segunda-feira, 29 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 11: GP da Alemanha

Fiquei indecisa quanto ao título do post para comentar sobre o GP de ontem. Cogitei a possibilidade de tirar a parte "novelinha" que, desde que decidi usar para as colunas da corrida, sempre foi no sentido depreciativo da palavra. Mas, decidi deixar. Já que comecei assim, assim vai ficar. Não está ainda (nem mesmo 50%) seguro de que a temporada de 2019 passe a ser uma temporada notável. Existem pontos fora da curva que são sim, os nossos destaques, mas infelizmente não dá para esquecer traumas como França.

Para mim, o estopim foi mesmo a segunda corrida da temporada. Ameacei até a parar de escrever a coluna. Dali, Barein, China, Azerbaidjão, Espanha e até (infelizmente) Mônaco, tinha sido muita força de vontade minha para continuar. 
Canadá foi o ápice do stress do ano. Palhaçada tinha limite. Mas como era com Vettel, todo mundo virou o "disco" logo que acabou a "música".
Menos eu. Ali estava o cerne de toda a minha raiva com a F1 atual: essa idiotice de subjetivar a interpretação de regras, punir seletivamente e "ditatoriar" decisões apenas quando convém. 

Quando todos se rebelaram com o GP da França, eu já estava que nem militante de micareta: sem voz, de tanto gritar palavras (bestas) de ordem. 
Esqueceu-se por um momento que, o problema da F1 era um só: cortar toda a possibilidade de competitividade, seja com mudanças na pista, seja com as regrinhas. 
É lucro ter apenas uma equipe vencendo. A marca está ali exatamente para isso. Em termos esportivos, se recorre à um rosto "carismático" e a mídia se delicia e trata de montar uma narrativa em que coloca inclusive o lado fracassado, contrapondo (como numa novela) um lado perfeito e positivo e um lado desajustado e com ares de descarte. 
Mas tudo que doía mais era o fato do GP francês ter sido muito, mas muito chato. Até quem não acha nada chato, admitiu. 
Inclusive naquela corrida, teve punição "pegadinha da FIA" aplicada. Era ultrajante, mas a maioria só achou isso, no GP da França. Vocês pareciam que estavam, até o momento no mundo da lua. Desenterrei mágoas. Saí explicando que já estava chato antes, que se fazia decidia pelo lado errado, antes também.
Claro que não mudei o lado de ninguém. Nem era esse o caso, e parece que toda a insatisfação alheia foi ouvida. De repente, todos ganharam "o presente do GP da Áustria".

Eu senti que era armação. Só podia ser armação. Rapidamente, tudo passou a ser tão interessante...
A raiva aqui permaneceu a mesma: teve lance duvidoso que foi liberado. Então estavam dando o que o público queria? Só deixava a coisa ainda mais contraditória. Mas, se era pelo espetáculo, tudo bem, que eu poderia fazer? "Pão e circo" sempre funciona quando o pessoal está a fim de tumultuar. 
No fundo, o que precisava permanecia sob controle: marca + piloto e no topo. 
O GP britânico deixou isso às claras. Enquanto os ponteiros estavam seguros, a  TV transmitia o que acontecia atrás deles, a real competição com tudo que temos direito: arrojo, inseguranças, pretensões frustradas, tentativa e erro. Sim, erro faz parte do jogo. E são eles que tornam a coisa, atrativa. É ali que você decide, se gosta mesmo do "esporte". É a possibilidade de dar errado, é o "prender a respiração" naquele momento crucial que te coloca ali, todo domingo em frente a TV, longe do evento, mas como se tivesse no carro, com o piloto.

Não dá para dizer que o GP alemão superou o GP austríaco. Mas nas duas, o vencedor foi o mesmo. A prova de que, não necessitamos de um piloto carismático, bem apessoado, tatuado, tendencioso a se "vestir bem", seja o caso da atual F1.  Outra coisa que salta aos olhos é o como as condições de pista são decisivas para os pilotos que ali estão, interferindo nas suas estratégias, decisões, ações.

