sábado, 9 de janeiro de 2021

Balanço da Temporada 2020 Fórmula 1 (parte III)

A última corrida da primeira tríade de GPs seguidos deixava explicito que boa parte dos fãs estavam bem satisfeitos com a sequencia de corridas. A ansiedade para assistir mais um fim de semana de carrinhos dando voltas em um circuito, era mínima em relação aos anos anteriores.
Maaaaaaas, isso não significava que os resultados delas estavam sendo satisfatórios.

Está bem, estavam para a maioria, mas não para mim. 
E na Hungria, isso ficou um tanto escancarado.

Foi neste circuito - vejam bem o terceiro do ano!! - que ficou claro que Lewis Hamilton seria hepta e a Mercedes, campeã no campeonato de construtores pela sétima vez seguida. 
"Compensava todo aquele esforço e sistematizações?", questionei. 
Claro que eu pesava que não, embora soubesse que não é sobre resultados excitantes e entretenimento puro e simples que a categoria almeja. 

A 90ª pole position de Lewis fez com que as minhas constatações prévias - brincando e dizendo a verdade ao mesmo tempo - sobre a F1 2020 ser a Fórmula Hamilton, fez com que eu risse sozinha ao escrever este texto aqui. Eu estava certa de novo!

Tradução: "Mesmo?" 

Mencionei no texto (relembrem no link) que Hamilton bateria os recordes do grande Michael Schumacher e que Valtteri Bottas não ofereceria perigo.
E então, passei a chamá-lo de heptacampeão, mas não sem criticar seu papo "sandbagging" e a sua insistência em cobrar posturas socio-políticas das autoridades da F1, das equipes e até, dos outros pilotos.

Avisei, lá no primeiro post sobre isso. Se não fizesse com firmeza ou decência, colocaria muita gente em uma situação desnecessária. Assim, foi sintomático que agora, o público leia certas atitudes de alguns pilotos como reações de extremistas, como se fossem "inimigos" da causa. Isso seria grave e até irresponsável. Afinal de contas, como figura pública, o Hamilton, querendo ou não, (e estando certo ou não) é formador de opinião. Por isso, era preciso saber muito bem o que estava fazendo, ter rigor e sensatez sobre isso.
Infelizmente, não parecia o caso. Parecia mais uma questão que ele achou interessante em agregar à sua personalidade e figura pública. 
Legítima, claro, mas ainda insuficiente em termos de luta e projeto de mudanças. 
Mais tarde, na Bélgica, a gente entenderia que a militância só dava as caras quando convinha. Pouquíssimo sacrifício em prol da causa, foi visto, durante a temporada toda. Mesmo assim, não faltaram em exaltar, sobretudo na mídia.

Não sou de me gabar, mas para fechar o assunto, acho que vale a pena o print do que escrevi lá no texto. Sigo pensando da mesma forma (cliquem na imagem):



Sobre a personalidade de Lewis, eu tentei explicar que ele sempre me pareceu blindado à críticas. Levantei um fato: quando Sebastian Vettel vencia muitas corridas, LH foi o primeiro a fazer duras críticas, a dizer que hegemonias entendiava os fãs. Nenhum jornalista ousou voltar essa frase para que ele comentasse hoje. 
Talvez nem precisassem fazer essa pergunta, já que ele teria o discurso pronto. De fato, entediava fãs, mas ele justificaria o trabalho duro da equipe, dele e do companheiro "moldado à capacho" e estaria tudo certo. 
Por isso, não é de se espantar que tenha sido o episódio da Hungria, a primeira corrida considerada sonolenta (não que as anteriores não tivessem os seus momentos chatos) da temporada.

Com uma pista molhada, Max Verstappen quase não largou, Bottas se perdeu na largada, Charles Leclerc também errou, Sebastian Vettel buscou a quarta colocação e os comissários distribuíram punições bobas à pilotos de fim de grid - Kimi Räikkönen, foi o primeiro, e depois da corrida ter acabado, os pilotos da Haas, Kevin Magnussen e Romain Grosjean tomaram outra.
E Hamilton não tardava em humilhar os concorrentes - no caso, o Lance Stroll que era o segundo (!!!!!) colocado. 

