segunda-feira, 1 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 9: GP da Áustria

Parece unânime: gostamos do GP da Áustria. Alguns, amaram de montão.

Já se desenhava, desde sábado, que o GP seria diferente do francês, à uma semana atrás. O que ninguém imaginava era que, tudo que deveria ter acontecido no GP da França, aconteceu no GP austríaco. Vou tentar listar:

- No GP francês esperávamos por uma largada que suspendesse a nossa respiração por alguns segundos. 
- Semana passada, esperamos por mudanças, em pelo menos 1 dos 3 ponteiros.
- No domingo retrasado, queríamos que tivessem ultrapassagens, mesmo com ajuda marota do DRS, que enchesse nossos olhos. 
É, teve. Mas... (Olha aí a conjunção adversativa que nos trai...)
- A melhor coisa daquele GP chato, ultrapassagens do garoto colgate, Daniel Ricciardo, gerou duas punições. 

Só por essas 3, vocês já percebem que, em uma semana, todos os nossos problemas foram resolvidos.


Bomba! Mudaram o diretor da novela. Ele pediu licença por conta de uma pequena indisposição e deixou algumas coisas prontas. O roteirista achou de bom grado, fazer vista grossa, pois estava sem o chefe por perto. Tanto é que, depois do feito, foi o melhor capítulo da novela. 


Tenho a leve impressão que foi de propósito, dado os protestos dos fãs depois do GP da França. Em uma semana, a Mercedes passou de protagonista à... Ferrari. Sim, estou falando sério. Tanto Lewis Hamilton quanto Valtteri Bottas, agiram como pilotos da segunda melhor equipe do grid. O primeiro, inclusive, intocável e perfeito, cometeu erros na classificação, um deles, foi não conseguir voltas rápidas, e além disso, cometeu outro: o cortar a pista prejudicando a volta rápida de Kimi Räikkönen. Já Bottas, teve uma tal falta de comunicação dos diabos.
A cortada de Hamilton, gerou uma punição, que foi amenizada. Eis o primeiro indício em dizer que, algumas coisas que aconteceram ontem, na corrida, foram propositais para que eu e vocês esquecêssemos do fiasco que foi na França.


Vou "falar rasgado": os probleminhas da Mercedes, foram bem teatrais. A gente não vai desconfiar pois, o lance é que deu muito errado para eles. Porém, podem anotar aí: eles não vão mais fingir, ou então, no somatório de deslizes, podem perigar não marcarem tantos pontos quanto é possível. Então, dia 14 de julho, a gente vai sentir saudades da corrida da Áustria.


Hamilton deveria ter largado na quinta posição, por ter atrapalhado a volta de Räikkönen. Largou em quarto - com Bottas à frente dele... Com todas as justificativas abestadas ou reais, dos comissários, a projeção de ultrapassagem na largada era iminente.


Eu jurei que Max Verstappen, que adora atacar Ferraris, faria um estardalhaço logo na largada. Nem comentei no Twitter. Não queria zicar o Charles Leclerc, já manchado pelos erros da equipe.
Por sinal, classificação de Leclerc foi altamente louvável, mas a de Sebastian Vettel, foi ladeira abaixo. Depois de um sétimo no GP da França, um misterioso vazamento apareceu no seu carro, e ele largou em nono. 
Mas a Ferrari trabalhou, trabalha e trabalhará sempre, para Vettel. 


Do nada, Verstappen ficou meio paradão e os saltos aconteceram. Caiu para sétimo. Era a hora de uma corrida de recuperação, que a gente não sabia se ia dar certo, mas ia esperar para ver.
Talvez, por conta dele, é que Hamilton não teve como atacar o companheiro de equipe, de imediato,. Bottas então, pensou rápido e se resguardou degarantir a segunda colocação.