Depois de uma classificação catastrófica, eu via a corrida com os olhos do começo do ano. Totalmente desmotivada, pouco à vontade de catalogar mais uma vitória acachapante da Mercedes. A Ferrari acabou com qualquer expectativa de reação de seus pilotos. O já aniquilado Vettel, perdeu potência e mal andou na pista no começo do Q1. Sem tempo, largaria em último lugar no quintal de casa. 
A imprensa, já nele, desde o Canadá, eram como moscas em carniças. Podem detestar a sua pessoa, mas o que está acontecendo com Vettel e o que a Ferrari está contribuindo para piorar, não tinha/tem a menor graça. 
Para piorar, Leclerc teve o mesmo problema e não disputou a pole. Só aí, o questionamento sobre a administração da equipe por parte de Mattias Binotto veio à tona. Pelo menos isso a imprensa italiana ainda provoca a partir da opinião dos "tiffosi". Leclerc é o novo namoradinho e Vettel é o ex que pisou na bola. Não tem volta, nem discussão.

A situação não era favorável. Todo mundo queria corrida na chuva pois, nestas condições, ela se tornaria imprevisível. Mas dada a pole do Hamilton eu nem criei expectativa quando vi que a pista estava molhada e chovia. Nem precisava de que a direção da corrida alertasse, era óbvio que a largada seria atrás de um Safety Car. Em nome da segurança de todos, aceitamos sem sombra de dúvidas. O problema é pensar em segurança sabendo que o SC andaria na frente e ninguém poderia trocar de posições. Ponto de graça pra gente sem graça? Diante disso, era melhor nem ter.

A decisão seguinte foi a melhor. SC estava lá para que todos sentissem a condição da pista, e assim, em poucas voltas, que seriam "de apresentação", foram avisados que teria uma largada tradicional assim que o SC saísse da pista. Com pilotos dizendo que estava ok, e o raivoso Hamilton pedindo que o SC deixasse a pista (claro, spray na cara não estava legal, né querido?) eles se alinharam e pronto, houve a largada. 
Tudo bem que todos esperavam que Verstappen fosse atacar o Hamilton, mas deixa eu contar uma coisa para vocês? Verstappen apela com carro vermelho, não com carro prata (ou borrado  de branco que nem era aquela pintura comemorativa de ontem). Patinou e Hamilton teve tranquilidade para sair na frente. Max perdeu umas boas posições e por algum tempo, tivemos Räikkönen em terceiro. Era de encher os olhos a corrida que o finlandês ia fazer dali adiante. Por sinal, uma das melhores coisas de ontem.

Um dos focos principais da corrida, apesar de todo o descompassado falatório da narração, era o Vettel. Não se narrava muito, e quem estava só ouvindo a TV deve ter ficado muito perdido. Era preciso olhar na tela pois não se narra corridas mais, faz tempo. 
É certeza que a maioria de vocês aí estavam querendo saber a hora que o Vettel ia rodar, bater em alguém, fazer uma das suas, como diz a boca pequena. Mas o que aconteceu foi um banho de água fria nessa expectativa: saindo da 20ª colocação, Vettel passou 8 carros apenas na primeira volta. Evitou todas as armadilhas que uma pista molhada poderia garantir, coisa que os principais nomes da corrida, como Hamilton, Bottas e até o companheiro Leclerc (além de Verstappen, na largada), não estavam tão bem. As ultrapassagens certas foram conseguidas à tempo de mantê-lo em uma posição confortável, em oitavo, atrás de Räikkönen e ainda com pista molhada. 
Ele não se redimiu para os detratores, não foi o nome da corrida pois, teria chegado em segundo só porque outros tinham batido ou abandonado. 

