na temporada. A não ser que, a gente torça para quem está ali na disputa dessas colocações.
Duas que, por conta de três ou quatro corridas boas do ano, o saldo da temporada acabou sendo muito positivo entre os fãs, especialmente os recentes. Mas a temporada se conclui com mais do mesmo, sem nada para se empolgar demais, especialmente quanto à campeonatos de construtores e piloto.
Sendo Abu Dhabi a última corrida do ano, uma dessas que a gente descartaria do calendário sem pensar duas vezes, ela sucede uma que muita gente se empolgou para valer.

Poderia ser que estavam nossas terras, mas o GP de Interlagos acabou sendo uma das melhores corridas do ano, ao lado de Áustria e Alemanha, no top 3. Para o top 5, dá para acrescentar Monza e Singapura. E mesmo assim, vamos para Abu Dhabi, para fechar o ano.
Conscientes de que valerá pouca coisa, muito que reserva Abu Dhabi pode já estar escrito, à ponto de se concretizar com certa facilidade: a terceira colocação para Max Verstappen está quase garantida - graças a seu empenho em algumas corridas, inclusive no Brasil e graças também à má administração da Ferrari durante "tooooodo" o ano de 2019.

E por falar em Ferrari, a única pendência para esse campeonato que teria a chance de se resolver em Abu Dhabi, envolve justamente os pilotos dessa equipe. Ambos saíram "queimados" do GP de Interlagos por terem se envolvido num acidente que, como a maioria deles, poderia ter sido evitado. A grande questão é que a ação de evitar toques sempre carrega a discussão de quem seria a culpa quando acontece. O pensamento sempre vai a diversas análises:
a) se o piloto x deixou espaço suficiente da pista para o piloto y;
b) se o piloto x (ou y) acertou ou errou o ponto da freada;
c) se havia algum problema no carro dos pilotos envolvidos;
E etc.

Em Interlagos, o acontecido entre Sebastian Vettel e Charles Leclerc era um incidente de corrida que tirou ambos da disputa pelo terceiro lugar na tabela - e que, com a vitória no mesmo GP, ficou muito mais propício para Verstappen que para um dos dois. O toque também propiciou que Alexander Albon fizesse uma corridaça (se não fosse o hexa -espetacular-campeão Lewis Hamilton, teria ido ao pódio), assim como Pierre Gasly e (após a punição) Carlos Sainz tivessem os primeiros pódios de suas carreiras na F1.
O que houve entre os pilotos da Ferrari foi simples: Charles decidiu passar o companheiro, que não aliviou. O troco foi dado por Seb, e Lerclerc também não aliviou. Conclusão: Suspensão quebrada e pneu furado. Ambos ficaram fora da corrida.

Quem foi o culpado? Há duas respostas para essa pergunta.
A primeira é "Os dois são culpados".
Para isso, justifica-se: Os dois são culpados pois, nenhum aliviou, mediu, pensou, analisou as possibilidades de investir numa ultrapassagem e/ou mantê-la. Tudo por um quarto (e miserável) lugar. O foco de manterem-se na pista os ajudava matematicamente, afinal estavam na disputa pela terceira (ainda que morna) colocação no campeonato.
Decidiram e optaram pelos seus próprios egos - o orgulho manifestado em Leclerc é o de piloto promessa, futuro de campeão da Ferrari. O de Vettel é orgulho de ser tetra campeão, que não aceitaria uma ultrapassagem qualquer. Para o primeiro se tivesse dado certo, estaríamos enlouquecidos, rotulando Charles como espetacular. Alguns torceriam muito para que a Ferrari fizesse um carro competitivo em 2020 para ver o embate dele com "o melhor do mundo", Lewis Hamilton.
Notadamente, com essa situação, aumentaria demais "os gritos" clamando por uma aposentadoria de Vettel. Agora se este tivesse tirado Leclerc da corrida, aqueles sussurros abafados de que Vettel é sujo e ignorante com quem é "mais talentoso que ele", se transformaria em gritos. Seus fãs - ainda que parecem poucos - cansariam de dar exemplos e expor qualquer argumento em favor de seu ídolo, a ponto de, talvez, "perderem a voz".

Há outra resposta para "quem foi o culpado", lembram? Pois bem, e essa resposta é "Nenhum deles".
Já justifico: Nenhum tem culpa na disputa, mesmo que fosse apenas por um quarto lugar. Nenhum tem culpa, pois ambos queriam (e querem) ficar com a terceira colocação no campeonato.
Vettel queria (e quer) ser o terceiro em 2019, pois é tetra campeão. Como experiente, já mostrou muita inteligência na pista, mesmo neste ano em que choveram críticas. Um destes bons episódios foram as suas decisões estratégicas e sua luta pela vitória em Singapura. 
Além disso, foi um ano duríssimo para ele. É visível que a Ferrari já o deixou de lado (algo que eu mesma disse, no ano passado, quando projetei o futuro da Ferrari com a contratação de Leclerc). E ele, pela história que tem, não iria deixar fácil que aquela ultrapassagem não tivesse troco, ainda mais estando longe de conquistar esse terceiro lugar na tabela. Não aliviou. Não se espera que alivie sendo um tetra campeão. Se esperavam que ele fizesse papel de trouxa o ano todo, então o errado aqui não é ele, é quem pensou assim.
Leclerc queria (e quer) ser o terceiro na tabela dessa temporada. Está no seu segundo ano de F1, seu primeiro na Ferrari, equipe dos seus sonhos desde que começou a correr. Ficando em terceiro, estaria apenas atrás das duas Mercedes, então arrumar para que essa conquista ficasse mais próxima do real, seria uma vitória para ele e também para a Ferrari, pois garantiria (mais ainda) o posto de número um da Scuderia. Podemos julgá-lo por tentar avançar sobre o rival que, estando à frente, poderia dar trabalho na última corrida do ano? Não. Assim, não aliviou. E subestimou o companheiro achando que ele facilitaria a sua investida.