Com a volta 3, a pista estava em melhores condições. Os boxes lotaram de pilotos trocando os seus compostos por outros que não fossem o de chuva. Nesse momento, Carlos Sainz e Nicholas Latifi se tocaram, gerando uma punição para o piloto esterante da Williams. 
A Ferrari fazia lambança estratégica, mas com Vettel, teria um certo requinte de crueldade. 
A surpresa ficava com a Haas, que viria a ser punida depois por isso, estava no começo da fila de carros, pois os pilotos trocaram os pneus logo depois da largada.
Bottas sofria para se livrar de Stroll e eu acrescentei que Pérez ainda que fosse constante, não mostrava ser tão excelente e experiente como seria tachado, algumas corridas mais tarde, pela mídia. Ele errava e errou na largada do GP húngaro, mas isso, sequer pairava no ar.

Depois da volta 17, nada de mais acontecia na corrida.
Fora dela, abria-se espaço para o debate sobre talentos e capacidades. Logo na terceira corrida do ano se questionava a capacidade de Bottas de oferecer perigo ao Hamilton - e criticava-se mesmo sem saber se isso não é exatamente o que a Mercedes pretendia com ele, desde que pisou lá. 
Em contrapartida, muito se considerava que, com um motor bom, qualquer um conseguiria destaque, por mais "obtuso" que fosse. Esse era o caso de Lance Stroll. A "Mercedes Rosa" ou Racing Point tinha virado a novidade da temporada - com direito até à polêmica sobre os carros. 

Minimamente em condições iguais, esses "achismos" não atormentariam tanto... Se bem que... Minto, ser humano é dado à encher o saco. Sempre tem um grupo, do contra, apto a ficar menosprezando X e exaltando Y. Ainda mais em se tratando de esportes. Argumentações permaneceriam rasas e toscas, não adianta a lutar contra. 

Pensando no campeonato, sugeri que Bottas não tinha "peito" para bancar uma ameaça ainda que sutil em relação ao Hamilton e a Red Bull não teria chances, ainda que a equipe se esforçasse e Max fizesse um bom trabalho. Com isso, critiquei um pouco, a falta de ação de Alexander Albon. Partindo do pressuposto que todo mundo usa para falar mal do Bottas - refleti que Albon tinha o mesmo equipamento que Max (assim como Bottas tem - será? - o mesmo tipo de carro que Hamilton). 

Projetei ainda que a Racing Point não chegaria a lugar algum por não ter piloto à altura. Não, eu não gosto tanto assim do Sérgio Pérez. Acho que ele teve chances suficientes para mostrar valor na F1 e não fez nada que enchesse os olhos. Discordo mais ainda que tenha tido outra chance, e das boas, para 2021, mas isso é passível para um outro texto. Já adianto: pode ser que vocês verão que ele não é essa "coca-cola toda", e lembrarão de mim. Ou não... Vai saber?!

Critiquei, mais uma vez, a Ferrari, aos montes no texto da corrida. Parecia cansativo, ter que arrumar novos jeitos de falar o quão inaptos são. 
As McLarens, que haviam protagonizado bons lances nas corridas anteriores, fizeram corridas modestas.  
Para finalizar, sumiram com os carrinhos robôs que entregavam os troféus (já que houve críticas do "Blessed", será?) e puniram as duas Haas por uma regra que só lembraram dela, no fim da corrida. Era como chutar cachorro morto.

Satisfeita? Pelo texto, dá claramente para ver que eu não estava, e nem um pouco. Segue o link e o infográfico: 


Não mencionados na tabela acima:

► Sebastian Vettel ficou em sexto, tendo largado da quinta colocação e feito uma escolha mais sensata na troca de pneus do que os estrategistas.
Leclerc, que acatou a escolha da equipe, terminou fora da zona de pontuação, no 11º lugar. (Largou em sexto!)

