segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Spa, a F1 e outras sensações

Pelo título posso informar que são dois sentimentos e outros que a gente passa a experimentar domingo após domingo, conforme vamos ficando mais velhos. Estou beirando os 30 anos. Eu vi Kimi Raikkonen, Fernando Alonso, Jenson Button  estrearem na F1. Eu vi os dois títulos do Mika Hakkinen (responsável pela meu gosto por corridas). Eu vi Rubens Barrichello fazer propaganda da Arisco. Eu não sou nova. Talvez por isso eu repita incansavelmente que a F1 está um verdadeiro porre hoje em dia: eu estou ranzinza a ponto de não aceitar que ela mudou e que algumas coisas não podem continuar durante 20 anos do mesmo jeito.

Spa é linda. Spa é vida. Sempre gostei do traçado, é de simplesmente a minha pista favorita. Chorarei copiosamente se um dia, ela sair do calendário. Do título posso afirmar que é o "amor". 
A F1 já foi um entretenimento de diversão, hoje é mais estresse que admiração.
As outras sensações são rompantes de raiva, de risadas, de míseras empolgações... Coisas que não duram todas as voltas, seja que pista seja. Mesmo em Spa, ela não foi completamente boa para mim.

Largando em penúltimo, Hamilton  e a Mercedes decidiram que era em Spa que ele pagaria a punição por troca de componentes no carro. Eu, inocente, achei que isso era uma boa coisa para que eu assistisse a corrida mais na torcida por pódio agradável aos olhos e ao meu senso crítico. Com a classificação eu tinha uma expectativa, uma boa expectativa. Porém, com a largada, eu me frustrei, mas mantive um plano B em mente. Depois de um tempo, a gente sempre tem que ter um plano B, caso contrário, você deixa de assistir as corridas na primeira volta.

Kimi largou em terceiro. Virou salsicha do cachorro quente entre Max Verstappen e Sebastian Vettel. O primeiro, enfiou o carro sem medir nada, o segundo fechou a curva e bateu em Kimi. O danificado: Vettel, que atravessado na pista, partiu para uma corrida de recuperação. Kimi teve problemas com o toque e teve mais ainda que enfrentar com a reação do Verstappen. Reação essa que peço que  vocês escolham para ele: Afoito? Desmedido? Agressivo? Potente? 
O adjetivo mudará de pessoa para pessoa, e no atual momento, os adjetivos são os melhores possíveis, pelo menos para a maioria. Mas não se iludam, o resultado é o mesmo: com essa, Kimi caiu para as últimas colocações. 
Neste meio tempo, Wehrlein bateu em Button, Ericsson ficou fora, Sainz teve o pneu traseiro direito totalmente rasgado e se descontrolou por completo na pista, rodando e saindo dele por um tempo longo e bem insano. Na hora em que Sainz parou nas britas, Kimi já estava nos boxes com o seu carro pegando fogo, mecânicos trocando o bico, e sofrendo com a chama para conseguir o feito. 
Um começo de corrida eletrizante, digno de Spa. E digno de Spa poderia ser batidas violentas na Eau Rouge. E teve: Kevin Magnussen passou como uma flecha e bateu forte no muro de pneus. 
É nessas horas que o coração da gente chega a parar. Acidentes assim são comuns nos esportes a motor, mas a gente nunca quer que eles aconteçam. Ao menos, pelo que se sabe, ele só teve um corte no tornozelo. Ainda bem. O carro da Renault ficou estraçalhado. 
Quanto à qualidade do Magnussen enquanto piloto, não é hora pra isso. Essas coisa simplesmente acontecem. E se acontecem com frequência, podemos até discursar sobre a imprudência e falta de destreza do piloto. Não foi o caso. Deixamos isso de lado.
Mesmo de forma apática, também não é hora de dizer que já que o acidente ditou o ritmo seguinte da corrida, não devia ter acontecido: A barreira de pneus se desfez e assim, foi preciso a bandeira vermelha para ajustarem o local. Os pneus nos carros que não estavam gastos a esta altura de 10 voltas apenas, com umas 3 delas, lentamente atrás do Safety Car,  sim, facilitou a evolução dos carros que estavam bem atrás. Dois deles, os dois últimos, Hamilton e Alonso, principalmente.
Deste momento, foi possível preve o que se passou depois, pois foi tudo uma boa cópia das outras corridas mais rápidas: Ultrapassagens, paradas, trocas posições e um pouco de tensão aqui e ali.
A tensão Master se deu com Verstappen e Kimi. Sim, de novo. Por três vezes, Verstappen jogou o carro ou fechou bruscamente a porta. Kimi, que deu a tônica do reclamar e xingar no rádio, já foi requisitado a se aposentar nas redes sociais. 
Analisando friamente, existe dois tipos de pilotos agressivos que eu nomearei de "sujos" e "mal-lavados". O "sujo" é aquele que joga o carro, acaba com a corrida do rival e sai, não só ileso, como sarcasticamente se vangloriando do feito, muitas vezes vitorioso, ou marcando pontos abrindo vantagem. O "mal-lavado" é o que faz isso, mas não detona o carro do rival, ou acaba se danificando com a brincadeira da disputa. 
Verstappen é o "mal-lavado". Ele não danificou por completo a corrida do Kimi. Mesmo achando que ele não fez o certo, eu sei que é o lado torcida que fala isso. Sei também que é Manu adolescente, que quer justiça para o seu piloto favorito. Depois dos 25 talvez, a gente fica meio casca grossa.
Digo isso porque abomino hipocrisia. Quase no fim da corrida, Massa começou a perder posições. Numa delas ele foi jogado para fora da pista por Sérgio Pérez que tentava manter o traçado. Uma manobra bruta, mas muito bem executada e eu (é claro!) vibrei. Porque deveria dizer que Verstappen é um bocó, se Pérez foi semelhante (embora mais preciso) e eu gostei? Ainda que seja opinião de torcida, sim, achei mais bonita a ultrapassagem do Pérez que as sambadas do Verstappen.
Tenho insistido que a FIA, é tosca com suas regras. Não obstante, comissários fingiram surdez e cegueira conveniente pelas manobras suspeitas de Verstappen, mas ao menos, não puniu Pérez por ter feito algo semelhante. Se fingiram de cegos com um, fingiram com o outro. Acho que está mais que na hora de rever essa regra. Deve-se optar por liberar as "fechadas" soberbas/maldosas (desde que não sejam com acidentes horríveis) ou soltar as punições nem que seja como advertências para "educar" os "trelelés". No momento em que Verstappen for um Maldonado, ou seja, bater e levar uma galera com ele, e alguém se machucar sério, não vai adiantar querer "meter o pau" no menino. Não deram limites quando a regra existia ou era aplicada vez ou outra (as vezes de forma bem injusta ou desnecessária),. Isso, abre brechas para quem quiser tentar ser "amalucado" também. A tecla que eu bato será essa: "porque uns podem e outros não"?

