segunda-feira, 12 de novembro de 2018

GP do Brasil: Clichê do ano

A grande boa vantagem de ter um GP no Brasil, é saber que, algum dia, você pode estar lá. 
As vezes, isso é bem remoto, como no meu caso. Ainda não parece ser possível que eu nade em dinheiro. Especialmente porque - como um petista me acusou - escolhi estudar ao invés de trabalhar (como se existisse assim, trabalhos na minha área que condissesse com a minha formação e que eu conseguisse qualquer um só estalando os dedos) e assim, devo ainda fazer concessões para quem meu 2019 mude, por exemplo. Ainda assim, pensar em GP de corpo e alma é difícil, já que eu teria que vender um dos dois para estar lá. 

A segunda boa vantagem é que eu sempre conheço alguém que vai estar em Interlagos. Assim, faço a união do útil ao agradável: assisto à corrida por gosto (ainda que sádico) e torço para um grande evento para os que estão lá tenham momentos plenos de satisfação.

Dessa vez, cumpri esse segundo e de novo. Recebi mensagens de amigos virtuais que foram para o GP e fiquei mega feliz que eles estivessem felizes. Apesar de algumas situações específicas de cada um, estes amigos foram e se divertiram, outros foram pela primeira vez e saíram de lá com um saldo super positivo, e encantados com o momento. Eis o que realmente vale a pena: poder ficar feliz pela felicidade dos outros. Tentem, vale a pena!

Em termos práticos o GP do Brasil não foi o melhor dos mundos. Talvez razoável. 
Tivemos uma classificação mau transmitida, com um conhecido Galvão ligado no 110v, mas ainda assim, falando muito. Nem vou entrar em detalhes, mas ele é como aquela moça que está perto do crush e fala sem parar como uma maritaca. O crush era o "pouca telha" Felipe Massa. 
Depois de uma pole óbvia e sem emoção de Lewis Hamilton, agraciando os "baba ovos" de plantão, já que ele é fã do Senna/Santo e "parça" do Neymar, cortaram a transmissão rapidamente para um programa de um coxinha mais chatonildo da grade da emissora. 
Há de se convir que a população prefere o programa, mas o descaso de quem dá audiência para a emissora só quando passa F1, é grande.

Eu mesma era meio contra gastar dinheiro com tv por assinatura. A gente não consegue ver tudo que tem de opção nos canais e se submete à gastar umas economias mensais que poderiam ser convertidas em necessidades menos fúteis. Porém, canais abertos não facilitam nossas vidas. A Globo com a F1 faz isso: compra o direito, mas não tem esmero nenhum com o evento. Agora se fosse a Fátima Bernardes com suas "pataquadas" ao vivo, aí é uma amanhã inteira de dedicação.
Eu falo da Globo, mas com segurança em outras emissoras, algumas reclamações seriam feitas. Silvio Santos passaria os GPs entre Chapolin e Chaves. O GP do México seria mais importante que o do Brasil e ele colocaria narradores venusianos com comentários da Maísa e o Yudi (ou sei lá como é o nome do garoto). 
A Band faria o que desse, mas se tivesse campeonatos de futebol a ser comentados a exaustão durante 3 horas ou mais por falastrões, é capaz que tivéssemos cortes bruscos dos GPs do mesmo jeito que há na Globo.
Record não é por mim considerada televisão e a Rede TV faria programas com a Sonia Abraão a falar de pilotos que já se foram e convidaria fofoqueiros para contar da vida privada de cada piloto que ainda estão aqui. Talvez saberíamos, através dela, em qual time o Ricciardo joga (vou sofrer retaliações por isso, mas juro que é brincadeira).

Hoje, eu admito que talvez a tv a cabo seja mais necessária que antes, ainda que a SporTV não faça o melhor das transmissões. Ainda falta comprometimento para mostrar entrevistas do jeito certo e não ficar fazendo recortes de falas de pilotos para dar "polemiquinha". Ambas, tv aberta e fechada, estão unidas num só propósito toda corrida, seja quem for o narrador ou comentaristas: ficar fazendo projeção e cálculo do que vai acontecer na corrida, ficar forçando a barra a falar que "fulano vai chegar e vai passar" só para nós, trouxas, ficarem até o fim das corridas.

