segunda-feira, 10 de junho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 7: GP do Canadá

Eu gosto do GP do Canadá. Não é minha pista favorita, mas é legal. 
Tive uma ideia nesse fim de semana: talvez não é que eu não goste de alguns traçados; eu não gosto é do que falam, do que se rotula sobre eles. No caso do Canadá, é um pista legal e tals, mas enche o saco aquela história de "Muro dos Campeões". Sério! Porque basta um 'Zé Ruela' dar uma arranhada ali, alguém já justifica: " Aain, jamais será campeão, Deus nos livre...!" 
Por isso, acho uma bobagem. Todos estão passíveis de errar e dar com a fuça naquele muro, desde gênios brilhantes à mornos guias de autorama.
Mas o pessoal gosta de falar...!



Como tudo na vida (e se você tem pelo menos uma rede social, sabe do que estou falando) hoje tem especialista em tudo. Em ciência política, em administração de multinacionais, em direito civil,  recursos renováveis, economia, história do Brasil... Juro! Sou formada em História e já ouvi caboclinho me mandar ler um livro de história. 
O pessoal perdeu a noção. 
É sim, o que acontece na F1, no futebol, no senado, na casinha de sapê... Todo mundo toma partido de alguma situação e começa a briga. 
Diante disso, é claro que tem um monte de gente para dizer o que o piloto X deveria ter feito, numa situação ou outra. Todos nós temos carteira de piloto de corridas, temos não sei quantas horas de simulados, não é? Por isso a gente palpita tanto! 



Eu acho um máximo, poder contar com informações precisas de colegas do tipo: "mas ele deveria ter dado espaço", "mas esse aí não sabe poupar pneus", "cara, isso não é atitude de campeão de F1". Especialmente se eles detestarem, lá no íntimo deles, o piloto X. Não posso e nem devo criticar. Vai que é doença?



Além do mais, o povo gosta e fala mesmo. Pode estar pirando na batatinha, com zero argumentos e tá lá, no nosso querido muro das lamentações - as redes sociais - reclamando, fazendo thread e textão.



Que a maioria de nós está desencantada com a F1, não é novidade. Eu mesma, fiquei ranheta à mais tempo que a maioria de vocês. 
E cheguei na crise do casamento, este ano: quis me separar de Räikkönen, Vettel  e alguns simpáticos (alguns sim, afinal, até eu tenho limites) por conta da própria F1, essa mesma que nos uniu, o nosso "cartório". 
Mesmo assim, caramba, como é difícil um divórcio. E nem temos aqueles problemas que prolongam casamentos: amizade, filhos ou dinheiro... Está mais para alcoolismo mesmo, um vício que te destrói, mas volta e meia você está lá, acabadão/acabadona no bar. 



E então, volta e meia eu fico inconstante como uma viciada que já saiu da fase da negação. Se tenho que trabalhar no sábado, sei que cairá diretamente num fim de semana de F1. e então, eu começo as lamúrias: "Ah, mas tem treino, e lá na escola não tem tv...". Na mesma medida que reclamo, ouço alguém me cobrando a razão: "você sabe quem fará a pole, larga de ser besta!"... E eu saio pelos cantos resmungando. Sim, pois quando mais velha e velho ficamos, mais resmungões também. É uma proporção que não se relativiza. 
Dessa vez, trabalhei de manhã, mas Canadá ("Oh, Canadaaaaaa...") é à tarde. Por isso, eu já estava (quentinha) em casa na hora do treino, estatelada na cama, só aguardando começar.

Como um vício, sim, fui torturada, dois dias seguidos. Na boa, feministas, aquela Mariana Becker é uma vergonha para nós. Eita moça que diz besteira, credo-cruzes!
Se não bastasse um narrador chato, que pilotos pelo diminutivo, não tivemos um "gritalhão ovulante" ou o "gagá-do-contra". Não sei qual a vantagem de um para outro, mas a desvantagem, posso até listar.



Embora a esperança voluptuosa de que Vettel, após a pole, pudesse, pelo menos, quebrar as vitórias da Mercedes e as do Hamilton, por uma mísera corrida que fosse (e era só o que a gente pedia), eu mesma só fiquei feliz um pouco antes do corte brusco da emissora, sem as entrevistas pós treino. Ainda disse em casa (e vocês podem perguntar às minhas irmãs): "Se fosse outra pole do Hamilton, eles tinham esperado para ouvir seu discursinho piegas de sempre". 



