segunda-feira, 15 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 10: GP da Grã-Bretanha

Que o GP britânico não seria como o GP austríaco isso era fato.
As razões para isso eram bem simples, dentre elas, a mais comum: tudo que é bom, dura pouco. Em se tratando de F1, eu desconfio quando a esmola é muita. 
Uma sequencia de GPs bons ia ser muito entusiasmo para pouco espaço. Era perigoso a gente ter uma overdose de alegria, afinal, a abstinência de empolgação nas corridas estava praticamente, pela hora da morte. 

Mas vou dizer aqui, na real (como dizem "os manos das quebradas"): eu não sei dizer se o capítulo 10 da novelinha foi ou não, bom. Um "mixed feelings" se abate (novamente) sobre a minha pessoa.
Nem chamo para concordarem comigo, mas se fizerem, imaginem que estou do lado de cá fazendo corações com as mãos para vocês.

A classificação foi sem gracinha. Bottas poderia ter tomado a pole de Leclerc, mas sabíamos que, entre uma largada e uma parada nos boxes na corrida de domingo, a ordem entre Bottas e o rei da F1-campeão de 2019 poderia ser dada como feita. A única coisa que dependeria ainda do roteiro do dia, era se a troca de posições seria escancarada ou não.

A largada aconteceu, e por "increça que parível" - ou melhor, por incrível que pareça - Bottas sustentou a primeira colocação e mais tarde, quando a DRS já era liberada, Hamilton tentou tomar a primeira colocação do companheiro que, surpreendentemente se manteve de forma limpa e segura. 
Não é que eu não goste do Bottas. Até acho que existe talento nele. O grande lance é que, ser companheiro de Lewis exige culhões. Essa coragem e fibra é mais dada à uma petulância a sobrepor  o inglês do que necessariamente ser mais talentoso. É um simples modo de ser "casca grossa". 
Ter a casca grossa na F1 pode ser comprometedor para a carreira do indivíduo. Ou você "vaza" logo, porque ninguém gosta de você, ou porque você é muito bocudo e aí, ninguém vai te querer por perto.
Existem alguns que, suponho, foram banhados em mel. Eles podem até ser cascas grossas, bocudos, chatos e pelas costas, poucos gostarem deles. Mas eles chegam lá. Tiram 2, 3 campeonatos seguidos. Viram mitos, o pessoal da F1 lambe o chão que passa, a mídia enobrece, os fãs endeusam. Raramente, são povos de bom caráter. Aqueles que ainda restam um pouco disso, são tratados como chatos, reclamões, mimados, e afins, mas eles não foram banhados em mel, chocolate, creme de avelã... Por isso, se chegam lá, logo caem das "tamancas", num tombo que deixa hematomas feios. 

Não vou ser injusta com todo o GP: estava bonito ver Leclerc segurar Verstappen que vinha salivante para tomar o terceiro lugar. O grande x da questão é que, se no GP da Áustria garfaram a Ferrari pela segunda vez no ano, dessa vez houve menos blábláblá e Leclerc deixou às claras que a lição estava aprendida. Ele foi mestre a deixar Verstappen suando na tentativa. Também nos fez crescer na torcida por ele, afinal, indicou que, se ele também errou na corrida passada ao não lembrar quem era Max Verstappen e agir com ingenuidade na disputa, agora ele não ia mais fazer isso. Como se esperava, ele foi carne de pescoço, mesmo com o desgaste de pneus, durante boas voltas.

As paradas começaram, Bottas sendo o primeiro a trocar os pneus. Lá na décima quarta volta, Leclerc e Verstappen foram aos boxes, juntos. Verstappen ganhou vantagem, uma pelo fato dos boxes estar na frente do box da Ferrari, e dois, por terem feito uma parada milésimos de segundo mais rápida, colocando a vantagem de um bico para Verstappen sair na frente de Leclerc. 
É só lembrar também que tem aquela de limite de velocidade nos boxes e a gente percebe que era tudo muito favorável à RBR pela disposição desses boxes. 
Ainda que pudesse ter briga boa entre os dois, estávamos achando bom. Eu estava, vocês não? Nem sabia o que acontecia com as Mercedes e pouco me importava. Eu queria era saber do terceiro para trás. Quem sabe até, poder ver Verstappen impor banca para cima das Mercedes e fazer festa no topo do pódio na casa do rei-campeão de 2019. Deixar todo mundo instável e Leclerc, na perseguição, chegar também em segundo ou até ameaçar a primeira posição de Verstappen, de novo, numa vingancinha saborosa...! Oras, sonhar não custava!?!

