quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Os tombos de dezembro

Para finalizar comentários sobre a temporada de F1 2018, decidi fazer um post que poderia ser longo, mas era a ideia que eu tinha. (Ele ainda virá, como um dos posts de fim de ano).
Estava para desistir, confesso. Questões particulares indiciavam duas coisas: uma que, talvez, em 2019, eu não tivesse mais tempo para o blog e eu estava protelando esse aviso. Duas que, eu até poderia ter tempo para ele, mas seria exatamente, ou até pior, que 2018. 

Acham que dezembro o pior é ganhar presente de Natal ruim, ter briga na família ou engordar com as comidas? Bobagem.
Antes mesmo do começo de dezembro, tomei outra rasteira da vida, numa dor potencializada do que a que tomei em 2017. Se no ano passado, eu montei num cavalo, no meio do caminho, disseram que o cavalo estava doente e precisava fazer um tratamento. Em dezembro a notícia que veio era de que o cavalo não resistiu. Tive que procurar outro e isso demandou tempo.
Em 2018 montei em um cavalo novo. Arredio e desconfiado. A dedicação para que ele me aceitasse, foi em vão. Ele se cansou de mim. Avisou uma vez. Na segunda vez, ele me derrubou e ainda me deu um coice, bem na cara.

Do que raios estou falando? Bem, vou explicar, embora, vocês não tenham nada com isso.
Em 2017 eu terminei meu mestrado. Redigi um projeto de pesquisa juntamente com a dissertação, o que acarretou um bolo de ideias mau organizadas num arquivo de mais de 20 páginas. Por sorte, tive um orientador (não sei se era tão sorte assim), que me ajudou a ordenar as ideias desconexas, enquanto eu fechava as pontas para a defesa da dissertação. Projeto feito, bem escrito, organizado, entrei em agosto, com uma prova de espanhol para fazer e uma inscrição de doutorado em História feita.

A pressão veio, na medida que passar no exame de proficiência em uma língua estrangeira no programa PROFLIN da Universidade Federal de Uberlândia, é obscuro. Professores de inglês não passam. Já pessoas que nunca fizeram mais do que o básico do idioma nas escolas, passam. O cirtério é totalmente desregrado, seja lá qual for o idioma. Além disso é cobrado uma taxa de 80 reais para as provas. 
Eu, com diploma em curso inglês avançado concluído, fiz a prova em 2013, não passei e protelei em um maldito ano, a entrada no mestrado da História. Um dos únicos cursos de pós graduação que exigia o certificado de proficiência junto com a inscrição, e não, ao longo do processo de pesquisa da pós, como em outros cursos, como alguns das áreas exatas.

A UFU é um microcosmo do que são universidades públicas no Brasil, penso eu. Um lugar em que se empunha a bandeira de transformação social, mas que na verdade, segrega absurdamente quem não faz parte do "nicho" deles. Exigindo um idioma diferente do seu na pós da História, já era, absolutamente, uma grande triagem. Oferecia-se muitas vagas, mas, já se avaliava mesmo antes de se inscreveram. O que mais revolta, não é essa seleção acadêmica de conhecimentos. Acho absolutamente certo isso, inclusive. Eu ficava com um pé atrás com a exigência já na inscrição, afinal outros programas, se exigiam, exigiam o conhecimento da área, e não terceirizavam a prova do segundo (ou terceiro) idioma. Assim sendo, tinham um controle interno mais propício para a a área afim. 
A História não. Jogavam (e jogam) na mão do pessoal da Linguística, a responsabilidade de avaliar o seu próprio (futuro) aluno. Pior, faziam essa exigência, mas seus próprios docentes se negavam saber outro idioma, se negavam a ler obras nos idiomas originais. Nada ou pouquíssimo do que não fosse traduzido, tinha relevância na graduação. Porque exigir isso, de seus futuros pós graduandos? Contraditoriamente, era assim que eles fingiam (e fingem) demência e pinçavam alunos.

