segunda-feira, 15 de abril de 2013

GP da China em: O que você diz, e o que você faz

Basearei minha crítica a respeito do GP da China de ontem, baseada nas frases ditas pelos próprios envolvidos, ou seja, dos pilotos. 


Com o fim do treino, Vettel mudou a estratégia. Enquanto a maioria largaria com pneus macios já usados, ele optou por sair da classificação e largar de pneus médios. Em tese, era imaginável: ele permaneceria mais tempo na pista enquanto os outros já perderiam tempo logo nas primeiras 10 voltas para fazerem a troca do pneu soft para médio. Largando em nono e chegando em quarto, os planos de estar no pódio, não aconteceu pela primeira vez no ano, para Sebastian Vettel. Mesmo assim, lhe garantiu bom resultado de corrida, mantendo-o líder do campeonato, ainda, com 52 pontos. No fim pressionou Hamilton de forma intensa. Mais uma mísera voltinha e ele teria "aniquilado" o inglês, estaria no pódio ganhando mais pontos e se distanciando um pouquinho de Kimi, o segundo colocado, com 49 pontos. 
Mesmo que a estratégia não tenha funcionado, e ele tenha pensado que o tráfico dificultou sua evolução  ficando preso atrás de alguns carros, admitiu que bater Alonso teria sido impossível ontem.
Em suas próprias palavras "Alonso estava rápido demais".  
Só que ele aponta que eles, a Ferrari, tinham uma pista livre desde o começo, na largada. 
De fato, tinham. Inclusive Alonso e Massa guinaram fácil na largada, e praticamente "jantaram" Hamilton poucas voltas depois.
É aí que as coisas mudam de figura, e é aí que vc não lerá nas fontes brasileiras de jornalismo que simplesmente, Alonso é 100 vezes mais piloto do que Massa.
Discordando um pouco de Vettel, sim as Ferraris tiveram pista livre, mas Alonso, em suas paradas, também pegou tráfico. Mas nem por isso, foi desconsiderado seu esforço em estar naquele pódio ontem. O carro estava visivelmente muito bom, até para Massa. Porém da metade adiante da corrida não se via mais um Massa assim tão forte quanto Alonso que era constantemente o melhor desempenho da corrida. Esse é o diferencial de um para outro. Não precisa de teoria da conspiração, nem recordes fúteis. 
Por isso, a justificativa de Massa "se não fosse o desgaste dos pneus, a corrida teria sido outra" se torna mais furada que nunca. O carro de Alonso caminhou na mesma estratégia, houveram paradas que não foram assim tão satisfatórias, para ambos, mas além disso, Alonso não ficou em momento nenhum travado atrás de ninguém. E acho, de uma vez por todas que 70% do trabalho que deve ser feito com pneus, é do piloto.

Voltando à RBR e pensando em Webber, chamo atenção para sua frase pós classificação. Esta teria sido de que antes, na China, ele havia largado em 18ª e chegado ao pódio. Com esse pensamento ele largou dos boxes com um carro mais arrumado do que na classificação. Depois de um toque super estranho com Vergne, declarou o seguinte: "Eu vinha no meio da pista e bati no Vergne. Estava a uma distância razoável, mas ele sabia que eu estava lá. Parecia que ele abriu na curva para me dar passagem, mas então nos tocamos". Parecia na realidade que Webber estava tentando ultrapassagem onde não havia espaço. Na realidade, não pareceu que Vergne pudesse fazer muito olhando pelo retrovisor um cara muito perto...
Depois inclusive do pitstop, uma das rodas saiu no meio da pista. Parecia que a troca estava feita, mas não do jeito que deveria. Assim, pareceu que não era para Webber estar na pista, de jeito nenhum.

Hamilton mesmo aos trancos e barrancos esteve no pódio. Esteve feliz, mas ressaltou que a Mercedes deve ainda melhorar.
Eu diria que não deve melhorar e já está muito bem em vista do que era. Segunda vez no pódio em três corridas, mesmo que uma delas não tenha sido nada justo. Rosberg, seu companheiro, não terminou duas das três corridas, inclusive a de ontem. Não que Ross Brawn se importe, afinal o protegido garantiu seus pontinhos. "Não precisa mais", diriam por lá...
O inglês ainda ressaltou que Alonso e Räikkönen foram bem mais rápidos. Kimi no fim da classificação de sábado, disse que vencer seria o ideal, mas estar no pódio, poderia ser complicado e ele veria o que poderia ser feito.
Em vista da largada, o carro largou Kimi na mão, o que a transmissão local agregou o problema à peça entre banco e volante. Na realidade em um replay, parecia que o carro custou a sair. Sim, poderia ter sido Kimi, o desatento. Então se era, cabia a ele se virar e pelo menos pegar um terceiro lugar, já que o problema já estava na cara. 
Casos de toques imprudentes que envolveram Kimi, raramente foram culpa do finlandês. Na décima quinta volta da corrida Kimi se atracou com Perez. Em alto, bom e claro som no rádio, Kimi perguntou "what the hell he is doing?!!" O mexicano, que era a sensação do ano passado, e esse ano em uma equipe grande, está uma água, fechou o Räikkönen, causando colisão, quebra de bico e um rádio nervoso. 
A pergunta não foi respondida, Perez jogou mesmo ele pra fora, e provavelmente vai dar de Joãozinho-sem-braço respondendo que "não o viu". Dica aos comissários: façam uma regra para o uso do retrovisor...
Pérez eKimi, foram investigado e a FIA decidiu não ter punição. Com asa e bicos danificados, Kimi se virou nos 30 meso sem trocar o bico e foi rápido o suficiente para retomar sua posição de largada. Dos males, o menor. (É assim que se faz, Massa!) 

No fim, Button, lamentou não ter potencia para disputar por posições de pódio.
Aqui a gente fecha de vez o quanto a teoria de Massa foi furada. Button fez uma estratégia diferente, com duas paradas, quando a ideal era três.  Em quinto, e reclamando da falta de rendimento na corrida, Button ainda chegou em quinto. Perdendo apenas para os carros rápidos da pista. Mas ganhando de um, o Massa. 
No quebrar dos ovos, o omelete pode não ter sustentado, mas matou a fome momentânea. 

No fim de tudo, foi uma corrida meio arrastada e bagunçada. A transmissão não ajudava pois diversas vezes  o narrado era uma coisa e na tela acontecia outra. Típico. Nesse caso, em Barein as coisas ficarão muito piores pelo novo comentarista. Nervos de aço até lá!

Ah, e sobre recordes, deixo aí um bom que a imprensa brasileira vai deixar de comentar, pois é altamente inconveniente,  mas muito mais útil do que aquele que eles exploraram:

*Alonso também chegou à 31ª vitória na carreira e se igualou a Nigel Mansell em número de triunfos na F1. O espanhol agora é o quarto maior vencedor na história da categoria.*

Abraços afáveis!

2 comentários:

Ron Groo disse...

To muito bolado com estas corridas artificiais demais...
Nem sei direito o que dizer.

Manu disse...

Complicado e entendo.
Barein então não trás boas expectativas, já que o circuito em si, é o mais chato...
Abs!