O cara foi Verstappen, mesmo tendo errado e rodado em um momento que muitos bons pilotos cometeram erros que custaram-lhe a corrida: Primeiro foi Leclerc, depois o próprio Hamilton (desculpem, mas eu ri) e logo depois, Bottas e Hulkenberg. 
Pode ser o lado passional falando, mas destes 4 nenhum fez mais lambança e agiu de forma tão ridícula quanto o inglês. Leclerc ficou desapontadíssimo e tristonho ao sair do carro. A curva que ele havia derrapado, já tinha passado uns momentos chatos com ele. Depois de Ricciardo ter o motor  estourado e deixado óleo pela pista, quando a chuva ameaçou, uma grande quantidade de pilotos que passaram por aquele trecho, derraparam. Leclerc foi um dos ponteiros que, na hora que derrapou, foi parar na brita e dali não tinha mais como sair. 
Em contrapartida, Hamilton não só saiu no mesmo trecho, como não conseguiu controlar o carro, bateu e perdeu boa parte da asa dianteira do lado esquerdo, saiu da brita, atravessou o carro quase em linha reta, cortou a faixa de entrada dos boxes, e fez os mecânicos da Mercedes ter um dia de Ferrari. Houve até mecânico trombando com o outro, tamanho era o desespero. Caiu para último e eu, ri. 
Parou ainda algumas outras vezes no box e tomou punição humilde de 5 segundos pela cortada da entrada dos boxes. Fizeram vista grossa para o fato de ter andado lento demais com um SC na pista. Se punissem duas vezes, ele matava uns dois comissários, pelo menos
Sua genialidade e profissionalismo se refletiu num rádio em que pedia para autorizarem ele recolher o carro. Combativo esse hexacampeão, hein? Ainda bem que eu acho ele um palerma. Se eu fosse fã, teria me decepcionado muito.

Uma pena que, destes, foi sofrível ver a cara triste do Leclerc em um ano que ainda não venceu, protagonizou excelentes momentos, mas ainda não desencantou como merece. Além disso, Hulk, que tem um talento notório, mas é alvo de piadas por não ter ainda sequer um pódio para contar vantagem. E ontem essa piada pronta poderia ter caído, e pela condição da pista, e pouco equilíbrio do carro da Renault, escapou pelos dedos. 
Já Bottas, infelizmente, pode dar adeus à vaga da Mercedes. Sua batida foi pela mesma razão de Hamilton: ambos, andavam como se a pista estivesse seca. Ocon o substituirá, ano que vem, com gosto.

O fato de Vettel ter feito um pouco mais que Verstappen não será da conta do GP. Ele conseguiu uma recuperação sensacional, lutou muito atrás de Räikkönen até de fato, conseguir o jeito certo, já quase no fim de se recuperar ainda mais e se aproveitar dos erros dos demais para ganhar posições. Ele passou carros como a McLaren de Sainz e a Force India de Stroll em menos de duas voltas, sim. Mas pouca gente se atenta pelo fato dele não ter cometido nenhum erro durante toda a corrida. Cauteloso, combativo, frio e pragmático, ele acertou todo o momento que precisou para estar no pódio. Tomara que esse pensamento o acompanhe no resto do ano, não como reação, mas deixar passar a nuvem negra que paira sob sua cabeça. 

Uma corrida boa, digna de estar nos "highlights" da temporada. E acho que está bom terminar por aqui, não é? Voltarei pois falta assunto aí, rsrsrsrs...
Comentem!

Abraços afáveis!

4 comentários:

Carol Reis disse...

Nossa, fiquei triste demais pelo Hulkenberg, mais ainda do que fiquei pelo Leclerc. Acho que no caso deste último eu já me acostumei com as coisas dando errado, mas no caso do Hulk, por uma hora eu realmente achei que ele ia conseguir. Coitado. Mais um final de semana ruim p renault.

E essa Haas, hein? Acho engraçado quando vejo esses vídeos promocionais do time e o Magnussen e o Grosjean aparecem rindo e conversando. Eu sinto o cheiro da falsidade daqui, nos rincões do Brasil. Tenho a impressão de que nenhum dos dois vai ficar nessa equipe ano que vem, sem falar que a Haas tem a mesma forma desastrada de lidar com seus pilotos que a Ferrari tem. A diferença é que o Vettel e o Leclerc se dão melhor, talvez pq ngm até agora tenha cagado na corrida do outro.

O Russell é um azarado. Como se não fosse ruim o bastante estar na Williams, o único ponto da equipe nesse ano foi p Kubica, que basicamente só anda atrás dele.

Foi uma pena não ter podido ver esse pódio. Me arrependi de ter visto essa corrida na globo, deveria ter procurado o streaming antes. Os 4 primeiros foram muito bons. Achei o desempenho do Stroll impressionante, devo confessar, mas isso foi mais por uma estratégia acertada. Não sei dizer se ele é bom. O Sérgio Perez fica na frente dele na maioria das vezes. Verstappen rodou, largou mal e conseguiu se recuperar. Achei merecido. O Vettel nem se fala, acho que ele fez as pazes com o fato de estar em último, então deve ter considerado qlq resultado como vantagem. No youtube, tinha um cara falando do Leclerc ter saído da pista e uma das respostas dizia algo como: "Se fosse o Vettel no lugar dele, tinha saído kkkkk". Ué, e por que ele não saiu então?

