segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 17: GP do Japão

Depois de uma pausa (infelizmente por muitos afazeres) acabei não aparecendo aqui para fazer comentários prévios sobre o GP do Japão, a etapa mais cacofônica do calendário da F1 (falem em voz alta "GP do Japão" e entenderão o que eu quero dizer com isso, rsrsrsrs...).

Assim como nos últimos eventos da nossa amanda novelinha, eu convidei uma grande amiga, jornalista, para escrever sobre o GP no circuito de Suzuka. Os pontos de vista mais diversos, terão espaço no blog, como forma de divulgação e um toque democrático. 
Novamente, com a terceira participação, eu me senti muito feliz por poder contar com mais um excelente texto para publicar aqui. Não é porque é minha amiga não, mas, fiquei empolgadíssima! Espero que todos gostem da contribuição da Carol como eu gostei!

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Mais uma ilusão e título para a Mercedes - por Caroline Monteiro

Que semana estranha! O centro das atenções para o GP do Japão de 2019 foi o Tufão Hagibis. Vai atrapalhar ou não? Vai ter classificação no sábado ou não? Vai ter corrida ou não? Provavelmente, fazia um bom tempo que os fãs de F1 não ficavam tão interessados em meteorologia. Suzuka não é um circuito que traz boas lembranças quando se fala de chuva e segurança, já que é impossível esquecer o acidente do Jules Bianchi, em 2014.

A indecisão em cancelar as atividades de sábado, dia previsto para a tempestade passar por Suzuka, começou a ser questionada. Por fim, foi decidido que seriam realizados os treinos de sexta-feira e o treino classificatório no domingo, antes da corrida. Na região onde fica o circuito, as consequências do tufão não foram tão graves como apontavam as previsões, mas foi a melhor decisão a ser tomada. Essa experiência despertou em alguns pilotos o interesse por finais de semanas mais curtos, com atividades em apenas dois dias. Nós, fãs, teríamos um dia a menos para apreciar o esporte, mas para quem trabalha na categoria, poderia ser um descanso extra, principalmente com o calendário maior no próximo ano.

Hagibis passou e o domingo chegou com um céu limpo e sol. Como diz o ditado, “depois da tempestade vem a bonança”. Valtteri Bottas dominou os treinos livres, mas Sebastian Vettel e Charles Leclerc surpreenderam e ficaram com a primeira fila. Outros destaques da classificação foram Alexander Albon (6º), Carlos Sainz (7º) e Lando Norris (8º). Kevin Magnussen e Robert Kubica tiveram incidentes no mínimo estranhos e as equipes correram contra o tempo para participarem da corrida.  

Porém, a felicidade para a Ferrari durou pouco. Com a péssima largada dos pilotos da equipe italiana, Bottas assumiu a liderança, enquanto Leclerc e Max Verstappen se chocaram. O holandês reclamou no rádio pedindo punição ao rival, que veio só após o fim da corrida, 5 segundos por causar o incidente e 10 por continuar na pista com a asa danificada. Verstappen acabou abandonando nas voltas seguintes. Depois da prova, o monegasco assumiu a culpa pelo incidente.

“Ah, a FIA sempre defende a Ferrari!”, isso não é de hoje, assim como ela vem defendendo a Mercedes nos últimos anos. É certo? Não, mas não sou eu que tenho poder para mudar isso. Sabe-se que Leclerc e Verstappen foram rivais no kart, então, a disputa é bem mais antiga do que parece. Porém, o piloto holandês deveria observar sua trajetória na F1 antes de dizer que o piloto da Ferrari apresentou uma pilotagem irresponsável. Verstappen é um dos atuais pilotos do grid que menos pode falar isso. Ele está criticando Leclerc, mas quando ele comete erros parecidos os comissários que são muito cautelosos, que não deixam eles pilotarem. Engraçado como as coisas mudam, né?

Outra discussão foi sobre a queima de largada do Vettel. Outra vez “A FIA trabalha para a Ferrari”. Primeiro, ele queimou sim. Segundo, os comissários são humanos, não são os mesmos em todos os GPs e cada um pensa de uma forma, ou seja, há brecha para diversas interpretações. É nas falhas do regulamento que as equipes se aproveitam, então, arrumem o regulamento. Para felicidade de Ferrari e do Vettel, os comissários não o puniram, alegando que ele se manteve da tolerância aceitável.

Como fã, digo que ele só se prejudicou com esse erro. Toda a expectativa de mais uma vitória ferrarista foi por água abaixo com a largada ridícula dos dois pilotos. Da parte do Vettel sabemos o erro, mas não vi câmera onboard do Leclerc e ele também não falou especificamente sobre o tema. Além disso, o que mais me deixa intrigada é como os pilotos que largaram na primeira fila, ficam sorrindo alegremente ao chegarem em 2º e 6º (antes da punição)? Coisas estranhas desse GP do Japão.

Apesar da lambança na largada, Vettel se manteve entre os primeiros durante toda a corrida. Mesmo com as más escolhas de pneus, o alemão conseguiu segurar a pressão de Hamilton nas últimas voltas e terminou em 2º. Enquanto isso, Leclerc precisou parar logo no início para trocar a asa dianteira quebrada, aproveitando para já fazer a primeira troca de pneus. Falando nas consequências do toque com Verstappen, uma parte da asa ainda se soltou e quebrou o retrovisor de Lewis Hamilton.

