segunda-feira, 15 de maio de 2017

GP da Espanha: Fato e opinião

O GP espanhol começou de um jeito que já extrapolaria as emoções de muitos, a começar pela largada. Tudo bem que Vettel aprendeu direito a observar que Hamilton não sabe largar bem, porém a desvantagem maior, nessa hora, ficou com o outro carro da Ferrari. Visivelmente mais rápido que o compatriota que largou em terceiro e sumariamente "sanduichado" por um holandês que vinha em quinto, Kimi acabou tocado por Bottas, numa tentativa de tirar proveito da falta de espaço e também fazê-lo perder o traçado, uma vez que com isso, Kimi sairia da pista ou tiraria o pé. Essa ideia do Bottas me parece algo de quem está em equipe suja. Na Williams, muitas vezes, Bottas mostrou-se medroso em defender posições. Agora de repente, Bichinho de Goiaba cresceu no fermento depois da vitória na Rússia (e depois de alertas de Toto e Lauda sobre "o seu lugar na equipe", certamente). 
De forma bem didática, entendemos a lei da física e a lei da malandragem: a primeira lei foi quando Kimi, sem espaço para escapar do toque de Bottas, bateu em Verstappen, lateral com lateral. Kimi saiu na pior com toda a suspensão dianteira esquerda, torta. Verstappen também teve danos na suspensão. A segunda lei, é aquela das equipes grandes: está sem potência ou sem jeito de defender posição? Jogue sutilmente o carro, dando ao adversário a responsabilidade de evitar o acidente. 
É assim que se constitui corridas de carros, certo?
Para nós é até fácil encarar isso. Somos adultos, temos mais de 15 anos que assistimos a categoria, já vimos todo o tipo de lei da física se fazer exemplo prático, já vimos também que meritocracia nem sempre tem lugar no asfalto... Já vimos inclusive pilotos fazerem coisas estapafúrdias e serem aclamados, já vimos o contrário também, caras que ao fazerem coisas absurdas foram pintados como ruins e passaram a ser odiados. Tudo isso, depende de opinião. E opinião, minhas queridas pessoas, é caso e não fato. 
Fato é irrefutável: Derrube uma caneta que está próximo de você agora e observe que ela vai cair no chão. Isso é fato. Agora, derrube mais de uma caneta e saiba que você não saberá de que jeito elas ficarão no chão. Se você disser, antes de derrubar, que elas formarão a letra inicial do seu nome no chão, isso é "opinião" e não fato.
Podemos usar isso no esporte. Se torce para um, todo o resto é inimigo. Ouso dizer que vocês encontrarão poucos fãs de Kimi Räikkönen que não tenham xingado, ontem, Bottas, Verstappen, Hamilton (por estar lento à frente dos 3), Vettel, por ter deixado o companheiro sem "ajuda" para trás, ou ainda o asfalto, a Ferrari, a FIA e até o vento. Cabe xingar, com razão ou emoção (mais o segundo caso, que o primeiro, convenhamos). 
Por uma questão de não querer dar a minha opinião, sobre o fato - Bottas encostou o carro, Kimi afastou e bateu em Verstappen - eu não xinguei, nem Bottas, nem Verstappen. Xinguei mentalmente Hamilton, que ficou sambando na pista e isso só piora a questão do espaço. Mas não xinguei verbalizando ou digitando algo em redes sociais. Porque é opinião, e não fato. O fato não é refutável, a opinião é. Apresentando minha ira com relação à má largada de alguém, as pessoas dirão, cobertas de razão, que largada é assim: as vezes se sai ileso, as vezes não. De nada adianta se eu disser que Hamilton larga mal, que nunca tocam nele, que blábláblá... Não interessa. Cada piloto olha o seu umbigo nesta hora. As vezes ele é habilidoso (ou sortudo) o suficiente para sair ileso, ou se recuperar mais adiante.
Somos adultos, certo? E como tratar disso, da decepção de ver uma corrida de seu piloto favorito finita logo na largada, com uma criança? Explicar isso, passo a passo para ela? Não há jeito. Ela vai chorar de decepção, como chorou Thomas, lá na platéia, e foi captado pelas câmeras, todo vestidinho de Ferrari, quando Kimi saiu da corrida.

