quarta-feira, 8 de março de 2017

Semana da F1: Treinos em Barcelona

Depois das apresentações dos carros e a definição dos pilotos de cada equipe, a F1 iniciou os treinos dos novos carros. Não podemos delimitar "novos pilotos" pois este cargo é apenas ocupado por Lance Stroll. E que... bem... temos o que falar sobre, depois.

Não acompanhei nenhum dos treinos a não ser as notícias, uma aqui e outra ali. A pista espanhola é uma das mais chatinhas que se tem por exemplo, mas ela serve única e exclusivamente para ver como os carros se comportam. Testam velocidade, confiabilidade, durabilidade. Ainda não ocorreu nada no campo da surpresa. Os nomes que aparecem no topo da lista dos melhores tempos são, além de conhecidos, nada surpreendentes. No geral, os carros andam. No geral, a maioria está ciente dos trabalhos a serem feitos. Uma decepção é, pelo visto, a McLaren. Aparências indicam que ainda não chegam a ser - de novo - é grande coisa. 
Com este raciocínio não dá para legitimar uma definição para aquelas barbatanas ou bicos estranhos dos carros. Também não dá para levar muito à sério os tempos: as expectativas podem cair rapidamente logo nas primeiras corridas da temporada.

Uma das coisas que li (e se permitem, irei exaltar) foi uma declaração simples de Kimi Räikkönen. Sabemos que a Ferrari ainda não virou uma McLaren em termos de ser uma decepção total, mas, desde que a F1 adotou motores híbridos, a equipe italiana não nos agradou. O afastamento da competitividade que antes de 2015 era praticamente certa e pódios eram uma constância quase fácil, fez com que as corridas ficassem banhadas em águas mornas, o que propiciou a ascensão do "não-esforço" da Mercedes nos anos que se seguiram.
Pelos testes, aparentemente a dona Ferrari pode voltar a ser mais incisiva no que diz respeito à pódios. O carro parece bem feito. A equipe sempre foi dada a um falatório e uma lista de promessas todo começo de ano. Ano passado inclusive, diziam que estariam sim na briga do título. Terminaram 2016 sem vitórias e ainda foram ultrapassados pela Red Bull no campeonato de construtores.
Este ano optou pelo modo "kimi" e está mais quieta. Mostrou bom desempenho na primeira semana de testes. Kimi mesmo, que a gente dá risada pelas suas poucas palavras, prega cautela dizendo que aprenderam com os anos anteriores. Reforçou que tem uma boa sensação com relação ao carro, mas não exalta o funcionamento, ne faz previsões que ele sabe que podem ser furadas já no meio da temporada. É preciso calma.

Por tempos de F1, temos em Kimi nosso grande fomentador de piadas - algumas depreciativas e outras nem tanto. Kimi é singular: o cara mais sem sensibilidade que já passou na F1. Ele não responde à nada de forma longa nem discursa. Ele sequer bate boca quando é injustiçado. Focado nas horas de treinos, nas duas horas de corrida. Infelizmente, quando a corrida acaba ele é forçado a falar sobre os pontos negativos e positivos dela, como todos os outros. Mas no seu caso, é sempre com poucas palavras. Frio, se ele pudesse, ele não faria nenhuma declaração à imprensa. Pode-se julgar? Acho que não. Falar muito, nem é assim tão vantajoso.
Dada a minha torcida por ele, não posso dizer mais que isso. Passo a bola para vocês: quando, em qualquer situação de entrevista e aparição pública de Räikkönen, que ele disse alguma coisa que não fosse realmente a verdade, pura e simples?
Desde respostas sobre suas ações gastro intestinais, até respostas de cunho direto como "capacetes protegem a minha cabeça", Kimi é sutil quando se fala em carros e começo de temporada: "let's wait and see".
O "pudim de vodca" para muitos é mais sóbrio que muito pilotinho que já esteve nesta F1: ele sabe que, por trás de todo o trabalho da sua equipe, tem pelo menos outras 9 que estão trabalhando - umas "ralando" bastante para conseguir um carro "passável" e outras, fazendo menos esforços. Fora os "extra pista", que se não são preponderantes nos resultados, tem alguma parcela na porcentagem final deles. 
Portanto, não dá para abrir a boca dizendo que piloto x fará isso, piloto y ajudará em tal questão e que brigarão com "unhas e dentes" - ou "pneus e volantes" - pelo título esse ano. 
E o pior: nos treinos nem todo mundo está mostrando tudo. Provavelmente todos eles tem algo à esconder: para o bom ou para o ruim. Vale tudo no jogo agora, porque eles precisam deste momento para ajustar enquanto Austrália não chega.

Prometi falar do Lance Stroll, certo?
Se sabe que das vezes que ele pegou o carro, ele não foi muito longe.
Os novatos tem limites e esse está mostrando essa noção no literal: bateu o carro duas vezes. 
Nas ocasiões, um sem número de "especialistas" soltaram das suas. Quando nomeio especialistas são aqueles que pagam de entendidos e que impõe suas opiniões goela abaixo daqueles que dão de ombros para muita coisa que eles acham inútil discutir. 
Estes "especialistas" já falaram que a Williams terá grandes problemas com o Lance e que no caso, fizeram um mal negócio. 
Vi aí um degrau acima para o andar da pachequice. Dito e feito: nas semanas seguintes, Massa - que "retornou" sob a desculpa de ser mentor de Lance - não fez nenhuma bobagem semelhante ao companheiro novato. Chegou até a fazer bons tempos. Claro que os especialistas adequaram seus discursos sobre uma dada inexperiência e impropriedade do Stroll em conduzir um F1.
Se Massa tivesse algum problema, o discurso deles também estaria pronto: a Williams tinha um carro "inviável", mal nascido, ruim mesmo.

Conclusão: Construir qualquer comentário agora, em tempos de pré temporada, é caminhar entre as cercas do achismo. 

Mas uma coisa eu quero saber: O Massa voltou para isso?!


Lanço então uma previsão de algo que "não acho", todavia "tenho certeza": Isso aí acima consegue ser mais feio de ver que o carro da Force India. 

Abraços afáveis!

2 comentários:

Carlos de paula junior disse...

O que espero nesta temporada: desestabilização do Lewis Hamilton. Pode ser o Bottas ou Red Bull, se entrar alguma equipe não mencionada que estar escondendo o jogo melhor ainda. Não sou torcedor da Ferrari e sou anti-ferrarista se Vettel ou Raikkonen ajudar e apoiar uma causa justa de desestabilizar o senhor Lewis Hamilton que considerado o maior piloto da atualidade na questão de criança mimada e terrorista psicológico para colocar nuvens preta na equipe melhor ainda.

Manu disse...

Carlos, estou com você nessa. Qualquer pessoa, qualquer equipe para colocar um fim na mesmice fácil de vitórias do LH é considerado por mim. Necessitamos da renovação, ainda mais que ele não é do tipo de piloto que a gente curte vencendo, dada a sua arrogância.

Abraços e obrigada pela visita e comentário!