Dalí, talvez apenas Kimi e Vettel, tenham se beneficiado legal: de sétimo, passou a quarto e Vettel, de nono era sexto, nos primeiros giros. Quando as DRS foram liberadas, Kimi perdeu suas posições e Vettel chegou a ficar em quarto. Seu problema seria Verstappen, que, na sétima volta, já era quinto.
Após de uma punição (ooooooooooooh) para Kevin Magnussen por ter se posicionado errado na largada, Bottas e Vettel abriram as paradas. Como uma equipe novata, os mecânicos da Ferrari se atrapalharam na parada do Vettel. Afobaram-se e, de acordo com as notícias, não tinham ouvido que Vettel estava à caminho. A sensação foi que, viram a Mercedes pronta, com compostos de pneus duros e acharam que era Hamilton o primeiro a ser chamado. Ou isso, ou aquela boa e velha premissa na Ferrari, de que se um piloto para ela, não tem mais tanta serventia, e optam por não se importar mais, está se fazendo às claras. 


Concentraram-se em Leclerc, tanto que, na 22ª volta, ele fez a sua troca, sem problemas. Pelo menos isso de certo.
O drama maior, mas não tão importante foi o da Mercedes, Hamilton, o piloto exemplar, "o melhor que o Vettel", precisou trocar o bico, por, de acordo com as notícias da transmissão... Ah, não, não vale nem repetir.


Se estávamos no céu, com uma corrida morna, mas narrada com calma e sem gritos, domingo passado, neste, tivemos gritos e muito assunto inacabado, erros de nomes de equipe e pilotos e umas frases bizarras...! Pensamento de todo o momento:


Mas vá lá, o que nos trouxe aqui, para não criticar totalmente a F1? O que nos trouxe é que, depois das paradas, Verstappen dava sinais de que seria combativo pela vitória. 
Podem me crucificar, eu duvidei. Não da capacidade dele, mas não achava que em uma semana, todas as nossas frustrações com a categoria nesse ano, teriam acabado.
Percebem que, mesmo quando Vettel vencia campeonatos, pegas como os de ontem, aconteciam com mais frequência? E que os últimos dois anos, quase três de Hamilton superior à tudo e todos, essas coisas acontecem, quando acontecem, com os segundos colocados para baixo na tabela?
Essa ideia é compartilhada no meu texto anterior e não vou ficar nessa ladainha novamente. Mas é osso, esperar combates de outros pilotos que, no máximo, terminarão o ano em terceiro ou quarto no campeonato. 

A nossa empolgação com a corrida de ontem, acabou nos trazendo de volta à aquele sentimento que fez a gente se tornar fã. Aquela suspensão da respiração, aquela ajeitada de corpo no sofá, fazia quase um ano que eu não sentia. Acho que vocês também experimentaram tudo isso, de novo, somente ontem.
Fui pega, e acho que vocês também, num ato de bipolaridade ridículo, quando Verstappen chegou no Leclerc: não sabia para quem eu torcia mais. Prendi a respiração várias vezes. Um segundo queria que passasse, no outro, não mais. E assim foi. Até a conclusão.

Sorri, com um sorriso largo, quando Vettel deu um "passão" no Hamilton, terminando a corrida em quarto, depois de sair do nono. Poderia ter um pódio, caso a Ferrari não tivesse sido estúpida.

Eu respirei com mais calma, não de alívio, mas de questionamento, quando Verstappen conseguiu a ultrapassagem de vez e conquistou o primeiro lugar. Pensei sobre a ultrapassagem do Verstappen. Em outras circunstâncias, teria vibrado muito e ficado pesarosa pelo Leclerc, num misto de sentimentos.


Queria ver sua vitória prometida desde o Barein. Se fala tanto que o menino é bom, ele precisa ter a chance de mostrar isso. Ainda assim, teria vibrado, pois Verstappen é um destes poucos que, volta e meia, digo que trás à F1 aquilo que fez a gente gostar dela.