Na Linguística, como disse, alguns alunos faziam o curso do idioma solicitado e não se aproximavam da nota de corte. Professores do idioma, e até pessoas que viveram na França, nos EUA, na Espanha... Chegavam lá, reclamavam de uma prova mal feita, e iam para casa sem terem passado. Eu fui uma delas, lá em 2013. Passei um ano estudando para o mestrado, lendo todos os textos que deveria ter conhecido na graduação (outra coisa errada da História - se exige textos que não são dados como base pelo corpo docente, na graduação. Que formação é essa, afinal?). Repeti a prova na segunda vez, no ano seguinte, em 2014. Tirei 6,9. Pelo menos, acima da nota de corte. Apresentei o certificado no processo seletivo e foi deferido.

Havia prova no processo do Mestrado em História. Tirei a maior nota da minha linha de pesquisa.  Da geral eu era a terceira melhor nota de mais de 50 inscritos. Fechei o projeto, nota máxima.
Mas era preciso pinçar alunos de novo. Pinçariam na entrevista, com os professores da linha de pesquisa. Então enfrentei quatro professores, dois conscientes do meu conhecimento. Dois queriam "causar". Ganhei nota 13,5 em 15 pontos. Perdi a bolsa para os orientados dos dois que quiseram pinçar entre os concorrentes.
Resumo: bolsa ali, era só para os alunos dos grandes professores. Mesmo que eles tenham sido obtusos na prova, mesmo que eles sejam obtusos.
Que se foda você que sabe o conteúdo e seu projeto é interessante, academicamente cheio de teorias. Não queremos você. Não fomos com a sua cara, você se aliou a rivais acadêmicos, Você diz coisas com muita petulância. Você sabe demais... 
Fiz 2 anos de curso, vendo os colegas que receberam a bolsa, passearem na Europa com dinheiro público, sendo que suas pesquisas, não necessitava das viagens. Vi colegas se gabarem de pesquisarem o que seus orientadores ofereceram para eles. Nem vou dizer o que acho desse tipo de gente.

Tive um custo alto por ficar 2 anos assim. Sacrifiquei pelo bem do título de mestre. Fiquei na minha, ainda que revoltada. Era necessário me calar para poder não ser calada.
Enquanto isso, tomei bordoada de orientador. E muita. Eu não sabia o que tinha acontecido, mas ele, não via mais que eu pudesse ser capaz de desenvolver minha pesquisa. Tivemos falha de comunicação. No começo de 2017, chorei em mais de uma vez, em cima do teclado do computador. Ficava muda, quando o orientador me ligava e me dava esporro. Tinha se passado dois anos, e eu estava com um trabalho na mão que, e do jeito que ele me tratava, parecia que tinha feito um trabalho ridículo.
Ele colocou panos quentes, toda vez que eu era dura com ele, porém era meio claro que aos seus olhos, eu falhei. Defendi e para os avaliadores, não tive gravidade. Embora não fosse uma grande maravilha, foi elogiado. 
Nesse meio tempo eu não tive muitas horas para pensar no que ia fazer depois. Eu não tinha tempo de fazer um projeto descente, então ele, depois de apagar o incêndio da defesa, aceitou em me ajudar a organizar aquele projeto que eu tinha redigido. 

Eu havia me precavido em 2017, procurado fazer a prova de espanhol com antecedência. Gastei 80 notas, para não passar na prova. Só conseguiria uma segunda chance, caso no edital do doutorado tivesse a inscrição em setembro, quando o resultado das provas de proficiência já tivessem sido divulgadas. Mesmo com os problemas do fim do mestrado, arrisquei fazer mais uma pesquisa. Dessa vez, a comunicação ia ter de ser mais clara.