Era meio fato que, alegria de pobre, dura pouco e logo teríamos uma lavada, baldão de água fria.
A corrida foi bem isso: uma sequencia de coisas que falei em casa, mas não tuitei para não ter que toda hora, digitar: "estão vendo, eu disse, eu sabia" e vir um monte de xingamentos na sequencia. Não que eu me importe com as pessoas que ficam contra. Mas é uma questão de princípios. Explico porque: eu tenho reclamada de gente chata choramingando nas redes para qualquer coisa. E vou lá ficar reclamando da proteção do Hamilton e da Mercedes enquanto assisto à corrida? Vou ainda ter problema (se já não tive) com isso... Além do mais, não vai resolver eu ficar estressada nas redes. Não posso fazer parte da turminha do "não gostei, vou fazer uma petição". Já passei dessa idade.
E vou ser sincera, o tal do reclamar algo relacionado à F1 causa desconforto para mim e, apesar de não terem falado diretamente, deve causar em alguém mais. Querendo ou não, sempre terá o que vai discordar de vocês e, dependendo de como está seu humor, pode ser desastroso para seu dia. Faltar meios concisos para fala o que pensa, nas horas mais tensas, também não ajuda. Inclusive pois, se eu tenho direito de opinar, outra pessoa também tem. A questão é que, quase ninguém é evoluído o suficiente para saber desse direito, separar a amizade e o afeto que se tem por ela, respeitar o ponto de vista, e seguir normalmente seu caminho. O pessoal anda muito dolorido.
Tô errada? 




Fato é que, se o povo fala demais e eu acho ruim, tenho que botar o modo "pé no breque" (isso usa ainda?) para também não ser uma dessas. Se o povo fala, não vou nem posso ajudar no coral...



A novela estava marcada então, com um enredo de que a Ferrari teria a primeira vitória do ano e uma sombrinha negra pairando, falsiane, como se a Mercedes estivesse com medinho disso. Na real, eu estava convicta de que a alegria do Vettel estava com minutos marcados para acabar, e em pista. Fosse como fosse.
E então, a sábia repórter (Meu Deus!) falou que o capô (capô?????) do carro do Hamilton estava aberto. Freios problemáticos e mecânicos tentando resolver o impasse. Eis uma questão tosca da cena nada shakesperiana: a ida da mesma repórter a falar com Toto Wolff sobre a esperança que esse "ajuste" desse certo e o rosto sereno de quem sabia que ia dar tudo certo para seu protegido. 
Se o problema fosse grave, amigos, ele nem daria declarações para ela, de tão preocupado que poderia estar. Fazer aquele ajuste na frente das câmeras também era uma boa técnica de teatro, chamada quarta parede, só que a platéia não assistia passiva à ação. Juraram que o drama, era real. Menos eu, desculpem. Preciso de um pouco mais para acreditar.



Eu disse, e tuitei que era encenação. Em casa, disse, mas não tuitei, que na volta de apresentação, o carro do Hamilton pareceria lento e a narração ia botar pilha. Mas na largada, ele se normalizaria. Quiçá não ultrapassasse Vettel que se afobaria. Errei, por pouco: Hamilton rabiou na volta de apresentação, porém, na largada, nem parecia  que tinha "problemas".



As paradas vieram, a Ferrari errou a estratégia do Leclerc, para variar. E a coisa começou a azedar quando, do nada, Hamilton estava o tempo todo de asa aberta, muito próximo à Vettel. Era uma questão de tempo, para tomar a posição, e distância dele. Enquanto não saia a ultrapassagem que seria aclamada pelo narrador e comentaristas como "brilhante", "genial" e "incrível", a corrida ainda parecia ser normal, morna, mas normal...
Até que Vettel errou numa curva. Perceu o traçado, atacou a grama, e virou passageiro. Para não dar com a cara no muro, fechou a curva. Hamilton poderia passar ileso, mas quis passar o cara por fora. Tomou uma fechada, sem danos. 
Vendo que o cara passou na grama, porque abriu a curva daquele jeito? Por que não cortou por dentro, deixando Vettel com um segundo lugar custar caro pelo erro da curva? Não é um cara brilhante e cirúrgico nas decisões?
Não. Ele, ao tomar uma cortada sem querer, e por reflexo, ligar o radinho e reclamar. 



Eu disse, mas não tuitei: "Daqui a pouco sai uma investigação..." 
A investigação veio. A Ferrari já havia feito as paradas. Havia cometido o erro de desconcentrar Vettel, que tinha um Hamilton pressionando muito.  
Calmamente eu disse que Vettel ia ter 5 segundos acrescidos da sua volta. Ele tinha perdido a corrida quando Hamilton ligou o rádio.  A FIA é a MIA. A justificativa ia ser a mais tosca possível: "direção perigosa".



