terça-feira, 29 de outubro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 18: GP do México

(Devido alguns problemas técnicos - literalmente rsrsrsrs... - hoje, para o "desespero" de muitos, o texto da corrida será o meu mesmo, com toda aquela carga de ranhetice que me domina nos últimos anos.)

Honestamente, não queria ter ficado para escrever sobre o GP do México. Como tem sido nas últimas postagens, tenho convidado alguns amigos e conhecidos para fazerem esse trabalho por mim. Os resultados têm sido tão satisfatórios que fiquei tranquila inclusive para deixar isso acontecer mais vezes durante o ano. 
Porém, se fosse necessário engatilhar algo meu, que fosse o evento na cidade do México e não o dos EUA. Uma das corridas mais mornas do ano tem endereço em Austin, no Texas. Pelo menos no México as coisas pareciam um pouco mais divertidas.

Mas me enganei. 
Havia toda uma expectativa em torno do sexto título de Lewis Hamilton. No post anterior, deixei todas as possibilidades disso esmiuçadas. Para mim, não parecia tão complicado que Lewis se sagrasse campeão no México, faltando ainda 3 corridas para o fim da temporada.
O empecilho (para todos outros) era um só: Valtteri Bottas. Mas, depois do GP da Rússia, se a equipe apoiasse as suas corridas, fornecendo possibilidade de pódios ou mesmo vitórias, seria apenas para tardar o título de seu primeiro piloto. Favoreceriam assim, a F1 como um todo, ajudando a manter o interesse dos espectadores até pelo menos, a penúltima corrida.
Entretanto, para mim, não havia nenhuma possibilidade de contar com aquele Bottas do começo do ano, raivoso, dando o dedo do meio para as fotos e tudo mais. A Mercedes não ia permitir outro Nico Rosberg no caminho de Lewis. É por isso que Bottas teve contrato renovado. Eles o conhecem a ponto de saber as suas limitações e conseguem controlá-lo com facilidade.

Como nas últimas corridas, também não via - talvez com certa infelicidade por isso - a Ferrari com chances de fazer um serviço tal que atrapalhasse os planos de Lewis Hamilton. A Ferrari iniciou o ano de 2019, com a pré temporada, dando ares de vir com tudo. As cinco primeiras corridas pra valer mostraram que foi apenas uma ilusão. A Mercedes, não mais bobinha, dava as cartadas até mesmo, na pré temporada: ficando meio de lado, o foco ia para a rival, que tomaria toda atenção, enquanto eles trabalhariam tranquilos. Poderiam também usar dos erros que certamente a Ferrari cometeria durante a temporada para também poderem projetar o carro do ano seguinte.

No post anterior, também indiquei que as corridas consideradas mornas ou simplesmente ruins foram protagonizadas pela dupla da Mercedes. México entrou para a lista, podem acrescentar aí. Não surpreende, mas frustra bastante. 
Mas não é sobre isso que menciono as etapas vencidas ou com pódios dos caras da Mercedes. A questão que prova que, estamos tão no "mundo da lua" com a F1 - seja como "bobos da corte" que tem páginas de F1, perfis de Twitter, ou blogs como esse aqui, seja jornalistas ou comentaristas que cobrem a categoria -  é que nós mesmos deixamos de lado o esporte, para dar atenção à coisas totalmente irrelevantes. Em nenhum momento nos atentamos para uma competitividade forçadamente enfiada a qualquer custo na boca de narradores e jornalistas. Deixamos de lado isso para prestar atenção no enfoque excessivo de rádios e declarações malcriadas de chefes de equipes à pilotos, comentários do alto das suas vassouras de ex pilotos (alguns deles, há bodas não apareciam na mídia), e por fim, mas não menos ridículo, dedicamos um olhar apurado na vida privada de alguns pilotos - alguns até, chamando atenção para esse lado, como se fosse relevante.

