sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Metallica num Super Bowl 50

Super Bowl. 
De uns tempos para cá, muitos passaram a falar disso. É noticiabilidade em moda. Se você não falar sobre, está desatualizado. Se falar sobre, está falando do que não sabe.
Tudo que se populariza, aumenta a corda do lado negativo.
O simples fato de eu ter, por um ano, usado camiseta com o logo do Broncos, nunca garantiu olhares. Hoje, já vejo modistas reunindo galeras em sua casa para o SB 50. Dou minha cara a tapa, que um babaca de plantão que conheço estará com cerveja na mão às 21h30 escrevendo no Facebook "Go Panthers", no domingo e fazendo a narração do jogo conforme ele sempre fez com a Champions League. Nunca ouvi um "a" dele sobre os jogos quando estive com a camiseta em sua presença. Aposto também que se eu saísse na rua com a camiseta do Broncos, na segunda-feira seria zoada de alguma forma: ou porque estou com a camiseta do time perdedor, ou porque é o vencedor do SB e automaticamente sou da turma da modinha... 
Coisa de americano fazendo sucesso no Brasil é perigoso. Criatura compara Tom Brady à Pelé, confunde extra point com gol. Chama quarterback de zagueiro... E brasileiro adora achar que se você torce por time que perdeu, é um perdedor e o mínimo que deveria fazer é ser um vira-folha ou torcer pelo time que ele - o zuador - acha que é melhor para você. Sentimento - ou no bom inglês ,"feeling" - pelo que você gosta, mas não consegue explicar, independentemente de estatística, números, fatos ou recordes, não é preponderante. A tônica "The zoeira never ends" trás risadas e ranços. Nada é admitido simplesmente pelo fato de bater o olho em um time e falar "ó gostei!!!", sem maiores explicações.

Eu comecei a ver FA, em 2012. Confesso que não dava muita bola para toda a temporada. Tinha dias que eu sossegava vendo, em outros eu ia fazer outra coisa. Mas aí assisti os playoffs, achei bem legal e decidi escolher um time. Fiquei entre New Orleans Saints e Denver Broncos. Por Manning, decidi pelo Broncos, mas ainda tenho carinho pelo Saints por conta de Brees. Vi o SB 2013 e enfim, entrei de cabeça. Contei os dias para começar a temporada regular em 2013. meu time foi ao SB naquele fatídico SB 48. A frase "Ataquel ganha jogo, defesa ganha Super Bowl" ecoava na minha cabeça e eu, revoltada, custei a aceitar a derrota. Ainda mais pelas bobagens que li e ouvi por aí a respeito daquele jogo.
2014 veio nova temporada, o Broncos veio à playoffs, mas perderam e não foram ao SB 49 - que nem foi lá eletrizante assim. Uma porque tinha o time mais popular desse país de gente sem noção estava em campo e outro lado tinha sido o carrasco do SB anterior. Ou seja, eu olhava a tv, mas não tinha nem torcida pra nem para outro. Foi bom, porque não houve stress, se é que me entendem.

Com a cabeça erguida, o Broncos virou time de defesa para temporada 2015. São estatisticamente um time capaz de enfrentar esse tal Panthers apoteótico e (im)batível. Enfrentaram mais times fortes na temporada que o Panthers. Enfrentaram - e venceram - duas vezes o segundo mais forte da AFC - o Patriots, que o Panthers, não enfrentou. Além disso, venceram todos os times que foram à playoffs, com exceção do Texans, com os quais, não jogaram. Venceram o Packers, que sim, era um time forte. E por mais que o Panthers conte vantagem, sim, quase perderam para o Saints, o Giants, o Seahawks. Mais um pouco no relógio e o resultado poderia ser diferente. O Falcons - que Falcons? Oras... _ mostrou que dá sim para segurar esses caras. 
Broncos ainda tem a melhor defesa da liga, o time que menos deixou que ataques fizessem suas jogadas, o time que mais pressionou ataques.
Estamos na terceira chance de playoffs, segunda de Super Bowl. Há muita coisa à nosso favor. Desde cor do uniforme, até espírito de concentração dos jogadores. Entram em jogo não como favoritos, como no SB 48. Ninguém aposta com fé no Broncos, assim como não se apostava no Seahawks à 2 Super Bowls. Onde vejo reviews "imparciais", pessoas escrevem sobre as maravilhas do time do Panthers e no fim esperam um grande jogo. Mas no fundo sabemos que estão se coçando para falar as bobagens de sempre: ataque fraco do Broncos, o braço ruim do Manning e blábláblá...
Isso tudo é estatística, palpite, análise e review técnico.

E o "feeling"? Eu tenho, para mim, que tem muita coisa dando certo, muita coisa sendo escrita da forma, não mais perfeita, mas pelo menos, de ficar para história. Muita coisa acontece e eu acho bom e confio. Plenamente convicta, tenho gostado do que vi até agora. Não a toa disse em post anterior que meu SB foi o fim da decisão da AFC. São bons, são legais, são o time que escolhi. Se o resultado for bom no domingo, dia 7, ótimo. Se não: Não ligo. É o meu time de Super Bowl.
E nada mais importa nesse quesito. "Nothing else matters"
Sim! A vida corre e não pára: 2016 é ano de dar conta de dissertação, fazer as obrigações, manter-se saudável e etc. Cada um com as suas buscas.
Mas vou avisar novamente: meu sentimento é o mesmo da Copa do Mundo de 2014. Em 2006 torci para a Alemanha e foi quase. Torci novamente em 2010 e continuei torcendo em 2014, mesmo sem confiar muito, com o discurso de que torcia (e torço) não pela melhor seleção do mundo, mas pela que eu achava ser a melhor do mundo. Minha última felicidade esportiva se deu naquele 13 de julho de 2014 (foi um pouco mais grandioso que o 7 a 1, do dia 8, rsrsrsrsrsrsrsrs...)
O Broncos continua com meu apoio, "no matter what happens on Sunday..."

Super Bowl 50 esteve marcado desde o começo da temporada para o dia 7 de fevereiro. Nem anotei na agenda porque eu não tinha fé que meu time chegasse tão longe, embora tivesse mentalizado o troféu Vince Lombardi nas mãos de Peyton Manning, prestes a fazer 40 anos, nesta data. Veria uma história sendo escrita. Percebem que até no apelo histórico, isso seria a coisa mais incrível de se acontecer?

O evento grandioso contará com uma festa. Por ser edição 50, eu preferiria que atrações musicais fossem mais adequadas ao bom gosto. Mas não: é hino americano com a doida da Lady Gaga e show do intervalo com Coldplay e Beyonce.
Eu aqui, tascaria um Metallica da vida. Cinquentões que são incríveis, com um som de peso. (Querer não é nem de longe poder,afina...!)
Aproveitando o fio, costuro o fim da postagem: eis duas músicas, uma para o Denver Broncos e uma para o Carolina Panthers, na sequência:





Com isso, vou ficando por aqui. À todos, desejo "excelentes" fim de semana, Super Bowl (ou qualquer outra coisa que vão ver/fazer), e folias (se é que vão cair no Carnaval). Juízo, galera! Volto na segunda-feira, se eu tiver forças.

Abraços afáveis!

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