E veio a punição. Exatamente como eu disse. Não tuitei, mas precisava? Quando tuitasse, ia ter muita gente contra. Tentei me conter, embora, é como eu disse - alcoólatra num bar pode até dizer: "hoje eu não vou beber", depois de 5 minutos, já está com os copos vazios e gritando "ooooooooh, garçooooooo-om!"



A punição, convenhamos, foi injusta. As ações dos comissários, em 90% dos casos, são injustas. Mas dessa vez, foi doída.
Desde sempre digo que a F1 quando corta o barato, corta sempre de forma errada. Não se pode nada. E ao mesmo tempo, as regras são aplicadas de forma seletiva. Alguns são protegidos. Quantas vezes Verstappen agiu de forma desmedida? Não digo que sempre foi a opção errada, mas ele nunca foi punido quando atacou um ou dois carros da Ferrari, ao mesmo tempo e tirou, um ou dois da corrida. Se ele tivesse a oportunidade de torrar a paciência dos caras da Mercedes, teria o mesmo efeito?



Para uns é "No Further Action". Para outros é a coisa é bem diferente. 
Quantas vezes vi Hamilton ziguezaguear, trocando de traçado duas, três vezes na frente dos adversários? Era uma das regras mais bestas que eu via na F1, e a que ele mais cometeu em toda a sua carreira. Nunca puniram. Agora, pede para um Vettel - não, peça para um Verstappen, um Ricciardo, fazerem isso. Meu, os caras vão xingar, mas vai ser mais chorinho sem resultado.
Exemplos podem ser bem claro, mas lembrei-me de um, até bem recente, que fiquei a discutir com a Tv: "Uai, pode isso?" São 13 segundos, que podem ser acompanhado aqui. Percebem como é que a punição seletiva está colocada na F1, agora, mais que nunca? 



O acontecido de ontem foi uma miscelânea de erros. A Ferrari desconcentrando seu suposto piloto nº1 e, seguindo um protocolo besta, parece ter forçado ele a subir no pódio sendo que, era muito mais legal que fechassem a cara, colocassem banca ao lado da piloto da casa. 
Outra coisa vergonhosa foi Hamilton só dando um "oi, sumida!" para os comissários que, cordeirinhos, resolveram rapidinho em seu favor. Isso não é só corriqueiro, como extremamente errado. A ceninha do capô (capô??) aberto não havia funcionado, a FIA aproveitou outra oportunidade para colocar o piloto que, no mínimo, rende muito quando está vencendo, ou não tem outra explicação. 



Logo, a cena de Vettel tirando as plaquinhas, após ser obrigado a subir ao pódio é a melhor cena do ano e era a única coisa a ser feita. 



Pena que, na minha opinião, tenha estragado tudo pedindo que não vaiassem Lewis, assim que o mesmo questionasse o motivos dos "booooooo".
Acho que se tivesse ficado calado, era melhor. Mas o Vettel é bobo. Mesmo sendo assim, "cordial", o pessoal ainda considera ele "mimizento", "chorão", "mimado".
Obviamente, e digno de Oscar, Hamilton se vitimizou "não sou eu quem dá as ordens". 




Esqueceu do rádio, meu caro? Eu não. Era o start para que analisassem a situação e colocasse em cheque a corrida do Vettel. Era para vaiar mesmo, e ainda vaiaram pouco. Pois não foi só ontem que o esporte, a competição foi assassinada e os responsáveis foram sim, todos os 10 dedinhos dos comandantes da Mercedes.

É claro que essa não deve ser a primeira vez que a categoria "garfou" um vitória de algum piloto. O que salta aos olhos é que, jamais veríamos isso acontecer à Ferrari, à tal mafiosa equipe do grid, aquela que todo mundo sempre disse que ganhava as coisas no grito. 
O que é cativante #sqn é que não surgiu pouca gente revoltada, menos ainda, alguém avessa às circunstâncias e que, de fato, peitasse a categoria tal como está. Se fosse o contrário era fato que ia ter muito xingatório, e até mesmo acusações raciais. Talvez até, a FIA voltaria atrás, uma coisa que certamente, seria inédita.
Mas a questão não é essa que ocorreu. 
Toda ação do Vettel, após a notícia de que ele perderia 5 segundos, a reclamação (que eu não teria feito diferente), a cena dele empurrando seu carro, saindo para os boxes e finalmente, trocando as plaquinhas é a que tem que ser escrita sobre essa "corrida". 
Com ajuda do Vettel, eu consigo, finalmente concluir o quão a temporada está ruim, falsa e ridiculamente sem atrativos. A F1 respirava com dificuldades e com ajuda de aparelhos. Agora, não tem mais salvação. Na sétima corrida, é fato que virou um belo e requintado circo e nós somos os palhaços. Comissários que decidem quem ganha e quem perde, não pode ser coisa de esportes à motor. Não é carnaval, desfile das escolas de samba!!! 