É amiguinhos e amiguinhas, vou retornar com minha "presença" ranzinza. Então, se segurem aí!
Com os treinos livres do fim de semana no México, tivemos uma ideia do que poderia acontecer na classificação. Boa parte dos que, de fato, prestavam atenção, conseguiram palpitar certo sobre quem seriam os caras da primeira fila. Como já vem acontecendo, quase ninguém, a não ser "os baba ovos" da transmissão local, consideravam a possibilidade de pole de LH. 
Pois bem. Na qualificação, assim como no TL3, tudo que era devidamente relevante, ficou para os 10 minutos finais. Antes disso, detalhes: as Alfas penando um pouco, as McLarens fazendo bons tempos, as Renaults decepcionando, especialmente com Ricciardo. No Q3, as red Bulls surpreendiam, até mesmo com Alexander Albon. Mas Max Verstappen fez o melhor tempo. Foi seguido pelo Charles Leclerc e Sebastian Vettel. Lewis Hamilton tinha apenas o quarto tempo. 
Na segunda tentativa de melhorar os tempos, Bottas acabou por bater forte, um pouquinho antes de fechar a volta rápida. A batida foi forte e deixou o piloto ofegante no rádio. Nada de mais grave aconteceu. Apenas um erro e um susto. Com a sua batida, duas sinalizações foram dadas à 4 pilotos que vinham logo atrás em voltas rápidas: uma luz e uma bandeira amarelas foram sinalizadas no trecho da Peraltada, onde Bottas estava.
Aprendemos da pior maneira essa parte do regulamento da F1: acidentes na pista, da forma como foi,  por questões de segurança faz com que os pilotos sejam obrigados a desacelerar, tirar o pé. Mesmo que o carro acidentado esteja fora da pista, e o piloto se garanta sobre a segurança, não é assim que a coisa funciona. Viu bandeira amarela? Tire o pé. Simples assim.
Dos pilotos que vinham atrás de Bottas na volta rápida, alguns não haviam marcado tempos roxinhos, menos um: Max acelerou e melhorou seu tempo que já era de pole position. 
Sugiro abrirem qualquer portal de notícias e chequem todas as matérias após a classificação. Duvido que algum coloque a volta rápida de Verstappen após a batida como problema a ser discutido. 
Até que... As falas viraram protagonistas. A primeira que indicava algo estranho foi a de Hamilton que disse que ao ver batida de Bottas tirou o pé, mesmo assim, não conseguiria alcançar as Ferraris e muito menos, Max. E então, ao ser questionado, na coletiva de imprensa sobre ter acelerado sob a bandeira amarela ele confirmou que tinha feito. Ainda acrescentou que, sabia o que estava fazendo e que se fosse o caso era só tirar a volta rápida dele e ainda seria pole. 
Isso deve ter enfurecido a FIA, mas não tanto quanto alguns comentaristas conhecidos nossos. O que manda na regra é 5 posições de penalidade por ignorar bandeiras amarelas. Depois de algum tempo, chamaram Max para um papo e diante da sua confirmação do mesmo, decidiram por puni-lo com 3 posições. 

Além disso, demorou muito para decidirem pela penalidade e quando decidiram foi apenas do jeito deles, numa forma clara de dizer quem é que manda.
Alguém gabaritado chegou a tuitar: "Regra para um, regra para todos", justificando a decisão. Está mais para "regra para um, regra para alguns". Seguramente é uma questão que depende muito de quem comete a infração, e qual a posição dela diante tudo. Quantas vezes eu não escrevi que as punições são seletivas?
Acompanhem comigo: A FIA não colocou sob investigação enquanto ouvíamos os pilotos dando declarações assim que deixaram seus carros. A coisa só desandou para Max, pois ele admitiu não ter reduzido a velocidade para jornalistas na coletiva.
Isso causou uma discussão sem precedentes na comunidade da F1 nas redes. Dessa vez não foi  uma simples briguinha de fã, mas uma exaltação incoerente de um conhecido jornalista da Rede Globo.

