segunda-feira, 10 de abril de 2017

GP da China: Descartável como a maioria dos produtos nativos

Devo ser positiva como fui no GP da Austrália. Lá, no post de treino classificatório não previ, mas desejei boas coisas. Chegou o treino da China, e arrisquei premissas, não desejos, que acabaram não concretizando, mas o simples fato de não esperar coisa boa da corrida, deu no que deu.
Não me lembro de GP chinês bom. Não sei se é pela pista, mas não me lembro de nenhum que tenha sido intenso. No máximo, mais ou menos
A começar pela narração: José Roberto é pior que Galvão Bueno. Só para constar. 
"Veja no modo mudo", podem aconselhar. Eu queria muito, mas mudo significa ficar sem saber muito da corrida, afinal, não se ouve rádios, não se ouve entrevistas (embora são com perguntas toscas e com gente que não damos a mínima) e principalmente, contar com essa transmissão que fica filmando um pelotão por várias voltas seguidas, complica o entendimento. E eu estou meio dormindo, meio acordada nessas corridas. Mudo, eu volto a dormir. 


Para testar as condições e o comportamento dos carros o clima beneficiou com o exercício e topou a brincadeira - a pista estava relativamente úmida. Isso, poderia ajudar na "emoção", mas a única coisa que fez foi "prejudicar" quem não era para ser prejudicado. 
Apesar da umidade, não houve necessidade de largada com safety car. Se isso é uma mudança, acho pouco provável que permaneça assim na próxima corrida com água. Uma que, apesar da naturalidade da largada, houve falta de investigação, mas não notificações para rever pequenos casos de incidentes na pista. Isso pode ser que faça com que alguns iniciem seus "cricris". 


A segunda é que alguns carros ficaram bem instáveis com as poças. Logo, foi necessário não mais safety car virtual, mas um real. Com pouca visibilidade, as coisas voltarão a ser como eram, com certeza.

Vettel parou torto, depois da volta de apresentação e por essa razão foi o primeiro "notificado". Algumas pessoas esqueceram que há uma nova gerência e então, cobraram punição. Eu cobraria, se tivesse ganhado vantagem, mas em cima de quem, acho que deixaria ganhar a vantagem que fosse. Antes, na volta de apresentação, Vettel perdeu a paciência muitas vezes com Lewis que andava descomunalmente lento na pista. Cutucando os pontos nervosos do alemão, o inglês provocou e Vettel depois, teve de tentar encaixar o carro, na vaguinha do segundo.  Torto, mal pode também tentar atacar Lewis, o que sinceramente, era propício - as Mercedes e Lewis nunca largaram bem. Será que ninguém vai tirar isso de letra? Senhoooor!!



Com "ajunta-ajunta", Vettel acabou deixando pouco espaço para Kimi e Ricciardo, situação que mais tarde cobraria preços. 
Stroll não passou de uma volta completa. Ao tocar com algum carro rosa da Force India, o rapaz nos ajudou a não ter que ouvir histórias sobre sua vilania. #Amém 
Mas engana-se quem acha que isso, fez com que pelo menos até a volta 10 não falassem só do Massinha. #PáraQueTáFeio
SC virtual veio e todos foram para os boxes. Nisso, Verstappen que era o décimo sétimo, já tinha ganhado uma boa vantagem. Isso seria crucial. 
Dado o SC virtual fora, Giovinnazi seguiu o companheiro Ericsson que pouco antes tinha saído da pista e rabiado na entrada dos boxes. Logo atrás Giovinnazi não teve a mesma sorte, rabiou e bateu de bico. Nesta, precisou de SC de verdade, afinal, o carro estava num lugar perigoso.
Foi aí o pulo do gato de Verstappen: em segundo, ele foi ganhando tempo enquanto a maioria se enrolava com suas paradas.