Muita gente tem horror ao Max. As razões passam por todos os tipos imagináveis. Mas naquele momento, eu não teria retornado a vitória ao Leclerc. Quando a F1 não controla as corridas com mãos de ferro, elas são atrativas, interessantes. A gente é levado à emoções de euforia, corações batendo rápido, e até choros. 
Quando se tem equilíbrio, se tem disputas acirradas. Combatentes que usam todo o tempo da corrida, para conquistar um lugar confortável, o máximo de pontos possíveis... A vitória! Há suor, tensão, roda com roda. Mesmo que tenha ajuda do DRS. 
Não foi à toa, que amamos a corrida, ontem. Claro que não foi todo mundo. Vai ter alguém aí para falar que estamos exagerando, babando ovo para uma corridinha mequetrefe. Não dá para agradar todo mundo.

Mas o que ficou foi, de novo, o extra pista. E isso é bem triste. A FIA lançou a investigação sobre a ultrapassagem do Verstappen sob o Leclerc, pouco depois do acontecido.
A razão era que, Verstappen fechou a curva e deixou nenhum espaço de pista para que os carros ficassem lado a lado, dentro dela. Quase todo fora da pista, Leclerc perdeu. 
Muito se especulou depois disso. A transmissão não mostrou o pódio e eu particularmente não vi o "climão" entre os pilotos. Houve até um compartilhamento de documento (falso) da FIA indicando um "no further action".


Se a FIA não punisse Verstappen, evidenciava os pesos diferentes para as regras que ela mesma impõe. Aquela história que eu repito sempre, que, por vezes as punições são seletivas, que cada caso é um caso, e que se assim for, é melhor que não existam regras, para deixar correr solto os combates de pista. Isso se fazia valer inclusive com a divulgação do documento falso, que acabou "adivinhando" o resultado da decisão.

Vamos esquecer por um minuto, Canadá e vamos nos concentrar ali, na Áustria. Se fosse Raikkonen cortando o espaço e prejudicando a volta rápida do Hamilton, era certeza que o finlandês perderia 3 posições do grid. Ainda mais sendo de de uma Alfa Romeo. Sempre foi, 3 posições do grid para quem atrapalha voltas rápidas. Mas era o inglês perfeito que tinha feito isso, então, sim eles amenizaram com só duas posições. Colocar estrategicamente em quarto, com o companheiro de equipe em terceiro, era mais viável. Dois pesos, duas medidas. E de novo.
Então, justificaram essa aplicação e para mim, se precisou de justificativa, era porque estavam remendando coisas, favorecendo umas pessoinhas.
É claro que, não são as mesmas situações. Então vamos comparar com Canadá e Áustria, cujo impasse é semelhante?

Se a FIA punisse Verstappen, estaria, pelo menos sendo coerente com todo o conteúdo de regras e suas aplicações punitivas, deste ano. Colocariam os dois pés firmes com relação aquele papo piegas, sobre o uso das escapes para ganhar vantagem, sobre as jogadas de carro para defender posições ou disputá-las. 


Não haveria espaço para acharmos as punições são seletivas, dadas de acordo com as "necessidades". Mas abriria brecha para acharmos que estavam matando a categoria. 

Diante da não punição, o que temos? Verstappen ultrapassou e a conquista do primeiro lugar era sua por direito. Vettel, por ter se mantido no primeiro lugar, no Canadá, e mesmo tendo corrido risco de ter enfiado a cara no muro, não pode ter direito de manter a posição por um sem número de justificativas que, convenhamos, não dá para engolir nem à base de muito refrigerante. 
O mesmo se aplica para Ricciardo, na corrida passada, se pensarmos um pouco. 

Parem bem para pensar: se essas coisas não tivessem acontecido antes, a gente não estaria no marasmo que estávamos antes da NONA etapa na categoria - desmotivados, com preguiça de assistir as corridas. Custou de 8 corridas, três delas, horríveis, para sentirmos alegria estarmos ligados na tv aos domingos novamente. É perigoso ainda, a nona etapa fechar sendo a ÚNICA das 21 do ano, que preste e que tenha sido notável. 