Reginaldo Leme faz tempo que deixou de ser um comentarista contundente. Diversas vezes foi pego em assuntos dando seu parecer particular como se fosse verdade dada. Posso dizer que, nos últimos 10 anos, deixou de ser um comentarista minimamente capaz, autoridade no assunto, para ser um torcedor de microfone. 
Está certo que, após a declaração (infeliz) de Verstappen, e a punição da FIA, Reginaldo usou da sua conta nas redes sociais para dizer que a reação dele foi imbecil e que o mesmo agiu com irresponsabilidade. 
Faz-se o que bem entende de suas redes sociais. Mas também é preciso saber que todas as postagens têm consequências. Assim, ao ser criticado por alguns tantos, decidiu chamar o piloto holandês de "idiota". 
Não, ele não mediu as palavras. E, mesmo sendo uma figura pública, escreveu sim a palavra "idiota" como se a sua experiência não mostrasse pilotos que tivessem dado declarações absurdas ao longo da história da F1.

Isso gerou um tremendo protesto. Um pessoal que não é fã do Verstappen achou desmedida a reação de Reginaldo. Alguns jornalistas ficaram ao seu lado, claro. Mas outros perfis, de "zueira" inclusive, fizeram colocações mais inteligentes que o já experiente comentarista.
Está certo que, rede social é uma coisa muito complexa e ninguém sabe usar com bom senso o tempo todo. Quantas vezes não postamos algo que nos arrependemos depois? É com certos "tombos" que a gente vai aprendendo a usar a ferramenta. 
Existe uma responsabilidade muito grande com o que se posta na internet. Eu evito xingar piloto. Meu perfil do Twitter está aberto. Se posto uma coisa ofensiva, brota alguém para revidar com mais ofensas. Já aconteceu isso só porque eu disse que uma atriz havia "estragado um personagem" num filme e o fã clube da garota veio me xingar e falar que eu tenho inveja (oi??) da "deusa". 
A bancada julgadora da internet é perigosíssima. Se eu, "anônima", não estou imune à ataques tais como o que mencionei, imagina Reginaldo Leme, um cara influente? Muita gente compraria (como compraram) a sua opinião sobre algum evento/piloto da F1. E muita gente também achou que ele foi anti ético e foi bater de frente, cobrando imparcialidade. 

Se preparem aí, pois vou defender Verstappen. (E acho que tenho feito isso mais vezes do que ele realmente merece. Mas vamos lá...!) Na postagem inicial de Reginaldo, ele indica que a sua estupidez maior era ter sido prepotente. A punição então, ele parecia concordar, tinha sido pela prepotência de Max admitir que ignorou o alerta de segurança e em seguida ter tripudiado. Reginaldo em si não disse nada na transmissão sobre Max não ter tirado o pé. Assim, se o piloto tivesse ficado calado, talvez ninguém teria percebido? Se tivesse negado, não merecia ainda ser investigado e punido? 
É como eu disse: a regra é para um, a regra é para alguns. Não é regulamento que dita as decisões, é arbitrariedade dos comissários. 
Colocaram na balança: "Opa! O menino é rápido, mas peitou a gente, vamos penalizar em 3 posições só. Agradamos o pessoal da Ferrari, que vão encrencar caso decidamos abafar o caso e colocamos Hamilton na segunda fila. Ninguém vai achar ruim, pois estamos ainda dando chance de competitividade..." Foi isso o que aconteceu.
Depois de ser criticado, Leme decidiu estourar o "idiota" para Max. Só conseguiu piorar ainda mais a situação. Eu ou algum de vocês publicarem uns palavrões para um piloto por raiva, é uma coisa. Reginaldo  tem um compromisso ético profissional e um respeito que deveria transparecer, portanto não deveria se permitir à isso. Exagerou. E muito! Especialmente pois, se fosse outro piloto muito querido por ele (e também pelos outros de sua bancada) o tratamento seria completamente diferente, ou seja, defenderia com unhas e dentes a atitude e acusaria a FIA e suas regras.