E se perguntarem se nada mais aconteceu aviso: Algumas rodadas propiciadas por escorregões só não foram vexatórias pois acontecem mesmo, dadas as cricunstâncias.  Bottas e Sainz foram um destes, ainda antes da 15ª volta. Até mais ou menos a volta 18, Hamilton não tinha uma mísera ameaça, apesar de ficar com medo e ligar o rádio para dizer que tinha falta de potência, ou pneus gastos. O de sempre.
Atrás dele Verstappen e Ricciardo, ambos em bom ritmo. Colados à eles Kimi e Vettel.
O bastão da reclamação do Vettel passou ao Kimi nesta corrida. Reclamou do torque, dos pneus, da potência do motor em alguns trechos. Imaginei os mecânicos da Ferrari de braços cruzados. Se quando Vettel cobrava coisas deles, ano passado, do lado de cá a gente ria ou zuava por encontrar o menino ranzinza como um velhinho. Do lado de lá eles sabiam que tinha algo errado mesmo, mas não tinham o que fazer. Agora com Kimi, eles fazem assim: dão risada e de braços cruzados.
Com nossas risadas ou gozações com o Vettel - e provavelmente com o Kimi, logo, logo - esquecemos, completamente que se estão reclamando, algo tem de errado sim. É bem diferente do Hamilton que fala em desgaste de pneus e chora por potência quando nem sequer conseguem passá-lo. A prova foi que umas voltas mais tarde, Kimi não conseguiu segurar mais o Vettel, que logo, passou Ricciardo e passou Verstappen numa manobra que arregalou o que Verstappen decidiu fazer de novidade nessa corrida: decidiu errar a curva! #QuemDiria?!


No segundo momento de paradas, agora sem SC, a corrida ficou naquele marasmo de sempre, com Hamilton em vantagem e sem ameaças. Desta vez, pipocaram algumas imagens de ultrapassagens, algumas bonitas, outras tristes (a do Alonso foi uma delas). Corta o coração ver que o carro pareceu que apagou quando ele esforçou uma ultrapassagem. No take seguinte, ele estacionava a carroça da Honda nos boxes. 
Para o finzinho restou um pega-pega entre Verstappen e Ricciardo. Não mais que divertido, acabou dando Verstappen como já parecia óbvio desde a largada. Ricciardo ficou em quarto, 
Finlandeses tem suas bandeiras nas arquibancadas da China, mas não tiveram sorte, nem Bottas, nem Kimi puderam sorrir, se quisessem - terminaram em sexto e quinto, respectivamente.

O pós corrida é o seguinte: Hamilton empatou com o Vettel e eu digo que isso é excruciante para quem vê talento em um, mas nada no outro. Mas, coloca holofote na briga de títulos pelo menos, para dois caras diferentes, que nunca se enfrentaram assim tão propriamente. Em pé de igualdade? Não acho. Hamilton ainda tem mais vantagem no que diz respeito à carro. 
Kimi também foi criticado por chefes e dirigentes pelo "blábláblá" nos rádios. E Kimi não reage, claro, ele tem contrato de escudeiro e no mais, nunca foi de falar muito. Se eles não captaram que se ele reclamou, era porque algo estava incomodando-o, não sou eu quem tem de ensiná-los a lidar com o piloto deles. Se Kimi não tivesse feito assim, negociado ser segundo, poderia subir na mesa e quebrar tudo. Mas não fará. Uma porque ele não faz isso, e duas, que aparentemente ele não pode fazer isso. E nisso, a gente se chateia quando lê notícias negativas neste tom de "bronca" sobre ele. Mas, é assim mesmo, que podemos fazer? 


Este momento é de análise: a corrida é boa para quem não tem preferências. Para quem tem, ela se torna um produto de plástico que depois de três usos, racha ou perde a cor. Como a maioria dos produtos Made in China...

Abraços afáveis!

3 comentários:

Ron Groo disse...

Eu gostei dá corrida. E gostei muito mais dá postura da liberty nos incidentes.

Anselmo Coyote disse...

Que dia que Marchione e Arrivabene vão saber o que é certo ou errado em um carro de Formula 1? Eles sequer sabem se devem divulgar quem fez o carro desse ano. Estão esperando mais resultados para atribuir a paternidade à criança. São dois politiqueiros fuleiros, isso sim.
Abs.

Manu disse...

Com relação à postura da Liberty, eu gostei tbm, Groo. Quero saber se ninguém vai vir com "mimimi" quando for "afetado" e eles mudarem de ideia.

Coyote, devo concordar. Se decidiram que o Kimi falou demais e agiu de menos, e surgiu até a notícia de que vai ter reunião para avisar ele das funções - depois de tanto tempo que ele é piloto - significa que não esteve claro a postura dele diante da equipe. Ou seja, erro dos grandões Marchione e "Arrivamale". E neste caso, concordo mesmo: são uns politiqueiros fuleiros mesmo. Como bons italianos, falam, falam, falam...

Abs!