terça-feira, 6 de novembro de 2018

Faixa a Faixa: "O Retorno" rsrsrs...

O último Faixa a Faixa foi postado aqui no blog no dia 6 de agosto. 
Hoje, faz 3 meses desde que essa postagem apareceu aqui.
A justificativa pode não parecer razoável, mas foi o que aconteceu: estes três meses foram dias tumultuados em termos de estudos e atividades da qual me inscrevi participar e outras das quais fui convidada. 
Não ganhei nenhum tostão com elas. Muito pelo contrário - até gastei dinheiro - mas são medidas acadêmicas que contam para pesquisas e que espero que sirvam de alguma coisa no futuro.

Os 3 meses foram longos o suficientes também não só para atrapalhar minhas postagens como agora dificultar a continuação do Faixa a Faixa: pode ser que alguém tenha se esquecido disso, e deixado de acompanhar o blog. O tempo da votação também acabou por não produzir o efeito que eu desejava, que era desempatar os álbuns. Havia 4 escolhidos de 5, cada um com um voto. Quando fechei a enquete, 2 discos tiveram 3 votos cada, e eu terei de me programar para fazer as postagens à contento. Também não posso esperar mais. Tenho que por em prática um dos dois álbuns agora, e depois de 15 dias, o outro e não mais do que isso. Esperar mais um tempo é golpe de misericórdia com o quadro. Então, mãos à obra!


Como podem ver, Ghost e Led Zeppelin estão empatados com suas respectivas obras. A-Ha e Ozzy, também empataram ficando em segundo lugar. Por mais que eu não queira, Faith No More deve cair daqui à uns dias, quando eu fizer nova enquete. Mas até lá, ainda verificarei as estatísticas de cada álbum proposto e decidir o que permanecerá e o que acrescentarei.
Recomeçando com os mais clássicos, hoje posto minha análise sobre...

♫ Nome do álbum: Led Zeppelin III

Este é o terceiro álbum da banda (oooooooooooooh!), de 1970, fazendo então 48 anos no último dia 5 de outubro, dia e mês de lançamento. 
Quase 50 anos de uma grande obra, de uma grande banda, considerada por muitos a melhor banda de Rock daquela época.
Esse disco trás elementos da música folk e acústicos de forma que encaixam na década das quais foi produzido e lançado. Também indica a evolução dos músicos enquanto banda e configura um amadurecimento nas composições, já que mostrava que eles sabiam "brincar" com outras vertentes musicais. Assim, fizeram jus ao fato de serem uma das bandas menos convencionais do Rock, mas que - eu pelo menos - nunca ouvi sequer alguém fazer alguma crítica e dizer que não gosta. Se não gosta, não conhece ou é surdo (com todo respeito aos surdos).  
Ele não é disco mais cultuado da banda, mas é um dos meus favoritos. 

► Arte, capa e encarte:




Não possuo o disco, mas sua capa é famosa. São imagens aleatórias, coloridas, algumas delas, zeppelins (ooooooooh, que inusitada menção, hein dona Manu! rsrsrsrs...), num fundo branco e orbitando o logo da banda em fonte de letras "bujudinhas" mais o número/título do álbum em algarismos romanos.
A arte da capa do vinil é assinada por uma amigo de Page, Zacron. Ela também era diferenciada. Reparem que na capa, há círculos, que eram buracos mesmo. Por baixo, havia um painel circular que, ao girar, mudava as imagens permitindo que elas fossem vistas através desses buraquinhos, como "olhos mágicos".
Um infográfico em inglês dá conta de certos detalhes da capa e pode ser conferido abaixo:


Clique na imagem para ampliar

Quem souber a fonte deste infográfico me alerte nos comentários. Encontrei a imagem no Google e quando visitei a página encontrei este link aqui, que não menciona as fontes do texto escrito, que dirá da foto. (Aí enfraquece a coisa, mas nem todo mundo tem o rigor de citar as menções na web e não é à toa que muita gente fala que a "internet é terra de ninguém"...)