E é aí que eu quero chegar: Max não negou. Foi honesto. Falou o que fez e assumiu a responsabilidade. Não mentiu e vamos ser bem sinceros um com os outros? Está certo. Creio eu que dos pilotos da atualidade, todos ele optariam por colocar panos quentes, dariam alguma desculpa ou simplesmente mentiriam sobre terem ignorado o alerta. 
Verstappen já se mostrou muito prepotente e raivoso em diversas ocasiões. Algumas vezes foi criticado duramente, e eu não consegui não dar razão para ele pelo menos em algum ponto. Um destes casos, foi exatamente o que motivou o comentário de Reginaldo.
Ao ler o que Leme postou sobre Max, me lembrei das críticas do Verstappen em relação ao Felipe Massa, em 2017. Fiz até um texto sobre ver aqui) na ocasião. Já sabia que a implicância era "pessoal". E então, pouco tempo depois, lá estava outra postagem do jornalista como justificativa,  mencionando o corrido com "brasileiros" e dando a entender que se Max não respeitava, não mereceria respeito. Estava fechada a questão.

Temos no Brasil esse critério seguido por muitos: aqui se leva pelo gosto pessoal qualquer coisa (geralmente irrelevante) e a mídia poliniza a situação como verdade dada.
Para isso, voltamos o olhar para o GP do México: muita festa, caveiras. Eu gosto do local. Adoraria visitar a Cidade do México, embora tenha um certo receio com a culinária e outras coisas que a gente ouve falar. Poderia ter sido um GP menos morno, menos com cara de manipulado? Certamente. Mas aí é pedir demais.
Com relação à transmissão, quem não tem TV por assinatura, sofre: nos últimos anos, GPs mexicanos e estadunidenses são "anulados" da TV aberta e priorizado o campeonato brasileiro de futebol. Mesmo que títulos sejam decididos nestes lugares, eles jogam na programação B, isto é, nos canais de assinatura. Essa opção nem de longe faz parte de um processo mais apurado que uma transmissão no canal "popular". Talvez por acharem que não há tanta adesão, somos expostos à erros intermináveis da transmissão, piadinhas sem graça, e críticas à pilotos "saco de pancada". Quem acompanhou os TLs sabe: Romain Grosjean virou chacota num dos momentos.  Havia necessidade de tanta crítica e piadinhas sobre Grosjean? Não, não mesmo. 

Com a classificação mal narrada, indicava uma corrida nos mesmos moldes. Pairava uma nuvem de reação complexada no trio da SporTV. Qualquer coisa era motivo de acusar a incapacidade de Verstappen ser um piloto responsável e digno de exaltação. 
Já na largada, Luciano Burti procurou problemas na largada de Vettel. Verstappen errou e os três arrumaram a primeira oportunidade de criticá-lo.
A corrida seguiu normal, com um excesso de comentários elogiosos para Albon, na terceira colocação. Claro, esse é companheiro de Verstappen. Indiretamente, falavam mal do novo vilão.
O conto da carochinha começou com as primeiras paradas. Assim que Leclerc fez uma parada, o rádio do Vettel foi divulgado. O engenheiro queria saber o que Vettel achava do "plano C".
Era óbvio: o Plano A da Ferrari era não deixar que Hamilton avançasse. O Plano B era o que Leclerc tinha assumido: fazer duas paradas. O Plano C era tentar uma só. A transmissão ficou boiando por alguns minutos sobre isso. 
Já podemos mandar currículos para comentar lá? Pois é bem capaz que todos nós tenhamos aí, com nossa pobre experiência de blogs, podcasts e perfis de F1, capacidade de fazermos um trabalho mais bem feitinho que esses caras. 
Brincadeiras à parte sabemos que há um pessoal bem mais capacitado a entregar bom conteúdo nas transmissões do que os são garantidos pela bancada da Rede Globo. Tenho certeza que há muitos nomes muito melhores aí na web cobrindo a F1 sem parecer um programa de fofoca. 

