segunda-feira, 14 de novembro de 2016

GP do Brasil: Sempre damos um jeitinho

Façamos as contas: são 19 etapas de F1 todo ano, geralmente. 19 fins de semana comentando e buscando notícias das corridas. Ultimamente, desde que Kimi voltou à Ferrari e desde que Hamilton passou a vencer seguidamente sem esforço, eu tenho contado pelo menos 15 etapas com sextas, sábados e domingos quase que totalmente descartáveis. 
Esse ano foi mais ou menos isso. Até Spa, não foi do pleno agrado, como era antes.
Aos poucos a gente se torna velhos e chatos de tanto reclamar da mesmice e das corridas mornas de resultados sempre previsivelmente xoxos.
Mas eis que chega o GP brasileiro e a gente chega numa constatação que eu peço que vocês confirmem comigo: O GP não pode sair do calendário. Há uma chance de que em 2017 nem tenha corrida da F1 por aqui, e mesmo com a bagunça, as chuvas e a torcida desbocada e mal educada, ele precisa permanecer.
Em qual etapa desse ano a gente se empolgou tanto, até mesmo com os carros parados ou atrás de um Safety Car? Nenhuma. E eu não tenho medo de estar errando essa afirmação.

Essa "ode" à Interlagos não significa que estou dizendo que tudo foi mil maravilhas e não teve a sombra da rotina. Tivemos homenagens ao Senna, ao Massa, vislumbres de nostalgia, chuva, tivemos Safety Car demais, tivemos rodos nos boxes, uma certa bagunça, tivemos um Piquet fazendo umas mal criações e tivemos mesmo, mais de duas horas de Galvão Bueno falando, falando e falando - muitas vezes contando umas mentiras brancas, como é normal. Fora o resultado xoxo e previsível.

Tivemos personagens importantes na corrida em si: Chuva, marcando presença mais que qualquer piloto. Se ela é motivo para tirar a corrida do calendário, eu pergunto porque é que Bernie sempre reitera que quer mais chuvas nas etapas para dar emoção... ¬¬'
As pessoas reclamaram "o para e começa" por conta das condições da pista. Não me venham dizer que chuva emociona e é bom porque da última vez que continuaram a corrida, por conta de visibilidades, perdemos um piloto que poderia ter um futuro interessante na categoria. 
E sejamos pragmáticos, se não fosse um piloto, a corrida de Interlagos de 2016 estaria chatinha nos moldes de qualquer outra.

Tivemos também outro personagem: os escorregões e acidentes. Os causados por "escorregões", apenas Vettel continuou na corrida até o final. Grosjean foi o primeiro "a escorregar" antes mesmo da volta de apresentação. Quase choroso, saiu do carro deprimido. 
Em seguida, com a corrida atrás de um Safety Car, Verstappen "zambetava" de um lado para o outro fazendo Kimi ficar provavelmente tenso. Verstappen avançava mais que Raikkonen e voltava à quarta posição. Se eu não conhecesse Kimi, poderia jurar que não poderia passar um fio de cabelo vocês sabem onde.  
Vettel rodou depois de passar em parte da tinta da zebra. Levou muita sorte, pois alguns carros vinham logo depois, e por conta do spray de água, estavam sem visão definida.
Quando SC saiu, Kimi abriu para Verstappen que estava quase babando no pescoço de Kimi como um vampiro faminto. Nesse tempo, foi a vez de Ericsson rodar onde Grosjean tinha deixado sua marquinha. Ericsson acabou inclusive fechando a entrada dos boxes, deixando o carro lá, no meio do caminho.
Isso propiciou novo SC para retirarem o carro e os pedaços que ele deixou na pista. Com a "relargada" Kimi perdeu o controle do carro e bateu feio, novamente numa situação de perigo um pouco mais grave que Vettel. Ali, sem escape, Kimi poderia ter batido com outro que vinha depois, sem enxergar bem. 
O susto deu margem para que Galvão gritasse que ele bateu sozinho, que muita gente achasse que fosse a pressão do Verstappen de novo atrás dele. Mas na verdade, pelo estado do pneu esquerdo traseiro, imagino que tenha sido pneu furado, provavelmente por alguma coisinh ainda restada do carro do Ericsson. 
O descontentamento de Kimi com o fim da corrida foi refletido no seu andar de ombros caídos e bunda recolhida. Depois disso, o convidado dele - e não do Hamilton, olha só!!! - o guitarrista Slash, foi também embora, ou saiu para bater um papo fora das câmeras com o finlandês - amigo pessoal de Axl Rose.

