quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Filme + Trilha: Curtindo a Vida Adoidado

"Bueller? Bueller? Bueller?" 

Se você não sabe que raio de sobrenome é esse ou você é muito novo, ou... melhor nem dizer.
Goste ou não, se trata de um ídolo transgressor dos anos 80, um personagem icônico da década vindo da mente John Hughers, diretor do filme: "Ferris Bueller's Day Off", ou como é o nome daqui do Brasil, o"Curtindo a Vida Adoidado".
Este ano, o filme completou 30 anos e, antes que o ano acabe, decidi fazer menção à ele, um destes longas que que gosto bastante e se encaixa nessa tag "filme + trilha".

Para quem ainda não se atentou aos anteriores posts que fiz a respeito, pode conferi-las na nova aba: Especial 2: Filme + Trilha

O filme, é de 1986 e Ferris é interpretado pelo ator Mathew Broderick. Ferris é um aluno que mata aulas para curtir a vida, quase como um profissional em "vagabundar" sem esquentar a bunda na carteira de uma escola. Ao contrário do que se pode pensar com essa primeira linha do roteiro, Bueller é um aluno inteligente - aquele famoso que não precisaria de uma escola para ser alguém na vida, e nem é tanto aquele rebelde absurdo que só se mete em encrenca. Tanto é que as aventuras de Ferris - que é encabeçada com mais dois outros personagens: sua namorada Sloane Peterson (Mia Sara) seu melhor amigo, o metódico e sempre tenso Cameron Frye (Alan Ruck) - são simples e divertidas: eles vão à um museu, um restaurante chique, à bolsa de valores,  vão ao jogo de beisebol e à um desfile. A coisa mais criminosa que se passa com eles é a destruição total de uma Ferrari de 1960. Sim, isso sem contar a irmã invejosa de Ferris, que por estar em casa com inveja da esperteza do irmão pensa que a casa está sendo invadida por ladrões e liga para polícia. Na verdade, é apenas o diretor da escola, Ed Rooney que sabe que Ferris está aprontando, e entra na casa para pegá-lo no flagrante. A menina vai detida por trote e acaba "se pegando" com um cara drogado que também foi detido, interpretado por Charlie Sheen (irônico não?)... A certinha, também apronta um pouco e tudo fica "bem". Ah sim, fora a Ferrari e Cameron, que certamente será esfolado pelo pai, vivo, pela destruição do carro, mas isso não fica no enredo do filme. Apenas na suposição da nossa imaginação.

Apesar de Hughes ser um desses diretores/roteiristas que entende a alma adolescente, hoje seus filmes seriam uma piada. Adolescentes ririam de um amigo que matasse aula para ir à um museu, para citar exemplo do "Curtindo a Vida Adoidado". De seus filmes, vocês certamente não conhecem só este. Com a temática "adolescente" ainda temos: "Gatinhas e Gatões" de 1984, "O Clube dos Cinco" de 1985, "Mulher Nota 1000" de 1985 também, assim como foi roteirista de "A Garota Rosa Shoking"  de 1986. Destes é óbvio o meu favorito (se não, não estaria falando dele, aqui, e hoje). "Gatinhas e Gatões" + Mulher Nota 1000" estão empatados como segundo(s) favorito(s). Acho que por não ter vivido na época dos anos 80, eu não consegui captar muito bem o porque "Clube do Cinco" entrou nessa leva de cult filme adolescente. Todos os outros tem um toque de bom humor (sim, bobinho, mas ainda assim humor) que este não tem. Adolescentes, mimadinhos ou revoltadinhos, com raivinha de seus pais, numa detenção na escola? Tudo que fazem é absolutamente nada, e fogem a todo tempo das reprendas do diretor, bem como ficam importunando uns aos outros. Clichê. E todos saem dali como casalzinho, menos o nerdizinho que nem deveria estar na detenção... Não fiquei muito fã do longa, dá para perceber. Mas sim, é legal.
Já "A Garota Rosa Shoking", é mais ou menos. Também mais sério, que envolve romances e amizades. Mas garota acaba detonando o vestido no final do filme rsrsrsrsrs... Essa foi terrível, eu sei! Mas é a verdade. Com a atriz Molly Ringwald - musa de Hughes - ainda prefiro "Gatinhas e Gatões" que tem o Anthony Michael Hall em seu melhor momento cômico. E ah!, gosto muito de "Mulher Nota 1000" com Hall novamente e uma boa participação de Robert Downey Jr. ♥