Estranhamente o edital saiu e indicava que as inscrições seriam muito cedo, em agosto. Eu não ia entrar de novo, por conta de uma palhaçada avaliativa na prova de espanhol no começo do ano.
Está certo que eu não domino espanhol, mas eu tinha um dicionário do meu lado, e eu, que eu saiba, sei interpretar textos. 
Por sorte (será??), poderia ser entregue os certificados dos exames de proficiência junto com os documentos do currículo. Acho que algum bom samaritano do curso de História, percebeu que, sendo agosto, ia prejudicar quem fez a prova de línguas, no segundo semestre. 
Ou assim eu pensava...

Na real, depois das inscrições saiu a nota que dava conta de que CAPES - órgão de fomento das universidades e pesquisas - tinha avaliado o curso de pós graduação da História UFU com notas 3 para mestrado e 2 para doutorado. Essa nota acarretava um "descredenciamento" do doutorado em História na instituição. Motivos? Vários, inclusive o mais graves: evasão de professores e desequilíbrio na produção dos mesmos. 
Meu coração ficou do tamanho de uma noz. Era por isso que adiantaram as inscrições, para forçar a CAPES a aceitar a última turma que estava sendo selecionada, pois já haviam sido avisados do possível descredenciamento.
Eu sabia que eles já tinham sido avisados, pois, um dos aproveitadores da minha bolsa, causou confusão na nossa turma de mestrado 2015, mandando o pessoal cobrar de seus orientadores, muita produção, pois, em breve, teríamos a nota e ia cair o conceito caso o pessoal não passasse a trabalhar enquanto docente e pesquisador. "A nota vai cair, e nós seremos os prejudicados, pois eles recebem e não fazem!!"
Eu tinha raiva do cara, que usou de meios escusos para ficar um mês na Espanha assistindo jogos in loco do Barcelona, fora as outras falcatruas que ele fazia por ter costa quente. Achei que ele estava "vomitando" abobrinhas, que não aconteceriam. Básico: terrorismo.
Inocência a minha...

Em dezembro, o relatório para revogar a nota da CAPES, teria uma resposta do órgão. A resposta era clara: nota 2, e automático descredenciamento do curso de doutorado em História. Não se convenceram...
O processo seletivo que estava em suspenso, foi cancelado. Sem mais explicações, tiraram, em uma semana, do site, todas as informações sobre doutoramento. 
Fiquei a ver navios, especialmente pois, meu orientador não me dava nenhuma indicação de ir para outro programa, em outra cidade que fosse. Literalmente, ele - pelos motivos dele que jamais saberei - me deu as costas.

Passei um fim de 2017 horrível. Peguei aulas de professora substituta em setembro, para ter $ e para criar experiência. Fui humilhada pelo administrativo e pelo corpo docente da tal escola. Ouvi professor de biologia dizer que não sabia o que vinha a ser "castração química".  Fui proibida de dizer para os alunos, que Zumbi dos Palmares tinha escravos no quilombo sob a justificativa de que "não queremos passar a mensagem errada para nossos alunos. Ele era um herói, e essa informação, muda as coisas". 
Na semana da Consciência Negra, costurei uma monte de coisas para os enfeites da escola que faria um monte de atividades. Trabalhei mesmo. Ajudei alunos, e avaliei eles ao mesmo tempo. Na apresentação, uma aluna chorou para mim, pois ela disse para a diretora que a escravidão sempre existiu e nem sempre foi uma questão racial. Ela mencionou que brancos já foram escravizados ao longo da história, por exemplo em Roma. A diretora disse para garota: "Você está errada, brancos nunca foram escravizados... Quem são as professoras que coordenaram seu grupo?" Enquanto isso, eu fiquei das 7hs ao 13hs, na escola, sem lanche, e com os alunos o tempo todo, dando assistência, enquanto os outros professores estavam vagando pela escola sem ajudar um infeliz. Em casa, minha mãe recebia visitas para o aniversário dela.
Na semana seguinte, no mural da escola, as duas professoras que dividiam comigo a orientação da turma, tinham seus nomes num cartaz de agradecimento. O meu, não estava lá. 

