quarta-feira, 12 de abril de 2017

F1 2017: Alonso na Indy 500

Fernando Alonso fará uma surpreendente participação nas 500 Milhas de Indianápolis deste ano, quando a McLaren inscreverá um carro na tradicional corrida americana.
Uma pessoa sonolenta, desavisada, cansada ou mesmo cegueta poderia ler essa manchete de notícia sem "completar a chamada e deixar cair a ficha" por mais tempo que 5 segundos. 
Mas é isso mesmo: Alonso vai pular o GP de Mônaco da F1 para competir a Indy 500.

A gente pode pensar um punhado de coisas sobre essa história. Não é de se espantar que depois de algumas horas desde o divulgo dessa manchete, um sem número de expertos lançou seus comentários no Twitter, chegando a ser TT bem próximo ali da decisão de escalar Jude Law como Dumbledore jovem no segundo filme da franquia "Animais Fantásticos e Onde Habitam". (By the way, achei bom pra caramba isso!)
Também, os sites de automobilismo  lançaram postagens que incluem de tudo, até notas sobre pilotos da F1 que tiveram carreira na Indy posteriormente. 
As incríveis mentes pensantes não se atinaram para um detalhe importante: Alonso só participará, de antemão, da Indy 500, e não do campeonato inteiro da categoria.

Deixando de lado o que a gente pensa sobre o que os outros tem para dizer, faço o exercício (inútil) de dizer também o que acho da escolha de Alonso: uma excelente ideia. E acho que ele será bem sucedido. 
É extremamente frustrante, dado o notório talento do espanhol, não contar com ele na F1 atual, com um carro minimamente competitivo. Sim, pois ele, ao contrário de muitos pilotos, atuais e aposentados, pode fazer algo bem interessante com um carro que é só um pouco competitivo. A Honda fornece à McLaren um motor muito mais aquém do que se esperava. E se espera já, fazem duas temporadas. Paciência deveria ter mesmo, limite.
Alonso é um destes pilotos que faz muita falta aos holofotes da F1 atual. Se não for o único que faz falta. Ignorando completamente a torcida contra, que insiste em falar de sua personalidade como se a mesma fosse preponderante para o crivo habilidade + corrida, não vê-lo correr de verdade, e só ser figurante, quando muito, quando o carro quebra, é algo que decepciona qualquer fã de esporte à motor.

Ainda que não seja bem sucedido na Indy, continuo achando uma boa ideia. Ele precisa sair da F1/McLaren por um minuto que, já na segunda corrida é um espaço bem opressor - dado que a Globo, nas duas corridas, destilou comentários venenosos nas transmissões sobre o comportamento arrogante de Fernando fora das pistas. Verdade ou não, se eles falam, ainda que seja por pura implicância, falam porque mais alguém anda falando o mesmo no paddock, no afã de induzir pensamentos jocosos à nível creche: "Coisa boa! Castigo!"
Na F1 todos os cultuados santos são perfeitos como o termo ajuda adjetivar. Ninguém tem arrogância correndo nas veias, nem mesmo é prepotente por vezes, se impondo sob os demais, literal ou virtualmente mais fracos. Não, imagina... 


Dado que as imprensas brasileiras, italianas e inglesas costumam ter seus ranços com o Alonso já por tempos antigos, há de se convir que nenhum dos três são isentos de motivos nada nobres para os comentários depreciativos. Todos eles tem um porquê para rebaixar a índole do espanhol: a primeira imprensa se encrespa porque ele passeou na cara de um piloto brasileiro menos que mediano, a segunda, porque não venceu títulos pela equipe do país como foi prometido - campeonatos que a equipe perdeu por incompetência interna e não por culpa do espanhol -, e os ingleses sentem raiva, por ter arregalado à todos o quão dissimulado era o seu representante nativo que já foi companheiro do Fernando, em 2007. 
Como disse, motivos nada nobres. Exaltar um em detrimento de outro é algo que se faz sempre e é uma característica humana, um exercício político: discursos de convencimento acontecem no minuto que você acorda até a hora que você dorme. 

"Ah, mas ele vai saltar justo Mônaco?" 
Na boa? Mônaco é um saco. E estou achando que esse ano, vai ser bem ruim, bem fila indiana, bem problemas na largada, bem porcaria. Então, né? Bobagem.
Mesmo que seja um fiasco na Indy, vai ser experiência nova e empolgação diferente que pode render pelo menos, uma lição para Alonso. Ele não só tem direito como deve tentar.

A McLaren ainda não anunciou o substituto, mas nem adianta que o telefone deles não vai tocar: Jenson Button é o reserva atual do time e eles vão chamá-lo. Novamente não vejo porque não. Uma que, de todo, precisa de ter um segundo carro na pista no dia do GP. Duas, que JB passeando no paddock não faz mal a ninguém. Três que, se o Massa pode retornar dessa forma ri-dí-cu-la, Button pode chegar para um GP simples, fazer o que der, e cumprir a tabela para esse treco que ainda se intitula equipe.

Mas, tudo tem limite. E o limite acontece quando a gente abre o Twitter, depois de escrever cinco páginas da sua dissertação e descobre que um portal colocou como exclusividade, Rubens Barrichello dando dicas  e fazendo comentários sobre a decisão do Fernando Alonso de correr na Indy 500.
Duvidam? Cliquem no link a seguir: Surpreso, Rubinho alerta Alonso sobre Indianapolis


Só porque o "Rubim" já fez parte dessa brincadeira, não significa que ele é a melhor pessoa "exclusiva" para dar pitaco sobre isso. Tenham dó, né?! É muita ingenuidade acharem que isso vai ser algo levado à sério. Não é levado pela maioria de nós que acompanha o esporte, que dirá o principal interessado, o próprio Alonso. Ele está é dando de ombros para o que os outros pensam. E na boa, se isso é arrogância, somos um bando de hipócritas, afinal a gente ouve o tempo todo que não devemos ficar nos limitando pela opinião alheia. Deixem o cara fazer o que ele quer fazer!

Aviso importantíssimo ao Rubinho, ao Massa - que logo será questionado sobre essa ideia - e também à todos que vão deixar escapar e falar groselha: 


 Já está feito. É só esperar que isso seja bom para o Alonso, para o esporte, e para o entretenimento de domingo, para nós que teremos dois eventos para conferir. 
E que assim, seja!

Abraços afáveis!

*Atualização:



Há a questão do marketing da Liberty e todo o esquema que isso envolve. Sinceramente, isso não me parece ruim, nem mesmo que tenha sido essa a questão primordial. A Liberty está fazendo um trabalho interessante neste ponto, ainda que já tenha dito que quer se inspirar na NFL para seus eventos, ela está querendo de fato, mostrar serviço. A questão é, até quando as "novas investiduras" serão legais para nós, enquanto o campeonato em si continua previsível. 
Houve a abertura da "mudança" e a empresa está aproveitando: o carro que Alonso irá "guiar" é esse aqui, que Julian Edelman, wide receiver do atual time campeão do Super Bowl 51, New England Patriots, deu umas voltas no domingo passado:




2 comentários:

Ron Groo disse...

Alonso não tem nada a perder... Ninguém espera que ele vá lá e ganhe a corrida.
Mas ele vai lá e promove a F1, promove a McLaren e isto é bastante.
Se prestar atenção no discurso dele, a palavra "mercado" aparece em diversas falas.
Se trata disto, e não de desportividade.
Que tenha sorte.

Manu disse...

Não tem nada a perder mesmo. Promove mesmo e ainda continuo achando boa ideia.
E que tenha sorte. Será bem legal.

Abs!