Ao contrário dos três patetas, a Mercedes entendeu bem os planos da Ferrari. Avisaram Lewis que Leclerc faria duas paradas. Eles então iriam de uma só, para garantir que ele ganhasse a corrida. 
O único esforço dele era de sustentar a platéia com seu monólogo teatral de dar inveja à Shakespeare. Assim que parou e colocou os pneus de faixa branca, iniciou os rádios que questionavam a estratégia. 
Do lado da Ferrari eles agiam naturalmente "baratinados". Leclerc não tinha rendimento e passaram a mentir para ele sobre o "stint". Vettel, mais esperto, se negava a parar quando era solicitado, tentando sentir a capacidade de valer a estratégia de uma parada só para ir até o fim e tardar a troca para, pelo menos, manter o P2. Sagaz, ele fez a sua própria corrida. Se tivesse ido para os pits quando o engenheiro pediu, teria sido outro fiasco e mais uma dobradinha (de graça) à Mercedes. 
Alguém elogiou? Alguém percebeu essa sacada? Só Leclerc quando foi dar as declarações pós corrida e olhe lá, pois foi uma forma de exemplo do que ele - que se cobra muito - deveria ter feito.

Assim que Leclerc selou a sua ingenuidade em confiar demais na equipe e (mais uma vez) errarem com seu futuro campeão numa segunda parada lenta no pitstops, continuávamos com uma narração que colocava dúvidas sobre a resistência dos pneus de Hamilton.
Não havia nenhuma razão para achar que LH não ia chegar ao fim da corrida, e ainda por cima, com toda a pompa de "ter feito uma corrida espetacular". 
Para isso, ele já tinha mudado de quadro na sua peça teatral: não reclamava da estratégia; seus rádios eram de pedidos que o deixassem correr. Fingindo tensão e concentração, o "showman" fazia tudo de acordo com seu plano. A pergunta de um milhão de reais é essa: Quando é que, nos últimos seis anos, a Mercedes perdeu corridas por desgaste de pneus? Ora, façam-me o favor! 
A ladainha da narração se seguiu e se seguiu, e até mesmo faltando umas oito voltas para o fim, ainda se falava nisso, com um adendo: Hamilton estava muito longe de Vettel e então passaram a dizer que o inglês estava fazendo mágica e tinha um ritmo absurdamente genial. 

O ano todo, com exceção talvez das cinco primeiras corridas, não se falava muito de Hamilton. Nas primeiras corridas, se falava de um "novo" Bottas. Depois do Canadá, passamos a ouvir e ler sobre Ferraris: um reclamão e chato Vettel, um inexperiente Leclerc. A Ferrari tornou assunto de todo o começo da segunda metade da temporada. Leclerc protagonizou 2 vitórias que fez tudo parecer bem empolgante. Ganhou um título e tornou-se o "poleman". Também depois das férias de verão, sua vida pessoal foi exposta.
Nas últimas corridas, se falou mais de Vettel e uma possível rixa que teria tido com seu companheiro novato e querido pelos novos torcedores. Na real, tudo "disse-me-disse". Os caras continuaram na deles, e o povo, fomentando polêmicas. 
Hamilton em si, estava bem apagado, especialmente na segunda metade do ano. Suas classificações estão sendo básicas demais. As vitórias, tanto Rússia como México, foram todas possíveis pelo erro estratégico da Ferrari que desperdiçaram o favoritismo em ambas.
E quando ele está fora dos holofotes é o momento de amostras certas de estrelismos: Postou fotos com Ferraris. No Japão, teimou em ir para Tóquio para ver jogo de basquete (ou sei lá o que era o evento). Houve uma manifestação por ter quase participado do "Top Gun 2" (mas deu uma desculpa besta, e ficou totalmente irrelevante a informação) e por fim, a que deu mais assunto: Na pausa entre o fim de semana em Suzuka e o seguinte no México, defendeu uma vida saudável em suas redes sociais.