Dali, a única coisa que não poderia acontecer era Verstappen passar Rosberg. Mas depois de uma pausa completa, ele fez isso no retorno à pista e depois do SC. E eu me exaltei no twitter exigindo que ele chegasse em Hamilton e mostrasse mais homem do que apenas um menino impossível e pentelho.
Lá na volta 40 e tantas ele trocou de pneus e caiu para 16º. O seu show foi pouco visto pois Massa bateu, Galvão não gritou que "foi sozinho" e eu não vi a reprise da batida (nesse tempo eu via na tv a corrida e no notebook, o jogo da NFL). Massa saiu do carro e foi pelos boxes com uma bandeira nas costas. Ali, todos os mecânicos fizeram uma homenagem muito bonita para um cara de pouco currículo: saíram e aplaudiram toda a caminhada de Felipe por ali. 
Chorando mais que as nuvens de São Paulo, Massa abraçou conhecidos e deixou pelas câmeras que a sua mulher protagonizasse um senhor "papelão" visivelmente emburrada e com cara de "vamos sair logo daqui" e a Globo largou de mostrar a corrida. Não sei porque nenhum outro piloto que aposentou-se recentemente teve despedidas iguais a essa. Ouso dizer que nenhum terá (e isso cresce o ego do Massa e de seus fãs).

Ainda tinha corrida acontecendo, e muita gente que xinga até virar do avesso os seus desafetos, mostram o quão "mimimi" são. Sobrou para o Vettel, ao atacar Alonso, ser novamente alvo de críticas. De repente, Verstappen vingou os fãs do Alonso. E Vettel reclamou e eles também reclamaram dele reclamando. Juro: isso me dá uma preguiiiiiça...

E Interlagos é tão mágico, que mesmo com a bagunça que São Pedro proporciona - hehehehehehe -Verstappen foi dando show. Chegamos ao ponto de que, quem criticou a prepotência dele o ano todo, admitiu que ele é bom pra caramba (justificando a troca dele da Toro Rosso para Red Bull, dando a ele mais chances de competitividade). 
Uma tônica de todo piloto maluco é ser bom na chuva: eles aproveitam da prudência dos outros para fazer das suas. Vejam bem - quando ele chegou no terceiro colocado quase no fim da corrida - Sérgio Pérez - ele experimentou o que é um cara "carne de pescoço". Diferente de Vettel, que chegou a dar uma fechadinha para ver se ele espalhava, Pérez foi frio no traçado. Com um carro semelhante poderia até que Pérez fizesse o holandezinho suar mais, mas ele passou e subiu ao pódio, mais feliz que o primeiro colocado.
Eu nunca disse que ele era ruim. Só acho que ele precisa ser menos bocudo. 
E olha só F1: dá para ser chato e pretensioso, tendo talento! Quem diria hein?
Mesmo assim, a gente viu mais uma vitória de um aguado como Interlagos em dia de chuva: Hamilton. 
Rosberg, que poderia vencer se não fosse as circunstâncias, administra os pontos com calma. Falta só o dedinho mindinho das duas mãos para pegar a taça. (E justiça seja feita, que Toto e cia. não arquitetem problemas para ele em Abu Dhabi, lhe basta apenas o terceiro lugar, caso LH vença).
Ainda bem que Rosberg não foi campeão aqui. Porque ninguém ia dar moral para o pai da Alaia - enquanto os mais normais se interessavam pelo show de Verstappen, a mídia local deixava de lado o pódio para falar do Nars (que pontuou, viva!) e reprisar as cenas chorosas de Massa.

Nem tudo é perfeito, mas é bom assim. A gente se diverte.

Abraços afáveis!

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