quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Boas Festas 2018!

Escrever postagens de fim de ano te dá dois caminhos: fazer textos bonitos, profundos e com alguns (grandes) clichês. Ou, escrever sobre seus momentos, contar o que deu certo, e o que deu errado de seus planos... 
Eu já contei o que deu errado para vocês, recentemente. Não farei retrospectiva. Tudo que vem à mente são as derrotas, as contrariedades, os murros em ponta de faca. Ainda que as pessoas por aí insistam que a gente não deva ficar apenas falando das falhas - que existem muitas coisas mais importantes que elas e das quais devemos celebrar - eu simplesmente não consigo ver como, em todo o mundo, alguém pode sacar um textão à agradecer pela casa, comida e roupa lavada do dia-a-dia.

De fato, essas coisas são dignas de agradecimento. Existe muita gente que passa por dificuldades por aí, e muitas vezes, não reclama um terço do que passam. Somos mesmo, um bando de malucos ingratos. Vejam bem: esteve uma temporada de bastante chuva, por aqui e em algumas regiões do país. Conte para mim quantos não pediram por uma trégua do São Pedro e um solzinho?
Agora vai lá na sua rede social favorita, e veja se não está reclamando do calor dos infernos?
Assim como faz parte reclamar de qualquer coisa, faz parte ser um fdp ingrato que não sabe o que quer, mais do que permite o bom senso.

Infelizmente, falhas fazem parte da vida. Ainda que sejam parte dela, não mencioná-las não ajuda a sarar a frustração.
Sim, tive um 2018 péssimo. Fiquei sem emprego, me desdobrei em atividades acadêmicas sem ganhar um níquel, e ainda falhei num processo seletivo de pós graduação. Esse mesmo sistema educacional que os esquerdopatas falam que vai acabar com o novo presidente, já é um lixo por si só e não é porque eu não consegui ter sucesso nele. Esse meio acadêmico, que olha para algumas pesquisas, e por 'bugs mentais" ou simples falta de intelecto, só enobrecem seus nichos. A ciência, a pesquisa de coisas novas, é tratada com desconfiança e/ou desprezo.
Mas só os coxinhas é que precisam estudar mais... Ah, se assim fosse...

Estou altamente cética, especialmente com o que mais gosto de fazer. Achei que votando num ou noutro palhaço, escolheria só a forma de "morrer": se era afincada no espeto ou tostada na brasa. O sistema no Brasil, é uma farsa. Tenho a convicção que sou em muitos assuntos, uma completa idiota, mas eu não acho que para viver eu precise me dobrar ao Estado. Porém, é assim que está, e fugir de seus torturantes mandos é uma luta, uma guerrilha; assim tanto fazia um babaca poste ou um bruto incapaz. No fim das contas, o fim de nosso conto, é tragédia grega, tipo Édipo Rei: um tantão de desgraças, e o desespero derradeiro de arrancar os olhos. Metáfora forte, mas verossímil.

É óbvio que algumas coisas nos salvam. Falhas, são clichês, mas moldam caráter, faz você ter orgulho caso alcance uma meta. Ou isso, ou a falha te liberta. No terceiro ou quarto soco na ponta da faca, você desiste, passa um curativo, estanca o sangue, e joga a faca fora. Conta para um ou outro amigo que diz "mas esse sangue perdido, valerá de algo" mas internamente, você tem vontade mandá-lo para aquele lugar. Claro, para ele ou ela, é fácil dizer isso. Ele bateu na faca até ela ficar cega, aí sentiu que poderia vencê-la e entortou a dita cuja. Ela, acha que todo o sangue perdido, foi o sacrifício aos deuses. Ambos fazem parte de toda palestra motivacional como sujeitos ocultos. Ambos adoram quando veem artistas ou atletas contarem suas superações na tv ou em entrevistas. 
Mas só funciona com eles, não se enganem. Desistir também faz parte da vida. E por mais que tenha doído decidir assim, é só mais uma cicatriz que forma. 

Assim, encaro 2019. Sim, desisti de fazer qualquer plano. Vou parar de dizer para mim mesma o que tenho que fazer. Vou parar de pensar demais e ver no que dá. 
Sobreviver a gente sobrevive. Mas não adianta dizer que foi um ano bom pelas pequenas coisas, porque isso a gente identifica em ações e agradece em orações. 
São as falhas que te desmoronam. E elas são mais comuns que os momentos afortunados e são, tão importantes quanto. Nem que seja para fazer você tomar uns tombos e perceber o quão burra está sendo, ou o quão cega é ao ignorar as coisas boas que são passageiras. 

Foram 84 postagens neste ano, das quais vcs acompanharam, sem reclamar, e o bônus está aqui: um enorme obrigada, por me aturarem por mais um ano. Ainda me sinto surpresa pelos elogios de meus textos, sejam eles sobre F1 ou sobre música (mais raro) e sigo gostando deste espaço, como uma válvula de escape. 
Espero ao menos, não perder o humor. Já está difícil achando graça de algumas bobagens, imaginem se me rendo por completo à ranhetice? 

Por isso, roubei essa tirinha pra desejar Boas Festas à todos que passarem por esse blog, de hoje até meados de janeiro. 


Se esbaldem de boa comida, brinquem e se divirtam com quem mais amam. É fútil, mas é útil, desde que com bom senso. Se vai para festejar, faça por onde. Não chegue nos lugares ou receba pessoas em sua casa para ser um chato (mas está liberadíssimo fazer piadinhas de tiozão: "é pavê ou pacumê" e "na vida tudo passa, até a uva...", rsrsrsrs...)

Feliz Natal, Feliz Ano Novo! E abraços mega afáveis a todos e todas!

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