segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Chapter 11: GP de Eifel

Após alguns sinais de que não seria bem assim, a sorte sorriu - mais uma vez - para Lewis Hamilton.

Tudo começou com os treinos livres: iríamos ver Mick Schumacher na Alfa Romeo, testando no lugar de Antonio Giovinazzi. Quis São Pedro, que não fosse possível. Os dois treinos foram cancelados por conta da neblina. 

Assim todos os oficiais iriam experimentar a pista apenas uma vez antes da classificação. Na classificação, eu apostava que Hamilton faria o que tem feito sempre - aguardar para começar as suas voltas "poderosas", só depois da segunda metade do Q2. Mas Valtteri Bottas abocanhou a pole e decepcionou 9 entre 10 fãs (fãs?) de F1 no GP em Nürburgring, na Alemanha. Até a transmissão, que esgoela muito por qualquer coisinha que faça o inglês da Mercedes, parecia anunciar não uma pole, mas um velório. 

Nas entrevistas pós classificação, Lewis transparecia um pouco caso e sinais de mau perdedor que não incomodou ninguém a não ser, eu. Ele fez isso em relação ao caso de Deodoro no Rio de Janeiro, nas entrevistas de quinta-feira, e novamente, só incomodou a mim. Mas deixa para lá. Não tenho nada que palpitar sobre isso.

Antes da corrida acontecer, havia um problema no volante de Hamilton. Ele reclamou (claro!) que estava solto, e a equipe sinalizou que não houve nada a ser feito para melhorar, uma vez que não era permitido. Era apenas uma pimentinha para a história, nada que deixasse a mim, com esperança de que o recorde de vitórias de Michael Schumacher, tardasse mais alguns GPs.

Quase deu a entender que "hoje não". Na largada, Bottas quase perdeu a primeira colocação. Na curva 2, Hamilton espalhou tanto que quase perdeu a colocação para Max Verstappen. Lá pela volta 13 mais ou menos, Bottas travou as rodas, Hamilton passou e tomou-lhe a liderança. Num passe de mágica! Na volta seguinte, Bottas foi fazer a troca de pneus, e permaneceu na pista apenas mais 4 voltas. "Estranhamente", o motor W11 do finlandês deixou ele na mão. A corrida dele acabou na volta 18 (e a do Hamilton também, já que estava com a vitória nas mãos). Restava agora saber como se comportariam os carros que vinham atrás.

Essa é a tônica de toda corrida - seja ela boa ou não: estamos sempre mais preocupados com o que acontece a partir das Mercedes do que com elas mesmas. A Fórmula Mercedes causa impacto assim: as pessoas defendem a sua "competência" e a gente que quer outras ações acontecendo, começa a cogitar a possibilidade de fazer outras coisas (mais úteis) da vida. 

Detalhes à par da narrativa que destaca a Mercedes sempre: Lance Stroll se sentiu mal no sábado. Não participou do único treino livre que tiveram e chamaram às pressas (de novo), Nico Hulkenberg. Infelizmente, na pressão da classificação, e por ter chegado apenas 4 horas antes no paddock, Nico largaria apenas a 20ª e última colocação. 

Na corrida, George Russell foi atingido por Kimi Räikkönen, e abandonou o GP enquanto o finlandês garantiu 10 segundos de punição pelo "incidente". Depois de Bottas, Esteban Ocon teve problemas elétricos e também recolheu o carro. Adiante, Alexander Albon se envolveu numa disputa roda a roda com Daniil Kvyat, que perdeu a asa dianteira e abandonou a corrida. A punição para o tailandês foi mais branda, embora, visivelmente mais problemática que a de Räikkönen: apenas 5 segundos. Logo, Albon também abandonaria a corrida.

Em seguida, quem enfrentava problemas era Lando Norris. No maior "modo Kimi de reclamações no rádio", Norris estava com problemas de recuperação de energia. Ele abandonou na volta 44, sentou numa das cadeiras num canto do circuito e lá ficou, em profunda tristeza. Ele foi o último a não participar mais da etapa alemã.

Daí, entramos no tempo de aguardar se seria Sérgio Pérez ou Daniel Ricciardo o terceiro colocado. Todos torciam para Ric, uma vez que o simpático australiano conquistou uma galera por aí e ainda envolvia uma aposta com seu chefe de equipe, Cyril Abiteboul. 

Outro ponto importante era o desempenho de outros pilotos: a) Pierre Gasly que havia largado da 12º colocação e fez uma corrida excelente, terminando em sexto lugar.

b) Charles Leclerc - que tenta e consegue tirar proveito do único carro da Ferrari disponível * - terminou em sétimo. 