Trouxas aqui sou eu e você que se deu trabalho de ler esse texto nessa segundona de novembro, já projetando o feriado do dia 15 em que vai "morgar" no sofá, até grudar a pele no tecido ou couro do móvel. Alguns ainda, ao verem que o seu piloto ou equipe favorita está com problemas, abandonando ou passando vergonha, desligam a TV. Eu não acho que isso seja a boa opção, mas eu entendo. Sádico somos nós que ainda ficamos para ver o óbvio. Eu ia dizer que talvez gostamos mais de F1 que os demais, mas toda hierarquização é fadada ao fracasso, então... Deixa para lá! 

Houve uma enxurrada de clichês combinados em resultados e circunstâncias. 
Teve chuva nos treinos, teve uma bizarra ação da FIA (o que foi aquela bobagem de chamar Vettel para pesagem e não estarem arrumados para isso?), uma pole "milagrosa" do Hamilton - que vocês engoliram, mas eu não. Houveram comentários desnecessários, puxa-saquismo para o convidado, aulas das curvas de Interlagos (essa é a mais nova, junto com a "chuva vem da represa"... Quem não sabe?). Uma corrida enfadonha, que tinha como comentário prévio o enunciado: "As Ferraris vão atacar e vão vencer a corrida". Isso partia da premissa de nos deixar esperando pela derrota do campeonato de construtores da Mercedes e legitimar o discurso de que a Ferrari tinha o melhor carro do grid. 
Eu já sabia que o Bottas seria o segundo colocado já na largada, pois "falta de equilíbrio" com pneus ou sei lá o quê por parte da Mercedes era uma ova. Nenhum carro "problemático" assim faz pole. Em vista que o Lewis já é penta campeão, subitamente a Mercedes teria às suas mãos um outro cara para poder garantir o campeonato, desde que ele afastasse as Ferraris de perto do Intocável. Esse era Bottas. Do nada, ele reaprendeu a fazer largadas boas e sem tocar em ninguém. Mais sorte ainda é que Vettel está totalmente aniquilado. Quase não combativo, deixou o cara passar e se viu só perdendo rendimento, perdendo posição até para Kimi que agora é um piloto "de saída e sem pressão". 
A Mercedes só não contava com o impetuoso Verstappen, que esse sim, estava com vontade de vencer e pode ser dito que se tenta, tenta mais por força própria do que necessariamente, por motor saudável.
Logo ele era o primeiro e nem o penta campeão era páreo, deixado a comer poeira. 

Até que Esteban Ocon. Sim, este. Decidiu-se, enquanto retardatário, não abrir espaço para Verstappen, que tinha a corrida na mão. Disputou posição com ele, ao invés de frear e deixar passar... Isso não é proibido, mas também não é lá prudente. Indica exatamente porque é que não tem vaga ano que vem e não é piloto de ponta. Indica, mas não confirma. Confirma particularmente para alguns, talvez muitos entendidos de F1. Não indica para quem tem birra com o Verstappen. 
Esses "birrentos" vão dizer que quem tinha mais a perder, era Max, e que, por sua petulância e por ser um inconsequente, não soube esperar para ultrapassar Ocon numa oportunidade mais favorável e sem toques. 
Eu sinceramente acho, que existem "fãs" e "fãs" de F1. Os que gostam de pilotos justos, perfeitinhos e moldados a boas condutas. E os que gostam de pilotos vorazes, rápidos, com personalidades fortes e orgulhos desmedidos.
O primeiro grupo não chega a lugar nenhum. O segundo, se não amaciado por alguns fatores, são até grandiosos, mas logo viram castelo de areia destruídos pela maré - Exemplo? Alonso e Vettel. 

Ocon errou. Deveria obedecer a bandeira azul. Se não conhece Verstappen (e conhece sim), deveria ter raciocinado antes de fazer besteira. Já disseram que ele queria ir para a Mercedes... Toto deve ter ficado pensativo quando viu que ele acabou ajudando o seu protegido.
Verstappen pode ter errado, mas eu não esperava outra atitude se não essa. Ele não é qualquer um. Convenhamos, estamos cansados de piloto certinho. Uns doido (que por vezes podem ser babacas) é necessário. Se tivesse um equilíbrio de gastos nas equipes, a gente veria mais disso, até mesmo, dos considerados, geniais. Vão por mim!... 