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Os membros originais da banda são os que compõe o disco; nada mais são que nomes bem conhecidos do meio: Jimmy Page é o responsável pela guitarra, e é um dos guitarristas mais famosos de sua época. No disco, participa efetivamente da produção, e de modo prático, também faz o backing vocal e toca banjo. Robert Plant, o vocalista, cujo jeito era próprio e emanava mais do que apenas notas musicais harmônicas aos ouvintes. Existia (e talvez ainda exista) uma sensualidade que faz parte de seu arquétipo (se assim posso nomear) que literalmente, extasiava plateias.
John Bonham, excelente baterista e percussionista e não menos importante, John Paul Jones, detentor dos baixo, teclado, orgão e mandolim fecham o quarteto.

O disco não conta com participações, nem convidados. E quanto as composições das 10 peças do álbum, ficamos na divisão dessa forma: A dupla Page e Plant escreveram: "Immigrant Song", "Friends", "Gallows Pole" e "That's the Way". Jones/Page/Plant: "Celebration Day", "Since I've Been Loving You" e "Bron-Y-Aur Stomp" . Bonham se junta a Page e Plant em "Out On The Tiles" e a última do lado B, "Hats OFF to (Roy) Harper", é creditada como "Charles Obscure". É uma piada interna da banda. Na verdade é mais uma composição de Page e Plant. 

► Produção e gravadora:

As primeiras sessões de gravação do Led Zeppelin III ocorreram no Olympic Studios em novembro de 1969.  Após isso, a banda foi ao Headley Grange, uma mansão em East Hampshire, para ensaiar as músicas. A atmosfera rural foi preponderante às sessões de ensaios, e a banda achou um ambiente mais propício para desenvolver músicas do que um estúdio na cidade.
O álbum foi gravado entre maio e junho de 1970 lá (usando o Rolling Stones Mobile Studio) e no Olympic, com mais gravações no Basing Street Studios em Notting Hill no mês seguinte. A mixagem aconteceu no Ardent Studios, em Memphis, no estado do Tennessee, em agosto de 1970. O álbum foi produzido por Page e projetado por Andy Johns e Terry Manning. Além destes engenheiros de produção, Peter Grant foi o produtor executivo e era considerado "o quinto elemento" da banda, agindo primordialmente como empresário.  A mixagem ficou a cargo de Eddie Kramer.
O disco tem 10 músicas (do vinil, 5 de cada lado) e uma duração média de 43 minutos.

► Música favorita do álbum e a segunda melhor:

Amo, "muitão", "Immigrant Song". A segunda melhor, para mim é "Gallows Pole".

► Faixa a Faixa:

♫ Immigrant Song

Os caras não estavam para brincadeira a começarem um disco dessa maneira. Curta (por mim podia durar o disco todo, se quisessem e eu ainda agradeceria), foi escrita sobre as invasões vikings da Inglaterra e inspirada em uma pequena turnê pela Islândia em junho de 1970. Espetacular em seus 2:27 e te joga direto no chão pelo que estava por vir.

♫ Friends

Não é a série. É  uma faixa acústica que usa muito bem de uma seção de cordas organizada por John Paul Jones. Atmosférica, a música fala de - como é de se esperar pelo título - das relações de amizade. A música segue para "Celebration Day" a faixa seguinte, através de um drone monotônico criado com um sintetizador Moog.

♫ Celebration Day

Com  uma série de acordes de guitarra tocadas em alta velocidade em cima de um drone criado com um sintetizador Moog, a terciera faixa volta a ter uma nuance um tanto mais animada e agitada que a anterior. E trás uma expectativa de celebração mesmo. Juntar à banda e dançar e curtir, num jeitão bem hippie. Mas na verdade a letra trata das impressões de Pant sobre a cidade de Nova Iorque. 