* Digo único disponível, pois, as mudanças e melhorias são direcionadas ao carro 16 e não ao carro 5. 

c) Hulk, que largou em último, recebeu a bandeirada no P8. Fantástico!

d) Romain Grosjean garantiu seus primeiros pontos em 2020 e marcou o nono lugar. 

e) Perigando perder a vaga para Mick Schumacher no ano que vem, Giovinazzi completou a zona de pontuação. 

f) (Não menos importante) Kimi Räikkönen, ainda que sem pontos, completou a marca 323 GPs iniciados. Incrível (ainda que ele não dê a mínima para isso, rsrsrs...). 

Dá para dizer que 90% dos fãs (fãs?) da F1 ficaram empolgados e emocionados com o resultado da corrida: 

- Primeiro, Ricciardo de volta ao pódio e a primeira vitória da Renault. Ele se esqueceu do "shoey" no pódio, mas depois fez um vídeo. E o Cyril em breve será um cara tatuado, rsrsrs... (A promessa Ocon, viu isso tudo, dos boxes. Estou curiosa para ver o retorno de Fernando Alonso...).

- Verstappen terminou em segundo, fez uma excelente corrida e ainda marcou o ponto extra, batendo o recorde que era de Michael Schumacher (1:29.468). O holandês fez muito mais que Hamilton nesse sentido, cravou 1:18.139, o novo recorde da pista.

- Lewis Hamilton se igualou a Michael Schumacher em número do vitórias. São 91 em 13 anos, algo que poucos pensavam que ia acontecer - mas eu, não tinha dúvidas. Com a quantidade de corridas por ano, essa marca não era mais remota, nem seria até o final deste ano. Correndo com um carro muito superior aos demais, pelo menos desde 2014, e não tendo rival com "cojones" (ainda que tivesse, não foi o bastante) e sobretudo com carros "bem nascidos" (salvo o ponto fora da curva, em 2016, em que perdeu para um companheiro de equipe), ficou mega fácil bater esse recorde. (Além disso, esteve em duas equipes, mas ambas, sempre usaram motor Mercedes - isto é, s em algum momento, precisou se reinventar, foi com a mudança para os híbridos).

Podem dizer que comparações são inúteis ou burras (como li ontem no Twitter), porém não tem como ignorar os fatos. Muito me espanta, inclusive, que à essa altura, a maioria queira ignorá-los... Schumacher, em seu tempo, enfrentou rivais pesados e quando vieram, tinham carros bons. Além disso, a quantidade de corridas, era também menor. E sim, encarem isso: nenhum piloto teve nem a metade do tempo disposto nas mãos quanto Lewis teve com um carro extremamente superior aos demais de seu tempo. Fica muito difícil separar a grandeza do piloto e a grandeza da equipe, nesse caso. Se fazemos, é achismo puro e simples, isto é, argumento calcado em opinião. E acrescento (podem me xingar o quanto quiserem): esse carro do Lewis não seria nada sem, justamente, Michael Schumacher. 

Está escrito o nome de Lewis Hamilton na história? Sim. Dada as circunstâncias, era inevitável. Ainda temos mais 6 etapas aí, e ele fecha o ano com 97 vitórias e heptacampeão (se igualando ao número de títulos do melhor da história). 

No fim, Mick, "o filho do homem", entregou o capacete do pai à Lewis. As pessoas dizem que Schumi é um homem frio, e infelizmente, ele não pode estar lá para fazer essa entrega. Mas não vi a emoção que pintaram em Lewis ao receber o capacete. Não achei uma bela cena, mas vocês tem todo direito de ter achado bonito.

Fico por aqui. Tenho muito a fazer e infelizmente, não consegui textos de outras pessoas mais entusiasmadas ou capazes, escreverem um texto que fizessem jus a Nürburgring. Fiz alguns convites ontem, todos foram declinados (isso pode ser um sinal...). Mas em Portimão, daqui duas semanas, teremos um texto bacana!

Abraços afáveis!

2 comentários:

Carol Reis disse...

Eu até hoje não superei o Hulkenberg fora da F1. Sobre o Giovinazzi, acho que ele voa no final desse ano, apagado demais.

O Daniel Ricciardo tá se mostrando um azarado, coitado. Sempre na hora e no lugar errado. A McLaren tá voltando a regredir e eu não me surpreenderia se perdessem para a Renault. Certeza que em algum lugar da Europa Alonso sorriu com aquele pódio.

Manu disse...

Aaaah... Aguardo com ansiedade o retorno do Alonso... rsrsrsrs...
Abs!