Haviam reuniões. Eu tinha de cumprir 20 min de reunião, pois tinha uma turma. Eu ficava em todas as reuniões até o fim, passando das duas horas de duração, ouvindo borracha de professor e funcionário, toda santa semana. Um dia que fui embora mais cedo, pois ia fazer exames de sangue no dia seguinte. Estava morrendo de fome e ia complicar o meu jejum. A pedagoga me repreendeu como se eu fosse criança: "Não vai embora não, mocinha. Te dou falta!"
E a coisa só complicava, Mudavam o horário, não me avisavam. Eu chegava para dar aula, não era a minha vez. Um babacão de educação física fez uma dessa comigo: Os alunos saindo da sala e ou olhando eles de fora. Ele chegou pra mim e disse, "é meu horário agora... professora!", com uma longa pausa e reforçando o jeito de dizer "professora". O sorriso nos lábios indicava cinismo.

Para quem não sabe, tenho 1,50m. Todo mundo acha que eu tenho entre 13-15 anos. Na escola, os docentes achavam verdadeiramente um absurdo que eu fosse professora. Havia um professor de geografia, que me via e falava sempre que havia oportunidade: "Como pode, isso não existe!"
Foram tristes dias. E eu engolia seco para não mandar todos à ....
Por isso em 2018, depois de perder nas designações, decidi fazer matérias como aluna especial na UFU. Por mais que seja uma instituição segregadora, eu ainda amava aquele lugar, o fato de estar estudando, de estar na biblioteca me agradava. Poderia até usar o tempo extra para estudar para o programa de pós da Literatura. Era menos complicado fazer o que gosta, mesmo quando pouca gente se interessa por isso. Geralmente, os detratores são invejosos e você o reconhece com mais facilidade. O isolamento existe, mas é fundamental para a pesquisa. É sofrido, mas gratificante... 

Assim o fiz. Me matriculei em duas disciplinas na Filosofia e fui fazendo contatos com professores de outras áreas. Encontrei uma professora ótima na Letras/Literatura. Fomos conversando ao longo do ano. Eu tinha um artigo pronto e pedi que ela corrigisse. Ela aceitou e publicamos juntas. A coisa fluía melhor que comparado ao meu antigo orientador, que é um excelente profissional, mas não via mais em mim, nada que lhe agradasse. Novamente não sei porque. Talvez ele leia (provavelmente não) esse texto. Mas quero que ele saiba que tenho estima pelo trabalho dele comigo, ainda que tenha sido insatisfatório.  
Tentei de todas as formas, até mesmo contatos profissionais fora da UFU, mas foi em vão. Por isso, me liguei  à professora da Literatura e segui a diante.

Não trabalhei. Sacrifiquei mais um ano pelo bem da pós no ano que vem. Meus planos eram que, com bolsa, teria depois do título, um jeito de ter um emprego satisfatório com meu conhecimento. Escola pública não seria mais o caminho, afinal, não ia resolver ter os títulos pregados na cara. Na verdade, se antes eles me humilharam, se eu esfregasse meus títulos na cara deles, aí que eu sofreria isolamento mesmo. Então tirei essa carta do meu baralho. Dediquei ao possível doutorado como meu coringa.
Fui chamada para apresentar trabalhos, tomei coragem e me inscrevi para ministrar um mini curso no curso de História, com o meu tema de pesquisa e teve adesão de alunos. Entrei em 2 grupos de estudos. 
Eu estava feliz. Achava que eram sinais de sucesso e recompensa. Recompensa pois, que anulei muita coisa para fazer isso: faltei no conservatório de música um mês e deixei o blog quase às moscas. Não tinha tempo para fazer outras leituras, os trabalhos se acumularam. Muitas atividades, ficaram no banco de reservas.
Tudo isso, sem ganhar um tostão.

