quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Mais uma da F1 em meio as férias: decisão de Fernando Alonso

Ao contrário do que se pensava, Alonso não estava indo para a Renault ou Force India. A primeira opção escorreu pelos dedos quando Daniel Ricciardo anunciou a ida para a equipe francesa, logo quando a F1 entrou de férias. A segunda, talvez nem existisse de fato. Bem provável que era uma especulação besta de mídia que sempre ocorre, especialmente quando tem pouco assunto nos intervalos das corridas, na boa e velha silly season.

Um monte de gente atribuiu a decisão "rápida" de Ricciardo por desespero em ter sido "vetado por Vettel na Ferrari" e por estar descontente com o desempenho do motor Honda na RBR. Fatores que teriam contribuído em pedir para sair.
Talvez, dessas duas premissas, é muito, muito provável que só a segunda seja mais próxima do que realmente se passava na cabeça do australiano na negociação e decisão.

Sigo, talvez, inocentemente, achando que Vettel sugere, mas não manda nas decisões da Ferrari. Quem manda ali dentro tem muito poder. Para mim é bem difícil que seja um piloto o último nome  consultado por uma equipe do calibre da Ferrari. 
As vezes a equipe vermelha é de muitas formas, burra, imatura e amadora (dado alguns pit stops horrendos), mas ela é uma das que sabe muito jogo político das quais a roda da F1 gira. E mais ainda: sabe decidir os bons e melhores custos das coisas. E sejamos pragmáticos: perder dinheiro numa disputa de campeonato com outra equipe não é o mesmo do que perder dinheiro por disputa interna de seus pilotos. Kimi está pacientemente tranquilo na Ferrari. Deve ter tudo esquematizado para que não se sentisse mais desconfortável como foi depois do segundo semestre de 2009. Ele sabe que é o segundo, mas sabe também disfarçar isso. Muito mais relevante que pensar que ele é um incapacitado, são poucos que fazem o que acham que deve, fazem o que foi mandado, mas não cria alarde em cima disso, para a imprensa especificamente. E olha que ele é chegado nuns gorós, mas tem mais neurônio que muitos críticos de F1 por aí. Talvez vocês conheçam alguns destes. Eu tenho evitado aproximações... Vai que pega?

E de qualquer modo, por mais sabidos que possamos nos gabar, não temos lhufas de ideias sobre o que se passa internamente na Ferrari. É tudo "achismo", palpite e interpretação. 
Lembro melhor da Ferrari na era Schumacher, que já era bicampeão, e demorou alguns anos para vencer o ano na equipe "protegida pela FIA". Teve como companheiro, um segundo piloto convicto que não incomodava o parceiro, mas era um segundo de respeito: fazia tudo conforme se esperava, sabendo dos limites. Esse era Eddie Irvine. Depois teve um tal chamado Rubens Barrichello que sabia dos seus mandos, mas ainda chorava para imprensa se vitimizando.
Tivemos um capacho de marca maior que só tomou crista quando puxou muito, mas muito saco da diretoria. Bastou vir um finlandês calado e ele achou que podia subir na cabeça dele. Bastou vir um espanhol e a brincadeira virou outra: mandaram ele reclamar numa equipe que também não o merecia. Ouso dizer que ajudou a afundar a coitada da Williams. 

Ah, é. O espanhol é a pauta do texto. Fernando Alonso ficou na Ferrari, num momento que, paciência, não devia ser cobrada de quem tem tanto para dar. Italianos à pedir paciência pareceu irônico, mas desde a zebra de 2007, a Ferrari não teve um momento à sorrir. 
Leva à risca, sim, o jogo de equipe. Mas, algumas, que aí sim, possuem pilotos que mandam no seu desenvolvimento e até marketing, tem feito da equipe vermelha, uma chacota velada quando comete erros. Tá certo, isso ainda é achismo meu, mas o que não é?

Certamente que, Alonso é o melhor piloto do seu tempo. Não há ninguém melhor. Não há, mesmo. Infelizmente, nem mesmo Kimi, que sou fã desde meados de 2002. 
A McLaren não soube dar valor nele. A Ferrari, enrolou demais e ele pediu imediatismo. Não era para menos, ele sempre soube que era o melhor do grid. Ele é convencido, mas nunca foi injustamente arrogante. E novamente, a Ferrari deu das suas, perdeu a paciência ao achar que o problema era seus pilotos. Isso ela sempre faz, mas nunca acerta.
O retorno lastimável à McLaren em ruínas, foi um golpe duro na carreira de Alonso, que àquela altura, já tinha sofrido o possível e o impossível na categoria. 