Após a corrida, a FIA divulgou um vídeo em que o piloto da Ferrari está com uma mão no volante e com a outra segurando o retrovisor esquerdo. Como dizem, não há nada tão ruim, que não possa piorar. Pode ser que o monegasco tivesse conquistado um resultado melhor, mas a Ferrari foi Ferrari e errou nas estratégias. Principalmente, na última parada nos boxes. Leclerc não conseguiu fazer a volta mais rápida e ainda perdeu segundos que possivelmente teriam mantido a sexta posição após a punição.

Assim, como no treino classificatório, Sainz e Albon apresentaram excelentes desempenhos. O piloto da Red Bull teve um enrosco com Norris logo no início, mas conseguiu fazer uma corrida consistente e alcançou o seu melhor resultado na temporada, com o 4º lugar. Sainz se manteve forte e mostrou que vem evoluindo a cada corrida, terminando logo atrás de Albon. Quem surpreendeu no Japão também foi a Renault, que conseguiu se recuperar depois de uma classificação ruim. Ricciardo fez lindas ultrapassagens e terminou em 7º, mas com a punição de Leclerc acabou indo para 6º. Já Nico Hulkenberg, que ainda segue com o futuro indefinido, completou o Top 10. O “meio do pelotão” está competitivo e trazendo bastante emoção, que é o que nós, fãs do esporte, queremos.

E no dia que tudo apontava para uma festa italiana, quem comemorou foi a Mercedes, ao conquistar seu sexto título seguido no Mundial de Construtores. Mas nem tudo foi um mar de rosas. Se a Ferrari protagonizou os rádios na Rússia, agora foi a vez da Mercedes. Sabemos que sempre que Bottas está na frente, James aparece no rádio para uma conversinha. A princípio, Hamilton faria uma parada e o finlandês duas. Porém, a equipe mudou de ideia.

Quando ouvi o rádio do Bottas informando que o companheiro faria uma parada a mais, imaginei que era o tradicional blefe da equipe e que estavam só fazendo o piloto de bobo mais uma vez. Só que a Mercedes se superou e surpreendeu a todos. Chamaram Hamilton para uma segunda parada, mesmo com pneus em bom estado, com objetivo de devolver a posição ao Bottas. O diferente desta vez foi que o “James” apareceu para o primeiro piloto, que ficou irritado no rádio e chorou como o de sempre. Não é legal quando James aparece, não é?

A próxima corrida será o GP do México, daqui duas semanas, onde Hamilton pode confirmar seu título, sagrando-se hexacampeão. Faltando um pouco mais de um mês para o fim da temporada, as equipes já pensam para 2020. O drama fica por conta da Williams que, além dos maus resultados, enfrenta problemas com peças para os carros. A Ferrari continuará forte? Sendo realista, a pergunta a se fazer é: a Ferrari vai parar de errar nas estratégias contribuindo com o sucesso da rival?


***
Obrigada Carol, pelos textos. Ficaram magníficos! Já aproveito para incentivar ainda mais que monte um espaço só seu para escrever, já que você comentou neste fim de semana sobre esse desejo. Eu gosto muito de escrever - aqui mesmo, tenho escrito textos gigantescos... E a gente se sente bem compartilhando algumas ideias. E você, como jornalista, deve pensar e produzir muita coisa e então já aviso: Apoio muito que tenha um espaço seu para colocar a profissão em prática e tenho certeza que muita gente irá apoiar da mesma forma! 

Aos leitores, não estão enganados que eu tenha escrito um agradecimento à Carol "pelos textos". Sim, ela me enviou dois: um comentando Suzuka e outro sobre esse desconforto na Ferrari - já que bem sei ela é fã da equipe (e de esportistas italianos). Conversamos depois do GP da Rússia (e dessa conversa até montamos um grupo com nossa amada Yasmin, que está um passatempo divertidíssimo!) e chegamos num acordo - bem mais efetivo que os da Ferrari (risos) - sobre a contribuição dela, aqui no blog. 
O segundo texto dela será publicado amanhã, pela manhã, e está igualmente legal ao de hoje. 

Quanto aos meus comentários sobre o GP japonês, eles devem ser poucos, em vista que muito já foi comentado pela Carol. Mas é certo que até sexta-feira, algo em torno do fim de semana por lá, estará disponível para a leitura, por aqui. ;)

Abraços afáveis!

4 comentários:

Airton n. Monteiro disse...

Parabéns pela matéria 👏👏👏

Carol Reis disse...

A conclusão do texto foi perfeita: A questão principal mesmo é quando a Ferrari vai parar de fazer cagadas e, honestamente, isso não vai acontecer tão cedo. Eu acho mais fácil a McLaren voltar a ser grande antes disso acontecer. Se acontecer.

Manu disse...

Airton: obrigada! É um orgulho poder contar com a contribuição da Carol aqui na página!!!

E Carol (Reis hehehehe): Sim, sua xará mandou bem demais nessa conclusão que é o que desencadeou a formulação do texto específico sobre a Ferrari (que publico hoje, se tudo der certo).
A McLaren pode até começar a melhorar quando voltar com motor Mercedes, e isso já tem data para acontecer. Agora, a Ferrari parar de ser obtusa, ainda é complicado de prever.

Abraços afáveis aos dois!

Carol M disse...

Passando aqui para agradecer o convite, amo escrever e, sobre F1, ainda mais. Obrigada Carol! Você tem razão, McLaren pode dar um passo a frente e a Ferrari desandar.