quarta-feira, 27 de abril de 2016

2016: desajustando tudo

Este ano muita coisa estou deixando de fazer em prol da minha sanidade mental.
Vivemos tempos macabros. 
Onde quer que eu vá ou fico ouço e vejo muita gente reclamando da tal convivência ou mesmo da tolerância.
À começar pela nossa política. O Brasil é verdadeiro lixão no que concerne à parlamentares faz tempo. Presidentes que vieram a ocupar esse cargo desde 1989 foram reflexos de uma degradação à olhos vistos em termos de caráter e responsabilidade jurídica a cada eleição. O pior a gente vê agora com o raso papo de "escolhidos pelo povo". Se enganam em que algum momento, qualquer um de vocês tenham escolhido algum presidente que merece ser chamado por esse termo. (Eu não, pois votei nulo em todas as minhas eleições salvo uma vez para prefeito e arrependi amargamente). Foram todos ruins e a cada uma das eleições, em vez de melhorar, piorou. 
Hoje, a gente se depara com uma incoerência exacerbada de defensores de partidos por todos os lados. A imbecilidade reina a ponto de aplaudirmos cuspidas em plenários e restaurantes. Outros, boicotam os amigos e os familiares por defenderem radicais de direita que possuem uma tendência favorável à torturas e outros crimes contra a integridade humana. São os mesmos que desejam mortes cruéis aos tipos que são contrários aos seus pensamentos - superficiais - muitas vezes, de esquerda. Levantam bandeiras de heróis que são tão podres e sujos quanto ditadores nazi-fascistas. 
Se um fala mal das mulheres - eles xingam nas redes sociais. Se um outro que eles protegem ofendem a classe feminina, eles tapam os ouvidos e assoviam alto, disfarçando. Falam tanto em democracia ou mesmo na Constituição, mas garanto que se eu não li ela completa e muito menos sei ela de cor, porque todos parecem saber? 
Rouba-se direitos tanto quanto os panacas que estes cientistas políticos de botequim viram fazer discursos à dois domingos atrás. Tiram vantagem de tudo: desde o direito de ser mal educado numa manhã de segunda-feira porque quer, até passar na fila da loteria porque tem que levar a criança na escola. Desrespeita sinal de trânsito por mera pressa, estacionamento privativo para deficientes e idosos, reclama em fila de banco, trabalha com pouco caso, faz fofoca para prejudicar colegas de serviço, coloca som alto em fim de semana na orelha do vizinho de pirraça e coloca veneno para gato e cachorros da vizinhança. E aí?

Tudo que a gente precisa não é de heróis rasos, mas de um pouco de consciência individual, apenas. Não é mais questão de estar certo ou errado, é questão de pensar um pouco e se perguntar: "eu gostaria que fizessem isso comigo?" Mas quem disse que nessa piscininha dá pé? A maioria prefere usar as bóias e largar alguns poucos se afogando. 

Comecei meu mestrado ano passado. Esse ano, já cumpri todas as minhas disciplinas obrigatórias e me rendi à fazer um cronograma de estudos: pegar estrada pelo menos 3 vezes por semana e ficar de 4 a 5 horas grudada em um livro na biblioteca. Duas das quatro disciplinas que fiz foram legais, mas houveram dias que eu preferia ter ficado em casa, confesso. Neste ano enfrentei uma gripe, moleza e calor para ir só estudar. E os bolsistas? Não os vejo na biblioteca ou estudando em outro lugar. Vejo-os defendendo esse partido vermelho e seus componentes nas redes sociais. Sei bem o que eles fizeram para ganharem essa bolsa. A mesma coisa que os "mitos" políticos que nos fazem de bobo dia após dia.  
Uma coisa é certa: quando eu coloco a cabeça no travesseiro a noite, eu durmo com a mente calma. Minha parte está sendo feita: eu estudo sem ter bolsa como se fosse um emprego.
O mais interessante disso é que, apesar de ser muito ruim depender de família até hoje para ter as coisas, eu não reclamei nenhum dos dias que segui essa rotina de acordar me arrumar, almoçar cedo e ir estudar em outra cidade. É bom ter que trabalhar numa pesquisa que me agrada. Muita coisa fica para trás: tenho pouco tempo e grana para ir no cinema, ou tempo para ler um outro livro. É impossível guardar dinheiro para ir em um show, ou fazer alguma viagem cara. Mas a compensação intelectual dinheiro nenhum vai suprir. O resto a gente torce para arrumar tempo para fazer. A gente não pode dar de vítima em tudo, e não sou quadrada então é sempre tempo de me virar.

Estou mudando o que me convém. Apesar de não deletar pessoas das minhas redes sociais, eu deixo de seguí-las ou oculto certas de suas publicações para não ter rompantes de estupidez como elas. 
Em termos de entretenimento, pouco tenho feito, dadas minhas responsabilidades.
Pela quarta ou quinta temporada seguida estou dando valor à jogos da NFL. Arrumei um conforto legal. Ano passado parei de anotar tudo que acontecia nas corridas de F1. Esse ano, nem quem vence anoto no caderninho. Só anoto as pontuações numa planilha de Excel e se um dia der na telha, imprimirei e guardarei. Estou preferindo ver comemorações de Touchdowns do que ver pulinhos depois de corridas que no todo, são fáceis de vencer.
Minha mãe disse que durante o jogo da CL ontem, o Galvão comentou que esteve no aniversário do Massa e falou da confiança do carro. Bom para os fãs do cara, que tem as esperanças renovadas. Ruim para mim que já acabei com o estoque de piadas sobre isso.
É criatura que não entende lhufas do que faz na categoria dando palpite errado, que nem o Hamilton - piloto mediano que faz pose de celebridade e enche pouco nossos olhos de fãs de categoria. 
Ou piloto que a gente sabe que é bom, mas é ligado à uma equipe meio desajustada (que nem no título), tipo Mclaren. Ainda tem os novos que nem sempre tem o devido valor, porque falta ainda espaço para brilhar.
Ao todo eu pareço ser uma das poucas que gosto das corridas, mas detesto o que tem acontecido em volta dela, inclusive na parte administrativa. Ser fã de piloto é muito duro nessas horas. Deixei Kimi um pouco de lado, confesso. Uma porque, logo que ele não liga para as críticas, eu devo me importar menos ainda. Isso me trouxe mais leveza para encarar as corridas e acho tudo menos apocalíptico agora. Quando ele faz bom trabalho eu vibro, quando algo dá errado eu tento ver de quem é a culpa. Se for dele, claramente direi que ele pisou na bola. Mas como eu costumo gostar de atletas corretos no que fazem, pouco verei deslizes dele. 
Entre ele e Vettel, não vi problema na última corrida e segui bem e tranquila. Meu sofrimento foi ínfimo perto de alguns anos atrás. 
Agora a maioria de seus fãs são xiitas. Ou vão me dizer que aquele jantar dos pilotos teve alguma diferença na vida dos fãs do Kimi? Nenhuma. Por eles, a corrida de F1 é assim:


E o resto que contente-se em ser o resto. 

O povo está xiita com tudo. Os grupos terroristas islâmicos ensinaram bem essa galera. Só está faltando os cursos de homens/mulheres bomba que se acontecesse, garanto que ia faltar vaga com tantos motivos do pessoal se digladiar como trogloditas por comida, fogo e caverna. 

Mas vamos nessa, desajustando o que pode e vivendo com o que dá. Se não, a gente começa a arremessar pedra em avião logo, logo...

Abraços afáveis!

Um comentário:

André disse...

Excelente texto.

Parabéns pelo blog.
Abraços