♫ Since I've Been Loving You

Um tipo blues, soa como uma canção quase de improviso, que denota toda a química da banda como um todo, cada um a seu modo, fazendo uma grande obra, apesar de ter sido considerada a mais difícil de ser gravada. Page, por exemplo, teria quase desistido durante o processo, nos estúdios. Com o resultado final, parece que foi "mamão com açúcar", pois o solo ficou espetacular. Foi a primeira a ser escrita para o álbum e apresenta Jones no órgão.

♫ Out On The Tiles

Divertida e acessível, com um refrão perfeitamente encaixado. A canção foi escrita por Bonham, que teve a ideia através dos riffs que percorrem as faixas do álbum. 

♫ Gallows Pole

Minha segunda favorita, possui um arranjo de uma música folclórica tradicional chamada "The Maid Freed from the Gallows", e foi inspirada em uma versão gravada por Fred Gerlach. Page tocou uma variedade de guitarras acústicas e elétricas e banjo nela, e Jones tocou tanto o bandolim quanto o baixo. Acho essa canção excelente! 

♫ Tangerine

Semi acústica é uma das músicas que pelos DVDs de apresentações ao vivo que assisti deles, é a que mais funciona ao vivo, não sei bem explicar porque. A música provém de Page quando ainda existia os Yardbirds. Ela tem uma peculiaridade: tem uma falsa introdução seguida de uma pausa para que Page acerte o tempo certo de "entrar em ação". Estranhamente, a canção sofre ainda variações de tempo no decorrer da execução. Estranhamente não, tenho certeza que é um charme a mais da música, algo totalmente proposital e que funciona.

♫ That's The Way

O título original era de "The Boy Next Door". Foi escrito em Bron-Yr-Aur  e trata sobre os problemas que duas pessoas enfrentaram em um relacionamento e os confrontos com suas respectivas famílias. Ela é totalmente acústica e enquanto ouvimos a melodia sinto necessidade de uma caminhada ao ar livre para "esvaziar a mente"...

♫ Bron-Y-Aur Stomp

Com o título em homenagem à cidade do País de Gales, foi originalmente chamado de "Jennings Farm Blues" e gravado como um arranjo elétrico no final de 1969. Ela foi posteriormente retrabalhada como uma canção do tipo acústica para o disco III. Bonham tocou colheres e castanholas e Jones tocou violão e baixo de cinco cordas. 

♫ Hats Off To (Roy) Harper

A faixa que encerra o disco trás o blues de volta à tona e de forma bem sábia. Fechando o álbum com uma maestria monumental, essa peça é  uma mistura de fragmentos de canções de blues e letras, como "Shake 'Em On Down" de Bukka White. É também uma homenagem ao cantor de folk Roy Harper,  tornando-se uma homenagem não só para ele, como também à cena do blues americano como um todo, já que ele influenciou fortemente o estilo até a década de 70.

► Porque gosta de uma música do álbum:

Eu simplesmente adoro a música "Immigrant Song". A temática dela me agrada muito. Gosto de mitologia nórdica (apesar de não ser especialista). Entrei no curso de História por essa razão, estudar mitologia e tentar me especializar em mitos e povos nórdicos. Mas os ventos sopraram para o Norte, mas para a Inglaterra e acabei pesquisando sobre literatura e um autor inglês, já que a Federal na qual estudei é largamente voltada para pesquisas regionais, especialmente socio-políticas. (Deu para entender que História antiga não era o forte desse pessoal...?)
Fora isso essa questão particular (que devia estar mencionada no tópico seguinte também), acho a música muito bem executada e também muito bem interpretada por Robert Plant. É uma questão de parar tudo que estar fazendo e ouvir. Recentemente, a música foi trilha tema do filme "Thor: Rägnarök", da Marvel Studios. Ouvir uma das suas músicas favoritas com um filme legal deste, em alto e bom som, no cinema, foi de arrepiar.