Fica a incoerência, a punição seletiva da FIA. Menos problemático que as punições "corta barato"? As pessoas que a amaram a corrida, apesar disso, concordarão que isso é de menos. "Pelo menos, há ainda vida competitiva na F1...". 

A categoria que parecia respirar por aparelhos, teve uma melhora significativa e está estável. 
Mas pode ter sido aquela famosa melhora da morte. 


Vamos torcer que eu esteja errada.
Abraços afáveis!

2 comentários:

Carol Reis disse...

Eu nem me empolgo, tenho certeza que volta p marasmo na próxima semana. Pode até ter mais uma ou duas corridas boas e só, essa é a minha esperança.

Vi um jornalista comentar que o calor prejudicou a mercedes e que apenas a Alemanha e a Hungria costumam ser tão quentes quanto a Áustria, então era bom o pessoal não se iludir. Tá certíssimo. E olha que até lá eles podem dar um jeito de descobrir o que aconteceu nesta corrida e melhorar p as próximas.

Achei a vitória do Max muito merecida. O Leclerc vacilou, abriu demais e ele se aproveitou. Acho que faltou malandragem da parte do monegasco. Agora, o que o Verstappen fez foi muito mais punível do que o que o Vettel fez. Ele jogou o leclerc p fora, pura e simplesmente, enquanto o outro não tinha muita escolha. Aí por causa da punição ridícula ao Vettel, se viram na posição ridícula que ficaram: se punissem o holandês mostrariam consistência, mas seria outro golpe na F1; se não punisse, só ressaltaria o quanto essa decisão do Canadá foi ridícula. Enfim, o Vettel foi roubado. "Ah, n sei o que,mas ele errou". O Verstappen também "errou" quando empurrou o Leclerc p fora. Dá p punir qlq incidente de corrida com base nesse "argumento".

Gosto mesmo do Leclerc, foi uma pena o que houve. Ele tem aquela autenticidade que falta no Hamilton, tem uma honestidade no seu jeito calmo
de ser, na forma humilde de se cobrar, uma serenidade em lidar com tudo. Dá p notar logo de cara que ele tem uma força mental. Acho que só precisa ser mais lapidado e também precisa parar de ser prejudicado pelas trapalhadas da equipe dele, que não sabe o que fazer com seus dois pilotos.

Manu disse...

Carol, de fato, esse jornalista está coberto de razão. Penso talvez que, apenas essas duas corridas, da Alemanha e Hungria, nos dê um pouco mais do que foi Áustria. Mas nem vou criar expectativas pois é bem possível que venha uma baita frustração, afinal, a Mercedes já deve estar analisando tudo isso para chegar nessas etapas, preparadas (pelo menos, com o carro do Hamilton).
Após a segunda metade do ano, acredito que apenas Monza vá oferecer um pouco de competição. Nem Spa, a minha favorita, deve render algo interessante.

Falou tudo sobre a questão das punições. Absolver Verstappen deixou às claras o quanto Vettel foi roubado, pois cabia os mesmos argumentos de justificativa. Infelizmente, ninguém liga mais para o Vettel, talvez nem mesmo, a Ferrari. Desaparecerá da categoria mais cedo que o Alonso.

Falta ainda, ao Leclerc um pouco mais de petulância. Bonzinhos na F1, só se lascam. Ele ainda é muito certinho para enfrentar uns Verstappens da vida, ou encarar arrogantes como você-sabe-quem. Inclusive, porque será que, na transmissão Mariana Becker disse que Hamilton deseja disputar de igual para igual com o Leclerc? Só diz isso, pois não tem ainda chances de estarem em condições semelhantes, caso contrário, estaria declarando que precisava já pensar em aposentadoria...

Abs!