Mercedes - Categoria comissão de frente: 10!
Enredo: 10!
Porta Bandeira: 10!
Alegoria: 9.9!...



Ora...
Há tempos que está assim. Comissários agindo como banca de defesa, fazem uma vista grossa quando o "aluno é articulado", e não há um infeliz que levante a voz, diga que se sente incomodado, injustiçado. E quando o faz, logo vem o "puta cara chorão, meu!?!"...
Que isso, gente! Na boa, vão achar isso certo? O automobilismo, a história que a F1 escreveu até aqui, não pode começar a ruir assim. É independente, inclusive de nossa afeição por pilotos que gostamos, defendemos e amamos. Seja pelo talento que nossas lentes captaram como atraentes, sejam porque achamos bonitões ou simpáticos (que acontece sim, não vou negar). É uma questão de bom senso, algo que parece, não estar disponível nem na pista, nem na cabine de comissários.

Deixem seus comentários. Lerei e responderei ao longo da semana, com carinho. 
Ademais: abraços afáveis e boa semana para nós!

5 comentários:

diogo felipe disse...

O Manu, fica assim nao, uai ! o vettel errou feio, se nao tivesse muro, o luis passava por fora. decisao interpretativa, enfim. o vettel foi pia de predio sim, expressao curitiboca pra menino mimado, chorao, etc :)

ate o rosberg achou q a punição foi justa.

mas se eu fosse o luida, dava uma porrada na cx de cambio do alemao e o charlinho, hehehe, levava esta carrera pra casa !!! hahahaha

bjos afaveis ;)

Manu disse...

Diogo: O Rosberg disse que foi justo, foi? Poxa, Britney caiu no meu conceito!!! kkkkkk...
Mas se teve choro do Vettel, teve um pedido maroto do Luisito, que foi preponderante para a decisão dos comissários. Se é tão brilhante, tivesse atacado o Vettel nas voltas que restavam e aproveitasse que o cara estava desestabilizado. Assim, não adiantaria toda a cena - para alguns de menino mimado, para mim, natural - que Vettel fez e estava tudo certo. Eu ia ficar possessa (mas por razões emocionais que outra coisa), mas, não ia ter essa polêmica para comentarmos tanto.
E segue o jogo, né?

;) =*

Carol Reis disse...


F1: Primeira corrida em que há alguma quebra de monotonia.
FIA: Wait that's illegal.

Não achei o Vettel mimado quanto a isso também não. O que ele fez não foi intencional, não havia outra escolha. Coisas de corrida. Fora que cortar pela grama nem o beneficiou, já que ele quase vai p muro. Ele tinha todo o direito de fechar a cara e agir como agiu.

Eu até entendo o Hamilton achar que o que o Vettel fez foi deliberado, do ângulo dele dá p concluir algo assim. Ele fica feliz com a decisão, a corrida termina, ele vai comemorar com a equipe e aí qnd nota o clima azedo em volta dele, amarela e começa a fingir que "não era assim que gostaria de ter ganhado". Ah vá.

Mas o engraçado mesmo foi ele fazer um post comemorando a vitória e desativar os comentários depois, quando a maioria deles dizia que a vitória era roubada kkkkkk

Manu disse...

Sabe Carol, muita gente teve essa perspectiva que você teve, que eu tive e tudo o mais. Gente boa, conhecedora de F1, falou que, por mais que a regra exista, ela não era aplicável naquela manobra.
Porém hoje, dei uma olhada nas postagens das redes sociais da F1 oficial, com vídeos que exaltavam a figura do Lewis, comentários depreciativos ao Vettel e tudo mais... E eu suspirei. Talvez Vettel precise começar a ponderar a sua saída, não esperar ser mais alvo chacota, como virou Alonso, por exemplo. Acabou o espaço para caras de personalidade, fibra e talento na F1. Agora é só para quem aguenta viver de estrelismos e holofotes. O que é necessário para um vitorioso, é garantido pela tecnologia empregada no carro. Aos poucos, os que tem personalidade, vão acabar desistindo de darem tantos murros em ponta de faca.

A atitude do Lewis de desabilitar comentários, mostra quem em terra de crianças, quem chora para as pessoas certas, escondido, paga de adulto, maduro...

diogo felipe disse...

Foi sim. Britney achou certa a punição. Agora nem o Luís, nnem eu e bem vc iria ser arriscar pra passar quem quer w seja sabendo q não precisaria disso pra vencer. 😉