quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Situações em takes

Take 1: Situação da caridade

Um surdo-mudo aparece no ponto do ônibus que voltaria para a minha cidade. Todos pegam seu cartãozinho, alguns lêem e outros ignoram. O pedido era simples: o homem, perdeu o emprego, tinha família e precisava terminar a casa. Lá nos escritos, pedia, sem moralismos ou sem menção à religião, que 10 centavos seria de ajuda. Observei que a maioria entregava moedas miúdas, uma mulher sentou -se no papelzinho e sequer entregou ao homem de volta, virando as costas para ele, quando ele se aproximou. Ela apontou o papel e fez ele pegar, do banco. O troco que tive do ônibus que peguei até o ponto era de 2 reais. Entreguei ao moço e pude ver o brilho no seu olhar. Ele agradeceu em Libras e eu, retribuí o gesto-palavra.
Menos de 5 minutos depois, um outro homem, pedia "uma pratinha" para comprar um almoço. No cabelo, 4 cores diferentes: azul, amarelo, lilás e vermelho. As roupas, eram esfarrapadas, mas já havia visto muito estudante vestido daquele jeito. Nas costas uma mochila cheia e nas mãos, um cigarro. Para esse, parece-me que só eu, afastei para conversar com o motorista que é me é conhecido dos ônibus de estudantes. Ele não pediu nem à cobradora, nem ao motorista. Eu, já tinha o dinheiro separado para a passagem e nenhum trocado. Todos entregaram moedas ao cara. Observei com atenção até que o senhor que vende sorvetes puxou papo comigo: "Sabe moça, sempre tem um assim aqui. O que me corta o coração é que nós pobres ajudamos aqueles que pedem. Igual aquele que chegou mais cedo. Ele não fala, você sabe. Mas esses tipos aí... Ah, esses são malandros. Bem sabemos..."
Não pude dizer qual merecia mais. Pela aparência, posso ter feito o certo. Mas e se não? 
Nunca saberia. Errei já julgando a mulher que virou as costas em desprezo ao surdo-mudo. Que poderia fazer na situação seguinte, se não assentir com a cabeça ao senhor do sorvete e dizer "Complicado, não é?!"
Por fim: até quando isso ainda vai acontecer? Até quando, vamos ser - de alguma forma - responsabilizados por atitudes como essa, de ajuda?

Take 2: As palavras contraditórias

Sem muitos detalhes: o que dizer à uma pessoa que insiste em dizer que não quer impor algo, mas impõe ainda que de forma velada?
E o que dizer à ela, quando você percebe tratamentos diferentes, enquanto ela mesma diz que trata todos iguais?
O problema é com você ou com a pessoa?
Dizer que você pode se perder em alguma coisa complexa e com a sua permissão, irá intervir para ajudar é ajuda mesmo ou artimanha de segurança de que sem ela, você não chega a lugar algum?
E pior, será que tem alguém nesse mundo que diz as coisas na real, sem que tenha um motivo particular por trás do discurso?

Take 3: Professores  

Professores que querem x coisas. 
A biblioteca está fechada e os funcionários da federal, em greve. 
E você não encontra o livro online e as livrarias só encomendam o tal livro. 
Você precisa "para ontem". 
Você tem que recorrer à súplica do email ao orientador. 
Certamente, me xingando mentalmente, ele concede o direito de que eu pegue o livro emprestado. 

Você faz o trabalho. E outro professor enche de defeito, coloca colegas para comentar do tipo da madeira que você usou para fazer o fogo para assar a sua sardinha. "Porque você usou palha e não gravetos secos?" "Ainda acho que se você tivesse optado por cortar a cabeça da sardinha, você teria menos trabalho e mais clareza para matar sua fome..." "Já leu o fulano, que fala da arte em cuidar de aquários? Não é a mesma coisa, mas você pode entender a ideia da vida da sardinha que você matou para comer....

Me 
Matem.

Take 4: Funcionários de Universidade

Funcionários em greve. Quem não está? Dilma dá de ombros e a gente se ferra ainda mais.
Biblioteca fechada: Sem livros = sem pesquisa, sem estudos. 
Sem trabalho = sem dinheiro. Sem dinheiro = sem compra de livros. Sem compra de livros = sem pesquisa e sem estudos. 
Mas daí a gente se vira, procurando encher o saco da paciência de quem tem o material para te emprestar.
E quando você caminha para uma aula e encontra um cartão de crédito no chão? 
Pois eu encontrei um. Procurei a dona que não estava por perto. Fui à um local próximo ao bloco que encontrei o cartão e perguntei se havia "achados e perdidos" no campus. A resposta foi de "não sei..."
Depois de alguns minutos de indecisão, me mandaram para o atendimento ao aluno. Lá, esperei um bom tempo até que duas atendentes sacassem que a conversa deveria parar para me atender. Expliquei a situação e uma delas não sabia, mas a outra dizia que eu devia ir ao bloco J. 
Fui ao bloco J, olhando porta por porta. Nada.
Em um setor de documentação, pedi a informação. A moça, compenetrada em algo no computador, disse que pegaria uma folha para mim. Imaginei que era para assinar alguma coisa... Procurou e procurou e procurou e disse que ia abrir a porta para que eu entrasse. Quando entrei ela me mostrou um corredor e disse que na última sala, à direita eu poderia fazer a entrega do cartão.
Cheguei à porta e era um lugar com alguém da Polícia Federal, dado o símbolo na porta. Bati. Esperei resposta e bati de novo. Insisti pela terceira vez e forcei a maçaneta. Trancado.
Voltei à moça dos documentos, avisando que não havia ninguém lá. A frase então foi: "Volta depois, eu simplesmente não posso ficar com esse cartão." E voltou a grudar os olhos no computador dizendo "Aperta o botão verde que a porta vai destravar..." 

Fui para aula com pensamentos de que os funcionários da UFU precisavam de uma ameaça de bomba. Só assim eles tomariam jeito na vida. (Ou não.)
Voltei depois da aula no bloco e outra moça informou que não havia ninguém na sala novamente. Larguei o cartão no balcão e disse "não é da minha responsabilidade ficar com isso". Em meio aos "mas" da moça, informei que ia voltar para minha cidade e só voltaria na semana seguinte e enquanto isso, a pessoa já teria dado falta do cartão e mandado cancelar e virei as costas. 
Eu não sabia em que circunstâncias aquele cartão foi perdido. E se fosse roubo e alguém usou e largou ele depois? A agência ficava longe e eu tinha uma coisa que não era minha em mãos, mas que podia sim me causar problemas.
Ser benevolente me tomou tempo, e poderia ter me custado muito mais que isso.

Take 5: Sumiço

Dados os papos acima, tenho feito muita coisa. Entre aulas, reuniões e viagens, quando percebo, setembro já se foi, a semana toda já correu e eu estou aqui.

Alento? Hoje tem NFL. Semana 5, sua linda, se aprochegue! 

Abraços afáveis!

2 comentários:

Ron Groo disse...

tá osso Manu... tá osso.

Manu disse...

Muito.