segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Cingapura: ou uma coisa ou outra

Cingapura é assim: ou você admira a beleza dos carros sob uma luz artificial e se maravilha, ou xinga até a décima geração dos indivíduos envolvidos na construção desse parque apoteótico que falha em trazer emoção de corrida como uma pista tradicional.

Novamente, pelo quarto ou quinto ano da etapa por aquelas terras tivemos o "ou" aparecendo. Ou você se empolga com 61 voltas de pouca mudança e uma fila de carros com pilotos morrendo de calor, ou você reclama do começo ao fim dela.

A partir do treino: ou Vettel vencia, ou a Mercedes aprontava.
Ao longo da corrida, duvidei que Hamilton não desse seu "jeitinho brasileiro". Mas aos poucos meus pedidos foram sendo atendidos: largada relativamente adequada, Bottas à frente de Massa e Hamilton com chances de não chegar ao pódio.

Largada ok.
Bottas à frente do Massa, ok.
Hamilton fora do pódio, ok.

Quando se pede algo que é atendido, a gente pensa em algo mais ambicioso. E lá fui eu, afinal: ou eu empolgava de vez, ou me decepcionava.
Pensei em Massa e Hamilton fora da corrida.
Só não pedi que Massa fizesse algo que levasse alguém junto. Acho redundante dizer que estou do lado do Hulkenberg nessa. De acordo com a declaração de Hulk, ele estava decepcionado com Massa que foi com muita sede ao pote ao sair dos boxes. Foi exatamente o que eu disse pouco antes da declaração e da punição de Hulk. Além do mais, entendo como aquele lado, meio ponto cego, seria improvável que ele se safasse da batida, do jeito que Massa vinha, e de acordo com o traçado que fazia. Fato é o seguinte: assim como Hulk, estamos decepcionados. É só ver Canadá do ano passado. A culpa nunca será do Massa, assim como o trio global já defendeu. E o seguinte: sempre leremos depois as lamentações desse indigno compatriota. 
Logo depois eu já havia desistido, afinal, a F1 anda decepcionante mesmo, seria só mais um caso para lista. Eis que o carro do Massa garantiu problemas, decidiu por fazer uma passagem ridícula nos boxes e depois, estava fora da corrida.

Massa fora, ok.

Faltava Hamilton. A arrogância é tanta, que fez de um tudo, quando o carro acusou problemas, mas não quis continuar a corrida dignamente. Seus rádios desesperados, mostraram que a terminologia "piloto" está longe de ser a adequada: se não fosse o rádio dando comandos, ele mal chegaria aos boxes. Era para manter-se na pista, mas de repente, ele pediu para sair - porque não continuar e tentar lutar por um ponto, que fosse? Mandou e a equipe acatou. Fingiram troca de pneus e recolheram o carro. (Alguém aí falou em atitude anti-esportiva?)

Hamilton, fora.

Sejamos pragmáticos, mesmo com a mudança do que era o esperado, Cingapura não foi ruim em termos de resultados.
Era para ser o seguinte: Mercedes à frente, como pole e tudo mais e alguma outra equipe aparecendo, um acidente com alguém, pelo menos um Safety Car e muito calor.
Não foi. Foi um sumiço da Mercedes, muito do agradável e um pódio de caras boas e amistosas (mesmo aquela cara de cansado do Kimi).
Balanço geral é estranho: longos Safety Cars e um maluco - aparentemente dopado - que entrou na pista. 
Seria, para forçar um SC? Para juntar todos? E as Marussias que não se alinharam e atrasaram o SC, e depois embolaram a vida de todos, quase causando outro SC?
Se a intenção era dar emoção e mudar o pódio, desculpem, fico grata por ter dado errado. Corrida tem que ser imprevisível e não sonolenta e ridícula como tem sido. Vão aprender quando?

E no fim é assim: ou você aceita que Cingapura é um porre e se contenta com o bom resultado que não reflete muito para o vencedor do campeonato - que já tem o nome no caneco - ou você admite que é pobre de espírito e se contenta com um mero pódio bonitinho, mesmo que tenha cochilado de olho aberto boa parte das 61 voltas.

De qualquer forma, foi bom ver Vettel, Ricciardo e Räikkönen fechar pódio: "doing the right thing"...


Abraços afáveis!

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