► Uma história do disco, uma questão pessoal ou uma curiosidade:

A única particularidade do disco é simples: nele, há a minha música favorita "ever and ever and forever" do Led Zeppelin, que já comentei acima. 
Minha ligação com Led Zeppelin se deu como a de muitos: através da audição de "Stairway to Heaven", uma música que martelou bastante. Mas aprofundar mesmo em Led Zeppelin de forma mais atenuada, foi no começo da adolescência, por volta dos 13/14 anos, quando tomei contato com a literatura de Tolkien. Comecei a ouvir as outras músicas não tão populares deles, que calharam de mencionar alguma passagem de "O Senhor dos Anéis" ou "O Hobbit" nas letras.

No ano de 1965, uma cópia pirata do "O Senhor dos Anéis" circulou entre os jovens americanos e acabou virando uma das obras ligadas ao movimento hippie, graças à temática pacifista e de defesa do meio ambiente. Infelizmente, não é de hoje que as pessoas tem o costume chato e desagradável de desvirtuar o significado das coisas para legitimar discursos toscos ou rotular através de argumentos babacas: a "erva de cachimbo" das quais os hobbits tanto gostam, foi levada à simbologia ou metáfora da maconha, nessa época. Tal ideia, foi fortemente negada pelo Tolkien - ainda vivo na ocasião - indicando que tratava-se apenas de uma variante do tabaco, nada mais. 
Assim, no auge da contracultura, Led Zeppelin foi um dos influenciados na composição de letras à partir da obras maravilhosas do autor inglês e isso acabou sendo mais uma alavanca para as obras de Tolkien (embora ele possivelmente não gostasse disso) tornarem-se tão importantes como são, ainda hoje. 

► 5 sugestões para a próxima postagem:

Não teremos ainda novas sugestões pois, Ghost recebeu 3 votos também. Provavelmente dia 21 de novembro, farei a postagem, mesmo que tenha que "cortar o assunto" para falar da última (e inútil) corrida da F1.

Espero o feedback de vocês sobre o álbum e já aviso que vou cortar o assunto em breve. Volto segunda para falar do penúltimo GP da  temporada de 2018 da F1.

Abraços afáveis!

PS: Quer saber o que já rolou no "Faixa a Faixa"? Clique aqui e descubra!

2 comentários:

Eduardo De Campos disse...

Immigrant Song também é minha favorita, ao lado de Kashmir e Whole lotta love.Nem sei qual eu gosto mais, na verdade. E, como você, fiquei extasiado ao ouví-la em Ragnarok.Assim como achei engraçado como quando a ouvi também numa das animações do Shrek, acho que quando Branca de Neve briga a la Matrix.Curioso foi uma moça, no cinema, debochar do namorado que a levou para ver o filme, por usar justamente a "música do Shrek"...AIAIAI...
Eu andei meio afastado, chateado com a internet, com a vida, com tudo. Por isso perdi essa enquete.Poderia ter conseguido uns votos a mais para Scoundrel Days, do A-ha...hahahaha...

Manu disse...

Música do Shrek? Ah rapaz... Já ouvi bobagens assim nos cinemas. Mulheres realmente que não ajudam para que a "classe" seja respeitada. Uma vez fui assistir o primeiro X-Men e a esposa do cara, a cada tirada do Hugh Jackman, esperava o marido parar de rir para dizer: "Ele poderia cortar esse cabelo ridículo"... ¬¬' Não sei como o marido não apelou com ela, pois eu já estava querendo morrer. Ele aparecia na tela e ela falava: "Lá vai o cabelinho ridículo..."
No Deadpool, uma moça estava com o namorado, que esperava a cena pós créditos - que era a menção ao Ferris Bueller. Quando a cena começou o cara riu com euforia e a só quando Reynolds fez o som da música tema do filme a namorada fez: "aaaaaaaah, agora que eu entendi! É aquele cara que foge da escola?" E o namorado, na maior paciência: "É amor!..."
A nova geração adora descobrir a pólvora.
Quando à votação, A-Ha volta na próxima enquete ;)

Abs!