Cheguei num ponto crítico: nada contra a pessoa se declarar "veganas". Não pago a comida dessas pessoas, pouco me importa se elas não querem comer carne. Mas - acho que não sou a única - eu me irrito com veganos que querem porque querem incutir nas outras que essa é a melhor forma de viver: comendo vegetais e nada de origem animal. Eu sinto que proteína animal é necessária para meu desenvolvimento. Se passar a comer só frutas e verduras, eu vou sumir!! E não somos todos iguais, com metabolismo funcionando igual para começarmos todos a consumir as mesmas coisas. Exige um acompanhamento e não me parece ser o meu caso.
Sim, eu critiquei (como alguns outros também criticaram) o Hamilton por ter exposto seus hábitos alimentares e se revoltado com a "destruição ambiental". O pessoal da comunidade que debate F1 saiu na defesa. Era mais um motivo para odiarem o já "sofrido" Lewis. Além de acusar um pessoal de racismo, li outros comentários sobre o fato de discutir o hábito alimentar e sua "militância ambiental" coisa de gente ignorante, acéfala. 
Foi quando saiu uma matéria de que Fernando Alonso teria criticado o inglês. O argumento do ex piloto da F1 e ex companheiro de Lewis era que, ele - Alonso - não via necessidade de divulgar o que comia. Outro ponto de argumentação do espanhol era semelhante ao meu: era contraditório ter uma grande preocupação com o meio ambiente uma vez que o estilo de vida dele não era nada próximo de alguém declarado ambientalista. Mencionou inclusive que pilotos pegam 200 vôos por ano. 
E aí? Fora isso, são 21 etapas no ano - ano que vem 22. Não se liga os motores só para a corrida, se liga nos treinos livres de sexta e de sábado, na classificação e no domingo. Os combustíveis, por acaso não são poluentes? E os pneus? São reciclados? As Ferraris que ele postou convidando a todos, para um passeio com ele, têm motor elétrico?

O que a mídia fez? Saíram perguntando para pilotos e ex pilotos sobre isso. Alonso declarou algo que tem sua razão e foi metralhado. Porque é Alonso, e porque não se fala mal de Hamilton. Grosjean parece que disse que seria perigoso um piloto ser vegano (e concordo também, sob o ponto de vista da energia que proteína animal oferece e não, não há substitutos compatíveis). Como o narrador da SporTV mencionou num dos TLs "Grosjean fala muita porcaria". Olha só, se fosse verdade, Grosjean deveria ser o ídolo do trio global, mais os outros dois narradores já conhecidos. 

Está na moda ser ambientalista. Quantos artistas que não sabem onde está a ponta do nariz (plastificado) comentaram suas abobrinhas sobre Amazônia? Lembraram de certa "cantora"? Pois é. Ela e tantos outros, falaram absurdos sobre meio ambiente. Deu uma baita vergonha na gente, pois sabemos que não são capazes sequer de regar uma samambaia.
Os jornalistas tiveram a chance não de procurar com os companheiros de Hamilton as opiniões deles sobre meio ambiente ou alimentação saudável. Poderiam pegar o caso do GP da Holanda e os entraves para acontecer em 2020 só para ilustrar. 
Olhem só se não tinham assunto para mostrar o quão hipócrita Hamilton foi só para ter um pouco de atenção: De protestos à emissão de gases, GP da Holanda enfrenta problemas para acontecer em 2020. Essa matéria saiu no começo de outubro e poderia ser usada contra o discurso de "querer desistir de tudo" e fazê-lo se posicionar à contento.
Enquanto ele fica sendo imune a críticas, os outros, não. Por inveja, ranhetice, por "ódio" do "blessed"... Escolha a sua razão e seja feliz. Eu não me importo. É vida que segue. A dele e a nossa. 

O que quero chamar atenção é que, na segunda metade da temporada essa vitória no México foi a segunda que caiu no colo de Lewis. Expliquem como um carro equilibrado teria um desgaste de pneus tais que comprometeria a primeira colocação de Hamilton e ficarei quieta, na minha.
Gostaria também de perguntar, porque, das 10 vitórias que teve na temporada, em nenhuma delas ele foi escolhido piloto da corrida. Isso é uma palhaçada para medir aceitação da categoria nas redes. Mas, na Rússia escolherem Vettel como piloto da corrida. No México, escolheram Verstappen. Percebam que, existe uma coisas sendo dita aí através dessa escolha e ela não é arbitraria. O pessoal dirá que é porque ninguém suporta o sucesso de Hamilton. Será?

