quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Temporada 2015 de F1: balanço final

Para finalizar o ano horroroso da F1, façamos o balanço geral, o veneno último e fechamos tudo para não voltar mais a ficar sofrendo por esse momento.

Acabou, graças à Deus - diria até o ateu. 
Conseguiu ser pior que 2014 em alguns pontos. Foi um pouco melhor para alguns pilotos do que aquele ano par, mas foi uma verdadeira miséria em termos de competitividade e emoção. Uma coisa ridícula, eu diria, pior incluisve quando Sebastian Vettel venceu antecipadamente no ano de 2013, com 4 provas de antecedência. Sim, foi seguramente muito pior.
E agora constato: não é por vencer antecipadamente que as coisas ficam chatas. É quem as vence, e como.

Por mais que falamos, discursamos e façamos nossos argumentos serem ouvidos à respeito da inutilidade em que se encontra a F1 no momento, corremos dois riscos: um, de ser aqueles intelectualizados chatos para caramba que discursam como deve ser as mudanças para que retorne a competitividade, e o outro lado é de ser os "reclamões" - que tem até razão , mas que são "reclamões" e portanto, quando abrem a boca, são sumariamente ignorados.
Eu, certamente serei ignorada. 

Sim, 90% das pistas são uma porcaria. Sim, 90% dos pilotos deixam a desejar. Sim, 90% das regras só valem pra uns. Sim, eles - FIA e afins - nos fazem de trouxas em 100% dos casos.
Fato é que, se não rolasse tanta grana, metade das coisas já teriam sido resolvidas. Mas não vai ser: GPs nos Emirados Árabes são uma porcaria, mas lá transborda dinheiro. A pista é asfaltada com dinheiro emborrachado. Eles dão festas e eles limpam em guardanapo que é - olha, só - dinheiro. Elas são chatas, mas dão dinheiro. E é fim de papo. Vai discutir contra isso? Você perde. E perdendo, você segue arrumando jeitos de ver as corridas do calendário disponível. 
O mesmo se aplica às equipes: elas tem dinheiro. Investem e "trabalham". Mercedes é o caso: gastam litros. Mandem eles colocarem o mesmo motor da Marussia, e eles fazem o mesmo "mimimi" da Ferrari e ameaçam sair da categoria. Será sempre assim, só mudará o nome da montadora.
Contrataram um palhaço para o circo: no caso, o Rosberg. Ele fez as vistas da "falsa competitividade" que se instaura no ano. Enquanto isso, eles contratam um pseudo-piloto - que nada mais é que uma celebridade à moldes anos 2000 -, no caso, Hamilton. Enchem o bolso de dinheiro e marketing. E enchem mais o bolso pois a Mercedes fornece tecnologia e inovação para vencer a competição.
Vencer campeonatos como o de Hamilton? Um robô faria o mesmo.
Mas você e eu já vimos filmes de robô. A humanidade não confia nesses seres criados por nós mesmos e mostramos uma síndrome Frankenstein, em dois tempos.
Mas isso já é viagem minha. Fato é que, Hamilton como piloto é ótimo como celebridade.
E pensar que Bernie disse que piloto tinha que ter carisma... ¬¬'

Campanha: Justin Bieber para piloto!! Vamos lá, ele até tem Ferrari!!! #sarcasmo

Desde que Hamilton venceu antecipadamente só tivemos situações risíveis esse ano: antes mesmo, ele fez cena em Mônaco. Os erros da equipe não lhe custaram uma lasquinha de seus colares de ouro, mas ele fez cena, toda vez que lhe foi propiciado falar ao microfone.
Rosberg foi dado, lá no começo, como mau perdedor. E aí que percebemos a inversão de valores. Antigamente, o cara talentoso - e mesmo que fosse o vigarista da história - era absolvido pelo talento. Agora, meia dúzia de colares e namoradas famosas o fazem mito. 
Isso se seguiu vez ou outra, com bonés arremessados e agora, joguinho de palavras na mídia - afinal, silly season já bate à porta.

Com vitória antecipada de Hamilton, restava resolver o segundo colocado. E a F1 mostrou sua fraqueza mais uma vez: Rosberg deveria ser vice, e Vettel não conseguiu se aproximar pois o esquema armado pela Mercedes foi bem costurado. Acrescentando mérito à incompetência ferrarista, Rosberg fechou o ano em segundo, com bons resultados nas últimas corridas.
Hamilton pode ter falado muito - inclusive, abobrinhas jamais antes ouvidas -, mas fato é que eles garantiram a segunda colocação e quem comprou que tinha briga interna, que sobreviva com isso. Eu não comprei essa. Nem vou.