Marketing? Óbvio que sim. Era uma criança, que faria qualquer um ficar com pena. Se fosse filho meu seria consolado, no modo comum. Como fã de Räikkönen, eu mostraria para ele, que diante das adversidades, "pegue uma coca-cola e um picolé, meu filho!" Mas não conseguiria fazer ele acreditar que todo o stress não vale a pena, até que ele fosse, adulto.
Mas a F1 agora quer se ligar com seus fãs. E logo, quando Vettel fez uma bela ultrapassagem, o menino foi novamente filmado, vibrando. A Ferrari (por intermédio da direção da prova) e Kimi já esperavam Thomas, no motorhome. Das lágrimas, o mocinho foi aos sorrisos, ganhando atenção do pessoal da equipe, ganhando boné do Kimi e tirando foto com o piloto. Atitude fofa, que a gente esperaria claro, de aparecidos que curte um holofote como o Hamilton. Mas a imagem se finalizou com Kimi, algo que, posso dizer que não foi realmente sua ideia, mas não houve protestos por parte dele. Isso é ser Kimi e ele deu atenção e um grande momento ao garoto, e também à família, já que é de conhecimento público que a mãe é uma grande fã da equipe. Por mim, posso dizer que, apesar de não duvidar da capacidade de Kimi em ser sensível, o problema é ser sensível para as câmeras verem. Há quem dirá que foi ele também, um aparecido. Mas quando é para fazer o bem, eu digo que o altruísmo não é exagero e sim um dever. Mesmo que seja só para "aparecer". Dentro do ano de se exibir, alguém sai no lucro, no fato, Thomas e sua família.

Na pista quem fez por onde em "aparecer" foi Vettel. Fez ultrapassagens e segurou a posição como campeão mundial que é. Foi uma bela corrida, mas só até um momento. As paradas seriam as que colocariam Hamilton na cola de Vettel. A Mercedes já fazia o esquema antes mesmo da corrida dar início. Com incidentes que tiraram da pista Vandoorne, e mais tarde,  Bottas, vieram dois momentos de Safety Car virtual que, ajuntou os carros.
Vettel segurou Hamilton uma vez depois de sair dos boxes, na segunda parada. Segurou quando ele se aproximou por conta da estrategias e SC. 
E então Massa veio esse ano, não só para atrapalhar como ser um completo idiota. Atrapalhou Verstappen, atrapalhou Vettel em duas corridas das quatro anteriores: "Porque ter que ser sempre o Massa?" perguntaram no rádio.
Sinônimo de encrenca esse ano, já na quinta etapa, tudo que o Massa estampou nas manchetes foi coisa ruim: a pior delas, veio aqui, na quinta corrida: a sugestão de aumentar o limite para o uso do DRS para (leiam com aquela voz máscula) "ter mais chances de ultrapassagem". Por conta dessa dica ridícula que acataram, Hamilton passou Vettel sem erros do alemão, sem luta, sem show. 
A equipe Mercedes vibrou. Eu achei que cortou toda e qualquer empolgação de disputa. 
A gente quer mesmo emoção, quer luta por posições. Agora me digam: que luta e disputa houve ali? Facilitou tudo para que de novo, a Mercedes só se glorifique de ganhos fáceis. Emoção? Que emoção?
Aí, no que antecede o pódio, aquele que todo mundo chamava de mimado e ranzinza, comentou com sorrisos a ultrapassagem com Hamilton. O inglês gênio foi cínico e arregalou a sua arrogância, não dando atenção ao Vettel.  
Bobos de nós que ainda acreditamos nas melhorias e ainda reclamamos do marasmo da Rússia... Bobos de nós...

Abraços afáveis!

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