► Em sétimo, Pérez, errou na largada e fez uma corrida de recuperação. Checo foi o quarto colocado do grid e poderia ter acompanhado Stroll de perto, mas não foi assim.

► Em oitavo, Daniel Ricciardo, largou da 11ª colocação. Esteban Ocon, seu companheiro da Renault, largou do P14 e terminou a corrida no P13.

► Em 9º, Kevin Magnussen - só que não! Com a punição de 10 segundos para os pilotos da Haas por "interferência da equipe nos resultados de pista durante a volta de formação, para troca de pneus" (patético, eu sei!), Kevin foi só o 10º, marcando 1 ponto para ele a Haas. Romain Gosjean terminou no P15 e depois ficou com a 16ª posição final.

► Em nono realmente, ficou Carlos Sainz Jr., tendo largado da mesma colocação. Seu parceiro Lando Norris terminou a corrida em 14º (e largou da 8ª posição). 

Não marcaram pontos:

► Em 11º - Leclerc, seguido de Daniil Kvyat da Alpha Tauri (classificou-se em 17º). 

► Ocon em 13º e Norris, em 14º (já mencionamos), seguido do primeiro carro da Alfa Romeo - o de Kimi Räikkönen, em 15º (ganhou uma posição, com a punição do Grosjean). Kimi largou da última colocação e tomou uma punição por ter "queimado a largada"...

► Grosjean foi 16º (largou da 18ª colocação), Antonio Giovinazzi ficou com o P17, (e largou do P19), não tinha muito o que fazer.

► George Russell e Latifi em suas Williams fechavam o grid em 18º e 19º respectivamente. Largaram das posições 12 e 15.

Abandonos:

► Apenas Pierre Gasly, na volta 16, com problemas no motor de sua Alpha Tauri, não terminou o GP húngaro.

Os famigerados placares:


► Hegemonia de Verstappen, Gasly e Russell sob os companheiros, Albon, Kvyat e Latifi.

► Nada de novo sob o sol: Hamiotn na frente de Bottas e Ricciardo na frente de Ocon. 

► Até aqui, Vettel vencia Leclerc, Norris vencia Sainz, e Stroll vencia Pérez. 

► No caso das duplas da Alfa Romeo e da Haas, parecia um ping-pong básico, alternando em classificações, um ou outro.

Especificidades:

Piloto do dia: Max Verstappen da Red Bull. O piloto holandês saiu da 7ª colocação, saiu da pista na volta de apresentação e superou o Bottas, que viria a ser o seu rival direito, na corrida. 
Tudo bem: foi merecido.

► Hamilton fez a 90ª pole position da carreira. 
Além disso, marcou a oitava vitória na Hungria, igualando-se ao Michael Schumacher que tem também 8 vitórias no mesmo circuito - o de Magny Cours, na França. Essa marca do Schumi foi conquistada em 2006.
Lewis ficou 66 das 70 voltas na liderança. As outras quatro, foi o Verstappen que segurou a ponta da fila quando LH foi trocar pneus. 
"Aiiiin, a F1 é competitiva sim..." 


Para já irmos finalizando:

Terceira corrida da temporada e Hamilton passou Bottas no campeonato: 63 pontos para ele e 58 para o finlandês. 
Verstappen subiu 3 posições, somando 33 pontos e ficando com a terceira colocação. 
Um vislumbre da temporada, lembram?
Com isso, Norris perdeu a terceira colocação, ciando para quarto e somando 26 pontos e apesar de Albon ter feiro um modesto quinto lugar, subiu para a quinta colocação geral, com 16 pontos somados.

A Mercedes, bem... abriu 66 pontos em relação à segunda colocada, que passou a ser a Red Bull. 
Bacaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaana...


Não vou prometer uma data para a próxima postagem para não descumprir com ela, sem querer. 
Mas em alguns dias, não mais do que 10 deles, estarei de volta.

Abraços afáveis e comentem o que quiserem!

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