segunda-feira, 15 de junho de 2015

O inevitável aniversário...

Talvez vocês me entenderão no que pretendo publicar hoje. Ou não. xD
Mais do que ficar pensativo no que presentear uma pessoa querida no aniversário, é a angústia do receber algo no seu próprio.
Nem todo aniversário eu presenteio. Muitas pessoas eu adoraria poder presentear, mas por razões de distância - e raiva dos correios que nunca me acalmam o suficiente sobre se os presentes chegarão ilesos e à tempo para essas pessoas -; ou por razões mais específicas como: a pessoa já tem tudo e a pessoa tem gostos tão peculiares que não se abre para as possibilidades que eu encontro de presentes.  ou seja, ou está fora do meu orçamento, ou mesmo que seja perfeito ela vai ter algo a reclamar dele, depois. Nesses três casos é que me rendem à duas opções: um recado de parabéns cheio de carinho ou um abraço. 
Nunca telefonema. Até porque eu não curto telefone. Há de se pensar que eu não sei até hoje porque tenho celular. Minha maior alegria é poder responder a um chamado, por mensagem.
No meu caso, recebo telefonemas, mas eles são sempre muito frios da minha parte. Bem que tento melhorar. E quanto a presentes, temo em receber algo que não usarei. Bate aquela dor na consciência que a pessoa gastou tempo e dinheiro com aquilo e você não poder fazer nada. Quando digo "não precisava" eu realmente quis dizer isso. Se uso, fico mais tranquila, mas e quando não?

Daqui exatos 4 dias chego ao número 28. Não há muito o que comemorar, a não ser saúde e o poder fazer coisas com a tranquilidade necessária, tais como o mestrado. Depois de uma visita ao médico e ele ter falado umas 3 vezes que estou velha, e os fios brancos que as pessoas insistem em perguntar se é "luzes" é impossível assentir quando as pessoas falam que tenho "carinha de nova".
A gente desconfia mais que está ficando velho não só quando o tipo de presente muda, mas quando a quantidade diminui.
O que não deveria ter diminuir é a quantidade de abraços e recados de felicitações, especificamente  os sinceros. Quando se chega a idade adulta, é natural que se tenha mais amigos, ou pelo menos, um círculo de relações maiores que quando se tinha 10 anos de idade por exemplo, onde sua festa era recheada só com primos e parentes e - quando muito - os colegas mais próximos da escola. 

No meu caso, são só parentes, desde a infância até agora. Diminuiu a festa também. Agora, no máximo um lanche à tarde para quem vier. 
E aí chego no lance dos presentes. Agradeço até balinha e fico mesmo feliz com quem se lembra da data, mesmo com elas vazias, mas braços abertos para abraços. Algumas criaturas eu tenho convicção que só cumprimentam porque existe os avisos do Facebook e aplicativos. É ali que transborda um pouco menos da sinceridade.
Quando entrei no curso de Matemática na Federal da região, uma colega falou que era meu aniversário, que caiu numa sexta feira perto de todos da turma. Lembro de ter que dar abraços em tanta gente que hoje sequer lembro seus nomes. Na época fiquei bem feliz, se estavam sendo sinceros ou não, mal posso afirmar, mas sei que foi a única vez que vários semi-desconhecidos foram afáveis. Metade poderia ter ignorado.
Depois disso, raras as vezes recebi cumprimentos legais de alguém que de certa forma surpreendeu. E foi aí que cheguei a pensar a postagem de hoje.
Passarei a data em si, em casa, provavelmente trabalhando em algum artigo. No sábado, terá alguma coisa para quem vier. Fiquei pensando nas formas mais meigas de fazer uma "no-whishlist" - coisas que eu não quero receber. Foi-se o tempo em que se ganhava meias... Agora a toada da vez é maquiagem ou cremes/sabonetes. A sensação de significado está na entrelinhas:
Maquiagem? Você está feia e precisa dar uma melhorada nesse visual;
Creme e sabonetes? Você não toma banho.
Na realidade não é nada tão radical: é só que você não teve tempo algum e conhece uma vendedora da Avon, Natura ou qualquer coisa do tipo e foi escolher um produto qualquer de pronta entrega, ou correu na lojinha desses produtos e comprou qualquer coisa cheirosinha, ou um batonzinho de 20 reais. 

Pensei até em escrever no Facebook algo do tipo descontraído, pedindo sutilmente por recadinhos criativos, ou que concedessem algo de graça - além de tempo para escrever - tipo uma música. Era só escolher uma no youtube e colar o link no mural. 
Mas aí seria forçar que as pessoas sejam amistosas. Forçar inclusive que elas se importem. É dar asa para os sabichões de plantão que refletem sobre a exposição do privado nessas redes como sendo tudo fruto de carência. Postar foto na rede social ultimamente rende comentários de amigos próximos e curtidas daqueles que você divide em dois: parentes, amigos e pessoas que estão retribuindo curtidas. Todos os três grupos se vêem em uma obrigação de agradar na maior parte da sua intenção. 
Ninguém é obrigado a nada, isso que o pessoal tem que entender. É por isso que se as vezes tenho poucas curtidas, por vezes tenho convicção que aquelas foram as que deveriam ser para aquele momento, ou ninguém viu mesmo e tudo bem. Nada mais além. 

E é como deveria ser uma data como essa, de completar mais um ano de vida (afinal é inevitável): nada mais além. Porém, sempre temos umas paranoias que parecem sem solução... Com o passar dos anos, essas coisas deveriam diminuir assim como diminuem-se os presentes :D


Abraços afáveis!

2 comentários:

Ron Groo disse...

Como assim não tem muito o que comemorar? E seus amigos? Aposto que tem bons amigos sempre por perto.

E quanto aos presentes... Lembrei de um amigo que fez aniversário e a namorada (ou paquera eu não me lembro) deu à ele um estojo com talco, sabonete, shampoo e um desodorante)
Ele levou em casa pra me mostrar e eu tinha um igualzinho na dispensa.
Era pra uso veterinário. Adivinha se não mostrei pra ele...

Manu disse...

Ah sim, tenho bons amigos por perto, isso é uma verdade. Não muitos, mas o suficiente! ;)

Hahahaha, essa do kit veterinário foi ótima! Hahahahaha, eu falo que presentes podem ser perigosos :D