Minhas opções de pódio, depois da batida do Magnussen ainda era a permanência dos 3 primeiros: Nico Rosberg, Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg. 
A segunda frustração veio quando logo na metade da corrida, quando Hamilton passou o Hulk. Minha chateação tem nome e sobrenome desde 2007. 
Capciosamente, Lewis escolheu Spa para fara cumprir a punição porque sabe que o carro lhe levaria à uma recuperação que faria dele "um gênio". Não há espaço para dizer que um carro muito inferior, guiado por um piloto que não tem sorte com o traçado, e ainda chegar em sétimo ser também um ato genial. 
Genial é Hamilton, Verstappen que chegaram na F1 com carros bons, com investimentos e muita costa quente. O primeiro, quando pela primeira vez ficou a sombra do companheiro, traiu a confiança de muitos, saiu da equipe mãe que o fez quem é, para nadar de braçada numa equipe que estendem tapetes por onde ele passa. O segundo, ficou pouco tempo numa equipe de meio para fim de grid e viu em pouco tempo e com pouco trabalho para mostrar evolução, conseguindo rebaixar um companheiro para tomar o seu lugar numa equipe maior. 
Criticar Hamilton é andar em círculos. Mas Daniil Kyvat foi rebaixado por uma ideia de que andou "fechando carros da Ferrari" na pista. Ninguém se lembrou do pódio dele pela RBR, já o mandou de volta a subsidiária. Verstappen tem o quê que o mantém "fechando" carros da Ferrari na pista, sem que possa ser mandado de volta para a STR?

É assim. 
E afora esses momentos, alguma disputa entre Hulk e Alonso nos boxes, ultrapassagens aqui e ali, a narração reforçando que Massa venderia caro suas posições e tomava passões sem esforços, enquanto seu pai ele era filmado como se tivesse sendo humilhado por uma espécie de 7 x 1, não teve preço. Mas Spa teve lances de momentos arrastado e de mesmice. Isso deveria ser considerado sacrilégio numa pista como essa.
Infelizmente a F1 mudou. Não há mais espaço para aqueles pilotos que você confia, que são bons, que venceram campeonatos com corridas eletrizantes. Caras que saibam fazer manobras limpas, que saibam estudar o adversário para saber o melhor momento de atacar, que saiba "brigar". Isso ficou lá em 2012. Depois disso, tudo ficou previsível, como essas lutas livres. São nomes chamados nos ringues, caras que ficam provocando e fazendo performances. De repente o juiz senta uma cadeira na cabeça do cara e começam a rolar, se engalfinhando com movimentos ensaiados. Alguém levanta da platéia e é o "fulano" e pula no ringue afim de participar da pancadaria. Ninguém solta uma gota de sangue ou se machuca. Os cara tem figurinos como uma diva pop. E a platéia vibra. A tv narra como se fosse real. É entretenimento puro. 
Os "anciãos" da F1 já estão ficando reclamões. Vocês repararam porquê? Eu tenho a minha que eles estão de saco cheio como eu, que já assisto essa categoria à mais de 20 anos. Eles percebem que a coisa mudou tanto, que a competição é tão carta fora do baralho, que o negócio é estar bem no holofote.  Os pilotos do meio termo estão tentando se adaptar e alguns, considerados fracassados ou promessas que falharam, de vez em quando mostram uma coisa aqui ou ali, porque vez ou outra, o plano dos vilões e bonzinhos, falha e alguém aparece, como um empresário que arranca o terno e está com um colã colorido por baixo e pula  no ringue dando uma voadora no adversário do seu "lutador".

A nova safra pode ser prepotente, topetuda e um tanto corajosa.  E nós, apesar de velhos, vamos saber que parece tudo muito falso, mas vamos nos enganando enquanto dá. Vamos começar a nos reeducar enquanto a gente curte as coisas que nos agradava antes, e que ainda nos resta.
E assim a gente vai indo. Só olhando.

Abraços afáveis!

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