"Mas seu jogo político o afastou das grandes... Ele é odiado demais para estar ainda na F1". Jogo político que lhe tirou a chance do tri em 2007, fez sua má fama ser esboçada em 2008 e pintada em um quadro com moldura dourada com o "faster than you" em 2010. Na Ferrari, o merecido tri, ficou sempre no quase. Por fim, todos os pecados pagos em 3 anos de fundo de grid, vendo bi, tri e tetra campeonatos daquele que deveria ter ido para o buraco junto com ele em 2007. Esse sim, tem um jogo político formidável, duro e imbatível... 
Se jogos políticos moveram Alonso para longe das grandes, ele até que aguentou pancada demais por ser tão presunçoso.

A mídia errou de novo. E vai, outra vez.
A chance de que Alonso jogasse a toalha existia até entre seus fãs. Mas pouca gente acreditava, sendo que alguns preferiam não acreditar. Outros, acreditavam que sua face de arrogante, não permitiria que ele se cansasse de ser fundão de grid, pois ele teria alguma coisa arquitetada, uma carta na manga. 
Sinceramente? Sendo o melhor que já vi correr, esteve absolutamente certo em dar adeus. A aposentadoria parece remota. A palavra não foi usada. Mas que ele não volte, apesar de sentirmos muita falta desde já. É um desserviço vê-lo lutando por um mísero (quando muito) quinto lugar. 
Muitos pilotos medianos, espremeram o limão da vida até a casca estar preta. Tiveram grandes chances em equipes grandes, que, pilotos promissores, nunca tiveram uma ponta dessa vantagem. Terminaram suas carreiras em equipes medíocres, com quebras atrás de quebras, ou reclamando dos novatos como velhos caquéticos. Uns pediram e imploraram para voltar, de forma bem humilhante. O pior, foi e voltou, como se nada tivesse acontecido. Recebeu um burro de uma nota, e teve gente à torcer e defender com unhas e dentes.

Alonso sai da F1 no fim do ano, e em 2019, vai fazer outras coisas. Requer agora, criarmos muita vontade à acompanhar a categoria, especialmente se a mesmice não tardar a retornar já em Spa, dia 26.
Vejam bem, não vou dar de viúva e reproduzir com adaptações o "não vejo F1 desde que Senna morreu". É apenas se convir que uma era que fez parte do momento em que a minha geração começou a tornar os domingos de corridas compromisso sério, está acabando. O que tem restado são pilotos moldados a partir de grandes montadoras, patrocinadoras ou jovens que vieram a ser pilotos a partir de muito video game de corridas. Já sou de outra época, passei dos 30 e estou ficando ranzinza. É óbvio que para continuar vendo corridas, mas que terei de caçar um ânimo muito maior agora, mesmo com a notícia de renovação do Raikkonen nos próximos dias (mais outra que a mídia encheu a paciência, e vai errar também) é notável.

Que Alonso seja feliz em qualquer outra escolha, que faça seu nome em outra categoria. Bem sabemos, apesar de algumas ressalvas, que ele merece.

Abraços afáveis!

Um comentário:

Eduardo De Campos disse...

Com muito atraso, lá vai o que penso sobre o "astuciano". Não sou mais bobo a ponto de ir contra a verdade de que ele é, sim, o melhor piloto que surgiu após as Eras Senna e Schumacher.É o mais completo entre os atuais pilotos e para sua infelicidade, fez péssimas escolhas durante a carreira. Mas ter conquistado apenas dois "míseros" títulos mundiais não o diminui de forma alguma diante do tetra Vettel e do treta Hamilton. Aliás, o alemão é o que mais se aproxima do espanhol, pois mostrou que vence com carros bons e faz quase o impossível com carros medianos. Já o inglês, só venceu até hoje com o melhor carro do grid e com motores Mercedes.Quando seu carro não rende, suas corridas são apagadas e comete erros grosseiros. Ou seja, não passa de outro idiota veloz, assim como seu compatriota Nigel Mansell.
Confesso que antes não era muito fã do bochechudo e torci contra ele em 2010, pois queria que o Webber fosse campeão em sua grande e única chance de ser campeão mundial, mesma coisa com o Massa em 2008. Mas com o tempo percebi que o Alonso merecia muito mais do que ser traído pelo Ron Dennis em 2007, muito mais do ser boicotado pelo Massa em 2010, muito mais do que a McLaren lhe deu nos últimos anos.Uma pena ele estar de saída, mas a idade chega, o tesão e reflexos vão embora. Que ele vá em busca da alegria de correr novamente, seja na Indy (que voltarei a acompanhar por causa dele) ou qualquer outra categoria.Mas bem que poderia ficar mais uma temporada, só para bater a marca de GP's disputados pelo Cappachello e assim ele ser o que faz de melhor, ser o segundão...
Quanto à F1, continuarei seguindo com a programação normal.Sobrevivi à aposentadoria do meu ídolo Nelson Piquet, não me abalei com a morte do Senna, xinguei muito o Cappachello e o MePassa, fiquei puto com a asneira do Nelsinho Piquet, então vida que segue. Vamos de Kimi até onde der, Vettel até ele continuar enfrentando o afroSenna e esperar que surjam nossas estrelas.