Agora, fiquei feliz pelo Kvyat. Ele só saiu da RBR em 2016 pq outras equipes estavam cortejando o Verstappen. Fazer a troca entre os dois foi só uma estratégia p manter o holandês na RBR e o erro cometido pelo Kvyat só deu a justificativa que o Marko e o Horner queriam p fazer a troca. Daí em diante, o emocional dele deve ter ficado um lixo e mais erros se seguiram.
Nunca achei que ele fosse esse péssimo piloto que muitos diziam (não sei dizer se ele é fantástico também). Ele bateu o Ricciardo em 2015 e em 2016 já tinha um pódio, ou seja, o Kvyat de 2016 era bem melhor que o Gasly tá sendo agora. Algo curioso é que o Marko já disse que não vai trocar um pelo outro, o que só confirma que o rebaixamento do Kvyat em 2016 foi p manter o Verstappen com eles.

Carol Reis disse...

Deus que me perdoe, mas eu ri demais do Toto Wolff batendo na mesa kkkkkkk nossa, ri demais nesse gp. Desde Canadá 2011 que eu não via um gp tão bom. Qnd o Hamilton pediu p sair, eu pensei exatamente isso: "Ué, quer sair pq? Que vergonha". A primeira imagem que me veio a mente foi de uma dessas corridas do Alonso há alguns anos, em que ele danificou a asa, ficou em último, mas veio até os boxes do jeito que dava p colocar uma nova e continuar a corrida e com a mesma garra, como se nada tivesse acontecido. Falando em canadá 2011, a corrida foi vencida pelo Button de forma surreal. Lembro dele ter feito SEIS pit stops, ficou em último e tudo, mas veio galgando posições com muita valentia e destreza p conseguir o primeiro lugar. Até o próprio Vettel nessa corrida demonstrou mais garra. Lembro de outro episódio no qual ele largou dos pit stops e estava tranquilo. Aí vem essa "lenda da F1" pedindo p sair. Olha...
Tão vergonhoso quanto isso, foi ele ir lá no instagram por a culpa da derrota na gripe dele kkkkk olha, me poupe viu. Ele errou, assuma e pronto, vida que segue. Me lembrei mais uma vez do Alonso comentar certa vez sobre um gp que ele havia corrido com febre. Nós só soubemos disso pq ele comentou com um fã na internet. A corrida havia sido há anos. Ou seja, ele foi até lá se sentindo mal, fez a corrida a pulso e não ficou choramingando publicamente sobre isso depois. Lembro até do Perez comentar brevemente sobre uma gripe tb.

Outro fato curioso é que a netflix só teve permissão para gravar com a mercedes durante um final de semana, que foi justamente esse kkkkkk nossa, não perco essa segunda temporada por nada e olha q vindo de mim isso é muito pq não gostei da primeira.

Enfim, Gp nota 10/10, pena que semana que vem volta tudo ao normal.

diogo felipe disse...

Vettel finalmente fez algo q se espera de um terra campeão. Agora, o tanto q vc foi do Hamilton, eu rindo Hulk 😁😁😁

Manu disse...

Carol, concordamos mais uma vez! E não foi só em uma outro assunto, mas em tudo! hehehehehe...
Destaco o mimimi do Hamilton, doente. Aff, é notório que homens resfriados, ficam insuportáveis. Mas só os realmente frescos colocam a culpa na indisposição como ele fez. Massa, numa certa ocasião também deu essa desculpa. Eu tenho é pena, de gente assim.

Se puder, depois, me mande alguma forma de contato, pelo email do blog? Ou mande um salve no Facebook, na página do blog?

Isso aí Diogo, o que se espera dele, foi feito, mesmo num momento de poder dar lambança a qualquer minuto.
Sobre o Hulk não achei tanta graça, como já imagina. Eu ri do Hamilton, mas depois do lance com a Alfa Romeo, o infeliz ainda marcou pontos. Parei de rir na hora, tamanha é a sorte desse cara... Ele podia abrir patente dessa sorte dele, pois estou "precisada" rsrsrsrsrs...

Abs aos dois!