sábado, 9 de fevereiro de 2013

Coisas que não me tornam brasileira

É praticamente certo: posso ser facilmente expatriada pela Presidente Dilma, caso ela se desse o trabalho.
Não que eu estivesse pedindo que ela tome providências, mas a suposição se dá por ter me certificado que moro no país errado por circunstâncias pertinentes.

No ramo da música, considerei que eu não ligo rádio por conta própria há 8 anos para ouvir músicas das paradas de sucesso brasileira. Se não fosse pela "massa", eu não conheceria Gustavo Lima, Luan Santana, Michel Teló e toda o desgosto popular nos dias atuais. E estaria agindo conforme eu queria e quero à muito tempo: agiria como se estivesse em uma montanha, longe desses sons mal formulados, que alguns pretensiosamente chamam de música.
Se quero ouvir música, sei que o país não vai me dar muita ajuda, então acesso rádio online que toca só rock. Vc seleciona um gênero, seja ele classic, metal, light... Se não estou afim desses estilos, corro no youtube. Os sites também salvam, pois alguns falam de coisas novas que estão sendo lançadas. É só procurar o que agrada e parar de sofrer.

A televisão no meu quarto ainda não é objeto de acúmulo de poeira, mas seria, caso eu não tivesse DVD player (ou video-cassete). 
Nem mesmo há uma programação qualquer que me agrade. Sessão da Tarde é uma raridade com filmes bons, e quando aparecem, são cortados além de dublados. Desculpem, mas resumir o filme é a afronta 1 ao telespectador: quem em sã consciência vai se dispor a ver um filme resumido? Há filmes que passam na tv Globo com cortes, que perdem total sentido. Não tem tempo para passar tudo? Não passe!
E dublado, poxa, me poupe. Filme dublado deveria ser proibido a não ser para as pessoas de deficiência visual, os cegos. Filme é obra de arte, por mais podre que seja. Se é obra, que seja na língua original. E as legendas, já são mal feitas, que dirá as dublagens sempre feitas pelos mesmos tipinhos. Uma única voz sem expressão vai de atores da comédia, aos vilões sarcásticos sem o menor comprometimento de escolha.
Telejornal também é um saco. As notícias da moda são exploradas até o talo. Basta outra coisa acontecer e a discussão muda de foco. Se você vê uma notícia de desgraça, o resto do jornal todo é em cima de fatalidades e você pensa que de verdade o mundo anda um inferno. Se aparece algo mais normal no meio do jornal, tudo aquilo que te fez pensar antes, vai embora na hora que vê a notícia da escalação do Felipão...
Outros programas, são tenebrosos. Aquele da tarde com a Ana Hickman na Record me dá arrepios. O Esquenta da Globo é desculpa para botar gente dançando: qual a razão daquilo??
Programa de esportes fazem dos telespectadores, um bando de bobos. As novelas da SBT são ridículas, as da Record são mal feitas e as da Globo só fazem sucesso pelo número de gente famosa, porque úteis elas não são nem para interpretações. Tenho horror a novelas da Glória Perez. Ninguém percebe os erros das coisas. Gente que é pobre mas tem cabelo tingido, unha feita, maquiagem e café da manhã completo. Uau!
Eu ligo a tv para ver documentários, quando muito. Meu lance é TV+DVD+filme ou +série e estamos conversados. 
Assisti ao NFL durante todo o tempo que pude ano passado e esse ano, ao Super Bowl. Confesso: é deveras melhor que o futebol que estamos acostumados. Mas se é para falar deles, há anos não vejo jogo de campeonato brasileiro, ou o que for. Nem seleção.
Quarta, o Brasil entrou em campo, eu assisti Alemanha x França. Por dois motivos: gosto muito mais da seleção alemã e torcerei por ela na copa de 2014. O segundo motivo: eu não queria ouvir o Galvão tecer seus comentários de puxa-saco. Passo o ano inteiro ouvindo aquele cara na F1. Não sou obrigada a ouvir porcaria quando tenho a opção de escolha.
Ah, F1. Não torço por brasileiro. Porque brasileiro aprendeu errado a assistir à categoria: é 8 ou 80 - não tem brasileiro na área, não se interessa. Sei lá, isso me lembra Fittipaldi e a imagem dele usada na Ditadura Militar... Não aprendemos a escolher governantes, nem deixamos de ser mesquinhos.
Nada contra os pilotos daqui, a exceção de um que sabem quem, mas é mais implicância que tudo. Acho apenas que a proteção excessiva aos novatos ou a mistificação dos antigos, é prejudicial. Torcer é uma coisa, ser cego é outra.

Não gosto de Carnaval. Brasileiro adora um feirado prolongado. 
No Natal ninguém lembra do significado da data. O povo quer é gastar o décimo terceiro, se atolar de mimar a criançada da família e todo o resto para redimir os maus pensamentos do ano todo. Se reúne, mesmo tendo parentes que não gosta, come e bebe até estufar e combina ano novo para repetir a dose.
Carnaval é praticamente a mesma coisa. A diferença reside na falta de classe que o feriado do Carnaval apresenta: se no Natal e Ano Novo, rola a hipocrisia, do espírito natalino ou perdão de ano novo, no Carnaval nem a comida aparece. Mas a bebida e a música ruim confirma presença antes mesmo do acontecer. 
Qual a utilidade pra mim que não samba, odeia axé, tem preguiça de ficar suada de pular, não bebe e não acha que vale a pena se sujeitar a tudo isso? 
Há quem vê vantagem para dar "uns pega" por aí. Eu já acho que a era das cavernas já acabou faz tempo.

E a lista não pára aí. Eu não deixo tudo pra última hora. Não furo fila. Não tiro vantagem das coisas. Não reclamo de idosos em ônibus. Não sorrio para quem não gosto. Não reclamo de trabalhar. Não falo mal do prefeito da cidade só porque não ganhei um cargo na prefeitura. Não conto vantagem de miséria só para passar inveja. Não acho que cotas resolvam os problemas das minorias. Não me faço de vítima. Não acho que somos abençoados porque o país não tem vulcão ou tsunami. Não acho que dinheiro compra caráter. Não acho que esses jovens hipócritas são o futuro do país (e espero que não sejam, mesmo). Não acho que ter diploma na mão significa competência. 
Mas sei cantar o hino nacional. Conheço um pouco da história do país. Respeito todas as culturas dele, sejam elas genuínas ou adotadas/adaptadas de outros povos. Se não gosto da pessoa, apenas a trato com educação e não com desprezo e fingimento. Se vou a um estabelecimento para comprar algo, espero a minha vez de ser atendido porque sei que a paciência é a mãe das virtudes. Sei que diploma só tem valor se com ele, você tenha orgulho do que aprendeu. Acho que com dinheiro compra conhecimento.  Acho que o jeitinho brasileiro resume-se a uma das três coisas seguintes ultimamente: intolerância, ignorância ou recalque. Algumas pessoas englobam as 3 coisas juntas... 
E tenho medo, que isso não seja mais característica única nossa...

Mesmo assim, desejo que o feriado prolongado seja divertido para todos. O meu será, vendo filmes que estão concorrendo à Oscar, tentando diminuir minha pilha de livros para serem lidos e dormindo... Porque tudo isso é o que me agrada. ^^
Até quinta que vem!
Abraços afáveis!

Um comentário:

Ron Groo disse...

Concordo com você.

O meu foi regado a rock, blues e uma caixa de dvds da volta ao mundo em 80 dias da série 5o por um