Vettel fechou o ano em terceiro, com seu primeiro tempo na Ferrari. Ainda que soe que ele é prepotente, acho que ele deve ser e está no lugar certo para isso. Ele é tetra campeão e o único piloto descente dessa categoria, depois do Fernando Alonso, que seja novo e que possa ainda ter respeito. Dos mais velhos que ele, talvez, Button e Kimi ainda inspirem algo. Aposto ainda em mais 3: Ricciardo e Hulk - e, relutantemente - Bottas. Mas o resto ou é duvidoso, ou tem vento na cabeça. Rosberg já perdeu posto aqui, por aceitar as coisas de Lauda, Wolff e companhia... Toma tento, Rosberg!

Em quarto, Kimi. Um ano decepcionante. Melhor que 2014, mas decepcionante. Kimi sempre foi apático, e se assim é, ele não discursa por igualdade. Isso esse ano, deixou até quem gosta dele, com raiva. A sorte dele é que Vettel o respeita. Caso contrário, nem quarto lugar teria - já que Arrivabene, não liga para o que ele precisa. A Ferrari é assim, despreza um, e a exalta outro. Dessa vez a diferença entre eles é gritante, mas ao menos, estão logo ali atrás das Mercedes. Menos mal.

Em termos práticos, é de se dar gargalhada com o quinto e sextos lugares. Bottas é um bom piloto, que mostrou uma veia muito desagradável depois de se envolver com o compatriota Kimi em uma corrida na Rússia. 
Entre culpados ou não culpados, o "mimimimi" deu asa para questionar tanto sua nacionalidade, quanto o talento. A prova veio com as corridas seguintes: Kimi fechou com 150 pontos e ele em quinto, com 136. Seja finlandês, Bottas. Faça as coisas com frieza e acho que você supera essa.
A meta da Williams era bater as Ferraris, a meta da Williams falhou pelos próprios erros (de pit stop) e confiança demais em quem não deveria. 
Mandar Massa caçar outro time e pegar sangue novo e bom para o ano que vem, já poderia render frutos. O Grande Homem terminou o ano em sexto com 121 pontos. atrás novamente do Bottas.
O que eu ouvi esse ano que ele era líder da equipe, não está no gibi. Até porque surgiu uma falsa ideia de que Bottas estaria na Ferrari em 2016. A liderança do Massa não era garantida, uma vez que Bottas tinha uma corrida a menos e ainda conseguia ter pontinhos a mais. Quando os boatos ruíram, Massa ruiu junto. Massa só é líder na própria casa - e olhe lá, lembrando que tem filho pequeno...

Abaixo deles, Kvyat e Ricciardo, os dois RBR - que sofreram esse ano, mais do que no anterior. Surpresa em ano de estréia que Kvyat tenha superado o garoto sorridente Ricciardo, alguém que eu acho que deveria ter mais crédito e espaço nessa categoria, algo para ontem.

Fechando os 10 primeiros, Pérez e Hulk da Force India. Se não fosse por muitos abandonos, Hulk teria tido um ano ótimo. Outro que acho desperdiçado nessa categoria. Dispenso Pérez, mas Hulk deveria ter uma chance com um carro melhor para vermos o que pode fazer. Pérez é o Pérez, vez ou outra faz coisas que sinceramente, deveria evitar. 

Grosjean em 11º é e não é surpresa, dada a complicação que era a Lotus. Superou Maldonado, que sem dúvida, não surpreende também. Maldonado só fechou o ano com 27 pontos em 14º e nem deu tanto trabalho para comissários assim... 

Seguindo para 12º, Verstappen calou muita gente fazendo 49 pontos em ano de estréia, com tanta pouca idade. Foi acusado de imaturo por Massa e foi sagaz ao responder o que o colega brasileiro do jeito certo. O assunto morreu ali, afinal, a gente sabe que maturidade nessas horas, é fator determinante só pra mídia, porque na prática... São outros 500.

13º Nars, brasileiro, patrocinado e na Sauber. Até tentaram puxar-saco, mas não conseguiram nos irritar. Guardado das circunstancias, teve 27 pontos, mesmo tanto que Maldonado. Seu companheiro, Ericsson, fechou o ano com 9 pontos, em 18º, só perdendo para os zerados da Marussia: Merhi, Stevens e Rossi.

Sainz, companheiro de Verstappen parecia melhor que ele, mas finalizou o ano apenas em 15º, com 18 pontos, uma diferença grande para o garoto de 17-18 anos.

Por fim, as McLarens, padecidas e jogadas às traças. Button completou mais corridas que Alonso, mas unidos na desgraça, finalizaram o ano em 16º e 17º respectivamente, somando míseros 27 pontos. Maldonado e Nars fizeram esse mesmo somatório, sozinhos.
Shame on you, Honda!

Para fechar, das 19 corridas, 17 foram ruins, mas ruins mesmo, a ponto da gente escrever que cochilou no meio dela, mesmo tendo dormido bem à noite. 
Agora olhem bem: tem alguma condição de tudo isso ser resumo de temporada boa?
E pensar que 2016 pode ser tudo igual... o.O

Vai tarde, temporada de 2015!

Abraços afáveis!

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