segunda-feira, 4 de julho de 2016

GP da Áustria: Perto do fim

Não sei quanto a vocês, mas eu já estou meio cansada de escrever minhas colunas sobre os GPs baseadas quase sempre em um certo tipo de reclamações.
Não posso deixar que vocês critiquem meus textos dizendo que eu fico na nostalgia interminável de que a F1 era melhor antigamente. Nem faço isso, porque nem era nascida nos anos áureos. Vocês sabem bem do que eu reclamo.
É bem complicado você acordar cedo, estar sentada para com um pouco a mais de paciência para aguentar geralmente um trio de narrador e comentaristas que montam diálogos totalmente absurdos sobre as coisas e 90% da audiência segue que nem patinhos novinhos atrás da mãe.
Mais ainda quando o final é da pior estirpe da hipocrisia.

Eu achava que eu detestava injustiça. Mas depois de perceber que o mundo - e agora, mais que nunca - sempre foi injusto, não há calça de lycra que resolva. A situação agora nem é de se surpreender. As pessoas falam uma coisa e agem de outra completamente diferente, com a cara mais lavada que puderem. Esqueçam: não existe pessoas honestas mais em lugar algum. Perdi a fé essa semana com uma dessas que eu achava que se punha sempre em favor da ética e perdi minha causa. Certamente existem pessoas honestas, mas elas surtam, as vezes: se revoltam e agem de má fé com o pressuposto de que "todo mundo faz isso, eu também vou ser 'esperto'". Esse é o problema; se você é sagaz o suficiente, na primeira esperteza que você age, você vira um hipócrita completo, e em sequencia, um desonesto, sujo, mal caráter, com o alto da hierarquia soando uma sirene e piscando o neon do letreiro "criminoso" bem próximo de se alcançar. Agora se a sua sagacidade é pouca, ou ainda sua consciência pesa, no primeiro "ato malandrinho", você é pego e paga pelo mal feito como se fosse um serial killer brutal. E aí sim é que aparece a tal injustiça; e ela é executada pelos hipócritas.
Ou seja, estamos longe de nos salvarmos nesse ninho de escorpiões.

As pessoas que se revoltam com Bernie Ecclestone abraçando Sebastian Vettel depois de um pneu estourado, não são as mesmas que acham estranho o véio babaca estar à portas fechadas conversando com Lewis Hamilton em começo de temporada. 
As pessoas questionaram muitos anos a ética profissional de Michael Schumacher, criticaram os 4 anos de vitórias do Vettel, mas ninguém fala que esses dois tem corridas ótimas no currículo, enquanto Lewis segue à frente na F1, ganhando seu quarto campeonato na categoria ser ter nenhuma (sim, NENHUMA) corrida que tenha feito a partir de muita dificuldade e ganhado com bastante suor e habilidade.

E no começo da transmissão, uma entrevista (suspeita) de Mariana Becker vem à tona, com Lewis declarando que a pista não está às seus moldes de pilotagem e que ele teria dificuldades... E eu pensei que era só álibi para vencê-la na base de alguma falcatrua típica sua, uma cortada por fora da pista, mudanças de mais de três vezes para se defender de ultrapassagens. Os gritos com a equipe acusando problemas no carro ia ter efeito desejado: nessa etapa, ele teria facilidade para vencer na pista, só estava se pintando de "humilde". 
E aí ele vence daquela forma, passando o companheiro na última volta, se beneficiando do fora de pista (de novo!), terminando de detonar o carro do companheiro e passando o mesmo em bandeira amarela. 
Desculpem, mas não tem como achar isso super legal. 

Vocês dirão que ontem Rosberg é quem foi o sujo. E eu digo que ano passado ele não atacava o companheiro na última volta pois era determinado pela Mercedes que não fizessem. Digo mais: ele se defendeu. Ele tem que fazer isso, mesmo que dê errado. Se fosse o contrário, Lewis não pestanejaria em pregar a cara do Nico, em algum muro.
Vocês dirão que ele jogou o carro e isso não se faz. E eu digo que desde 2007, Hamilton disputando posição ele sempre faz o mesmo. Duvidam: vejam Spa 2008.
Vocês dirão que Rosberg se ferrou e foi bom porque corridas são assim. São, são assim. Concordo. Eu até gosto de arrojo. Desde que não me cause revolta. O justo ali seriam os dois, fora.
Competição que tem carrinhos de bate-bate? Então vamos todos bater uns nos outros. Vamos bater inclusive nos boxes. Vamos sair atropelando os mecânicos que erram as paradas da Red Bull e da Williams! Vamos pedir para o Kimi e o Vetel atropelarem o Arrivabene toda vez que a estratégia na Ferrari der errado! Vamos pedir para a Mercedes sempre errar a troca de pneus do Hamilton só para dar a sensação de que estão prejudicando ele e deixar ele bater na traseira do Rosberg que nem ele fez no Canadá em 2008!
Vamos deixar que a gente comemore o fato de que um piloto que fez tudo certo a corrida inteira, se ferre no final, porque o nosso querido chegou em terceiro com isso. E eu falo de mim: Kimi chegou em terceiro. E eu sempre repudiei que dois pilotos fizessem bobagem e caísse no colo de um outro um pódio ou vitória. Não posso dar mérito ao Kimi nessas circunstâncias. Esteve no lugar certo, sim. Mas seria muito melhor se ele tivesse no caso, feito o que Verstappen fez a corrida toda. 

Façamos dessa F1 uma baderna declarada. E façamos o seguinte: tiramos os comissários também. Pois afinal, para quê regras, se o que se vence é o discurso marcado?
Perto do fim está minha vontade de ver as próximas etapas. E perto do fim está a temporada. Não há nada agora que faça mudar o resultado dela. É o fim de tudo, pois mesmo com vaias* Hamilton riu na cara de todo mundo e falou que amava o circuito. Humilde, gênio, arrojado, piloto celebridade... Dêem o nome que quiser. Eu me nomeio "trouxa". E eu já cansei de ser.

Abraços afáveis!

*PS: vaias que eu duvido que tenham sido por conta do que ele fez à um alemão. Pode ser um quarto disso. Mas um quarto foi por conta dele ser " desumilde" e provavelmente, os outros dois quartos - a maioria - foi porque tem muito europeu engasgado com a Inglaterra...

2 comentários:

Ron Groo disse...

ao que parece as vaias eram porque ele disse que não curtia o traçado da pista.

Manu disse...

E de repente, amou.... Ah...
Pinóquio ataca novamente!