Os pontos altos destes filmes são incomparáveis, mas eficazes: a boa faceta de trazer boas músicas nas trilhas (e atores revelação). Todos eles tem excelente sucessos. E claro, "Curtindo a Vida Adoidado" tem várias e uma delas fica aparente na cena icônica de Ferris na parada de Chicago onde interpreta "Twist and Shout" dos Beatles.
A trilha do filme não existe em K7, LP, nem mesmo em CD. Hughes achou que as músicas por serem cada uma de um estilo, não conviria lançar um álbum de trilha. Para além de "Twist and Shout" alguns sons muito legais tocam no filme e de fato, o tom eclético está confirmado. O grande lance que percebo é que, em sua maioria, não eram grandes músicas, super elaboradas, eram as músicas dos anos 80 apenas. Porém, era "A" década para música, inclusive para o pop que hoje, é uma "mistureba" de nada com coisa nenhuma.
Consta na trilha, nunca comercializada:

♫ Big Audio Dynamaite com "Bad"
♫ The Dream Academy - "The Edge of Forever"
♫ Blue Room - "I'm afraid"
♫ Sigue Sigue Sputnik:


♫ The English Beat - "March os The Swivelheads" 
(Quando Ferris corre para chegar em casa antes que seus pais percebam que ele passou o dia fora)
E claro, não poderia faltar a ridícula, mas incrível -
♫ "Oh Yeah" de Yello:


"Oh Yeah" é outra que ficou na memória de quem curte muito o filme. Tanto que a brincadeira da cena "pós créditos" do filme Deadpool (2016), o personagem anti-herói interpretado por Ryan Reynolds faz menção ao filme e à essa música. Vejam aqui a cena do "Curtindo a Vida Adoidado"(*), e aqui a do Deadpool.

(*) Convenhamos, esse título brasileiro parece mais tradução toscamente feita e inventada por Silvio Santos... ¬¬'

A cena com Ferris interpretando "Twist and Shout" fez tanto sucesso que fez com que a música voltasse às paradas de sucesso depois de 24 anos de seu lançamento (a música é de 1962). E nem só essa antiga aparece por lá: Ferris canta "Danke Shoen" no chuveiro e logo antes de Beatles, na parada do desfile. A música de Wayne Newton é de 1963. Ou seja, a trilha é um primor divertidíssimo. Não à toa, o filme, tão simples de história, acabou virando um filme cult.

Rodrigo Rodrigues aponta em seu livro "Almanaque da Música Pop no Cinema que a cena com a interpretação de Broderick em um carro alegórico fazendo a cidade de Chicago dançar, ao som de Beatles, marcou tanto que ele e uma galera correu nos vinis dos pais para descobrir o que vinha a ser "Twist and Shout". Eu não precisei de tanto. Como filha de um beatlemaníaco, eu já sabia que música era essa, embora, não fosse a favorita de meu pai, uma vez que ela é uma das mais comerciais. Não é querendo me gabar, mas dessa busca eu não precisei de esforços. Tudo que a cena me fez foi só fazer com que eu gostasse ainda mais da banda e apreciar filmes, afinal, eu sou de 1987, de um ano depois do lançamento do filme. Devo ter visto ele milhares de vezes via Sessão da Tarde. Ou seja, fui bem doutrinada, desde a gestação com boa música e bom entretenimento. Só posso agradecer por isso. Quantas crianças hoje, podem dizer o mesmo?

Um dado interessante do livro de Rodrigues é o seguinte: "Twist and Shout" é uma canção escrita por Phil Medley e Bert Russell. E os Beatles não foram os primeiros a gravá-la, para quem não sabe. A primeira gravação da canção foi feita pelos The Topnotes, depois ela foi regravada pelos The Isley Brothers e só mais tarde pelos Beatles, com John Lennon no vocal principal, e lançada pela banda em seu primeiro álbum , o "Please Please Me". O dado interessante é que a gravação dos Isley Brothers foi a que influenciou The Beatles a gravarem ela. Naquela altura eles tinham passado 12 horas gravando, seguidas (quem diz que alguém faz isso hoje  em dia e não se despedace em cansaço depois ou não maqueia a voz via computador?) e obviamente John Lennon já não tinha mais tanta voz para fazê-la. Mesmo assim, de acordo com Norman Smith, o engenheiro de som da banda, John chupou umas pastilhas, gargarejou com um pouco de leite e mandou ver. Por isso a voz rouca do beatle nesta música é totalmente destacável. A gravação foi feito num take só, já que uma segunda tomada foi impossível pois não restava mais nenhuma voz em Lennon. 
Mito ou verdade? Desculpa ou genialidade? Jamais saberemos. Mas que ficou especialmente boa, isso é fato irrefutável.
E viva os filmes com as boas músicas - e as músicas boas abrilhantando as cenas dos filmes!

Me despeço com essa particular cena de "Ferris Bueller's Day Off". Abraços mega afáveis e "Save Ferris"... xD

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