sábado, 22 de setembro de 2012

Cingapura: reflexões sobre o treino e expectativa sobre a corrida

Sejamos pragmáticos: pouco podemos esperar de grandioso de Cingapura, amanhã na corrida. É um circuito de rua muito bonito, moderno, tem uma roda gigante e parece um parque temático da Disney. É a noite que as coisas acontecem: aquilo arrebenta com o organismo dos pilotos e funcionários, mas Bernie é do tipo "who cares, I want cash" e pronto! Estamos no quinto ano do circuito. 
Hoje a notícia é que renovaram  para mais cinco anos, e eu digo: é um circuito, que fora a pompa, não estaria nunca nos meus favoritos, e na verdade nem está no banco de reserva do time dos top. Não duvido também que nunca mais saia do calendário oficial. 
É fácil perceber que muitos esqueceram totalmente a dúvida que pairava sobre a estréia em 2008: se sendo a noite; seria boa, renderia, seria emocionante como Mônaco (já que como ela, é um circuito de rua) e se a iluminação não seria um problema... 
Tudo foi planejado para um espetáculo a olhos vistos: 


Os pilotos punem seus sonos e descanso para brilhar com capacetes especialmente pintados para dar um "climão" especial nesse circuito. As viseiras também são especiais. 
Tudo ali é especial. A visão, a iluminação, o fato de ser a noite, e ser grande pra caramba, de ter 23 curvas e um muro que só se consegue grandes feitos se passar bem próximo (e não bater claro!), controle e frieza para não errar nada. Além disso, rende fotos belíssimas.

Daí vem as colocações que deixam a corrida um porre:
Maior pressão aerodinâmica, mudança de pneus - de duro e médio para macio e super macio - destacando então um retardado desgaste, e o motor que parece ser o personagem principal de uma corrida, é o menos importante no belo e brilhante circuito, perdendo eficiência aerodinâmica.
Bom? Vantajoso? Não acho. Desafiante? Sim, mas não acho que do jeito certo baseado na relação carro/piloto/equipe. 

Ainda tem mais. Sendo um circuito de rua, o limite da velocidade nos boxes é menor, causando uma perda de tempo significativa em paradas... Os carros entram pesados - pelo consumo de combustível alto - mas com pneus mais macios, há maior desgaste dos compostos. As equipes deverão, pelos pit stop longos, evitar a estratégia das três paradas por exemplo.
Cadê a vantagem? Foi tomar um café e não tem previsão de volta.

Se não bastasse, todos esses impasses que dificultam o sucesso master de uma estratégia de equipe descente, ainda tem a possibilidade de um Safety Car. Assim como 2+2 é igual a 4, Safety Car apareceu em todas as quatro edições dos GPs no circuito de rua asiático. Safety Car vantajoso só para aquele que não fez a parada antes dele entrar na pista.
¬¬'

As curvas são de baixa para média velocidade, e o esquema "piloto poupador de pneus" pode ser a chance de sucesso. Além de degradação pelo peso do carro, e a maciez dos pneus, há o superaquecimento. Poupar talvez é mais vantajoso para aquele que está entre o top 10, em um circuito que pouco ajuda em termos de ultrapassagem.
Continuo só enxergando desvantagens...

Em termos de organismo, já refleti que o fato de ser a noite, a concentração e desgaste físico são prejudicados. Mas se isso não é justificativa, falo em outros somatórios: clima quente e úmido + muitas mudanças de direção + muros próximos (abafando a ventilação e exigindo concentração) + corrida longa (por não ser veloz) = desidratação, calor, cansaço. Portanto; perda de concentração, erros cometidos -> fim de corrida. 

Essa são as razões desafiantes do circuito? Hunf...

"Ah, mas é um lindo circuito, brilhante, reluzente...!" - diria o outro. 
Sei.

"Ele não é rápido, não é bom piloto!" - diz o amigo implicante;
"Mas ele é bonito! É bom para a imagem e o merchandising da equipe!" - responde a moça. 

Quem acha que Cingapura se basta pela beleza, mesmo sendo um circuito que tem que ser milimétrico em tudo menos na velocidade. Então todas as moças que respondem assim estão absolvidas de seus pecados.

Desculpem, mas acho que Cingapura nem precisava mesmo existir. Ele, pra mim, relativiza o talento dos pilotos e a capacidade de domarem os carros. Mas ele existe. 
Tem gente que acha que torturar os pilotos em condições adversas em duas horas tensas, é interessante. Então vejamos o que acontece amanhã...
Boa corrida a todos! Volto na segunda.
Abraços afáveis!

Um comentário:

Ron Groo disse...

Brilhante, reluzente e chato.
E mais uma vez Alonso saiu ganhando mesmo sem ganhar.
Lá vem o tri.