Prestei o processo seletivo de doutorado na Literatura. A inscrição deles, é paga. Detestei a ideia. Mas gastei mais, além dos ônibus para ir à UFU, mais de 200 reais por mês. 
Fiz uma prova, coloquei autores que domino, além dos exigidos. Escrevi um texto coeso e crítico. Debati temas com segurança e saí leve da prova, com sensação boa.
Tirei 74,33 pontos. Um balde de água fria, mas ainda não gelada. A bolsa só ia ficar mais difícil de conquistar... 
Viajei para Ouro Preto, sob pressão. Não parava de pensar no processo avaliativo. Tentei relaxar, mas não consegui. Voltei e sacrifiquei mais grana para entregar projeto e currículo. 
Semana passada recebi a nota do projeto. Tirei 60,33. Estou eliminada do processo..
Não contei a muita gente sobre meu plano. Mas a contar que não passei, ouvi o "não desista, você é inteligente".
Será?

Por isso no começo do texto, disse que tomei um coice do cavalo dessa vez. Em 2017, não por minha culpa, não fiz o doutorado. Caí do cavalo por conta de circunstâncias fora do meu controle. O instituto que foi displicente com o programa de pós. E claro, em qualquer problema grave, a corda arrebenta do lado mais fraco. No caso, os alunos, pois os docentes continuam na mamata de sempre.
Dessa vez, cair do cavalo doeu, e teve mais, um coice, pois pela minha conta e risco, eles disseram, com essas notas atribuídas: "Você não serve para nós, você é uma inútil."

Meu projeto foi organizado pelo meu ex orientador. Sim, se pensarmos desse jeito, eles estão dizendo o mesmo para ele. 
Mas a questão é: eu não faço bancada esquerdista. Não milito enfiando Marx em qualquer discurso, não defendo causa de gênero, nem causa racial. A UFU, que eu disse que era o microcosmo das universidades brasileiras, se pinta de transformadora social, de formar acadêmicos que falam e buscam as verdades das coisas, simplesmente não aceitam quando alguém pensa fora da caixinha. 
São uns putos, com o perdão do linguajar, que falam assim, mas no virar das costas, diz: "aquele ali não, nem este, nem este". Pensam que inteligentes só são os que pensam como eles. 
E eu, estou fora dessa. 
Na sociedade do contraditório, onde se defende partidos corruptos, pessoas escusas e endeusam maus elementos, claro, pois são no fundo, maus caráteres também, eu quero me desvincilhar disso. Pelo menos para colocar minha cabeça no travesseiro e dormir. Não ficar que nem coruja, a pensar que eu burlei algo, ou que eu estou me desfazendo de minhas vontades para ser uma "fdp" hipócrita. Porque é isso que a galera das universidades são. Ficam aí falando mal das decisões governamentais, como corte de verbas ou sobreposição de disciplinas na grade curricular, dizendo: "eles não querem que a gente pense por si", mas tolhe, corta as asas de qualquer um que queira enfiar o dedo na cara deles, acusando de serem inaptos intelectualmente.

Meu ex orientador diz sempre que o importante é não desistir. Que o importante é sentar a bunda na cadeira e estudar. Que se alguém te mandar "ler 12 livros, seja rebelde e leia 24", como o Bill Gates fez, especialmente porque lendo 24, você vai ter discernimento do porque que os 12 foram exigidos de você. Mas ele está nessa de professor universitário a 24 anos. Para ele é até razoável dizer essas coisas e incentivar os alunos, sejam eles orientandos ou não. 
Depois do PT - sim vou ser suja - esse papo de militância passou a tomar corpo e agora tem fala própria na UFU. Sim, eu entrei na UFU, o Lula já era presidente. Mas sabe onde era meu lugar? Na Matemática. Por isso eu não via essa palhaçada militante de idiota da humanas. Lá nas exatas o povo já está manso. Mas ainda tem razão de ser casca grossa quando querem. Eles ainda sabem alguma coisinha das disciplinas deles. Um pelinho que seja, os alunos guardam e guardaram de cálculo, de física, de orgânica... Se não aprenderam por bem, aprenderam pela dor. Repetiram 3 vezes geometria analítica. Choraram em cima de livros no fim do semestre e choram por décimos. Fizeram prova substitutiva valendo 100, no dia 23 de dezembro. 
Está certo que jogaram truco em frente uma lanchonete e foram para festa open bar o semestre inteiro. Mas eles ainda vão ser melhores. 
Babaca da História, faz prova de consulta e reclama que teve de ler um texto de 30 páginas de um autor que não fala de nada que ele interessa. Otária sou eu que li textos medíocres (alguns de ensino de História) porque era obrigada, de autor que vive em Sorbonne, e tem Marx como bíblia. Vai lá perguntar para ele sobre o que o deus Karl fala sobre propriedade privada se ele não desconversa sobre ter uma casa, um carro e as viagens dele para Europa?