Minha expectativa foi minada em questão de 6 voltas. No 20º giro, Giovinazzi *INFELIIIIIIIZ* rodou e caiu na caixa de brita. Lembramos o porque da F1 tirar o bendito recurso das britas no extra pista. Sempre que alguém vai parar ali, o SC é acionado. 
Dessa vez, eles não devem ter achado tão ruim de colocar o carro de segurança; por coincidência (será?) isso beneficiava Hamilton que fez sua parada assim que o SC entrou na pista. Bottas já havia feito a parada antes. Assim, quase imperceptível, troca de posições foi feita.

O Galvão Bueno - narrador que basta aparecer, todo mundo começa a chiar - falou várias vezes algo que concordei por completo: Giovinazzi tinha bagunçado com a corrida. Para mim, já tinha acabado. 
Claro que ele não fez de propósito. Mas, infelizmente pela questão da segurança, a direção de prova não poderá nunca mais evitar os safety cars. Ainda que o carro tivesse longe da pista, foi logo que colocaram o carro na pista e Hamilton saltou para a primeira posição.

Ao menos, não voltamos à aquele infortúnio de ver os ponteiros dando volta nos retardatários. O foco ainda era Ferrari e Red Bull. Com essa zona causada pela rodada do Giovinazzi, outros italianos também fizeram "caquinha": a Ferrari chamou Leclerc para os boxes e fez ele sair de P3 disputar no páreo com Verstappen novamente e ver Gasly, num jogo de equipe, estar entre os dois, deixando-o com o P6.

Só na 36º volta é que Leclerc passou Gasly. Não havia mais como chegar rápido em Verstappen que já estava à ponto de atacar Vettel. Aí que a coisa morreu de vez, e nesse caso, para Vettel.
Eis o diálogo que se seguiu do meu pai para minha mãe, logo que ela exclamou um chateado "aaaaah":

- "O cara da frente freou, depois de ultrapassar, o que o de trás tinha para fazer?"

Descrição da cena: Verstappen passou Vettel que por sua vez tentou retomar a posição e viu o holandês dar uma rabiada estranha na frente e bateu na traseira do carro, prejudicando o pódio dele, e a sua corrida.
Lei de trânsito: bateu na traseira, o errado é você. Não importa a situação.
Lei das redes sociais/mídia em geral: quem eram os envolvidos? Alguém e Vettel? Então, o Vettel é culpado.
Fim de papo.

O mais beneficiado com isso, foi Leclerc, que havia perdido a terceira colocação por um errinho da Ferrari e agora, voltava ao P3 graças ao companheiro de equipe. Além dele, Gasly, perigante em perder o emprego, ficou na frente do companheiro, mas ainda não por méritos próprios. 
Vettel foi punido pelo incidente (novidade!) e Hamilton ficou se sacolejando no carro assim que recebeu a bandeirada. Posou com a bandeira da casa, fez festa com os fãs. Mais falso que nota de três reais, não passa paixão ou patriotismo algum. Apenas ceninha, como gosta de fazer.

Se por um lado a F1 está bem melhor desde o GP da França ela ainda está patética pois, somos pescados por uma isca que não é viva e devolvidos à água depois de uma foto para os "stories do Instagram". 
A FIA, sacou que o que a gente quer ver é disputas roda à roda e torcida indo à loucura junto com a gente. Tanto é que, quando Bottas virou "troll da floresta" para cima de Lewis, a FOM levou a imagem para a torcida. Depois do safety car, pouco se mostrou da duplinha da Mercedes. Ficamos entre Verstappen, Leclerc e depois Vettel, inclusive, levando a disputa às vias de fato: retiradas de pista e toque. Infelizmente, essa isca é falsa. Listo, para não ficar cansativo:

1) Além das punições acontecerem, novamente, por circunstâncias duvidosas, pois o Verstappen já tomou uma dessa ano passado, pelo companheiro Ricciardo e ninguém foi punido, a FIA mostrar-se anti-Vettel (e quiçá, anti-Ferrari);
2) Ainda a dizer que as punições são seletivas-  pois Verstappen reclamou das mudanças de direção de Leclerc quando disputava com o monegasco no começo da corrida - ele tem essa característica desde sempre: Max sempre obriga que o adversário freie um pouco antes quando há uma proximidade. Por questão de reflexo, penso eu que o erro do ponto da freada - ainda mais no caso que foi ontem, saber a hora exata de frear antes ajudou na colisão, mas não foi totalmente culpa do Vettel. Faz parte do jogo? Sim. Mas é justo? Não, ou Verstappen mesmo não teria reclamado de Leclerc, mais cedo, que tentava assim, ter menos pressão aerodinâmica. De todo modo, poucos pilotos sabem fazer isso sem causarem colisões e isso passa a ser subjetivo de análise; 
3) A FIA (e a mídia)  é anti-Vettel. O segundo "erro" no ano só fez escancarar que o alemão perdeu-se na carreira, por completo. Se sair da categoria, é covarde, se não sair, sofrerá com críticas (mesmo que sejam TODAS injustas). 
4) Campeonato bom é quando temos pilotos talentosos com carros semelhantes. A rivalidade Verstappen e Leclerc não só precisa continuar sendo mais explorada do que Mercedes e sua hegemonia chata e inabalada quanto o devido destaque para ambos, é necessário para a saúde da categoria. Porém o que acontece no fim da corrida é um sem número de oba-obas para as (fáceis) conquistas do Hamilton que não são monstruosas.

Dá para melhorar isso, e pelo amor de nossos filhinhos: não deixem para dar esse gostinho de  termos empolgantes rivalidades só para serem concretamente produtivas em 2021. Pode ser que até lá, caras como Vettel e Raikkonen não participarão da "brincadeira" e Leclerc, Verstappen e outros, estarão meio que cansadões de lutar pelas migalhas. 

E vocês, o que acharam da corrida e de tudo que envolveu o fim de semana na F1?

Abraços afáveis! 

PS: Volto em breve, quero aproveitar bem minhas duas semanas miseráveis de férias por aqui...

3 comentários:

Carol Reis disse...

Tá bonito de ver essa briga, é o que tem colocado vida na F1. O Leclerc aprendeu com a corrida passada e ele poderia estar muito melhor se não fossem as trapalhadas da Ferrari.

Não sei se a imprensa é "anti-vettel", o que eu tenho certeza é que eles adoram chutar quem está por baixo, o Vettel é o judas da vez. Olha, não ter rede social foi uma ótima decisão p ele, pq se não... Agora em relação a FIA, claramente existem dois pesos e duas medidas, não dá p ignorar. Ainda sobre erros do Vettel, li hoje uma matéria do G1 que colocava o ocorrido no Canadá nessa lista de erros, o que me fez fazer um facepalm.

Que fase a Haas tá passando hein? Sinceramente, acho que o Grosjean roda no final desse ano. Nunca vi grande coisa nele como piloto, mas acho interessante sua postura sobre saúde mental. É raro um piloto admitir que precisa de ajuda psicológica para lidar com a pressão. Normalmente eles adoram mostrar força, até mesmo para intimidarem uns aos outros, então mostrar essa fragilidade foi interessante. No drive to survive há um momento no qual eu pensei que ele fosse chorar. Mas enfim, não está rendendo como piloto né, fazer o que.

abs

Carol Reis disse...

Só complementando com mais tweet que eu vi. Pergunta honesta? O Verstappen foi penalizado por ter batido no Vettel nas mesmas circunstâncias em 2016? https://twitter.com/LeoF1_/status/1151272044253896704

Manu disse...

Carol, de fato, está muito bonito a briga Leclerc e Verstappen. Uma pena que não é de fato, para destaque do ano, já que as Mercedes é que tomam todos os pontos.
Estou criando boas expectativas com o Leclerc. Mas não quero passar a torcer pelo seu sucesso. Todos que tenho simpatia acabam amargando más fases na carreira. Estando na Ferrari, temo que logo, os erros da equipe o prejudicará mais do que deveria, como é de praxe dela.

Ah verdade, a Haas está complicando-se. Há boatos que o Grosjean sai antes do fim do ano. Também nunca vi grande coisa nele, mas sempre achei que a galera pegava e pega pesado com ele. Desnecessário.
É legal mesmo ele mostrar fragilidade, pois se tem uma ideia muito mágica que tudo é triunfal na F1, e ele mostrou que não é flores para todo mundo. Pena que não está resolvendo para ele.

Sobre o tuíte do vídeo que mandou é aquela história: a incoerência nas punições da FIA não é de hoje. E sabe o que é pior? Não é de hoje também que eu reclamo delas...

Abs!