Expliquem como um carro equilibrado teria um desgaste de pneus tais que comprometeria a primeira colocação de Hamilton e prometo que ficarei quieta, na minha. 
Como não há uma explicação para isso, a não ser apenas dizer que o cara é maravilhoso, tal e coisa e coisa e tal, o GP mexicano terminou como num filme blockbuster. Assistimos à tudo como se fosse a coisa mais heroica já vista desde os Vingadores derrotando Thanos. A corrida terminou com milhares de pessoas tendo orgasmos múltiplos com a vitória de LH. Para melhorar ainda mais, e deixar a minha pessoa com uma cara de tédio gigantesca, haveria a suspensão do carro vencedor até o pódio. 
A cena, todos vocês viram: Hamilton em pé no cockpit, com os braços para o alto. No telão, a foto de garoto sedutor, canhões de fumaça e de papeizinhos picados deram o toque final. 
No Instagram da F1, colocaram o vídeo dele emergindo com a seguinte legenda: "Still I Rise" - em português "Ainda assim, eu me ergo". Essa frase é tatuada de ombro a ombro nas costas do piloto:


Propício, não? Jamais imaginaríamos outro piloto ali naquela mesma situação que não ficasse, pelo menos, sem jeito. Talvez, e no máximo, arrisco dizer que Ricciardo poderia combinar com uma situação dessa. Mas o emergir do piloto com o carro, no pódio colou demais com a frase, quase uma hashtag do "Celebrity boy". 
Estamos satisfeitos com isso? 

Neste fim de semana nos encontramos de novo, dessa vez nos EUA. Americano sabe fazer festa e a pista favorece a Mercedes e Hamilton. O hexa virá com que tipo de apoteose? Façam seus palpites.

Abraços afáveis!

2 comentários:

Carol Reis disse...

Eu achei aquele pódio tão "over" e aquela entrada do Hamilton foi a cara dele. Fico imaginando o Kimi tendo que fazer uma entrada dessas kkkk. Acho que foi numa dessas matérias de top gun 2 que eu li tbm que ele queria ser ator e até mandou umas fitas para testes. Coragem.
Quanto mais caro um estilo de vida, maiores são os danos ao meio ambiente que esse indivíduo causa. Se ele quisesse mesmo ajudar o meio ambiente, deveria consumir menos, mas não dá p fazer isso e ser milionário ao mesmo tempo né. O Alonso tá certo.
Agora que patacoada foi aquela dos fãs do Hamilton hein, sobre ele estar com problemas de saúde mental. Olha...vergonha alheia é pouca. Primeiro que nem conhecem o cara; segundo, por mais que ele tenha sido sincero (duvido), isso só mostra o quanto as pessoas gostam de banalizar depressão e outras doenças mentais.

O Reginaldo Leme, como vc bem colocou, já é torcedor há muito tempo. Por essas e outras que eu prefiro a Juliane Cerasoli, acho que é uma das poucas que mantém a parcialidade. Eu acho que o Max mereceu a punição, é perigoso continuar acelerando nessas condições. Lamentável mesmo foi ele precisar admitir isso publicamente p FIA tomar alguma atitude. Caso contrário passaria batido.

Eu acho mesmo que o Vettel poderia ter ganho essa corrida se tivesse ouvido as ordens da ferrari e entrasse antes, mas também não dá p culpar o alemão. Como já dizia o ditado: gato escaldado tem medo de água fria.

Manu disse...

Hahahahaha, imaginei a cara de desprezo do Kimi. Seria épico!
A F1 preparou uma coisa que só caberia ao showman mesmo. Já que os holofotes estavam nele pelas suas polêmicas pessoais, lá estava em evidência para seus fãs jogarem na nossa cara o quanto ele é "genial".
Engolimos só para não sermos taxados de nomes feios. E seguimos...