Estou cansada. Perdi 5 anos de graduação e 2,5 de mestrado em História, para simplesmente ser derrubada dentro dos mais lamacentos buracos. Me inscrevi para voltar a dar aulas em escola pública. Não estou no disparate de escolher trabalho. Estou disposta a trabalhar em qualquer coisa, que seja até comércio. Não tenho qualificação para isso todavia. Foram 7 anos de estudos acadêmicos, para me dizerem "não" lá dentro, e ainda ouvirei muitos, inclusive das escolas. Há mais de 130 professores inscritos na minha área numa cidade que tem 16 escolas municipais. Pelo menos metade, é de outras cidades, já saturadas. Ainda mais, as particulares. Uma delas, contrata professores de outra cidade, e teve diversos de meus currículos, jogados na lata do lixo.

E aí vem gente a dar de ajudante, a falar que eu tenho inteligência e vou prosperar? Vir gente a dizer que não devo desistir, que outras portas se abrirão? Por mais que estejam bem intencionados, não devem dizer isso. Não há nada que prove que essas pessoas estão certas. Especialmente pois, se aconteceu com elas, é porque deram sorte ou são melhores do que eu. 
Talvez seja melhor dizer que sou, de fato, incompetente. Facilita as coisas, já que estou incrédula. 
Uma amiga disse: "Você é inteligente, só esses professores desse doutorado que tem merda na cabeça e não sabem reconhecer isso". Bem, adivinha? Eles ganham 20 mil para serem professores. Podem ter merda na cabeça, mas o estado paga eles para produzir... Merda.

Não sei ainda como será ou até como é que vai estar o blog. A tendência é que eu continue a escrever nele, pois nada na minha área surgiu e outros empregos podem ser difíceis, ainda mais numa cidade cujo Q(uem) I(ndica) funciona mais que currículo gordo - que por sinal, também não tenho.
O que sei é que haverá uma (certeza), duas (talvez) postagens sobre F1 até o fim do ano e um desejo de boas festas. Em janeiro, apresento os planos para o blog e se puder, continuo com os posts de música até a F1 começar.

Peço que aguardem o post de análise da F1 2018 e a projeção para a temporada de 2019. Não será requintado, mas pode ser melhor que alguns portais especializados (ou não, vai saber? rsrsrsrs...)
E peço desculpas pelo tom pessimista do post. 

Abraços afáveis!

3 comentários:

Carlos de paula junior disse...

Nossa!!! Você é muito guerreira. Lendo o texto dar para entender como funciona o sistema da universidade publica.

diogo felipe disse...

A partir de 01 jan tudo isso na UFU vai mudar!!! Ou não... 😛

Manu disse...

Obrigada Carlos, pelo "guerreira". Era mais uma guerrilha, não acaba nunca. Mas coloquei as armas no canto. A coisa ficou desmoralizante.

Diogo, hahahahaha... Ah, se eu pudesse confiar. O tal lá, não vai dobrar os intelectuais das universidades não. Eles falam em medo e tudo mais... Mas vão ficar bem e sabem disso.

Abs!