Isento ambos de culpa, pois tudo isso acontece muito rápido na cabeça dos caras. Nós analisamos o acontecido depois com textões, podcasts e vídeos no Youtube, mas naquele momento mesmo, tudo aconteceu numa fração de segundo.
Vocês sabem, pois todos nós passamos por isso: para se fazer algo que se arrepende, basta ter agirdo (errado) num piscar de olhos.
E arrependimentos ocorreram por parte de ambos: Vettel estava visivelmente frustrado. Não foi aos boxes e ficou parado olhando tirarem seu carro da pista com reações negativas.
Seu rosto não demonstrava ódio, apesar de ter xingado muito no rádio. Leclerc também tinha se exaltado, mas em seguida, sumiu e não foi se retratar com o companheiro.
Do lado de cá as pessoas torciam por socos e tapas. Mas a questão ficou de um jeito bem mais civilizado. Em tese eles se evitaram, o que foi a melhor escolha. Numa dessas, de cabeça quente, teriam dito e feito coisas que poderiam romper de vez a relação para uma convivência nociva. 
Mattia Binotto evitou dar declarações conclusivas. Inventou de dizer que depois eles sentariam para conversar e isentou, por um momento, a culpa deles. Deixou claro uma coisa: ambos estavam livres para disputarem posições. Abriram as portas para a discordância competitiva, mas não a desavença pessoal, entendam.
O arrependimento de Leclerc transpareceu nas redes: ao ver fãs xingarem Vettel, ele próprio denunciou os perfis que publicaram ofensas. Alguns casos vieram ao conhecimento do público e rachou novamente a opinião de fãs: que soube, louvou a atitude do monegasco. Outros ficaram com um pé atrás com Leclerc por ter defendido o então acusado de culpa pelo incidente. 

Após declarações, Binotto exaltou algo que relação dos pilotos é boa, apesar do que dizem por aí. Fica difícil acreditar nesse cara depois de toda a sua má gerência. Porém parece, apesar disso, que é bem por aí. Uma relação boa, mas não de amor pleno. 
Para quem compra a ideia de que Vettel e Leclerc sairiam no tapa como duas crianças birrentas, peço que assistam todas as brincadeiras pré GPs que a Ferrari fez com os dois e divulgou nas redes sociais oficiais da equipe. Reparem como eles agiam um com o outro. Adultos como são, competitivos como muitos, sabem melhor que muitos de nós separar profissional do pessoal. Não havia alfinetadas, nem caras feias. 
Mesmo assim, se deram muitas brigas na internet, especialmente por partes dos seus fãs. Uns defendendo Charles, outros atacando muito Vettel. Os haters do Vettel é maioria, ainda que não se sabe o real motivo.  
Entre os pilotos, indícios davam conta de estarem tranquilos, apesar do silêncio. A mãe de Leclerc brincou em seu perfil com a batida do filho com Seb. Porém Vettel, que já era consumado vilão da história, tinha a sua redenção duas semanas depois de Interlagos - ou seja, nesta semana. Não tem rede social, não se defende através da mídia. Mantém sua vida pessoal muito "escondida". Faz o certo, embora deixa em suspenso a sua chance de se retratar e mostrar sinceridade. 

A mídia tratou de colocar lenha na fogueira: escalou Vettel e Leclerc para a mesma coletiva. Esperavam pelo tradicional "fogo no parquinho". 
Mas Seb não iria aparecer: seu terceiro filho, estava a caminho e chegou ao mundo, ontem. Sua chegada ao paddock estava adiada para essa sexta. 
Não foi difícil esperar por isso: logo apareceram sabichões a acusar Vettel de fugir da responsabilidade de responder pelo enrosco com o companheiro em Interlagos. 
Essa é a culminância da temporada, mesmo antes da última corrida: passamos um ano inteiro de fofoquinhas e picuinhas. Pouco assunto da categoria foi tratado com seriedade.
 Houve um aumento, significativo de fãs do sexo feminino. Tivemos uma "superlotação" de perfis fazendo memes ou curtindo da cara de alguns pilotos. Alguns destes perfis todos - diz a boca pequena - nem eram tão fãs dos pilotos que estão nas capas de suas páginas, mas criaram "empatia" (para não dizer outra coisa) e se popularizaram nas redes - em especial o Twitter. Em meio a estes, haviam os perfis que, estavam lá já fazia muito tempo, e estavam muito empolgados com uma temporada que começou muito ruim, teve seus bons momentos e pode ter um fim bem condizente e semelhante ao seu introito.
Na F1 em si, logo que tivemos um começo de ano bem chato e sonolento, do nada as corridas começaram a ficar boas e até surpreendentes. Pareceu ajeitado para uma empresa de streaming famosa engatilhar uma segunda temporada de seriado com os bastidores. No ano anterior, a primeira temporada forçou a barra em muitos fatores para trazer certo drama. Dessa vez, nem precisarão "ajeitar" os capítulos: está recheado de polêmicas, de reviravoltas, de embates e rivalidades, de triunfos. Se quiserem, tem até como mencionarem romances rompidos. 

Se Abu Dhabi vai ser bom, eu tenho lá minhas ressalvas. Mas por via das dúvidas, a gente vai com vontade para esse sábado e domingo, afinal, ficaremos abstentos de F1 até março de 2020. Quase quatro meses sem sermos iludidos é muita coisa, admitimos!

Até segunda!!! E boa corrida para todos!
Abraços afáveis!

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