E assim, Hamilton que não tinha a mínima chance de chegar no Verstappen, viu o cara rodar e ficar em segundo quando ele passou, sem um arranhão.
Essa besteirada, colegas, vai até 2020, quando Hamilton vai ser hepta. Porque o que ninguém entende de uma vez por todas é que a Mercedes vai, até 2020 (que no ano seguinte algumas mudanças virão, mas acho ainda que beneficiarão a Mercedes ou já teriam começado a dar indícios de preocupação) com tranquilidade, ajustando equipamento já bom, a melhor ainda. A grana que entra nesses anos todos, não faz com que eles se acomodem, mas cresçam mais e mais. Estarão sempre um ano na frente, em termos de equipamento, da segunda melhor, seja ela Ferrari ou Red Bul... A Mercedes não deixou a McLaren para fazer uma equipe só para ela à toa. Ela não tem o piloto - cuja a carreira foi feita com esse motor - como piloto número um, que manda e desmanda, à toa.  
Não existe esse papo de ganhar "campeonatos no braço" com carros inferiores aos demais. Ainda mais quando se vence por uma larga vantagem de pontos e faltando corridas à cumprir. Muito menos  vencer com um carro, mesmo com pódios dos adversários, o campeonato de construtores faltando, de novo, uma corrida ainda.

Próximo ao fim de corrida, Vettel foi obrigado a deixar Kimi passar pois era o que tinha mais possibilidade de atacar Bottas. Ano que vem, Vettel estará anulado diante de Leclerc e fará seu ano final da equipe, tornando-se o "novo" Alonso da categoria: ruindo e ruindo até todo mundo falar que seus quatro campeonatos não eram talento, era carro bom e que ele na verdade era um engodo (já dizem isso não é? Ah sim, me desculpem... ¬¬'). Kimi chegou a terceiro, Ricciardo anulou ainda mais Vettel, Verstappen não se recuperou amargou o segundo lugar - um castigo muito pior do que a FIA concedeu à Ocon: a máxima punição possível era 10 segundos de "stop and go" e isso foi feito.

Além do clichê básico das transmissões: entrevistas com pilotos, Massa usando sua influência para falar com Leclerc (ele conseguiu isso porque tem um empresário em comum), com Kimi (e angariar mais piadas sobre o gosto do finlandês pelo álcool bem como aquela de "vc tirou o pé para ele passar, Felipe"), uma Mariana Becker tomando um chega pra lá porque queria falar com um Hamilton que é tão legal... Hum, sei. o.O 
Do evento, além do resultado e das cenas bobas de abraços, tombos, orações com o carro e metideza, estava preparado uma escola de samba e moças para sambar no pódio. Depois o tal do estrangeiro pede pra gente sambar para eles e aí vamos explicar como se aqui mesmo se reforça esse esteriótipo? 

De qualquer modo, de novidade é que Max foi às vias de fato com Ocon. Empurrou o cara na hora de pesar e deve ter falado algumas poucas e boas. As chances de alguém defender Max são mínimas, afinal quem apela é quem perde. As caras do Ocon se mostraram cínicas unidos a gestos de bracinhos levantados como se dissesse que não fez nada, e eu como meio besta que sou, teria chutado suas jóias da família. Ao menos, Max só o empurrou e deve ter xingado horrores. Corre sangue nas veias do menino Max, sangue quente, mas nessa circunstância, será que não faríamos o mesmo se fosse nosso piloto favorito?

Agora tem Abu Dhabi e fim de papo. Essa mesmo, não valerá de nada. Vou escrever sobre o que vai ser de cada um em 2019. Apenas um tenho certeza de como se dará seu ano. O resto, serão apenas palpites. Então sosseguem: não quero convencer ninguém. Só vou dizer o que acho e vocês não são obrigados a concordar. Afinal, da corrida, pouco poderei comentar. Vai ser verdadeiramente "boring"...

Abraços afáveis!

2 comentários:

diogo felipe disse...

Ate q tava legal o sambinha viu?😀

Manu disse...

É Diogo? Mas eu falo, as vezes reclamo, mas na hora que toca a gente se empolga kkkkk....